I. Os factos…… de acordo com o relatado na comunicação social.
Paulo Pereira Cristóvão nasceu em Lisboa. Em 1991 entrou para os quadros da Polícia Judiciária de onde saiu no início de 2007, tendo fundado uma empresa de
Business Intelligence.
Em 2009 candidatou-se à presidência do Sporting, mas perdeu para José Eduardo Bettencourt.
Há um ano atrás, Paulo Pereira Cristóvão integrou a lista de Godinho Lopes para as eleições do Sporting, após as quais passou a ser vice-presidente do clube leonino.

José Cardinal tem 45 anos, é árbitro desde 1990/91, e está filiado na Associação de Futebol do Porto. É também árbitro assistente internacional, tendo estado na fase final do Euro 2004 e do Mundial 2010.
O árbitro auxiliar José Cardinal era um dos elementos da equipa de arbitragem nomeada para o Sporting x Marítimo, dos quartos-de-final da Taça de Portugal 2011/12.
Uns dias antes dos
leões receberem os madeirenses em Alvalade, foram depositados dois mil euros em notas numa conta bancária de José Cardinal, numa agência da Madeira (de acordo com o referido na comunicação social, o depósito foi efetuado por um funcionário de uma das empresas do vice-presidente do Sporting – a Primuslex - o qual terá sido filmado por câmaras de vigilância dos aeroportos de Lisboa e do Funchal e da agência bancária).
José Cardinal foi substituído pelo Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol, tendo sido invocadas razões de ordem pessoal para a ausência do árbitro assistente.
O jogo decorreu a 22 de Dezembro de 2011 e o SCP venceu por 3-0.
Ao intervalo, quando o árbitro Artur Soares Dias se dirigia para o balneário, foi abordado pelo vice-presidente do Sporting à entrada para o túnel. O árbitro apontou para Pereira Cristóvão, o qual foi identificado por um agente da PSP que se encontrava no local.

No final do encontro, o treinador do Marítimo, queixando-se da atuação da equipa de arbitragem dirigida por Artur Soares Dias, fez o seguinte comentário: “
Se calhar, o melhor é fazer como o senhor Cardinal e ficar em casa”.
No dia 12/04/2012, três dias depois do SCP ter derrotado o slb em Alvalade (num jogo dirigido por… Artur Soares Dias!), inspetores da Unidade Nacional de Combate à Corrupção da PJ realizaram buscas em vários locais, entre os quais instalações da SAD do Sporting e do Sporting Clube de Portugal (segundo a comunicação social, as buscas também abrangeram as empresas, a casa e residências de familiares de Paulo Pereira Cristóvão e de Rui Martins, ex-líder de uma das claques do Sporting, e o funcionário que fez o depósito de dois mil euros na conta bancária de José Cardinal).
Em resultado das diligências efetuadas, a PJ recolheu prova suficiente que permitiu a constituição de vários arguidos, um dos quais o vice-presidente do Sporting.

«O Sporting Clube de Portugal informa que o vice-presidente Paulo Pereira Cristóvão solicitou, ao presidente do conselho diretivo, a suspensão do seu mandato, a qual foi aceite com efeitos imediatos»
Comunicado, 12/04/2012
A edição desta sexta-feira do Correio da Manhã revela que o vice-presidente do Sporting aproveitava os serviços das suas empresas de segurança e investigação para recolher informações – algumas alegadamente através de escutas ilegais – e depois fazer chantagem sobre os árbitros.

Rogério Alves, ex-presidente da Mesa da Assembleia-Geral do Sporting e da SAD leonina, confirmou será o advogado do vice-presidente do Sporting neste caso.
II. A história…… da “carochinha” que está a ser contada.
Conforme se percebe da descrição dos factos já conhecidos, o Sporting não tem rigorosamente nada a ver com o caso.
A situação é muito simples de explicar. Através de uma denúncia anónima, o presidente do Sporting recebeu um dossier (dossier? onde é que eu já ouvi isto?), com uma carta e um talão correspondente a um depósito de dois mil euros na conta bancária do árbitro assistente José Cardinal, depósito esse efetuado dias antes do jogo entre o Sporting e o Marítimo para a Taça de Portugal. Como não tinha nada a ver com o caso, a direção do Sporting comunicou esta denúncia a-n-ó-n-i-m-a ao presidente da Federação Portuguesa de Futebol que, por sua vez, deu conhecimento à Procuradoria-Geral da República e Polícia Judiciária.
Entretanto, veio-se a saber que o ex-inspetor da PJ Paulo Pereira Cristovão estava envolvido na marosca, mas era "apenas" suspeito de ter montado uma armadilha ao árbitro assistente José Cardinal (não de o querer corromper), depositando-lhe a módica quantia de dois mil euros na conta bancária, no que terá agido em colaboração com um funcionário da sua empresa e um outro colaborador. Conforme é óbvio, mas convém repetir, o Sporting não tem nada a ver com o caso.
Godinho Lopes, Luís Duque e todos os restantes dirigentes leoninos nada sabiam desta "generosidade" do ex-inspetor da PJ para com os árbitros e foram apanhados completamente de surpresa. O Sporting reafirma que não tem nada a ver com o caso.

O que está em causa é uma ação do individuo Paulo Pereira Cristóvão.
Só aparentemente é que o ex-inspetor da PJ Paulo Pereira Cristóvão e o vice-presidente do Sporting Paulo Pereira Cristóvão são a mesma pessoa.
O Sporting não pretendia retirar qualquer benefício, seja desportivo ou outro, decorrente desta situação.
Em causa não está o presidente Godinho Lopes e muito menos a instituição Sporting.
Em causa não está a justa luta do Sporting contra o “Sistema”, a qual irá continuar... pelo menos até o Sporting voltar a ser campeão à moda de Campo Maior.
III. As consequências…… criminais, desportivas, morais e de imagem.

“
Os factos pelos quais é indiciado e constituído arguido o vice-presidente do Sporting, a meu ver, não consubstanciam nenhuma das infrações disciplinares previstas no regulamento disciplinar da FPF e não poderão levar à imputação ou à aplicação de qualquer sanção disciplinar ao Sporting”
José Manuel Meirim, TVI
O crime de denúncia caluniosa qualificada está previsto no artigo 365.º Código Penal e é punido com prisão até três anos ou pena de multa.

«Os sportinguistas sempre sentiram particular orgulho pelo facto de o seu clube nunca ter estado envolvido em escutas e apitos dourados. Ontem [12/04/2012], esse sentimento sofreu profundo abalo com a notícia de que um vice-presidente do Sporting foi constituído arguido no âmbito de um processo de investigação relacionado com um árbitro. Independentemente do que acontecer no futuro, há um anátema que fica pela presença da Polícia Judiciária em Alvalade. A situação é irreversível»
Antonio Magalhaes,
Record, 13/04/2012
«O "caso Cardinal" é uma facada profunda na direção do Sporting.
Vai fazer sangrar o coração do leão. Pode estar aqui em causa uma sanção desportiva pesada mas pior é mesmo a sanção moral.
O Sporting foi até aqui o clube paladino da verdade desportivo e não precisou de constituir assistentes fantasmas ou de recorrer ao YouTube.
Um vice-presidente operativo e ativo está no centro da fogueira. Tudo indica também que foi ele o pirómano. Não atuou certamente por conta própria, tal como as primeiras provas reunidas indicam.
Só resta um caminho a esta direção do Sporting eleita por um punhado de votos: demitir-se.»
Eugénio Queirós,
Record, 13/04/2012
P.S. O título deste artigo não tem nada a ver o
processo de corrupção “Paquetes da Expo” (fretamento pela Parque Expo SA de navios-hotel para alojar supostos visitantes da EXPO-98).