
A história de Tarik no FC Porto não é um dos contos das mil e uma noites, mas poderia ser de tantas voltas que deu...
Na primeira época de dragão ao peito as coisas não lhe correram bem. Em clara fase de adaptação ao futebol português, foi massacrado com a impaciência dos adeptos e prejudicado pela saída do treinado que o contratou. Como nunca se conseguiu impor na equipa, e possivelmente devido ao desconhecimento das capacidades do jogador, o novo treinador Jesualdo Ferreira não contou com ele para a conquista do seu primeiro campeonato (segundo consecutivo da equipa).
Sektioui foi emprestado em Dezembro de 2006 aos holandeses do RKC Waalwijk, onde participou em 4 jogos (1 golo) fazendo uma época discreta.
No início da época que agora findou, a falta de um extremo de qualidade que pudesse assegurar a substituição de Lisandro Lopez ou de Ricardo Quaresma, fez com que Tarik fosse “convocado” para o estágio na Holanda de modo a demonstrar as suas capacidades. Contrariando as expectativas, Sektioui conseguiu convencer o treinador de que tinha capacidade para ficar no plantel e ser uma alternativa credível.
Com as lesões de Adriano e Farias e o “eclipse” de Hélder Postiga, Lisandro Lopez foi desviado para o centro do terreno e Tarik “apareceu”. O ingresso de Tarik Sektioui na equipa titular foi uma lufada de ar fresco no futebol da equipa. Tarik ganhou o seu espaço e tornou-se numa peça influente na equipa, sendo titular na grande maioria dos jogos.
Chamado a juntar-se à selecção de Marrocos para disputar a CAN, foi obrigado a deixar o plantel numa altura em que era titular indiscutivel. Farias começou a mostrar-se e já se vaticinava o banco para o regresso de Tarik.
Mas o que eu gosto mesmo é desta “magia” de Tarik Sektioui, que vai aparecendo de vez em quando e que o torna diferente de outros jogadores. Uma mágia que apareceu contra o Marselha na Champions League (em que finta meia equipa do Marselha e o guarda-redes antes de finalizar), contra o Sertanense para a Taça de Portugal (com uma bomba a abrir o marcador), no jogo com o Leixões (faz uma assistência para Lisandro e marca um golo de modo fantástico, depois de passar a bola por cima do guarda-redes e rematar de primeira num lance que aconselharia maior prudência na hora de finalizar), e em muitos outros jogos esta época. Apesar de não ser um predestinado como Cristiano Ronaldo, Káka ou mesmo Ricardo Quaresma, Sektioui tem uma dedicação enorme seja qual for o adversário. É um jogador com garra, que luta, tem bons pés mas sabe jogar de cabeça, joga como extremo mas também aparece na área como segundo avançado.
Sektioui esperou pelos 30 anos para ter a sua melhor época.
Eu gosto deste Tarik. Acho que é o extremo mais completo que temos no plantel, e espero que continue o mesmo ainda durante uns anos, de preferência ao serviço do FC Porto!
Nota: Quando se fala da possível saída de jogadores como Lucho e Quaresma, é bom saber que se tem um jogador como Tarik (que renovou o contracto à pouco tempo) que não dá nas vistas dos clubes grandes...