É cada vez mais frequente as marcas de material desportivo (Nike, Adidas, Warrior, etc.) proporem equipamentos alternativos com cores e/ou padrões completamente diferentes do equipamento standard dos clubes.
Equipamentos do Ajax para a época 2014/2015 (Adidas)
Equipamentos do PSG para a época 2014/2015 (Nike)
Equipamentos do Real Madrid para a época 2014/2015 (Adidas)
Vendo, ou antecipando, uma reacção menos positiva dos adeptos portistas, nomeadamente em relação a um dos equipamentos alternativos da próxima época (o cor de rosa é bastante polémico), o FC Porto pôs em prática uma estratégia de comunicação que parece estar a dar alguns resultados…
Equipamentos do FC Porto para a época 2014/2015 (fonte: FC Porto)
Eu, seguramente, não irei comprar uma camisola do FC Porto cor de rosa, mas pode ser que haja quem o faça. E, se a Adidas também escolheu esta cor para um dos equipamentos alternativos do Real Madrid, é porque têm estudos de mercado que apontam para isso.
Seja como for, para mim, o mais importante de qualquer equipamento do FC Porto é esta parte…
Nos meses que antecederam este Mundial 2010, mais concretamente a partir do jogo que deu o apuramento a Portugal, temos sido bombardeados com a publicidade dos gigantes do costume (cá do burgo e não só). BES, Nike, McDonalds e outros de que agora não me recorde deram início a uma intensa campanha de publicidade. Publicitar produtos/serviços que se identifiquem com a imagem da nossa selecção passou a ser quase obrigatório.
O BES recrutou o Ronaldo, o Queiroz e a música "I Got a Feeling" dos Black Eyed Peas.
O Ronaldo começou por fazer um anúncio onde respondia a perguntas de um narrador cuja ideia final era mais ou menos esta "eu tenho um feeling para este Mundial mas certezas, certezas só que o meu dinheiro vai render no BES". Coisa ridícula e de mau gosto.
Queiroz também acabou refém do BES e do tema "I Got a Feeling" dos Black Eyed Peas.
O Simãozinho, por seu lado, optou por assinar um acordo de publicidade com a McDonalds tendo mesmo representado a dança Big-Mac-Loco-qualquer-coisa quando marcou o segundo golo de Portugal no jogo frente à Coreia do Norte.
Os jogadores (ou treinadores) são (ou devem ser) livres para assinarem contratos de imagem e fazerem o que bem entenderem da sua figura. Tudo normal. O problema surge quando uma campanha de publicidade ("Escreve o futuro") de um patrocinador (Nike) condiciona toda uma forma táctica de abordagem aos lances de bola parada da Selecção Nacional. Agora somos obrigados a gramar o Cristiano Ronaldo a marcar todo e qualquer livre directo mesmo depois de já ter marcado uma boa meia dúzia com a bola a passar a kms da baliza adversária. O ritual é sempre o mesmo e igualzinho ao do anúncio Nike: Ronaldo, o herói, segura na bola e coloca-a no chão. Afasta-se lentamente e pára fixando-se com as pernas bem afastadas. Depois intercala alguns olhares profundos entre a bola e a baliza. Para finalizar faz uma inspiração profunda dilatando visivelmente a caixa torácica e expira de uma só vez para então correr para a bola e rematar em estilo. No anúncio a imagem seguinte aparece com um fundo negro e a letras brancas o título inspirador "escreve o futuro". No relvado têm aparecido chutos para a bancada.
A Selecção tem excelentes marcadores de livres directos e bolas paradas. Simão, Bruno Alves ou Raul Meireles são alguns exemplos. Estamos reféns da publicidade Nike?
Recentemente foi notícia o retorno que os patrocinadores do FC Porto tiveram pelo facto de estarem associados ao clube (eu não acredito muito naqueles números, mas isso é outra conversa). Um dos patrocinadores com maior retorno é a Nike.
E se hoje em dia toda a gente sabe que o FC Porto equipa Nike, a Kappa teve uma passagem mais efémera (mas fortemente marcada pela camisola laranja com o dragão em silhueta), a grande referência do passado do FC Porto é sem dúvida nenhuma a Adidas - as camisolas com as três riscas na manga, fazem indubitavelmente parte das memórias.
O que já não fazia parte das minhas memórias, era que o FC Porto tinha em 1982/83 equipado Puma. Há tempos a navegar por alguns blogs encontrei esta foto do Frasco no Glórias do Passado (de onde obviamente gamei a foto), e depois de mais alguma investigação, confirmei que não era nenhuma montagem :-D
E agora esquecendo que os patrocínios são importantes, que a mudança de n.º de riscas é agora anual, e que disso não nos vamos livrar. Mas repito, esquecendo isso, digam lá se não era um orgulho voltarmos a ter uma camisola assim.