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segunda-feira, 20 de abril de 2015

O Ragnarok

Foi um jogo [Bayern x FC Porto, na época de 2000/2001] sui-generis, porque o árbitro [o escocês Hugh Dallas] quis pôr o Bayern nas meias-finais. O Fernando Santos [treinador do FC Porto] até se exaltou no final do jogo e foi castigado. Poderíamos ter feito mais, mas não nos deixaram”,
recordou Jorge Costa, ex-capitão do FC Porto e actual seleccionador do Gabão, que receia que o mesmo aconteça amanhã em Munique onde, refere, “não será fácil ao FC Porto sobreviver”.


António Sousa, ex-jogador do FC Porto, considera que o jogo na Allianz Arena “vai ser uma missão complicadíssima”.
O Bayern é uma equipa de ‘top’, não tenho a menor dúvida em considerá-la a melhor equipa em termos europeus” e, por isso, apesar da vantagem alcançada na 1ª mão, Sousa considera que “o FC Porto, num dia terrível, vai ter muita dificuldade para passar” às meias-finais da Liga dos Campeões.
Espero estar enganado, mas a minha perspectiva em relação a essa possibilidade é muito reduzida”, acrescentou o ex-médio portista, que se sagrou campeão europeu em Viena, na época 1986/1987.


José Manuel Ribeiro, O JOGO

«Os lesionados serão infiltrados, a nomeação do árbitro será vigiada, os prémios serão aumentados. O FC Porto vai encontrar em Munique aquilo que, na mitologia nórdica, se chama o Ragnarok. O Apocalipse.
José Manuel Ribeiro, O JOGO, 18-04-2015


Estou de acordo com as opiniões expressas por Jorge Costa, António Sousa e pelo director de O JOGO.
Se ganhar ao Bayern no Estádio do Dragão foi tremendamente difícil e só possível graças a uma exibição transcendente da equipa do FC Porto e a um dia menos bom de alguns jogadores do colosso da Baviera, ir a Munique sem Danilo, Alex Sandro e Tello (a que poderia juntar Adrián López, o nosso Javi Martínez...), tendo de fazer adaptações em metade da defesa, resistir 90 minutos e sair do Allianz Arena com a eliminatória na mão, seria épico!
Na minha opinião, algo só comparável às vitórias “impossíveis” sobre o Dinamo Kiev de Lobanovsky e este mesmo Bayern, na época 1986/1987.

Mas, apesar do meu cérebro me dizer que as probabilidades de sucesso são baixas, o meu coração acredita.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

1993



Numa noite de insónia pouco habitual, pus-me a viajar pelos muitos canais televisivos à disposição, até que desaguei no RTP Memória que retransmitia o Farense-FCP do ano da graça de 1993. Essa jornada, segundo percebi do saboroso relato de Gabriel Alves, realizou-se já no fecho do campeonato e com o quase certo primeiro lugar no bornal do FCP. O jogo fez-se à luz do dia, estava muito vento e foi arbitrado por Donato Ramos.
O FCP alinhou: Baía; Bandeirinha, Fernando Couto, Aloísio, Vlk; Jaime Magalhães (Jorge Couto), Rui Filipe, André, Semedo; Domingos e Kostadinov. O treinador era o brasileiro Carlos Alberto Silva. O resultado final: 1-0 a favor da equipa algarvia, num jogo horrível, feito de colisão e muito pontapé sem arte nem jeito e demasiadas vezes dirigidos às canetas do adversário. Não jogávamos em “posse”, não saímos do 4x4x2, o meio campo foi demasiado lento, aqui e acolá com algumas acelerações do mal-amado Semedo e a única receita foi jogar para o Kostadinov que ainda incomodou, apesar da marcação impiedosa do brasileiro Luisão. Domingos foi muito castigado o que o condicionou. Apenas Aloísio e Vlk estiveram bem. Os restantes estiveram a um nível pouco condizente com os seus pergaminhos. A nossa equipa apenas incluiu três estrangeiros e dos portugueses só o André não veio da formação. A arbitragem foi um horror e permitiu ao Farense uma postura de violência inadmissível, nomeadamente no primeiro tempo. O comentador era hilariante e julgou sempre as agressões claras do nosso opositor como sendo involuntárias.
21 anos separam-nos daqueles tempos; o futebol mudou substancialmente e para melhor: na construção e qualidade do jogo, no preparo físico, na intensidade e velocidade,  com  arbitragens de melhor qualidade e muito menos violento. Pela negativa, o colossal recurso a jogadores estrangeiros em relação a esses tempos e a míngua de atletas da formação na constituição da nossa equipa principal. Outro contraste: o estádio do Farense estava cheio. Muito idêntica ao que se passa  nos nossos dias,  a mediocridade do comentário que não mudou a matriz: a falta de qualidade sustentada no duopólio que fornece a grande maioria dos comentadores da nossa praça: SLB e SCP e, ainda por cima, mauzinhos, mauzinhos.

Sou o mais velho do RP o que não é mérito para além das fragilidades que o envelhecimento provoca e continuarmos com vontade de andor por aí. Apesar disso, não tenho saudades do passado nem do futuro. Fala-se muito nestes tempos, na ausência de mística e aponta-se que nos falta na nossa equipa actual mais amor à camisola e dá-se como exemplos maiores dessa ligação clubista íntima, Vítor Baia e Jorge Costa. Gosto de ambos, mas na bola o atleta, não raramente, cede às circunstâncias. VB não hesitou em emigrar para o Barcelona, regressar depois de rejeitado no clube catalão com a garantia do mais alto vencimento praticado no nosso país e, hoje, colabora com o incrível Record, enquanto JC fugiu duas vezes, na primeira por ter atirado a braçadeira de capitão para o relvado a segunda por não ter tido a capacidade de reconhecer que já não reunia condições para ser titular. Um dos jogadores que mais aprecio no actual plantel é Óliver Torres que sem qualquer ligação ao clube e à cidade se comporta como sempre cá tivesse vivido ou saído da formação. O amor ao clube é importante, mas não é decisivo: a qualidade e o profissionalismo estão primeiro, digo eu.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Foi há 10 anos!


Cumpre-se hoje uma década sobre o segundo triunfo do FC Porto na maior prova de clubes a nível europeu: a Liga dos Campeões. O ano 2004 ficará para sempre na nossa memória (e no nosso Museu!).


Resumo dos golos:

quarta-feira, 26 de maio de 2010

700 jogos, exemplar!

Na final da Liga dos Campeões, Javier Zanetti cumpriu o 700º jogo com a camisola do FC Internazionale Milano. Havia quem dissesse que este tipo de casos eram impossíveis na era pós-Bosman, mas pelos vistos...

Ao vê-lo jogar e no final a levantar a taça, lembrei-me que também já tivemos capitães desta estirpe, também eles exemplos e esteios das grandes equipas que conquistaram a Taça/Liga dos Campeões em 1987 e 2004. Sim, é verdade, quer João Pinto (chegou ao FC Porto com 14 anos vindo do Oliveira do Douro), quer Vítor Baía (veio do Académico de Leça com treze anos), jogaram mais de 400 jogos com a camisola do FC Porto e terminaram a sua carreira de dragão ao peito.

Neste aspecto, e em contraponto, o que se passou no Jamor foi exemplar. O jogador que envergou a braçadeira de capitão, poucos minutos após erguer o troféu, estava mais preocupado em transmitir-nos o seu enorme desejo de sair... E no jogo anterior, em Leiria, o capitão do FC Porto foi Rolando.

Mais do que contratar bons jogadores, que obviamente são necessários, o que eu espero de Pinto da Costa é que acabe com a "política do contentor" e refunde uma equipa onde a cultura e valores do portismo estejam bem entranhados, pelo menos naqueles que tenham a honra de envergar a braçadeira que já foi de Rodolfo Reis, João Pinto, Jorge Costa e Vítor Baía. É que para voltarmos a ganhar à Porto, precisamos de jogadores à Porto.

sábado, 17 de abril de 2010

Quem será o Senhor que se Segue?

Restam poucas dúvidas que, depois de uma ilustríssima carreira no F.C. Porto, o Prof. Jesualdo Ferreira não continuará no clube na próxima época. O percurso da equipa em 2009/10 foi-lhe fatal, e a sua saída decerto que recolhe um grande consenso entre os portistas. Vamos portanto partir para outra. E quem será o seu sucessor?

Várias hipóteses se têm colocado, como é normal nestas ocasiões. Os nomes que se seguem são os mais falados, quer nos media, quer em conversas de café, e uns serão verdadeiras possibilidades, outros meras fantasias que nem pela cabeça do próprio Jorge Nuno Pinto da Costa – o grande decisor nesta matéria – terão passado. E até, quem sabe, pode suceder que o escolhido não conste desta lista. Ora então, aqui vamos (por ordem alfabética):

André Vilas Boas – O grande enigma. Esteve a um passo do Sporting a meio da época, e diz-se que estava a caminho de Alvalade na próxima época, até que um rocambolesco volte-face o terá arredado dessa via. A principal recomendação de Vilas Boas é ter trabalhado com Mourinho, o que, temos de concordar, é pouco. Mas com ele o progresso da Académica foi sensível, e não apenas na classificação.

Domingos Paciência – o muito razoável trabalho na Académica, onde obteve a melhor classificação de há muitos anos, e a espectacular carreira do Braga esta época, tinham de catapultar este nosso antigo grande jogador para a lista dos possíveis sucessores de Jesualdo. Pessoalmente, confesso que não vi nenhum jogo do Braga que me empolgasse. Organizado, seguro, sem dúvida, mas política do “safety first”, é o que me parece.

Jorge Costa – Sem desprimor para o nosso grande capitão de Sevilha e Gelsenkirchen, não creio que o seu nome figurasse nas cogitações dos portistas se ele não tivesse sido quem foi no clube. Mas devo reconhecer que o Olhanense até é uma equipa “práfrentex”, longe do estilo “autocarro” tão característico da bola pátria.

Mano Menezes – Mano Quê? Esta será a pergunta de muitos, mas o nome do actual treinador do Corinthians e antigo treinador do Grémio, que tem tido uma longevidade à frente das equipas inabitual em Terras de Vera Cruz, foi recentemente mencionado no Brasil como possível treinador do FCP. Eu bem sei que em matéria de boatos os brasileiros têm bem a quem sair, mas aqui fica. Não tenho os treinadores brasileiros em grande conta, e acho até que, se tivessem alguma categoria, o Brasil tinha sido campeão do Mundo muito mais vezes, mas este rumor “vale o que vale”, como agora se diz.

Paulo Bento – Pois, pois, há quem diga que está na “pole position”, e eu nem sei que diga ou que pense. Com ele o Sporting era uma equipa dura de roer, mas pouco mais, e jogava sempre da mesma maneira, um defeito que muitos apontam a Jesualdo. Mas o homem tem qualidades, e se lhe “podassem” o discurso até pode ser que a sua escolha acabasse por ser digerível.

Paulo Sousa – Valha-nos S. Paulo, mais um Paulo! É conhecida a mútua consideração entre ele e Pinto da Costa. Paulo Sousa está actualmente à frente do Swansea City, no Football League Championship (2ª divisão inglesa) e tem feito uma excelente época, estando a equipa a bater-se por um dos lugares nos play-offs de onde sai o terceiro promovido à Premier League. A imprensa inglesa tem elogiado o futebol da equipa.

Digam de vossa justiça.

sábado, 28 de novembro de 2009

Menos um para suceder a Jesualdo


"O que se passou esteve à vista de toda a gente. Não entrámos como queríamos, sofremos um golo de forma fortuita. Não sofremos o 0-2 no penalty por mérito do Ventura, que acabou por ser um dos melhores em campo. (...) o resultado acaba por ser justo, num dos nossos piores jogos da época. (...) Vamos pensar, hoje fizemos muitas coisas menos boas."
Jorge Costa, 27/11/2009


Depois das eliminações na Taça da Liga e Taça de Portugal, o Olhanense (a que alguns chamam de "Porto B") vai de mal a pior e averbou ontem mais uma derrota em casa. Foi o 10º jogo consecutivo sem vencer e há 615 minutos consecutivos que os algarvios não marcam um golito. É obra!

Presumo que este desempenho da equipa comandada por Jorge Costa deve ter arrefecido o entusiasmo daqueles que colocavam o ex-capitão portista entre os potenciais sucessores do treinador tri-campeão nacional e, quiçá, já em Janeiro...

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Castigos e castigos

«Jorge Costa foi hoje suspenso 25 dias e multado em 1500 euros pela Comissão Disciplinar da Liga de Clubes, na sequência da expulsão do ‘banco’ no jogo com o Gondomar, disputado no passado domingo.


Quique Flores vai poder marcar presença no ‘banco’ do Benfica no jogo com o Belenenses, no próximo sábado, em virtude de não ter sido punido com pena de suspensão pela Comissão Disciplinar da Liga de Clubes, na sequência da expulsão no jogo com o Sp. Braga. O técnico espanhol foi advertido e condenado ao pagamento de 150 euros de multa.»

in A Bola, 19 Maio 2009

Suponho que estas suspensões e não suspensões de treinadores expulsos do banco dependam dos relatórios dos árbitros. É curioso que o agora suspenso Jorge Costa foi expulso por Bruno Paixão, o mesmo árbitro que expulsou Paulo Bento – que não foi suspenso – e não escreveu no relatório o que inexplicavelmente não tinha visto, mas que depois disse ao CD que tinha visto e desconsiderado os insultos de que tinha sido alvo e mais não sei o quê, evitando uma suspensão por um lado e um sumaríssimo pelo outro.

Com este historial de decisões, é possível compreender os “rigorosos” critérios à la carte pelos quais árbitros e CD Liga se regem para expulsar treinadores, escrever relatórios de jogo e aplicar suspensões.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Jorge Costa



Obviamente que JC deixou de ser o nosso grande capitão quando saiu do FCP, mas emocionalmente para os portistas nunca perdeu esse lugar, porque o exerceu de tal forma que passou a ter um valor simbólico que desafia a lei do tempo, tal qual o nº 2 que vestiu, nas pisadas de João Pinto.

Hoje é um cidadão, profissional, no mercado para servir sob a melhor proposta, e isso requer para algumas personalidades um posicionamento que não crie anti-corpos que possam pesar desvantajosamente na sua carreira. Esta é uma posição inatacável e que se compreende.

Os clubes, também eles, quando os jogadores atingem o seu prazo de validade nem sempre se comportam com a grandeza do clube e o respeito devido aos atletas que o serviram de forma irrepreensível. Não é só no futebol que acontecem estas “coisas da vida”.


Vem tudo isto a propósito da ida de JC, na quinta-feira passada, ao programa “Pontapé de Saída” da RTPN, na qualidade de treinador, mas essencialmente em função de ter sido atleta do FCP, com grande experiência e carisma e poder relatar – com conhecimento de causa – o que se passa na casa, como a equipa é capaz de se transcender, como funciona o balneário e como o FCP consegue revitalizar-se num período em que a mobilidade dos jogadores é bastante maior que no passado.

Ouvir essa experiência de alguém que é reconhecido como digno representante dessa mística que é cultura do FCP, antes de um jogo com um rival, depois de comportamentos bem dispares de ambas as equipas na CL, era uma curiosidade, certamente, dos promotores do programa, que os portistas agradeceram, mas que foi uma total desilusão, digo eu.

JC foi sempre muito equidistante e uma das suas primeiras frases e mais marcantes foi relevar a forma (ingénua) como o SCP acedeu a antecipar o jogo, perdendo 24 horas de descanso relativamente ao FCP, e que Freitas Lobo logo aproveitou para o choradinho do costume.

Foi quase sempre parco de palavras – Marlon Brando não faria melhor – com um discurso cheio de “over acting”, com pausas para meditar bem no que dizia, para depois deixar sair meia dúzia de vulgaridades, sem qualquer interesse.


Pareceu-me que pretendia camuflar a sua ligação ao FCP e em todas as respostas, mesmo quando lhe perguntaram se gostaria um dia de treinar o FCP? Não comentou diferente que o faria qualquer outro treinador em Portugal.

Talvez seja ingenuidade minha, talvez tenha que ser assim: um jogador como Jorge Costa ficou com um carimbo de que dificilmente se livra, para o bem e para o mal. Não vale a pena falar como um “senhor”, não vale a pena tentar passar a ideia que o FCP já foi e que amigos, amigos, negócios à parte. Não havia necessidade, porque JC ficou com esse cunho do qual se deveria orgulhar e servir, porque deveria fazer parte da sua pele e nada há que esconder ou de que se envergonhar, quando alma não é pequena.

Pode ser que tenha tomado a nuvem por Juno, mas aquele aparente “descomprometimento” chateou-me, e só por uma vez JC se enganou quando disse “estávamos” (referindo-se ao FCP), para logo emendar com “estão”. Ao JC símbolo do FCP não basta pensar que o é, é preciso ser e parecer. E não são precisas juras de amor eterno. Basta ser inteligente.