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sábado, 2 de dezembro de 2017

"Roubo de Igreja" e "Roubo de Carteira"

O FC Porto vai ser campeão.
Depois de um dos mais inacreditáveis "roubos de Igreja" que a Invicta já viu a convição não podia ser mais forte. Pedroto estaria pouco surpreendido ao descobrir que mais de quatro décadas depois da sua mítica expressão ter dado à luz, tudo continua igual e a impunidade grassa sobre o futebol português. As pistas estavam lá, nos jogos do Benfica e, sobretudo, nos jogos do Porto. Um ano mais uma equipa sem ideias, sem futebol, sem talento e sem treinador, em condições normais, chegaria a Dezembro fora da corrida do título como lhe aconteceu dezenas de vezes (e aos vizinhos do lado) durante os anos noventa e dois mil. Mas estamos na era do Vieirismo, da amizade com os poderes do governo, da justiça e da polícia, dos relatórios secretos sobre os árbitros, dos sms com mensagens comprometedoras, da espionagem sobre o presidente da Federação e afins, a era dos Guerra, dos Marinho e da impunidade absoluta. E por isso mesmo, um ano mais, uma equipa vulgar, colocada no seu devido sítio na Europa, onde tudo isso vale zero, está a três três pontos da liderança e bem dentro da corrida. E vai continuar a estar, por muito mal que joguem. Porque é imperioso que estejam. Porque este Portugal, "pos-democrático", é mais salazarista e centralista que o Portugal contra o qual Pedroto lutou e denunciou. E essa realidade, por muito que se denuncie em prime-time, não se apaga com um sopro de vento. Será preciso outro terramoto para varrer a escumalha que nos meandros do futebol português adultera, ano atrás ano, a competição. Até lá estes "roubos de Igreja" vão continuar a ser frequentes e a sobranceria dos Vitória, jactando-se da sua própria incompetência, agradecendo aos VAR que ficam calados quando devem falar. Dos golos limpos anulados. Das mãos que são peito ou dos peito que são mãos. Dos empurrões, cuspidelas e socos aleivosos. A isso pode agradecer Vitória, que de futebol entende tanto como de matraquilhos, ter saído vivo de uma caldeira que estava preparada para cozer o Polvo mas que se encontrou com tentáculos que ainda são mais fortes do que podemos imaginar. Tentáculos que, ainda assim, serão insuficientes em Maio.



Porque o FC Porto vai ser campeão.
Contra os "roubos de Igreja" e também contra os "roubos de carteira". Ler entrevistas ou declarações inoportunas e oportunistas de Pinto da Costa tornou-se num dos melhores exercícios de stand-up comedy de Portugal. Há uns tempos queixou-se de que Lopetegui, o treinador que tanto elogiou na imprensa internacional e que lhe convenceu até a comprar Ferraris que hoje, vê-se, são Corsas noutras paragens, não era treinador para ganhar, ao contrário de Conceição. Também disse, algures no tempo, porque ao ouvir Pinto da Costa o tempo perde dimensão e lógica, como se fosse uma Matrix, que qualquer treinador seria campeão com os "Falcão, Hulks, James" e companhia, numa bicada seguramente aos Villas-Boas e Vitor Pereiras - os últimos treinadores campeões nacionais, é preciso lembrar - e que ser campeão com um plantel actual é que era. Pois era. Vitor Pereira saiu em 2013 do FC Porto. Há quase cinco épocas. Nesse espaço de tempo essa sumidade elegeu como treinadores nomes distintos, perfis distintos e com mentalidades distintas. Deu-lhes jogadores pedidos, deu-lhes jogadores que não queriam mas que tinham de ter e foi vendendo os anéis. Dos dedos, dos colares, da alma. Foi estripando o FC Porto, abrindo-o por dentro e sacando, gota atrás de gota, o sangue. O FC Porto, o mesmo clube que durante uma década foi considerado um exemplo de gestão, sobretudo como comprava muito barato, vendia muito caro e mantinha uma boa prestação desportiva, hoje está sob a alzada da UEFA. Não pode gastar nem um cêntimo sem avisar, não pode cometer nenhuma loucura, não pode investir sem somar, subtrair e contar com muitos dedos os números. Durante estes quatro anos e meio sem títulos o Porto vendeu tudo e não ficou com nada, salvo Brahimi, que ninguém parece querer, felizmente, e Herrera, que ninguém parece querer, infelizmente. Já vendeu jogadores com um ano de casa, da formação, sem sequer garantir o 100% da sua mais valia e já vendeu apostas falhadas e logradas. O que não conseguiu foi investir bem porque o supra-sumo das declarações inoportunas, seguramente com a cabeça e o corpo metido noutro lado, perdeu tudo aquilo que o ligava á sanidade da gestão futebolistica. E a carteira do FC Porto foi sendo "roubada", desde dentro, e o dinheiro ganho, as transferências milionárias, foram desaparecendo num buraco onde já cabe o Dragão e, daqui a nada, o azul e branco se for preciso. Ontem, num jogo decisivo, Sérgio Conceição, um homem que faz milagres mas a quem não se pode pedir sempre o impossível, realmente não podia deixar de olhar com inveja para os que o precederam. Os que tinham na área a jogadores como Derlei, McCarthy, Lisandro, Falcão, Hulk, Jackson ou André Silva e não Moussa Marega. Há uns tempos atrás escrevi que Marega era o exemplo desta equipa e nada pode ser mais certo. Todo o querer do mundo e toda a dificuldade do mundo incluídas num jogador que dá 200% mas que há coisas que não pode dar. A culpa nunca será sua. A culpa é de quem foi sangrando o clube a ponto de que tenha de lutar contra o maior rival de sempre, o Polvo, com Marega, com Otávio, com Aboubakar e com Herrera quando durante uma década teve jogadores de um nível muito superior, cujo dinheiro das vendas foi mal gasto, negócio atrás negócio, para não falar naquele que, misteriosamente, desapareceu e foi parar a outras mãos. Ontem o FC Porto mediu-se nu contra o Polvo. Despido por quem devia ter procurado dar-lhe o melhor traje de batalha e o despojou das armas. Conceição, os seus e os adeptos no Dragão foram à luta na mesma, porque esse é o nosso ADN, e lutou com os punhos e com a alma. E ganharão, ganharemos, esta batalha. Contra tudo e contra todos, inclusive contra aqueles que nos despiram e nos deixaram nus para, mais á frente, virem reclamar os despojos e o traje do imperador.



O FC Porto vai ser campeão.
Contra tudo e contra todos. Dentro e fora. Salvo o plantel - um exemplo de atitude mesmo quando o talento e a capacidade individual não dá para mais - e o treinador, o motor desta recuperação espiritual de uma ideia de Porto perdida desde a época das vacas gordas, contra tudo e contra todos. Contra os interesses da capital, os negócios ocultos da trama e os tentáculos nas esferas do poder. Contra as manobras rasteiras de Alexandre, contra a ressaca do "Anterismo", contra os interesses dos Teixeiras. Contra o vitimismo dos Vieira e dos Carvalho, contra a violência dos Fejsa e os braços de Luisão. Contra os fundos que andam a apropriar-se, pouco a pouco, do futuro do clube, os que hipotecaram o estádio e o negócio com a Altice e os que fizeram com que a UEFA tivesse direito para apresentar-se à porta a pedir contas. Contra o VAR calado do Polvo. Contra o silêncio oportunista de Pinto da Costa. Contra tudo e contra todos. Campeões.

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

“As gentes do Porto são ordeiras”

O penálti sobre Danilo visto de vários ângulos (clicar na imagem para ampliar)

Uns minutos após o final do CD Aves x FC Porto, Pedro Henriques (ex-árbitro da AF Lisboa), o comentador de arbitragem da SportTv, afirmou o seguinte:

“Há penalti! Não deixa dúvidas. O jogador tentou pontapear a bola mas pontapeou o Danilo. Não interessa se é sem querer.”

No dia seguinte, nas páginas dos três jornais desportivos, a opinião dos comentadores de arbitragem era unânime.

No jornal O JOGO, Jorge Coroado (ex-árbitro internacional da AF Lisboa), José Leirós (ex-árbitro da AF Porto) e Fortunato Azevedo (ex-árbitro internacional da AF Braga), que constituem o painel do ‘Tribunal de O JOGO’, são perentórios: ao minuto 90, ficou por assinalar um penálti a favor do FC Porto.

Duarte Gomes (ex-árbitro internacional da AF Lisboa), na análise à arbitragem nas páginas do jornal A BOLA, confirma e diz que existiu um penálti (por assinalar) sobre Danilo.

Nas páginas do jornal Record, Marco Ferreira (ex-árbitro internacional da AF Funchal) e Jorge Faustino (ex-árbitro) também não têm dúvidas e escreveram o seguinte:

“Amilton foi surpreendido pela antecipação de Danilo e, quando pretendia jogar a bola, acabou por apenas acertar na perna esquerda do jogador do FC Porto. Pontapé de penálti que ficou por assinalar”

“O jogador [Amilton] tenta pontapear a bola, acabando por acertar na perna de Danilo de forma imprudente dentro da sua área. Penálti por assinalar, não tendo a devida ajuda do VAR”

Sete ex-árbitros, colaboradores de diferentes jornais ou televisões.
Sete ex-árbitros, de diferentes gerações.
Sete ex-árbitros, de diferentes associações do país (maioritariamente da AF Lisboa).
Sete ex-árbitros, a maior parte dos quais ex-internacionais, são unânimes:
Ao minuto 90 do CD Aves x FC Porto, ficou um penálti por assinalar a favor do FC Porto!

Mais. O penálti é de tal forma descarado que, vendo a unanimidade dos ex-árbitros e não tendo outros argumentos, a máquina de propaganda do SLB até se deu ao trabalho de pôr a circular um vídeo com imagens manipuladas.

O vídeo manipulado foi publicado no Twitter 'SL Benfica Press'

A razão desta rara unanimidade em relação ao penálti sobre o Danilo que ficou por assinalar é simples: trata-se de uma falta demasiado evidente para se poder usar a desculpa do “em caso de dúvida…”. Ou, dito por outras palavras, não é um “penálti de televisão” (outra desculpa que era habitual). É um lance claríssimo, que não deixa qualquer tipo de dúvida (a pessoas minimamente honestas), sendo perfeitamente visível mesmo sem se ter acesso a imagens televisivas e repetições (como é o caso do VAR).

E contudo, no ‘Dragões Diário’ do dia seguinte ao jogo (26-11-2017), a referência ao lance foi esta:

«… um penálti por assinalar de Amilton sobre Danilo, que nem árbitro nem vídeo-árbitro conseguiram analisar corretamente…»

É só isto que a estrutura do FC Porto tem para dizer, sobre o erro de arbitragem mais grave deste campeonato?

Com tantos paninhos quentes, com tanto cuidado na escolha das palavras para não ofender a APAF, só faltou pedirmos desculpa aos “padres”…, perdão, aos excelentíssimos senhores árbitros, que estiveram de serviço (e que servicinho fizeram…) na Vila das Aves.

E não me venham com a conversa de que temos que relativizar e que este é "só" mais um penálti (o sexto desta época) que ficou por assinalar a favor do FC Porto.
Eu não aceito esse tipo de conversa.
Este é O penálti que ficou por assinalar ao minuto 90, de um jogo que estava empatado (1-1) e, por isso, as consequências do "erro" são muito mais gravosas do que noutros casos.

Em resumo, perante um lance destes, com toda esta envolvência, o FC Porto não pode reagir de forma encolhida, timida, quase envergonhada, como o fez no ‘Dragões Diário’.

E pior ainda, dois dias após a equipa liderada por Sérgio Conceição ter sido espoliada de 2 pontos na Vila das Aves, o presidente e a administração da FCP SAD continuam em silêncio.


O mestre Pedroto a apontar o caminho

“As gentes do Porto são ordeiras porque, se não fossem, há muitos anos teriam recorrido à violência perante os enganos dos árbitros que têm decidido da perda de muitos campeonatos e Taças de Portugal.”
― José Maria Pedroto

Que saudades do mestre Pedroto e do seu companheiro de então, Jorge Nuno Pinto da Costa. A dupla que, há 40 anos atrás, se insurgiu contra os poderes instalados na capital do ex-Império e iniciou a transformação dos “andrades” em “dragões”.


P.S. O "polvo encarnado" estende-se para todas as áreas, do futebol à comunicação social, passando pelo poder político e judicial. Por isso, não tenhamos ilusões. Este "polvo" gigante não será derrotado se continuarmos com falinhas mansas e boas maneiras.


segunda-feira, 12 de junho de 2017

André Silva, depois de NES outro culpado do buraco nas contas

André Silva abandona o FC Porto pouco mais de um ano e meio como jogador sénior.
É muito triste que um atleta da casa, portista desde pequeno, um dos nossos melhores produtos da formação em décadas seja empurrado para fora do clube sem sequer poder cumprir dois anos completos de Dragão ao peito. No futebol moderno os jogadores detêm cada vez mais poder e quase sempre decidem se, quando e para onde querem ir. André Silva, como Ruben Neves há duas épocas atrás, não queria sair do seu clube mas acabou vitima de uma gestão tão nefasta que agora o FC Porto nem sequer tem independência na gestão das suas contas. Com a UEFA a observar cada gasto, cada receita, acabaram-se os pretextos para elogiar a "estrutura". Um dos cinco clubes com mais ingressos por vendas de jogadores da última década é hoje um clube forçado a vender ao desbarato, um clube com uma multa em cima que se pode ampliar de ano para a ano e um clube limitado na sua gestão económica e desportiva. O André Silva não merecia ter aparecido como profissional neste FC Porto.

Há muitos críticos do avançado do FC Porto, muitos.
Poucos se lembram seguramente da sua aparição estelar no final do ano passado já, daquela final da Taça de Portugal onde parecia o único a remar contra o desânimo colectivo de um final de época penoso a tal ponto que muitos sonharam com a sua convocatória para o Euro 2016 no lugar de Eder. Ainda bem que não aconteceu. No arranque da nova temporada, com um treinador medíocre e um plantel desequilibrado, sem nenhuma alternativa real para a sua posição - Depoitre não o era - durante meio ano coube-lhe a ele, sozinho, alimentar de golos o Dragão. Nunca um jovem tinha sido tão exposto e nunca um jovem respondeu tão bem. André Silva terminou o ano como o maior estreante goleador numa temporada completa vindo da formação desde os dias do "Bibota" Fernando Gomes. Não é brincadeira falar das suas cifras num primeiro ano que o viu também bater o recorde de precocidade de golos com a camisola da selecção batendo o ratio goleador de estrelas históricas como Eusébio ou Cristiano Ronaldo. Está claro que, dentro da sua faixa etária, André Silva é já um dos melhores do mundo na sua posição e que ia ser um dos activos mais apetecíveis no mercado. Marcou na Champions League, mostrando frieza para anotar penaltis determinantes, e só o desgaste físico de meio ano a correr praticamente só e a falta de arrojo táctico de Nuno, que o preteriu sempre a Soares em vez de encontrar uma forma de os fazer coabitar, passando André demasiados jogos perdidos numa posição que nunca foi a sua, fizeram que as suas cifras fossem baixando à medida que se aproximava Maio. Foi um primeiro ano notável a pedir um segundo ano de máxima confirmação. Um ano que André Silva queria disputar de azul e branco. Quem o conhece sabe do seu portismo, da sua adoração pelo clube, por viver na cidade e por partilhar da aventura com vários amigos de formação e de balneário. Silva quer jogar o Mundial de 2018 e sabe também que sair agora é um risco e ficar um ano mais no FC Porto garantia-lhe a titularidade, os minutos e os golos necessários para manter-se na pole position como parceiro de ataque com Cristiano Ronaldo na equipa das Quinas.
Mas André Silva já não vai estar aqui na próxima época e não por vontade própria.

Fernando Gomes, um homem que trocou a cidade do Porto, o Norte e a luta contra o centralismo por mais um tacho na capital, primeiro no governo e depois numa das empresas para onde saltam os políticos desempregados, surgiu na SAD do Porto de para-quedas, provavelmente como consequência dos muitos favores devidos e por dever. Sem nenhuma preparação, talento ou know-how, passou a ser porta-voz da SAD em muitos assuntos. Quase sempre o que diz é um disparate pegado. Há uns dias acusou NES de ser o responsável das sanções da UEFA. Sim, a Estrutura, aquela que defendia que o FC Porto era um clube gerido como nenhum outro, com um plano cuidado e em que o treinador tinha todas as condições para triunfar (não foi o reeleito Presidente que disse que com Hulks, Falcaos, Jacksons qualquer um é campeão?) deixando a parcela de gestão para quem sabia, agora tem a lata de culpar um homem de um buraco financeiro histórico que obrigou a UEFA a intervir e a castigar com mão pesada o Dragão.
NES pode perfeitamente ter pedido ao clube que não vendesse ninguém no último defeso. Que ia fazer? Pedir que lhe tirassem os únicos bons jogadores que tinha? Que tipo de treinador era capaz de dizer algo assim? E desde quando no FC Porto o treinador tem o poder de negar-se a vender ou jogador ou de impor outro? Adriaanse saiu pela porta fora com um título debaixo do braço porque não podia trazer um avançado do seu gosto. Conceição seguramente queria contar com André Silva. Em ambos casos a SAD disse que essa responsabilidade não era sua. Porque não o fez com NES? Ou então, porque mente?
Talvez os números ajudem a entender.
O buraco actual do FC Porto é histórico. O passivo cresce exponencialmente mas, sobretudo, o que cresce são os gastos em comparação com as receitas. O FC Porto paga cada vez salários mais elevados - ter Maxi Pereira e Casillas custa dinheiro, muito dinheiro - compra cada vez mais caro, vende cada vez menos e com menos percentagem de lucro. Tem uma rede de emprestados que roça as quatro dezenas de atletas, a maioria dos quais com salários pagos pelo clube, tem no Porto Canal um gasto fixo sem sentido e continua a pagar comissões, prémios de final de temporada e "outros gastos" (como gostam de eufemismos os amigos da SAD) muito por cima das suas possibilidades. O buraco, que já vem de 2011, atingiu o fundo e obrigou a UEFA a intervir. Há uma multa a pagar que de 700 mil euros pode chegar quase aos dois milhões (é anualmente ajustada ao cumprimento do acordado), três jogadores menos a inscrever na Champions League quando o clube já nem sequer cumpria o critério de formação local e nunca podia chegar aos 25 o que vai prejudicar o trabalho de Conceição, e ainda a necessidade de vender muito e já para evitar ficar suspenso das provas europeias no final do próximo ciclo de três temporadas. A culpa de tudo isso deve ser sem dúvida de NES. Jamais ninguém entenderia que fosse de Antero Henriques, Fernando Gomes ou, pasme-se, de Jorge Nuno Pinto da Costa, três nomes que tinham em mãos gerir a parcela desportiva e económica neste período desastroso em que o aumento do investimento nem sequer foi acompanhado de um só título desportivo. Livre-nos o senhor e as páginas de Facebook de sequer sugerir algo que não seja a cartilha oficial. NES, maldito sejas!



Nesse cenário, o FC Porto que sempre foi um clube vendedor, não tem outro remédio se não dizer aos seus próprios jogadores que dá exactamente igual o que eles queiram, o que o treinador queira ou o que o adepto sonhe. A debandada vai ser geral.  André Silva será o primeiro - e por valor muito abaixo do seu potencial de um mercado inflacionado mas que está condicionado pelo conhecimento geral do buraco nas contas, culpa sua e de NES - mas Conceição sabe que até Agosto o destino do avançado será o mesmo de Brahimi, de Danilo Pereira, de Hector Herrera e provavelmente de Felipe e Miguel Layun estando ainda sobre a mesa o dossier Casillas e o facto do FC Porto não poder pagar a 100% um salário que até agora era, na maioria, suportado pelo Real Madrid. Até Ruben Neves e Corona estão no mercado. Conceição sabe perfeitamente que o seu próximo plantel será composto por jogadores como Marega, Hernani, Soares, André André, Boly, Ricardo Pereira, Rafa Soares, José Sá, Rui Pedro ou Marcano, todos eles futebolistas de grande nível, sem lugar a dúvidas. Se não fosse pelo Dragão e pelo o azul e branco, o técnico poderia até acreditar que tinha regressado ao comando do Vitória de Guimarães ou do Sporting de Braga. A qualidade média do plantel não será muito diferente.
Para um cenário assim contar com elementos diferenciais é fundamental mas o FC Porto de Pinto da Costa já não se pode dar a esses luxos. O cenário é tão dantesco que mesmo a aposta no melhor do que temos na formação agora não garante um ciclo sequer de dois anos. Ruben Neves pode sair e há ofertas pelo imensamente promissor Diogo Dalot que nem sequer a camisola principal vestiu. Os olheiros europeus sabem perfeitamente que é Fernando Fonseca e Rafa também tem mercado. A situação é tão "Sporting" que da mesma forma que o clube de Alvalade teve de vender por tostões a um tal de Cristiano Ronaldo, o FC Porto começa a entrar numa espiral em que por muito boa que seja a sua cantera, ela não vai transformar-se no core de balneário de outros tempos, e o dinheiro das suas vendas a clubes melhor geridos ou com milionários atrás servirá para pagar os desastres de gestão dos últimos anos e os jogadores de comissionistas que vão continuar a entrar. Porque vão continuar a chegar ao clube. Sem qualquer dúvida.

André Silva, no meio disto tudo, foi uma vitima do tempo em que decidiu explodir com a camisola do FC Porto. Há quatro anos atrás talvez a consequência de uma década de gestão acertada no deve e no haver, o clube pudesse bater o pé e guardar para a recordação dos adeptos um ou dois anos mais do jogadores com a camisola do seu clube. Hoje o cenário é impossível. No final do dia, quando os adeptos se perguntam porque é que o FC Porto não ganha, é fácil criar páginas por encomenda para falar dos árbitros e assobiar para o lado. Assobiar para o lado e esconder o buraco financeiro que foi criado desde dentro. Assobiar para o lado e esconder o desmantelamento de uma cultura de balneário que foi propiciada desde dentro. Assobiar para o lado e esconder esta necessidade de vender todos os aneis e algum dedo que foi propiciada por dentro. Nenhum árbitro tem o poder de fazer o rombo nas contas do clube. Nenhum árbitro tem o poder de escorraçar do clube a prata da casa para esconder as misérias da gestão desportiva e económica. Nenhum árbitro tem a força de dizer aos adeptos de um clube tão grande como o FC Porto que têm de voltar a contentar-se com Maregas e Hernanis enquanto André Silva vai andar lá por fora a espalhar portismo e talento. E não vai estar só. Chegará o dia em que, para além dos árbitros - cuja realidade é indesmentível - a alguém se lhe ocorra fazer auto-critica. Pode ser que nesse dia a ponte D. Luis venha abaixo. Afinal de contas, tanto uma coisa como a outra são improváveis.

terça-feira, 9 de maio de 2017

Todos contentes

Não se enganem. Ninguém na SAD acreditava em Agosto no título. Ninguém na SAD acreditava em Janeiro no título. Ninguém na SAD acreditava em Abril no título. E por isso, toda a gente na SAD está contente em Maio. O FC Porto já assegurou quase matematicamente o segundo lugar - o que garante entrada directa na Champions, 12 milhões e uns trocos fixos em receitas - e viu o Benfica ser campeão de novo com um novo hashtag (passamos do #Colinho para o #LigaSalazar) que permite continuar a atirar areia aos olhos dos adeptos. Todo em paz, tudo satisfeito.

Faltam semanas para acabar uma época que já não vai dar nada de si. O Porto tem o segundo lugar a noventa minutos e um tropeção do Sporting de distância e o primeiro a uma quimera e vinte mil hashtags de diferença. Não se joga nada, não se joga a nada - algo que é o que tem sucedido desde há meses - e o soporifero debate sobre se há mudança de treinador, quem vai sair para tapar o buraco das contas só será superado pela moda da Liga Salazar. Tudo discussões que tapam o grave e realmente importante, tudo uma agenda que serve os mesmos interesses de sempre, os que nunca são julgados pelos fracassos e que sempre aparecem na fotografia dos êxitos.

O FC Porto vai para o quarto ano sem troféus. Quatro.
Um
Dois
Três
QUATRO.

Nesse período de tempo ainda ninguém com poder para isso explicou porque se passou do modelo Paulo Fonseca e vamos investir nos jogadores do mercado local ao modelo NES e vamos investir na formação sem vender as pérolas passando pelo modelo Lopetegui e vamos ter gajos emprestados espanhóis que isso é que está a dar...todos os modelos sem êxitos, todos os modelos diametralmente opostos do que seria ter UMA ideia de gestão desportiva.
Um treinador pode ser mais ou menos competente a nível táctico e de gestão de recursos. Um jogador pode ser mais ou menos talentoso, trabalhador ou profissional. Mas de um director, de um presidente, espera-se que tenham uma visão alargada - sobretudo quando são já 35 anos no cargo - e uma ideia de gestão clara. Desde a saída de um treinador bicampeão que colocou o ponto final a um tricampeonato histórico e do desenvestimento do clube - basta ver a qualidade do plantel de 2011 e o de qualquer ano pos 2014 - para entender que o grande problema nunca foram os nomes, dentro e fora de campo, nem sequer a existência do Polvo - real, inequivoca e cada vez maior - e sim a absoluta ausência de uma ideia de gestão desportiva que mantenha o Porto na luta. Depois de uma década em piloto automático, durante a qual não houve sequer concorrência significativa, e de um ano que provocou um importante abanão que teve uma óptima reacção - o marasmo apoderou-se dos escritórios do Dragão e ainda lá continua...um, dois, três...quatro anos depois.



Nenhum clube pode ganhar sempre. Nenhum clube pode ambicionar ganhar sempre e sentir que falha se não ganha de vez em quando. Mas nenhum clube que tenha um orçamento como o nosso se pode permitir não querer ganhar sempre e ter um plano para isso. NES é como Peseiro, Lopetegui e Fonseca o espelho da falta de ideias da direcção da mesma forma que muitos dos jogadores que têm passado reflectem a falta de critério desportivo que existe no clube. O Benfica foi campeão neste ciclo sempre com inequivocas ajudas externas que são cada vez maiores e transparentes - e são transparentes porque já nem sequer há medo de que alguém as denuncie a sério porque o silêncio impera no Dragão salvo alguns hashtags de moda - mas isso não justifica que em cada um desses anos o Porto tenha cometido erros impróprios da máquina que foi e pode voltar a ser. E no entanto a sensação colectiva é que esta seca, este mini deserto, incomoda menos do que deveria. Não gera acção nem sequer reacção. Os destinos do mercado estão entregues a amigos tal como a colocação de treinadores. O jogo da cadeira do poder alimenta facções e o poder crescente de uma determinada facção dos SD dentro da própria estrutura ajuda a explicar a ausência de contestação vivida noutras etapas muito menos graves do que esta. O trabalho mediático também deixa muito a desejar e embora o Universo Porto seja um oásis no deserto e o trabalho de Francisco J. Marques altamente elogiável, o certo é que justificar campeonatos perdidos APENAS com hashtags não ajuda em nada o clube.
Sim, o Benfica tem sido escandalosamente beneficiado. Sim, o Polvo existe e não vai desaparecer tão cedo. Sim, nos últimos vinte anos em democracia o Polvo fez-se maior do que foi durante o regime salazarista. Sim, os jogadores do Benfica - e treinadores - vivem na impunidade. Tudo isso é certo mas o Porto já ganhou ao Polvo quando soube entender que tinha de trabalhar o dobro, falhar a metade das vezes e procurar ser uma voz que ninguém calava nos momentos mais dificeis. Isso, os hashtags de Colinho e Liga Salazar, não são a forma de reagir se não forem acompanhados de outro tipo de acções - desportivas, de gestão, de presença nas intituições de forma activa - e tudo isso não existe e só poderá existir quando algumas cadeiras se derem conta de que estão a actuar como os caducos dirigentes soviéticos dos anos oitenta, a ver o tempo passar e a pensar em glórias passadas.

De nada vale o esforço dos Francisco J. Marques e afins, de nada vale que bloguers - esses demónios segundo alguns dirigentes do clube - ou adeptos de rua a apontar o dedo ao que está mal se os únicos com o poder de emendar a mão não o façam e decidam, por oposição, a mostrar contentamento com segundos lugares, apuramentos europeus e pouco mais.  A Pinto da Costa honra-lhe apoiar os homens que escolhe para dirigir o clube em momentos dificeis mas mais lhe honraria apoiar os adeptos e sócios que há trinta e cinco anos o apoiam e decidir se tem capacidade de desenhar do zero - porque será do zero face ao panorama actual - um novo plano estratégico de êxito em multiplas dimensões ou se está apenas preocupado em não cair de uma cadeira à vista de todos enquanto aqueles que o rodeiam lhe continuam a dizer que tudo está bem e a culpa da derrota é apenas e só dos polvos e nada mais...



PS: Já agora, a modo de remate, estaremos seguramente todos curiosos para saber se há prémios de participação a distribuir pela SAD pelo segundo lugar como já sucedeu pelo objectivo cumprido de disputar a Champions. Quatro anos sem títulos e com um investimento brutal e as contas nas lonas seria mais uma cuspidela na cara dos sócios e adeptos do FC Porto. Mas nada que nos estranhe vindo de quem vem realmente.

domingo, 7 de maio de 2017

Notas escritas no aeroporto Cristiano Ronaldo

O texto seguinte foi escrito por um amigo (Miguel Magalhães), um Portista com P grande, com uma paixão imensa e desinteressada pelo FC Porto, um dos muitos que fez parte da maré azul que encheu estádios por esse país fora, que nunca regatearam o apoio à nossa equipa e que, mais do que desiludidos, terminam este campeonato cansados. Cansados de um combate desigual, no qual, quem deveria liderar o exército Portista não correspondeu, falhou e alheou-se ou fugiu às suas responsabilidades.

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Notas de um crente que acordou ontem [sábado] às 5:00 da manhã para ir à Madeira apoiar a equipa e já está no aeroporto à espera de embarcar para regressar ao Porto.

Nuno Espírito Santo e Pinto da Costa (Junho de 2016)

1. Não temos presidente há vários anos. E podia terminar aqui que estava tudo dito. Mas não me apetece pois continuo com um mau feitio insuportável desde ontem [sábado] à noite.

2. O treinador é um nabo. 16 empates numa época, alguns deles em jogos decisivos, não é ter azar ou ser roubado. É mesmo falta de categoria. É ser cagão. É não ter tomates para assumir o jogo durante 90 minutos.

Nuno Espírito Santo a dar uma "aula"-explicação aos jornalistas (Outubro de 2016)

3. Os jogadores ainda correm, mas ninguém lhes explica para onde nem porquê. Veja-se o Soares, um absoluto desastre durante o jogo de ontem [sábado] e a imagem da impotência da equipa. O rapaz chegou cheio de gás em Janeiro, fartou-se de marcar golos, parecia melhor do que aquilo que na realidade é. Adaptou-se à equipa, ao modelo de jogo, deixou de marcar tantos golos, parece um jogador bem pior do que aquilo que é.

4. Os adeptos são uns crentes mas, infelizmente, não são eles que jogam nem marcam golos. Os adeptos foram incansáveis ontem [sábado], como foram durante a época toda e mereciam claramente mais, muito mais. Pena é que muitos adeptos só se foquem nos pontos 2 e 3, pois parte do problema também está aí.

Adeptos Portistas no Marítimo x FC Porto (foto: Fotos da Curva)

5. O polvo existe, está bem vivo e nenhum dos pontos acima apaga a existência do polvo. Os outros não jogam nada e se não fosse pelo polvo também não eram campeões. Não é o nosso claro demérito, que lhes dá sequer uma pinga de mérito na conquista do campeonato. Esta será sempre a Liga Salazar, o campeonato do polvo e tudo indica que terá um campeão da treta, um tretacampeao. Nunca me ouvirão dizer outra coisa.

6. Terminando onde começa a próxima época, porque até as mais fortes crenças têm limites e a minha já chegou ao limite, e citando aquilo que disse um grande portista ao ex-presidente Pinto da Costa na última assembleia geral: "se é para ter um orçamento destes, não pode estar 4 épocas sem ganhar um único título; se é para não ganhar um único título, então não pode ter um orçamento destes". Por mim, podem apostar num plantel com muitos putos da formação e arranjar um treinador que os ponha a comer relva durante a época toda.


Nota final: O 'Reflexão Portista' agradece ao Miguel Magalhães a autorização para publicar o seu texto-desabafo, escrito na viagem de regresso ao Porto. As fotos escolhidas para ilustrar o texto são da minha responsabilidade.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Ó meu Porto

Capa de O JOGO de 20-04-2017

Durante anos, demasiados anos, o FC Porto andou calado, silencioso, amordaçado, encolhido, quase que envergonhado.
Levavamos “estaladas” dos nossos inimigos e os dirigentes do FC Porto “ofereciam a outra face” (e, por vezes, até convidavam essa gente para o camarote presidencial).
“Cuspiam-nos na cara” e nada.
Insultavam-nos, denegriam-nos e nós, feitos anjinhos, chegamos ao ponto de convidar os diretores de A BOLA e do Record para a gala anual Caras-Dragões.

Nunca me conformei com este tipo de FC Porto (inclusive quando ganhávamos campeonatos). Pelo contrário, desde que existe ‘Reflexão Portista’ (2008) e mesmo antes noutros fóruns de portistas, sempre me insurgi contra esta atitude de “pombinhas” (para não dizer pior) dos dirigentes do meu clube.

Finalmente, nos últimos dias, parece que acordamos desta longa letargia e voltamos a ser Porto.








Capas de O JOGO de 19 e 21 de Abril

Este, sim, é o meu Porto!

Quando alguém se atrever a sufocar
O grito audaz da tua ardente voz
Ó Porto, então verás vibrar
A multidão num grito só de todos nós

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Vão continuar calados ou vão dar-se ao respeito?

No início do jogo com o Belenenses o FC Porto acedeu a participar num exercício de respeito institucional pela figura do árbitro promovido pelo sindicato arbitral. Foi uma decisão política, institucional e socialmente correcta mas que contrasta claramente com aquilo que o respectivo grémio responde ao FC Porto no exercício do seu trabalho semanal. A enésima prova viu-se ontem em Moreira de Cónegos onde, uma vez mais, tal como sucedeu em 2014/15, o colectivo arbitral decidiu tomar parte interessada na rija, intensa e apaixonante luta pelo título. Depois do Colinho de 2015 temos agora o Colinho 2017. Resta saber se também haverá campanhas, com tarjas incluídas, no início dos jogos a publicitar a nova campanha e se o clube está decidido a aliar-se a ela ou, finalmente, alguém decide dar-se ao respeito.



Todos temos memória.
Em 2014/15 o FC Porto realizou um excelente campeonato com um brilhante registo doméstico e uma campanha paralela na Champions League de grande nível até à segunda mão dos quartos de final. Aí minou-se a época. A goleada sofrida não só eliminou o Porto da Europa como matou o balneário e a coragem de Lopetegui que viajou à Luz para não perder porque sabia que não havia forma de ganhar, não com as suas limitações como treinador e o estado anímico dos jogadores. O que ninguém esquece é que se o Porto chegou até esse encontro com necessidade de ganhar foi, sobretudo, porque o Benfica de Jesus passou seis meses a ser ajudado pelo colectivo arbitral em cada momento de tensão e de problemas que lhes surgiam pela frente. O Colinho fez-se tão evidente que até os próprios adeptos encarnados, com sorna, o utilizaram como tema de propaganda e em material de merchandising. O Porto não se dava ao respeito - só o treinador parecia remar contra o silêncio cúmplice - e recebia o pago na mesma moeda. Ninguém o respeitava, a começar pelos árbitros.

Fast forward dois anos até ao momento presente.
Em 2016/17 o FC Porto realizou até agora um campeonato que supera todas as expectativas. Com um plantel jovem e longe do talento individual de dois anos antes, com um jogador no seu primeiro ano de sénior a liderar o ataque e sem uma alternativa real no plantel, a equipa qualificou-se para os oitavos de final da Champions e manteve sempre uma distância prudencial com Benfica e Sporting - com planteis desenhados para atacar o título de forma mais evidente - até que o bom trabalho defensivo e a chegada de Soares permitiram um golpe de autoridade que colocou o Porto na rota do título até ao jogo da Luz onde o empate - uma mistura dos erros tácticos habituais do treinador quando é necessário ganhar a rivais mais fortes e de, outra vez, erros arbitrais evidentes - voltou a colocar o clube a remar contra a maré. E, uma vez mais, depois de várias jornadas em que o rival podia ter deixado pontos e, se não o fez, foi graças a arbitragens do mais habilidosas que se tem visto. O que fez o FC Porto? Pactuar com uma bonita campanha de respeito por quem, um ano mais, demonstrou que não respeita a instituição.



O cenário não é novo desde que as manobras hábeis de Luís Filipe Vieira, tanto a nível politico - retirando influência à Federação e, sobretudo, às Associações para transferir o poder arbitral para um universo controlado exclusivamente por personagens afectos ao seu clube - como a nível social, transferiram como nunca o controlo do mundo da arbitragem para a esfera encarnada. E em todo esse período o silêncio do FC Porto perante essa postura tem sido esclarecedor da falta de liderança e voz na defesa dos interesses do clube. Mas a cada ano que passa, a cada título perdido por sucessivos roubos de Igreja, como diria o Mestre, esse silêncio torna-se cada vez mais ensurdecedor. E cada vez mais parece evidente que ninguém, dentro do FC Porto, sabe como dar-se ao respeito e, desse modo, que a instituição se dê ao respeito contra quem a prejudica. O jogo em Moreira de Cónegos foi gravíssimo - muito mais sério e grave do que a pantomina de Canelas - e não só pode ter sido decisivo no sprint final rumo ao título como, além do mais, voltou a demonstrar uma evidente política de impunidade que só é exclusiva aos homens de vermelho. Até o Sporting, que já nem entra nas contas do título, tem feito mais para denunciar a realidade do que nós, portistas, que sofremos semanalmente mais do que o clube. Fruto de um pacto secreto entre as duas direcções ou de uma atitude ofensiva por iniciativa própria, o facto é que um ano mais em que o FC Porto corre o risco de perder um merecido título - como o foi em 2015 - por culpa de péssimas e selectivas arbitragens e o clube não toma medidas sérias para combater a situação que se vive semana sim, semana não. Associar-se, ainda para mais, a campanhas que são muito bonitas na teoria do fair-play que em Portugal não existe, não é mais do que um murro no estômago daqueles, de jogadores a adeptos, que vêem como esses mesmos árbitros, escolhidos a dedo, vão decidindo títulos sem qualquer tipo de problema de consciência.

Não basta usar redes sociais, newsletters e bocas para o ar. E não é seguramente solução segurar tarjas de apoio num sábado a favor daqueles que no domingo te vão prejudicar de forma tão clara e vergonhosa. O FC Porto de Pinto da Costa e Pedroto cresceu e afirmou-se porque, por uma vez, deixaram de querer ser "bons rapazes" e deixaram de estar "caladinhos" para dar-se ao respeito. E com esse discurso, essa atitude, deram respeito ao escudo que serviam e defendiam. Não havia receio de bater o pé à Federação - quem não se lembra da manifestação que recebeu a selecção nacional na véspera de um amigável em Vigo - ou aos poderes instituídos. Esse FC Porto era respeitado por todos, árbitros incluídos, porque se dava ao respeito, dentro e fora de campo. Agora vão continuar calados ou vão, finalmente, voltar a decidir bater o pé da próxima vez que alguém tente pisar o escudo do Dragão?

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Crise de quase-meia-idade?

Pinto da Costa e os Super Dragões estão em sintonia como nunca. São tudo rosas nos dias que correm entre o presidente e a claque, num contraste gritante com o corte de relações há 10 anos atrás, quando no final de uma sequência de 10 jogos, com 7 vitórias e 3 empates - o último dos quais contra o Rio Ave, em Vila de Conde, e numa altura em que liderava o campeonato com 4 pontos de vantagem sobre o segundo classificado - os Super Dragões sentiram-se na necessidade de "amachucar" o então treinador do FC Porto, Co Adriaanse, à saída do Olival. O confronto com o treinador foi a gota de água numa relação que se vinha a degradar, levando os Super Dragões a questionar por vezes a gestão da SAD em pleno Estádio do Dragão.

Na altura, não sabiam o que faziam, mas agora já sabem.
O Duda tinha tudo, menos o empresário certo.
Curiosamente - ou talvez não - 10 anos se passaram, o Clube está hoje - exclusivamente em resultado da tal gestão - numa posição muitíssimo mais delicada do que alguma vez esteve, desde que a claque foi fundada, e dos Super Dragões, não se ouve sequer um queixume. Chegou-se ao extremo de a posição oficial ser a de que o Clube "batera no fundo". Reacção? Calma, muita calma, apenas interrompida por umas bocas aos jogadores - a par dos treinadores, sempre os bodes expiatórios.

Batemos no fundo? Lá vamos ter de pintar mais uma faixa...
Os Super Dragões ocupam uma posição de relevo no universo do FCP. Estão sempre lá, faça chuva, sol ou neve, na Boavista ou em Moscovo. E em resultado do seu número e da sua história, têm uma voz que nenhum outro grupo de sócios ou simpatizantes consegue equivaler. É por isso trágico, que quando o FCP mais precisa que o defendam, os Super Dragões assistam impávidos e serenos. E ao invés de serem uma entidade autónoma e crítica, se tenham tornado em "facilitadores" da SAD. Pinto da Costa sabe que enquanto tiver os Super Dragões no "bolso", ninguém se atreverá a fazer-lhe frente ou a contestá-lo sequer de forma a fazer mossa; e se não cabe aos SuperDragões decidir sobre o destino do Clube, ou sobre quem deve ser ou deixar de ser presidente, também é improvável que o papel de quem certamente sofreu na pele - frio, longas viagens, pancada... - ao longo de tantos anos, seja agora tornar-se um mero acessório, cúmplice de uma gestão que vive enxameada de empresários e outras figuras que certamente não têm o interesse do FC Porto no topo das suas prioridades. Ou então - quem sabe? - era exactamente isso que os Super Dragões andavam à procura: um lugar à mesa. Mas será que há lugar para todos? E por quanto mais tempo?

Uma Supertaça em 3 anos? Chin chin!
Especulação à parte, certo é que aliando-se à SAD, os Super Dragões serão parte responsável pelo que aí vem (e que não se afigura nada bom) - para o final da época, já estão previstas e anunciadas mais-valias com a tranferências de jogadores no valor 115 milhões, que a concretizarem-se ainda vão obrigar o Clube a recorrer a alguns atletas do Canelas 2010 para compôr um plantel para próxima temporada. A hora de defender - sem violência e sem invasões patéticas - o Clube (e não a SAD) é agora, e não quando for tarde demais. Aconteça o que acontecer, Pinto da Costa será sempre lembrado mais pelos seus sucessos do que pelos seus fracassos. Aquilo pelo que os Super Dragões serão lembrados, depende deles próprios: a maior claque do FC Porto... ou o "escudo da SAD".


P.S.: Como já foi abundantemente referido em ocasiões anteriores, cada autor do Reflexão Portista, é exclusivamente responsável pelos seus textos; não há revisão, aprovação prévias ou uma "linha editorial" conjunta. Eu, e mais ninguém, sou responsável por este texto.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Um dragão sem chama... 9 anos depois

O 'Reflexão Portista' foi criado no início de 2008.
Poucos meses depois, publiquei um artigo a que chamei 'Um dragão sem chama'.
Quase nove anos depois, ao reler esse artigo, decidi voltar a publicá-lo sem alterar rigorosamente nada.
E porquê?
Leiam-no (a seguir) e vejam se muito daquilo que escrevi há nove anos atrás não é perfeitamente atual.

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9 de Maio, 20h00, abertura dos telejornais.
Os três canais – RTP1, SIC e TVI – estão em directo do auditório do Piso 3 do Estádio do Dragão (bancada poente), para transmitirem a reacção de Pinto da Costa e da Administração da F.C. Porto – Futebol, SAD aos processos disciplinares instaurados pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional.
A expectativa é grande e milhões de portugueses estão de olhos nas televisões, particularmente os portistas.


20h03, Pinto da Costa inicia a conferência de imprensa:
«Senhores jornalistas, o FC Porto foi hoje notificado, às 15h50, das decisões da Comissão Disciplinar (CD) da Liga, sobre o denominado processo ‘Apito final’.
Em primeiro lugar, deploramos o facto desta notificação oficial ter sido antecedida, em quase dois dias, por uma divulgação oficiosa num órgão de comunicação social do grupo Cofina. Se nada podemos fazer para impedir a promiscuidade evidente entre a equipa especial da Dr.ª Maria José Morgado, a PJ e o ‘Correio da Manhã’, a qual tem servido para alimentar dezenas de capas desse jornal, o mesmo não se passa em relação à Liga de Clubes, da qual o FC Porto é um dos membros.
Por isso, e desde já, exigimos ao presidente da Liga de Clubes a abertura de um inquérito, para apurar quem, dentro do CD da Liga, são os informadores, ou agentes infiltrados, do ‘Correio da Manhã’.

Dito isto, queremos dizer a todos os portugueses e, particularmente, aos milhões de adeptos portistas espalhados por todo o Mundo, que o FC Porto considera esta decisão aberrante e irresponsável, sem qualquer tipo de sustentação nos factos ocorridos, a não ser nas declarações da dona Carolina Salgado. Aliás, recordamos, mais uma vez, que no âmbito do processo ‘Apito Dourado’ estes inquéritos tinham sido arquivados e apenas foram reabertos na sequência da publicação do livro escrito a meias entre a dona Carolina e a dona Leonor Pinhão.

Esta decisão da CD da Liga veio, de algum modo, dar razão ao presidente do Benfica, quando afirmou que era mais importante ter pessoas na Liga do que contratar bons jogadores. De facto, se Carolina Salgado tem sido a ponta-de-lança do Ministério Público, o Dr. Ricardo Costa mostrou ser um fantasista, quiçá com capacidades inatas para substituir outro Costa, o Rui Costa, como distribuidor de jogo dos encarnados.

Ora, quer a FCP SAD, quer o seu presidente, não aceitam esta punição ditada em tons de encarnado e irão, solidariamente, recorrer até às últimas instâncias em que tal for possível, ao nível desportivo e civil, para que seja feita justiça e para verem ressarcidos a sua honra e bom nome.


Relativamente à eventualidade de nos serem retirados 6 pontos e às declarações feitas esta tarde, pelo presidente da CD da Liga, de que se o regulamento da Comissão Disciplinar não exigisse o que exige, os clubes que hoje perdem pontos seriam punidos com descida de divisão, quero desafiar o Dr. Ricardo Costa a propor essa alteração ao regulamento e que, já agora, a mesma tenha efeito retroactivos. Tenho a certeza que esta sua iniciativa terá todo o apoio do presidente do seu clube, bem como, da comunicação social que o Dr. Ricardo Costa usa como instrumento para se auto-elogiar e pavonear.


Em função de tudo isto, a Administração da F. C. Porto – Futebol, SAD informa que tomou as seguintes decisões:

a) Até que sejam encontrados e punidos os informadores do 'Correio da Manhã' existentes no CD da Liga, o FC Porto corta relações com todos os órgãos sociais desta Liga de Clubes, mantendo apenas os contactos mínimos institucionais a que seja obrigado.

b) O FC Porto considera persona non grata todos os elementos dos órgãos sociais desta Liga, os quais não são bem vindos nos jogos disputados no estádio do Dragão. Contudo, como os regulamentos prevêem que os mesmos tenham lugares reservados no camarote presidencial, avisamos que nenhum dirigente da FCP SAD os receberá, nem ocupará lugares nesse camarote ao seu lado.

c) O FC Porto irá solicitar reuniões à UEFA e à FIFA, de modo a expor as suas razões sobre este assunto. Nessas mesmas reuniões irá apresentar um conjunto de documentação e vídeos sobre casos do futebol português, com ênfase para os escândalos que ocorreram na época 2004/05 e que passaram impunes.

d) Se os tribunais civis derem razão ao FC Porto, conforme esperamos e estamos convictos, o FC Porto irá exigir a demissão dos elementos que constituem o CD da Liga e a convocação de eleições antecipadas para este órgão da Liga.

e) Se os tribunais civis derem razão ao FC Porto, conforme esperamos e estamos convictos, o FC Porto irá exigir uma indemnização à Liga de Clubes, pelos prejuízos causados à sua honra e bom nome.

f) O FC Porto avisa os patrocinadores e canais televisivos detentores dos direitos da Taça da Liga, que na próxima época irá apresentar uma equipa de recurso nos jogos que tiver de disputar nesta competição e apela aos seus adeptos para boicotarem os jogos, deixando as bancadas vazias.

Muito obrigado pela vossa presença.
Viva o FC Porto! Viva o Porto! Viva Portugal!»

Era uma conferência de imprensa deste género que eu estava à espera.

Em vez disso, ouvimos o presidente do FC Porto afirmar:
«O FC Porto vai ter subtraídos seis pontos aos muitos que já ganhou este ano. (...) Não vamos, no que diz respeito ao FC Porto, recorrer da perda desses seis pontos. Nem precisarei de dizer porquê e, naturalmente, também não precisarei de dizer qual a razão (...) não recorremos e vamos passar a ter apenas 14 e 15 pontos de avanço. Mas a honra do FC Porto ficará salvaguardada, porque eu, pessoalmente, como presidente e como cidadão, vou recorrer, na segunda-feira, para o Conselho de Justiça. Esperamos, através desse recurso, que a verdade seja reposta e possamos mostrar que não existe qualquer razão para o FC Porto ser penalizado.»


Numa altura em que o FC Porto enfrenta uma poderosa coligação de interesses, formada por parte do Ministério Público e da PJ, clubes da 2ª circular e comunicação social, os sócios e adeptos do FC Porto estavam à espera de uma reacção enérgica, dura, sem contemplações e sem medo de eventuais sanções. Estávamos à espera de um Pinto da Costa que chamasse os “bois pelos nomes”, que desmascarasse esta teia encarnada que foi montada na “capital do Império” para atacar, denegrir e humilhar o FC Porto.
Mais do que nunca era preciso dar um murro na mesa, olhar essa gente olhos nos olhos e dizer-lhes que não temos medo e se querem guerra tê-la-ão. Dentro e fora das quatro linhas.

Em vez disso vimos um homem sem chama, sem o fulgor de outros tempos, quase resignado. Um velho leão cansado, que preferiu o calculismo de uma derrota com poucos feridas, ao risco de uma batalha pela justiça e verdade que sempre clamou e em que nós acreditamos.

Este não é o Pinto de Costa que, ao lado do saudoso José Maria Pedroto, não teve medo de enfrentar e derrotar os poderes instalados que estavam a sul.
Este não é o Pinto da Costa, que enfrentou e derrotou um presidente da FPF, o sportinguista Silva Resende, quando este ameaçou mandar o FC Porto para a 2ª divisão a propósito da marcação de uma final da Taça de Portugal.
Este não é o Pinto da Costa que enfrentou e derrotou um ministro das finanças de Cavaco Silva (Catroga), aquando da penhora da retrete do estádio das Antas.
Este não é o Pinto de Costa que eu e milhões de portistas aprendemos a admirar ao longo das últimas três décadas.


Não me revejo neste Pinto da Costa e menos ainda na gente que o rodeia.

P.S. De acordo com o jornal O JOGO, mal terminou a conferência de Imprensa, Pinto da Costa foi para a Casa das Artes de Famalicão, ao Festival Internacional de Música de Câmara Stellenbosch, tendo jantado com o maestro Vitorino d'Almeida. Ainda bem que depois de um dia negro para a honra e orgulho dos portistas o presidente do FC Porto tem disposição para ir ouvir música...

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Depoitre não te preocupes que não vais a lado nenhum

Parece ser que os mesmos protagonistas do filme "Depoitre: Contratado para a Champions" querem agora lançar a sequela, "Depoitre: A não venda de Janeiro". É uma pena, sinceramente, que uma estrutura tão reconhecida como foi durante anos, merecidamente, a do FC Porto seja capaz de no curto espaço de quatro meses, com o mesmo jogador, por o pé pelas mãos. Ou pelo menos fazer crer aos adeptos que o poderia fazer. 

Depoitre foi contratado, supostamente, por petição expressa de Nuno Espirito Santo, provavelmente como Adrian Lopez chegou por exigência de Lopetegui. Em ambos casos, seguramente, o agente de cada um dos jogadores, Luciano D´Onofrio e Jorge Mendes, não tiveram absolutamente nada que ver com cada um dos negócios. Depoitre, como todos sabemos, já tinha jogado pelo Gent na Europa League e portanto foi impossível inscrevê-lo a tempo de jogar contra a Roma. Felizmente não fez falta nenhuma mas ficou evidente nesse lapso de principiante que algo não andava bem. Como era possível que um jogador contratado para ajudar no jogo que ia definir muito do ano que vinha (em questões económicas era O jogo) não pudesse jogar? Deixou-se cair que a culpa era de Antero Henriques, a sua incapacidade de contratar outros jogadores, falou-se no bloqueio de alguns jogadores de Mendes como represália á nega ao negócio Brahimi que acabou por ficar a contra-gosto quando havia na mesa uma (má) oferta do Everton, etc. Tudo menos pensar que o problema seguia. Parece ser que não.

Então não é que Pinto da Costa acaba de garantir aos portistas que Depoitre não se vende - pelo menos não se vende para já, em Janeiro. Porque se algum portista andava preocupado com isso - seguramente que tira o sono a muita gente - o presidente fez questão de referir que o Anderlecht fez uma oferta pelo avançado e que a mesma foi recusada. Obviamente soa bastante estranho que umas horas depois de ter marcado o seu primeiro golo em muito tempo e num resultado decisivo de repente alguém dentro do clube já queira passar a mensagem de que o avançado que tanto custou em Agosto já se está a valorizar. O que não é necessário é fazer dos adeptos lorpas. Nem do próprio jogador - aliás a desvalorização de Adrian por Pinto da Costa no último ano não tem sequer precedentes com um activo do clube - que sabe perfeitamente que até Junho, pelo menos, se quer jogar futebol profissional em competições oficiais tem de ficar no Dragão. Sim ou sim.

Seguramente ou o Anderlecht é gerido pela mesma classe de dirigentes que contratou Depoitre em Agosto ou alguém se esqueceu de ler os regulamentos da FIFA - outra vez - antes de abrir a boca. O certo é que o ponto V do regulamento de transferências da FIFA não podia ser mais claro:

"Players may be registered with a maximum of three clubs during one season. During this period, the player is only eligible to play offi cial matches for two clubs. As an exception to this rule, a player moving between two clubs belonging to associations with overlapping seasons (i.e. start of the season in summer/autumn as opposed to winter/spring) may be eligible to play in official matches for a third club during the relevant season, provided he has fully complied with his ontractual obligations towards his previous clubs. Equally, the
provisions relating to the registration periods (article 6) as well as to the minimum length of a contract (article 18 paragraph 2) must be respecte"

Resulta que ou Depoitre tinha uma oferta do Anderlecht do Paraná ou soa muito estranho que um clube como o belga, historicamente bem gerido, queira contratar agora um futebolista que tendo feito já jogos oficiais por dois clubes nesta temporada não poderia jogar nenhum encontro oficial até Julho. Talvez o Anderlecht queira ganhar alguns torneios amateurs e conte com Depoitre para isso. Se é o caso Pinto da Costa esteve bem, o avançado belga não tem culpa de ter sido contratado como foi e por quanto foi para agora passar meia época de castigo a jogar pelas reservas do clube de Bruxelas. Mas se a tal oferta nunca existiu convém recordar a quem lança noticias tão despropositadas para fora que os portistas podem estar a dormir, em alguns casos, mas não são idiotas.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

O canto do cisne feio

No último FCP x SLB, nos poucos minutos que esteve em campo, o mexicano Héctor Herrera provocou um canto ao tentar, sem conseguir, chutar a bola contra um adversário.
Um canto.
Ao longo do jogo, a equipa encarnada beneficiou de nove cantos, mas quis o destino, com a ajuda da má marcação feita por alguns jogadores do FC Porto, que fosse precisamente nesse canto que o SLB marcaria um golo.

Danilo Pereira e Lisandro no lance do golo do SLB

Sim, o Herrera provocou um canto de forma disparatada, mas não tem culpa que, na sequência desse canto, o Danilo Pereira tenha deixado o Lisandro cabecear a bola nas suas costas. Nem tem culpa que, ao contrário do que aconteceu no FC Porto x Brugge (disputado 4 dias antes), desta vez o Casillas tenha sido menos ágil e não tenha conseguido impedir a bola cabeceada por Lisandro de entrar na sua baliza.

Por outro lado, também não é culpa do Herrera que o FC Porto tenha chegado ao minuto 90+2’ com apenas um golo marcado. De facto, quer nas situações em que o seu compatriota Corona foi incapaz de marcar dois golos quase feitos, tendo apenas o guarda-redes adversário pela frente, quer quando o árbitro anulou um golo ao FC Porto, o Herrera estava… sentado no banco de suplentes.

FC Porto x SLB, golo mal anulado, análise do Tribunal O JOGO

FC Porto x SLB, Felipe cruza para André Silva marcar (golo mal anulado)

Um jogo de futebol é feito de erros, cometidos por jogadores (das duas equipas), treinadores e árbitros.

Esta época, o FC Porto já beneficiou de quatro expulsões de jogadores adversários em três jogos importantíssimos da Liga dos Campeões – FC Porto x AS Roma, AS Roma x FC Porto, FC Porto x FC Copenhaga.

Esta época, o FC Porto já beneficiou de dois penalties em jogos da Liga dos Campeões, cometidos por jogadores do AS Roma e do Brugge, os quais foram determinantes no resultado final dos jogos FC Porto x AS Roma e Brugge x FC Porto.

Esta época, o Felipe já marcou dois golos na própria baliza (ia marcando outro no jogo contra o SLB, ao desviar uma bola para o poste).

Ora, que eu saiba, nenhum destes jogadores foi insultado e enxovalhado na praça pública pelos adeptos dos clubes respetivos.

E tenho a certeza que, se em vez do Herrera, este canto fatídico tivesse sido provocado pelo André Silva, Ruben Neves ou Oliver, os insultos seriam substituídos por palavras de incentivo.

Sim, eu sei que mais vale cair em graça do que ser engraçado mas, antes de nós, portistas, lincharmos o Herrera na praça pública e culpá-lo de ser o grande e único responsável pelo empate, convém analisarmos os factos com um mínimo de frieza e racionalidade.
E os factos são os seguintes: o Herrera, de forma desastrada, provocou um canto contra a sua equipa. Não foi um golo na própria baliza, nem um penalty cometido, nem um livre direto em posição frontal, nem um passe errado a isolar um adversário (tipo Secretário - Beto Acosta, Fucile - Nedved ou Bruno Alves - Rooney), nem uma expulsão que tenha deixado a sua equipa a jogar com menos um. Foi um canto. UM CANTO!

Dir-me-ão que o problema não é o canto em si, mas sim o facto do Herrera parecer displicente. E que, além disso, o Herrera comete erros regularmente (passes falhados, perdas de bola, más decisões, …), que levam os adeptos ao desespero.

Eu aceito este tipo de crítica e percebo as reações emotivas no momento (incluindo os assobios dirigidos ao Herrera em pleno jogo), mas parte do que li após o final do jogo, escrito por portistas, além de ser insultuoso para o atual capitão do FC Porto, roça a irracionalidade.

E, lamentavelmente, até o jornal O JOGO ajudou à festa, fazendo do Herrera o único réu pelo empate e usando o seu nome para um trocadilho na capa do jornal.

Capa de O JOGO de 07-11-2016

O FC Porto tem uma longa tradição de jogadores mal-amados por parte dos adeptos portistas (lembram-se do Semedo?). O Herrera é mais um dessa lista negra. E faça o que fizer, só as coisas más serão destacadas (empoladas!) e lembradas.

Por exemplo, alguém se lembra que, na época 2014/2015, o Herrera marcou 4 golos na Liga dos Campeões e 3 golos no campeonato?
E que na época passada – 2015/2016 –, o Herrera marcou 9 golos no campeonato (incluindo um dos golos da vitória na Luz), isto sem ser marcador de livres ou de penalties?
Claro que ninguém se lembra disto, mas há quem se lembre de um jogo (FC Porto x Zenit) disputado há mais de três anos (no dia 22 de Outubro de 2013), em que o Herrera viu dois cartões amarelos em cinco minutos…

Perante este clima, penso que o Herrera tem cada vez menos condições para continuar no FC Porto (qualquer dia basta levantar-se do banco de suplentes para ser logo assobiado…).

O que nos vale é que o Herrera é um jogador com mercado e que mercado!
Na última AG do Clube, quer o administrador financeiro, quer o senhor presidente, garantiram aos sócios que a FC Porto SAD recusou uma proposta de 30 milhões de euros pelo passe do Herrera.
Portanto, o “problema Herrera” será muito fácil de resolver…

sábado, 5 de novembro de 2016

Apelos à união…

Angelino Ferreira durante uma sessão de apresentação das contas do FC Porto

declarações de Pinto da Costa, na AG do Clube de 03-11-2016


Conforme a generalidade dos portistas sabem, o Dr. Angelino Ferreira não é um portista ou um sócio qualquer.
Angelino Ferreira foi dirigente do Clube e da FC Porto SAD durante cerca de 20 anos (no período entre 1994 e 2014), onde exerceu cargos de grande importância.
Em 1997, esteve na génese das sociedades anónimas desportivas em Portugal e, particularmente, da criação da FC Porto SAD e de todas as restantes sociedades do grupo FC Porto.
Mais tarde, por volta do ano 2000, foi ele que assumiu a responsabilidade de projetos cruciais para o futuro (presente) do FC Porto, como sejam o Estádio do Dragão (ligado ao Plano de Pormenor das Antas) e o Centro de Treinos e Formação de Gaia.

Angelino Ferreira: PPA (2002), Estádio do Dragão, Portomania (2005)

Há dois anos e meio, depois de ter dado uma entrevista a defender a necessidade da FC Porto SAD baixar a massa salarial do plantel, Angelino Ferreira demitiu-se do cargo de administrador financeiro por, segundo o próprio, a estratégia que defendia para a gestão do FC Porto, não ser coincidente com a que era preconizada pela maioria da restante administração da SAD.

Pinto da Costa, Angelino Ferreira e outros altos dirigentes do FC Porto

Daí para cá, Angelino Ferreira já deu algumas entrevistas (por exemplo esta ao JN, em dezembro de 2014), onde tem chamado à atenção para diversos problemas e alertado os portistas para o que pode acontecer se o rumo atual se mantiver.

Na entrevista mais recente, publicada no semanário Expresso (em 29 de outubro passado), Angelino Ferreira comentou o prejuízo recorde da SAD (quase 60 milhões), falou na saída do CEO do futebol (Antero Henrique), na opção da administração da FC Porto SAD em não vender jogadores quando, supostamente, tinha propostas milionárias (de 95 milhões de euros), etc.

Contudo, aquilo que parece ter enfurecido Pinto da Costa foram as referências às comissões pagas pela FC Porto SAD e, particularmente, por Angelino Ferreira ter dito que o pagamento de comissões à empresa do seu filho (Alexandre Pinto da Costa) era “uma situação que levanta questões de ética” e que “mesmo que não haja conflito de interesses legais, há questões de transparência”.

Estas afirmações são perfeitamente legitimas, nada têm de insultuoso e eu, José Correia, sócio nº 10839 do Futebol Clube do Porto, subscrevo-as a 100%.

Mais. Em lado nenhum da entrevista que deu ao jornal Expresso, o Dr. Angelino Ferreira disse algo que justificasse o ataque violento e insultuoso de que foi alvo por parte do presidente Pinto da Costa, na última assembleia geral do Clube.
E pior, com uma raiva incontrolada, o presidente Pinto da Costa foi ao ponto de dizer que portistas como o Dr. Angelino Ferreira eram piores que os inimigos externos do FC Porto.
L-A-M-E-N-T-Á-V-E-L!

Angelino Ferreira numa sessão na Euronext

Como é que alguém que centra o seu discurso no ataque a portistas, pode apelar à união de todos para o clássico de amanhã?

Felizmente, este ataque ao Dr. Angelino Ferreira mereceu poucos aplausos dos sócios do Futebol Clube do Porto presentes na última assembleia geral. De facto, ao contrário do que era habitual até há uns anos atrás, houve intervenções de outros associados que foram muitíssimo mais aplaudidas do que esta triste e lamentável intervenção do presidente Pinto da Costa.

Apesar deste discurso divisionista do líder, estou certo que amanhã, numa “batalha” importantíssima contra o nosso grande rival, todos os portistas estarão unidos e do mesmo lado.

VIVA O FUTEBOL CLUBE DO PORTO!