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quarta-feira, 1 de abril de 2015

Danilócio

O FC Porto e o Real Madrid confirmaram oficialmente que Danilo será jogador merengue nos próximos anos. O negócio é excelente a todos os niveis. São 31,5 milhões de euros (35 por objectivos), sem jogadores ao barulho e com o contrato do jogador a acabar. Um golpe de génio (o enésimo) de Pinto da Costa e da SAD nas mesas de negociação que superam bastante as expectativas daquele que foi um dos nossos maiores negocios de risco dos últimos tempos.

Danilo foi um negócio limite. Para não se repetir nunca mais.
Muito menos na situação limite em que se encontra o clube, muito menos na situação de controlo de gastos em que se encontra o mercado. Temos os melhores negociadores do Mundo mas nem Pinto da Costa é eterno nem sempre teremos a sorte de haver um Real Madrid (ou um Monaco) capaz de colocar sobre a mesa valores tão altos.
O FC Porto esteve numa situação de risco. Podia ter corrido mal, muito mal.
O jogador terminava contrato em Junho do próximo ano com uma cláusula de 50 milhões que era irreal. Não quería renovar. O clube insistiu. Uma, duas e três vezes .Uma boa oferta com o objectivo de garantir a melhor venda possível sempre deixando claro ao jogador que não lhe iam “cortar as pernas”. O que se conseguiu com Fernando não se conseguiu com Danilo. O jogador recusou sempre. Sabia do interesse do Real Madrid, do Barcelona e do Manchester United. O clube inglês foi rápidamente descartado. Danilo tem uma boa amizade com Anderson que não lhe falou especialmente bem do clube. Já o Barça era diferente. Aí estava um dos seus melhores amigos, excolega do Santos, Neymar, que intercedeu por ele. Mas a proibição de contratar até Janeiro de 2016 era um entrave. O Barcelona fez uma boa proposta ao FC Porto que rondava os 25 milhoes de euros mais um desconto no preço final por Tello mas que incluia uma cláusula que impedia o clube de usar o lateral na primeira fase da Champions para que em Janeiro – quando se desse a transferência – o pudessem inscrever para a segunda fase. O clube não quis entrar nesse jogo, o jogador também não parecía muito interesado. Apareceu então o Real Madrid e tudo mudou.
Os merengues abordaram o jogador antes, pressionaram-no a não renovar com o FC Porto em troca de um contrato substancialmente melhor do que oferecia o Barcelona. Com esse ás na manga apareceram para negociar. A principio queriam incluir jogadores no negócio, outros empréstimos como o de Casemiro (que nunca esteve na equação e regressa a Madrid este Verão). Mas aí apareceu o melhor lado de Pinto da Costa. Manteve-se firme na sua posição e saiu a ganhar. Concretamente a ganhar 31,5 milhões de euros que podem chegar aos 35 milhões dependendo dos objectivos. O lateral direito mais rentável da história do clube, por cima de Paulo Ferreira. Entrou directamente para o nosso top 5 de vendas atrás de Hulk, James, Falcão e Mangala e empatado com Anderson. Absolutamente tremendo.



Vender Danilo era uma inevitabilidade. A SAD não podía ter feito melhor.
O grande erro foi no preço que se pagou pela sua contratação (aplicável a Alex Sandro que está na mesma situação, contrato a terminar, recusa em renovar, com o Atlético de Madrid atrás a soprar-lhe ao ouvido os mesmos cantos de sereia) e que reduziu muito a margen de lucro, que é daquilo que vive a SAD. Entre os 18 milhões que custou naquele negócio “By BMG” (foram 13 milhões pelo passe e 5 por encargos a outros), os salarios pagos, Danilo foi um jogador demasiado caro para a nossa realidade. Desportivamente só rendeu verdadeiramente a um grande nivel nesta temporada. No ano pasado sofreu (como todos) o desnorte colectivo mas parecía estar mais estagnado do que o seu colega do lado esquerdo (agora parece o oposto). A chegada á selecção brasileira ajudou-o a manter no escaparate mas o óptimo ano na Champions e as boas relações entre Lopetegui e o Real Madrid, com quem seguramente partilharam informações, ajudaram os merengues a pagar esta exorbitancia para um jogador que vai competir com Dani Carvajal pela titularidade.
Neste cenário Pinto da Costa e a sua equipa fizeram o que tinham de fazer. Tentaram renovar com o jogador e depois deste recusar souberam manejar bem os tempos e expectativas para conseguir um negócio que é imelhorável. Ninguém a não ser PdC e a SAD sacariam tanto por um jogador que daqui a nove meses podía negociar sair a zero. Absolutamente ninguém.
Além do mais este negócio implica dinheiro. Não jogadores.
Face ás deficientes condições das contas azuis-e-brancas era precisamente isso que se exigia. Casemiro não vai ficar (o Real está determinado em que ocupe o lugar de Khedira) e não fazia sentido nenhum incluir outro jogador directamente no negócio. Mas isso não implica que estas negociações não tenham tratado também desse assunto. O Real Madrid gostou do que viu de Lopetegui e do trabalho com Casemiro e tem bastante interesse em repetir a fórmula. Tem jogadores para “rodar” e o Porto parece um destino apetecivel. Há varios nomes na mesa. O médio Lucas Silva (recém-chegado do Brasil), o norueguês Odegaard, ainda um adolescente para a primeira equipa que será seguramente emprestado caso o Castilla não suba de divisão (tal como está agora) ou o vasco Illarramendi são os melhores exemplos. E há ainda Keylor Navas. Investimento caro, impacto desportivo nulo, o clube prepara-se para livrar-se dele. O jogador que ser titular, o Real não está pelos ajustes e já arranjou, também por empréstimo, um segundo guarda-redes para o próximo ano, o argentino Batalla. Todos esses nomes estiveram asociados ao negócio Danilo. Os três primeiros com o mesmo modelo de Casemiro, Navas como venda directa para abater o preço. Pinto da Costa, como só ele sabe, não caiu no truque. Mas isso não fechas todas as portas. Voltaremos a este assunto.



Danilo foi um jogador difícil de digerir ao principio pelo que custou e pelo pouco que rendeu no seu primeiro ano e meio. A sua evolução com Lopetegui foi excelente e vai ser difícil substitui-lo. Será, seguramente, um dos melhores laterais da sua geração. No entanto era um negócio inevitável por varios motivos, sobretudo pelo fim de contrato que se aproximava e pela nossa perene necessidade de cash flow. Com a prometida saida de Jackson, o dinheiro encaixado pela performance na Champions e esta venda, o clube cobre praticamente tudo aquilo que esperava receber este ano, o que é bom sinal. Não significa que não saia mais ninguém, não significa que parte do dinheiro de Danilo vá directamente para comprar o passe de Tello, por exemplo. Mas ajuda a respirar melhor. Para o seu lugar o plantel não tem um sucesor directo. Ricardo é o herdeiro potencial mas precisa de mais minutos para confirmar sensações de que poderá fazer-se dono do lugar. Victor Garcia deberá rodar para o ano noutro clube. A não ser que o clube aposte numa dupla Ricardo-Opare (que os turcos do Bessiktas já querem comprar), tudo indica que há que ir ao mercado. Haverá varios nomes sobre a mesa já a serem discutidos. Falaremos disso mais tarde.  Neste momento o importante é o match point conquistado numa batata quente. Uma forma de fazer negocios á Porto onde somos os melhores do Mundo. Como com o vinho, as francesinhas e basicamente tudo o resto. Foi um Danilócio!

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

As famosas cláusulas de rescisão e Jackson

As cláusulas de rescisão voltam a estar na ribalta, quando se vêem rumores na comunicação social de que há ofertas pelo Jackson que muito se aproximam da dita-cuja. Vejo vários portistas resignados que se alguém oferecer os 40M pelo Jackson e ele quiser ir, não podemos fazer nada, e ele está preso por um fio.

No entanto há um «pormaior» de que quase toda a gente se esquece, pelo que tenho visto... a cláusula de rescisão tem dois pormenores fundamentais: não só o montante, como o prazo de pagamento

Obviamente. É que se o prazo de pagamento ficasse à discrição do comprador, oferecia-me já eu para comprar o passe do Jackson pagando 10 euros/ano nos próximos 30 anos e o resto em 2043... 

Ora a regra geral é que está estipulado que o montante terá que ser pago A PRONTO E NA TOTALIDADE. Naturalmente, já que a cláusula de rescisão é apenas um mecanismo de segurança para o clube, sendo estabelecidas condições que se sabe serem muito difíceis de serem preenchidas (se bem que também já vi isto a ser usado como manobra de propaganda barata, como no célebre caso dos 90M por um certo angolano...). Por isso mesmo é muito raro que as cláusulas sejam «batidas» (mesmo quando o montante foi atingido), havendo sempre ou quase negociação com o clube.

Tanto quanto sei é também o caso do Jackson. Sendo assim acho extremamente improvável que alguém tenha a vontade e as condições para pagar já 40M de uma assentada pelo Jackson (começando pelo Nápoles). E parece-me que não temos o mínimo interesse em negociar a sua venda (este ano...), por isso se fosse a SAD não perdia um segundo com negociações, passando a mensagem de que não é para vender (já) e quem quiser levá-lo que deposite o dinheiro no banco primeiro.

Ah, e a vontade do jogador? Bem, pelo que li Jackson diz estar bem no FCP por isso não me parece que fique muito contrariado (mesmo que até preferisse sair). Mas mesmo que ficasse, eu seria totalmente intransigente neste caso já que:

1) Só está há um ano no FCP
2) Tem contrato por ainda mais 3 épocas
3) É a pedra mais fundamental do FCP neste momento
4) Estamos apertados de dinheiro mas deve dar para aguentar algum tempo - e mesmo que não dê, é de longe preferível vender um dos centrais (Mangala incluído, se a oferta for mesmo muito boa)
5) Mesmo que tivesse a tentação de fazer fretes ou birrinhas, não me parece que Jackson o fosse fazer em ano de Mundial e com tantos anos de contrato pela frente

quarta-feira, 29 de maio de 2013

A eterna questão do «modelo» de gestão

Anteontem o Miguel Pereira levantou aqui a eterna questão de que modelo de gestão & nível de ambição queremos ter.

Bem, em certa medida (que não totalmente) parece-me que é uma falsa questão, porque a venda de jóias da coroa não é necessariamente incompatível com ambições mais elevadas (vs a alternativa). 

Aliás, a médio prazo não é de todo incompatível, bem pelo contrário - e graças a Deus não me parece que estejamos desesperados com sede de títulos de forma a apostar o «tudo ou nada» no curto prazo (i.e. numa determinada época), sabendo-se que o ao fazê-lo o risco do descalabro total nas épocas que se seguem seria imenso.

Como foi afirmado na caixa de comentários, a gestão corrente é deficitária (não temos as receitas estruturais de um tubarão europeu, i.e. bilheteira, merchandising, patrocínios e TV) e esse buraco só poderá ser tapado através de grandes vendas. Para perspectiva: se não vendessemos nenhum jogador esta época iríamos fazer mais de 40M de prejuízo (e para o futuro há formas de fazer descer este valor, mas não de o eliminar). Temos portanto um certo grau de flexibilidade nas escolhas que enfrentamos na questão das vendas, sim, mas claramente limitado.

Até porque há a consciência de que, apesar de sermos um clube com prestígio, não somos um clube de topo na Europa (no cômputo geral desportivo-financeiro). Sendo assim será sempre de esperar que muitos dos nossos jogadores tenham a ambição (financeira apenas, ou financeira e desportiva) de mais cedo ou mais tarde «dar o salto», e seria contraprodutivo tomar sistematicamente uma posição intransigente bloqueando a sua saída.

E «contraprodutivo» porque 1. alguns dos jogadores que costumamos atraír (entre os que são jovens, promissores e com um CV já jeitoso) iam deixar de querer vir para o FCP, e. 2. porque os jogadores que já cá estão iriam começar a recusar-se sistematicamente em renovar contratos, e/ou a invocar unilateralmente a cláusula Bosman ao fim de 3 anos.

Concluindo: eu estou portanto totalmente resignado a que em média saia um par de titulares todos os anos.

Dito isto, acho que devíamos ter todas as condições de gestão para podermos decidir o timing exacto, quem sai, e em que condições ($) – e acho que podíamos estar melhor nesse aspecto do que estamos (mesmo que apoie as vendas específicas de James e Moutinho neste momento e nos moldes em que foram feitas - sabendo que não havia forma de os segurar mais um ano, a não ser que fossem vendidos outros como Jackson, ou contraindo novos empréstimos de dezenas de milhões a 10% de juros ao ano, partindo do pressuposto que há quem estivesse disposto a emprestar).

Nomeadamente, acho que podemos ser geridos de forma que em certas circumstâncias se consiga que numa dada época (se assim for desejável) não seja nenhum titular vendido, mesmo que na seguinte saiam 3; ou aguentar um certo titular mais uma época se for considerado mesmo imprescindível, mesmo que a oferta seja muito boa (como aliás fizémos por exemplo com o Deco em 2003) - o que hoje e nos últimos anos tem sido manifestamente impossível, fruto do deteriorar das finanças.

Ora o FCP vê-se mais na necessidade de vender do que seria desejável acima de tudo porque temos re-investido o que temos e o que não temos em contratações, nem sempre com critério e às vezes «tendo mais olhos do que boca», com a consequência de que o passivo financeiro aumentou imenso na última década resultando em cada vez mais dinheiro «deitado ao lixo» em juros para servir a dívida (andam já acima dos 10M/ano, uma machadada consideravel numa SAD que tem receitas estruturais que não chegam aos 40M/ano). Nós vendemos muito bem, mas o adepto comum não tem a mínima consciência de que também gastamos imenso em compras: só nos últimos 3 anos foram perto de 150M!

Ora se não coloco em causa (a um nível «macro») o modelo genérico de comprar relativamente barato e jovem para vender um par de jóias da coroa todos os anos, estando de total acordo nesse princípio, já coloco em causa em alguns pormenores (ou «pormaiores») na execução desse modelo, e em particular um ênfase desequilibrado no curto prazo e um exagero no número de contratações (peço desculpa mas os jogadores não são de todo como os melões - até porque se fossem, os Man Utds e Reais Madrids deste mundo açambarcavam o mercado comprando aos 20 e 30 jogadores por ano, emprestando os melões podres). Ou seja: penso que podíamos estar algo melhor (o que poderia levar a maiores ambições), mesmo que certamente não estejamos mal.

Em particular penso que devíamos palautinamente (mas de forma gradual) reinvestir um pouco menos durante uns poucos anos, sendo mais criteriosos nas necessidades do plantel, até que o passivo financeiro desça para um nível que faça muito menos danos (em juros); até porque me parece que é um luxo incomportável para um FCP ter várias dezenas de milhões em passes & salários «empatados» no banco, na bancada e em empréstimos, como temos tido em média nos últimos anos. Haveria um bocadinho mais de risco a curto prazo, sim (e daí eu defender que o abate do passivo financeiro não seja à maluca) mas caramba, o dinheiro que se poupava em juros dava para comprar um Moutinho novo todos os anos...

Penso também que temos negligenciado um pouco a formação (um pouco, reitero; não tenho qualquer ilusão de que é um «filão» para ser explorado apenas moderamente e em boa parte para o papel de «actores secundários») e o mercado nacional (os Coentrões, Antunes, Limas e Ghilas custam uma pechincha quando comparados com sul-americanos de valor desportivo idêntico – mas é comprando-os quando estão ainda em clubes pequenos, claro).

Finalmente, penso também que a tesouraria pode ser gerida de forma mais inteligente, muito menos no fio da navalha, de forma que se evite vender % de passes de jogadores com valor seguro para depois as re-comprar por muitíssimo mais (só em James e Moutinho perdemos mais de 10M nessas operações de venda e re-compra).

Na época que agora termina houve uma certa inflexão nesses detalhes de execução tendo havido mais contenção nas contratações, fruto da necessidade (e mesmo assim gastámos mais de 30M). Como se viu, não foi por aí que se perdeu o campeonato (e a haver lacunas agudas no plantel foi muito mais por falta de vontade ou colocar o dinheiro no lado errado do que por falta dele – tendo gasto 33M em passes, não foi certamente por falta de um par de milhões que por ex um Ghilas não veio no Natal). No entanto alguns sinais fazem-me suspeitar que seja sol de pouca dura: para já não entendo que estando nós tão bem servidos de centrais (e nenhum deles perto da reforma, longe disso) se tenha dado prioridade a gastar imensos milhões em mais outro, por muito jeitoso que seja. Por outro lado temos a contratação por baixos valores de jovens promissores como Tiago Rodrigues, o que é encorajante.

A ver vamos, mas espero que a investir forte ($$) neste defeso isso seja feito apenas em posições em que estamos claramente deficitários (extremos em particular) e não onde já estamos bem servidos (pelo menos a titular). E espero também que se use uma % considerável das vendas para abater os empréstimos (na consciência de que, depois de subtrair o que é necessário para cobrir o prejuízo corrente, não sobra tanto dinheiro como isso).

Quanto a ambições, penso que devemos apontar para ir o mais longe possível na LC, certamente para além da fase de grupos - na consciência de que isso depende imenso de quem se for encontrando pela frente. Mas é precisamente através das grandes vendas (usando parte das mesmas para abater o passivo financeiro) que estaremos em melhor condições para sermos cada vez mais ambiciosos.

E se não é um Pinto da Costa (com o CV e credibilidade que tem) que esteja disposto a correr um bocadinho de riscos a curto prazo para colocar o clube em muito melhor condições para o médio prazo, não me parece que vai ser o próximo presidente a fazê-lo, seja ele quem for....

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Moutinho e James vendidos por 70M

Já é oficial - Moutinho vendido por 25M e James por 45M:


Primeiros pensamentos:

1) Boa sorte para os dois, que a merecem

2) Não vai ser fácil substituí-los. Suspeito no entanto (e um pouco contra-corrente) que será mais difícil substituir  James (mas para isso precisaremos de um modelo de jogo diferente que não dependa de um trinco e 2 médios de transição).

3) Os valores em questão são muito, muito bons, sem dúvida (para mais depois de uma época algo apagada de James); se me tivessem perguntado há um mês, eu teria dito que seria bom vender os dois por um total de 50 e tal milhões.

4) Espero que agora não seja preciso vender mais nenhuma jóia da coroa

5) Quanto dinheiro líquido é que vai sobrar para o FCP? Para além das comissões de intermediação, é certo que o SCP terá a receber 3.5M (25% de 25-11) mas para além disso há a questão dos direitos de formação (em princípio pagos diretamente pelo Mónaco, mas a confirmar) e a situação sobre James é muito confusa, tenho ouvido de tudo na imprensa - o que eu sei oficialmente é que a 31 de Dez tínhamos 55% do passe e em Fevereiro recomprámos (com enorme markup) 35% pelo que em princípio teremos 90% do passe (o que levaria a que 4.5M desta venda tenham que ser reencaminhados para esses terceiros).

6) Espero que hajam garantias sólidas da parte do Mónaco, já que a) não sei se este russo é de confiança (quem sabe, daqui a uns meses cansa-se do «brinquedo» e deixa de continuar a pagar) e b) pelo que tem vindo a público a situação do Mónaco está longe de ser pacífica perante as autoridades francesas. A propósito, pergunto-me que % terá sido paga como sinal, e os prazos do resto.

7) SCP, desculpa lá qualquer coisinha... ;-)

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Perguntas do dia

1) Terá Vitor Pereira engenho para saber sistematicamente contornar «autocarros» (com que nos defrontamos em 80% dos jogos) sem o «abre-latas» Hulk?

2) Quem fará mais falta, Hulk no FCP ou Witsel no slb?
 
3) O Fairplay financeiro do Platini também se estende à Rússia?

4) Dos 40 milhões a pagar pelo Zenit, que % é que está programada entrar nos nossos cofres a curto prazo?

5) O Vilanovense (onde jogou com 14 e 15 anos) ainda vai ver algum dinheiro pela formação, ou só conta a partir dos 16 anos para o mecanismo de solidariedade? Se sim, saiu-lhes o Totoloto.

6) Para variar, o clube comprador encarrega-se diretamente de pagar a % de passe que não detemos (15%) tal como o mecanismo de solidariedade e comissões. No entanto tenho uma dúvida: 

Para além dos 15% do passe que não detínhamos, a SAD tinha-se comprometido há já bastante tempo «entregar o montante equivalente a 5% de uma receita líquida futura ao agente do jogador» (frase retirada literalmente do R&C). A troco de quê não faço ideia (e já falei nisso aqui anteriormente), mas adiante: está isto já incluído no que o Zenit vai pagar separadamente, ou ainda temos que descontar isso dos 40 milhões?

7) Finalmente: ao ver os 6 milhões de comissões (não sei para quem) - já para além do dinheiro pago ao agente do Hulk - pergunto-me: onde é que se pode estudar para ser intermediário em vendas e compras de passes de jogadores de futebol? Para mim é tarde, mas ainda vou a tempo de encaminhar o meu filho para essa profissão! :-)

sábado, 11 de junho de 2011

O mito "2003"

Com o defeso aparecem os inevitáveis rumores sobre transferências (vendas), e se fosse a prestar muita atenção ao que vou lendo nos jornais até ficava a pensar que o FCP ainda vai vender o 11 titular todo para a próxima época... de Falcão a Sapunaru passando por Rolando ou Fernando, acho que já apareceram rumores sobre todos ou quase.

Normal, como diria o outro, ou não tivessem os jornais que fazer pela vida (e sem jogos, há que trazer outro tipo de notícias às primeiras páginas...). Mas atenção que não quero necessariamente dizer com isto que andam a inventar notícias - é perfeitamente possível que até tenham um mínimo de fundamento, já que a maior parte dos clubes terá certamente em carteira umas dezenas de jogadores em que estão hipoteticamente interessados; mas daí a um interesse concreto em apresentar proposta tendo em conta valores que o FCP estará disposto a discutir, vai uma enorme distância.

Mas adiante: vejo muitos portistas a dizer que neste Verão "é para fazer como em 2003", em que "não fizemos nenhuma grande venda". Ora isto de tanto ser repetido até passa por verdade, mas está pura e simplesmente errado: em 2003 vendemos aquele que foi o melhor artilheiro da época 02/03 e habitual titular a ponta-de-lança, Hélder Postiga. É fácil descontar a sua importância na altura tendo em conta o que fez desde então, mas relembro que nessa época fez 35 jogos (31 no campeonato) e foi o melhor marcador da equipa com 14 golos. Era, portanto, um jogador bastante importante na altura.

Mais, e no que a considerações financeiras diz respeito: ao ser vendido por 9M€ (mais uns potenciais 3M€ por objectivos, que infelizmente não se vieram a realizar), Postiga foi a venda mais cara de sempre até ao momento (i.e. 2003). Ou seja, tampouco se poderá dizer que nos demos ao luxo financeiro de poder passar esse Verão sem uma grande venda, longe disso.

Neste momento não temos uma tesouraria mais folgada do que tínhamos no Verão de 2003, longe disso (sem me expandir, basta por exemplo assinalar que temos mais de 100M€ de dívidas que se vencem até Abril do próximo ano), por isso não me parece que nos possamos dar ao luxo de não vender ninguém (a não ser que se queira e consiga contrair ainda mais grandes empréstimos a juros elevados, o que duvido).

Dito isto, penso que é perfeitamente possível evitar a saída de mais do que um titular, no máximo, enquanto se aguenta o barco (de tesouraria). Pessoalmente não me importava de vender Fernando, Fucile (ou Sapunaru, mas não os dois) e C. Rodriguez por uns 30M€ no total, porque penso que poderiam ser bem substituídos sem ser sequer preciso abrir os cordões à bolsa (e o próprio Fernando parece estar cheio de "comichão" para sair, a crer nas palavras do próprio; good riddance). Outra alternativa (indesejada) seria a venda de Falcão por 30M€ (ou mais), mas nesse caso seria bem diferente (i.e. por imposição ao clube e um duro golpe desportivo). Mas de uma ou outra forma estou certo que teremos bastante estabilidade em 2011/12 de forma a revalidar o título e fazer boa figura na Liga dos Campeões.

De qualquer forma, estou certo que Pinto da Costa não estará disposto a vender mais do que 1 ou 2 titulares no máximo dos máximos; mas se por acaso até nem vendesse ninguém, não se poderia falar numa "repetição de 2003" devido ao exemplo Postiga que mencionei acima.

terça-feira, 7 de julho de 2009

SMS do dia - LXVI

E já está mais um:
A Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD, nos termos do artigo 248º nº1 do Códigodos Valores Mobiliários, vem informar o mercado que chegou a um acordo de princípio com o Olympique Lyonnais (Lyon) para a cedência, a título definitivo, dos direitos de inscrição desportiva do jogador profissional de futebol Lisandro Lopez pelo valor de 24 milhões de euros.
Agora é bom que o paizinho do Bruno Alves se cale.

domingo, 5 de julho de 2009

Ei-los que partem



O defeso no FCP é sempre (para mim) um tempo de mágoa, porque sei que vamos deixar de ter alguns jogadores que já faziam parte da casa e que vão ser substituídos por outros tantos que não conhecemos nem sabemos se vamos gostar. Reconhecemos que o clube tem de negociar, infelizmente, os seus melhores jogadores, mas é minha convicção que um clube de futebol se fragiliza perdendo sistematicamente as suas referências, se não cuidar dos efeitos que pode produzir no grupo.

Há um núcleo de jogadores que gostava fosse mantido : obviamente Lucho faz parte desse grupo. Porém do léxico do futebol, há muito desapareceu o “amor à camisola” por parte dos jogadores, que as entidades patronais passaram a tratar como activos. Novos conceitos de marketing passaram a acolher o futebol como uma indústria, os clubes como marcas e o jogo como o produto que vendem. É o reforço da notoriedade da marca e do produto que apelam à formação de uma equipa competitiva e ganhadora, e que no caso do FCP só é possível conseguir através de um hábil jogo de vendas e compras que cirurgicamente temos levado a cabo nas últimas épocas, pois as receitas ordinárias estão longe de cobrir os custos de exploração que tendem a aumentar. A formação não forma e tem tido pouca serventia, salvo para os empréstimos a terceiros.

“Para comprovar a teoria, um jornal catalão realizou uma listagem com as principais vendas do FC Porto desde a saída de Jardel para o Galatasaray, em 2000. Desde então, os dragões facturaram um total de 289 milhões de euros apenas com as principais transferência (18, no total), tendo gasto apenas 43,5 milhões para adquirir esses mesmos jogadores. Ou seja, o clube registou um saldo positivo de 245,5 milhões de euros.”


O negócio é essa palavra mágica que legitima quase tudo, às vezes até algumas que se situam no limite da legalidade. E não é só no futebol. Ao interesse dos clubes, junta-se a dos jogadores e empresários e parece que não há perdedores neste ciclo que faz movimentar o mercado, porque no início de cada época todos parecem muito felizes e certos do futuro. Dirigentes, vendedores, compradores, intermediários e jogadores todos se apresentam de bem com a vida, salvo Bruno Alves pela voz de seu pai. Não há inocentes neste processo. Provavelmente nem pecadores. É o negócio e a lógica do mercado a funcionar, mais nada.

O FCP tem tido sucesso desportivo e opera bem no mercado. A sua política está caucionada pelo êxito. O resto são minudências. O dirigente não chora na hora de cumprir a sua missão, pois está certo que novos Luchos entrarão no Dragão para gáudio dos seus inúmeros adeptos. O ciclo completa-se sem dor e sem perdas. O grupo forma-se, transforma-se e continua a ganhar. O resto, é o folclore habitual que anima este período em que a bola não pincha. Haverá muitas conversas no café, alguns escritos nos blogs, enfim o ruído do costume que os homens com tarimba não estranham. Não tremem nem hesitam, por isso. A estratégia há muito estava traçada. As peças é que podem mudar em função da procura.


O ano passado, depois de alguma tremedeira, tudo se recompôs e fizemos a dobradinha. Os resultados sossegaram a malta e reforçaram a confiança. De tal forma, que hoje muitos acreditam que chegaremos ao penta e ao hexa.

As ondas de choque que estas mudanças provocam junto dos adeptos, têm sido ultrapassadas porque a politica do clube é assumida pelo Presidente que é merecedor de um grande crédito junto dos sócios e adeptos. Por outro lado é reconhecido que não há volta a dar. Temos que vender para continuar. A estrutura de custos do FCP assim o obriga. Não podemos de repente parar ou declarar um qualquer lay off e mandar às malvas uma série de contrapesos que temos por aí. E, muito menos, estamos em condições de repetir um prejuízo de 30 milhões para manter o plantel praticamente intocável.

A estratégia é a evolução na continuidade. A formação pode inverter o ciclo, mas vai demorar. Para o ano serão outros tantos a sair, e infelizmente serão os que mais se notabilizarem, pois são esses que têm mercado. Hulk na primeira linha se fizer a campanha que está ao seu alcance.


Não vale a pena chorar. Fica a saudade e a memória que tende a valorizar o melhor do passado. O FCP duas vezes campeão europeu, chegou ao cimo da montanha com equipas formadas maioritariamente por jogadores portugueses. Tem de ser esse o novo paradigma antes que o mercado nos vire as costas ou entre em forte retracção.

Vivamos o dia à dia, esperando ansiosamente que as anunciadas boas notícias sejam mesmo boas. Queremos acreditar. O futebol, a ilusão, os golos, os casos, as figuras, dão um pouco de sabor ao amargo vida. Tenho saudades de ver a bola a correr e de ir ao Dragão. O defeso é uma eternidade, que se preenche e alimenta de mexericos que dão um jeito do caraças nesta altura para nos desanuviar das tontices da vida.

Lucho ei-lo que parte, buscando a sorte noutras paragens . Outros muito provavelmente o seguirão. Nós por cá continuaremos bem. Haja golos !

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Deve o FCP vender os direitos de "naming" do estádio?


A maioria dos participantes (60%) nesta sondagem acredita que o FCP deve vender o nome do estádio a um patrocinador.

40% (53 votantes) acredita que essa hipotese não se deve por, tendo votado na hipótese "Não, nem pensar". Os 60% que acham que os direitos de naming devem ser vendidos estão repartidos da seguinte forma: 6% (9) acham que "Sim, qualquer que seja o valor" da oferta do patrocinador; 11% (15 votos) acreditam que "Sim, por um valor mínimo de 5M €/ano" o FCP deve vender; e 53 participantes (40% dos votos) acham que só por um valor significativo (de 8M€) deve ser vendido, tendo votado na opção "Sim, por um valor mínimo de 8M €/ano".

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Bosingwa: a primeira (mas não a última?) grande venda do defeso


Confirma-se a venda de Bosingwa por 20 milhões de Euros. Esta é a primeira grande venda do defeso, que já se perspectivava há algum tempo.

Convenhamos que, em termos económicos, 20 milhões por um defesa direito a actuar no secundário campeonato português é uma óptima quantia. São raríssimos (no mundo inteiro) os casos de defesas laterais vendidos por valores iguais ou superiores - mesmo saídos de campeonatos com muito maior reputação e imagem - o que de si atesta a apreciação muito positiva que os tubarões europeus fazem da equipa do FCP e dos seus jogadores (com ou sem Apitos Finais ou Provisórios).

A venda de pelo menos um dos "anéis" do FCP era um dado garantido neste defeso: seja pelas necessidades de tesouraria da SAD, seja pela enorme cobiça que alguns dos nossos jogadores despertam no mercado europeu; em particular Bosingwa, Lucho, Quaresma, Lisandro e Bruno Alves.

Numa perspectiva global (economico-desportiva) e por várias razões, eu defendia que a prioridade entre estes jogadores deveria ir para a venda de Quaresma, e o último a sair deveria ser Lucho.

O Bosingwa estaria algures pelo meio: por um lado é um excelente defesa direito, difícil de substituir (e muito dificilmente algum dia Fucile chegará a um patamar de desempenho equivalente); por outro é um jogador que já levava anos de casa tendo chegado provavelmente ao seu pico de desempenho (se há algo que me desagrada é vender um jogador 1, 2 ou até mesmo 3 anos após chegar ao clube, principalmente se ainda jovens - ou seja, em período de crescimento e maturação) e com um perfil psicológico, digamos... algo complicado, que poderia baixar de rendimento e desvalorizar se não saísse em 2008.

Por tudo isto e tendo em conta os valores em causa, é uma venda que considero muito boa. Se a venda é efectuada antes da fase final do Euro 2008, é certamente porque a SAD tinha fortes indicações de que muito dificilmente conseguiria valorizá-lo ainda mais nas próximas semanas (e pessoalmente parece-me que faz todo o sentido que assim pensem).

E agora, como substituí-lo e aplicar o dinheiro?

Se bem que não esteja plenamente convencido das capacidades de Fucile (pelo menos no que se pede a um titular do FCP, já que a qualidade q.b. para ser uma boa 2a opção já está mais do que demonstrada), defendo que se devia gastar uns bons milhões de Euros num defesa esquerdo de comprovada qualidade - não na "loja dos 300", i.e. dos 300mil contos ou menos (equivalente a 1,5 milhões de euros), derivando Fucile de vez para a direita; e mais algum dinheiro num defesa direito relativamente jovem e com boas indicações dadas, que possa lutar pela titularidade com Fucile.

Mas será esta a primeira de várias saídas?

Penso que é extremamente provável que Quaresma siga as pisadas de Bosingwa (e por valores ainda mais altos). Penso que é uma venda que fará também sentido, sem que se comprometa seriamente a competividade desportiva da equipa. A partir daí... tudo o que é demais, é moléstia.
Penso que não deveria sair mais ninguém neste defeso (certamente não teremos a mínima necessidade financeira para tal, se Quaresma sair), mesmo que hajam boas propostas (que haverão). Ter que substituir 3 ou mais titulares importantes (e mexendo na espinha-dorsal da equipa) já começa a ser um risco desportivo demasiado elevado, para mais quando as soluções para as saídas de Lisandro, B Alves e principalmente Lucho não são nada evidentes.

Estes jogadores terão certamente mercado para sair 6 meses ou um ano mais tarde, e se o clube tiver que reforçar o seu salário "nos entretantos"... que seja.

No entanto o receio de que saiam 3 ou até mesmo mais titulares existe, certamente. Tal como o receio do que possa acontecer nesse caso, até porque o paralelo com a época de 2004/05 ainda está muito fresco na cabeça de muitos adeptos (mesmo não escamoteando a importante diferença no que diz respeito à estabilidade ao nível de treinador).

O meu instinto diz-me que vão acabar por sair 3 titulares, com uma possibilidade considerável de que saiam mesmo quatro - Bosingwa, Quaresma, B Alves e Lucho. Escusado é dizer que espero que o meu instinto esteja rotundamente enganado...

Para terminar, uma mensagem para o Bosingwa: boa sorte em Inglaterra, que a mereces; não te esqueças de quem te catapultou para a posição em que te encontras hoje; e acima de tudo assegura-te que sais em beleza, contribuindo no Domingo para a conquista de mais um "caneco".

PS - Não deixei de reparar que mais uma vez houve "dedo" de Jorge Mendes nesta transferência, mesmo não sendo o empresário de Bosingwa. Se há factores comuns nas grandes vendas do FCP nos últimos anos, este é certamente um deles...

terça-feira, 1 de abril de 2008

Que venda seria menos lamentável no fim da época?



Para os participantes desta sondagem, Ricardo Quaresma é o jogador a deixar partir, com uma larga e inesperada margem, no caso de ser necessário transferir um dos principais jogadores do plantel no fim da época corrente.

Ricardo Quaresma somou 70 votos (82%!), destacando-se muito dos votos atribuidos ao segundo mais votado, Bruno Alves com 6 (7%). José Bosingwa foi o terceiro classificado, tendo sido escolhido por 5 vezes (5%). O duo argentino Lucho (3 votos, 3%) e Lisandro Lopez (1 voto, 1%) conseguiram os resultados mais baixos. Os números são surpreendentes especialmente para Lisandro Lopez, tendo em conta o mediatismo dos seus colegas como Ricardo Quaresma e Lucho González.