O FC Porto e o Real Madrid confirmaram oficialmente que
Danilo será jogador merengue nos próximos anos. O negócio é excelente a todos
os niveis. São 31,5 milhões de euros (35 por objectivos), sem jogadores ao
barulho e com o contrato do jogador a acabar. Um golpe de génio (o enésimo) de
Pinto da Costa e da SAD nas mesas de negociação que superam bastante as
expectativas daquele que foi um dos nossos maiores negocios de risco dos
últimos tempos.
Danilo foi um negócio limite. Para não se repetir nunca
mais.
Muito menos na situação limite em que se encontra o clube,
muito menos na situação de controlo de gastos em que se encontra o mercado.
Temos os melhores negociadores do Mundo mas nem Pinto da Costa é eterno nem
sempre teremos a sorte de haver um Real Madrid (ou um Monaco) capaz de colocar
sobre a mesa valores tão altos.
O FC Porto esteve numa situação de risco. Podia ter corrido
mal, muito mal.
O jogador terminava contrato em Junho do próximo ano com uma
cláusula de 50 milhões que era irreal. Não quería renovar. O clube insistiu.
Uma, duas e três vezes .Uma boa oferta com o objectivo de garantir a melhor
venda possível sempre deixando claro ao jogador que não lhe iam “cortar as
pernas”. O que se conseguiu com Fernando não se conseguiu com Danilo. O jogador
recusou sempre. Sabia do interesse do Real Madrid, do Barcelona e do Manchester
United. O clube inglês foi rápidamente descartado. Danilo tem uma boa amizade
com Anderson que não lhe falou especialmente bem do clube. Já o Barça era
diferente. Aí estava um dos seus melhores amigos, excolega do Santos, Neymar, que
intercedeu por ele. Mas a proibição de contratar até Janeiro de 2016 era um
entrave. O Barcelona fez uma boa proposta ao FC Porto que rondava os 25 milhoes
de euros mais um desconto no preço final por Tello mas que incluia uma cláusula
que impedia o clube de usar o lateral na primeira fase da Champions para que em
Janeiro – quando se desse a transferência – o pudessem inscrever para a segunda
fase. O clube não quis entrar nesse jogo, o jogador também não parecía muito interesado.
Apareceu então o Real Madrid e tudo mudou.
Os merengues abordaram o jogador antes, pressionaram-no a
não renovar com o FC Porto em troca de um contrato substancialmente melhor do que
oferecia o Barcelona. Com esse ás na manga apareceram para negociar. A
principio queriam incluir jogadores no negócio, outros empréstimos como o de
Casemiro (que nunca esteve na equação e regressa a Madrid este Verão). Mas aí
apareceu o melhor lado de Pinto da Costa. Manteve-se firme na sua posição e
saiu a ganhar. Concretamente a ganhar 31,5 milhões de euros que podem chegar
aos 35 milhões dependendo dos objectivos. O lateral direito mais rentável da
história do clube, por cima de Paulo Ferreira. Entrou directamente para o nosso
top 5 de vendas atrás de Hulk, James, Falcão e Mangala e empatado com Anderson.
Absolutamente tremendo.
Vender Danilo era uma inevitabilidade. A SAD não podía ter
feito melhor.
O grande erro foi no preço que se pagou pela sua contratação
(aplicável a Alex Sandro que está na mesma situação, contrato a terminar,
recusa em renovar, com o Atlético de Madrid atrás a soprar-lhe ao ouvido os
mesmos cantos de sereia) e que reduziu muito a margen de lucro, que é daquilo
que vive a SAD. Entre os 18 milhões que custou naquele negócio “By BMG” (foram
13 milhões pelo passe e 5 por encargos a outros), os salarios pagos, Danilo foi
um jogador demasiado caro para a nossa realidade. Desportivamente só rendeu
verdadeiramente a um grande nivel nesta temporada. No ano pasado sofreu (como
todos) o desnorte colectivo mas parecía estar mais estagnado do que o seu
colega do lado esquerdo (agora parece o oposto). A chegada á selecção
brasileira ajudou-o a manter no escaparate mas o óptimo ano na Champions e as
boas relações entre Lopetegui e o Real Madrid, com quem seguramente partilharam
informações, ajudaram os merengues a pagar esta exorbitancia para um jogador
que vai competir com Dani Carvajal pela titularidade.
Neste cenário Pinto da Costa e a sua equipa fizeram o que
tinham de fazer. Tentaram renovar com o jogador e depois deste recusar souberam
manejar bem os tempos e expectativas para conseguir um negócio que é
imelhorável. Ninguém a não ser PdC e a SAD sacariam tanto por um jogador que
daqui a nove meses podía negociar sair a zero. Absolutamente ninguém.
Além do mais este negócio implica dinheiro. Não jogadores.
Face ás deficientes condições das contas azuis-e-brancas era
precisamente isso que se exigia. Casemiro não vai ficar (o Real está
determinado em que ocupe o lugar de Khedira) e não fazia sentido nenhum incluir
outro jogador directamente no negócio. Mas isso não implica que estas
negociações não tenham tratado também desse assunto. O Real Madrid gostou do
que viu de Lopetegui e do trabalho com Casemiro e tem bastante interesse em
repetir a fórmula. Tem jogadores para “rodar” e o Porto parece um destino apetecivel.
Há varios nomes na mesa. O médio Lucas Silva (recém-chegado do Brasil), o
norueguês Odegaard, ainda um adolescente para a primeira equipa que será
seguramente emprestado caso o Castilla não suba de divisão (tal como está
agora) ou o vasco Illarramendi são os melhores exemplos. E há ainda Keylor
Navas. Investimento caro, impacto desportivo nulo, o clube prepara-se para livrar-se
dele. O jogador que ser titular, o Real não está pelos ajustes e já arranjou,
também por empréstimo, um segundo guarda-redes para o próximo ano, o argentino
Batalla. Todos esses nomes estiveram asociados ao negócio Danilo. Os três
primeiros com o mesmo modelo de Casemiro, Navas como venda directa para abater
o preço. Pinto da Costa, como só ele sabe, não caiu no truque. Mas isso não
fechas todas as portas. Voltaremos a este assunto.
Danilo foi um jogador difícil de digerir ao principio pelo
que custou e pelo pouco que rendeu no seu primeiro ano e meio. A sua evolução
com Lopetegui foi excelente e vai ser difícil substitui-lo. Será, seguramente,
um dos melhores laterais da sua geração. No entanto era um negócio inevitável
por varios motivos, sobretudo pelo fim de contrato que se aproximava e pela
nossa perene necessidade de cash flow. Com a prometida saida de Jackson, o
dinheiro encaixado pela performance na Champions e esta venda, o clube cobre
praticamente tudo aquilo que esperava receber este ano, o que é bom sinal. Não
significa que não saia mais ninguém, não significa que parte do dinheiro de Danilo
vá directamente para comprar o passe de Tello, por exemplo. Mas ajuda a
respirar melhor. Para o seu lugar o plantel não tem um sucesor directo. Ricardo
é o herdeiro potencial mas precisa de mais minutos para confirmar sensações de
que poderá fazer-se dono do lugar. Victor Garcia deberá rodar para o ano noutro
clube. A não ser que o clube aposte numa dupla Ricardo-Opare (que os turcos do
Bessiktas já querem comprar), tudo indica que há que ir ao mercado. Haverá varios
nomes sobre a mesa já a serem discutidos. Falaremos disso mais tarde. Neste momento o importante é o match point
conquistado numa batata quente. Uma forma de fazer negocios á Porto onde somos
os melhores do Mundo. Como com o vinho, as francesinhas e basicamente tudo o
resto. Foi um Danilócio!









