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terça-feira, 1 de julho de 2014

O bom e o mau negócio (versão de Ramadão)

Um jogador que tem estado muito bem neste Mundial é Slimani, titular indiscutível na boa seleção argelina, relegando Ghilas para o banco. Ontem voltou a fazer uma boa exibição (embora não tão boa como nos jogos anteriores, na minha opinião).

Este jogador foi contratado pelo SCP há um ano a um clube argelino, alegadamente pelo valor de 400mil euros, o que corresponde a um negócio das mil e uma noites. Pouco antes o FCP tinha gasto 3,8M€ em 50% do passe de Ghilas (excluindo comissões e outros encargos) - «um pouco mais» do que o SCP pagou por Slimani. Imagino o que o palhaço presidente do SCP se deve estar a rir... (mas de certeza que já não se está a rir com a situação financeira global do SCP, já agora).

Há aqui várias coisas a reflectir.

Desportivamente, achei na altura que a aposta em Ghilas para 2a opção no banco era uma boa aposta (como aqui escrevi em artigo). E um ano depois, continuo a ter exactamente a mesma opinião dele (mas já não estou convencido que fiquemos bem servidos com ele a titular com uma saída de Jackson - acho que pode lutar pela titularidade ou ser ao menos substituto útil, isso sim, mais... não sei não). Aliás, o seu desempenho na época finda foi totalmente dentro do que eu esperava (e ainda tem a desculpa extra do treinador que tivémos...).

Mas tal como também aqui escrevi em artigo, considerei que seria uma boa contratação se tivesse custado uns 3M€ (por 100%...) como se falava na altura, e como seria de esperar para um jogador saído de um Moreirense (que ainda por cima tinha descido de divisão). 3,8M€ + comissões oficiais e outros encargos por 50% é quase o triplo... fazendo com que ache que não foi uma boa contratação, mas sim medíocre. Há quem considere normal que tenhamos pago isso, eu não acredito em histórias da Carochinha e acho que a história ficou muito mal contada. Mas adiante.

Tanto quanto se sabe, o SCP virou-se para Slimani após falhar a contratação de Ghilas. Terá tido portanto alguma «sorte», mas como diz o outro a sorte dá muito trabalho: afinal de contas porquê Slimani, e não outro gajo qualquer de outro campeonato qualquer? Alguém viu valor no jogador. Recordo que o CV de Slimani era de facto modesto, nunca tendo jogado fora da Argélia e tendo feito apenas meia dúzia de jogos pela selecção, tendo ele já 24 ou 25 anos na altura.

Com o CV que Slimani tinha, confesso que se o conhecesse (e não o conhecia) eu não o teria preferido a Ghilas para 2a vaga a avançado no plantel (principalmente porque este último já estava adaptado à Europa e mais especificamente a Portugal). Mas por 400mil euros e tendo em conta que não estávamos a nadar em opções para avançado sob contrato, longe disso, se houvesse indicações positivas porque não apostar nele como 3a opção, ou até mesmo empréstimo ou equipa B inicialmente. Temos gasto muito mais do que isso só em jogadores para a equipa B, carago, e coleccionado contratações em outras posições muito menos carentes (como médios).

Ora será que o SCP tinha indicações positivas que o FCP não tinha? E nesse caso, terão eles melhores olheiros no norte de África (e não posso já agora deixar passar em claro que temos um grande portista como treinador há muitos anos na Argélia, de seu nome Rabah Madjer, que tanto quanto sei tem muito boas relações com PdC)?

Ou será que o Slimani tinha o empresário errado (ou, visto de outra forma, os nossos empresários privilegiados não o conheciam)?

domingo, 6 de abril de 2014

Académica e Sevilha ao mesmo tempo…

FC Porto x Académica: Onze inicial

Por muito que quiséssemos tirar o foco do jogo seguinte, com 3-0 era muito difícil. O jogo de Sevilha é demasiado importante para sair das nossas cabeças. Pronto, agora sim, passamos ao jogo de Sevilha. Mas passámos 45 minutos antes do que devíamos ter feito. (…)
Sim, pesou [o Sevilha x FC Porto da próxima quinta-feira]. Foi o primeiro jogo em que substituí a pensar na gestão e não no jogo. Mas fi-lo sem beliscar o rumo que queria dar ao jogo
Luís Castro, na conferência de imprensa após o FC Porto x Académica


Luís Castro diz que o jogo de Sevilha começou a ser jogado (na cabeça dos jogadores) ao intervalo do FC Porto x Académica, mas a mim pareceu-me que começou mais cedo.
E na cabeça do treinador começou (e bem!) antes do início do jogo, ao não convocar Mangala e Defour e ao deixar no banco de suplentes três outros titulares do recente FC Porto x Sevilha - Danilo, Carlos Eduardo e Quaresma.

Num clube habituado a lutar pelo título (convém lembrar que o FC Porto é “apenas” o atual Tricampeão nacional!), é normal que, com o 1º e 2º lugar a uma distância inalcançável, os jogadores sintam pouca motivação no que resta deste campeonato, visto que a única coisa que está em causa é assegurar o 3º lugar.

Ora, tendo este jogo com a Académica sido jogado a pensar no próximo (Sevilha x FC Porto), pode dizer-se que, no essencial, correu bem.
Correu bem porque ninguém se lesionou (já chega de lesões e castigos!).
Correu bem porque oito dos prováveis titulares no jogo a disputar no Sánchez Pizjuán – Danilo, Mangala, Alex Sandro, Defour, Carlos Eduardo, Varela, Quaresma e Ghilas – foram poupados ou o treinador geriu o seu tempo de jogo.
E correu bem porque, pela primeira vez na era Luís Castro, o resultado final (3-1) foi claramente melhor que a exibição.

Em termos individuais, de salientar as três extraordinárias defesas do Fabiano, duas delas a desviar para os postes da sua baliza bolas que levavam o selo de golo, mas também as exibições de dois jogadores que praticamente não contavam para Paulo Fonseca: Ghilas e Diego Reyes.

Acerca da exibição de Ghilas, a jogar de início e descaído numa das alas (algo que para Paulo Fonseca parecia quase proibido…), Pedro Jorge da Cunha, do site Maisfutebol, escolheu-o como a Figura do Jogo e escreve o seguinte:
«Ghilas somava 150 minutos para a Liga quando o anterior treinador saiu, sendo que grande parte desse tempo de utilização (90) foi somado no empate de Guimarães. Fonseca nunca olhou para Ghilas como verdadeira opção e jamais pensou nele como alternativa ao lote de extremos. A forma errada como geriu o tempo de jogo do ex-Moreirense é um bom exemplo da sua incapacidade no comando técnico do FC Porto.»

E eu aproveito para recordar aquilo que escrevi nos seguintes artigos:

Quanto a Diego Reyes, que andou “desterrado” sete meses pela equipa B, voltou a jogar 90 minutos e voltou a ser dos melhores. Sem me alongar muito (para já), diria que foi notória a diferença de qualidade em relação ao outro defesa-central (Abdoulaye Ba), com quem fez dupla neste jogo.

Faltam quatro jogos para terminar o campeonato. Não vão ser fáceis e, com a excepção do último (FC Porto x slb), prevejo que serão penosos.

segunda-feira, 3 de março de 2014

Bateu no fundo

Sobre o jogo de ontem em Guimarães, não há muito de novo a dizer. Assim sendo, aqui vão meia dúzia de reflexões curtas.

i) Guarda-redes, defesas e médios defensivos do FC Porto
Helton, Fabiano, Danilo, Otamendi, Mangala, Maicon, Abdoulaye Ba, Alex Sandro, Fernando e Defour.
10 jogadores. Todos eles faziam parte do plantel 2012/2013, que esteve à disposição do treinador bi-campeão Vítor Pereira, o qual, convém lembrar, terminou o campeonato sem derrotas.
Um ano depois, era suposto que estes jogadores (a maior parte Sub-25) tivessem evoluído em termos de cultura táctica e que, fruto de um conhecimento mutuo maior, as rotinas entre eles estivessem ainda mais consolidadas.
Qual é a realidade?
Em termos defensivos, o FC Porto 2013/2014 é um autêntico passador e estes mesmos jogadores, que na época passada formavam uma defesa de betão (14 golos sofridos nos 30 jogos do campeonato), parecem baratas tontas dentro do campo.

ii) O mito do plantel fraquinho
Ainda ontem voltei a ouvir na televisão, como desculpa para esta época horribilis do FC Porto, que o treinador atual não tem à sua disposição Falcao, Hulk, James e Moutinho.
É um facto.
Como também é um facto que na época passada já não houve Falcao e Hulk.
Como também é um facto que nos meses de Janeiro e Fevereiro de 2013 não houve James (lesionado) e Atsu (na CAN) e, em vários jogos, Vítor Pereira teve mesmo de recorrer a jogadores da equipa B (Sebá e Tozé).
Como também é um facto que na época passada não havia Herrera, Josué, Carlos Eduardo, Quintero, Quaresma ou Ghilas, de modo a que o treinador pudesse ter alternativas para o onze inicial ou para situações de castigos, lesões ou abaixamentos de forma dos habituais titulares.

iii) Ghilas
Depois do que já tinha mostrado nos 40 minutos que jogou em Frankfurt, Ghilas voltou a mostrar que pode ser muito útil (se entrar mais vezes antes do minuto 85…) e que no tal plantel fraquinho existem soluções alternativas de qualidade.

P.S. O jornal O JOGO diz que a coisa bateu no fundo. Não estou certo que assim seja e, vendo o que a equipa (não) joga, receio bem do que possa acontecer até ao final desta época.

P.S.2 Não sei assobiar, nunca levei lenços brancos para o estádio e acho lamentável que se insulte o treinador do FC Porto, seja ele quem for.

P.S.3 Se os sócios e adeptos portistas estão descontentes, irritados e querem pedir satisfações a alguém, não é com certeza ao treinador atual do FC Porto que se devem dirigir. Que eu saiba, o clube tem presidente e a SAD tem uma administração, que é quem toma as decisões.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Jackson e Ghilas não podem jogar juntos?


O título, subtítulo e destaques da capa de O JOGO são uma boa síntese do empate (3-3) de ontem.

Jackson Martinez já provou ser um grande ponta-de-lança, mas esta época tem estado abaixo do que mostrou na época passada e ontem, apesar de esforçado, a sua exibição chegou a ser caricata.

Pelo contrário, Ghilas, sem ser um predestinado, ontem foi o homem do jogo.

É um golo muito importante para mim. Como avançado vivo de golos, precisamente como o que aconteceu hoje. Não tenho jogado muito, mas hoje estive em campo mais minutos e consegui marcar.
Nabil Ghilas, em declarações à SIC Notícias

É notório que Jackson não está num bom momento, enquanto Ghilas está muito confiante. Contudo, o mais provável é que já no próximo domingo (Vitória Guimarães x FC Porto), o indiscutível Jackson volte a ser titular e o suplente Ghilas volte a iniciar o jogo sentado ao lado de Paulo Fonseca.

Jackson, mesmo estando num mau momento de forma, não pode ir para o banco de suplentes?
Jackson e Ghilas não podem jogar juntos de início?


domingo, 16 de fevereiro de 2014

D(eprimente)MS do Dia

Entrada do Ghilas a (menos de) 5 minutos do fim? Check!
Licá picou o ponto? Check!
Queimar tempo com substituição num jogo contra o Gil Vicente? Check!
Josué - e eu até gosto do Josué - 0 vezes 0 durante 85 minutos? Check!
(...)
E que tal esta equipa não voltar a usar a camisola azul-e-branca até ao final da época? Se não há futebol, ao menos haja decência!

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

As alas são um problema?

O JOGO, 06-01-2014

7 portistas que podem jogar na ala: Quaresma, Varela, Licá, Kelvin, Josué, Ricardo e Quintero.
O JOGO, 06-01-2014

«(…) Varela está em grande. E Kelvin finalmente conta. Licá é o extremo portista que melhor defende (…) Meia época depois, os extremos já não são um problema do FC Porto. (…)
André Morais, O JOGO, 06-01-2014


Para além dos sete jogadores referidos por O JOGO que, esta época, já jogaram nas alas (nos casos de Josué e Quintero, num posicionamento e movimentação parecidos com o de James na época passada), há ainda Ghilas, o qual, conforme se viu no último jogo (FC Porto x Penafiel, para a Taça da Liga), também poderá ser uma alternativa, numa lógica semelhante à de Derlei em 2002/03 ou de Lisandro em 2005/06.

Olhando para estas oito opções, o mais provável é que Paulo Fonseca opte por Varela e Quaresma que, juntamente com Jackson, deverão formar o trio de ataque que irá ser mais utilizado na 2ª volta do campeonato.

A confirmar-se este cenário e atendendo às características deste lote de jogadores, Kelvin poderá ser uma alternativa a Quaresma (o extremo titular mais tecnicista) e Ghilas uma alternativa a Varela (o extremo titular mais possante).

E Licá?
Licá brilhou na época passada ao serviço do Estoril, mas parece-me ser um jogador que muito dificilmente encaixa no 4-3-3 tradicional do FC Porto. Isto porque, não sendo um jogador tecnicista (tem muitas dificuldades nos duelos um-contra-um) e não sendo um jogador possante, Licá é um jogador que necessita de espaço para potenciar o seu futebol.
Ora, não havendo espaço no relvado para as “cavalgadas” de Licá, penso que o ex-estorilista também irá perder espaço nas convocatórias de Paulo Fonseca.

Quanto às restantes duas opções – Josué e Quintero – o seu lugar natural é no meio e não nas alas, possivelmente como alternativas ao Carlos Eduardo (ou vice-versa).

Seja como for, não me parece que as alas sejam um problema.

Precisamos, isso sim, que Paulo Fonseca estabilize um onze com todos os jogadores nas suas posições naturais e que saibam interpretar o modelo de jogo idealizado pelo treinador. Matéria-prima não falta.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Quaresma e a dupla Jackson-Ghilas


«Vitória diluviana, quatro golos e duas notícias para o FC Porto. Uma má, outra boa. A primeira esclarece que Ricardo Quaresma, apesar do excelente golo marcado, está ainda a meio gás; a segunda sugere que o mesmo Quaresma, a meio gás, é já o melhor extremo dos dragões.»
Pedro Jorge da Cunha, in Maisfutebol


Quaresma a caminho da titularidade, provavelmente já no próximo jogo a sério (digo eu).
E, perante as sucessivas lesões de Nani, a lesão (grave) de Bruma e o nível que tem vindo a ser evidenciado pelos restantes extremos portugueses, se Quaresma tiver cabecinha é bem capaz de "obrigar" Paulo Bento a levâ-lo ao Brasil em Junho.

Jackson e Ghilas a jogarem simultaneamente (algo muito raro esta época), num relvado que foi ficando cada vez mais pesado (em algumas zonas quase impraticável), estiveram envolvidos em jogadas interessantes (delicioso o cruzamento de letra de Ghilas para o 1º golo do ponta-de-lança colombiano).
Não seria de explorar mais vezes (e durante mais minutos) a possibilidade dos dois avançados do FC Porto jogarem juntos?

P.S. A jogar nesta competição com tantos craques, o FC Porto arrisca-se a ficar à frente dos calimeros e a ganhar o grupo, o que significa continuar em prova e jogar com o SLB nas meias-finais da Taça da Liga (e ainda não se sabe onde será a final...)

P.S.2 Fiquei surpreendido com a titularidade de Alex Sandro. Então na semana passada não esteve dois dias sem treinar devido a mialgias?

P.S.3 Fiquei surpreendido com a não titularidade de Diego Reyes. Se num jogo para a Taça da Liga, em casa, contra uma equipa de um escalão inferior não joga, quando é que é suposto o defesa-central mexicano jogar?

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Ghilas e o minuto 85


O JOGO, 27-06-2013
Após se ter destacado ao serviço do Moreirense (marcou 13 golos no último campeonato), Nabil Ghilas despertou o interesse de vários clubes, entre os quais o sporting.

O FC Porto teve argumentos mais fortes ($$$) venceu a concorrência (interna e externa) e contratou o avançado argelino, presumo que com os seguintes objectivos:

i) colmatar uma das lacunas do plantel, reforçando-o com um ponta-de-lança, já perfeitamente adaptado ao futebol português, que pudesse ser uma alternativa credível para Jackson Martinez (em caso de castigo, lesão, abaixamento de forma ou gestão de esforço do colombiano);

ii) arranjar um avançado que, tendo características diferentes de Jackson (Ghilas é mais móvel), pudesse formar com o internacional colombiano uma dupla de ataque, possibilitando ao treinador o recurso a soluções alternativas em alguns jogos;

iii) atendendo à idade e ao interesse de clubes estrangeiros preparar, com tempo, a previsível saída de Jackson no final da época 2013/14 (após dois anos de azul-e-branco).

Chegados à paragem de Natal, penso que já podemos fazer um primeiro balanço.

22 minutos de utilização em 5 jogos do campeonato; 33 minutos de utilização em 4 jogos da Liga dos Campeões.

Evidentemente, o FC Porto não é o Moreirense e, ainda para mais tendo um ponta-de-lança como Jackson Martinez, ninguém estaria à espera que Ghilas chegasse e fosse logo titular. Agora, também não estava à espera de um tempo de utilização tão reduzido.

Minutos jogados por Ghilas na época 2013/14 (fonte: zerozero)

E, para além do pouquíssimo tempo de utilização, o que me impressiona mais é o facto de nas nove vezes - 5 para o campeonato e 4 para a Liga dos Campeões - que saiu do banco para dar o seu contributo à equipa, em sete ocasiões Ghilas só entrou após o minuto 85!

Qual é a ideia de Paulo Fonseca?
Com estas sucessivas substituições ao cair do pano, que tipo de mensagem é passada ao jogador?

Olhando para o plantel atual (sem contar com o Quaresma) e constatando as dificuldades ofensivas que a equipa teve na fase pré-Carlos Eduardo, penso que Ghilas poderia ter tido mais oportunidades. Por exemplo, por que não testar Ghilas numa das alas, numa lógica parecida à de Derlei (com Mourinho) ou de Lisandro (antes de Jesualdo o colocar a avançado centro)?

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Dezenas de milhões «investidos»... fora de campo

Dizia eu no artigo anterior que o facto de termos dezenas de milhões de euros (e não é só os passes, é também os salários) «empatados» no banco, na bancada ou na equipa B é uma das razões práticas para não haver correspondência entre a diferença orçamental do FCP para com os adversários que tem defrontado e as exibições em campo (havendo claro outras, de que já muito se falou). Falava eu nomeadamente das 4 contratações mais caras de 2013, nomeadamente Reyes, Herrera, Quintero e Ghilas.

Ora a meu ver, se isso acontece tem que ser apenas e só porque a resposta a (pelo menos) uma das perguntas seguintes é um claro «sim»:

1) Comprámos gato por lebre (i.e. a um preço claramente inflacionado)?
2) Demos prioridade no investimento às posições menos prioritárias?
3) Os jogadores são mesmo bons mas o treinador não sabe/pode tirar usufruto disso?
4) A «concorrência» desses jogadores (na luta por um lugar na equipa) tem surpreendido pela positiva, excedendo as expectativas iniciais?
5) Os jogadores estão a demorar bastante tempo a adaptar-se?

Pessoalmente acho que a verdade é uma mistura de 1), 2), 3) e em menor medida 5), dependendo do caso específico.

Comecemos por aquilo que acho claramente que não é: 4).

Muito sinceramente, não me parece que se esses quatro jogadores não jogam é porque os outros colegas que lhes estão a «roubar» o lugar (como Defour ou Josué) tenham estado até agora a um nível excepcional, superando as expectativas do início da época.

Do ponto 3) já muito aqui se falou, nomeadamente de uma insuficiência do treinador em potencializar a valia de jogadores. Por exemplo: penso que Herrera e Quintero poderão ser em parte vítima da confusão de ideias para o meio-campo; Ghilas poderia talvez ser aproveitado num 4-4-2 (tal como Quintero, aliás, jogando a nr 10 à frente de Lucho e Josué/Herrera, e Fernando mais atrás), ou pelo menos fazendo muitos mais minutos para descansar Jackson e coloca'-lo 'em sentido'.

Quanto ao ponto 5), isso poderá explicar muito parcialmente as situações de Herrera e Reyes em particular, chegados do México. Digo «muito parcialmente» porque - a este nível e num FCP, que nao e' um Barcelona receado de estrelas - um jogador que vale 10M ou perto disso não precisa de mais de 5 meses para começar a demonstrar qualidades de forma a ganhar algum espaço claro nas escolhas principais, mesmo que a adaptação ainda não tenha terminado.

Quanto ao ponto 1), sem haver dados definitivos (muito longe disso) parece-me que Herrera e Ghilas em particular terão custado bem mais do que valiam na altura (e valem) - mesmo que possam eventualmente valorizar-se no futuro (mas isso, a bem dizer, podem todos, pelo menos os que ainda nao atingiram o pico de carreira).

Quanto ao ponto 2), penso que é o factor que melhor explica a situação de Reyes, e em menor medida Quintero e Ghilas. Investiu-se muito pouco em extremos – posições claramente deficitárias no fim da época, principalmente se a ideia era para continuar com um 4-3-3, ainda que «envergonhado» - em detrimento de uma posição em que já estávamos claramente bem servidos (central) e outra em que a concorrência era considerável começando pelo «dono» natural do lugar (Lucho, mas também Carlos Eduardo e Josué). Da mesma forma dá jeito ter um suplente de qualidade para Jackson, mas já é discutível que seja preciso ter alguém no banco que custe tanto ou quase como o PDL titular (que dá garantias, estando no top10 europeu para a sua posição).

Ainda sobre o ponto 2), eu até compreendo que se queira precaver o futuro (por ex antecipando uma venda futura de Mangala ou Jackson), mas nunca descurando o presente ao ponto das 4 contratações mais caras de 2013 serem todas «de futuro» (se tanto).

Mais: se porventura a razao para este desequilíbrio na balança presente/futuro for (ainda que parcialmente) não uma decisão deliberada mas sim um desajustamento entre o que o treinador quer (tactica- e individualmente) e o que esses jogadores oferecem, entao sera' caso para pensar para os meus botões que das duas uma:

1) Ou a SAD toma ela própria a iniciativa nas grandes contratações (como parece à primeira vista ser regra geral o caso) e nesse caso terá que dar um pouco menos de autonomia ao treinador, impondo-lhe um ou outro ponto fundamental na táctica ou na composição da equipa (o que implica por sua vez contratar treinadores dispostos a tal, o que exclui tipicamente treinadores com palmarés e CV - e à partida seria de esperar que PF fosse um desses treinadores mais «moldáveis», sendo muito jovem e chegando com um CV muito modesto);

2)... ou então a SAD envereda por oferecer uma grande autonomia ao treinador no seu trabalho, mas nesse caso terá que lhe dar a principal palavra nas contratações (começando pelas mais caras).

O que já não fará para mim sentido é enveredar - como parece estar a ser o caso - por uma postura a meio caminho que «nem é carne nem peixe»: a Direção tomar a iniciativa nas grandes contratações, mas depois dar autonomia quase total ao treinador no seu trabalho. A consequência mais provável de tal postura é um desperdício de recursos (leia-se $$$$) com enorme custo de oportunidade (i.e. o dinheiro teria sido mais bem gasto em outras posições/jogadores que estivessem mais de acordo com as ideias do treinador) e/ou o desvalorizar de alguns dos seus melhores activos.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

O caso Ghilas

A 24 de Junho escrevi aqui o seguinte sobre Ghilas:


Pois bem, como escrevi na altura defendi a contratação de Ghilas presumindo que os valores de que se falavam na imprensa estavam (aproximadamente) correctos. Mal sabia eu que afinal gastámos 3.8M em apenas 50% do passe, a que se tem que se acrescentar ainda uma % indeterminada de 2M, que foi o total gasto em comissões e prémio de assinatura nas contratações de Ghilas e Quintero (ao contrário do que tem sido habitual, desta vez a SAD não explicitou esses valores por jogador – não sei se será mera coincidência... – logo não é possível saber qual a parcela específica que diz respeito à compra de Ghilas).

Ora estes valores deixaram-me boquiaberto, e por várias razões.

1)      Os valores em questão são muitíssimo mais altos do que se falava na imprensa (falando-se na altura numa cláusula de rescisão de 3M ou perto disso, tendo o SCP desistido por não terem capacidade financeira para tanto, andando eles na falência como andam).

2)      Os valores em questão não correspondem de todo ao que se espera de um jogador com o CV de Ghilas. Basta assinalar que fiou avaliado em valores próximos dos de um Jackson, Falcão ou Moutinho quando foram contratados; ou que por valores muito mais baixos a SAD não quis contratar (há não muitos anos) um Lima ou um Éderzito.

3)      É inaudito pagar-se tanto dinheiro por um jogador de um clube pequeno do campeonato português (veja-se aliás o que pagou um Braga por Éderzito). Estamos a falar do Moreirense, um clube com um orçamento ANUAL que deverá ter andado por uns 3M enquanto andou pela 1ª divisão, e que ao descer de divisão ainda mais faminto ficou de fazer algum dinheiro em vendas. Alguém se acredita que iriam recusar uma oferta por metade destes valores que fosse, se a alternativa fosse ficar com o jogador no plantel na 2ª Liga?

4)      Mesmo que, hipoteticamente falando, tenha aparecido de repente algum clube rico estrangeiro a oferecer muito dinheiro por Ghilas (algo que me parece implausível - e de que aliás não se ouviu o mínimo eco na imprensa), custa-me a acreditar que a SAD não tenha desistido então da corrida. Até porque - como já dei a entender mais acima – havia e há avançados no mercado com tantas provas ou potencial demonstrado como Ghilas a custar menos.

Resumindo e concluindo: este foi um negócio incompreensível e com uma história extremamente mal contada.

Entretanto e de uma perspectiva mais geral, o que se vê é que pelos vistos e para esta época em apenas 4 jogadores (já excluindo as outras compras) a SAD gastou 28.5M (e para compras parciais de passes, nomeadamente: 50% Ghilas e Quintero, 80% Herrera e 95% Reyes); jogadores que foram utilizados em média... menos de 10min/jogo até agora (e ao fim de 4 meses de competição oficial).  

(Também) por aqui se percebe porque é que a vasta superioridade orçamental do FCP (perante os adversários internos que temos defrontado, ou um A. Viena) não se vislumbra na prática nos terrenos de jogo... Mas isto já outro assunto, que fica para amanhã em artigo àparte.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

O ponta-de-lança alternativo a Jackson

O FC Porto terminou a época 2012/13 dispondo de um ponta-de-lança que, logo no seu primeiro ano na Europa, foi o melhor marcador do campeonato português.
Jackson Martinez já mostrou o que vale, dá garantias e, se tudo correr normalmente, será titular indiscutível durante a esmagadora maioria dos jogos da época 2013/14.

Mas, se Jackson tiver alguma lesão, um abaixamento de forma, ou precisar de ser poupado, quais eram (são) as alternativas?

Walter e Kléber, dois pontas-de-lança brasileiros que têm contrato com a SAD, demonstraram, de forma esplendorosa, não terem qualidade, nem estaleca, para uma equipa com a exigência e ambições do FC Porto.

Mauro Caballero parece-me promissor, mas tem 18 anos e só chegou ao Porto no início deste ano, tendo participado em apenas 13 jogos da equipa B (entre Fevereiro e Maio).
Não sei se este avançado paraguaio vai dar grande jogador mas, por aquilo que vi na época passada, para além de uma agressividade natural, já denota algumas movimentações à ponta-de-lança.
É óbvio que, para já, ainda não tem a maturidade suficiente para integrar o plantel principal mas, na época que agora começou, vai ser trabalhado por Luís Castro (que substituiu Rui Gomes como treinador da equipa B) e veremos o tipo de crescimento que irá ter.

Ou seja, independentemente do treinador, a Administração da SAD precisava de resolver uma das principais lacunas evidenciada pelo plantel da época passada: contratar um ponta-de-lança que possa ser uma alternativa minimamente credível ao Jackson.

A escolha da SAD foi Ghilas, mas será que o argelino tem o perfil certo para ser essa alternativa?

Nos poucos jogos completos (ver resumos de três minutos não dá para tirar grandes conclusões) que eu vi do Moreirense, o que vi do Ghilas foi um ponta-de-lança possante, a jogar muito distante dos companheiros de equipa, a pressionar os defesas adversários, a correr como um louco de um lado para o outro atrás de bolas em profundidade no espaço vazio. Ou seja, Ghilas tem características que lhe permitem brilhar em equipas que jogam recuadas e que têm lá na frente, distante e isolado, um ponta-de-lança que mói defesas, que batalha e pressiona os defesas contrários.

Contudo, terá características para ser ponta-de-lança numa equipa que joga sempre ao ataque, contra equipas que defendem com dois autocarros e cujo ponta-de-lança não tem espaço sequer para respirar?

Um ponta-de-lança do FC Porto tem de saber jogar de costas para a baliza, pressionado pelos defesas, segurar a bola e dar continuidade à jogada.
Tem de saber jogar em espaços reduzidos.
Tem de saber desmarcar-se dentro da área e surgir nas costas dos defesas.
E, já agora, convém que jogue bem de cabeça.

É muitíssimo prematuro tirar conclusões nesta altura da época e, ainda por cima, após dois ou três jogos particulares, mas o que vi do Ghilas nos primeiros 45 minutos do Deportivo Anzoátegui x FC Porto não me entusiasmou.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

senhor Bruno, dá licença?

(O JOGO, 12-07-2013)

Alguém me explica o que é que o FC Porto fez de ilícito, ou incorrecto, na contratação de Ghilas?

Por acaso, o FC Porto é parte integrante dos acordos verbais, ou escritos (pelos vistos mal feitos), entre o Moreirense e o sporting?

Que eu saiba, o FC Porto negociou com quem tinha de negociar – o clube que era detentor do passe (Moreirense) –, o qual não colocou qualquer objeção e, em paralelo, chegou a acordo com o jogador.

Às tantas, será que o FC Porto também tinha de pedir licença ao senhor Bruno? Por alma de quem?...

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Ghilas: o problema é o empresário??

«Ghilas: «Não chegou proposta de nenhum dos grandes». Avançado do Moreirense deve rumar a Inglaterra.»


«Ghilas fez 35 jogos durante esta época, tendo jogado 2845 minutos. Os 13 golos que marcou para a Liga (mais três na Taça da Liga) permitiram-lhe ocupar o 8º lugar na tabela dos melhores marcadores do campeonato, à frente de jogadores como Salvio e James Rodriguez».

É consensual e evidente para os portistas que necessitamos de um ponta-de-lança de qualidade para suplente de Jackson (isto nem sequer tendo em conta a possibilidade de Jackson ser vendido este Verão).

Penso que é também consensual que Ghilas já demonstrou qualidade mais do que suficiente para fazer parte do nosso plantel. Pelo menos para mim é totalmente evidente, com os bónus de 

1) não haver dúvidas quanto à capacidade de adaptação a Portugal (ou contrário de eventuais alternativas vindas do estrangeiro)

2) ser ainda muito jovem (tem 23 anos), e

3) duvido que tenha expectativas desmesuradas para a primeira época, sabendo «encaixar» o eventual cenário de não jogar com muita regularidade (ao contrário de jovens pseudo-estrelas vindas do estrangeiro - alô Iturbe, por exemplo). 

Para cúmulo o «price tag» do Ghilas é muito baixo para o habitual para um jogador dessa posição (salvo erro a cláusula está fixada entre 2 e 3 milhões; menos do que pagámos por Janko ou Kléber).

Estou portanto perplexo que a sua contratação pelo FCP ainda não tenha sido anunciada, e ainda mais que pelos vistos nem sequer foi sondado.

Estão à espera de quê? Qual é o problema? O empresário dele não agrada à SAD?? Não vejo mais nenhuma explicação minimamente plausível...