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quarta-feira, 19 de julho de 2017

Portistas nas páginas de A BOLA

Nortada, Miguel Sousa Tavares (A BOLA, 18-07-2017)

«Os factos reportam-se a um jogo Beira-Mar - FC Porto, a quatro ou cinco jornadas do final de um campeonato que o FC Porto haveria de vencer tranquilamente com, salvo erro, uns 14 pontos de avanço sobre o segundo classificado – o Sporting. Ou seja, os 6 pontos retirados foram só para mostrar serviço. Recorde-se ainda que, nesses gloriosos dias, o FC Porto era treinado por José Mourinho, a sua superioridade interna era imensa e incontestável e estava a dias de se sagrar campeão europeu. Enquanto isso, o Benfica terminaria o campeonato a mais de 20 pontos de distância, em quarto lugar, atrás do Vitória de Guimarães.»
O que é feito de Carolina Salgado?
Miguel Sousa Tavares, A BOLA, 18-07-2017


O Miguel Sousa Tavares (MST) confunde algumas datas e factos (algo que, por vezes, acontece nas suas crónicas semanais publicadas na A BOLA), mas a mensagem essencial da crónica desta semana, além de pôr o dedo na ferida, é perfeitamente clara e correta.

As duas versões do livro de Carolina (jornal SOL, 08-09-2007)

Juiz acusa Carolina de mentir (O JOGO, 01-07-2008)

O célebre Beira-Mar x FC Porto, arbitrado por Augusto Duarte e que terminou empatado (0-0), foi disputado na época 2003/2004, jornada 31. Isto é, a quatro jornadas do fim desse campeonato e a cerca de um mês do FC Porto se sagrar campeão europeu em Gelsenkirchen, no dia 26 de Maio de 2004.
A equipa do FC Porto (treinada por José Mourinho) ganhou esse campeonato com 82 pontos. Mais 8 pontos que o SLB (2º classificado) e mais 9 pontos que o Sporting (3º classificado).

O campeonato que o FC Porto ganhou com 20 pontos de avanço (mais tarde reduzidos a 14) foi quatro anos depois, na época 2007/2008.
A equipa do FC Porto (orientada pelo prof Jesualdo Ferreira) terminou esse campeonato com 75 pontos e, após lhe terem sido retirados 6 pontos pelo CD da Liga (presidido pelo dr. Ricardo Costa), ficou com 69 pontos.
O Sporting terminou com 55 pontos. O V. Guimarães terminou com 53 pontos. E o SLB terminou esse campeonato em 4º lugar, com 52 pontos (a 23 pontos do FC Porto!).

Quanto à validade das escutas… Ao contrário do que afirma o MST, as escutas não foram ilegais, conforme foi explicado no último programa ‘Universo Porto’ (emitido no Porto Canal, na passada segunda-feira). As escutas não são é válidas para serem usadas no processo disciplinar da Liga/FPF que, “oportunamente”, foi (re)aberto pelo benfiquista de Canelas.

Percebe-se que este tipo de lapsos sejam aproveitados, por benfiquistas e sportinguistas, para descredibilizar o MST. O que me custa a aceitar é que também sejam aproveitados por portistas, para atacar e até insultar o MST, sempre que ele escreve uma crónica crítica do Presidente Pinto da Costa ou de decisões da Administração da SAD.

Ora, convém lembrar que, quando o Apito Dourado “explodiu”, enquanto o Presidente e o Clube/SAD se remeteram ao silêncio, o MST foi dos poucos, juntamente com alguns blogues (entre os quais tenho o orgulho de colocar o ‘Reflexão Portista’), a dar a cara e vir para a “frente de batalha” na praça pública.

É perfeitamente normal discordar das opiniões do MST e eu discordo com frequência, principalmente quando as opiniões são referentes a jogadores ou treinadores. Contudo, não me esqueço que o MST que critica o Presidente nas páginas de A BOLA é a mesma pessoa, o mesmo Portista que, nessas mesmas páginas, defendeu o FC Porto num dos períodos mais delicados da nossa história.

Por isso, e não só, obrigado Miguel.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Vão continuar calados ou vão dar-se ao respeito?

No início do jogo com o Belenenses o FC Porto acedeu a participar num exercício de respeito institucional pela figura do árbitro promovido pelo sindicato arbitral. Foi uma decisão política, institucional e socialmente correcta mas que contrasta claramente com aquilo que o respectivo grémio responde ao FC Porto no exercício do seu trabalho semanal. A enésima prova viu-se ontem em Moreira de Cónegos onde, uma vez mais, tal como sucedeu em 2014/15, o colectivo arbitral decidiu tomar parte interessada na rija, intensa e apaixonante luta pelo título. Depois do Colinho de 2015 temos agora o Colinho 2017. Resta saber se também haverá campanhas, com tarjas incluídas, no início dos jogos a publicitar a nova campanha e se o clube está decidido a aliar-se a ela ou, finalmente, alguém decide dar-se ao respeito.



Todos temos memória.
Em 2014/15 o FC Porto realizou um excelente campeonato com um brilhante registo doméstico e uma campanha paralela na Champions League de grande nível até à segunda mão dos quartos de final. Aí minou-se a época. A goleada sofrida não só eliminou o Porto da Europa como matou o balneário e a coragem de Lopetegui que viajou à Luz para não perder porque sabia que não havia forma de ganhar, não com as suas limitações como treinador e o estado anímico dos jogadores. O que ninguém esquece é que se o Porto chegou até esse encontro com necessidade de ganhar foi, sobretudo, porque o Benfica de Jesus passou seis meses a ser ajudado pelo colectivo arbitral em cada momento de tensão e de problemas que lhes surgiam pela frente. O Colinho fez-se tão evidente que até os próprios adeptos encarnados, com sorna, o utilizaram como tema de propaganda e em material de merchandising. O Porto não se dava ao respeito - só o treinador parecia remar contra o silêncio cúmplice - e recebia o pago na mesma moeda. Ninguém o respeitava, a começar pelos árbitros.

Fast forward dois anos até ao momento presente.
Em 2016/17 o FC Porto realizou até agora um campeonato que supera todas as expectativas. Com um plantel jovem e longe do talento individual de dois anos antes, com um jogador no seu primeiro ano de sénior a liderar o ataque e sem uma alternativa real no plantel, a equipa qualificou-se para os oitavos de final da Champions e manteve sempre uma distância prudencial com Benfica e Sporting - com planteis desenhados para atacar o título de forma mais evidente - até que o bom trabalho defensivo e a chegada de Soares permitiram um golpe de autoridade que colocou o Porto na rota do título até ao jogo da Luz onde o empate - uma mistura dos erros tácticos habituais do treinador quando é necessário ganhar a rivais mais fortes e de, outra vez, erros arbitrais evidentes - voltou a colocar o clube a remar contra a maré. E, uma vez mais, depois de várias jornadas em que o rival podia ter deixado pontos e, se não o fez, foi graças a arbitragens do mais habilidosas que se tem visto. O que fez o FC Porto? Pactuar com uma bonita campanha de respeito por quem, um ano mais, demonstrou que não respeita a instituição.



O cenário não é novo desde que as manobras hábeis de Luís Filipe Vieira, tanto a nível politico - retirando influência à Federação e, sobretudo, às Associações para transferir o poder arbitral para um universo controlado exclusivamente por personagens afectos ao seu clube - como a nível social, transferiram como nunca o controlo do mundo da arbitragem para a esfera encarnada. E em todo esse período o silêncio do FC Porto perante essa postura tem sido esclarecedor da falta de liderança e voz na defesa dos interesses do clube. Mas a cada ano que passa, a cada título perdido por sucessivos roubos de Igreja, como diria o Mestre, esse silêncio torna-se cada vez mais ensurdecedor. E cada vez mais parece evidente que ninguém, dentro do FC Porto, sabe como dar-se ao respeito e, desse modo, que a instituição se dê ao respeito contra quem a prejudica. O jogo em Moreira de Cónegos foi gravíssimo - muito mais sério e grave do que a pantomina de Canelas - e não só pode ter sido decisivo no sprint final rumo ao título como, além do mais, voltou a demonstrar uma evidente política de impunidade que só é exclusiva aos homens de vermelho. Até o Sporting, que já nem entra nas contas do título, tem feito mais para denunciar a realidade do que nós, portistas, que sofremos semanalmente mais do que o clube. Fruto de um pacto secreto entre as duas direcções ou de uma atitude ofensiva por iniciativa própria, o facto é que um ano mais em que o FC Porto corre o risco de perder um merecido título - como o foi em 2015 - por culpa de péssimas e selectivas arbitragens e o clube não toma medidas sérias para combater a situação que se vive semana sim, semana não. Associar-se, ainda para mais, a campanhas que são muito bonitas na teoria do fair-play que em Portugal não existe, não é mais do que um murro no estômago daqueles, de jogadores a adeptos, que vêem como esses mesmos árbitros, escolhidos a dedo, vão decidindo títulos sem qualquer tipo de problema de consciência.

Não basta usar redes sociais, newsletters e bocas para o ar. E não é seguramente solução segurar tarjas de apoio num sábado a favor daqueles que no domingo te vão prejudicar de forma tão clara e vergonhosa. O FC Porto de Pinto da Costa e Pedroto cresceu e afirmou-se porque, por uma vez, deixaram de querer ser "bons rapazes" e deixaram de estar "caladinhos" para dar-se ao respeito. E com esse discurso, essa atitude, deram respeito ao escudo que serviam e defendiam. Não havia receio de bater o pé à Federação - quem não se lembra da manifestação que recebeu a selecção nacional na véspera de um amigável em Vigo - ou aos poderes instituídos. Esse FC Porto era respeitado por todos, árbitros incluídos, porque se dava ao respeito, dentro e fora de campo. Agora vão continuar calados ou vão, finalmente, voltar a decidir bater o pé da próxima vez que alguém tente pisar o escudo do Dragão?

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Um dragão sem chama... 9 anos depois

O 'Reflexão Portista' foi criado no início de 2008.
Poucos meses depois, publiquei um artigo a que chamei 'Um dragão sem chama'.
Quase nove anos depois, ao reler esse artigo, decidi voltar a publicá-lo sem alterar rigorosamente nada.
E porquê?
Leiam-no (a seguir) e vejam se muito daquilo que escrevi há nove anos atrás não é perfeitamente atual.

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9 de Maio, 20h00, abertura dos telejornais.
Os três canais – RTP1, SIC e TVI – estão em directo do auditório do Piso 3 do Estádio do Dragão (bancada poente), para transmitirem a reacção de Pinto da Costa e da Administração da F.C. Porto – Futebol, SAD aos processos disciplinares instaurados pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional.
A expectativa é grande e milhões de portugueses estão de olhos nas televisões, particularmente os portistas.


20h03, Pinto da Costa inicia a conferência de imprensa:
«Senhores jornalistas, o FC Porto foi hoje notificado, às 15h50, das decisões da Comissão Disciplinar (CD) da Liga, sobre o denominado processo ‘Apito final’.
Em primeiro lugar, deploramos o facto desta notificação oficial ter sido antecedida, em quase dois dias, por uma divulgação oficiosa num órgão de comunicação social do grupo Cofina. Se nada podemos fazer para impedir a promiscuidade evidente entre a equipa especial da Dr.ª Maria José Morgado, a PJ e o ‘Correio da Manhã’, a qual tem servido para alimentar dezenas de capas desse jornal, o mesmo não se passa em relação à Liga de Clubes, da qual o FC Porto é um dos membros.
Por isso, e desde já, exigimos ao presidente da Liga de Clubes a abertura de um inquérito, para apurar quem, dentro do CD da Liga, são os informadores, ou agentes infiltrados, do ‘Correio da Manhã’.

Dito isto, queremos dizer a todos os portugueses e, particularmente, aos milhões de adeptos portistas espalhados por todo o Mundo, que o FC Porto considera esta decisão aberrante e irresponsável, sem qualquer tipo de sustentação nos factos ocorridos, a não ser nas declarações da dona Carolina Salgado. Aliás, recordamos, mais uma vez, que no âmbito do processo ‘Apito Dourado’ estes inquéritos tinham sido arquivados e apenas foram reabertos na sequência da publicação do livro escrito a meias entre a dona Carolina e a dona Leonor Pinhão.

Esta decisão da CD da Liga veio, de algum modo, dar razão ao presidente do Benfica, quando afirmou que era mais importante ter pessoas na Liga do que contratar bons jogadores. De facto, se Carolina Salgado tem sido a ponta-de-lança do Ministério Público, o Dr. Ricardo Costa mostrou ser um fantasista, quiçá com capacidades inatas para substituir outro Costa, o Rui Costa, como distribuidor de jogo dos encarnados.

Ora, quer a FCP SAD, quer o seu presidente, não aceitam esta punição ditada em tons de encarnado e irão, solidariamente, recorrer até às últimas instâncias em que tal for possível, ao nível desportivo e civil, para que seja feita justiça e para verem ressarcidos a sua honra e bom nome.


Relativamente à eventualidade de nos serem retirados 6 pontos e às declarações feitas esta tarde, pelo presidente da CD da Liga, de que se o regulamento da Comissão Disciplinar não exigisse o que exige, os clubes que hoje perdem pontos seriam punidos com descida de divisão, quero desafiar o Dr. Ricardo Costa a propor essa alteração ao regulamento e que, já agora, a mesma tenha efeito retroactivos. Tenho a certeza que esta sua iniciativa terá todo o apoio do presidente do seu clube, bem como, da comunicação social que o Dr. Ricardo Costa usa como instrumento para se auto-elogiar e pavonear.


Em função de tudo isto, a Administração da F. C. Porto – Futebol, SAD informa que tomou as seguintes decisões:

a) Até que sejam encontrados e punidos os informadores do 'Correio da Manhã' existentes no CD da Liga, o FC Porto corta relações com todos os órgãos sociais desta Liga de Clubes, mantendo apenas os contactos mínimos institucionais a que seja obrigado.

b) O FC Porto considera persona non grata todos os elementos dos órgãos sociais desta Liga, os quais não são bem vindos nos jogos disputados no estádio do Dragão. Contudo, como os regulamentos prevêem que os mesmos tenham lugares reservados no camarote presidencial, avisamos que nenhum dirigente da FCP SAD os receberá, nem ocupará lugares nesse camarote ao seu lado.

c) O FC Porto irá solicitar reuniões à UEFA e à FIFA, de modo a expor as suas razões sobre este assunto. Nessas mesmas reuniões irá apresentar um conjunto de documentação e vídeos sobre casos do futebol português, com ênfase para os escândalos que ocorreram na época 2004/05 e que passaram impunes.

d) Se os tribunais civis derem razão ao FC Porto, conforme esperamos e estamos convictos, o FC Porto irá exigir a demissão dos elementos que constituem o CD da Liga e a convocação de eleições antecipadas para este órgão da Liga.

e) Se os tribunais civis derem razão ao FC Porto, conforme esperamos e estamos convictos, o FC Porto irá exigir uma indemnização à Liga de Clubes, pelos prejuízos causados à sua honra e bom nome.

f) O FC Porto avisa os patrocinadores e canais televisivos detentores dos direitos da Taça da Liga, que na próxima época irá apresentar uma equipa de recurso nos jogos que tiver de disputar nesta competição e apela aos seus adeptos para boicotarem os jogos, deixando as bancadas vazias.

Muito obrigado pela vossa presença.
Viva o FC Porto! Viva o Porto! Viva Portugal!»

Era uma conferência de imprensa deste género que eu estava à espera.

Em vez disso, ouvimos o presidente do FC Porto afirmar:
«O FC Porto vai ter subtraídos seis pontos aos muitos que já ganhou este ano. (...) Não vamos, no que diz respeito ao FC Porto, recorrer da perda desses seis pontos. Nem precisarei de dizer porquê e, naturalmente, também não precisarei de dizer qual a razão (...) não recorremos e vamos passar a ter apenas 14 e 15 pontos de avanço. Mas a honra do FC Porto ficará salvaguardada, porque eu, pessoalmente, como presidente e como cidadão, vou recorrer, na segunda-feira, para o Conselho de Justiça. Esperamos, através desse recurso, que a verdade seja reposta e possamos mostrar que não existe qualquer razão para o FC Porto ser penalizado.»


Numa altura em que o FC Porto enfrenta uma poderosa coligação de interesses, formada por parte do Ministério Público e da PJ, clubes da 2ª circular e comunicação social, os sócios e adeptos do FC Porto estavam à espera de uma reacção enérgica, dura, sem contemplações e sem medo de eventuais sanções. Estávamos à espera de um Pinto da Costa que chamasse os “bois pelos nomes”, que desmascarasse esta teia encarnada que foi montada na “capital do Império” para atacar, denegrir e humilhar o FC Porto.
Mais do que nunca era preciso dar um murro na mesa, olhar essa gente olhos nos olhos e dizer-lhes que não temos medo e se querem guerra tê-la-ão. Dentro e fora das quatro linhas.

Em vez disso vimos um homem sem chama, sem o fulgor de outros tempos, quase resignado. Um velho leão cansado, que preferiu o calculismo de uma derrota com poucos feridas, ao risco de uma batalha pela justiça e verdade que sempre clamou e em que nós acreditamos.

Este não é o Pinto de Costa que, ao lado do saudoso José Maria Pedroto, não teve medo de enfrentar e derrotar os poderes instalados que estavam a sul.
Este não é o Pinto da Costa, que enfrentou e derrotou um presidente da FPF, o sportinguista Silva Resende, quando este ameaçou mandar o FC Porto para a 2ª divisão a propósito da marcação de uma final da Taça de Portugal.
Este não é o Pinto da Costa que enfrentou e derrotou um ministro das finanças de Cavaco Silva (Catroga), aquando da penhora da retrete do estádio das Antas.
Este não é o Pinto de Costa que eu e milhões de portistas aprendemos a admirar ao longo das últimas três décadas.


Não me revejo neste Pinto da Costa e menos ainda na gente que o rodeia.

P.S. De acordo com o jornal O JOGO, mal terminou a conferência de Imprensa, Pinto da Costa foi para a Casa das Artes de Famalicão, ao Festival Internacional de Música de Câmara Stellenbosch, tendo jantado com o maestro Vitorino d'Almeida. Ainda bem que depois de um dia negro para a honra e orgulho dos portistas o presidente do FC Porto tem disposição para ir ouvir música...

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Convém que JJ diga tudo o que sabe


Há um vídeo a circular na net que mostra um diálogo curto entre Jorge Jesus e o 4º árbitro, supostamente no recente jogo em Alvalade entre o Sporting e o Estoril.

"Eu conheço-o...
Eu sei muita coisa, atenção!
Eu sei muita coisa do ano passado… Beeeeem!"

Não é preciso ser um especialista em leitura labial para perceber que Jorge Jesus diz, em tom de aviso e ameaça, que conhece o árbitro e que sabe “coisas” do ano passado acerca dele. Ora, o “ano passado” é na prática a época desportiva 2014-2015, em que Jorge Jesus treinou o Benfica. E foi precisamente nessa época que ocorreram pressões sobre os árbitros para favorecerem o Benfica. O ex-árbitro Marco Ferreira já o denunciou publicamente por diversas vezes e, tanto os responsáveis federativos como os do Ministério Público assobiaram para o ar. O que está a acontecer é impensável mas demonstra bem que em Portugal há um clube do regime a quem tudo é permitido e que tem de vencer quase por decreto e há um clube de corruptos, a Norte claro, a quem tudo é penalizado mesmo sem nexo de causa-efeito dentro das quatro linhas. É este o nosso triste país que ainda guarda vícios nocivos do Estado Novo como as corporações, da qual o SLB é o maior exemplo vivo.

Convinha que Jorge Jesus viesse esclarecer as “coisas” que sabe do “ano passado” porque a suspeita está lançada e é preciso investigar o que se terá passado para, eventualmente, punir o Benfica e Vítor Pereira, o presidente da Comissão de Arbitragem. Todos vimos os favorecimentos de que foi alvo o clube do regime. Foi tudo tão óbvio que é perfeitamente possível documentar lances de favorecimento grosseiro.

Esses lances e essas situações foram denunciadas aqui no Reflexão Portista em diversos artigos:
Só não viu quem não quis ver.

Depois de tudo o que foi dito e feito na mega-investigação “Apito Dourado” e sobre a necessidade de haver “verdade desportiva”, não há outra alternativa que não seja a investigação pela polícia e a punição do SLB com a descida de divisão. O campeonato de 2014-2015 foi viciado no campo pela actuação das equipas de arbitragem. E isso o tempo nunca apagará.
   

domingo, 25 de outubro de 2015

Colinho em espanhol, tapem lá agora a vergonha!

O diário desportivo As publicou na sua edição de hoje uma entrevista a duas páginas no coração do jornal com o árbitro português Marco Ferreira. Uma decisão com um timing perfeito tendo em conta que estamos em véspera de derby lisboeta e, como todos sabemos, há meses que a comunicação social portuguesa montou um silêncio espectral ás declarações originais de Ferreira, o árbitro que não teve medo de denunciar as pressões sofridas por Vitor Pereira para facilitar nos jogos com o Benfica.

—¿Cómo se eligen los árbitros para los partidos en Portugal?
—Es Vitor Pereira el que tiene total libertad para elegir a quien le apetece.

Todos conhecemos a história de Marco Ferreira, algo que não devemos a nenhum jornal ou web portuguesa que preferiram não investigar declarações que são, para mim e para qualquer pessoa com dois dedos de testa, tão ou mais graves do que o famigerado Apito Dourado. Porque claro, o protagonista, não sendo o FC Porto, o importante é calar, já sabemos todos. Dizer que o responsável da arbitragem portuguesa procura constantemente beneficiar um clube é muito menos grave do que comer um croisant e tomar um chá com um árbitro em casa. Claro.

Yo y muchos compañeros recibimos llamadas del presidente del Consejo de Arbitraje, Vitor Melo Pereira (homólogo en Portugal de Sánchez Arminio), en la misma semana que estamos nombrados para arbitrar al Benfica. Vitor Pereira tiene muchos enemigos y muchos opositores, entre ellos la gente del propio Consejo de Arbitraje y muchos clubes de Primera. No le quieren ahí. Ahora, el único de los grandes que apoya a Pereira es el Benfica.

A entrevista de Marco Ruiz não falha um só tiro no alvo e é um trabalho jornalistico que só podia ter sido feito por alguém de fora, alguém que não estivesse tapado pela ameaça centralista e asfixiante tão portuguesa de nunca se tocar nos podres dos clubes da capital. Que esse mesmo jornalista tenha sido um dos habituais enviados do As ao Porto para cobrir o dia-a-dia da vida de Iker Casillas - temas recorrentes semanalmente no jornal - pode dizer muita coisa ou pode não dizer absolutamente nada. Pessoalmente gostaria, e muito, que esta entrevista tivesse sido facilitada pelas boas relações entre o jornalista e o FC Porto, como uma forma de denunciar publicamente, e para toda a Europa ver, a podridão que é o futebol português que o senhor Vitor Pereira quer manter a todo o custo. Seria um excelente golpe a quem nos ofende e raramente leva o tratamento que merece. Mas ninguém o pode afirmar a ciência certa pelo que deixemos isso no campo da especulação.




A entrevista é claro e põe todos os nomes nos bois e não há boi maior nesta história que o maior hooligan da arbitragem portuguesa das últimas décadas. Marco Ferreira não acusa directamente o Benfica - faz exactamente o contrário, afirmando categoricamente que nem o Benfica nem qualquer outro clube, nos seus nove anos de carreira, alguma vez o abordou pessoalmente (nove anos e nem uma chamadinha de fruta do Porto? Que desilusão deve ter sido ouvir isso no departamento de escutas lançadas ao YouTube desde fontes anónimas não é??) - mas não perdoa ás pressões sofridas por Vitor Pereira.

Ferreira repete o mesmo discurso. As ameaças de Pereira e as chamadas em vésperas de jogos com o Benfica (e só com o Benfica), o clamor de que não ligue aos insultos que vinham do banco encarnado (e que provocaram a expulsão de Jesus num jogo no Bessa) porque um lider da arbitragem não está para defender os árbitros de serem insultados, ou o aviso claro de que Ferreira tinha de se portar bem no jogo do título do Benfica. No jogo do título não se refere ao Benfica - Porto, claro, porque como Ferreira diz, é o próprio Pereira, quase a comportar-se como um "paineleiro" encarnado, que afirma que o Benfica precisa de receber o Porto com 4 pontos de avanço para não haver problemas. Todos sabemos o que se passou.
O Benfica perdeu. O Porto não aproveitou. O Benfica foi campeão vendendo cachecóis a relembrar o escandaloso colinho e Ferreira foi despromovido depois de ter sido considerado como um dos eventuais sucessores do actual Presidente da Liga Portuguesa de Futebol na cúspide da arbitragem nacional.

Después del Braga-Benfica del que le hablé, Pereira me nombró para un Rio Ave-Benfica. Esa semana me llamó dos veces. El martes y el jueves. El jueves me dijo que, si no hacía un buen partido, no me podría nombrar para el Benfica-Oporto, que era en abril. Dijo que tuviera cuidado, que “eran los que se quejaban” y que “era el partido del título del Benfica”. Y yo le dije que no, que no era el partido del título porque el Benfica llevaba cuatro puntos de ventaja con respecto al Oporto. Y me contestó: “Es muy diferente jugar en contra del Oporto en abril con una diferencia de cuatro puntos que con dos puntos o uno”. Esto, bajo mi punto de vista, es grave. Porque claramente estaba refiriéndose al Benfica.

Todos sabemos perfeitamente que o que Marco Ferreira afirma encaixa perfeitamente com a politica seguida por Vitor Pereira nos últimos anos. As nomeações dos árbitros e dos assistentes a dedo, a sua posição inflexivel de abandonar um posto para o qual não tem nivel e o apoio inequivoco do Benfica são realidades indismentiveis. Que este lodaçal tenha cruzada a fronteira - onde se tentou abafar tudo - para chegar a um dos jornais desportivos mais lidos da Europa é um triunfo inequivoco para a verdade desportiva. Nada vai mudar. Isto é Portugal, um país onde um presidente pode ameçar partidos e ir jantar como se nada tivesse passado. Pereira continuará a ser Pereira e os árbitros continuarão a receber chamadas noite dentro para portarem-se bem. Mas lá fora já não há manto protector que esconda a vergonha. O Colinho é agora tema de conversa mundial. Da próxima vez que encarregarem cachecois na Luz, não se esqueçam também de fabricar versões internacionais em espanhol, francês ou inglês. Porque já todos sabem do que se trata!

segunda-feira, 6 de julho de 2015

A chamada que ninguém quis gravar

"Por vezes recebemos telefonemas de dirigentes a dizerem: 'Olha que o jogo tem de correr bem porque há um clássico no mês seguinte'. Recebi um telefonema [de Vítor Pereira] em que me dizia isso mesmo, ou então não poderia contar comigo para o clássico. Se isto é mais grave ou não do que os clubes fazem... Sim, estou a falar de Vítor Pereira. Recebi um telefonema a 17 de Março e outro a 19 de Março. Gostava de falar com Vítor Pereira sobre algumas nomeações cirúrgicas. É mentira que diga que não tenha poder a nível classificativo. Quando nomeia, sabe quem está a nomear."
Marco Ferreira em declarações à RTP Informação

Vítor Pereira e Marco Ferreira

O futebol português é um antro de corrupção mas, curiosamente, só se fala nisso quando há alvo azul e branco que abater. Aí sacam-se todos os Apitos do armário e volta o velho discurso de sempre, esquecendo talvez que os primeiros casos de corrupção em Portugal beneficiaram - e muito - clubes da capital e são tão antigos que a esmagadora maioria dos adeptos actuais nem sequer estava vivo quando ocorreram. 
Mas o importante é ir sacando, de tempos a tempos, a mancha do AD para colar à corrupção que vivemos ano sim e ano também.

2014/15 foi o ano do #Colinho, tão escandaloso que até o próprio clube beneficiado, num arreigo de falta de vergonha que só surpreende quem anda a dormir, tentou até capitalizar as evidentes acusações em produtos de marketing. É assim a pouca vergonha em Portugal, um pais dirigido por pessoas que preferem apertar com os coitados dos gregos, quando estes ainda estão piores que nós, a levantar a voz para defender quem de direito. Que podemos esperar dessa gente? Tudo. Incluindo o que o árbitro Marco Ferreira diz no parágrafo que abre este artigo.

Ferreira desceu de categoria no final do ano. Curioso, visto que, segundo o próprio, era um dos nomes apontados para apitar o "Jogo do Titulo" na Luz. Só tinha de se portar bem, fazer as coisas como devem ser feitas, segundo quem manda claro, para entrar no grupo dos "elegidos". Teve azar. Ferreira apitou uma das poucas derrotas do Benfica, em Vila do Conde, e esse resultado negativo do clube todo-poderoso marcou-o para o resto do ano. Nem sequer foi chamado a apitar o tal Clássico que lhe tinham prometido nem conseguiu manter a categoria. E quem lhe prometeu tal coisa? Pinto da Costa? Antero Henriques? Não: Vítor Pereira.

Vítor Pereira, o homem que diz que não tem poder para nada, o homem que estava atrás desse circo que foram as nomeações, foi, nas palavras do próprio árbitro, quem lhe ligou como quem não quer a coisa, antes do jogo de Vila de Conde, para coagir um arbitro a "portar-se bem". Há alguma fruta que seja sinónimo de portar-se bem? Banana talvez?


O certo é que o sistema de nomeações, feito a dedo, tem as horas contadas e que o sorteio vai trazer um pouco - não demasiado - de ar fresco a este circo que são as arbitragens a Portugal. O que não é menos certo é que, perante estas gravíssimas acusações, não se vêm telejornais a abrir, diários com capas apelativas nem sequer nada nem ninguém a pedir a cabeça do homem que dirige os árbitros. O silêncio é de ouro.

Vítor Pereira fez, neste chamada, algo muito mais grave do que a maioria das acusações - por provar - feitas aos dirigentes do FC Porto durante o Apito Dourado. Provou que há árbitros realmente limpos e imunes ás suas pressões - ao contrário do que a maioria dos adeptos pensa - e também deu razão aos que pensam que o problema está menos nos homens de negro e mais em quem lhes faz chamadinhas na calada para garantir que o país está "sereno", em palavras de outros tempos. 

Marco Ferreira pagou o preço de ter apitado um jogo que correu mal e talvez se não tivesse sido despromovido de categoria esta história acabasse esquecida, sem sair cá para fora. Como tantas outras. Mas a cabeça de Vítor Pereira continua no sitio, ninguém a pede, ninguém a exige, ninguém pensa que está por detrás de uma série de anos vergonhosos na história da arbitragem em Portugal?

Pois. Fosse Vítor Pereira um reconhecido sócio, dirigente ou adepto do FC Porto e já tinha as malas em Tuy e um letreiro de "bandido" ao pescoço. É assim que funciona tudo por aqui, que não surpreenda ninguém quando acordarem, amanhã, apenas para descobrir que Vítor Pereira ainda é o chefe dos árbitros portugueses. E que as suas chamadas, ao contrário de outros, lamentavelmente, não estão sob escuta!

domingo, 13 de janeiro de 2013

O contraponto do JN

No país mais centralista da Europa, com a esmagadora maioria da comunicação social subjugada aos interesses dos clubes da capital, particularmente do slb, é fundamental que haja alguém que faça contraponto.

(JN, 12-01-2013)

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Os 6 pontos que não voltam mais

Sempre que há uma decisão de um qualquer tribunal sobre o caso apito dourado, invariavelmente a favor de quem recorreu - pelos vistos vai em 6-0, como aconteceu a semana passada, é comum lermos e ouvirmos expressões como:

e agora dêem-nos os 6 pontos de volta.


E não haja dúvidas que estas expressões deveriam ser absolutamente verdadeiras. A nossa luta deveria ser essa, lutar por aquilo que nos tiraram.

Infelizmente não é este o caso, porque simplesmente o FC Porto não recorreu.

Parece que o pessoal já não se lembra, mas em relação aos 6 pontos gamados ao FC Porto não houve recurso, as cúpulas da SAD aceitaram o castigo.

Podem dizer-me que não recorreu o FC Porto, que recorreu PdC e que este ganhando os seus recursos, moralmente o FC Porto também ganha. Mas continua a não me chegar, 1º porque PdC não é o FCP e 2º porque esta é daquelas coisas em que as vitórias morais não me chegam.

Pela parte que me toca continuou a sentir-me atraiçoado. Estas vitórias de PdC em tribunal só me reforçam a tristeza por ver um * associado ao nome do FC Porto nas classificações de 2007/2008.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

O parecer do professor...



Pinto da Costa volta a ganhar no Apito Final

O Tribunal Administrativo do Círculo de Lisboa (TACL) considerou "inexistente" a continuação da reunião do Conselho de Justiça (CJ) da Federação em que foi decidido não dar procedência aos recursos do presidente do FC Porto, do Boavista e do árbitro Jacinto Paixão no caso "Apito Final". A sentença, divulgada pela agência Lusa, dá razão a Pinto da Costa e a Jacinto Paixão na sua contestação à continuidade e às posteriores decisões da reunião do CJ, que prosseguiu à revelia do seu presidente, a 4 de Julho de 2008.

Foi com base nessas decisões, agora consideradas inexistentes, que a Federação Portuguesa de Futebol decidiu, a 28 de Julho de 2008 e com base num parecer do jurista Freitas do Amaral, penalizar o FC Porto em seis pontos e despromover de divisão o Boavista, assim como suspender por dois anos Pinto da Costa, ratificando as decisões da Comissão Disciplinar (CD) da Liga de Clubes.

A acta da reunião do CJ considerou improcedentes os recursos contra a decisão da CD interpostos por Pinto da Costa, pelo Boavista e pelos árbitros dos jogos do Estrela da Amadora e Vitória de Setúbal com os portistas na época 2007/08, Jacinto Paixão e Augusto Duarte, respectivamente. O tribunal declara "a eficácia das decisões" do então presidente do Conselho de Justiça, Gonçalves Pereira, "e a legalidade da decisão de encerramento da reunião".

Num segundo ponto, considera "inexistente a pretensa decisão de 'continuação' da mesma reunião", proferida pelos vogais do CJ, os conselheiros Francisco Mendes da Silva, Álvaro Baptista, Eduardo Santos Pereira, João Abreu e José Salema dos Reis. Considera, assim, "inexistentes as deliberações por estes tomadas depois do encerramento da reunião", que se referem à não procedência dos recursos, considerando ainda "sem efeito a pretensa acta da continuação daquela reunião".

Em termos práticos, esta decisão - a segunda favorável ao presidente do FC Porto no âmbito dos recursos motivados pelo processo "Apito Final" - considera que Gonçalves Pereira, então presidente do CJ, tinha competência para terminar a referida reunião - como fez - sem analisar os recursos referidos. Na prática, segundo a Lusa, se esta sentença transitasse já em julgado, o actual CJ da FPF teria de apreciar de novo os recursos de Pinto da Costa, do Boavista e dos árbitros visados.

OJOGO, 31/01/2011


Freitas do Amaral, professor de Direito Administrativo e político vira-casaca, redigiu em 2008 um parecer, encomendado pela FPF, sobre os factos ocorridos na tal reunião do Conselho de Justiça. Esse parecer deu origem à publicação de um livro sobre esta temática!

Na altura, Freitas do Amaral considerou o comportamento do presidente do órgão ofensivo para “o princípio do Estado de Direito Democrático e o princípio constitucional da imparcialidade no exercício de funções públicas” e que as decisões tomadas posteriormente à saída de Gonçalves Pereira são “conformes à lei administrativa e processual”.

A SAD do FC Porto reagiu e considerou o parecer do professor “excessivamente parcial” e, nalguns pontos, “tendencioso”.

Mais uma vez, um Tribunal a sério confirma anulação de decisões “douradas”. Neste caso foi o Tribunal Administrativo do Círculo de Lisboa (TACL).

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

A azia dos anti-portistas

«O Tribunal Criminal de Lisboa absolveu hoje Pinto da Costa, Ana Sofia Fonseca e Felícia Cabrita do crime de ofensa ao Ministério Público (MP). O presidente do FC Porto tinha comparado o MP à PIDE, num livro das jornalistas.
Na sentença, a juíza da 1.ª Secção do 2.º Juízo Criminal de Lisboa conclui que Pinto da Costa limitou-se a fazer «um juízo de valor» sobre a actuação do MP e que «o direito à crítica insere-se na liberdade de expressão», por muito depreciativa ou injusta que seja. (...)»
in SOL, 16/01/2012

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A propósito desta sentença do Tribunal Criminal de Lisboa, em que mais uma vez Pinto da Costa derrotou o Ministério Público em Tribunal (é significativo que em todos os processos relacionados com o 'Apito Dourado' o FC Porto e/ou Pinto da Costa só tenham sido condenados na decisão do CD Liga do dr.Ricardo Costa...), o JN incluiu hoje na sua 1ª página um pequeno destaque com o título: "Pinto da Costa 5, Ministério Público 0".

O título do JN não é muito original (em 25 de Outubro de 2008, o 'Reflexão Portista publicou um artigo com o título Pinto da Costa, 3 – Ministério Público, 0), mas incomodou algumas pessoas, entre as quais destaco um pseudo especialista no processo 'Apito Dourado' (Eugénio Queirós) que, no seu blogue, demonstrou toda a azia que a capa do JN e, principalmente, mais esta decisão de um Tribunal lhe provocou.

Mas eu compreendo que, para o universo dos anti-portistas, seja dificil de engolir o facto de em TODOS os casos que chegaram aos tribunais (e houve alguns que nem sequer reuniram as condições mínimas para lá chegar), os juízes tenham SEMPRE decidido a favor das posições do FC Porto / Pinto da Costa.
No que diz respeito ao 'Apito Dourado', e para grande desgosto dessa gente, ainda há (houve) uma diferença significativa entre juízes a sério e justiceiros de pacotilha.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Afinal havia outro…


«Na origem da investigação estão os 8,5 milhões de euros gastos pelo Benfica na contratação do guarda-redes espanhol Roberto. As autoridades acreditam que parte do dinheiro alegadamente pago ao Atlético de Madrid – clube que detinha o passe do guardião – terá sido desviado, tendo como destino um prémio atribuído ao treinador Jorge Jesus pela conquista do Campeonato em 2009/10. Os contornos do negócio chegam ao conhecimento da Polícia Judiciária através de uma escuta telefónica que tem como interlocutores o empresário Jorge Mendes e Bárbara Vara, filha de Armando Vara, que trabalha com o conhecido agente. Nessa conversa, Mendes diz que o Benfica lhe pediu para intervir numa “trafulhice” – o termo é utilizado pelo empresário – que envolvia a contratação de Roberto Jiménez Gago ao Atlético de Madrid. (…)
Maria José Morgado, coordenadora do Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) do Ministério Público de Lisboa, é um dos rostos da investigação que agora atinge o clube da Luz. O processo está sob a sua tutela, embora a magistrada responsável seja Fernanda Pego, titular da 3ª Secção do DIAP, onde se concentram as investigações de branqueamento de capitais, burlas e fraudes fiscais. (…) O inquérito tem cerca de um ano e as autoridades já recolheram diversos elementos, alguns dos quais de outra investigação. Agora avançaram para a apreensão de documentos nas instalações da SAD benfiquista.»
in Correio da Manhã, 28/05/2011


«O CM sabe, por outro lado, que a investigação à transferência de Júlio César é apenas uma parte de uma espécie de ‘rede de comissões’ negociadas e recebidas em função de uma estratégia de valorização de activos do fundo de jogadores do clube. Essa estratégia foi revelada por escutas telefónicas de um outro processo e permitiu aos investigadores apurarem parcelas de dinheiro que configuram comissões pagas. Estão sob suspeita praticamente todas as transferências dos últimos três anos, em particular aquelas em que Jorge Jesus pode ter tido uma influência directa. A investigação está ainda longe do fim, e as autoridades policiais acreditam que a análise à contabilidade financeira dos encarnados poderá consubstanciar o processo, em que são investigados os crimes de fraude fiscal, branqueamento e ainda de burla qualificada
in Correio da Manhã, 28/05/2011


«A maioria são conversas que envolvem homens fortes do futebol português e dirigentes do Benfica. Foram obtidas noutro processo, que está em investigação no Ministério Público, e chegaram à Polícia Judiciária em forma de certidão. Deram origem à investigação que desde o final do ano passado atinge os encarnados e dizem respeito a diversas transacções de jogadores.»
in Correio da Manhã, 30/05/2011


«A investigação às transferências de jogadores no Benfica – que só recentemente foi conhecida mas que já remonta ao ano passado – começou com escutas interceptadas no âmbito do processo ‘Furacão’ – a investigação de branqueamento de capitais no sistema bancário. Paralelamente, as escutas que tiveram como interlocutor o empresário Jorge Mendes e Bárbara Vara, sua colaboradora, e que diziam respeito ao negócio do guarda-redes espanhol comprado pelo Benfica – tal como o CM já noticiou –, estão no mesmo processo que levou no mês passado a PJ à Luz e foram apanhadas na investigação de branqueamento que tinha como alvo os azuis-e-brancos e que foram abertas na sequência do ‘Apito Dourado’. Foram extraídas certidões, e as suspeitas estão a ser investigadas pela unidade que combate o crime económico e financeiro da Polícia Judiciária.»
in Correio da Manhã, 12/06/2011


De acordo com as notícias do Correio da Manhã (jornal que se “especializou” em escutas e no ‘Apito Dourado’), os dirigentes do slb foram apanhados através de escutas cujos alvos eram outros.
Querem ver que montaram uma rede para tentar caçar o Pinto da Costa e apanharam o Luís Filipe Vieira. Que azar!...
Aliás, este caso é elucidativo de como funciona a Justiça em Portugal. Fazer escutas a dirigentes do clube do regime? Isso é que era bom.

Claro que a montanha vai parir um rato e o processo irá ser arquivado. Nunca um dirigente no activo do clube do regime será alvo de uma acusação e muito menos terá de ir a Tribunal prestar contas.
E também tenho a certeza que as gravações destas escutas nunca irão aparecer no Youtube.

Entretanto, iremos continuar a ver o camarote VIP da Luz cheio de políticos embevecidos e, semana-sim-semana-não, a ouvir o presidente do slb, qual virgem ofendida, a falar em transparência, verdade desportiva, etc.

P.S. Numa investigação em que as suspeitas recaem nos dirigentes do slb, o Correio da Manhã conseguiu incluir na 1ª página a foto do Pinto da Costa. Isto é que são uns artistas.

Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Factos, mentiras e vídeo

Facto 1: Em 24 de Janeiro de 2004, numa altura em que o FC Porto de Mourinho já liderava confortavelmente o campeonato, os dragões receberam no estádio das Antas o Estrela Amadora (último classificado), num jogo arbitrado por Jacinto Paixão, tendo vencido por 2-0.
Foi um desafio sem casos de arbitragem, conforme pode ser comprovado em qualquer altura através do visionamento da gravação integral do jogo e como, mais tarde, atestaram nos seus pareceres os peritos de arbitragem que colaboraram com a PJ – os ex-árbitros de Lisboa Adelino Antunes, Vítor Pereira e Jorge Coroado.

Facto 2: Numa primeira fase, o Ministério Público arquivou o processo, considerando o óbvio, isto é, ser diminuto e inverosímil o interesse do FC Porto em comprar um jogo em casa contra o Estrela Amadora, isto face ao posicionamento classificativo das equipas e ao respectivo valor (vale a pena recordar que nessa época o Estrela Amadora desceu de divisão e o FC Porto foi “apenas” Campeão Europeu…).

Facto 3: Em 24 de Abril de 2006, em declarações efectuadas à Agência Lusa, António Pragal Colaço, advogado de Jacinto Paixão, afirmou: “O Ministério Público do Porto proferiu um despacho no qual entende que não há nexo de causalidade dos factos que indiciem qualquer crime de corrupção desportiva. Por inerência, os outros arguidos no processo viram também o seu processo arquivado”.

Facto 4: Pinto da Costa separa-se de Carolina Salgado e, em Dezembro de 2006, a sua ex-namorada lança o livro “Eu, Carolina” (para cuja escrita contou com a preciosa ajuda da conhecida jornalista benfiquista Leonor Pinhão, nomeadamente nos capítulos sobre o futebol).

Facto 5: Para além dos vários processos judiciais por difamação de que Carolina foi alvo, Pinto da Costa moveu-lhe um processo por furto e extorsão.

Facto 6: Em Janeiro de 2007, Maria José Morgado mandou reabrir o processo com base no testemunho de Carolina Salgado, o qual considerou credível, apesar da situação de conflito extremo que esta mantinha com Pinto da Costa.

Facto 7: Tendo sido requerida a fase de instrução, quer a defesa de Pinto da Costa, quer o próprio Jacinto Paixão, negaram em Tribunal as acusações de Carolina Salgado e ambos puseram em causa a credibilidade da testemunha-chave protegida pela equipa especial de Maria José Morgado.
O juiz de instrução também questionou a credibilidade de Carolina, bem como, a motivação para as suas declarações contra Pinto da Costa e, inclusivamente, acusou-a de falso testemunho. Adicionalmente, sublinhou que nas escutas (que considerou válidas!) não havia qualquer declaração como contrapartida de acto ou omissão destinado a falsear ou alterar o resultado do jogo.
O processo judicial foi novamente arquivado, desta vez pelo Tribunal de Instrução Criminal, em Julho de 2008.

Facto 8: No final da época passada (Maio de 2010), em programas da Benfica TV, o mediático advogado António Pragal Colaço incitou à violência (“vamos ter de puxar das armas”), pré-anunciou a retaliação (“ela já está programada”) e previamente legitimou-a, com argumentos do tipo “se queres continuar a ser cabeçudo o problema é teu” (dirigindo-se a outro participante num desses programas).

Facto 9: Em 13 de Dezembro de 2010, Jacinto Paixão foi convidado do programa “Máximas do Máximo” da Benfica TV, tendo mantido um animado diálogo com o conhecido taxista benfiquista Jorge Máximo.

Facto 10: Em 12 de Maio de 2011, o Correio da Manhã (versão em papel) e o site de A BOLA dão conta de um vídeo colocado no Youtube, com ataques de Jacinto Paixão ao FC Porto, em que o ex-árbitro alentejano parece estar a ler um texto.


Esta sequência de factos é, por si só, elucidativa, mas comparemos o que Jacinto Paixão (JP) disse no programa da Benfica TV há cinco meses atrás, com as declarações que surgem no vídeo agora divulgado no Youtube:

JP na Benfica TV: “Não tenho medo de ninguém, nunca tive”


JP na Benfica TV: “Ouvi falar em viagens pagas. Se é verdade ou não, não sei”

JP na Benfica TV: “As únicas coisas que os clubes me ofereciam eram umas camisolas, uma salvas, nada mais”



Mas há mais. Tal como o FC Porto referiu no comunicado intitulado ‘O Desespero’, na gravação colocada no Youtube, supostamente efectuada em 2004, Jacinto Paixão apresenta-se como ex-árbitro. Contudo, só deixou a arbitragem em Março de 2006…


Para além de tudo isto, que já de si deixa poucas dúvidas acerca de quem está por trás desta curta-metragem manhosa, há ainda a situação para a qual chamou a atenção o blogue ‘100% Dragão’, acerca do misterioso cabelo de Jacinto Paixão.

Este era o corte de cabelo que Jacinto Paixão usava enquanto árbitro:


E este o corte de cabelo que Jacinto Paixão ostentou na Benfica TV, em Dezembro de 2010:


Acham que o cabelo de Jacinto Paixão no “confessionário”, durante a gravação supostamente efectuada em 2004, é semelhante ao corte que ele usava enquanto árbitro (2003, 2004, …), ou em Dezembro de 2010?

Sendo o slb um clube com tantos especialistas em guiões (Leonor Pinhão) e filmes (João Botelho, António Pedro Vasconcelos, etc.) é incrível como quem congeminou esta trama fez uma coisa tão mal amanhada, com tantas contradições e buracos óbvios. Mas enfim, nós temos o Hulk e o Falcao e eles contentam-se com os filmes da Carolina e do Paixão.

P.S. Em entrevista ao jornal i, do passado dia 14 de Maio, Jacinto Paixão garante ser o autor da gravação e promete novos episódios para breve, porque “há muitos mais vídeos para serem publicados”. Quem bom, mal posso esperar pelas sequelas deste “filme”…

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Atenção às mudanças de vento, Sr. Professor



“Tribunal considera inexistente deliberação que suspendeu Pinto da Costa

A deliberação do Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol, que aplicou uma suspensão de dois anos a Pinto da Costa e perda de seis pontos ao F. C. Porto, no âmbito dos processos do Apito Dourado, foi declarada inexistente. Resta saber que efeitos terá sobre o castigo de descida de divisão aplicado ao Boavista.

A decisão foi tomada pelo Tribunal Central Administrativo do Sul, na acção movida por Pinto da Costa contra a Federação Portuguesa de Futebol (FPF). Em causa está uma deliberação, tomada sob tumultos, de castigo a vários clubes e dirigentes.

Esta decisão judicial é ainda passível de recurso para o Supremo Tribunal Administrativo. Mas, a manter-se a declaração de inexistência, pode colocar-se, além de outros, o problema de se saber que efeitos terá quanto ao Boavista, clube que sofreu a pena de descida de divisão.

A decisão da da Comissão Disciplinar (CD) da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP), tornada pública a 9 de Maio de 2008, puniu o Boavista com descida de divisão e várias multas, entre as quais uma de 180 mil euros.
A CD puniu também João Loureiro, antigo presidente da SAD do Boavista, com uma suspensão de quatro anos e uma multa de 25 mil euros.

A decisão dos castigos foi anunciada por Ricardo Costa, então presidente da CD, na sequência de dois processos instaurados pela LPFP, por corrupção tentada, que condenaram ainda os árbitros Jacinto Paixão (quatro anos), José Chilrito e Manuel Quadrado (dois anos e meio).
Além da perda de seis pontos, o FC Porto foi punido com uma multa total de 150 mil euros, e Pinto da Costa condenado ao pagamento de 10 mil euros.

Menos de dois meses depois, Pinto da Costa foi ilibado aos olhos da Justiça, quando o denominado "caso da fruta" foi arquivado pelo Tribunal de Instrução Criminal (TIC) do Porto, a 30 de Junho de 2008.

Uma semana depois, o Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol confirmou a despromoção do Boavista e manteve a suspensão de dois anos a Pinto da Costa. A decisão foi tomada sem a presença do presidente e vice-presidente deste Conselho de Justiça.”

in "JN", hoje, 11/05/2011


Convém recordar que Freitas do Amaral, ilustríssimo professor de Direito Administrativo, redigiu em 2008 um parecer, encomendado pela FPF, sobre os factos ocorridos na tal reunião do Conselho de Justiça.
O documento, de cerca de 150 páginas, deu até origem à publicação de um livro (!) sobre o tema.

Na altura, Freitas considerou o comportamento do presidente do órgão ofensivo para «o princípio do Estado de Direito Democrático e o princípio constitucional da imparcialidade no exercício de funções públicas» e que as decisões tomadas posteriormente à saída de Gonçalves Pereira são «conformes à lei administrativa e processual».

A SAD do FC Porto reagiu e considerou o parecer do professor «excessivamente parcial» e nalguns pontos «tendencioso».

Mais ainda: «sempre, do princípio ao fim, em favor da facção que optou por continuar a reunião do Conselho de Justiça após o seu encerramento pelo presidente desse órgão. (...) o parecer quase parece constituir uma “consulta” de uma das partes da questão e não uma opinião de quem procura descobrir a verdade e encontrar uma solução equilibrada e justa», considerando ainda ter havido «equívocos, realces indevidos e “esquecimentos” incompreensíveis».

Conclui o comunicado: «Lamentamos profundamente que este “parecer” tenha extravasado largamente o que foi requerido, tecendo comentários inadequados e não solicitados», « (o texto) não contribui minimamente para aclarar os factos, nem para serenar o ambiente turvado no futebol nacional».
Lê-se ainda: «Ao longo de muitas décadas, o País habituou-se a visualizar duas personalidades distintas na figura de Freitas do Amaral: o Professor moderado e, sobretudo nos últimos anos, o político que em quase tudo o que diz e faz parece apostado em desmentir a imagem do universitário. Infelizmente, estamos em crer que foi a figura do político que emergiu neste “parecer”».

Quase três anos depois, eis a sentença de um tribunal a sério.

sábado, 20 de novembro de 2010

“Cruzadas” mediático-justiceiras anti-Porto (VIII)

«A “Operação Apito Dourado” da PJ e do Ministério Público vai saldar-se por mais um momento de ridículo e descrédito da justiça portuguesa. A menos que as buscas completas aos arquivos da Federação e da Liga de Clubes permitam obter elementos para chegar onde verdadeiramente interessa, esta "mega-operação", como gosta de dizer a PJ, que terá envolvido 150 agentes e um ano de investigações (!), está condenada a tornar-se mais um inútil e arrastado folhetim mediático-justiceiro para encher noticiários e enganar papalvos.

Não é que não haja, muito provavelmente, corrupção e tráfico de influências no futebol português: se existe em todos os sectores da vida pública portuguesa, por que não existiria no futebol? Aliás e como é bem sabido, todo o futebol português gira à roda de laços que indiciam tráfico de influências instalado, como modo de vida permanente: deputados, governantes e autarcas que são ou foram dirigentes desportivos, autarquias que subsidiam clubes para além do que é legal e decente, o Governo Regional da Madeira e as suas relações de íntimo conúbio com os clubes da região, construtores civis que financiam clubes e campanhas autárquicas de dirigentes desses clubes, simultaneamente autarcas. Quanto à tão falada corrupção ao mais alto nível das arbitragens, seguramente que agora, com todos os dados na mão, a PJ e o MP vão poder esclarecer-nos se ela existe ou é apenas ficção sabiamente alimentada por crónicos maus perdedores. Tudo isto, mais o futebol como território de lavagem de dinheiro sujo, como acusa Maria José Morgado, é aquilo que verdadeiramente interessa saber. Não é, com certeza, apurar a verdade desportiva da palpitante carreira do Gondomar Sport Clube no nacional da terceira divisão. Por importante e simbólico que isso possa ser, não é isso que o país, os telejornais e os jornais esperam.

Consciente disso, ao terceiro dia de "Apito Dourado", a imprensa atirou-se, sôfrega, a uma nova pista lateral: Pinto da Costa. Já anteontem, auscultando o que se passava em algumas redacções de Lisboa, eu percebi a pergunta/desejo que andava no ar e em todas as cabeças: “Será desta que chegam ao Pinto da Costa? É que, se não chegam, nada disto tem verdadeiramente interesse.”»
Miguel Sousa Tavares, Público, 23/04/2004


Em Abril de 2004, na antecâmara do FC Porto vencer a Liga dos Campeões, ainda não havia a testemunha-chave, mas não era preciso ser bruxo para adivinhar o que se pretendia, bem como, o modo como tudo isto ia acabar.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Destas escutas não reza a história


(clique na imagem para ampliar)

«Afinal, o processo Apito Dourado não apanhou apenas dirigentes de clubes do Norte a pedir árbitros para os seus jogos. Embora de forma indirecta, através de João Rodrigues, o Benfica também quis escolher os seus árbitros. Mas nenhum destes pedidos deu origem a qualquer processo, nem sequer no grande dossier relativo a uma eventual viciação da classificação dos árbitros, ainda em análise pela equipa de Maria José Morgado.
As intercepções telefónicas, que são imensas, dão conta de diversos tipo de pressão do Benfica, na época de 2003/2004, no sentido de contar com árbitros do seu agrado. Aliás, até era convicção de alguns presidentes de clubes da I Liga, como era o caso de João Bartolomeu, que foi Luís Filipe Vieira quem colocou Luís Guilherme na presidência da Comissão de Arbitragem da Liga, exercendo, por consequência, alguma influência sobre ele.
Por exemplo, João Bartolomeu, numa das suas conversas com Pinto de Sousa, diz ter a certeza que é o Luís Filipe que tem influência sobre as nomeações feitas por Luís Guilherme, com o então presidente do Conselho de Arbitragem da FPF a acrescentar: “O Pinto da Costa não tem influência no Luís Guilherme”.
A propósito da nomeação de um árbitro para um jogo da U. Leiria, Bartolomeu diz que fez uma investigação que apurou que Pimenta Machado se encontrou com Luís Filipe Vieira, presumivelmente no sentido de ter Duarte Gomes como árbitro. Sobre este, Bartolomeu diz que é “um ladrão”.
“O Duarte Gomes faz tudo o que o Vítor Pereira manda e o Vítor Pereira é uma das pessoas que protege o Guimarães”, desabafa Bartolomeu.

Os contactos entre João Rodrigues, antigo dirigente do Benfica e pessoa com muita influência nas instâncias internacionais do futebol, e Pinto de Sousa eram frequentes. E vice-versa. Aliás, há mesmo uma determinada altura em que é Pinto de Sousa quem telefona a João Rodrigues para lhe pedir “uma ajudinha” para escolher os árbitros internacionais para a Taça de Portugal. “Precisava de dois nomes de árbitros que o Benfica considerasse”, afirmou o líder da CA da FPF, que tem argumentado em sua defesa que não praticou qualquer crime a este nível porque era norma conferenciar com os dirigentes antes de escolher árbitros para a Taça de Portugal. Rodrigues promete ligar a Vieira. Quando volta a ligar a Pinto de Sousa, diz que o presidente do Benfica “ficou doido” e que pretendia o árbitro que tinha apitado o jogo com o Belenenses para o campeonato, Pedro Henriques. “Ele não quer mais ninguém…”, reforçou Rodrigues. “Duarte Gomes e Olegários nem pensar”, acrescentou. Rodrigues tenta contactar Vieira mas não consegue. Numa outra conversa com Pinto de Sousa, conforma-se: “Nomeie o Devesa Neto [árbitro assistente] que o acalma logo”. Pinto de Sousa acaba por dizer que tem 3 hipóteses para árbitro principal: Pedro Proença, Duarte Gomes ou João Ferreira. “Meta o João Ferreira”, diz Rodrigues. Dito e feito. João Ferreira é o árbitro do jogo da meia-final da Taça que o Benfica vence por 3-1. Nenhum dos árbitros assistentes foi Devesa Neto, árbitro assistente que foi arguido no Apito Dourado, num jogo do Boavista.»


Ao republicar no seu blogue estes textos, com o título Arquivos do Apito Dourado (1), o Eugénio Queirós está a pisar o risco. Há coisas que não convém relembrar, principalmente quando a poderosa máquina de propaganda ao serviço do slb, tudo faz para impor a sua verdade e (re)escrever a história à sua maneira.

P.S. Duarte Gomes foi nomeado por Vítor Pereira para o Académica x FC Porto do próximo sábado.

Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

domingo, 24 de outubro de 2010

Difamar é barato


Julho de 2008
Um juiz do Tribunal de Instrução Criminal acusou Carolina Salgado de mentir e enviou para o DIAP do Ministério Público do Porto uma certidão por falsidade de testemunho agravado.

Fevereiro de 2010
Carolina Salgado foi condenada a uma multa de 3000 euros e a uma indemnização de 1750 euros, por difamação agravada ao líder da claque Superdragões, Fernando Madureira.

Julho de 2010
Carolina Salgado foi sentenciada a uma multa de 1250 euros e a indemnizar o advogado Lourenço Pinto em 5000 euros, por difamação agravada.

22 de Outubro de 2010
Carolina Salgado foi condenada, por difamação agravada de Pinto da Costa, a dez meses de prisão, pena substituída por 300 horas de trabalho comunitário. Em causa está uma entrevista à jornalista Felícia Cabrita, na qual Carolina acusou Pinto da Costa de ser o mandante das agressões a Ricardo Bexiga (ex-vereador da Câmara de Gondomar). O tribunal considerou que Carolina utilizou "expressões altamente difamatórias" e "muito gravosas".


Livro, filme, entrevistas, em Portugal difamar é barato, principalmente para quem tiver "amigos" ricos, dispostos a financiar campanhas mediáticas de destruição de imagem e carácter.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

O Eugénio Queirós deve estar doente...

Só num país falido financeira e moralmente um presidente de um clube pode afirmar que no processo Apito Dourado a justiça branqueou a verdade.

Ora, todos sabemos que o que é verdade para uns é mentira para outros.

A justiça fez o seu trabalho no processo Apito Dourado. Houve absolvições, condenações (no processo principal, relativo aos jogos do Gondomar, e não só), há recursos ainda a correr, houve pronúncias, não pronúncias e houve também casos arquivados e reabertos. A Polícia Judiciária fez o trabalho mais difícil e só no dia 20 de Abril de 2004 o segredo foi quebrado, com as primeiras detenções. O Ministério Público entrou a seguir em força e os advogados também. Os casos acabaram por chegar, os que chegaram, às salas de audiências já com grande desgaste, muitos deles pendurados na fragilidade de uma testemunha construída por alguém cujo nome foi diversas citado por aqueles que a acompanharam em viagens a Lisboa.

O processo custou uma fortuna ao Estado, foi caríssimo para os arguidos e também para a testemunha nuclear dos casos que atingiram Pinto da Costa. Ainda estamos hoje para saber quem vai pagar a factura ao advogado de Carolina Salgado, talvez um dia a própria o esclareça...

Estas sucessivas vagas de escutas do Apito Dourado publicadas no Youtube por quem teve acesso ao processo - e que passou alguns dias no tribunal do Gondomar... - são apenas uma tentativa de aproveitamento de um processo que para além das condenações e das absolvições teve um efeito profiláctico importante. Aliás, é esse sempre o efeito pretendido em processos desta natureza. Mais importantes que as penas é o aviso que se deixa à sociedade.

É pena que a necessidade aguce o engenho da trampolinice que é o aproveitamento constante das escutas sob a cobardia do anonimato. Mas percebe-se. Nesta guerra vale tudo mesmo que um dos seus generais seja a pessoa que, em Março de 2004, mandou dizer por um amigo (João Rodrigues, antigo presidente da FPF) que não queria para um jogo do Benfica "Duarte Gomes nem Olegários", sendo cirúrgico na escola do árbitro que tinha apitado o último jogo do Benfica com o Belenenses.

Falta apenas revelar o nome do destinatário da mensagem: José António Pinto de Sousa.

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Este texto foi escrito por Eugénio Queirós, tendo sido publicado primeiro no seu blogue e depois no Record.
Ao ler este artigo de opinião, lembrei-me de uma frase dita por Pinto da Costa há uns anos atrás, e que foi mais ou menos assim: quando algumas pessoas dizem bem de mim, vou logo ao médico, porque é sinal que devo estar doente...

Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Pobre futebol, pobres adeptos


«Os Juízos Criminais do Porto absolveram esta terça-feira Valentim Loureiro e o seu filho João Loureiro no processo do Apito Dourado relativo ao jogo Boavista-Estrela de Amadora de 03 de Abril de 2004. Também os co-arguidos Jacinto Paixão (árbitro), José Alves (observador) e Pinto Correia (responsável pela arbitragem) foram absolvidos pela juíza Maria Cristina Brás. A magistrada considerou que o Ministério Público deduziu uma acusação apoiado em suposições. (...)
No jogo que deu azo a este processo, da época 2003/2004, o Boavista perdeu por 0-1 com o Estrela da Amadora. Mesmo assim, a investigação avançou porque a Polícia Judiciária escutou conversas telefónicas alegadamente indiciadoras do propósito de favorecer o clube do Bessa. (...)
A acusação do processo foi deduzida em 12 de Março de 2007, sendo a primeira proferida pela Equipa de Coordenação do Processo Apito Dourado, liderada pela procuradora geral adjunta Maria José Morgado.»
in PUBLICO.PT


Uma após outra, todas as acusações deduzidas pela super-equipa especialíssima, liderada por Maria José Morgado, foram arquivadas ou derrotadas em tribunal.
Consequências deste facto para a dupla Pinto Monteiro - Maria José Morgado? Nenhumas.

Com base nestes mesmos factos, a Comissão Disciplinar da Liga determinou, pelos vistos indevidamente, a descida de divisão do Boavista.
Consequências deste facto para a Liga de Clubes e para o dr. Ricardo Costa? Nenhumas.

E agora, o Boavista vai ser reposto na I Liga? Irá ser indemnizado? Por quem?

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

"mais um favorzinho"...


Para além da escuta em que Luís Filipe Vieira aparece a escolher árbitros, o "ugandês" que colocou escutas no YouTube também se esqueceu desta. São as chamadas escutas selectivas...

domingo, 24 de janeiro de 2010

"estou a fazer isto por outro lado"



Na semana em que as escutas feitas a Pinto da Costa foram divulgadas no YouTube, que é feito do processo em que Luís Filipe Vieira foi apanhado a escolher árbitros para jogos do SLB? Já foi arquivado ou nem sequer foi aberto?

Nota: O mais engraçado é que esta notícia do PÚBLICO, em que as escutas põem a nu os métodos de Vieira ("eu estou a fazer isto por outro lado"), é assinada pela Tânia Laranjo (estava na fase pré-Correio da Manhã...).