Há muito mais comentários quando
o FCP perde. E alguns não são nada meigos. O lado positivo da contestação: se
qualquer derrota nos dói tanto, isso só pode
significar que sentimos o clube com
paixão; o lado negativo: que essa paixão abra um leque muita alargado de
acusações, algumas demasiado extremadas, o que retira a razoabilidade que
deve constar da crítica, quando se avalia um jogo, que não perde essa condição de jogo, só porque uma das equipas é a nossa. Além disso, quem contesta e propõe cenários alternativos não tem como provar a
sua evidência. Demais, há um exagero no modo: o “grito”, ainda que por escrito,
não torna o comentário mais pertinente ou corajoso, mas entendo-o
na hora da perda. Porém, o “luto cerrado” deve ser aliviado naturalmente
para que a memória possa escrutinar os acontecimentos com serenidade.
Foi o que procurei fazer. Comecemos
pela primeira parte em que estivemos bem por cima do SCB, que jogou muito pouco
e fez da luta a sua arma. É verdade: combateu-se mais do que se jogou, mas era difícil sair
desse registo porque o adversário tinha apostado tudo nesse estilo e só o mudaria se marcássemos,
o que não aconteceu, porque o golo é o
mais difícil no futebol e também porque
confirmamos algumas debilidades, que cresceram com a perda de confiança, em consequência da má condição física da
equipa, que um plantel curto em
qualidade, obviamente não consegue disfarçar. Essa dificuldade multiplicou-se
por imprudência própria e méritos
alheios e teve em Mossoró a execução
sublime que lhe valeu ser escolhido como o MVP da jogo. Um bom mergulho, uma grande penalidade e uma
expulsão a fechar a primeira parte. Não
podia ter sido pior.
Na segunda parte houve vontade,
faltaram as soluções. O SCB geriu bem e o FCP não conseguiu disfarçar a falta
de um elemento. A condição física, insisto, não é a melhor e quando os resultados não
acompanham a ambição da equipa e dos artistas,
o futebol ressente-se e não corresponde. Não fomos
capazes de criar grandes problemas ao SCB e estes tiveram caminho aberto para o
contra ataque que não soubemos estancar. Mas houve, nesse período, alguma raiva que
contrastou com o aparente conformismo da primeira parte. Não posso deixar de
reconhecer que os jogadores, nesse período, deram tudo. Faltou capacidade de organização ao FCP para jogar com 10 elementos. Nesse
particular, acho que VP não foi
capaz de montar a equipa e passar a mensagem. É minha convicção que deveríamos
ter jogado com as linhas mais juntas:
Defour estacionou demasiado na ala, James perdeu-se entre a ala e a
posição 10 e quando entrou Atsu, nem ele terá percebido bem que papel lhe tinha sido destinado, pois
andou autenticamente perdido.
Ainda que James não estivesse a jogar bem, longe
disso, não entendo que tenha saído por troca com Atsu. Em função dessa troca, o “trabalho”
de construção ficou muito centrado no labor de Fernando e Moutinho (que
melhorou no segundo tempo), uma vez que os alas e os laterais raramente conseguiram
esticar o jogo. Kelvin tentou agitar, mas falta-lhe experiência. Em suma, com dez não conseguimos disfarçar, o que é muito mais difícil quando se está
numa situação de desvantagem, diga-se. Mas os jogadores deram o litro.
Li que se tivéssemos optado jogar
com apenas três defesas, talvez o milagre acontecesse com uma
divisão de tarefas de excelência, ainda que não se disponha de gente capaz para o desempenho da missão. Além do mais, na prática estivemos
nessa situação demasiadas vezes: os laterais
subiam e não recuperavam, o Fernando e o
Moutinho estiveram demasiado envolvidos nas tarefas atacantes, os alas não
estão rotinados na cobertura e o SCB continuou a jogar no contra golpe confortavelmente
aproveitando-se das avenidas que se iam abrindo,
nesse frenesim atacante construído ao
ritmo da pressa e do pouco talento. Insisto: a equipa jogou pouco próxima para
dividir o esforço e o vai vem que uma situação destas exige. Faltou ao FCP ser
mais equipa, ter mais alternativas e os jogadores mais disponíveis ao sacrifício.
Sábado há mais. Atirar a toalha
ao chão é que seria imperdoável. Há muito ainda a ganhar. Que se lixe a taça.



