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sábado, 6 de junho de 2015

Venham mais cinco…

A confirmar-se que o empréstimo de Casemiro irá gerar um lucro para a FCP SAD de 6,5 milhões de euros (os 7,5 milhões de euros pagos pelo Real Madrid menos um milhão que o FC Porto pagou pelo empréstimo de um ano), então este empréstimo foi um sucesso total, quer do ponto de vista desportivo, quer do ponto de vista financeiro.

E mais. De acordo com a comunicação social (espanhola e portuguesa), se o Real quiser aproveitar a valorização do Casemiro, para vender o seu passe a um outro clube, ou incluí-lo como moeda de troca num eventual negócio, o FC Porto ainda receberá mais 7,5 milhões de euros. A confirmar-se, seria um autêntico Jackpot!

Lucro de 6,5 milhões (O JOGO, 06-06-2015)

Fazendo um balanço, desportivo e financeiro, aos empréstimos de Óliver, Tello e Casemiro é caso para revisitar uma das músicas mais famosas do Zeca Afonso e dizer:

Venham mais cinco
Duma assentada
Que eu pago já


P.S. Não sei se Casemiro valerá 22,5 milhões de euros (15 + 7,5 milhões de euros) mas, desportivamente falando, vai deixar-me saudades.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

15 milhões? Não, obrigado!

Hoje o jornal As informa nas suas páginas interiores que o Real Madrid vai responder ao FC Porto - que anunciou há dias a intenção de fazer efectiva a opção de compra sobre o Casemiro - com um "ok, levem-no lá, nós não o vamos recuperar"! Dito de outro modo, Casemiro será jogador do FC Porto nos próximos quatro anos por um valor de 15 milhões de euros. Sim, de 15 milhões de euros.

O Real Madrid é um clube que aprecia menos o valor de um bom jogador e mais o valor de mercado que possa gerar. Por isso estão a pensar para a posição que ocupa Casemiro em dois jovens de classe mundial, Verrati do PSG e Pogba da Juventus. Jogadores superiores ao brasileiro mas, sobretudo, mais mediáticos. Rafa Benitez também quer trazer um médio defensivo do seu perfil e isso vai fechar as portas ao até agora Dragão. E aí entramos nós na equação.

Tal como sucede com Tello, o FC Porto detinha na altura da contratualização do empréstimo, uma opção de compra. Muitos especularam sobre o valor que nunca foi oficial. Falava-se entre 8 a 10 milhões de euros. Durante grande parte da temporada - até Março, sensivelmente - muito poucos (para não dizer nenhum) adepto do FCP estaria disposto a pagar isso por Casemiro. Mas o seu final de época foi, realmente, de encher o olho e notou-se muito o seu crescimento. Mérito indiscutivel de Julen Lopetegui (o mesmo passou, com um mês de antecedência, com Tello mas a lesão sofrida retirou-lhe protagonismo no final da época) que sempre manifestou internamente querer contar com o jogador. Afinal, nem havia no plantel alternativas (Campaña foi um erro de casting de ultima hora depois da teimosia de Lopetegui em insistir em jogadores inviáveis como eram Darder e Camacho e Ruben foi crescendo progressivamente mas ainda está verde) nem há, dentro da faixa etária de Casemiro, jogadores com a sua margem de progressão. Quem o segue, como eu, desde os dias do São Paulo, sabe-o.

Casemiro é um bom jogador que se tornou, durante o ano, num jogador muito útil e um dos pontos fortes da temporada. Ninguém o vai negar. Mas Casemiro não vale 15 milhões de euros. E, mesmo que os valesse, que é discutivel, o FC Porto não pode meter-se em negócios assim.

Tenho dito e repetido várias vezes.
A SAD vende internacionalmente uma mensagem que dista da realidade. O modelo de negócio que começou há 15 anos já não existe. O clube já não contrata por tostões e vende por milhões. Contrata por milhões - e cada vez mais muitos milhões - e vende por ainda mais milhões mas com uma margem de lucro progressivamente menor. E claro, com maior risco. 
Até este ano ninguém imaginava o Danilo a sair pelo valor que vai sair e com o Real Madrid como destino. Durante três anos duvidou-se muito do investimento feito. E com razão. O negócio saiu bem mas vai ser preciso sair um negócio muito mal para alguém acordar?
Pode o FC Porto arriscar todos os anos pagar muito dinheiro para um jogador quando temos empréstimos obrigacionistas que pagar, juros que abater, um passivo que urge reduzir de forma progressiva (progressiva, não abate-lo, cuidado) e, a nivel desportivo, posições onde estamos mais descalços e sem alternativas? 
A minha resposta é, claro que não!



O FC Porto tem de, ano após ano, pagar o preço de uma má gestão e isso significa aproveitar os ingressos das vendas para abater o que deve. Com o que sobra, manter a equipa competitiva. Isso significa negócios de baixo risco e negócios certeiros. Negócios a custo zero - os antecessores de Casemiro, desde Costinha, chegaram praticamente assim - ou de um valor de mercado reduzido. E se há que apostar forte num ou outro negócio, de tempos a tempos, que seja em posições onde o talento individual faz realmente a diferença. Num avançado como Jackson, num extremo como Hulk, num playmaker como James. Futebolistas que decidem temporadas e que têm sempre um cartel elevado. Nesses perfis o risco é sempre menor. Num médio defensivo (ou num lateral, ou num guarda-redes) o risco aumenta. O Casemiro vai á Copa America e fez um bom fim de ano. Mas e se sai da selecção, se baixa o nivel na próxima época ou se um futuro treinador não sacar dele tudo o que tem, pode o clube permitir-se ficar a arder com 15 milhões de euros na situação actual?

Desportivamente ficar com Casemiro era uma óptima noticia. Mas só se fossemos o Barcelona, com dinheiro para gastar no substituto do Jackson, no substituto do Oliver e no substituto do Danilo sem ter de fazer contas a dividas e mais dividas. Eu já sei que há muito medo entre os adeptos de que comprar barato, a custo zero ou nomes pouco sonantes pareça um risco. A esses peço-lhes que me digam quanto se gastou em 2003 ou em 2011 para que entendam que o dinheiro, por si só, não compra talento e competitividade. Também sei que quem dirige a SAD está-se a lixar para o futuro financeiro do clube porque quando a bolha rebentar já não vão estar aqui para prestar contas. Mas o clube, que é nosso, é-o hoje e será daqui a 20 anos. Com compras deste estilo, pode ser que o FC Porto 2018/19 seja muito pior do que imaginamos. E eu conta ser portista a vida toda e viver muitos Portos. Para os que pensam só no Porto do próximo ano, os Casemiro, Tellos (outro sobre quem se efectuará opção de compra), são bons negócios. A sua preocupação com a viabilidade financeira do clube não está claramente na lista de prioridades. Eu acho que começa a chegar a altura de entender que há momentos para por um ponto final ás loucuras efectuadas na última década. Esta operação - prestes a ser anunciada - só nos diz que a loucura não tem fim. 

Um médio de top internacional

Tal como já tinha acontecido aquando da saída de Paulo Assunção, há cerca de um ano atrás repetiu-se o mesmo “drama”, devido à inevitável saída do Fernando (foi para o Manchester City ganhar 5x mais do que aquilo que ganhava no FC Porto). De facto, o “polvo” era um jogador muito importante nas tarefas defensivas (na transição defensiva, como agora se diz) e a sua saída foi uma baixa importante, aparentemente difícil de colmatar.

Em meados de Julho de 2014 chegou Casemiro e, entre os adeptos portistas, não faltou quem torcesse o nariz.
Porque vinha emprestado pelo Real Madrid (clube onde jogava pouco).
Porque o Casemiro era um Nº 8 e não tinha rotinas de jogar a Nº 6.
Porque era um jogador que não tinha timing de entrada à bola e, por isso, fazia demasiadas faltas.
Porque quem devia ser titular era o Rúben Neves.
Etc.

Contudo, Casemiro cresceu muito com Lopetegui (tal como outros jogadores), ao longo da época foi-se adaptando à nova posição e atualmente já (quase) ninguém “chora” por Fernando.

Casemiro, a Figura do FC Porto x Basel (O JOGO, 11-03-2015)

Casemiro, a Figura do SLB x FC Porto (O JOGO, 27-04-2015)

De facto, Casemiro é um médio mais completo que o Fernando porque, para além das missões defensivas (marcar, dobrar os laterais, “limpeza” à frente da área, etc.), aspectos em que melhorou muito, mas ainda sem ser tão bom como era o Fernando, tem outras qualidades onde é muito superior ao anterior médio-defensivo do FC Porto.
Quais?
A colocar a bola à distância.
A rematar à baliza de fora da área.
Na marcação de livres a 20-25 metros da baliza.
A surgir na área a finalizar, na sequência de cantos ou livres laterais ofensivos.
(em apenas uma época, Casemiro marcou mais golos neste tipo de lances de bola parada, do que o Fernando nos anos todos em que esteve no Porto)

No final da época, Casemiro já era visto como um dos jogadores fundamentais no onze portista e, não por acaso, está entre os 23 eleitos de Dunga para a Copa América (onde também há um jogador do Manchester City, mas não é o Fernando, é o Fernandinho…).

Opção de compra exercida (O JOGO, 29-05-2015)

Esta época de empréstimo ao FC Porto foi, sob todos os aspectos, a melhor coisa que aconteceu ao Casemiro desde que saiu do Brasil para vir jogar na Europa. Falta saber se, para o ano, vai continuar no Porto. Eu espero bem que sim.

domingo, 3 de maio de 2015

Os mais utilizados

O JOGO, 02-05-2015
O jornal O JOGO publica, semanalmente, o top 5 dos jogadores mais utilizados ao longo da época e, também, o top 10 dos jogadores com mais golos marcados.

A análise destes dois rankings possibilita que se tirem algumas ilações, mas há diversos aspectos que não são considerados.

Por exemplo, em relação ao ranking dos jogadores mais utilizados, são contabilizados todos os jogos oficiais disputados pelo clube, mas ficam de fora os jogos que esses mesmos jogadores disputaram ao serviço das respectivas selecções.
Ora, há bastantes jogadores, cujo número de jogos e de minutos ao serviço das suas selecções não é desprezável, bem pelo contrário.

Um outro aspecto que não é considerado, é a diferença, em termos de jogos e minutos de utilização, relativamente à época anterior.

No caso do FC Porto, qualquer um destes dois aspectos tem um peso significativo e, não tenho dúvidas, ajudam a explicar a oscilação de rendimento que temos visto em alguns jogadores.

Veja-se o quadro seguinte, referente aos quatro médios do plantel portista que foram mais utilizados ao longo da época.


Na época passada, ao serviço do Real Madrid, Casemiro foi apenas titular em 4 ocasiões e jogou um total de 652 minutos. Esta época já ultrapassou os 3000 minutos (é praticamente cinco vezes mais!).

Na época passada, ao serviço do Atlético Madrid e do Villarreal, Óliver não chegou aos 1000 minutos de utilização. Esta época, ao serviço do FC Porto e apesar de dois períodos de paragem por lesão, já ultrapassou os 2500 minutos.

Somando os jogos e minutos ao serviço do FC Porto e das respectivas seleções, Herrera já vai em 49 jogos e 3604 minutos e Brahimi em 51 jogos e 3562 minutos!
E a maior parte destes minutos foram em jogos do Campeonato e da Liga dos Campeões (não foram na Taça da Liga...)

Conhecem algum jogador do SL Andor, que tenha um número de jogos e tempo de utilização comparável?

Os jogadores são homens, não são máquinas e, por isso, chegados a Maio, ao analisarmos o desempenho das equipas e dos jogadores individualmente, não podemos (não devemos) ignorar estes dados.

E, no caso do FC Porto, ainda faltam 4 jogos (360 minutos) até ao fecho desta época.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Suspensão FIFA, um novo jogo a que temos de estar atentos


Muitos não deram crédito quando saíram as primeiras noticias de que o Barcelona ia ser castigado com um ano e meio sem poder contratar jogadores por parte da FIFA. Era o Barça, afinal de tudo, essa equipa que, segundo Mourinho, tinha trato preferencial graças ás suas ligações com a Unicef e o Qatar nos corredores do poder. O todo poderoso Barcelona - que nesse Verão tinha contratado a vários futebolistas, incluindo o genial Luis Suarez, via-se agora vetado a ano e meio sem actividade no mercado por culpa da contratação ilegal de vários adolescentes dos quatro cantos do Mundo para a sua cantera. Ninguém podia acreditar, todos pensavam que era uma jogada mediática, dessas em que o clube é castigado e logo perdoado, mas ai temos os blaugrana vetados oficialmente até ao dia 1 de Janeiro de 2016. Parecia caso único mas não era.

A imprensa radiofónica espanhola começou ontem a notificar nos programas desportivos nocturnos que a mesma sanção iria ser aplicada tanto ao Real como ao Atlético de Madrid. Uma vez mais a forma como os clubes assinavam com menores, falseavam documentação, procuravam o acordo dos pais (a FIFA exige que a família viva com o jogador no seu novo local de treino, por exemplo) quando na realidade tudo não passava de uma ficção para "inglês ver" é o motivo oficial por detrás desta sanção. Os mais dados ás teorias da conspiração falam no interesse do Real Madrid em prejudicar o Barcelona e a pressão do Barcelona, à posteriori, para devolver a moeda. Há também quem diga que atrás desta medida estão os poderosos qataris, interessados em congelar o absorvente mercado espanhol, para evitar o fluxo de estrelas para "La Liga" e com isso manter campeonatos como o francês com algumas das estrelas. Tudo rumores, tudo suspeitas, tudo teorias. É certo que a FIFA e a UEFA vivem uma guerra surda pelo poder, mas isso sempre passou. Ferir de morte a dois grandes clubes da UEFA é ferir Platini e o seu projecto ambicioso de derrocar Blatter mas, ironicamente, o mais prejudicado neste jogo é o melhor aliado de Blatter na UEFA, o espanhol Angel Maria Villar (que alguns vêm como seu sucessor putativo num eventual duelo com "Platoche". Guerras de tronos que em principio diriam pouco a um clube como o FC Porto mas que podem dizer muito.

Em primeiro lugar, se a suspensão for confirmada, é certo que Oliver Torres não vai voltar ao clube na próxima época. 
Sem poder assinar com novos jogadores o plantel do Atlético de Madrid vai necessitar forçosamente de ter todos os seus activos de valor consigo e Oliver é um deles. Sofreria, jogaria menos do que merecia mas nenhum gestor com cabeça o deixaria sair se não houvesse alternativa. O problema não estaria apenas em Oliver. Caso o FCP insistisse em continuar a procurar novos empréstimos no futebol espanhol, uma sanção deste estilo levaria o clube a encontrar-se com um problema de disponibilidade já que nem Barcelona nem Real Madrid - e muito menos o Atlético - teriam jogadores livres para dispensar. O Real já mostrou intenção de recuperar Casemiro e pensava seriamente na opção de emprestar ao FC Porto Lucas Silva ou Odegaard para o próximo ano para repetir a operação de rentabilização (nem Keylor Navas nem Illarramendi estão neste pack) mas com esta sanção é altamente improvável que o faça. O mesmo sucede com o Barcelona, clube a quem o FC Porto cobiça o empréstimo de dois futebolistas, Gerard Deulofeu e Sergi Robert, em moldes parecidos ao negócio Tello. São casos que estão oficialmente em standby até porque o Barcelona continua oficialmente a recorrer da sua sanção para desbloquear a situação.

Outro ponto importante é o caso Danilo.
Danilo está oficialmente vendido ao Real Madrid. Mas se a suspensão do Real Madrid se oficializar antes do dia 1 de Julho - como é provável - e não houver recurso que lhes valha, Danilo não pode ser inscrito. A suspensão não proíbe os clubes de contratar o deter passes de novos jogadores o que impede é a sua utilização através da inscrição na liga. Portanto o Real teria pago mais de 35 milhões de euros por um jogador que não poderia, a todos os efeitos, utilizar durante um ano completo. 
Esse cenário é complexo. 
Como não conhecemos os detalhes do negócio não sabemos se o Real guardou alguma clausula em que podia cancelar o negócio caso este cenário se desse. Afinal todos sabiam já desde 2014 que o Real estava no ponto de mira da FIFA por queixas formais do Barcelona e isso apressou também a contratação de Asensi, extremo do Mallorca muito prometedor, e de Odegaard, inscritos oficialmente em Dezembro e portanto já parte do clube tal como Lucas Silva que chegou á pressa e tem sido escassamente utilizado o que diz muito do interesse real do Ancelotti em tê-lo já ás suas ordens. Também Javier Hernandez foi emprestado e esse empréstimo pode ser prolongado um ano mais já que, ao estar inscrito, está ao abrigo da suspensão. Mas Danilo não.
Danilo foi contratado - paga a primeira tranche - mas oficialmente é ainda um jogador inscrito pelo FC Porto e se o Real não o conseguir inscrever, é um activo seu mas na prateleira. 
Uma vez mais reforçamos, não sabemos se há alguma clausula no negócio de Danilo que permita ao Real cancelar tudo ou se, pelo contrário, se abriu uma hipótese de Danilo ficar um ano emprestado, até caducar a suspensão, e depois ser oficialmente inscrito pelo Real Madrid. O curioso é que o próprio Danilo descartou o Barcelona - onde joga um dos seus melhores amigos, Neymar - porque não queria esperar até Janeiro de 2016 (e porque o Barcelona exigia ao FCP não inscrever o jogador na Champions League para poder utiliza-lo na segunda fase). Seria irónico que, depois disso, lhe passe o mesmo.  

No final tudo pode ficar em águas de bacalhau.


Dia 29 de Maio há uma eleição para a presidência da FIFA. Sepp Blatter vai ganhar, todos o dão já por assumido por muito que Luís Figo sonhe com um cargo numa candidatura suportada pelos Fundos de Investimento e os poderes mediáticos atrás da máquina Mendes que querem um futebol com menos regulação e mais dinheiro para todos. Uma vitória de Blatter é, habitualmente, seguida de uma amnistia geral e esse perdão pode desbloquear a situação. De certo modo é um teste á fidelidade de Villar e dos grandes clubes europeus, uma prova da FIFA de que são eles quem manda de verdade e não a UEFA e que quando seja preciso apertar, eles não vão hesitar um só segundo. Pode ser. Ou pode também isto significar novas regras no jogo, um cuidado extremo numa realidade que nos afecta. Não só porque, cada vez mais, clubes como o FCP têm de procurar na sua formação (e na contratação de talentos para a formação) o seu sustento como a punição de clubes com grande poder de inversão pode bloquear o mercado e com esse movimento colocar em risco muitos orçamentos de contas para clubes que, como nós, vivem no limite. Até ao Verão ainda falta muito tempo para dar algo por garantido mas o FCP deve tomar nota de tudo o que se passe porque cada detalhe é fundamental para perceber para que mundo o futebol caminha. 

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Danilócio

O FC Porto e o Real Madrid confirmaram oficialmente que Danilo será jogador merengue nos próximos anos. O negócio é excelente a todos os niveis. São 31,5 milhões de euros (35 por objectivos), sem jogadores ao barulho e com o contrato do jogador a acabar. Um golpe de génio (o enésimo) de Pinto da Costa e da SAD nas mesas de negociação que superam bastante as expectativas daquele que foi um dos nossos maiores negocios de risco dos últimos tempos.

Danilo foi um negócio limite. Para não se repetir nunca mais.
Muito menos na situação limite em que se encontra o clube, muito menos na situação de controlo de gastos em que se encontra o mercado. Temos os melhores negociadores do Mundo mas nem Pinto da Costa é eterno nem sempre teremos a sorte de haver um Real Madrid (ou um Monaco) capaz de colocar sobre a mesa valores tão altos.
O FC Porto esteve numa situação de risco. Podia ter corrido mal, muito mal.
O jogador terminava contrato em Junho do próximo ano com uma cláusula de 50 milhões que era irreal. Não quería renovar. O clube insistiu. Uma, duas e três vezes .Uma boa oferta com o objectivo de garantir a melhor venda possível sempre deixando claro ao jogador que não lhe iam “cortar as pernas”. O que se conseguiu com Fernando não se conseguiu com Danilo. O jogador recusou sempre. Sabia do interesse do Real Madrid, do Barcelona e do Manchester United. O clube inglês foi rápidamente descartado. Danilo tem uma boa amizade com Anderson que não lhe falou especialmente bem do clube. Já o Barça era diferente. Aí estava um dos seus melhores amigos, excolega do Santos, Neymar, que intercedeu por ele. Mas a proibição de contratar até Janeiro de 2016 era um entrave. O Barcelona fez uma boa proposta ao FC Porto que rondava os 25 milhoes de euros mais um desconto no preço final por Tello mas que incluia uma cláusula que impedia o clube de usar o lateral na primeira fase da Champions para que em Janeiro – quando se desse a transferência – o pudessem inscrever para a segunda fase. O clube não quis entrar nesse jogo, o jogador também não parecía muito interesado. Apareceu então o Real Madrid e tudo mudou.
Os merengues abordaram o jogador antes, pressionaram-no a não renovar com o FC Porto em troca de um contrato substancialmente melhor do que oferecia o Barcelona. Com esse ás na manga apareceram para negociar. A principio queriam incluir jogadores no negócio, outros empréstimos como o de Casemiro (que nunca esteve na equação e regressa a Madrid este Verão). Mas aí apareceu o melhor lado de Pinto da Costa. Manteve-se firme na sua posição e saiu a ganhar. Concretamente a ganhar 31,5 milhões de euros que podem chegar aos 35 milhões dependendo dos objectivos. O lateral direito mais rentável da história do clube, por cima de Paulo Ferreira. Entrou directamente para o nosso top 5 de vendas atrás de Hulk, James, Falcão e Mangala e empatado com Anderson. Absolutamente tremendo.



Vender Danilo era uma inevitabilidade. A SAD não podía ter feito melhor.
O grande erro foi no preço que se pagou pela sua contratação (aplicável a Alex Sandro que está na mesma situação, contrato a terminar, recusa em renovar, com o Atlético de Madrid atrás a soprar-lhe ao ouvido os mesmos cantos de sereia) e que reduziu muito a margen de lucro, que é daquilo que vive a SAD. Entre os 18 milhões que custou naquele negócio “By BMG” (foram 13 milhões pelo passe e 5 por encargos a outros), os salarios pagos, Danilo foi um jogador demasiado caro para a nossa realidade. Desportivamente só rendeu verdadeiramente a um grande nivel nesta temporada. No ano pasado sofreu (como todos) o desnorte colectivo mas parecía estar mais estagnado do que o seu colega do lado esquerdo (agora parece o oposto). A chegada á selecção brasileira ajudou-o a manter no escaparate mas o óptimo ano na Champions e as boas relações entre Lopetegui e o Real Madrid, com quem seguramente partilharam informações, ajudaram os merengues a pagar esta exorbitancia para um jogador que vai competir com Dani Carvajal pela titularidade.
Neste cenário Pinto da Costa e a sua equipa fizeram o que tinham de fazer. Tentaram renovar com o jogador e depois deste recusar souberam manejar bem os tempos e expectativas para conseguir um negócio que é imelhorável. Ninguém a não ser PdC e a SAD sacariam tanto por um jogador que daqui a nove meses podía negociar sair a zero. Absolutamente ninguém.
Além do mais este negócio implica dinheiro. Não jogadores.
Face ás deficientes condições das contas azuis-e-brancas era precisamente isso que se exigia. Casemiro não vai ficar (o Real está determinado em que ocupe o lugar de Khedira) e não fazia sentido nenhum incluir outro jogador directamente no negócio. Mas isso não implica que estas negociações não tenham tratado também desse assunto. O Real Madrid gostou do que viu de Lopetegui e do trabalho com Casemiro e tem bastante interesse em repetir a fórmula. Tem jogadores para “rodar” e o Porto parece um destino apetecivel. Há varios nomes na mesa. O médio Lucas Silva (recém-chegado do Brasil), o norueguês Odegaard, ainda um adolescente para a primeira equipa que será seguramente emprestado caso o Castilla não suba de divisão (tal como está agora) ou o vasco Illarramendi são os melhores exemplos. E há ainda Keylor Navas. Investimento caro, impacto desportivo nulo, o clube prepara-se para livrar-se dele. O jogador que ser titular, o Real não está pelos ajustes e já arranjou, também por empréstimo, um segundo guarda-redes para o próximo ano, o argentino Batalla. Todos esses nomes estiveram asociados ao negócio Danilo. Os três primeiros com o mesmo modelo de Casemiro, Navas como venda directa para abater o preço. Pinto da Costa, como só ele sabe, não caiu no truque. Mas isso não fechas todas as portas. Voltaremos a este assunto.



Danilo foi um jogador difícil de digerir ao principio pelo que custou e pelo pouco que rendeu no seu primeiro ano e meio. A sua evolução com Lopetegui foi excelente e vai ser difícil substitui-lo. Será, seguramente, um dos melhores laterais da sua geração. No entanto era um negócio inevitável por varios motivos, sobretudo pelo fim de contrato que se aproximava e pela nossa perene necessidade de cash flow. Com a prometida saida de Jackson, o dinheiro encaixado pela performance na Champions e esta venda, o clube cobre praticamente tudo aquilo que esperava receber este ano, o que é bom sinal. Não significa que não saia mais ninguém, não significa que parte do dinheiro de Danilo vá directamente para comprar o passe de Tello, por exemplo. Mas ajuda a respirar melhor. Para o seu lugar o plantel não tem um sucesor directo. Ricardo é o herdeiro potencial mas precisa de mais minutos para confirmar sensações de que poderá fazer-se dono do lugar. Victor Garcia deberá rodar para o ano noutro clube. A não ser que o clube aposte numa dupla Ricardo-Opare (que os turcos do Bessiktas já querem comprar), tudo indica que há que ir ao mercado. Haverá varios nomes sobre a mesa já a serem discutidos. Falaremos disso mais tarde.  Neste momento o importante é o match point conquistado numa batata quente. Uma forma de fazer negocios á Porto onde somos os melhores do Mundo. Como com o vinho, as francesinhas e basicamente tudo o resto. Foi um Danilócio!

segunda-feira, 23 de março de 2015

Uma 2ª Parte para recordar

Texto de Miguel Lourenço Pereira


Ainda faltam algumas jornadas para o término do campeonato, mas parece claro que o último fim-de-semana irá ter contornos decisivos, que nos acompanharão até ao fim do curso.

Era muito difícil que o Benfica – e a sua legião de admiradores de negro – conseguissem perder pontos antes do Clássico da Luz. E, ainda assim, em Vila do Conde, uma inesperada derrota dos encarnados, permitiria ao FC Porto – que entrava minutos depois na Choupana – reduzir a um misero ponto uma diferença pontual que, há umas semanas atrás, parecia irrecuperável.

Alguém se lembrou, seguramente, de 2012/13. Eu, pelo menos. O que se seguiu foi uma vergonhosa exibição na Madeira, sobretudo para uma equipa que sabia que tinha em mãos a melhor oportunidade da temporada para vencer um campeonato que, a todos, estava entregue à partida.

Esta época, o FC Porto perdeu 5 pontos na Madeira e esses podem ter sido precisamente os pontos que nos separam to titulo.

O que também se viveu na ilha, foi uma nova demonstração de erros de gestão de plantel e de cálculo de Julen Lopetegui em momentos de aperto. Sobretudo no segundo tempo.

O Porto chegou ao intervalo a ganhar. Não o merecia, propriamente. Tivera mais a bola, mas causara pouco perigo. O golo brilhante de Tello tapava muitas deficiências do jogo coletivo. Mas era um golo de 3 pontos, como se costuma dizer.

Para os segundos quarenta e cinco minutos era, simplesmente, necessário fazer o mais fácil, deixar o relógio correr, controlar o jogo e procurar ampliar a vantagem em lances pontuais. Sucedeu o oposto.

Tudo começou com a saída de Casemiro, ao minuto 52.

Não sei porque Lopetegui decidiu tirar o brasileiro. Tinha amarelo, sim, mas até então o jogo não tinha sido duro, não tinha exigido a Casemiro uma acumulação de faltas que o levasse a uma eventual expulsão. Quase todos os médios jogam largos minutos com amarelo e não saem por isso.

Há a possibilidade de que Casemiro – como quase todos em campo – tivesse problemas físicos já ao intervalo. Tentou aguentar, não conseguiu e pediu para sair. É um cenário possível que levanta outra questão, a do péssimo planeamento do plantel para uma posição chave, esse imenso flop que foi Campaña e a ausência de um médio defensivo de raiz no plantel, porque Lopetegui queria apenas um perfil muito concreto de jogador e que era demasiado caro para a SAD (Darder, Clasie, Camacho...).

Tendo em conta o estádio onde se jogava, a importância do jogo e a natureza do rival, a saída de Casemiro exigia um perfil próprio para a posição. Basicamente, qualquer jogador, menos Rúben Neves.

Evandro e um "carro de combate" do Nacional (fonte: Maisfutebol / REUTERS)

Gosto muito, muito do Rúben, mas nem ele é um seis de raiz, nem tem capacidade física para aguentar um meio-campo sozinho num jogo de máxima tensão longe de casa. Rúben está em processo de crescimento, é um interior reconvertido e tem tido um excelente primeiro ano. Mas na Madeira foi “queimado” por Lopetegui.

Que podia ter feito o espanhol?

Subir Marcano ou Maicon para a posição de pivot e colocar Indi, por exemplo. Era importante segurar a vitória, mais do que procurar a nota artística. Não era noite para floreados. Mas Lopetegui é teimoso, acredita que o seu estilo prevalece sobre as circunstancias – viu-se no Estoril, contra o Boavista (em casa), contra o Marítimo – e a partir daí o meio-campo perdeu-se.

Herrera estava só, porque Evandro fisicamente não podia (a gestão do plantel, outra vez em questão, face ao claro mau estado físico de muitos jogadores).

Herrera cercado por jogadores do Nacional (fonte: Maisfutebol / REUTERS)

Nesse cenário o Nacional cresceu. Procurou transições laterais rápidas, porque os alas estavam expostos. Não havia ajudas dos interiores nem dos extremos. João Aurélio parecia a reencarnação de Cafu e, ainda para mais, Alex Sandro estava em modo de não meter o pé e não correr mais do que o básico.

O perigo multiplicou-se e o Nacional deu sucessivos avisos. Lopetegui, impávido, voltou a errar. Ciente de que o meio-campo se perdia, lançou Quintero e Quaresma para os lugares de Evandro e Brahimi. Manteve o 4-3-3, mas deixou em campo um leque de jogadores macios, sem capacidade pressing, proclives a perder a bola e não recuperar. Abdicou de tudo aquilo que funcionou contra o Basileia. O descalabro foi inevitável. Rúben, Quintero e Herrera no meio e Quaresma, Tello e Aboubakar no ataque foram trucidados por um Nacional que pressionava, recuperava e lançava rápidos contra-ataques sem encontrar resistência. Marcaram um, podiam ter sido dois ou três. O título – perdido na Madeira, se é que está perdido – foi-se por má gestão táctica do colectivo.

O que podia e devia ter feito Lopetegui?

Dando por descontado que não queria quebrar a dupla de centrais (inconsequente num jogo assim a meu ver) e que Rúben entraria por Casemiro, o espanhol devia ter mudado o esquema de jogo de um frágil 4-3-3 para um mais compacto 4-4-2, quando o meio-campo deu os primeiros sinais de fraqueza.

Defender o resultado segurando o meio-campo. Procurando ter a bola e que ela circulasse, explorando dois avançados moveis nos espaços. Podia tê-lo feito de distintas maneiras.

Colocando Oliver no lugar de Brahimi, deixando Tello e Aboubakar nas alas, garantia mais posse, mais clarividência no jogo e as alas fechadas às incursões do Nacional. Deixava Tello em liberdade para explorar diagonais e Aboubakar a prender os centrais.

Outro cenário seria o de retirar Aboubakar e Brahimi e apostar em Quaresma e Oliver, com duas setas no ataque e um meio-campo de quatro.

Havia ainda uma terceira opção, a de colocar a equipa num claro 4-5-1 com Brahimi e Oliver acompanhados de Rúben, Herrera e Evandro no meio e Aboubakar ou Tello só no ataque. Os 3 pontos valiam o sacrifício e isso teria reduzido ao mínimo qualquer opção do Nacional.

Evandro a lutar contra o meio-campo do Nacional (fonte: Maisfutebol / REUTERS)

Qualquer um destes três cenários alternativos teria garantido tudo aquilo que as opções de Lopetegui não deram: controlo da bola e do espaço. Um ritmo de jogo imposto pelo nosso meio-campo, a exploração das diagonais entre o meio-campo e a defesa do Nacional e o impedimento de que os laterais pudessem subir em demasia para criar perigo. Lopetegui foi teimoso, mantendo o 4-3-3 com os jogadores mais macios que tinha e com isso provocou um naufrágio colectivo.

Um treinador está para treinar durante a semana – e aí o trabalho de Lopetegui tem sido positivo – mas também está para adaptar-se aos acontecimentos durante o jogo. Nesse cenário o espanhol ainda tem muito que aprender. O Porto raramente produz reviravoltas, a equipa raramente altera o esquema táctico e, num jogo de capital importância, exige-se mais ao líder do colectivo.

Duas viagens à Madeira complicadas, cinco pontos perdidos e a dupla sensação de um plantel mal definido com o seu consequente desgaste e, sobretudo, de um treinador que toma decisões erradas em momentos críticos.

Duas áreas a melhorar – e muito – para o próximo ano. Será difícil que o Benfica volte a perder pontos e será difícil ganhar por 0-2 na Luz (e ter um melhor goal-average). Mas talvez o mais difícil será não repetir erros cíclicos como tem sucedido esta temporada.

terça-feira, 10 de março de 2015

Isto é um espectáculo!


Absolutamente espectacular.
Uma exibição de gala em todos os sentidos selou de forma histórica o apuramento para os Quartos de Final da Champions League. Toda a superioridade que se viu em Basileia traduziu-se em golos. Foram quatro. Podiam ter sido mais. Mereciam ter sido mais. Numa competição séria onde os jogadores recebem cartões quando devem ver e os penalties são marcados quando deve ser, esta podía ter sido uma noite europeia histórica. Ficaram dois penalties por marcar, ficaram duas expulsões por assinalar na equipa suíça mas nem isso impediu o Porto de dar um show de bola em toda a regra. São 20 golos já apontados, um recorde que iguala os números de 2003/04. A diferença? Cinco jogos menos.


Foram quatro bombas, quatro disparos sem piedade, ao estilo do melhor pistoleiro do farwest. Quatro golos que podiam perfeitamente ganhar o prémio de golo da ronda. Cada qual o melhor. Dois livres perfeitos e diferentes - um disparo tenso ao ângulo e uma bomba tomahawk à distância - um remate colocado de Herrera depois de uma jogada de Brahimi - MVP absoluto da festa azul e branca - e um sprint com slalom à mistura de Aboubakar com direito a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Inverno foi o bónus que os adeptos que estiveram no Dragão receberam.
Os golos foram a expressão da superioridade. Se as bolas pareciam não entrar no St. Jakobs debaixo do céu da Invicta não se fizeram de rogar. Foi cedo evidente que a eliminatória estava emocionalmente resolvida. O Porto entrou como era necessário, com autoridade mas com a calma de quem se sabe superior e está preparado para manejar os tempos de jogo. O Basel veio defender e procurar nas bolas paradas e nos contra-ataques o seu milagre. Nada de novo. Desta vez tiveram ainda menos oportunidades e quando apareceram cruzaram-se com um Fabiano a grande nível. Não falhou e apenas ficou ligado ao jogo pelo momento de infortúnio absoluto. O golpe do guarda-redes com Danilo deixou-nos a todo com o coração nas mãos. Temeu-se o pior e o brasileiro só recuperou a consciência na ambulância. Não se sabe ainda o que vai passar com o lateral mas tal como a ausência de Jackson Martínez e Oliver Torres - os três pivots, com Brahimi - da temporada, o jogo do colectivo foi tal que passou ao lado a sua baixa. Mérito de Lopetegui que conseguiu montar um conjunto equilibrado que potencia as individualidades mas que rema na mesma direcção e que por isso sobrevive a baixas individuais de grandíssimo calibre. Não é nada fácil.


O Porto foi melhor em todas as vertentes do jogo.
Teve mais vezes a bola, um acerto de passes na casa dos 80%, uma recuperação à perda imaculada e um acerto pouco habitual para este nível da competição frente à baliza. Um jogo de sonho.
Não há muito a dizer de negativo. O amarelo a Marcano - que está imenso no seu trabalho como coordenador da linha defensiva - vai impedi-lo de jogar a primeira mão dos Quartos de Final. Uma baixa de peso. Foi o único cartão para os Dragões enquanto que os suíços podem agradecer a poupança de um árbitro nefasto que engoliu duas grandes penalidades e duas expulsões bem como vários amarelos. O primeiro que ficou por marcar podia perfeitamente o de Samuel que provocou a falta sobre Tello no lance que permitiu a Brahimi abrir a contagem. Foi um lance exemplar. Um ataque com perda de bola recuperada imediatamente por Casemiro - hoje um grande jogo do brasileiro - que lançou o ataque onde Tello encontrou espaço para isolar-se frente á baliza. Sofreu falta e daí Brahimi - a la Deco - abriu o livro. Ia ser, de novo, a sua noite no que foi talvez o seu melhor jogo desde que foi para a CAN. O segundo tento também é todo seu, um baile demoníaco pela direita quando já Indi jogava como lateral e Alex Sandro ocupava o posto de Danilo. A bola chegou a Herrera que disparou colocado, ao ângulo. Levantou o estádio. O mal-amado mexicano esteve, como todos, a um nivel muito bom. O golo foi merecido. Como o de Casemiro. Fisicamente imponente, hoje controlou bem o meio-campo tanto recuperando como organizando, conectando bem com Evandro, que tem feito esquecer agradavelmente a importante baixa de Oliver. Entre os dois engoliram os suíços, fossem eles queijo ou chocolate. Cada um que escolha. O seu livre - daqueles que Cristiano Ronaldo não marca há largos meses mas de que reclama patente - vai correr mundo e alguém em Madrid já se queixa do erro de casting que foi tê-lo emprestado. Foi o 3-0, um resultado justo e contundente mas faltava algo especial. Durante todo o jogo o trabalho físico e táctico de Aboubakar foi tremendo. Não é fácil ocupar um lugar que está perfeitamente desenhado para Jackson Martínez. Mas o camaronês conseguiu-o e quando encontrou a bola, em velocidade, foi dançando sobre os defesas contrários até encher o pé e reventar as redes. Um grande, grande golo que dá confiança á equipa. Não está o "Cha Cha Cha" mas Vincent parece determinado em ganhar o seu lugar para a próxima época.


Numa noite europeia única - nunca o FC Porto tinha marcado 4 golos numa ronda a eliminar da Champions League - o apuramento para os quartos foi carimbado com um golpe de autoridade que vai pôr a Europa em sentido. Meia imprensa já nos trata como o novo Dortmund ou Atlético mas sabemos que é preciso ir com calma e que o objectivo está cumprido. Tudo o que vier agora é para desfrutar e agradecer. Num ano em que o campeonato nacional está mais viciado do que nunca esteve nas últimas décadas e que mesmo ganhando na Luz já se sabe que alguém será expulso no jogo a seguir para garantir que tudo está bem, esta é a vara de medir única que tem a equipa. E não há que enganar. A equipa está num estado de forma física tremenda, os conceitos tácticos implementados por Lopetegui estão a dar os seus frutos e a continuidade é o primeiro passo para o êxito. Faltam muitos detalhes por trabalhar e todos sabemos que uma noite tão eficaz assim é difícil de se repetir mas que tenha existido já prova do que somos capazes quando estamos ao nosso melhor. O Dragão hoje pode dormir tranquilo. A chama está bem viva!

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Sete longos meses sem fins-de-semana



Agora que, salvo algo de monstruoso que ninguém acredita que possa suceder, tudo ficou resolvido, vão ser sete longos meses (até ao início da próxima época) em que, jogos mesmo a sério, só iremos ter dois (ok, quatro se eliminarmos o Basileia e partindo do princípio que temos realmente equipa para discutir uns quartos-de-final de Liga dos Campeões).
Se quisermos ser bondosos, poderemos acrescentar uma eventual final da taça da Liga (a tal que ninguém gostava) a esta pequena lista de jogos minimamente interessantes até ao final de Agosto.
Muito argumentarão que, dada a nossa inacreditável vantagem de apenas um ponto em relação ao scp, os jogos continuarão todos a ser a sério até final. Bem, falar em lutas pelo segundo-lugar soa até ofensivo para um clube com o nosso palmarés nos últimos 30 anos. Por muito aborrecido que seja ter que jogar uma pré-eliminatória para aceder à "Champions", a grande verdade é que ficar em segundo ou terceiro não aquece nem arrefece ninguém.
Na verdade, podemos até evitar falar em "travessias do deserto" mas de uma seca monumental já ninguém nos livra. De repente, nos próximos fins-de-semana, as ligas estrangeiras tornar-se-ão ainda mais cativantes e até as outras modalidades terão um renovado interesse aos nossos olhos.
O mais penoso nisto tudo é que diferença futebolística está longe de estar reflectida nestes largos pontos que nos separam do nosso rival. Habitualmente, tamanho "buraco" traduz uma série de insuficiências de um dos lados, algo que está longe de ser verdade na presente época. Tirando os fanatismos habituais, este slb parece inferior às recentes versões passadas.
Por isso mesmo, não é tarefa fácil explicar estes últimos acontecimentos. Tendo a presente temporada como ponto inicial de análise, existirão obviamente vários erros próprios mas nenhum com tamanho suficiente para que alguém possa acreditar, com toda a convicção, que tudo poderia ter sido diferente.
Mas vamos lá a esses "pormenores" que, não tendo sido decisivos, foram erros que nos deverão servir de lição:
Ghilas é melhor que Adrián, ponto. O primeiro deveria ter ficado e o segundo não deveria ter sido adquirido em mais uma das nossas "confusas" contas com o Atlético Madrid.
Tozé, se é que a equipa B realmente serve para algo, teria também lugar neste plantel. Não existe esse abismo, como muitos acreditam, em relação a Óliver. No fundo, é tudo uma questão de apostas. O espanhol, mesmo vindo emprestado, é aposta assumida desde a primeira hora, já o português foi sempre olhado de lado. E é nesta falta de confiança que muitos se perdem.
Já a saída de Josué, embora num patamar mais debatível, deixou também dúvidas. E deixemos, por agora, a eterna questão-Kelvin para outras núpcias.
Mas, tendo assim o plantel sido escolhido, haveria melhor "11" que aquele habitualmente colocado em campo, excessivas rotações à parte?
Bem, se olharmos com cuidado para os quase 11 meses de titularidade de Fabiano, quantos pontos ou vitórias lhe devemos? Certo que, não havendo Hélton por largos meses, as alternativas eram praticamente nulas. Mas, e agora com o capitão de regresso e em grande forma? Que desculpa pode haver? Que motivação terá, daqui em diante, um jogador a quem for dada uma "oportunidade" na taça da Liga, sabendo ele que nem uma exibição de qualidade máxima lhe abrirá as portas da equipa principal?
Já quanto a Alex Sandro, há mais de ano e meio que joga metade daquilo que rendia quando alcançou a titularidade. Danilo, que até começou bem, parece de regresso ao seu habitual modo de "não te rales muito", que ele sempre acciona quando os resultados deixam de aparecer. 
Mas, lá está, com Ricardo e José Ángel teríamos agora mais pontos? Nenhumas garantias de tal, se quisermos ser absolutamente honestos. 
E quanto ao resto? Bem, Maicon continua a ser Maicon, como aquela oportunidade desperdiçada logo nos minutos iniciais no Funchal nos relembrou. O nosso adversário directo não falharia aquela oportunidade madrugadora para ficar logo em (decisiva) vantagem.
De resto, confirma-se que Casemiro e Tello são úteis mas nada do outro mundo, como a qualidade dos seus clubes de origem poderia fazer crer. Pelo menos, ainda estão num patamar inferior àquele onde se situam Jackson, Brahimi e até mesmo Quaresma. E é este patamar que se exige a quem quer ser titular de longa duração num clube como o nosso.
Por fim, e basta olhar para o seu rosto, Quintero passou de jovem alegre e cheio de potencial para alguém a quem as mordaças tácticas transformaram num jogador apavorado pelo receio de falhar. Bem escondido continua ele pelas extremidades do campo, e isto quando joga. Quem ficou a ganhar com esta sua "domesticação"? Pois, ninguém ao certo saberá responder.
Mas estaria o FCP a discutir, ombro-a-ombro, o primeiro lugar se o atrás descrito tivesse acontecido de outra forma? Provavelmente não, e é isto que mais assusta: do ponto em que se iniciou a presente temporada, não se vislumbra grandes alternativas para um futuro diferente. Isto porque, sem "fundos", os empréstimos vindos dos "grandes" europeus tenderão a aumentar ainda mais e, em termos de liderança, como se tem visto, é cada vez mais difícil arranjar melhor.
Poderemos, então, melhorar em quê, durante estes penosos meses que se avizinham? A nossa obsessão pela posse de bola, ao contrário do que se apregoa, soa a excessiva. Reparemos que o nosso rival abriu o marcador em dois lances de futebol directo nas suas duas últimas saídas (Penafiel e Marítimo). Já nós, nem no último segundo contra um Marítimo, com tudo praticamente perdido, o nosso guarda-redes foi autorizado a avançar para a área contrária, num lance de bola parada.
Na liga portuguesa, exagerar na posse e num futebol "rendilhado", especialmente fora de portas, pode ser contra-produtivo. É uma lição que levamos desta temporada. As nossas habituais e tão elogiadas estatísticas, ao invés de serem motivo para orgulho, podem muito bem ser a mais clara expressão do nosso falhanço. Isto porque as nossas oportunidades reais de golo são em número vergonhoso para tamanho "controlo" das partidas. E o inverso sucede com praticamente todos os adversários que encontramos pela frente: por menos oportunidades que tenham, conseguem sempre criar perigo.
Por último, o factor-sorte. Todos sabemos que esta se conquista e dará mesmo muito trabalho alcançá-la, mas temos que honestamente reconhecer que a sorte, em 2014/15, nada quer connosco. Não que, alguma vez, se a deva usar como principal desculpa.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Remates por jogo

O jornal O JOGO fez um levantamento dos remates efetuados pela equipa do FC Porto e, dessa análise, constata-se que há uma tendência de aumento do número de remates por jogo.

O JOGO, 05-01-2015

Evidentemente, o jogo contra o Gil Vicente é um caso especial (conforme o SLB demonstrou inúmeras vezes nos últimos anos, jogar largos minutos em superioridade numérica facilita as coisas…), mas nos dois jogos anteriores (Rio Ave e Vitória Setúbal) o FC Porto já tinha superado a “barreira” dos 15 remates por jogo.

O JOGO
No jogo de Barcelos, um dos aspectos que merece particular atenção é o número de remates feitos de fora da área (12 em 29). Aliás, foi de um portentoso remate de Casemiro, a uns 25 metros da baliza, que o FC Porto inaugurou o marcador.

Há indicadores de que este aspecto – remates de fora da área – tem vindo a ser trabalhado e, por exemplo, já tinha sido assim que Herrera desbloqueou o jogo de Borisov.

Voltando a Casemiro, é um facto que o seu processo de adaptação à posição 6 tem tido altos e baixos, mas parece que Lopetegui quer tirar partido da sua potência de remate. Recordo um livre direto no jogo anterior, em Vila do Conde, que o guarda-redes do Rio Ave foi incapaz de segurar e que potenciou uma recarga de Aboubakar que quase dava golo.

Em resumo, tal como Vítor Pereira já tinha demonstrado, um modelo de jogo baseado na posse de bola, não é incompatível com um futebol acutilante, que proporcione muitas situações de remate.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

É complicado...



Este tipo de derrotas são as mais difíceis de digerir e não apenas por ter acontecido contra o nosso principal rival.
Desta vez, contra o que frequentemente acontece, esta não teve causas óbvias e, por isso mesmo, as obrigatórias correcções poderão levar mais tempo.

Sim, é certo que, hoje por hoje, um Quaresma tem ainda mais futebol e experiência do que um verde Tello e que, por isso mesmo, deveria ter mais "tempo de antena" em campo. É também verdade que Óliver promete sempre muito mais do que aquilo que na realidade produz. E, se formos bem a ver, temos também um razoável número de titulares que dificilmente poderão ser considerados mais de que apenas "regulares" em termos de qualidade e classe (Fabiano, Marcano, Herrera e até, muito provavelmente, Casemiro).
Sendo tudo isto certo, o facto é que ainda soa a pouco para explicar estes 0-2.

O resultado é um misto de azar e de erros individuais (Danilo, Fabiano, Herrera e, em menor escala, Jackson).
O FCP fez muita coisa bem até sofrer o primeiro golo. Só depois, sim, é que deixou de ter a cabeça no sítio certo. O próprio slb terá perdido muitos jogos no Dragão em que terá feito bem mais do que neste Domingo. A questão é que, nas mais recentes épocas, o slb precisa de metade das nossas oportunidades para marcar o dobro dos golos. Para além disso, o árbitro auxiliar do slb-Rio Ave, explicou-nos, na perfeição, o resto que falta aqui dizer.
E, assim sendo, 6 pontos ressoa mesmo a sentença de morte. Eles que perderam apenas 5, até ao momento...

E isto nem começou aqui.

Colocando de parte os "compreensíveis" empates em Guimarães (sim, este com "mãozinha") e em Alvalade, a nossa primeira "morte" aconteceu mesmo naquela chuvosa noite contra o Boavista no Dragão (ainda hoje estamos para perceber a razão de Jackson ter escolhido jogar, na primeira parte, para a baliza onde o relvado pior se encontrava...).
Depois, o 2-2 no Estoril fez o resto, A partir desse empate estávamos mesmo obrigados a bater o slb em casa. Coisa, já se sabe, nunca garantida.

Demasiada pressão para ainda antes do Natal.

Que, ao menos desta vez, na Champions façamos a nossa obrigação de passar aos "quartos" dada a nossa clara superioridade em relação ao adversário. Que as derrotas passadas com Schalke e Málaga nos tenham servido de lição definitiva.

Quanto à liga, pouco mais nos resta que continuar a fazer a nossa obrigação e sofrer.
O que é uma pena pois, inversamente ao nosso rival, já vencemos outros campeonatos em que a nossa matéria-prima não era tão interessante como esta actual.

P.S.: A factura de não termos comprado o Lima continua por saldar...

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Missão cumprida com distinção

Brahimi, um "ilusionista" no batatal de San Mamés

Vi, hoje, muita coisa boa na exibição do FC Porto, mas há dois aspectos que me impressionaram:

i) A personalidade revelada por uma equipa ainda em formação, a qual, apesar de ter alinhado com vários jovens, não se deixou intimidar pelo ambiente e, em pleno inferno de San Mamés, impôs o seu jogo e a categoria extra de alguns dos seus jogadores;

ii) A atitude de um conjunto de jogadores que, mesmo num relvado em péssimo estado (em algumas zonas mais parecia um batatal), foram solidários, nunca viraram a cara à luta e evidenciaram um espírito à dragão!

De resto, se fosse atribuir notas, todos os jogadores do FC Porto tinham uma avaliação positiva (com a excepção de Tello), mas os meus destaques seriam:

Danilo - Está numa forma extraordinária e, claramente, a fazer a sua melhor época desde que chegou ao FC Porto (é bem provável que a FC Porto SAD recupere os 18 milhões de euros que gastou na sua contratação). Imagino o que seria o lado direito do FC Porto, se Danilo tivesse à sua frente um ala/extremo completamente integrado nas dinâmicas da equipa, que jogasse menos para si e mais para o coletivo e com quem o atual lateral-direito da canarinha estivesse perfeitamente rotinado.

Casemiro - Intenso, duro (mas menos faltoso que o habitual), nota-se que começa a adquirir princípios de jogo importantes para a posição 6. Fez, em Bilbao, o seu melhor jogo com a camisola do FC Porto.

Óliver - Pressiona, corta linhas de passe aos adversários, passa quase sempre com critério, movimenta-se por todo o lado, é uma linha de passe permanente para os seus companheiros de equipa, enfim, como diz um amigo portista, faz lembrar o Frasco (o que, para mim, é um grande elogio). Em cerca de 80 minutos, correu mais de 11 Km.

E Brahimi, não merece um destaque?
Não. Estes destaques foram para jogadores de futebol e o Brahimi é um extraterrestre...


P.S. Julen Lopetegui, além de estar a construir uma equipa, já alcançou dois objectivos importantíssimos para esta época: 1) em finais de Agosto, o FC Porto superou o Play-Off de acesso à Fase de Grupos da Champions; 2) no início de Novembro, o FC Porto já está apurado para os Oitavos-de-final da principal competição de clubes a nível mundial.
Merece PARABÉNS!

P.S.2 Ainda bem que Jackson falhou este penalty. Por um lado, porque a falta sobre Danilo foi mal assinalada (viu-se na 3ª repetição), mas também para que Lopetegui reflicta e pondere outra(s) alternativa(s) para a marcação de penalties (Brahimi? Quintero? Casemiro?).

P.S.3 Não sei quantos adeptos portistas estiveram em San Mamés (li que seriam cerca de 1500) mas, durante a transmissão televisiva, particularmente na 2ª parte, fizeram-se ouvir e de que maneira!

sábado, 25 de outubro de 2014

Qualidade + Estabilidade = Goleada

Apenas uma mudança em relação ao FC Porto x Athletic Bilbao: Iván Marcano no lugar de Maicon.

Iván Marcano, que foi o menos bom jogador do FC Porto neste jogo e que, nos primeiros 20 minutos, teve duas falhas defensivas (numa delas o Arouca ia marcando, não fosse a boa estirada de Fabiano).

De resto, viram-se mais e melhores jogadas de entendimento envolvendo o "maestro" Quintero (a jogar no meio, nas costas do ponta-de-lança) e o trio de ataque - Brahimi, Tello e Jackson.

Quintero abriu o marcador ao minuto 24 e desbloqueou o jogo.
Brahimi, após uma grande jogada individual, fez a assistência para o 2º golo.
Tello marcou o canto para Casemiro fazer o 3º golo (de cabeça) e, após ligar o turbo, fez a assistência para o 4º golo.
E Jackson fez aquilo que sabe fazer melhor: marcou dois golos.

Jackson e mais dois golos em Arouca

Mas, para além dos "três mosqueteiros" (que, tal como no romance de Alexandre Dumas, são quatro…), em Arouca viu-se também um melhor entendimento entre os laterais - Danilo e Alex Sandro - e os alas - Brahimi e Tello.

De resto, Quaresma deu seguimento ao seu bom momento, saltou do banco e fez duas "assistências". Na primeira, Quintero pôs a trave da baliza de Goicoechea a abanar (seria um golo de bandeira!) e na segunda Aboubakar fez a bola passar pelo meio das pernas de Goicoechea e "beijar" as redes da baliza do Arouca.

Num jogo em que os holofotes estão virados para jogadores de características ofensivas, é justo também destacar Casemiro (após os assobios que ouviu nos últimos jogos, foi muito bom ter marcado hoje) e Fabiano (debaixo dos postes é um guarda-redes de top).

Aliás, sem a capacidade de luta de Casemiro e alta rotação de Herrera, dificilmente se poderia ter um jogador como Quintero (que não defende) a titular no meio campo portista.

Casemiro a saltar mais alto no Arouca x FC Porto

Casemiro (mesmo carregado pelas costas) a cabecear para o 3º golo do FC Porto

Finalmente, queria agradecer ao senhor Carlos Xistra o facto de não ter assinalado qualquer penalty a favor do FC Porto, porque isso podia perturbar a equipa… Além disso, o FC Porto está bem encaminhado para bater o recorde de grandes penalidades por assinalar nos jogos fora (duas em Guimarães, duas em Alvalade, duas em Arouca…)

Penalty (não assinalado) por falta de Nuno Coelho sobre Jackson

As imagens são evidentes. É óbvio que houve duas situações, na área do Arouca, em que, de acordo com as leis do jogo, deveriam ter sido assinaladas duas grandes penalidades (por faltas claríssimas sobre Jackson e Brahimi) mas, tal como os árbitros que foram enviados para Guimarães e para Alvalade, este também vinha bem instruído…

sábado, 16 de agosto de 2014

Rúben Neves, Casemiro e a posição 6

O JOGO, 16-08-2014
Não conheço um único portista que não goste de ver jogadores portugueses, provenientes da formação azul-e-branca, a jogar na equipa principal do FC Porto.
Assim sendo, a coragem do espanhol Lopetegui, em entregar a titularidade a um miúdo de 17 anos no primeiro jogo oficial da época 2014/2015, foi apreciada por mim e por todos os portistas que eu conheço.

Ao prazer de vermos Rúben Neves a estrear-se com a camisola dos dragões, acresce uma exibição personalizada, em que o golo inaugural do desafio não é um mero pormenor.

Rúben Neves mostrou ter uma boa visão de jogo, um passe preciso (apenas dois passes falhados em 35 efectuados) e não complica quando tem a bola nos pés.
Mas, na minha opinião, Rúben Neves é demasiado macio para jogar na posição 6 (“trinco”).
Apenas uma falta e dois roubos de bola são indicadores dessa macieza, embora haja outros aspectos a considerar.

Jogando como médio mais recuado, a ligação com a dupla de defesas-centrais também não me pareceu a melhor.
As compensações à dupla de centrais, quando estes foram ultrapassados pelos avançados do Marítimo, foram feitas, quase sempre, pelos laterais (Alex Sandro fê-lo duas vezes).
E quando o Marítimo pressionou e apertou os defesas-centrais nas saídas de bola, o Rúben Neves não se viu.

O JOGO, 16-08-2014
«A primeira substituição de Lopetegui no campeonato foi acertadíssima. Havia uma dificuldade tremenda para sair a jogar com bola, porque o Marítimo tapou bem as zonas de saída no corredor central. Rúben Neves não é um trinco puro e duro, Herrera não estava bem e saiu para dar lugar a Casemiro. Foi o brasileiro quem acabou por colocar ordem no meio-campo
in O JOGO, 16-08-2014


Em jogos no Estádio do Dragão, contra equipas do nível do Marítimo, penso que não será muito arriscado Lopetegui continuar a apostar em Rúben Neves para a posição 6, mas contra equipas mais fortes e, principalmente, nos jogos fora de casa, não me parece que seja uma boa solução.

Nesses jogos (de grau de dificuldade mais elevado) apostava em Casemiro que, tal como Rúben Neves, também não é um "6" de raiz (tipo Costinha ou Fernando), mas tem outra compleição física e uma maior agressividade e intensidade na disputa da bola.

Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

sábado, 19 de julho de 2014

Casemiro, o sucessor de Fernando

Casemiro é um jogador formado no São Paulo Futebol Clube, onde começou aos 11 anos.

Tendo-se destacado, quer com a camisola tricolor do SPFC (fez a sua estreia pela equipa principal, com 18 anos, em 25 de julho de 2010), quer nas seleções jovens do Brasil (fez parte das seleções sub-17 e sub-20), Casemiro despertou o interesse do Real Madrid e, em Janeiro de 2013, os dois clubes acordaram um empréstimo (com opção de compra).

Casemiro (juntamente com Danilo, Alex Sandro, Neymar, ...) na Seleção do Brasil de Sub-20

Inicialmente contratado para jogar pelo Castilla, Casemiro foi promovido à equipa principal dos merengues, por José Mourinho, em 19 de abril de 2013.

Dois meses depois, em 10 de junho de 2013, o Real Madrid não teve dúvidas, exerceu a opção de compra e Casemiro assinou um contrato de quatro épocas com o colosso de Madrid.

Evidentemente, tendo o Real Madrid médios do calibre de Xabi Alonso e Khedira (já para não falar em Illarramendi), o caminho para a titularidade da equipa de Carlo Ancelotti estava tapado mas, mesmo assim, ao longo da época 2013/2014, Casemiro participou em 25 jogos (12 no Campeonato, 7 na Taça do Rei e 6 na Liga dos Campeões). Nada mau para um jovem de 21 anos.

Casemiro (juntamente com CR7, Pepe, Di Maria, Modric, ...) na equipa inicial do Real Madrid

Contudo, com a contratação de Toni Kroos, o Real Madrid passou a ter excesso de jogadores de top para a mesma posição de Casemiro.

Havendo disponibilidade do Real Madrid para deixar sair Casemiro (por empréstimo), o FC Porto aproveitou, avançou e o médio/volante brasileiro já está no Porto.

«O Real Madrid C. F. e o FC Porto chegaram a acordo para o empréstimo do jogador Casemiro durante a temporada 2014-2015.
Ao FC Porto fica reservada a opção de compra no final da próxima temporada. Se o clube português avançar para a aquisição do passe do jogador, ao Real Madrid C. F. fica reservada uma cláusula de recompra.»

Em condições normais, parece-me que muito dificilmente um clube português conseguiria contratar um jogador do Real Madrid, que estivesse em fase de afirmação e que, ainda por cima, fosse apreciado pelo treinador e pelos adeptos madrilenos.

Casemiro e Ancelotti

Casemiro e os adeptos

O FC Porto conseguiu (provavelmente com a preciosa ajuda de Lopetegui) e, precisando urgentemente de colmatar a saída de Fernando, penso que não seria fácil (e barato) o FC Porto arranjar uma solução melhor do que Casemiro para chegar e “pegar de estaca”. Veremos…