Mostrar mensagens com a etiqueta Maisfutebol. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Maisfutebol. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Os 18 jogadores emprestados

O Maisfutebol publicou, ontem, um artigo – Três grandes: o que andam a fazer todos os emprestados – onde o jornalista Pedro Jorge da Cunha faz uma análise, quantitativa e qualitativa, ao desempenho (até agora) dos jogadores emprestados pelo FC Porto, SL Benfica e Sporting.

Partindo de informação existente nesse artigo, a que acrescentei outros dados, elaborei os dois quadros seguintes, referentes aos 18 jogadores emprestados pelo FC Porto.




A partir destes quadros, constatam-se algumas coisas interessantes:

– Média das Idades (em 31-10-2014) dos jogadores emprestados: 24,74 anos (esta média é superior a muitos dos onzes que Lopetegui tem apresentado esta época);

– Apenas 6 dos 18 jogadores emprestados têm nacionalidade portuguesa (ou seja, a FC Porto SAD contrata muitos jogadores estrangeiros, que depois empresta);

– Metade (9) dos jogadores emprestados foram-no a equipas estrangeiras (três a equipas turcas; três a equipas espanholas; e os restantes três a uma equipa russa, francesa e inglesa);

– Quatro dos jogadores emprestados foram-no a equipas da II Liga (faz sentido ter uma equipa B, que disputa a II Liga, e depois andar a emprestar jogadores a equipas que disputam esse mesmo campeonato?).

terça-feira, 13 de maio de 2014

“Um jogo mais vistoso...”

Na passada sexta-feira, Vítor Pereira foi o convidado do programa Maisfutebol, da TVI24, durante o qual falou sobre vários assuntos, entre os quais o modelo de jogo que preconiza para as suas equipas e as diferenças para um futebol mais de transições, como é (era) habitual nas equipas de Jorge Jesus.

A meio da conversa, quando questionado se tinha recebido algum telefonema do FC Porto para suceder a Luís Castro, respondeu que, nesta altura, o regresso “não teria lógica absolutamente nenhuma”.

A explicação: “Saí há um ano porque senti que era o momento de sair. Agora é a oportunidade para o FC Porto crescer, ter um projeto novo, com pessoas novas, talvez com um jogo mais vistoso, não sei...

E mais à frente acrescentou: “ Saí, porque…, porque senti, que havia chegado o momento das pessoas poderem apreciar outro tipo de futebol” e sorriu…

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Juntar os cacos…

«O trajeto de Paulo Fonseca no FC Porto tem sido marcado por muitos desvios. (…) Quintero chegou a ser um salvador, mas em 2014 ainda nem esteve em campo o tempo equivalente a um jogo completo. Licá começou a época em grande plano, mas no início de outubro já tinha perdido o lugar. Kelvin foi recuperado a dada altura, mas rapidamente «desapareceu». Maicon chegou a relegar Otamendi para o banco, para agora ser suplente de Abdoulaye, recuperado do empréstimo ao V. Guimarães no último dia do mercado.»
Nuno Travassos, 25-02-2014


Luís Castro no 1º treino (fonte: www.fcporto.pt)

«Nesta quarta-feira, véspera da importante visita a Sevilha, Luís Castro cumpre um mês como treinador do FC Porto. (…) para além da fria análise aos resultados há que ter em conta a forma como Luís Castro conseguiu juntar os cacos. Desde logo invertendo o meio-campo para a disposição habitual nos últimos anos, algo a que Paulo Fonseca sempre resistiu.

Castro teve também a coragem de apostar consistentemente em Diego Reyes, que continuará a cometer erros pontuais, mas integrados no processo natural de evolução de um jovem que vai dar muito dinheiro à SAD. O técnico tem também mérito na recuperação de Quintero, mesmo que o talentoso colombiano não tenha ainda lugar no «onze», e teve sobretudo a audácia de olhar para Ghilas como algo mais do que o suplente de Jackson Martínez. Entender o argelino como alguém compatível com o «Cha Cha Cha», e não apenas quando o resultado é desfavorável.»
Nuno Travassos, 08-04-2014


Extractos de dois artigos de opinião do jornalista Nuno Travassos, autor de um espaço de análise técnico-tática no site Maisfutebol.

Os dois artigos completos podem ser lidos em:

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Uma máquina de faturar dinheiro e títulos?

Com a devida vénia, reproduzo a seguir um artigo de opinião do jornalista João Tiago Figueiredo, publicado do site Maisfutebol, o qual, para além da pertinência (incide no modelo de gestão adoptado pela FC Porto SAD no pós-Gelsenkirchen versus a expectativa dos adeptos), me parece poder suscitar uma boa discussão e reflexão portista.

----------

Em 2004, numa das mais deselegantes declarações da carreira, José Mourinho anuncia a saída do FC Porto no flash-interview da conquista da Liga dos Campeões. A forma surpreendeu, mas a mensagem já era esperada.

Tanto que, pouco depois, o Dragão novinho em folha despede-se de Deco, Ricardo Carvalho e Paulo Ferreira. Novamente sem grande surpresa e alarido. Encaixa sensivelmente 70 milhões. Feitas as contas, perdeu treinador, viu sair referências mas encaixou dinheiro. Muito dinheiro.

Sobreviveu a um trágico ano de rescaldo e voltou a ganhar, internamente e na Europa, sempre com base no modelo nascido naquele verão: comprar, afinar, vender.

Tornou-se uma máquina de faturar. Dinheiro, mas também títulos. Desde aquela noite em Gelsenkirchen venceu sete campeonatos em nove. Uns mais facilmente, outros menos. Uns a jogar melhor, outros com menor fulgor.

zerozero, 21-05-2013
Fruto de uma forma peculiar de ver futebol e de uma exigência, muitas vezes, exacerbada, o domínio portista nem sempre trouxe a paz que seria expectável. Basta, para isso, lembrar que, desde José Mourinho, não houve um único treinador consensual a liderar a nau portista.

É certo que Villas-Boas o foi, mas apenas enquanto estava na sua cadeira de sonho. A forma inesperada como deixou o clube foi traumática. E o estado de graça esvaiu-se.

Antes e depois, nunca houve consenso.

Co Adriaanse venceu campeonato e Taça de Portugal no mesmo ano. Criou Pepe, fez explodir Quaresma, lançou Helton, inventou Paulo Assunção. Saiu por ser aquilo que o FC Porto lhe pediu: exigente e rígido.

Jesualdo Ferreira venceu três campeonatos em quatro e passou sempre a fase de grupos da Champions. Afinou Bosingwa, descobriu Fernando, transfigurou Bruno Alves, potenciou o melhor Lisandro de sempre e deu escola a Hulk e Falcao. Não chegou.

Vítor Pereira perdeu um jogo em dois campeonatos, jogando praticamente todo o primeiro sem ponta-de-lança. Pelo meio mostrou Mangala, poliu James e ajudou Alex Sandro a fazer com que hoje ninguém se lembre de Álvaro Pereira. Também foi de menos.

Veio Paulo Fonseca e, meio ano depois, a sentença está dada: mesmo que ganhe, não agrada. Percebeu-se quando, após a primeira derrota na Liga, (quase) os mesmos jogadores que estiveram na festa de maio foram recebidos com tochas, insultos e petardos no Dragão. Uma pressão sem sentido e sem efeito. Alguém viu uma melhoria depois daquela noite de Coimbra?

Se a solução fosse trocar (outra vez) de treinador, a mesma estaria, acredito, tomada há muito. Se o FC Porto não o fez é porque sabe que o problema é outro. Há desejos distintos e só os adeptos querem títulos e ponto. Jogadores querem ganhar mais. Treinador quer manter o emprego. Direção quer lucro para que toda a pirâmide seja sustentável.

E se a estrutura ceder (é preciso lembrar que o FC Porto está em quatro frentes com hipóteses de vencer todas) a interrogação mais forte não estará sobre o treinador, o duplo-pivot ou na aposta neste ou naquele central. Estará num onze claramente abaixo dos últimos anos e no modelo criado a partir de 2004.

Record, 10-04-2012
É, naturalmente, descabido anunciar a sua falência quando, ainda no último verão, 75 milhões entraram nos cofres portistas. Mas exigirá reflexão. O emblema é igual mas tem o mesmo significado quando os craques, que eram de uma vida, são só para uma ou duas épocas? Por muita paixão que haja, que sentido faz celebrar uma venda milionária com a consciência que a equipa ficará enfraquecida?

As estadias são cada vez mais curtas e já é impossível esconder que os jogadores chegam com a ideia que entraram numa ponte que há de desaguar em algum lado. Alguém se lembra, por exemplo, do período em que Jackson não falava em sair? Está em Portugal há ano e meio…

O FC Porto precisa, por isso, saber o que quer. E explicar. Porque com títulos sonham todos, mas só consolam os adeptos. Dez anos depois da saída de Mourinho, o FC Porto vive um novo desafio: pedir para suar a camisola já é de mais. É preciso primeiro convencer a vesti-la de corpo e alma.

Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.