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sexta-feira, 26 de maio de 2017

Não celebrem Viena, não celebrem Gelsenkirchen, celebremos o depois de amanhã

Amo o Futebol Clube do Porto. Com todas as minhas forças cresci celebrando cada triunfo, engolindo em seco cada tropeção, enraivecido com cada roubo em contra e com cada derrota. Não sei ser outra coisa que não portista. E cresci com uma cultura de vitórias. Sou muito novo para me lembrar de Viena com claridade mas tenho flashes na minha cabeça. Sei que vi o jogo em casa dos meus tios, com o meu pai e tio colados ao sofá e eu por ali, sem saber muito bem o que se passava. Sei que ouvi os gritos de golo e quando o Juary marcou o dele o meu tio não aguentou mais dos nervos e fechou-se no quarto de banho, não queria ver, não queria saber, enquanto o meu pai ia gritando o que se passava. Choraram. Eramos campeões europeus. Foi um 27 de Maio de 1987. No 26 de Maio de 2004 não só era consciente de tudo, era participe de tudo. Sócio cativo há mais de uma década, incapaz de perder um só jogo nas Antas - e desde há poucos meses no Dragão - mais algumas deslocações históricas, aquela era a minha geração. A minha gente, os meus jogadores, a minha equipa. Sofri mais com Sevilha, confesso, muito mais. Em Gelsenkirchen sempre soube que só um milagre nos ia custar uma Champions inesperada mas totalmente merecida. Festejamos até ás tantas nos Aliados, eu e os meus irmãos, e fomos receber a equipa como nos mereciamos todos. Já não tinha só memórias e flahses na cabeça, tinha o triunfo tatuado na pele. Os dragões eram reis da Europa outra vez. Vinte e quatro horas menos e dezassete anos depois.

Hoje e amanhã deviam ser dias de celebração.
No Reflexão Portista pensamos inclusive em fazer um especial de artigos e textos sobre os trinta anos de Viena - para quem queira, há um maravilhoso livro coordenado pelo João Nuno Coelho sobre os 25 anos dessa data histórica - para celebrar esse dia maravilhoso. Mas o clube não está agora mesmo para este tipo de celebrações nem de regressos ao passado nostálgicos. Nunca devemos esquecer quem somos, de onde viemos e o que conquistamos. Há clubes a celebrar um Tetra, convém recordar que disso temos dois, temos um Penta e não necessitamos setenta anos de história para os conseguir. Há clubes a celebrar duas Taças dos Campeões Europeus, a última conquistada em 1962, convém recordar sempre que disso temos duas, bem mais recentes, mas também duas Taça UEFA/Liga Europa e uma Supertaça Europeia e duas Intercontinentais, já agora, para que fique claro quem é o maior clube português em títulos internacionais. Taça Latina incluída. Isso nunca se esquece, isso está dentro de nós e recordar é viver. Mas ao ritmo que levamos corremos o sério risco de cair no poço em que outros viveram durante anos com o velho chavão do "antes é que era", do "naquela época é que eramos os maiores" e o "os meus títulos são melhores que os teus". Passar estes dois dias a celebrar Viena e Gelsenkirchen é uma tentação bonita porque são dois troféus maravilhosos e dois dias inesqueciveis. Mas fazê-lo, tal como estamos, é trair-nos a nós mesmos e à nossa memória. Sobretudo, é trair o que nos levou precisamente a ganhar esses dois troféus: viver o presente.



O FC Porto deixou de ser um clube gerido a pensar no presente e isso é um dos principais motivos pelo que estamos nesta etapa negra. Pelo menos no presente do clube. Os projecto não têm direcção, caem ao primeiro abanão, mudam de forma radical de ano para ano sempre a pensar em algo que tente recuperar o passado sem que ninguém se dê conta que o futebol mudou. Se algo sustentou o êxito dos anos 80 e 90 foi a capacidade do Porto se adaptar melhor que ninguém ao mundo que viviamos e ao futebol do seu tempo a distintos niveis. Essa realidade perdeu-se e cada vez mais nos entragamos à nostalgia, ao "jogador à Porto", ao "treinador à Porto", ao "Somos Porto", ao "no tempo de" e esquecemo-nos que cada semana há um jogo novo num mundo novo e que é aí onde nos temos de concentrar. O mercado não é o dos noventa, a formação não é a dos oitenta, os treinadores não são os dos 2000 e, sobretudo, a direcção há muito que não é a desse periodo em actitude, trabalho e entrega, já para não falar em idade. E não saimos desse circulo fechado e entregar-nos a esse ritual de celebração num ano triste onde perdemos tudo, outra vez, parece-me ser um erro e uma falta de respeito para com o que fomos e que deviamos ser.

O lodo onde estamos tem muitas explicações. O lodo onde estamos pode prolongar-se muito ou pouco tempo, depende de aquilo que quem gere o clube  tem preparado para o futuro. O que sim é fácil de entender é que não é celebrando o passado que vamos estar mais preparados para o depois de amanhã. Se queremos voltar a ser grandes é precisamente isso que devemos fazer. Pensar no hoje, no amanhã e no depois, pensar no presente e no futuro, em como vamos reorganizar o clube, as contas, a parcela desportiva. Não pensemos no que já foi e já não volta. O que talvez nem sequer se volte a repetir porque o mundo mudou. Sonhar com outro título europeu é bonito mas cada vez mais redutor, pensemos em como conquistamos nós o nosso Penta antes que o celebrem outros. Primeiro ganhamos um título...depois pensamos em ganhar o Bi...depois pensamos em ganhar o Tri...e ganhamos. Depois demos o salto ao Tetra e foi nosso. Depois preparamos tudo para assaltar o Penta, e celebramos como loucos. Hoje temos de pensar como vamos ser campeões em Maio do próximo ano. Em nada mais. Nem títulos passados nem em equipas de outras eras. Pensem no hoje. Pensem no amanhã. Pensem em Maio. E passo a passo pensem em voltar a ser grandes como o escudo do Dragão merece.


segunda-feira, 30 de abril de 2012

Contas à moda do Porto (IV)

Há números que dizem muita coisa:

6 nos últimos 7- 86%
8 nos últimos 10 - 80%
13 nos últimos 18 - 72%
16 nos últimos 24 - 67%
19 nos últimos 28 - 68%
21 nos últimos 35 - 60%
26 em 78 - 33%

Depois há outros n.ºs em que a soma das partes é muito diferente do total, e anda muita gente a ralar-se com o total quando o importante são as partes:

26 - Campeonatos Nacionais
4  - Campeonatos de Portugal
16 - Taças de Portugal
18 - Supertaças
2 - Taças de Campeão Europeu / Liga dos Campeões
2 - Taças Intercontinentais
2 - Taça UEFA / Liga Europa
1 - Supertaça Europeia

Eu não sei somar uma Liga dos Campeões com uma Supertaça, mas sei que este é o melhor palmarés de Portugal.

Mas verdade seja dita, a próxima meta volante tem definitivamente o n.º 32.