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domingo, 10 de agosto de 2014

O parceiro financeiro faliu

«(...) na Luz dinheiro parece não ser problema. Não porque o tenham a rodos, mas porque o mesmo banco que aperta o Sporting dá largas ao Benfica: o Banco Espírito Santo.
Esta semana, o BCP confirmou oficialmente uma notícia do “Jornal de Negócios” de há uns meses, de que vai deixar de financiar o futebol, depois das perdas acumuladas em vários clubes. Um deles foi o Sporting, onde BCP e BES foram sucessivamente forçados a reestruturar a dívida, perdendo dinheiro.
Mas o BES é gato que não se escalda. E estará a amparar tanto Luís Filipe Vieira que este afirmou, sem medo, na entrevista de há duas semanas à Benfica TV que, se fosse preciso, aumentaria a sua dívida. Foi preciso. Este ano o Benfica comprou mais do que vendeu
Pedro Santos Guerreiro
in Record, 05-09-2013


Em 8 de Setembro de 2013, publiquei neste blogue o artigo 'O capital dos Bancos e os clubes da Capital'.

Em 24 de Setembro de 2013, numa entrevista à CM TV, Luís Filipe Vieira afirmou: "Temos o melhor plantel dos últimos 30 anos e Rui Costa concorda comigo".

Menos de 11 meses depois...


«O NOVO BANCO – instituição bancária criada a partir dos ativos não-tóxicos do BES – decidiu cortar o crédito ao Benfica, seguindo ordens do Banco de Portugal, de acordo com o semanário EXPRESSO.
O BES era o parceiro financeiro preferencial do Benfica, que beneficiava de uma conta caucionada de 85 milhões de euros, ou seja, da autorização para descoberto nesse valor, que era gerido de acordo com as necessidades do clube.»
in Jornal de Notícias, 10-08-2014

Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

domingo, 8 de setembro de 2013

O capital dos Bancos e os clubes da Capital


O director do Jornal de Negócios, Pedro Santos Guerreiro, é um conhecido comentador de assuntos económicos mas, como colunista (e benfiquista!), escreve também sobre futebol, numa coluna publicada às quintas-feiras no jornal Record.
No dia 7 de Março de 2013, numa das suas crónicas no jornal desportivo do grupo Cofina, escreveu o seguinte:

«É difícil perceber como há bancos que emprestaram tanto dinheiro a clubes que ficariam falidos. Mas assim foi, o que demonstra também incompetência desses bancos. Há muitos casos perdidos, sendo o maior deles o Sporting. Por isso se fala há muito de uma reestruturação da dívida, que é uma forma educada de dizer “perdão”. E por isso Luís Filipe Vieira saiu a terreiro dizendo que se o Sporting tiver perdão de dívida, o Benfica também quer.
Vieira é esperto que nem um alho e, para mais, tem razão: se um clube (ou uma empresa) quebra e é perdoado, então a sua má gestão é compensada, em detrimento de quem geriu sem ajudas.
Mas a reclamação de Vieira também trará água no bico: ao Benfica não caía mal uma folga da banca. O clube da Luz, além de ter o maior passivo bancário, tem também sido forçado a reduzi-lo, o que tem feito através de receitas de jogadores vendidos e através de emissão de obrigações (cujo encaixe na prática serve para pagar dívida aos bancos).»


Na passada segunda-feira, dia 2 de Setembro, o Jornal de Negócios publicou uma notícia acerca do Plano de reestruturação do Banco Comercial Português (BCP), em que é dito o seguinte:

«A Direcção Geral da Concorrência da Comissão Europeia aprovou de forma final o plano de reestruturação do Banco Comercial Português (...)
Deste modo, o BCP vai desinvestir em várias das actividades que mais imparidades provocaram nos últimos trimestres nas contas do banco, tais como empréstimos para compra de títulos, crédito fortemente alavancado, crédito à habitação bonificado histórico e crédito a certos segmentos associados a construção, clubes de futebol e promoção imobiliária.»


Três dias depois, no dia 5 de Setembro, novamente na sua crónica semanal no jornal Record, Pedro Santos Guerreiro escreveu o seguinte:

«Já aqui escrevi que, como Portugal tem de obedecer à troika, o Sporting tem de cumprir as ordens dos bancos credores. Ora até as ordens são mais ou menos as mesmas: reduzir despesa permanente e vender ativos para baixar a dívida. (...)
na Luz dinheiro parece não ser problema. Não porque o tenham a rodos, mas porque o mesmo banco que aperta o Sporting dá largas ao Benfica: o Banco Espírito Santo.
Esta semana, o BCP confirmou oficialmente uma notícia do “Jornal de Negócios” de há uns meses, de que vai deixar de financiar o futebol, depois das perdas acumuladas em vários clubes. Um deles foi o Sporting, onde BCP e BES foram sucessivamente forçados a reestruturar a dívida, perdendo dinheiro.
Mas o BES é gato que não se escalda. E estará a amparar tanto Luís Filipe Vieira que este afirmou, sem medo, na entrevista de há duas semanas à Benfica TV que, se fosse preciso, aumentaria a sua dívida. Foi preciso. Este ano o Benfica comprou mais do que vendeu


Para além de ser diretor do Jornal de Negócios, Pedro Santos Guerreiro é também colunista da Sábado, do Record, da Rádio Renascença e da RTP e comentador convidado na CNN e na Aljazeera.
Por outro lado, é alguém que já deu provas de estar bem informado acerca da situação da Banca portuguesa e, particularmente, da relação entre alguns Bancos e os clubes de futebol.

Tudo isto para dizer que os textos que reproduzi em cima são altamente preocupantes, porque são indiciadores de que pode estar em curso uma operação de perdão de dívidas selectiva, envolvendo dois dos maiores bancos portugueses e os clubes da 2ª circular. E, como é óbvio, isso é algo que tem consequências na capacidade desses dois clubes em investirem, no presente e no futuro, nas respectivas equipas de futebol. A confirmar-se, não tenho dúvidas que isto se traduzirá na maior viciação de sempre da competição futebolística em Portugal.

Esqueçam os árbitros que gostavam de “fruta” ou os que preferiam as meninas do Elefante Branco.

Ignorem as almoçaradas em Canal Caveira ou os jantares no Sapo.

Isto é de outra dimensão, envolve a alta finança que circula nos corredores do poder e muitos, muitos milhões de euros (basta ter em conta o valor crescente dos passivos financeiros das SAD’s do sporting e benfica).

Segundo Pedro Santos Guerreiro, BCP e BES foram sucessivamente forçados a reestruturar a dívida do Sporting, perdendo dinheiro.
Quantos milhões de euros já foram perdoados?
Ou, se preferirem, estamos a falar de quantas contratações milionárias?

Em Março passado, sem revelar qualquer pudor, Luís Filipe Vieira veio a público dizer que queria idêntico tratamento para o Benfica ("Se houver perdão, tem que haver perdão para o Benfica também").
E Domingos Soares Oliveira, administrador da slb SAD acrescentou: “É difícil entender que bancos intervencionados com os nossos impostos possam utilizar dinheiro dos contribuintes para perdoar dívida, seja a quem for.”

Sabe-se agora, através do benfiquista Pedro Santos Guerreiro, que o Banco Espírito Santo estará a “amparar o Benfica”.
O que significa este “amparar”?
Não se sabe ao certo mas, no imediato, permitiu que a slb SAD investisse cerca de 40 milhões de euros em 15 novas contratações para esta época, sem ter necessidade de fazer vendas significativas (encaixou menos de 15 milhões de euros em vendas e empréstimos), isto é, a slb SAD pôde investir fortemente em reforços, sem ter de se desfazer dos melhores jogadores que tinha (e tem) no seu plantel.

Mais. Graças a este “amparar” da banca, o benfica pode dar-se ao luxo de, após o fecho do mercado, ter ficado com um plantel de 31 elementos (Artur, Paulo Lopes, Oblak, Maxi Pereira, Sílvio, Luisão, Garay, Jardel, Steven Vitória, Mitrovic, Siqueira, Bruno Cortez, Matic, Enzo Pérez, Fejsa, Ruben Amorim, André Almeida, André Gomes, Gaitan, Djuricic, Sulejmani, Markovic, Salvio, Ola John, Lima, Rodrigo, Cardozo, Funes Mori, Carlos Martins, Djaló, Urreta), enquanto que o principal rival, o FC Porto, reduziu o seu para 24 elementos.

Numa altura em que há bancos a interferir na competição desportiva desta maneira, “amparando”, reestruturando pagamentos e até perdoando dívidas de milhões a uns clubes e não a outros, por onde andam os arautos da "verdade desportiva"?

Sim, eu sei que estes bancos são privados, mas recordo que a generalidade da banca portuguesa teve de recorrer a significativos apoios do Estado (12 mil milhões de euros do empréstimo da ‘Troika’ ao Estado português tinham como destino a recapitalização dos bancos) e, portanto, o próprio Estado deveria ter uma palavra a dizer.

Espero que os dirigentes do FC Porto estejam atentos e, se for caso disso, denunciem publicamente esta situação e intervenham junto das entidades competentes.

P.S. Em comunicado divulgado na CMVM, a Sporting Clube de Portugal - Futebol SAD informou o mercado que registou perdas 43,81 milhões de euros no ano fiscal compreendido entre 1 de Julho de 2012 e 30 de Junho de 2013, quando no período homólogo anterior os prejuízos tinham ascendido a 45,94 milhões de euros.
Eu sei que o Sporting tem sido governado por gente ligada aos bancos. E também sei que José Maria Ricciardi, presidente do BES Investimento, pertenceu durante muitos anos aos órgãos sociais do Sporting mas, mesmo assim, como é possível haver bancos que, ano após ano, continuam a suportar este tipo de perdas? Quem vai pagar estes sucessivos prejuízos brutais? Quando?

Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Paes do Amaral e os direitos televisivos

«Ontem soube-se que há um português administrador de 73 empresas. Hoje, lendo-se o “Negócios”, sabe-se quem é ele: Miguel Paes do Amaral. Lembra-se dele? É o empresário que dizia querer comprar os direitos de transmissão televisiva dos jogos do Benfica. Falava-se em 40 milhões. Mas isso foi no bom tempo. Este ano, a SIC, RTP e TVI nem foram a jogo. Não há pão para malucos.»
Pedro Santos Guerreiro (director do Jornal de Negócios)
in record.pt, 02/08/2012


«A duas semanas do início do campeonato de Espanha, ainda não se sabe de que forma vão os telespectadores portugueses poder assistir ao desenrolar da mais mediática Liga do Mundo. Os direitos da Sport TV terminaram em 2011/12 e embora tenha aparecido comprador para as três épocas seguintes (Miguel Paes do Amaral), a realidade é que, até ao momento, nenhuma estação de TV assegurou a transmissão de La Liga para o nosso país.»
Nuno Farinha (director-adjunto do Record)
in record.pt, 02/08/2012


Depois de tanta garganta e foguetório, cheira-me que, quer os direitos televisivos do slb, quer os de transmissão de La Liga, vão parar à... SportTV.

terça-feira, 19 de julho de 2011

30 milhões? Estão loucos


Uma das grandes apostas da actual direcção do slb é "forçar" Joaquim Oliveira a subir a parada pelos direitos televisivos tendo, em Março passado, fixado o "valor justo" em 40 milhões de euros por ano.

Para conseguirem os seus intentos, "fontes bem informadas" não se têm cansado de lançar para a praça pública nomes de outros putativos interessados, desde a Ongoing e TVI, até ao dragão de ouro Rui Pedro Soares, passando pelo cenário de que o slb se prepara para lançar um concurso internacional para vender os direitos televisivos!

É nesta linha, de pressão sobre Joaquim Oliveira, que surgem os comunicados para a CMVM, a aquisição dos direitos de transmissão de 180 jogos... particulares e o anúncio, feito por "fonte próxima do dossier", de um principio de acordo entre o slb e Miguel Pais do Amaral por um valor próximo dos 30 milhões de euros por temporada.

Sobre este pretenso acordo, vale a pena ler o que o benfiquista Pedro Santos Guerreiro, director do Jornal de Negócios, escreveu numa das suas crónicas no Record:

«Miguel Pais do Amaral não é de emoções. Gere com frieza os negócios e só gosta de uma coisa: de dinheiro. Por isso pasma-se: 30 milhões por ano para transmitir jogos do Benfica? Por 15 jogos?! A troika ainda não tirou de Portugal a irracionalidade económica.

Se Pais do Amaral pagar 30 milhões, isso é com ele. Mesmo que choque que, nesta altura em que as PME não têm crédito, um banco lhe financie a empreitada, por mais bungee-jumping que ela pareça. Nesse caso, o Benfica, que está a fazer um leilão para forçar a Olivedesportos a subir a parada, pode fazer a festa do ano. Mas que é loucura, é. 30 milhões de euros por quinze jogos… é só fazer as contas. Não há publicidade que pague. Nem novos subscritores de um novo canal de desporto, que teriam de passar a ter dois canais, para poderem continuar a ver os jogos do Benfica fora da Luz na Sport TV. Para mais, num ano em que a publicidade está a cair. E em que a Sport TV está a perder clientes.

Joaquim Oliveira tem acordo com todos os clubes para a transmissão de jogos até 2018 (com preferência por mais três anos), exceto com o Benfica, cujo contrato termina em 2013. Por ano, Oliveira paga hoje nove milhões ao Benfica, o que é quase extorsão ao clube que gera mais audiências televisivas. E que só explica por Oliveira ter sido “banco” do Benfica nos anos em que o clube era gerido com uma mão na massa associativa e a outra na massa falida. O Sporting e o Porto já duplicaram os seus contratos. E Oliveira terá de pagar pelo menos 20 milhões para segurar o Benfica. Exceto se um louco com dinheiro aparecer e oferecer mais.

Chegou o louco: Pais do Amaral. É um negócio incompreensível. Mas se o patrão da TVI pagar, o Benfica pode pôr a estátua de Vieira ao lado da de Eusébio. É de goleador.»


Aguardemos pelas cenas dos próximos capítulos.

Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.