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segunda-feira, 29 de outubro de 2018
Venham mais como este
Bom jogo este de ontem no Dragão. As duas equipas estiveram bem, na
globalidade, e a arbitragem também.
O Feirense a juntar-se a equipas como um Chaves, Rio Ave ou Tondela
que, hoje em dia, são um osso duro de roer sempre que jogam na nossa
casa. Os bons velhos tempos, de vitória garantida neste tipo de partidas, já
deixaram de existir.
O VAR foi novamente protagonista mas desta vez pelas melhores razões:
três decisões difíceis, três decisões acertadas.
Num primeiro olhar, o lance (magnífico) do primeiro golo parecia,
de facto, fora-de-jogo, contudo o pormenor do pé do último defensor
contrário foi muito bem observado pelo VAR. É milimétrico? É, sim
senhor, mas é exactamente para isso que serve o VAR. Para além
do mais, em caso de dúvida, favorece-se o ataque. Recomendação muitas
vezes esquecida.
É o nosso melhor golo da temporada, até ao momento. Muito trabalho de
laboratório por ali andou. Estão de parabéns os executantes e, claro,
Sérgio Conceição.
O “onze” inicial apresentou a surpresa de Herrera ter ficado de fora,
pela primeira vez desde há cerca de um ano.
Compreende-se. Apesar do bom golo em Moscovo, o mexicano não tem
justificado a titularidade. E Óliver voltou a estar bem. Porém, tal
como sucede com Otávio, o problema é sempre o mesmo: quantos jogos
aguentará a este nível? O historial de ambos, neste aspecto, não
autoriza que se deitem, para já, muitos foguetes.
E temos, ainda, três jogadores em grande forma: Casillas (três
boas defesas, todas elas naqueles tipos de lance que muitos golos
originaram num passado não muito longínquo), Militão (de regresso
ao que de muito bom nos tinha habituado, após algum engasganço contra
o Lokomotiv) e Brahimi que está bem fisicamente e, assim sendo, passa
pelos adversários ainda com mais facilidade do que antes.
Aproveitemos enquanto ele ainda cá está e deliciemo-nos a vê-lo controlar aquele
esférico como mais ninguém.
Por fim, os dois casos mais complexos da nossa equipa: Corona e
Marega, claro está.
O mexicano tem, ultimamente, estado nos golos e nas assistências.
Quando ele consegue chegar à linha, é do melhor que existe: senta o
adversário e cruza, normalmente, com qualidade. O único senão é a
(baixa) frequência com que o faz. Tem que ser mais interventivo.
Contudo, após uma época de 2017-18 em que ele esteve pouco menos do
que péssimo, não nos podemos queixar muito do seu rendimento na
actual.
E o homem do Mali? Pois bem, foi mais uma exibição à Marega: perdeu
quase todos os lances (mesmo aqueles corpo-a-corpo em que é
especialista) até surgir aquele momento-chave em que decidiu a partida
por completo. E quem, senão ele?
Alguém teria coragem de o tirar da equipa? Nunca. Para a coisa
funcionar em pleno, o FCP necessita de ter sempre Marega em campo.
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Oliver Torres
segunda-feira, 31 de julho de 2017
Rock and Roll
Quando Jurgen Klopp assinou contrato com o Liverpool, interrompendo o seu ano sabático, a cidade dos Beatles celebrou o feito como um regresso às origens - tácticas e emocionais - e a imprensa local, sempre desejosa de tecer comparações com a sua herança musical declarou que tinha voltado o "Rock and Roll" a Anfield Road. Klopp tinha-se celebrizado com o seu modelo vertical, ofensivo e de pressão alta no Dortmund, o "Gegenpressing", e nos últimos dezoito meses logrou repetir o modelo de jogo em Inglaterra. Salvas as (imensas) diferenças que (ainda) existem entre Klopp e Conceição e entre os plantéis de Dortmund e Liverpool com o FC Porto, não é no entanto descabido olhar para esta pré-temporada a que falta apenas um jogo, e assumir que o Rock and Roll também voltou à Invicta.
O termo de comparação ajuda.
Quem sobreviveu a Nuno Espirito Santo está preparado para desfrutar e ver o lado positivo de tudo. O jogo pastelento, sem ideias, defensivo e primário de NES é felizmente passado mas isso não impede de que ver que o salto qualitativo para Conceição seja real. Olhando para a equipa, nestes últimos encontros, há uma evidente aura a anos noventa que não podemos ignorar. O jogo com dois avançados que se complementam a lembrar a verticalidade da dupla Domingos-Kostadinov ou, numa comparação simpática e distante, entre Jardel (Aboubakar) e Artur (Soares). Com a bola, o posicionamento da equipa convida a um jogo ofensivo pelas alas - com a abertura dos laterais e o jogo combinativo interior dos extremos e médios com a dupla de ataque - não muito distante do clássico 442 utilizado até à chegada de António Oliveira, com a equipa a jogar, efectivamente, muitas vezes num 4-1-3-2. E depois está a evidente garra e o dinamismo físico que recorda os melhores anos de Robson, de uma equipa sempre disposta a jogar simples e fácil mas com uma ideia vertical de jogo. Poucos passes, futebol menos rendilhado mas extremamente mais eficaz, com o esférico a ser conduzido em direcções concretas para gerar constante superioridade na zona de finalização. Rock and roll com chuteiras.
A realidade do futebol português, demonstrada na última década, pede um modelo assim.
O futebol mais pensado e pausado, de controlo do esférico e do espaço mas com poucos homens a aparecer na zona de definição que marcou os anos de Vitor Pereira e Lopetegui pode funcionar até melhor na Europa - onde a qualidade dos rivais é muito superior e há mil variações tácticas a ter em conta - mas no campeonato português, como Jesus, Villas-Boas, Jardim, Marco Silva e Vitória entenderam perfeitamente - por oposição a Paulo Fonseca, Nuno Espirito Santo e companhia - o que conta em 90% dos jogos não é a posse nem o controlo do jogo desde o dominio do espaço mas sim o sufoco ofensivo de forçar o erro ao contrário ocupando os espaços de finalização e tentanto chegar até lá com o menor tempo de posse possivel para aproveitar a desorganização contrária. Dois avançados sempre móveis na área, extremos que se incorporam, laterais que esticam o campo e interiores com remate, foram marcas das equipas do Benfica e de Villas-Boas e mostraram funcionar perfeitamente para um enquadramento onde a imensa maioria dos rivais joga posicionando os seus homens atrás da linha do meio campo a esperar possíveis contra-ataques. Rendilhar o jogo pode ser desesperante e exige paciência e muito talento, sobretudo individual, para quebrar esses muros. Atacar sucessivamente, de diferentes formas e com muita gente é um modelo que sendo menos controlador, na posse, tem mais opções de levar ao erro do contrário e é um atalho mais rápido para o golo. Conceição, ao contrário de NES, sabe-o perfeitamente dos seus dias no Minho, onde as suas equipas sempre procuravam em momentos de ataque surpreender o rival pela acumulação de efectivos ofensivos mesmo que isso ás vezes também significasse que a equipa ficava partida nos momentos de perda. Com um plantel superior e uma força moral por detrás do escudo do Dragão, tem ficado claro que empurrar os rivais contra as cordas - a sua área - e dedicar-se a aplicar golpe atrás de golpe - remates de todos os enquadramentos, acumulação de jogadores em zonas de finalização - mais tarde ou mais cedo vai provocar um KO. Se Vitor Pereira ou Lopetegui jogavam para ganhar o combate aos pontos, se NES jogava para não perder o combate aos pontos, Conceição joga para o KO. Fazia falta esta lufada de ar fresco.
Há ainda muito trabalho táctico pela frente - um mês de trabalho colectivo não é nada - mas as ideias estão lá e nota-se, sobretudo, que os jogadores entenderam o plano A do treinador (falta por ver se existe e qual é o plano B e C) e que há uma clara sintonia do banco para o campo.
É normal que no início tudo seja amor. Os jogadores querem triunfar e estão, quase sempre, predispostos a abraçar novas ideias se isso significar vencer. Os laços são verdadeiramente testados ao primeiro tropeção, nos dias frios de Inverno ou quando mais tempo de banco signifique menos tempo de jogo para alguns. É aí que a liderança de Conceição será realmente testada mas até agora as impressões são claramente afirmativas. No discurso, na atitude no banco, no trabalho da equipa e na motivação dos jogadores.
A recuperação de Aboubakar - que complemente a Soares e Brahimi melhor do que André Silva, que sendo melhor jogador e avançado não tem a presença física do camaronês, que abre outras modalidades de jogo a ser exploradas - é um dos seus primeiros grandes méritos e não foi necessário afastar um Brahimi que é sempre determinante, durante uns meses, para mostrar quem manda. Conceição sabe que não há dinheiro para reforços (mas para as comissões de Vaná, seguramente sobra algo quando o que sobra realmente é o jogador, como Conceição tem deixado claro ao manter José Sá como número 2 de Casillas) e fez dos descartados Hernani, Marega, Aboubakar e Ricardo Pereira apostas seguras em distintos momentos. Não tem havido demasiado espaço para as afirmações da formação. Rafa sofre com o overbooking á esquerda de Alex e Layun (se há necessidade de vender, realmente, esta é a oportunidade de ouro para que um deles saía) e a Dalot passa-lhe o mesmo à direita onde Maxi deixou claro já que será importante para o balneário mas que em campo não oferece o mesmo que Ricardo. Conceição, melhor do que ninguém, uma vez que também foi lateral e extremo, sabe o que sacar do jogador e o futebolista tem demonstrado que é dificil encontrar um lateral ofensivo melhor que ele na ala direita em Portugal. A sua amplitude ofensiva tem-se revelado fundamental para o apoio a Corona e a possibilidade de o utilizar à frente do próprio Maxi revela bem a fartura de opções para as alas que Conceição vai procurar utilizar (Brahimi, Ricardo, Hernani, Corona e o próprio Layun, sem esquecer Otávio) ao largo da temporada.
No ataque a dupla Aboubakar-Soares é uma certeza já e ainda que seja dificil imaginar que Marega possa causar o mesmo impacto, estando em campo - e Rui Pedro continua a ter escassos minutos para provar o seu real valor - não seria de surpreender que não venha mesmo mais nenhum reforço, pelo menos até Janeiro. Se o ritmo goleador se mantiver - e com Conceição o positivo é que com tantos jogadores em zona de finalização vamos ver futebolistas pouco habituais na lista dos marcadores - pode até ser que não faça falta.
O que sim vai ser curioso ver é a conjugação dos nomes do miolo.
O modelo de pressão alta de Sérgio Conceição parte de um 4-1-3-2 em posse, onde os extremos fecham as laterais formando um losango na perda da bola, o que obriga um maior sacrificio de Corona e Brahimi. Em principio há poucas dúvidas que os vértices serão entregues a Danilo e Oliver. São os melhores jogadores para as respectivas posições. No caso do internacional luso nota-se que chega tarde e que precisa de recuperar o tom físico e beber das ideias do técnico mas tem valia suficiente para se fazer com um lugar que, curiosamente, teria assentado como uma luva no modelo de jogo de Ruben Neves, em que o pivot defensivo não é apenas um polvo mas tem a responsabilidade dupla de iniciar a criação da jogada - algo que Neves fazia melhor que Danilo - e também muitas vezes aparecer à entrada da área em posição de remate ou de último passe - algo que Neves também fazia melhor que Danilo. A ajuda constante dos laterais em posição de posse e a pressão uns metros mais acima do habitual com NES, com a linha de quatro da frente a exercer o primeiro bloco de pressão, liberta muito das funções do pivot defensivo o seu trabalho de estar em todas partes e isso tem-se feito notar. Talvez por isso SC tenha igualmente tentado colocar André André ou Herrera nessa posição mas a qualidade do passe de ambos faz-se notar demasiado tanto na saída da bola no início da jogada como no momento final da conclusão. Servem para correr e ocupar espaço, colaborar na pressão, mas Conceição pede mais ao "6" do que isso, ao contrário do modelo primário de NES. E no plantel, actualmente, ninguém pode oferecer essa função. No outro lado está Oliver, mais completo que Otávio em tudo, com essa pausa chave para permitir que as restantes peças do tabuleiro se mexam e com essa facilidade do primeiro toque que desbloqueia situações de um para um e gera superioridade. Será fundamental no modelo de Conceição, um autêntico Deco que muitas vezes seja liberto da pressão pela ajuda de um dos avançados para depois receber em recuperação a bola em melhor posição e aplicar a sua magia. Nenhum modelo de jogo favorece mais as suas características de uma forma pro-activa que este. Terá de o aproveitar.
Sem embandeirar em arco - afinal de contas, o FC Porto sabe que parte para mais um campeonato que não se joga só em campo e onde ser muito competente pode não ser suficiente - as melhorias são evidentes. Com menos Conceição tem feito mais do que os seus últimos predecessores e resta agora saber se esse mais será capaz de o fazer em jogos a doer e contra rivais de caracteristicas distintas. O processo de crescimento é acumulativo e a equipa, como um todo, terá de evoluir com as novas ideias do técnico mas no Dragão respira-se já outro ar. Esperam-se jogos mais verticais, mais espectaculares - talvez mais sofridos também em alguns momentos de organização defensiva onde Casillas e a frieza Marcano-Filipe serão chave, como tem sido hábito - e um FC Porto sobretudo mais pro-activo á procura de resolver cedo o marcador e de ampliar cedo o resultado a margens confortáveis de gestão de espaços para aplicar depois a sua velocidade com o decorrer do encontro. Salvas as distâncias - até porque não há Hulk, Falcao, Moutinho, James ou Belluschi - este é o modelo mais similar ao visto na época de AVB e todos sabemos como isso resultou. Na altura Pinto da Costa fez precisamente referência a que um treinador com esse talento tinha de ganhar sim ou sim de forma espectacular. Conceição tem a ideia de jogo e o modelo mas não tem o mesmo plantel. Será capaz de por o Dragão a dançar ao ritmo frenético das suas guitarras eléctricas?
O termo de comparação ajuda.
Quem sobreviveu a Nuno Espirito Santo está preparado para desfrutar e ver o lado positivo de tudo. O jogo pastelento, sem ideias, defensivo e primário de NES é felizmente passado mas isso não impede de que ver que o salto qualitativo para Conceição seja real. Olhando para a equipa, nestes últimos encontros, há uma evidente aura a anos noventa que não podemos ignorar. O jogo com dois avançados que se complementam a lembrar a verticalidade da dupla Domingos-Kostadinov ou, numa comparação simpática e distante, entre Jardel (Aboubakar) e Artur (Soares). Com a bola, o posicionamento da equipa convida a um jogo ofensivo pelas alas - com a abertura dos laterais e o jogo combinativo interior dos extremos e médios com a dupla de ataque - não muito distante do clássico 442 utilizado até à chegada de António Oliveira, com a equipa a jogar, efectivamente, muitas vezes num 4-1-3-2. E depois está a evidente garra e o dinamismo físico que recorda os melhores anos de Robson, de uma equipa sempre disposta a jogar simples e fácil mas com uma ideia vertical de jogo. Poucos passes, futebol menos rendilhado mas extremamente mais eficaz, com o esférico a ser conduzido em direcções concretas para gerar constante superioridade na zona de finalização. Rock and roll com chuteiras.
A realidade do futebol português, demonstrada na última década, pede um modelo assim.
O futebol mais pensado e pausado, de controlo do esférico e do espaço mas com poucos homens a aparecer na zona de definição que marcou os anos de Vitor Pereira e Lopetegui pode funcionar até melhor na Europa - onde a qualidade dos rivais é muito superior e há mil variações tácticas a ter em conta - mas no campeonato português, como Jesus, Villas-Boas, Jardim, Marco Silva e Vitória entenderam perfeitamente - por oposição a Paulo Fonseca, Nuno Espirito Santo e companhia - o que conta em 90% dos jogos não é a posse nem o controlo do jogo desde o dominio do espaço mas sim o sufoco ofensivo de forçar o erro ao contrário ocupando os espaços de finalização e tentanto chegar até lá com o menor tempo de posse possivel para aproveitar a desorganização contrária. Dois avançados sempre móveis na área, extremos que se incorporam, laterais que esticam o campo e interiores com remate, foram marcas das equipas do Benfica e de Villas-Boas e mostraram funcionar perfeitamente para um enquadramento onde a imensa maioria dos rivais joga posicionando os seus homens atrás da linha do meio campo a esperar possíveis contra-ataques. Rendilhar o jogo pode ser desesperante e exige paciência e muito talento, sobretudo individual, para quebrar esses muros. Atacar sucessivamente, de diferentes formas e com muita gente é um modelo que sendo menos controlador, na posse, tem mais opções de levar ao erro do contrário e é um atalho mais rápido para o golo. Conceição, ao contrário de NES, sabe-o perfeitamente dos seus dias no Minho, onde as suas equipas sempre procuravam em momentos de ataque surpreender o rival pela acumulação de efectivos ofensivos mesmo que isso ás vezes também significasse que a equipa ficava partida nos momentos de perda. Com um plantel superior e uma força moral por detrás do escudo do Dragão, tem ficado claro que empurrar os rivais contra as cordas - a sua área - e dedicar-se a aplicar golpe atrás de golpe - remates de todos os enquadramentos, acumulação de jogadores em zonas de finalização - mais tarde ou mais cedo vai provocar um KO. Se Vitor Pereira ou Lopetegui jogavam para ganhar o combate aos pontos, se NES jogava para não perder o combate aos pontos, Conceição joga para o KO. Fazia falta esta lufada de ar fresco.
Há ainda muito trabalho táctico pela frente - um mês de trabalho colectivo não é nada - mas as ideias estão lá e nota-se, sobretudo, que os jogadores entenderam o plano A do treinador (falta por ver se existe e qual é o plano B e C) e que há uma clara sintonia do banco para o campo.
É normal que no início tudo seja amor. Os jogadores querem triunfar e estão, quase sempre, predispostos a abraçar novas ideias se isso significar vencer. Os laços são verdadeiramente testados ao primeiro tropeção, nos dias frios de Inverno ou quando mais tempo de banco signifique menos tempo de jogo para alguns. É aí que a liderança de Conceição será realmente testada mas até agora as impressões são claramente afirmativas. No discurso, na atitude no banco, no trabalho da equipa e na motivação dos jogadores.
A recuperação de Aboubakar - que complemente a Soares e Brahimi melhor do que André Silva, que sendo melhor jogador e avançado não tem a presença física do camaronês, que abre outras modalidades de jogo a ser exploradas - é um dos seus primeiros grandes méritos e não foi necessário afastar um Brahimi que é sempre determinante, durante uns meses, para mostrar quem manda. Conceição sabe que não há dinheiro para reforços (mas para as comissões de Vaná, seguramente sobra algo quando o que sobra realmente é o jogador, como Conceição tem deixado claro ao manter José Sá como número 2 de Casillas) e fez dos descartados Hernani, Marega, Aboubakar e Ricardo Pereira apostas seguras em distintos momentos. Não tem havido demasiado espaço para as afirmações da formação. Rafa sofre com o overbooking á esquerda de Alex e Layun (se há necessidade de vender, realmente, esta é a oportunidade de ouro para que um deles saía) e a Dalot passa-lhe o mesmo à direita onde Maxi deixou claro já que será importante para o balneário mas que em campo não oferece o mesmo que Ricardo. Conceição, melhor do que ninguém, uma vez que também foi lateral e extremo, sabe o que sacar do jogador e o futebolista tem demonstrado que é dificil encontrar um lateral ofensivo melhor que ele na ala direita em Portugal. A sua amplitude ofensiva tem-se revelado fundamental para o apoio a Corona e a possibilidade de o utilizar à frente do próprio Maxi revela bem a fartura de opções para as alas que Conceição vai procurar utilizar (Brahimi, Ricardo, Hernani, Corona e o próprio Layun, sem esquecer Otávio) ao largo da temporada.
No ataque a dupla Aboubakar-Soares é uma certeza já e ainda que seja dificil imaginar que Marega possa causar o mesmo impacto, estando em campo - e Rui Pedro continua a ter escassos minutos para provar o seu real valor - não seria de surpreender que não venha mesmo mais nenhum reforço, pelo menos até Janeiro. Se o ritmo goleador se mantiver - e com Conceição o positivo é que com tantos jogadores em zona de finalização vamos ver futebolistas pouco habituais na lista dos marcadores - pode até ser que não faça falta.
O que sim vai ser curioso ver é a conjugação dos nomes do miolo.
O modelo de pressão alta de Sérgio Conceição parte de um 4-1-3-2 em posse, onde os extremos fecham as laterais formando um losango na perda da bola, o que obriga um maior sacrificio de Corona e Brahimi. Em principio há poucas dúvidas que os vértices serão entregues a Danilo e Oliver. São os melhores jogadores para as respectivas posições. No caso do internacional luso nota-se que chega tarde e que precisa de recuperar o tom físico e beber das ideias do técnico mas tem valia suficiente para se fazer com um lugar que, curiosamente, teria assentado como uma luva no modelo de jogo de Ruben Neves, em que o pivot defensivo não é apenas um polvo mas tem a responsabilidade dupla de iniciar a criação da jogada - algo que Neves fazia melhor que Danilo - e também muitas vezes aparecer à entrada da área em posição de remate ou de último passe - algo que Neves também fazia melhor que Danilo. A ajuda constante dos laterais em posição de posse e a pressão uns metros mais acima do habitual com NES, com a linha de quatro da frente a exercer o primeiro bloco de pressão, liberta muito das funções do pivot defensivo o seu trabalho de estar em todas partes e isso tem-se feito notar. Talvez por isso SC tenha igualmente tentado colocar André André ou Herrera nessa posição mas a qualidade do passe de ambos faz-se notar demasiado tanto na saída da bola no início da jogada como no momento final da conclusão. Servem para correr e ocupar espaço, colaborar na pressão, mas Conceição pede mais ao "6" do que isso, ao contrário do modelo primário de NES. E no plantel, actualmente, ninguém pode oferecer essa função. No outro lado está Oliver, mais completo que Otávio em tudo, com essa pausa chave para permitir que as restantes peças do tabuleiro se mexam e com essa facilidade do primeiro toque que desbloqueia situações de um para um e gera superioridade. Será fundamental no modelo de Conceição, um autêntico Deco que muitas vezes seja liberto da pressão pela ajuda de um dos avançados para depois receber em recuperação a bola em melhor posição e aplicar a sua magia. Nenhum modelo de jogo favorece mais as suas características de uma forma pro-activa que este. Terá de o aproveitar.
Sem embandeirar em arco - afinal de contas, o FC Porto sabe que parte para mais um campeonato que não se joga só em campo e onde ser muito competente pode não ser suficiente - as melhorias são evidentes. Com menos Conceição tem feito mais do que os seus últimos predecessores e resta agora saber se esse mais será capaz de o fazer em jogos a doer e contra rivais de caracteristicas distintas. O processo de crescimento é acumulativo e a equipa, como um todo, terá de evoluir com as novas ideias do técnico mas no Dragão respira-se já outro ar. Esperam-se jogos mais verticais, mais espectaculares - talvez mais sofridos também em alguns momentos de organização defensiva onde Casillas e a frieza Marcano-Filipe serão chave, como tem sido hábito - e um FC Porto sobretudo mais pro-activo á procura de resolver cedo o marcador e de ampliar cedo o resultado a margens confortáveis de gestão de espaços para aplicar depois a sua velocidade com o decorrer do encontro. Salvas as distâncias - até porque não há Hulk, Falcao, Moutinho, James ou Belluschi - este é o modelo mais similar ao visto na época de AVB e todos sabemos como isso resultou. Na altura Pinto da Costa fez precisamente referência a que um treinador com esse talento tinha de ganhar sim ou sim de forma espectacular. Conceição tem a ideia de jogo e o modelo mas não tem o mesmo plantel. Será capaz de por o Dragão a dançar ao ritmo frenético das suas guitarras eléctricas?
domingo, 9 de julho de 2017
Ruben, Oliver, Mendes e os interesses reais da SAD
Está definitivamente oficializada a venda de Ruben Neves ao Wolverampton Wanderers, um histórico do futebol inglês dos anos 50 e 60 - é por sua culpa, em parte, que existem competições europeias - mas que milita actualmente na Championship. Sim, o FC Porto vende o que de melhor tem produzido a clubes da segunda divisão inglesa por tuta e meia. Sim, o Wolves é a ponte do esquema Mendes no Reino Unido, mais um clube onde coloca jogadores como bem lhe apetece a modo de ponte para outros voos, sempre a troco de uma apetitosa comissão (ou duas, ou três). No espaço de semanas o FC Porto decidiu vender as suas maiores pérolas da formação por um valor total aproximado de 60 milhões de euros - com objectivos pelo meio. Friamente não são más cifras, na realidade ficam ambas aquém do potencial real de ambos os jogadores e do seu valor de mercado. Consequências da sanção imposta pela UEFA mas não só.
A ninguém parece estranho que os únicos negócios que o Porto seja capaz de operar estejam nas mãos de Jorge Mendes. O clube está a tentar livrar-se de algumas gorduras desnecessárias entre emprestados - muitos serão repescados porque não há dinheiro para mais, supostamente - e ao mesmo tempo cumprir com os prazos da UEFA. Sabendo que Casillas fica - com um salário muito inferior ao que ganhava mas, ainda assim, como o mais bem pago do plantel - e que há ainda excesso de laterais nas contas - Ricardo, Rafa e Fernando Fonseca juntam-se a Maxi, Layun e Telles quando deveria haver apenas quatro vagas livres - as vendas de André e de Ruben parecem anunciar que tanto Brahimi como Danilo vão ficar no plantel. Até 31 de Agosto no entanto livrem-se de pensar que são realidades concretas. A palavra de Pinto da Costa nunca valeu muito mas agora, que vale zero, nunca permitirá assumir nada por garantido até ao suspiro final do mercado e o FC Porto que já está mais debilitado do que no ano passado - onde não era uma grande equipa em traços gerais - pode ficar ainda mais fraco com o passo das semanas. Disso dependerá também muito Mendes. Afinal de contas nada se mexe no Dragão sem que o super-agente decida como tem sido claro.
O FC Porto entregou-se ao homem que tem alimentado o rival, insultando assim aqueles que tantos esforços estão a fazer para levantar o Polvo. E fê-lo de uma forma tão escandalosa que é capaz de tentar dar a volta aos factos para justificar o injustificável. E é aí onde entramos no circuito Ruben-Mendes-Oliver.
Oliver é um bom jogador, um jogador de classe, com talento e fino recorte que se exibiu bem nas duas épocas de azul e branco, melhor na primeira do que na segunda, é certo. Não é uma super-estrela e dentro da realidade espanhola há jogadores da sua idade muito superiores. É um falso dez, um falso oito, um jogador que se move bem e faz mover mas que nunca tem sido realmente um factor determinante. É um jogador cuja posição em campo podia ser ocupada por Otavio ou até mesmo por...Ruben Neves, noutro esquema de jogo mais vertical e assertivo - curiosamente o esquema que propõe Sérgio Conceição.
Oliver seria uma boa adição ao plantel, de forma definitiva, por uma quantia lógica. Nunca por 20 milhões de euros. Mas são 20 milhões de euros os que o FC Porto terá de pagar ao Atlético de Madrid em Janeiro de 2018. Não 19. Não 18. Não 19,5. Serão 20 milhões de euros, convertendo o jovem espanhol na compra mais cara de sempre do clube.
Nas contas do Financial Fair Play a operação Oliver não entra.
Jorge Mendes sabe fazer bem as coisas. No verão passado foi o intermediário do regresso do espanhol ao Dragão, operando, como sempre faz, em nome do Atlético de Madrid, clube da sua carteira habitual. O Atlético cedia o jogador, sim senhor, e colocava Diogo Jota de extra, mas em troca o FC Porto comprometia-se a comprar o jogador por 20 milhões de euros. Um valor superior ao seu valor de mercado e no entanto o Porto aceitou a proposta. Oliver e Jota foram utilizados por NES - que, como já todos vimos, esteve no Porto a valorizar activos e a valorizar-se a si e não a gritar "Somos Porto" - e tiveram um papel destaco na temporada, de mais a menos. Mas em nenhum caso a operação tinha qualquer lógica para um clube que, já então, sabia estar com a corda na garganta e com a UEFA nos calcanhares. Tanto que nesse mesmo defeso o próprio presidente disse que não havia avançado até haver Liga dos Campeões...o que nem sequer acabou por ser certo, como se viu com a farsa Depoitre (com outro amigo, D´Onofrio, ao barulho claro). Sabendo que não tinha 20 milhões para pagar pelo jogador o FC Porto fez na mesma operação e fê-lo porque essa era uma condição de Mendes e Pinto da Costa a Mendes já não diz que não, como não disse no caso Adrián, por muito que a posteriori goste de vir culpar os treinadores dos erros que ele consente como máximo gestor do clube. Se Mendes diz que se faz o negócio, faz-se o negócio por muito que prejudique o clube. Oliver nunca dará lucro ao clube e a sua operação apenas contribuiu para abrir ainda mais o buraco nas contas. Algo que o Porto sabia que ia passar e que, principalmente, Jorge Mendes sabia que ia passar..
Fazemos fast-forward para o seguinte defeso. Como esperado o Porto tem de vender mais do que nunca, agora principalmente pela sanção da UEFA - teria de vender de todos modos - e nem sequer contabilizou ainda os 20 milhões de gastos em Oliver (que o obrigará a vender, também, no defeso que vem, mas já lá vamos) e na mesa aparecem ofertas...sim, ofertas precisamente pelos jogadores de Mendes.
André Silva e Ruben Neves saem do Dragão - Mendes cobra comissão pelos três...jogadores, clube vendedor e clube comprador, esperem pelo relatório de contas - e o dinheiro do seu império continua a mexer-se mas havia realmente essa necessidade de vender dessa forma quando meses antes o clube parecia não ter problemas em pagar 20 milhões por um jogador da carteira Mendes - e há ainda o negócio Boly, outro que entra já na rotação de NES e Wolves, com um empréstimo com opção de compra para entrar no próximo exercicio financeiro - em lugar de procurar ficar com Ruben Neves no plantel?
O mesmo Ruben a quem Pinto da Costa pressagiou um futuro à João Pinto. A sua palavra, como sabemos, vale tanto como os seus dotes adivinatórios. Curiosamente o mesmo Ruben que foi afastado praticamente por Nuno Espirito Santo - que agora, pasmem-se, o reclama em vez de pedir um Herrera ou um André André, bem mais utilizados, bem mais baratos mas nenhum da carteira Mendes - e portanto passou um ano a desvalorizar-se para agorar surgir uma oferta baixa para o seu potencial real. Que teria sido do negócio de Ruben se este tivesse jogado mais vezes? Uma suspeita que não faria sentido salvo que quando quem o pede agora é quem não o quis antes a coisa começa a cheirar muito mal.
No próximo defeso - já lá chegamos - Boly provavelmente sairá para o mesmo clube a título definitivo numa operação que ajudará a maquilhar os números de Oliver, depois do empréstimo agora acordado. Outro jogador "pedido por NES", "gestionado por Mendes" e que não se valorizou porque o mesmo NES que agora o pede não o utilizou quase nunca.
Uma vez mais Mendes cobrará por todos e manterá a sua máquina activa e o Porto, desportivamente, ganhará pouco e estará nas mãos do super-agente para mover-se no mercado. Ainda assim terá de vender. De momento não há jogadores Mendes no plantel, salvo José Sá, mas até 31 de Agosto tudo é possível e não surpreenderá ninguém se voltemos a ver uma operação similar à de Oliver com futebolistas da sua carteira. Se ao largo do ano algum outro jogador da formação - Fonseca, Dalot, Rui Pedro - entretanto mudarem de agente, a sua saída em Junho torna-se óbvia e nem vale sequer a pena discutir a sua inviabilidade. Uma vez mais estamos a falar das máximas operações no mercado do clube nos últimos meses e todas com o mesmo agente, todas com a mesma filosofia. No final quem perde é sempre o clube. Algo que já deveria saber de experiências prévias sobretudo quando se destapou a rede do Polvo e como o super-agente em questão tem servido para salvar o pescoço de Luis Filipe Vieira. Ruben Neves não é mais que um novo Helder Costa (que por 14 milhões foi o recorde histórico anterior do Wolves) ou João Cancelo por quem o Valência pagou 15 milhões que na altura o Benfica gastou em outros jogadores da fábrica Mendes para seguir com a cadeia de montagem. O FC Porto não está a vender para apaziguar a UEFA - o negócio Ruben ultrapassou o deadline da UEFA, para os mais distraídos - mas sim para manter a máquina Mendes a funcionar. O clube decidiu que prescindir do seu mais jovem capitão, desvalorizado por um infiltrado do super-agente, é mais importante que bater com o pé na mesa e negar-se a negociar com essa personagem sinistra que tanto tem prejudicado o clube.
É em momentos assim, momentos como o da chegada de Oliver e a saída de Ruben que fica claro que quem dirige o FC Porto, hoje, o faz a pensar primeiro em si mesmo e nos seus interesses e só muito mais à frente nos interesses do Clube.
A ninguém parece estranho que os únicos negócios que o Porto seja capaz de operar estejam nas mãos de Jorge Mendes. O clube está a tentar livrar-se de algumas gorduras desnecessárias entre emprestados - muitos serão repescados porque não há dinheiro para mais, supostamente - e ao mesmo tempo cumprir com os prazos da UEFA. Sabendo que Casillas fica - com um salário muito inferior ao que ganhava mas, ainda assim, como o mais bem pago do plantel - e que há ainda excesso de laterais nas contas - Ricardo, Rafa e Fernando Fonseca juntam-se a Maxi, Layun e Telles quando deveria haver apenas quatro vagas livres - as vendas de André e de Ruben parecem anunciar que tanto Brahimi como Danilo vão ficar no plantel. Até 31 de Agosto no entanto livrem-se de pensar que são realidades concretas. A palavra de Pinto da Costa nunca valeu muito mas agora, que vale zero, nunca permitirá assumir nada por garantido até ao suspiro final do mercado e o FC Porto que já está mais debilitado do que no ano passado - onde não era uma grande equipa em traços gerais - pode ficar ainda mais fraco com o passo das semanas. Disso dependerá também muito Mendes. Afinal de contas nada se mexe no Dragão sem que o super-agente decida como tem sido claro.
O FC Porto entregou-se ao homem que tem alimentado o rival, insultando assim aqueles que tantos esforços estão a fazer para levantar o Polvo. E fê-lo de uma forma tão escandalosa que é capaz de tentar dar a volta aos factos para justificar o injustificável. E é aí onde entramos no circuito Ruben-Mendes-Oliver.
Oliver é um bom jogador, um jogador de classe, com talento e fino recorte que se exibiu bem nas duas épocas de azul e branco, melhor na primeira do que na segunda, é certo. Não é uma super-estrela e dentro da realidade espanhola há jogadores da sua idade muito superiores. É um falso dez, um falso oito, um jogador que se move bem e faz mover mas que nunca tem sido realmente um factor determinante. É um jogador cuja posição em campo podia ser ocupada por Otavio ou até mesmo por...Ruben Neves, noutro esquema de jogo mais vertical e assertivo - curiosamente o esquema que propõe Sérgio Conceição.
Oliver seria uma boa adição ao plantel, de forma definitiva, por uma quantia lógica. Nunca por 20 milhões de euros. Mas são 20 milhões de euros os que o FC Porto terá de pagar ao Atlético de Madrid em Janeiro de 2018. Não 19. Não 18. Não 19,5. Serão 20 milhões de euros, convertendo o jovem espanhol na compra mais cara de sempre do clube.
Nas contas do Financial Fair Play a operação Oliver não entra.
Jorge Mendes sabe fazer bem as coisas. No verão passado foi o intermediário do regresso do espanhol ao Dragão, operando, como sempre faz, em nome do Atlético de Madrid, clube da sua carteira habitual. O Atlético cedia o jogador, sim senhor, e colocava Diogo Jota de extra, mas em troca o FC Porto comprometia-se a comprar o jogador por 20 milhões de euros. Um valor superior ao seu valor de mercado e no entanto o Porto aceitou a proposta. Oliver e Jota foram utilizados por NES - que, como já todos vimos, esteve no Porto a valorizar activos e a valorizar-se a si e não a gritar "Somos Porto" - e tiveram um papel destaco na temporada, de mais a menos. Mas em nenhum caso a operação tinha qualquer lógica para um clube que, já então, sabia estar com a corda na garganta e com a UEFA nos calcanhares. Tanto que nesse mesmo defeso o próprio presidente disse que não havia avançado até haver Liga dos Campeões...o que nem sequer acabou por ser certo, como se viu com a farsa Depoitre (com outro amigo, D´Onofrio, ao barulho claro). Sabendo que não tinha 20 milhões para pagar pelo jogador o FC Porto fez na mesma operação e fê-lo porque essa era uma condição de Mendes e Pinto da Costa a Mendes já não diz que não, como não disse no caso Adrián, por muito que a posteriori goste de vir culpar os treinadores dos erros que ele consente como máximo gestor do clube. Se Mendes diz que se faz o negócio, faz-se o negócio por muito que prejudique o clube. Oliver nunca dará lucro ao clube e a sua operação apenas contribuiu para abrir ainda mais o buraco nas contas. Algo que o Porto sabia que ia passar e que, principalmente, Jorge Mendes sabia que ia passar..
Fazemos fast-forward para o seguinte defeso. Como esperado o Porto tem de vender mais do que nunca, agora principalmente pela sanção da UEFA - teria de vender de todos modos - e nem sequer contabilizou ainda os 20 milhões de gastos em Oliver (que o obrigará a vender, também, no defeso que vem, mas já lá vamos) e na mesa aparecem ofertas...sim, ofertas precisamente pelos jogadores de Mendes.
André Silva e Ruben Neves saem do Dragão - Mendes cobra comissão pelos três...jogadores, clube vendedor e clube comprador, esperem pelo relatório de contas - e o dinheiro do seu império continua a mexer-se mas havia realmente essa necessidade de vender dessa forma quando meses antes o clube parecia não ter problemas em pagar 20 milhões por um jogador da carteira Mendes - e há ainda o negócio Boly, outro que entra já na rotação de NES e Wolves, com um empréstimo com opção de compra para entrar no próximo exercicio financeiro - em lugar de procurar ficar com Ruben Neves no plantel?
O mesmo Ruben a quem Pinto da Costa pressagiou um futuro à João Pinto. A sua palavra, como sabemos, vale tanto como os seus dotes adivinatórios. Curiosamente o mesmo Ruben que foi afastado praticamente por Nuno Espirito Santo - que agora, pasmem-se, o reclama em vez de pedir um Herrera ou um André André, bem mais utilizados, bem mais baratos mas nenhum da carteira Mendes - e portanto passou um ano a desvalorizar-se para agorar surgir uma oferta baixa para o seu potencial real. Que teria sido do negócio de Ruben se este tivesse jogado mais vezes? Uma suspeita que não faria sentido salvo que quando quem o pede agora é quem não o quis antes a coisa começa a cheirar muito mal.
No próximo defeso - já lá chegamos - Boly provavelmente sairá para o mesmo clube a título definitivo numa operação que ajudará a maquilhar os números de Oliver, depois do empréstimo agora acordado. Outro jogador "pedido por NES", "gestionado por Mendes" e que não se valorizou porque o mesmo NES que agora o pede não o utilizou quase nunca.
Uma vez mais Mendes cobrará por todos e manterá a sua máquina activa e o Porto, desportivamente, ganhará pouco e estará nas mãos do super-agente para mover-se no mercado. Ainda assim terá de vender. De momento não há jogadores Mendes no plantel, salvo José Sá, mas até 31 de Agosto tudo é possível e não surpreenderá ninguém se voltemos a ver uma operação similar à de Oliver com futebolistas da sua carteira. Se ao largo do ano algum outro jogador da formação - Fonseca, Dalot, Rui Pedro - entretanto mudarem de agente, a sua saída em Junho torna-se óbvia e nem vale sequer a pena discutir a sua inviabilidade. Uma vez mais estamos a falar das máximas operações no mercado do clube nos últimos meses e todas com o mesmo agente, todas com a mesma filosofia. No final quem perde é sempre o clube. Algo que já deveria saber de experiências prévias sobretudo quando se destapou a rede do Polvo e como o super-agente em questão tem servido para salvar o pescoço de Luis Filipe Vieira. Ruben Neves não é mais que um novo Helder Costa (que por 14 milhões foi o recorde histórico anterior do Wolves) ou João Cancelo por quem o Valência pagou 15 milhões que na altura o Benfica gastou em outros jogadores da fábrica Mendes para seguir com a cadeia de montagem. O FC Porto não está a vender para apaziguar a UEFA - o negócio Ruben ultrapassou o deadline da UEFA, para os mais distraídos - mas sim para manter a máquina Mendes a funcionar. O clube decidiu que prescindir do seu mais jovem capitão, desvalorizado por um infiltrado do super-agente, é mais importante que bater com o pé na mesa e negar-se a negociar com essa personagem sinistra que tanto tem prejudicado o clube.
É em momentos assim, momentos como o da chegada de Oliver e a saída de Ruben que fica claro que quem dirige o FC Porto, hoje, o faz a pensar primeiro em si mesmo e nos seus interesses e só muito mais à frente nos interesses do Clube.
domingo, 5 de fevereiro de 2017
Com merecida estrelinha
Se no encontro com o slb nos queixámos, e com toda a razão, da falta dela, hoje não poderemos ter muita razão de queixa em relação à "estrelinha". Dizem que esta, habitualmente, protege os futuros campeões. Então que seja esse, novamente, o caso na presente época.
NES deu a mão à palmatória e apresentou (quase) o nosso melhor "11" de início. Só faltou lá Layun, do lado direito da defesa, e jogaríamos na máxima força. As únicas dúvidas pairavam sobre o estreante Soares mas este cedo as desfez. Dois grandes golos (principalmente o segundo, que é enorme) e já não está aqui quem falou.
Que tenha continuação e que não se repita a história de um outro herói de jogos contra o scp. Tello celebrou um hat-trick em 2015 mas, em boa verdade, pouco mais fez do que isso no resto do tempo em que pelo Dragão passou.
Que a Soares também não aconteça o que sucedeu a André André, que foi a nossa grande estrela, na vitória contra o slb na época transacta, mas que não mais actuou a esse mesmo grande nível.
Foi um jogo em sofremos, a bom sofrer, até à defesa final de Casillas (finalmente decisivo). E nada o faria prever quando chegámos ao 2-0. A táctica que NES utilizou, durante a primeira parte, foi atípica mas resultou, ao menos durante esse período: a posse de bola deixou de ser fulcral e a ideia era colocar rapidamente a bola na frente. Daí que até o nosso próprio guarda-redes tinha ordens para despachar a bola, com lançamentos longos com o pé, mal a recuperasse. Não foi, por isso, estranho termos perdido, em termos de percentagem de posse de bola, para o nosso adversário, ainda durante o primeiro tempo.
Ora, na segunda parte, e dada a melhoria gigantesca do nosso oponente, estes números agravaram-se de tal forma que a própria vitória (importantíssima para as contas finais) chegou a estar mesmo em causa. Aí valeu-nos o nosso poste e também algumas estrelas (outras) cá da terra.
As substituições, ainda que talvez defensivas em demasia, acabaram por equilibrar a nossa equipa em termos defensivos, apesar de que Óliver deveria ter sido um dos eleitos, de tal forma andou desaparecido desta partida.
Nota positiva, uma vez mais, para a entrada de João Carlos Teixeira. A ideia tem que ser esta mesma: para segurar resultados devem entrar jogadores que sabem guardar a bola e não um Rubén Neves ou um Herrera, que não passam, ambos, de um convite ao adversário para estes terem ainda mais posse e, como consequência, mais lances de possível perigo.
Ah, e não jogámos de amarelo desta vez...
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terça-feira, 19 de maio de 2015
Mudanças no balneário
Enquanto o treinador descarrega a fúria no banco, o CEO finge de nada se aperceber consultando o telemóvel...
O FC Porto tinha de ganhar este jogo no Restelo para salvar a honra. Tinha de o ganhar. Por muitos motivos, incluindo evitar a festa vermelha e derrotar um dos grandes aliados do inimigo, o Belenenses.
E convém não esquecer que o presidente da SAD do Belém, Rui Pedro Soares, que tem sido muito criticado pelos próprios adeptos, já foi agraciado com um Dragão de Ouro como "Sócio do Ano". Ele que esta época andou em negociatas de jogadores com o Benfica e permitiu a farsa que foram os dois jogos entre esses dois clubes lisboetas, desde a exclusão de atletas titulares nos azuis a atrasos mal feitos para o guarda-redes que permitiram um golo ao SLB. Enfim, uma javardice que recomendaria muito mais cuidado na atribuição do galardão, i.e., este deveria ser atribuído apenas a sócios e figuras do FC Porto que tenham uma vida dedicada ao clube, evitando o aparecimento de para-quedistas que hoje estão cá e amanhã estão do outro lado da barricada.
Conforme disse no início, o jogo em Belém era para vencer. Acabou por repetir-se algo que já tínhamos visto esta época, em especial na Madeira, no jogo contra o Nacional. O FC Porto entrou em campo sabendo que o SLB tinha perdido em Vila do Conde, e até esteve a vencer por 1-0 ao intervalo, fruto de um golo de Tello, mas fez uma segunda parte horrível, cheia de erros individuais que acabaram por custar 2 pontos. Também esta segunda parte em Belém foi uma vergonha. A equipa deixou de jogar futebol. Parece que os jogadores desligaram, passando 45 minutos a fazer disparates.
Por isso defendo uma limpeza de balneário com efeitos imediatos. Oliver, Herrera, Brahimi e Alex Sandro, fizeram péssimas exibições, com especial destaque para este último. Eles foram a face de uma segunda parte absolutamente vergonhosa. Como compreendo a reacção de desespero do treinador a dar murros no tecto de plástico do banco de suplentes – não havia fibra nem carácter em campo. São precisos jogadores que mordam a camisola nestes momentos, que liderem a equipa para que ela não fique perdida dentro do campo. Actualmente não há. Ou há mas estão em final de carreira, como Hélton e Quaresma.
O trabalho a fazer é imenso. “A messe é grande e os trabalhadores são poucos”.
Acredito que Lopetegui deve continuar. Mas também acho que não lhe devem ser dados mais jogadores espanhóis ou outros que não estejam 100% identificados com um projecto de longo prazo. Chega. Hoje temos um balneário descaracterizado pelas ambições de jogadores que estão cá de passagem. Hoje estão cá mas com um olho “noutras ligas mais importantes”. Isso não nos interessa porque esses são os primeiros a pouparem-se, a não “meter o pé”, a não honrar a camisola que vestem. Esses devem ser vendidos.
Há muito trabalho a fazer. Cabe a Pinto da Costa, como líder máximo, ajustar a estratégia.
domingo, 3 de maio de 2015
Os mais utilizados
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| O JOGO, 02-05-2015 |
O jornal O JOGO publica, semanalmente, o top 5 dos jogadores mais utilizados ao longo da época e, também, o top 10 dos jogadores com mais golos marcados.
A análise destes dois rankings possibilita que se tirem algumas ilações, mas há diversos aspectos que não são considerados.
Por exemplo, em relação ao ranking dos jogadores mais utilizados, são contabilizados todos os jogos oficiais disputados pelo clube, mas ficam de fora os jogos que esses mesmos jogadores disputaram ao serviço das respectivas selecções.
Ora, há bastantes jogadores, cujo número de jogos e de minutos ao serviço das suas selecções não é desprezável, bem pelo contrário.
Um outro aspecto que não é considerado, é a diferença, em termos de jogos e minutos de utilização, relativamente à época anterior.
No caso do FC Porto, qualquer um destes dois aspectos tem um peso significativo e, não tenho dúvidas, ajudam a explicar a oscilação de rendimento que temos visto em alguns jogadores.
Veja-se o quadro seguinte, referente aos quatro médios do plantel portista que foram mais utilizados ao longo da época.
Na época passada, ao serviço do Real Madrid, Casemiro foi apenas titular em 4 ocasiões e jogou um total de 652 minutos. Esta época já ultrapassou os 3000 minutos (é praticamente cinco vezes mais!).
Na época passada, ao serviço do Atlético Madrid e do Villarreal, Óliver não chegou aos 1000 minutos de utilização. Esta época, ao serviço do FC Porto e apesar de dois períodos de paragem por lesão, já ultrapassou os 2500 minutos.
Somando os jogos e minutos ao serviço do FC Porto e das respectivas seleções, Herrera já vai em 49 jogos e 3604 minutos e Brahimi em 51 jogos e 3562 minutos!
E a maior parte destes minutos foram em jogos do Campeonato e da Liga dos Campeões (não foram na Taça da Liga...)
Conhecem algum jogador do SL Andor, que tenha um número de jogos e tempo de utilização comparável?
Os jogadores são homens, não são máquinas e, por isso, chegados a Maio, ao analisarmos o desempenho das equipas e dos jogadores individualmente, não podemos (não devemos) ignorar estes dados.
E, no caso do FC Porto, ainda faltam 4 jogos (360 minutos) até ao fecho desta época.
quarta-feira, 29 de abril de 2015
Suspensão FIFA, um novo jogo a que temos de estar atentos
Muitos não deram crédito quando saíram as primeiras noticias de que o Barcelona ia ser castigado com um ano e meio sem poder contratar jogadores por parte da FIFA. Era o Barça, afinal de tudo, essa equipa que, segundo Mourinho, tinha trato preferencial graças ás suas ligações com a Unicef e o Qatar nos corredores do poder. O todo poderoso Barcelona - que nesse Verão tinha contratado a vários futebolistas, incluindo o genial Luis Suarez, via-se agora vetado a ano e meio sem actividade no mercado por culpa da contratação ilegal de vários adolescentes dos quatro cantos do Mundo para a sua cantera. Ninguém podia acreditar, todos pensavam que era uma jogada mediática, dessas em que o clube é castigado e logo perdoado, mas ai temos os blaugrana vetados oficialmente até ao dia 1 de Janeiro de 2016. Parecia caso único mas não era.
A imprensa radiofónica espanhola começou ontem a notificar nos programas desportivos nocturnos que a mesma sanção iria ser aplicada tanto ao Real como ao Atlético de Madrid. Uma vez mais a forma como os clubes assinavam com menores, falseavam documentação, procuravam o acordo dos pais (a FIFA exige que a família viva com o jogador no seu novo local de treino, por exemplo) quando na realidade tudo não passava de uma ficção para "inglês ver" é o motivo oficial por detrás desta sanção. Os mais dados ás teorias da conspiração falam no interesse do Real Madrid em prejudicar o Barcelona e a pressão do Barcelona, à posteriori, para devolver a moeda. Há também quem diga que atrás desta medida estão os poderosos qataris, interessados em congelar o absorvente mercado espanhol, para evitar o fluxo de estrelas para "La Liga" e com isso manter campeonatos como o francês com algumas das estrelas. Tudo rumores, tudo suspeitas, tudo teorias. É certo que a FIFA e a UEFA vivem uma guerra surda pelo poder, mas isso sempre passou. Ferir de morte a dois grandes clubes da UEFA é ferir Platini e o seu projecto ambicioso de derrocar Blatter mas, ironicamente, o mais prejudicado neste jogo é o melhor aliado de Blatter na UEFA, o espanhol Angel Maria Villar (que alguns vêm como seu sucessor putativo num eventual duelo com "Platoche". Guerras de tronos que em principio diriam pouco a um clube como o FC Porto mas que podem dizer muito.
Em primeiro lugar, se a suspensão for confirmada, é certo que Oliver Torres não vai voltar ao clube na próxima época.
Sem poder assinar com novos jogadores o plantel do Atlético de Madrid vai necessitar forçosamente de ter todos os seus activos de valor consigo e Oliver é um deles. Sofreria, jogaria menos do que merecia mas nenhum gestor com cabeça o deixaria sair se não houvesse alternativa. O problema não estaria apenas em Oliver. Caso o FCP insistisse em continuar a procurar novos empréstimos no futebol espanhol, uma sanção deste estilo levaria o clube a encontrar-se com um problema de disponibilidade já que nem Barcelona nem Real Madrid - e muito menos o Atlético - teriam jogadores livres para dispensar. O Real já mostrou intenção de recuperar Casemiro e pensava seriamente na opção de emprestar ao FC Porto Lucas Silva ou Odegaard para o próximo ano para repetir a operação de rentabilização (nem Keylor Navas nem Illarramendi estão neste pack) mas com esta sanção é altamente improvável que o faça. O mesmo sucede com o Barcelona, clube a quem o FC Porto cobiça o empréstimo de dois futebolistas, Gerard Deulofeu e Sergi Robert, em moldes parecidos ao negócio Tello. São casos que estão oficialmente em standby até porque o Barcelona continua oficialmente a recorrer da sua sanção para desbloquear a situação.
Outro ponto importante é o caso Danilo.
Danilo está oficialmente vendido ao Real Madrid. Mas se a suspensão do Real Madrid se oficializar antes do dia 1 de Julho - como é provável - e não houver recurso que lhes valha, Danilo não pode ser inscrito. A suspensão não proíbe os clubes de contratar o deter passes de novos jogadores o que impede é a sua utilização através da inscrição na liga. Portanto o Real teria pago mais de 35 milhões de euros por um jogador que não poderia, a todos os efeitos, utilizar durante um ano completo.
Esse cenário é complexo.
Como não conhecemos os detalhes do negócio não sabemos se o Real guardou alguma clausula em que podia cancelar o negócio caso este cenário se desse. Afinal todos sabiam já desde 2014 que o Real estava no ponto de mira da FIFA por queixas formais do Barcelona e isso apressou também a contratação de Asensi, extremo do Mallorca muito prometedor, e de Odegaard, inscritos oficialmente em Dezembro e portanto já parte do clube tal como Lucas Silva que chegou á pressa e tem sido escassamente utilizado o que diz muito do interesse real do Ancelotti em tê-lo já ás suas ordens. Também Javier Hernandez foi emprestado e esse empréstimo pode ser prolongado um ano mais já que, ao estar inscrito, está ao abrigo da suspensão. Mas Danilo não.
Danilo foi contratado - paga a primeira tranche - mas oficialmente é ainda um jogador inscrito pelo FC Porto e se o Real não o conseguir inscrever, é um activo seu mas na prateleira.
Uma vez mais reforçamos, não sabemos se há alguma clausula no negócio de Danilo que permita ao Real cancelar tudo ou se, pelo contrário, se abriu uma hipótese de Danilo ficar um ano emprestado, até caducar a suspensão, e depois ser oficialmente inscrito pelo Real Madrid. O curioso é que o próprio Danilo descartou o Barcelona - onde joga um dos seus melhores amigos, Neymar - porque não queria esperar até Janeiro de 2016 (e porque o Barcelona exigia ao FCP não inscrever o jogador na Champions League para poder utiliza-lo na segunda fase). Seria irónico que, depois disso, lhe passe o mesmo.
No final tudo pode ficar em águas de bacalhau.
Dia 29 de Maio há uma eleição para a presidência da FIFA. Sepp Blatter vai ganhar, todos o dão já por assumido por muito que Luís Figo sonhe com um cargo numa candidatura suportada pelos Fundos de Investimento e os poderes mediáticos atrás da máquina Mendes que querem um futebol com menos regulação e mais dinheiro para todos. Uma vitória de Blatter é, habitualmente, seguida de uma amnistia geral e esse perdão pode desbloquear a situação. De certo modo é um teste á fidelidade de Villar e dos grandes clubes europeus, uma prova da FIFA de que são eles quem manda de verdade e não a UEFA e que quando seja preciso apertar, eles não vão hesitar um só segundo. Pode ser. Ou pode também isto significar novas regras no jogo, um cuidado extremo numa realidade que nos afecta. Não só porque, cada vez mais, clubes como o FCP têm de procurar na sua formação (e na contratação de talentos para a formação) o seu sustento como a punição de clubes com grande poder de inversão pode bloquear o mercado e com esse movimento colocar em risco muitos orçamentos de contas para clubes que, como nós, vivem no limite. Até ao Verão ainda falta muito tempo para dar algo por garantido mas o FCP deve tomar nota de tudo o que se passe porque cada detalhe é fundamental para perceber para que mundo o futebol caminha.
sexta-feira, 10 de abril de 2015
Podem algumas lesões ajudarem no sprint final?
A comunicação social tem vendido nos últimos dias a ideia de que o FC Porto pode vir a ser beneficiado por uma praga de lesões no Bayern de Munich. Ora quem escreve ou não sabe que, desde que chegou á capital bávara Pep Guardiola só teve o plantel completo em meia dúzia de semanas, ou não tem olhado para a lista de baixas do FCP. O Bayern está habituado a jogar ao máximo das suas capacidades sem alguns dos seus mais influentes jogadores. Têm plantel para isso. Não está Robben? Está Muller. Não está Schweinsteiger? Estará Javi Martinez. E assim sucessivamente. Já o Porto joga com as suas naturais limitações – muito superiores á dos alemães – e para nós uma baixa é um problema muito mais grave. É mesmo?
A eliminatória contra o Bayern vai ser bonito e emocionante especialmente porque há muito tempo que não se respira o vento dos quartos de final no Dragão. Mas, tal como sucedeu da última vez, o FC Porto não só não é favorito como tem pela frente o máximo candidato ao titulo. Em 2009 foi o Manchester United - detentor do troféu e agora é o Bayern. O que o FCP deve (e pode) fazer é, como mínimo, repetir a mesma atitude que teve então, obrigando o todo poderoso Man Utd a sofrer até ao fim para passar. Fomos Dragões em Old Trafford e em casa só caímos com um golo do outro mundo. Ninguém dava nada por nós e ninguém podia apontar-nos nada no final da eliminatória. Tudo o que não seja isso é um milagre (que também acontece no futebol) e é preciso assumir essa realidade sem baixar nunca a cabeça.
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| (foto: Mais Futebol) |
A prioridade é e deve ser o campeonato.
A equipa perdeu uma grandíssima oportunidade na Madeira de depender de si mesma para ser campeã com um grau de dificuldade menor. Ainda depende de si, sim, mas depende sobretudo de marcar mais de 2 golos na Luz. Possível mas difícil, especialmente tendo em conta que em casa o Benfica nunca fica a zero. O que era impossível há dois meses agora não o é tanto (ainda que continue a ser muito difícil) e deve ser aí que Lopetegui tem de apontar o arsenal. O objectivo mínimo da Champions (chegar aos oitavos) e o óptimo (chegar aos quartos) foi cumprido. A Liga é outra história.
Tudo isto a propósito das lesões. A de Tello é um problema. Vai falhar o jogo com o Bayern e também, seguramente, o jogo na Luz. Contra os dois rivais seria um futebolista extremamente útil a explorar espaços e a utilizar o seu 1x1 nos duelos directos. Vamos sentir a sua falta. Mas qualquer outra baixa para os jogos europeus pode ser uma benesse para a liga. É verdade que o FC Porto tem de ganhar os dois jogos antes da Luz (Rio Ave e Académica, que não vão ser pêras doces) para ter alguma opção mas não é menos certo que chega com jogadores a recuperarem de lesões como Jackson e Oliver e, portanto, mais frescos que alguns dos seus colegas a que se nota claramente a falta de pernas. O mesmo se pode dizer de Danilo ou Casemiro, cujas breves paragens ajudaram a repor oxigénio. E Brahimi, que levou uma sova tremenda em Janeiro na CAN, está a pouco e pouco a recuperar o seu ritmo.
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| (foto: Mais Futebol) |
Não são as condições ideias para uma eliminatória Champions mas podem ser condicionantes positivos para preparar o assalto final á Liga onde temos de ser perfeitos em todos os sentidos. E são muitos minutos nas pernas (o Benfica está de férias desde Dezembro a meio da semana) para aguentar sem quebras esta tensão final. Ás vezes pausas forçadas – porque nenhum jogador quer parar de moto próprio e menos para jogos europeus – são um auxilio inesperado para o treinador. No final de contas, algumas das lesões em questão podem vir a ter efeitos positivos neste sprint final.
quinta-feira, 26 de março de 2015
O ponto de situação do "caso Oliver"
A notícia da semana em Madrid foi a renovação – até 2020 –
de Diego Pablo Simeone.
É uma renovação com matizes (todos os anos, até 2020, ambas
partes podem chegar a um acordo amigável que basicamente quer dizer que quando
Simeone quiser aceitar uma das muitas ofertas que tem, pode sair sem prejuízo financeiro)
mas que consolida definitivamente a sua presença como máxima figura no
Calderón. Tudo gravita à sua volta e a sua obsessão – ganhar a Champions League
com os “colchoneros” – vai ser o motor dos próximos anos. O clube assume que a
38 jogos é difícil ombrear com Real Madrid ou Barcelona para repetir o titulo
da liga do ano passado mas sabe que na Europa, com jogos a eliminar, a conversa
é outra. E essa é também uma noticia importante para o FC Porto.
O clube está desde Janeiro a falar com os principais
responsáveis desportivos do campeão espanhol, Gil Marin (filho do mítico
presidente Gil y Gil) e Caminero, director desportivo e a voz de Simeone nas
reuniões. O que tínhamos adiantado na altura parece confirmar-se cada vez mais e a
renovação de Simeone reforça-o. Muito dificilmente Oliver Torres voltará a
jogar no Atlético de Madrid enquanto o argentino for treinador. Em equação – e fundamental
para a renovação – entrou outra variável. O investimento de um milionário
chinês Wang Jianlin, que adquiriu um pack importante de acções da SAD colchonera, cerca de 20%, sob a
promessa de sustentar financeiramente o clube na sua corrida à Champions,
correspondia às exigências do treinador que quer que o Atlético deixe de ser
uma equipa vendedora e possa atrair ao Manzanares jogadores de topo. Na lista
de exigências do argentino há três nomes escritos em letras maiúsculas: o
avançado uruguaio Edison Cavani, o médio argentino Javier Pastore e o extremo
Marco Reus. São os principais objectivos do novo Atlético e é altamente
provável que, pelo menos dois deles, sejam contratados para o próximo ano.
O clube de Madrid vai estar muito activo no próximo defeso.
Com ordem de saída no plantel estão Siqueira, Mandzukic, Miranda e Oblak. Arda
Turan tem ofertas importantes e poderá sair. Tiago ficará apenas mais uma
temporada e o capitão Gabi – debaixo de um processo de corrupção desportiva –
vai ter cada vez menos protagonismo. Simeone quer montar uma estrutura de
meio-campo e ataque onde Reus, Koke e Griezzman sejam o apoio a Cavani, com
Saul e Tiago ou Gabi no apoio medular. Seria um onze muito mais forte do que
o actual e, sobretudo, um onze sem espaço para Oliver Torres.
Simeone já deixou claro que não conta com o jovem criativo
no seu esquema de jogo. O clube não se
quer desprender de uma das suas maiores pérolas nem o jogador que quebrar o
vinculo com o Atlético mas se essas movimentações taparem qualquer
possibilidade de jogar de Oliver, a saída parece inevitável .O Atlético vai
comprar muito mas também vai ter de vender para respeitar o Financial Fair Play
e é importante cortar o máximo de pontas soltas no plantel. Um novo empréstimo
só é opção se for o FC Porto. Nem o jogador quer ir para outro lugar emprestado
nem o clube está disposto a ter Oliver noutro clube sem sacar algum tipo de
rendimento ou emprestá-lo a um rival directo em Espanha (Sevilla e Villareal são
os interessados) não é opção para o clube. Oliver tem mercado – e muito especialmente
depois deste ano – e a sua recuperação para posterior venda é neste momento o
cenário mais provável. O Atlético guardaria uma opção de recompra sobre o
jogador no período de dois anos para onde quer que vá por um valor nunca
superior aos 20 milhões de euros. O médio tem mercado em toda a Europa mas as necessidades
de Simeone são prioridade. E aí entra o eventual duelo que pode ditar o seu
destino. Um FC Porto vs Borussia Dortmund.
Simeone quer Reus. Já tentou de tudo neste último defeso – o
jogador esteve mesmo a ponto de assinar mas as exigências do Dortmund
(pagamento a pronto da cláusula) impediram o negócio – e vai voltar à carga. O
jogador também está interessado em jogar em Espanha. Klopp já assumiu que vai
perder Reus – o último pilar da sua grande equipa com Gotze e Lewandowski no
ataque – mas em troca quer Oliver. É um admirador confesso do médio, acredita
que pode ser importante para impor ordem no meio-campo do Dortmund e sabe que
incluir o jogador pode baixar o preço a pagar por Reus. Por dez milhões de
euros teria um jogador de uma enorme projecção que taparia uma vaga na equipa e
ainda deixava dinheiro para reforçar outras áreas. O Atlético está disposto a
ir por esse caminho – o jogador não acha tanta piada – e a operação já teve luz
verde de Simeone mas o FC Porto voltou à carga explorando a grande debilidade
dos colchoneros este ano: o lateral esquerdo.
Depois da venda de Filipe Luis, jogador fundamental nos anos
anteriores, o Atlético foi ao mercado buscar Siqueira (num negócio mediado por
Mendes com Quique Pina) e conseguiu, por empréstimo, o argentino Ansaldi.
Simeone está insatisfeito com ambos. Ao primeiro considera pouco profissional e
aplicado e ao segundo, a situação de empréstimo, o elevado salário que recebe e
a falta de rendimento por contínuas lesões parecem descartar a sua contratação.
Tanto que é Jesus Gamez, lateral direito, quem tem ocupado a posição. Assinar
com um lateral é a prioridade máxima da equipa e o Atlético tem tentado
convencer Mendes a persuadir o Chelsea a emprestar de novo um
Filipe Luis que não tem tido minutos em Londres. Tudo depende desse negócio. Se
Mourinho se mantiver inflexível, o Atlético vai ter de ir ao mercado. E aí
aparece Alex Sandro. O lateral acaba contrato no próximo ano (como Danilo), tem
mercado e o rendimento desportivo, ainda que bom, tem baixado esta época em
relação à anterior. No Dragão a opinião geral – que partilho – é que é a melhor
altura para vender o brasileiro e se essa venda incluir Oliver no negócio (com
um empréstimo com opção de compra ou, cenário mais improvável, compra
definitiva imediata), todos saíam a ganhar. O jogador, claramente, prefere esta
segunda opção. Está com o seu “pai” futebolístico, perto de casa e num clube
que já conhece e que o valoriza.
Neste cenário o destino de Oliver está nas mãos de muita
gente. Uma equação complicada que envolve Jorge Mendes, José Mourinho, Jurgen
Klopp, Marco Reus e Alex Sandro. Um cenário assim é sempre imprevisível e tudo
pode suceder até Julho. O que é certo é que Simeone não quer Oliver, o jogador
prefere o FC Porto a qualquer outro cenário longe de Madrid e o clube tem feito
de tudo para garantir o seu concurso para o próximo ano. As cartas estão na
mesa mas o jogo ainda está longe de acabar.
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015
Caso Oliver, ponto de situação
Parece evidente que a temporada 2014-15 do FC Porto em campo tem quatro nomes próprios.
Jackson Martinez continua a demonstrar sem um avançado de excelência mas deve estar de saída. Um "pacto de cavalheiros" assinado no passado Verão, como sucedeu com Deco, que o clube vai cumprir. Ruben Neves foi a grande revelação e tem um futuro imenso pela frente, que a sorte o acompanhe contra as lesões. Brahimi foi a grande contratação do ano. Os primeiros quatro meses do argelino foram imensos. O jogador não teria chegado ao clube sem o apoio da Doyen e a mediação de Jorge Mendes e irá quando estes quiserem. É algo que o clube tem perfeitamente assumido. E depois, depois está Oliver Torres.
Oliver chegou emprestado em Julho. Um empréstimo de apenas uma temporada como petição expressa de Julen Lopetegui, treinador que o conhecia bem das camadas jovens do futebol espanhol, onde foi seu treinador. É uma das maiores pérolas do futebol europeu na sua posição. Com 19 anos é mais um nessa escola de "bajitos" como Xavi, Iniesta, Isco, Mata, Silva, Cazorla, Dennis Suarez e companhia. Um talento fora de série que a primeira parte da época confirmou. Naturalmente houve altos e baixos, o mais normal do mundo num jogador com menos de vinte anos que teve, em alguns casos, de jogar fora da posição medular. O FC Porto tinha o seu próprio "Oliver", Tozé, que continua emprestado e a dar boa conta do recado no Estoril mas o espanhol é um jogador mais fino, menos vertical e com melhor toque de bola. Para o modelo de jogo de Lopetegui era o eixo perfeito entre a classe de Brahimi, o estilo de jogo de Jackson e a visão de Ruben Neves. O eixo nuclear da equipa.
O médio espanhol chegou com empréstimo de um ano. O FC Porto quer algo mais. E pode ser que aquilo que até há uns meses era impossível possa mesmo suceder.
Porque Oliver tem um problema, um problema chamado Simeone. O treinador argentino é actualmente o senhor indiscutível do Atlético de Madrid. Nada sucede na área desportiva do clube sem o seu consentimento. Foi o responsável por lançar Oliver ás feras, o seu primeiro defensor. Mas Simeone sempre olhou para o "bajito" com suspeita. Via-o muito técnico e com pouca intensidade fisica para se adaptar ao seu estilo de jogo, um estilo que todos sabemos como funciona. Pressão alta de um meio-campo fisicamente possante e com boa visão de jogo, transições rápidas, muitos jogos decididos a bola parada. Nesse esquema Oliver conta pouco. Tanto que o técnico preferiu em Dezembro do ano passado, em plena luta pelo titulo - que ganhou - e pela Champions - que perdeu na final - enviar o jogador para o Villareal. Uma escolha com sentido. O clube levantino tem um modelo de jogo radicalmente diferente do praticado pelo Atlético, muito mais parecido ao de Lopetegui. Oliver foi e quem ficou na primeira equipa com minutos de jogo acumulados foi o pequeno Saul, um jogador da sua geração, igualmente talentoso mas muito mais do gosto de Simeone pelo seu trabalho sem bola. Saul é o elegido do argentino e o jogador que conta para assumir protagonismo no meio-campo. Oliver caiu lá para trás na sua lista de escolhas. Mas Simeone não é a única variante neste negócio.
Quando o Atlético de Madrid assinou com David Villa a principio da temporada passada por um valor irrisório, muitos ficaram surpreendidos. Na realidade os clubes chegaram a um acordo de cavalheiros em que os blaugrana tinham o direito preferencial sobre três jogadores da formação colchonera: o lateral Manquillo (actualmente no Liverpool) e os médios Saul e Oliver. O Barcelona tem direito de opção por um valor estipulado para cada jogador - no caso de Oliver ronda os 15 milhões de euros - e tinha três anos para exercer o direito de compra. Por um lado o clube blaugrana já tem em filas jogadores para essa posição como o já citado Dennis Suarez mas também Rafinha Alcantara e Sergi Robert. Por outro lado, e isso complicou muito as contas, a FIFA vetou o clube de acudir ao mercado de transferências. O Barcelona pode comprar mas não registar jogadores e isso esfriou o interesse do clube catalão nos jogadores do Atlético.
Por fim está a indefinição que um clube como o Atlético de Madrid sempre vive.
Simeone já avisou que, caso ganhe a Champions League ou repita triunfo na liga, sai do clube. Considera que cumpriu todos os objectivos e tem ofertas de Inglaterra (Liverpool) e Itália (Inter). Portanto nada será concretizado até Maio em entradas e saídas. Se Simeone ficar, os jogadores com que não conta num principio terão mais fácil decidir o seu futuro. É o caso de Oliver, que o clube não quer vender mas cujo prolongamento do empréstimo ao FC Porto ou a outro clube seria possível e desejável. Se Simeone for embora o desejo do clube é recuperar imediatamente o jogador salvo que o novo técnico diga algo em contrário. Por outro lado estão as saídas.
O Atlético é um clube vendedor e receberá ofertas sobretudo por Koke e Griezzman. No caso do espanhol a sua posição nuclear é similar à de Oliver ainda que o seu suplente actual seja Saul. Por outro lado Tiago - braço direito de Simeone em campo - está perto da reforma e Arda Turan tem ofertas para sair. O caso do turco é importante. Tecnicamente é o mais parecido que há no plantel do Atleti a Oliver. Mas Arda é um homem e Oliver um menino e Simeone valoriza essa diferença. Só há lugar para um jogador desse perfil na equipa. Estando o turco, o lugar é seu. O Atlético está pendente de ver se a estrutura da medular (quatro titulares aos que se podia juntar Mario Suarez também com ofertas de Itália) se mantém igual ou não e dependendo do que suceder valorizará recuperar Oliver Torres.
São muitos variantes ainda em jogo e é difícil que até Maio a situação se esclareça. Até porque ainda está o jogador. Oliver quer triunfar e muito no Calderón. A sua primeira opção é voltar e tentar demonstrar na pre-temporada a Simeone que cresceu. E é bastante possível que a pré-época a faça em Espanha. Salvo se Simeone é categórico com o jogador é que Oliver verá com bons olhos um novo (e último) empréstimo. E nesse caso o Porto terá sempre prioridade para o médio que conta com a confiança do treinador (e se Lopetegui sair é certo a 100% que Oliver não volta também) e a admiração dos colegas. Não é de descartar que o FC Porto guarda o ás na manga de recuperar um Oliver descartado por Simeone em Agosto e não desde o inicio do ano.
O que é certo é que actualmente há uma linha de diálogo aberta oficiosamente entre todas as vertentes desta equação, um diálogo que começou há alguns dias. A mediação de Mendes, como sempre, será fundamental. A sua influência nas mexidas dos colchoneros no mercado é mais do que conhecida e o FC Porto joga com essa carta. Mendes não é empresário de Oliver mas tem um papel chave neste (e noutros) negócios. O mais provável é que se estabeleça um acordo de cavalheiros em que nós tenhamos prioridade absoluta num novo empréstimo (nunca compra, repito!) e que o Atlético tenha até Junho para clarificar a situação com o Porto, o que não exclui o volte-face que mencionamos antes de um empréstimo express em Agosto.
Mas, se há um par de meses era impossível imaginar Oliver um ano mais, a prolongação do empréstimo é agora uma realidade cada vez mais lógico. Sem ser primeira opção do treinador (mas sim do clube que não considera vendê-lo ao FC Porto nem a outro clube, salvo oferta mirabolante superior aos 15 milhões de euros e com o OK do Barcelona) é perfeitamente possível que Oliver queira ficar. Dos negócios do Atlético, do destino e desejos de Simeone depende agora tudo. Até Junho muito pode passar mas Oliver pode ser perfeitamente o primeiro reforço para 2015-16.
Jackson Martinez continua a demonstrar sem um avançado de excelência mas deve estar de saída. Um "pacto de cavalheiros" assinado no passado Verão, como sucedeu com Deco, que o clube vai cumprir. Ruben Neves foi a grande revelação e tem um futuro imenso pela frente, que a sorte o acompanhe contra as lesões. Brahimi foi a grande contratação do ano. Os primeiros quatro meses do argelino foram imensos. O jogador não teria chegado ao clube sem o apoio da Doyen e a mediação de Jorge Mendes e irá quando estes quiserem. É algo que o clube tem perfeitamente assumido. E depois, depois está Oliver Torres.
Oliver chegou emprestado em Julho. Um empréstimo de apenas uma temporada como petição expressa de Julen Lopetegui, treinador que o conhecia bem das camadas jovens do futebol espanhol, onde foi seu treinador. É uma das maiores pérolas do futebol europeu na sua posição. Com 19 anos é mais um nessa escola de "bajitos" como Xavi, Iniesta, Isco, Mata, Silva, Cazorla, Dennis Suarez e companhia. Um talento fora de série que a primeira parte da época confirmou. Naturalmente houve altos e baixos, o mais normal do mundo num jogador com menos de vinte anos que teve, em alguns casos, de jogar fora da posição medular. O FC Porto tinha o seu próprio "Oliver", Tozé, que continua emprestado e a dar boa conta do recado no Estoril mas o espanhol é um jogador mais fino, menos vertical e com melhor toque de bola. Para o modelo de jogo de Lopetegui era o eixo perfeito entre a classe de Brahimi, o estilo de jogo de Jackson e a visão de Ruben Neves. O eixo nuclear da equipa.
O médio espanhol chegou com empréstimo de um ano. O FC Porto quer algo mais. E pode ser que aquilo que até há uns meses era impossível possa mesmo suceder.
Porque Oliver tem um problema, um problema chamado Simeone. O treinador argentino é actualmente o senhor indiscutível do Atlético de Madrid. Nada sucede na área desportiva do clube sem o seu consentimento. Foi o responsável por lançar Oliver ás feras, o seu primeiro defensor. Mas Simeone sempre olhou para o "bajito" com suspeita. Via-o muito técnico e com pouca intensidade fisica para se adaptar ao seu estilo de jogo, um estilo que todos sabemos como funciona. Pressão alta de um meio-campo fisicamente possante e com boa visão de jogo, transições rápidas, muitos jogos decididos a bola parada. Nesse esquema Oliver conta pouco. Tanto que o técnico preferiu em Dezembro do ano passado, em plena luta pelo titulo - que ganhou - e pela Champions - que perdeu na final - enviar o jogador para o Villareal. Uma escolha com sentido. O clube levantino tem um modelo de jogo radicalmente diferente do praticado pelo Atlético, muito mais parecido ao de Lopetegui. Oliver foi e quem ficou na primeira equipa com minutos de jogo acumulados foi o pequeno Saul, um jogador da sua geração, igualmente talentoso mas muito mais do gosto de Simeone pelo seu trabalho sem bola. Saul é o elegido do argentino e o jogador que conta para assumir protagonismo no meio-campo. Oliver caiu lá para trás na sua lista de escolhas. Mas Simeone não é a única variante neste negócio.
Quando o Atlético de Madrid assinou com David Villa a principio da temporada passada por um valor irrisório, muitos ficaram surpreendidos. Na realidade os clubes chegaram a um acordo de cavalheiros em que os blaugrana tinham o direito preferencial sobre três jogadores da formação colchonera: o lateral Manquillo (actualmente no Liverpool) e os médios Saul e Oliver. O Barcelona tem direito de opção por um valor estipulado para cada jogador - no caso de Oliver ronda os 15 milhões de euros - e tinha três anos para exercer o direito de compra. Por um lado o clube blaugrana já tem em filas jogadores para essa posição como o já citado Dennis Suarez mas também Rafinha Alcantara e Sergi Robert. Por outro lado, e isso complicou muito as contas, a FIFA vetou o clube de acudir ao mercado de transferências. O Barcelona pode comprar mas não registar jogadores e isso esfriou o interesse do clube catalão nos jogadores do Atlético.
Por fim está a indefinição que um clube como o Atlético de Madrid sempre vive.
Simeone já avisou que, caso ganhe a Champions League ou repita triunfo na liga, sai do clube. Considera que cumpriu todos os objectivos e tem ofertas de Inglaterra (Liverpool) e Itália (Inter). Portanto nada será concretizado até Maio em entradas e saídas. Se Simeone ficar, os jogadores com que não conta num principio terão mais fácil decidir o seu futuro. É o caso de Oliver, que o clube não quer vender mas cujo prolongamento do empréstimo ao FC Porto ou a outro clube seria possível e desejável. Se Simeone for embora o desejo do clube é recuperar imediatamente o jogador salvo que o novo técnico diga algo em contrário. Por outro lado estão as saídas.
O Atlético é um clube vendedor e receberá ofertas sobretudo por Koke e Griezzman. No caso do espanhol a sua posição nuclear é similar à de Oliver ainda que o seu suplente actual seja Saul. Por outro lado Tiago - braço direito de Simeone em campo - está perto da reforma e Arda Turan tem ofertas para sair. O caso do turco é importante. Tecnicamente é o mais parecido que há no plantel do Atleti a Oliver. Mas Arda é um homem e Oliver um menino e Simeone valoriza essa diferença. Só há lugar para um jogador desse perfil na equipa. Estando o turco, o lugar é seu. O Atlético está pendente de ver se a estrutura da medular (quatro titulares aos que se podia juntar Mario Suarez também com ofertas de Itália) se mantém igual ou não e dependendo do que suceder valorizará recuperar Oliver Torres.
São muitos variantes ainda em jogo e é difícil que até Maio a situação se esclareça. Até porque ainda está o jogador. Oliver quer triunfar e muito no Calderón. A sua primeira opção é voltar e tentar demonstrar na pre-temporada a Simeone que cresceu. E é bastante possível que a pré-época a faça em Espanha. Salvo se Simeone é categórico com o jogador é que Oliver verá com bons olhos um novo (e último) empréstimo. E nesse caso o Porto terá sempre prioridade para o médio que conta com a confiança do treinador (e se Lopetegui sair é certo a 100% que Oliver não volta também) e a admiração dos colegas. Não é de descartar que o FC Porto guarda o ás na manga de recuperar um Oliver descartado por Simeone em Agosto e não desde o inicio do ano.
O que é certo é que actualmente há uma linha de diálogo aberta oficiosamente entre todas as vertentes desta equação, um diálogo que começou há alguns dias. A mediação de Mendes, como sempre, será fundamental. A sua influência nas mexidas dos colchoneros no mercado é mais do que conhecida e o FC Porto joga com essa carta. Mendes não é empresário de Oliver mas tem um papel chave neste (e noutros) negócios. O mais provável é que se estabeleça um acordo de cavalheiros em que nós tenhamos prioridade absoluta num novo empréstimo (nunca compra, repito!) e que o Atlético tenha até Junho para clarificar a situação com o Porto, o que não exclui o volte-face que mencionamos antes de um empréstimo express em Agosto.
Mas, se há um par de meses era impossível imaginar Oliver um ano mais, a prolongação do empréstimo é agora uma realidade cada vez mais lógico. Sem ser primeira opção do treinador (mas sim do clube que não considera vendê-lo ao FC Porto nem a outro clube, salvo oferta mirabolante superior aos 15 milhões de euros e com o OK do Barcelona) é perfeitamente possível que Oliver queira ficar. Dos negócios do Atlético, do destino e desejos de Simeone depende agora tudo. Até Junho muito pode passar mas Oliver pode ser perfeitamente o primeiro reforço para 2015-16.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2015
Sete longos meses sem fins-de-semana
Agora que, salvo algo de monstruoso que ninguém acredita que possa suceder, tudo ficou resolvido, vão ser sete longos meses (até ao início da próxima época) em que, jogos mesmo a sério, só iremos ter dois (ok, quatro se eliminarmos o Basileia e partindo do princípio que temos realmente equipa para discutir uns quartos-de-final de Liga dos Campeões).
Se quisermos ser bondosos, poderemos acrescentar uma eventual final da taça da Liga (a tal que ninguém gostava) a esta pequena lista de jogos minimamente interessantes até ao final de Agosto.
Muito argumentarão que, dada a nossa inacreditável vantagem de apenas um ponto em relação ao scp, os jogos continuarão todos a ser a sério até final. Bem, falar em lutas pelo segundo-lugar soa até ofensivo para um clube com o nosso palmarés nos últimos 30 anos. Por muito aborrecido que seja ter que jogar uma pré-eliminatória para aceder à "Champions", a grande verdade é que ficar em segundo ou terceiro não aquece nem arrefece ninguém.
Na verdade, podemos até evitar falar em "travessias do deserto" mas de uma seca monumental já ninguém nos livra. De repente, nos próximos fins-de-semana, as ligas estrangeiras tornar-se-ão ainda mais cativantes e até as outras modalidades terão um renovado interesse aos nossos olhos.
O mais penoso nisto tudo é que diferença futebolística está longe de estar reflectida nestes largos pontos que nos separam do nosso rival. Habitualmente, tamanho "buraco" traduz uma série de insuficiências de um dos lados, algo que está longe de ser verdade na presente época. Tirando os fanatismos habituais, este slb parece inferior às recentes versões passadas.
Por isso mesmo, não é tarefa fácil explicar estes últimos acontecimentos. Tendo a presente temporada como ponto inicial de análise, existirão obviamente vários erros próprios mas nenhum com tamanho suficiente para que alguém possa acreditar, com toda a convicção, que tudo poderia ter sido diferente.
Mas vamos lá a esses "pormenores" que, não tendo sido decisivos, foram erros que nos deverão servir de lição:
Ghilas é melhor que Adrián, ponto. O primeiro deveria ter ficado e o segundo não deveria ter sido adquirido em mais uma das nossas "confusas" contas com o Atlético Madrid.
Tozé, se é que a equipa B realmente serve para algo, teria também lugar neste plantel. Não existe esse abismo, como muitos acreditam, em relação a Óliver. No fundo, é tudo uma questão de apostas. O espanhol, mesmo vindo emprestado, é aposta assumida desde a primeira hora, já o português foi sempre olhado de lado. E é nesta falta de confiança que muitos se perdem.
Já a saída de Josué, embora num patamar mais debatível, deixou também dúvidas. E deixemos, por agora, a eterna questão-Kelvin para outras núpcias.
Mas, tendo assim o plantel sido escolhido, haveria melhor "11" que aquele habitualmente colocado em campo, excessivas rotações à parte?
Bem, se olharmos com cuidado para os quase 11 meses de titularidade de Fabiano, quantos pontos ou vitórias lhe devemos? Certo que, não havendo Hélton por largos meses, as alternativas eram praticamente nulas. Mas, e agora com o capitão de regresso e em grande forma? Que desculpa pode haver? Que motivação terá, daqui em diante, um jogador a quem for dada uma "oportunidade" na taça da Liga, sabendo ele que nem uma exibição de qualidade máxima lhe abrirá as portas da equipa principal?
Já quanto a Alex Sandro, há mais de ano e meio que joga metade daquilo que rendia quando alcançou a titularidade. Danilo, que até começou bem, parece de regresso ao seu habitual modo de "não te rales muito", que ele sempre acciona quando os resultados deixam de aparecer.
Mas, lá está, com Ricardo e José Ángel teríamos agora mais pontos? Nenhumas garantias de tal, se quisermos ser absolutamente honestos.
E quanto ao resto? Bem, Maicon continua a ser Maicon, como aquela oportunidade desperdiçada logo nos minutos iniciais no Funchal nos relembrou. O nosso adversário directo não falharia aquela oportunidade madrugadora para ficar logo em (decisiva) vantagem.
De resto, confirma-se que Casemiro e Tello são úteis mas nada do outro mundo, como a qualidade dos seus clubes de origem poderia fazer crer. Pelo menos, ainda estão num patamar inferior àquele onde se situam Jackson, Brahimi e até mesmo Quaresma. E é este patamar que se exige a quem quer ser titular de longa duração num clube como o nosso.
Por fim, e basta olhar para o seu rosto, Quintero passou de jovem alegre e cheio de potencial para alguém a quem as mordaças tácticas transformaram num jogador apavorado pelo receio de falhar. Bem escondido continua ele pelas extremidades do campo, e isto quando joga. Quem ficou a ganhar com esta sua "domesticação"? Pois, ninguém ao certo saberá responder.
Mas estaria o FCP a discutir, ombro-a-ombro, o primeiro lugar se o atrás descrito tivesse acontecido de outra forma? Provavelmente não, e é isto que mais assusta: do ponto em que se iniciou a presente temporada, não se vislumbra grandes alternativas para um futuro diferente. Isto porque, sem "fundos", os empréstimos vindos dos " grandes" europeus tenderão a aumentar ainda mais e, em termos de liderança, como se tem visto, é cada vez mais difícil arranjar melhor.
Poderemos, então, melhorar em quê, durante estes penosos meses que se avizinham? A nossa obsessão pela posse de bola, ao contrário do que se apregoa, soa a excessiva. Reparemos que o nosso rival abriu o marcador em dois lances de futebol directo nas suas duas últimas saídas (Penafiel e Marítimo). Já nós, nem no último segundo contra um Marítimo, com tudo praticamente perdido, o nosso guarda-redes foi autorizado a avançar para a área contrária, num lance de bola parada.
Na liga portuguesa, exagerar na posse e num futebol "rendilhado", especialmente fora de portas, pode ser contra-produtivo. É uma lição que levamos desta temporada. As nossas habituais e tão elogiadas estatísticas, ao invés de serem motivo para orgulho, podem muito bem ser a mais clara expressão do nosso falhanço. Isto porque as nossas oportunidades reais de golo são em número vergonhoso para tamanho "controlo" das partidas. E o inverso sucede com praticamente todos os adversários que encontramos pela frente: por menos oportunidades que tenham, conseguem sempre criar perigo.
Por último, o factor-sorte. Todos sabemos que esta se conquista e dará mesmo muito trabalho alcançá-la, mas temos que honestamente reconhecer que a sorte, em 2014/15, nada quer connosco. Não que, alguma vez, se a deva usar como principal desculpa.
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sábado, 17 de janeiro de 2015
Como é possível?
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| Lopetegui no meio do dilúvio de Penafiel (fonte: LUSA / José Coelho) |
Como é possível, em 2015, disputarem-se jogos do campeonato português em estádios com “relvados” destes?
Perante a intempérie que caiu em Penafiel e constatando-se o agravamento, minuto a minuto, do estado do “lamaçal”, como é possível que o jogo tenha sido reatado após o intervalo, quando eram visíveis vastas zonas do pretenso “relvado” completamente alagadas e onde a bola não rolava?
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| A equipa do FC Porto venceu no lamaçal de Penafiel (clicar na imagem para ampliar) |
Como é possível que, quer o jornalista, quer o comentador da SportTv, tenham afirmado, de forma quase indignada, que o 1º golo do FC Porto tinha sido precedido de um fora-de-jogo clamoroso de Casemiro quando, parando a imagem no momento do passe de Jackson, vê-se que o médio brasileiro do FC Porto está em linha com o último defensor penafidelense?
Nota: É justo dizer que, durante a 2ª Parte e no final do jogo, o comentador da SportTv – Luís Freitas Lobo – após rever as imagens do lance, rectificou o que tinha dito antes e assumiu que o 1º golo do FC Porto era perfeitamente legal.
Como é possível, que o jornalista que a SportTv enviou para Penafiel – Rui Pedro Rocha –, tenha levantado dúvidas da legalidade dos três golos do FC Porto e, mesmo após as imagens televisivas terem comprovado que os golos não tinham sido precedidos por qualquer irregularidade, esse senhor tenha continuado a querer alimentar as dúvidas?
Como é possível, que um “minorca levezinho” como Óliver, não se tenha “afogado” na piscina de Penafiel e, pelo contrário, tenha sido um dos melhores em campo, com uma assistência, um golo e muito mais?
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| Cha Cha Cha deu espectáculo no “lamaçal” Penafiel (fonte: LUSA / José Coelho) |
Como é possível, um ponta-de-lança da categoria de Jackson (mais uma vez, o MVP do encontro), ainda estar a disputar o miserável campeonato português?
P.S. Quem diria que um dos momentos mais importantes do jogo, iria ser a substituição de Quaresma por Marcano?
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sexta-feira, 16 de janeiro de 2015
1993
Numa noite de insónia pouco habitual, pus-me a viajar pelos
muitos canais televisivos à disposição, até que desaguei no RTP Memória que retransmitia
o Farense-FCP do ano da graça de 1993. Essa jornada, segundo percebi do
saboroso relato de Gabriel Alves, realizou-se já no fecho do campeonato e com o
quase certo primeiro lugar no bornal do FCP. O jogo fez-se à luz do dia, estava
muito vento e foi arbitrado por Donato Ramos.
O FCP alinhou: Baía; Bandeirinha, Fernando Couto, Aloísio,
Vlk; Jaime Magalhães (Jorge Couto), Rui Filipe, André, Semedo; Domingos e
Kostadinov. O treinador era o brasileiro Carlos Alberto Silva. O resultado
final: 1-0 a favor da equipa algarvia, num jogo horrível, feito de colisão e
muito pontapé sem arte nem jeito e demasiadas vezes dirigidos às canetas do
adversário. Não jogávamos em “posse”, não saímos do 4x4x2, o meio campo foi
demasiado lento, aqui e acolá com algumas acelerações do mal-amado Semedo e a
única receita foi jogar para o Kostadinov que ainda incomodou, apesar da marcação
impiedosa do brasileiro Luisão. Domingos foi muito castigado o que o
condicionou. Apenas Aloísio e Vlk estiveram bem. Os restantes estiveram a um
nível pouco condizente com os seus pergaminhos. A nossa equipa apenas incluiu
três estrangeiros e dos portugueses só o André não veio da formação. A
arbitragem foi um horror e permitiu ao Farense uma postura de violência
inadmissível, nomeadamente no primeiro tempo. O comentador era hilariante e
julgou sempre as agressões claras do nosso opositor como sendo involuntárias.
21 anos separam-nos daqueles tempos; o futebol mudou
substancialmente e para melhor: na construção e qualidade do jogo, no preparo
físico, na intensidade e velocidade, com arbitragens de melhor qualidade e muito menos violento. Pela negativa, o colossal recurso a
jogadores estrangeiros em relação a esses tempos e a míngua de atletas da
formação na constituição da nossa equipa principal. Outro contraste: o estádio do
Farense estava cheio. Muito idêntica ao que se passa nos nossos dias, a mediocridade do comentário que não mudou a
matriz: a falta de qualidade sustentada no duopólio que fornece a grande maioria dos comentadores da nossa praça:
SLB e SCP e, ainda por cima, mauzinhos, mauzinhos.
Sou o mais velho do RP o que não é mérito para além das
fragilidades que o envelhecimento provoca e continuarmos com vontade de andor
por aí. Apesar disso, não tenho saudades do passado nem do futuro. Fala-se
muito nestes tempos, na ausência de mística e aponta-se que nos falta na nossa
equipa actual mais amor à camisola e dá-se como exemplos maiores dessa ligação
clubista íntima, Vítor Baia e Jorge Costa. Gosto de ambos, mas na bola o atleta,
não raramente, cede às circunstâncias. VB não hesitou em emigrar para o
Barcelona, regressar depois de rejeitado no clube catalão com a garantia do mais alto
vencimento praticado no nosso país e, hoje, colabora com o incrível Record, enquanto JC
fugiu duas vezes, na primeira por ter atirado a braçadeira de capitão para o
relvado a segunda por não ter tido a capacidade de reconhecer que já não reunia
condições para ser titular. Um dos jogadores que mais aprecio no actual plantel
é Óliver Torres que sem qualquer ligação ao clube e à cidade se comporta como
sempre cá tivesse vivido ou saído da formação. O amor ao clube é importante,
mas não é decisivo: a qualidade e o profissionalismo estão primeiro, digo eu.
terça-feira, 16 de dezembro de 2014
É complicado...
Este tipo de derrotas são as mais difíceis de digerir e não apenas por ter acontecido contra o nosso principal rival.
Desta vez, contra o que frequentemente acontece, esta não teve causas óbvias e, por isso mesmo, as obrigatórias correcções poderão levar mais tempo.
Sim, é certo que, hoje por hoje, um Quaresma tem ainda mais futebol e experiência do que um verde Tello e que, por isso mesmo, deveria ter mais "tempo de antena" em campo. É também verdade que Óliver promete sempre muito mais do que aquilo que na realidade produz. E, se formos bem a ver, temos também um razoável número de titulares que dificilmente poderão ser considerados mais de que apenas "regulares" em termos de qualidade e classe (Fabiano, Marcano, Herrera e até, muito provavelmente, Casemiro).
Sendo tudo isto certo, o facto é que ainda soa a pouco para explicar estes 0-2.
O resultado é um misto de azar e de erros individuais (Danilo, Fabiano, Herrera e, em menor escala, Jackson).
O FCP fez muita coisa bem até sofrer o primeiro golo. Só depois, sim, é que deixou de ter a cabeça no sítio certo. O próprio slb terá perdido muitos jogos no Dragão em que terá feito bem mais do que neste Domingo. A questão é que, nas mais recentes épocas, o slb precisa de metade das nossas oportunidades para marcar o dobro dos golos. Para além disso, o árbitro auxiliar do slb-Rio Ave, explicou-nos, na perfeição, o resto que falta aqui dizer.
E, assim sendo, 6 pontos ressoa mesmo a sentença de morte. Eles que perderam apenas 5, até ao momento...
E isto nem começou aqui.
Colocando de parte os "compreensíveis" empates em Guimarães (sim, este com "mãozinha") e em Alvalade, a nossa primeira "morte" aconteceu mesmo naquela chuvosa noite contra o Boavista no Dragão (ainda hoje estamos para perceber a razão de Jackson ter escolhido jogar, na primeira parte, para a baliza onde o relvado pior se encontrava...).
Depois, o 2-2 no Estoril fez o resto, A partir desse empate estávamos mesmo obrigados a bater o slb em casa. Coisa, já se sabe, nunca garantida.
Demasiada pressão para ainda antes do Natal.
Que, ao menos desta vez, na Champions façamos a nossa obrigação de passar aos "quartos" dada a nossa clara superioridade em relação ao adversário. Que as derrotas passadas com Schalke e Málaga nos tenham servido de lição definitiva.
Quanto à liga, pouco mais nos resta que continuar a fazer a nossa obrigação e sofrer.
O que é uma pena pois, inversamente ao nosso rival, já vencemos outros campeonatos em que a nossa matéria-prima não era tão interessante como esta actual.
P.S.: A factura de não termos comprado o Lima continua por saldar...
terça-feira, 11 de novembro de 2014
Os condicionalismos de Óliver e Quintero…
![]() |
| Capa de O JOGO de 11-11-2014 |
Lopetegui explicou que Quintero não jogou por culpa de uma gastroenterite, mas Óliver também estava com problemas, mas no tornozelo esquerdo. O emprestado pelo Atlético de Madrid levou uma pancada no jogo europeu e teve queixas nos dias que antecederam o jogo. Estava em condições de alinhar, mas com dor e as limitações inerentes a isso.»
André Morais, André Viana, O JOGO de 11-11-2014
Afinal, Quintero e Óliver estavam, ou não, em condições de jogar na Amoreira?
Se estavam com problemas e não estavam em condições de jogar, então não deviam, sequer, ter ido para o banco de suplentes e deveria(m) ter sido chamado(s) outro(s) jogador(es), até porque, esta época, o plantel à disposição de Lopetegui tem muitos médios de qualidade (e não só).
Contudo, os problemas não deviam ser graves porque, durante a 2ª parte do Estoril x FC Porto, ambos (primeiro Quintero e depois Óliver) foram chamados a dar o seu contributo à equipa.
E mais. Ontem, O JOGO escreveu o seguinte:
«Uma pancada sobre Brahimi lançou o pânico no banco do FC Porto logo ao segundo minuto de jogo. O argelino ficou muito tempo a queixar-se e Óliver saltou imediatamente para o aquecimento.»
Ou seja, com dores ou sem dores, não sei se Óliver estava em condições de jogar de início mas, pelos vistos, estava em condições de jogar a partir do 2º minuto…
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