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quarta-feira, 18 de julho de 2012

A equipa "C"



Crise. Uma palavra que mergulhou a fundo no léxico mundial e entranhou no quotidiano europeu, com particular incidência para todos nós, portugueses. As vidas reconfiguram-se a um padrão até há bem pouco tempo impensável, as empresas escrutinam os seus custos ao mais ínfimo pormenor. Em todos os sectores de atividade! Todos? Bom, ainda se constatam alguns exemplos onde esse aperto não chega.

A indústria do futebol sempre demonstrou viver desfasada da sociedade e em contraciclo perante a realidade económica. As contratações sumptuosas, os ordenados principescos, o excesso de jogadores nas equipas, toda gente que gravilha em volta dos clubes e o clientelismo inerente. É certo que denotam-se alguns sinais de mudança, uma espécie de contenção envergonhada, mais por imposição de quem tudo isto financia do que consciencialização própria, e o FC Porto não é exceção.

Vem isto a propósito da notícia lida algures por aí que Sapunaru, Belluschi e Ukra treinam-se à parte no Olival. Do jogador português já era previsível de antemão a sua pouca possibilidade de ascensão no clube desde que saiu há dois, porém a situação em que se veem relegados os internacionais romeno e argentino tem tanto de surpreendente como de incompreensível. O defesa direito foi quase sempre peça de utilização regular que, mesmo perdendo margem de manobra com a chegada de Danilo, não justifica a sua inusitada exclusão definitiva. E no meio campo portista as soluções não abundam, isto num cenário onde a cobiça estrangeira por Moutinho pode decapitar o nível de qualidade deste setor.

Se por razões estratégicas contratuais e de balneário a SAD pretenda livrar-se destes jogadores até se compreende. Contudo não me parece que relegar atletas à condição de proscritos a uma equipa “C” de milhões, onde tão caros foram aos nossos cofres, os fará valorizar convenientemente. Isto quando o plantel principal joga particulares com jogadores adaptados a estas posições ou em manifesta inferioridade qualitativa. Não seria a pré-época uma boa montra para estes jogadores na antecâmara das competições?

E por falar em estrelas da equipa “C”; Será que este é próximo a juntar-se ao grupo?

Clicar na imagem para ampliar

sábado, 10 de setembro de 2011

Três gigantes no meio-campo


Fernando Daniel Belluschi, 28 anos (nasceu a 10 de Setembro de 1983, em Los Quirquinchos, Argentina), mede 1.71 m

João Filipe Iria Santos Moutinho, 25 anos (nasceu a 8 de Setembro de 1986, em Portimão, Portugal), mede 1.70 m

Steven Defour, 23 anos (nasceu a 15 de Abril de 1988, em Mechelen, Bélgica), mede 1.73 m

Estes três "gigantes" formaram o meio-campo da equipa do FC Porto na 2ª parte do jogo de ontem e, para além dos dois golos que marcaram (Moutinho e Belluschi), imprimiram um ritmo ao jogo de tal forma intenso, incluindo uma pressão alta sobre os jogadores adversários, que sufocaram completamente a equipa setubalense.

Está encontrado o trio de meio-campo do FC Porto?

Por aquilo que se viu ontem, só um Guarín ao nível do que mostrou na época passada poderá ser uma mais-valia e entrar neste meio-campo de gigantes. Fernando e Souza são bons elementos, mas não atingem este patamar e muito menos têm pedal para este ritmo.

P.S. Se nos próximos jogos Defour confirmar a exibição de ontem, parece-me claro que o FC Porto ficou a ganhar com a "troca" de Ruben Micael por este belga.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Um meio-campo de luxo


Em Março passado, no seu jogo de estreia pela Selecção, Rúben Micael marcou os dois golos com que a equipa das quinas derrotou a Finlândia (2-0).

Na mesma altura, e após uns anos de ausência, Fernando Belluschi, fruto da época que tem vindo a fazer, regressou ao lote de convocados da selecção argentina para os particulares com Estados Unidos e Costa Rica (26 e 29 de Março).

Freddy Guarín, depois do muito de bom que já tinha mostrado no último terço da época passada, é um dos jogadores deste campeonato, tendo sido várias vezes considerado o melhor em campo, eleito o jogador do mês de Março e, claro, tornando-se um dos indiscutíveis da sua selecção.

João Moutinho, saído de um pesadelo chamado Sporting, voltou ao seu melhor nível, assumindo o papel de pêndulo equilibrador do FC Porto e da Selecção.

Falta juntar a esta lista Fernando, médio formatado por Jesualdo e que praticamente só defende, mas cuja importância nas transições e cobertura defensiva faz com que André Villas-Boas não o dispense.

Por tudo isto, não é exagerado dizer que o plantel desta época é constituído pelo melhor lote de médios desde o plantel de 2003/04 onde, recordo, havia um mágico Deco, um enorme Maniche, um cerebral Costinha, um Pedro Mendes todo-o-terreno e um Alenitchev de fino recorte.

E do lote actual estou a deixar de fora Souza e Castro, dois médios pouco utilizados, mas que já deram indicações positivas (desde que foi novamente emprestado, Castro tem sido bastante elogiado no Sporting Gijon).

Se é verdade que para algumas posições as alternativas existentes no plantel estão muito aquém dos titulares (ponta-de-lança e defesa esquerdo são as mais notórias), é indiscutível que no meio-campo a competitividade é muito elevada. Fernando ou Guarín? Belluschi ou Guarín? Moutinho ou Guarín? Belluschi ou Rúben? etc.

Os jogadores não gostam de ficar de fora (Rúben teve uns desabafos subliminares no final do Portugal x Finlândia), mas não há dúvida que a equipa fica a ganhar com esta competitividade. E feliz do treinador que pode contar com um lote de médios desta qualidade, todos eles perfeitamente integrados na cultura do clube e sem andarem a sonhar diariamente com outros campeonatos (não é Raul Meireles?).

É caso para dizer que já não temos o Lucho (que saudades!), mas temos um meio-campo de luxo.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

What a superb goal!

O fantástico golo que Fernando Belluschi marcou este fim-de-semana em Olhão,




fez-me lembrar o golo soberbo que marcou ao slb em Maio passado.

What a goal! What a superb goal from the argentine!

Vale a pena ver e rever (com as colunas ligadas)...

sábado, 26 de fevereiro de 2011

A fibra de que se fazem campeões


E quem esperava um passeio até ao Algarve, equivocou-se. O resultado final folgado favorável ao Dragão, não evidencia o afinco que este teve de empenhar para levar de vencida a, até hoje, invicta Olhanense no José Arcanjo. Apenas com a reorganização táctica aplicada ao intervalo por parte de Villas-Boas e uma “bomba” de Belluschi ao minuto 68, o FC Porto disparou para o triunfo esforçado, mas inteiramente merecido.

Na sua disposição inicial os azuis e brancos voltaram a manter-se fiéis aos seus princípios. O 4-3-3 clássico, e por demais recalcado, foi tarefa relativamente fácil para os rapazes de Daúto Faquirá. Reconheça-se, em boa verdade, que a nossa equipa na fase inicial do encontro foi inconsequente o suficiente para permitir que o adversário “controlasse” ao largo a partida. Uma menor rotação e interacção entre os elementos de construção ofensiva, aliada a uma ineficaz circulação de bola, deixava o nosso Porto sem capacidade para derrubar a organização da equipa de Olhão.


A este Dragão, pese o todo empenho e aplicação patenteados nos primeiros 45 minutos, faltava-lhe claramente um “golpe de asa” que fosse capaz de desmontar o bem estruturado conjunto Algarvio. Villas-Boas com uma leitura perfeita, avançou para jogo James e Fucile, conseguindo com isso impôr uma dinâmica que até aí não se vira.

O “miúdo” Rodriguez colou-se atrás do duo da frente Falcao e Hulk, servido de plataforma de circulação de jogo. Um papel bem interpretado que muito foi contribuindo para o desatar do nó de um novelo muito emaranhado. Depois da dupla ameaça de El Tigre a evidenciar o domínio portista, surgiu o pontapé em arco e em grande estilo de Belluschi a dar cor ao futebol positivo que, por essa altura, a nossa equipa praticava.



Se o mais difícil de conseguir – o golo - levou mais tempo do que todos nós julgávamos a alcançar, o descanso veio mais rápido. Após uma assistência de Hulk, Falcao, bem ao seu estilo, rapinou a defesa do Olhanense, conseguindo voltar aos golos neste seu regresso aos jogos da Liga Portuguesa.

Com duas bolas no saco, a cambada de Villas-Boas começou finalmente a respirar fundo, depois de ter sido obrigada a ir aos limites da sua persistência. O terceiro tento, que dita o resultado final, não mais passa do que mera cosmética estatística que por estes dias é muto valorizada. A verdade é que este foi um triunfo suado e exigente. Mas só foi possível alcança-lo com uma exibição convincente.

Fotos agasalhadas em: uefa.com

sábado, 13 de novembro de 2010

A metamorfose de Belluschi

O PUBLICO de ontem publicou um artigo de opinião de Bruno Prata, cujo título é ‘A metamorfose de Belluschi, um "oito" que vale mais do que um "dez"’, onde é feita uma análise que, globalmente, me parece equilibrada e correcta.


«Há jogadores que têm o condão de se reinventar e de contrariar ideias feitas. Belluschi parece ser um desses casos de metamorfose radical, tendo passado a fazer parte de um reduzido lote de exemplos capazes de surpreender boa parte dos críticos (grupo em que, de resto, nos incluímos). (…)
Qual libélula que de um dia para o outro ganhou asas, o argentino desenvolveu-se e deixou de ser um "dez" que, por força do desenho táctico (4x3x3), tinha de jogar a "sete" ou a "oito", com tudo o que isso acarretava em termos de prejuízo para a equipa como para ele próprio. Hoje, Belluschi conserva o que já o distinguia - classe pura, técnica, remate e visão de jogo. Mas acrescentou-lhe, por exemplo, sentido posicional raro e capacidade guerreira, tudo qualidades que os analistas consideravam não integrar o seu ADN. Sabe-se agora que elas estavam lá, só que camufladas e por revelar. (…)

Belluschi sempre foi visto como um médio-ofensivo, alguém que rendia claramente mais nas costas dos avançados, servindo de interface entre o miolo e o ataque. Foi assim no Newells"s Old Boys, onde deu os primeiros passos como profissional, ganhou os seus primeiros títulos e somou as suas duas primeiras e, até ao momento, únicas internacionalizações. E continuou a ser assim quando, quatro anos depois, foi chamado a ajudar a substituir Gallardo e Lucho (que se havia mudado precisamente para o FC Porto) no River Plate. As boas exibições levaram o Olympiakos a pagar por ele 7,4 milhões de euros (por metade do passe), na reabertura do mercado em 2008. Na Grécia, continuou a vender talento, mesmo que com várias intermitências exibicionais, jogando a "dez". (…)

As suas qualidades agradaram a Jesualdo Ferreira, que há um ano deu o aval à sua contratação como potencial substituto de Lucho, vendido ao Marselha por 17 milhões de euros. (…)
Na época passada, Belluschi alinhou em 27 das 30 jornadas do campeonato, quase sempre a titular. Marcou quatro golos, mas esteve longe de conseguir afastar o sentimento de orfandade pelo compatriota Lucho. Essa foi, de resto, uma das razões apontadas para o menor rendimento e para a época fracassada que levou à saída de Jesualdo. (…)

Até por isso, não deixou de ser sintomático que Villas-Boas tenha apostado em Belluschi desde a primeira hora. Fê-lo mesmo contra a expectativa dos adeptos, crentes de que esta seria a época da afirmação definitiva de Rúben Micael. E continuou a fazê-lo mesmo depois de Pinto da Costa ter provado por que há muito dizia que Moutinho era um jogador à FC Porto... Aqui há que dar mérito ao técnico portista. Ele percebeu, melhor e mais rápido do que todos nós, que Belluschi tinha predicados que estavam ocultos e à espera de serem desvendados. (…)
A transfiguração de Belluschi já tinha sido patente em Coimbra. O pantanal em que se tinha transformado o relvado não impediu o argentino de se manter à tona da água e de terminar como um dos melhores em campo. De resto, Belluschi segue surpreendentemente como o portista que conseguiu mais recuperações de bola (81) nas dez jornadas do campeonato, claramente à frente de João Moutinho (65). Esta sua nova faceta já tinha começado a ser notória no termo da época passada, quando foi quem mais correu na final da Taça de Portugal.

Os jogadores sul-americanos melhoram substancialmente o rendimento após o segundo ano na Europa. Belluschi chegou a Portugal após vários anos na Grécia, mas pode também estar a beneficiar de uma primeira fase de adaptação às singularidades do futebol português. Mas, mais importante do que isso, foi certamente o facto de ter passado a jogar ao lado de Moutinho, cuja inteligência táctica e posicional contribui para que tudo funcione com maior harmonia em seu redor.

Belluschi já foi deixando algumas explicações para a sua metamorfose. Por um lado, reconhece ser "mérito da equipa e do treinador", que o libertou e lhe deu confiança. Nesse ponto, vale a pena acrescentar uma passagem de uma outra entrevista em que diz que o FC Porto é agora uma equipa mais parecida com o Barcelona na forma de jogar, o que, depreende-se, beneficia as suas características. Mas onde Belluschi deve mesmo ter acertado na mouche foi quando afirmou: "É mérito meu também, que me propus estar melhor e trabalhar mais do que na época passada". Nota-se.»

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Na minha opinião, mais do que uma metamorfose (*) radical da época passada para a actual, o que vejo em Belluschi é uma evolução significativa que, conforme refere Bruno Prata, “já tinha começado a ser notória no termo da época passada, quando foi quem mais correu na final da Taça de Portugal”.

Os factos desmentem alguns mitos. Por exemplo, de que Belluschi raramente era aposta de Jesualdo, ou de que não fez um único bom jogo na época passada. Basta lembrar a exibição notável (com duas assistências e um golo do outro mundo) contra o slb na 29ª jornada, a melhor que fez até agora com a camisola do FC Porto, com a equipa reduzida a 10 jogadores durante praticamente toda a 2ª parte.

Por tudo isto, reduzir esta “metamorfose radical” de Belluschi apenas aos inegáveis méritos de André Villas-Boas, parece-me algo muito simplista e redutor. São várias as razões e, penso, estão bem descritas no artigo anterior.


Nota 1: O artigo completo do Bruno Prata pode ser lido aqui.

Nota 2: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

(*) mudança de forma; mudança completa no estado ou no carácter de uma pessoa.

sábado, 16 de outubro de 2010

Falemos de futebol

Apesar do prometedor início de época, convém reflectirmos um pouco sobre os pontos menos bons de molde a minorarmos possíveis amarguras futuras. Qualquer equipa, seja ela qual for, tem sempre margem para melhorar, mesmo quando muita coisa parece já bem feita.

Começando pela baliza, mesmo mal batido aqui e ali (e o mais evidente terá sido o primeiro golo do Braga no Dragão), Hélton continua a ser digno da confiança da esmagadora maioria dos adeptos. Não será por aqui que não reconquistaremos o título. Porém, é mesmo verdade que ter um guarda-redes como capitão de equipa pode trazer os seus riscos, nomeadamente quando este necessita de se afastar vários metros da sua baliza para dialogar com os árbitros. Cuidado com este aspecto.

A defesa é o sector em que mais interrogações se levantam. Ainda com um genuíno sentimento de orfandade em relação a Bruno Alves, convém não nos deixarmos enganar pelo (ainda) escasso número de golos consentidos. As falhas foram já bem visíveis em diversas partidas, esperando apenas por confrontos com adversários mais complicados para eventualmente se traduzirem em pontos desperdiçados.
Maicon está ainda uns furos abaixo de Rolando, sendo que mesmo este último continua longe de dar garantias plenas para poder ser considerado um indispensável naquela defesa.

Muitas esperanças estão depositadas em Otamendi mas ainda é demasiado cedo para uma verdadeira avaliação deste. Deverá, ainda assim, ser atribuída a titularidade ao argentino? Desta vez, e por excepção, seria mesmo necessário observar os treinos para poder dar uma resposta minimamente honesta, tal o pouco tempo de jogo do atleta com as nossas cores. Confiemos pois em Villas-Boas, que já acumulou crédito suficiente para que acreditemos que fará mesmo alinhar a melhor dupla disponível, sem olhar a nomes.

E agora, o tema da moda: Fucile ou Sapunaru?
Apetecia responder que, neste momento, nem um nem outro... mas o mercado só reabre em Janeiro.
Fucile é um jogador de garra e esforço, o que é louvável e raro. Obviamente que nunca foi, nem será, um fora-de-série e tem ainda o handicap da altura mas era alguém que dava gosto ver pela forma com se entregava ao jogo, mesmo com alguns erros aqui e acolá. Temo é que o sucesso do Mundial e a perspectiva de uma eventual transferência milionária lhe tenha feito mal. A rever.
Já Sapunaru continua o que sempre foi: um atleta cujas mais-valias não são suficientes para ser titular numa equipa tão ambiciosa como a nossa.

Chegados ao meio-campo, é evidente que a troca de Meireles por Moutinho nos foi benéfica. Finalmente a bola rola mais no nosso pé do que no do adversário. Porém, daí até consagrarmos o antigo capitão de Alvalade como um grandíssimo jogador, ainda vai uma certa distância. É um jogador útil e regular, porém deve melhorar no aspecto do remate, arriscando mais, e também no do último-passe que tem sido, ainda, coisa rara. Titular sim, mas não por uma qualquer obrigatoriedade apenas por ter vindo de um rival lisboeta.

Chegamos assim, à maior questão de momento: Belluschi ou Micael?


Todos nós desejamos muito que o argentino engrene definitivamente de uma vez por todas, e o seu início de época parecia promissor nesse campo. Contudo, com o avolumar das partidas, voltamos a ter o "velho" Belluschi: boa visão de jogo mas demasiado tempo alheado da partida. Será apenas feitio ou pura incapacidade daquele físico de render mais? Como está, infelizmente não chega. Convém também que deixe de acertar tantas vezes na trave. Há que exercitar o remate mais e mais. A qualidade está lá, requer é mais trabalho.

Micael: mesmo que a qualidade do passe não esteja ainda calibrada, após uma ausência demasiado longa, trata-se de um jogador em que vale a pena continuar a apostar. Nomeadamente porque, em termos de golos e assistências, ainda acaba por ser o nosso médio de maior rendimento.

Por último, o ataque: Varela parece oscilar demasiado entre o muito bom e noites em que pouca coisa resulta. Necessita de um rendimento mais homogéneo para que se confirme definitivamente com um bom jogador.


Já o sub-rendimento de Cristian Rodriguez, seu mais óbvio substituto, parece ser algo mais complexo do que apenas uma debilidade física que origina lesões em série. O seu elevado vencimento e as grandes expectativas que sempre origina, exigem que este seja o ano em que faça definitivamente a diferença.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

O homem dos penalties


Na sondagem realizada aqui, no Reflexão Portista, sobre quem deve ser o marcador de grandes penalidades, Radamel Falcao venceu a votação sem grande surpresa. Digo sem grande surpresa porque para os adeptos, em grosso modo, os avançados são quase sempre as figuras que inspiram maior confiança para a execução deste tipo de lances. Uma projecção idealizada a partir daquilo que é o habitat natural dos jogadores dessa posição, que choca com especificidade que caracteriza a marcação de um penaltie.

Porem, no FC Porto, apesar de o seu ponta-de-lança titular (El Tigre) reunir um enorme capital de confiança entre a massa associativa e, de ser, comprovadamente, um finalizador nato, o Colombiano apresenta um indicie de aproveitamento da marca dos 11 metros bastante modesto. Apenas converteu 4 das 8 penalidades que teve ao dispor desde que chegou a Portugal para envergar a camisola azul e branca. Inspirador? Nem por isso.

Na verdade, Falcao, pelas suas características de personalidade e competências emocionais que demonstra enquanto jogador – tranquilidade, objectividade e frieza – cumpre os requisitos para executar estes lances. Parece-me, contudo, que o avançado vem sofrendo desde a temporada passada (altura em que desperdiçou alguns penalties) uma espécie de ansiedade moderada, que lhe castra aquilo que é a sua predisposição natural enquanto finalizador, pelo que o melhor será mesmo retirar-lhe o ónus desta responsabilidade antes que o problema se generalize.


Hulk, foi também, temporariamente, incumbido de executar os castigos máximos. Fê-lo com relativo sucesso e no seu modo muito peculiar, à bomba. Há quem não aprecie o gesto, alegando o factor aleatório que é mandar um “bico” na bola. Mas é seguro que qualquer guarda-redes que veja um balázio a vir em sua direcção, contrai-se instintivamente.

Tendo a considerar que a segunda opção mais votada nesta sondagem como a mais válida de todas. Belluschi é, indiscutivelmente, dos jogadores mais virtuosos do plantel. É um exímio marcador de bolas paradas, pelo que conjuga apetências básicas para marcar grandes penalidades. Apenas se releva a condição emocional com que o Argentino olha para este tipo de lances. Um factor que só o próprio e o treinador saberão analisar convenientemente.

domingo, 22 de agosto de 2010

Just a walk in the park


Ainda a refazer-nos da churrascada da noite passada, com dois frangos bem passados, sendo que o último estava particularmente apimentado, o banquete prolongou-se para dia de hoje, sendo que, desta feita, o menu contemplou uma refinada ementa de qualidade, suculenta e a deixar agua na boca sempre que a recordarmos nos dias que se seguem. O caviar e champanhe servidos esta noite pelo FC Porto teve momentos de grande brilhantismo, prometendo não ficar por aqui em próximas reedições sempre que o repasto for no Dragão.

A festa desta noite até começou com um contra-tempo. Ukra saiu gravemente lesionado logo no princípio do encontro, forçando Villas-Boas a uma substituição e alteração do plano de jogo inicial. O reforço do contingente centro-campista voltou a ser a solução do técnico azul e branco, com Souza a entrar e a voltar a dar cartas, num sistema dinâmico, exigindo constantes movimentações e trocas entre Moutinho, Belluschi e Varela.


Nem sempre a coisa engrenou numa primeira abordagem da partida, revelando, a equipa, alguma lentidão de processos e pouco discernimento. Vinte e poucos minutos iniciais que iriam ser remetidos para o baú das memórias mais recônditas. Para desbloquear a pasmaceira, um golpe de um génio que na temporada passada fez muito deste tipo de “magias”, e que, este ano, promete continuar. E já que falamos em golpes de genialidade, Belluschi puxou dos galões e desenhou a régua e esquadro o caminho que a redondinha tinha de percorrer até às redes da baliza de Rui Rego.

Uma primeira parte tranquila, com uma vantagem confortável, fazia antever uns segundos 45 minutos descansados do FC Porto. Assim foi, do ponto de vista da gestão do resultado, porque a forma como a equipa manteve a abordagem ao jogo foi a mesma. Muito mais incisiva até. Sem rodeios e papas na língua, o domínio foi avassalador. Só deu Porto na 2º parte.



A forma como o conjunto portista conseguiu, repetidamente e continuamente, recuperar a bola em zonas muito altas, asfixiou por completo o Beira-Mar. Em complemento, a inclusão de vários elementos portistas em zonas de finalização sempre que a equipa subia, abria aos nossos atletas um leque infindável de soluções para criar perigo. A entrada de Rúben Micael incrementou um vigor ainda maior ao jogo azul e branco, sendo uma questão de tempo até a bola anichar num fundo da baliza dos aveirenses. Falcão bisou e ainda se deu ao luxo de desperdiçar, pelo menos, 2 boas situações de golo.

Uma vitória tranquila e galvanizadora, para a equipa e também para os adeptos. O Porto deste ano no Dragão promete jogar sem “frescuras”, com o objectivo claro da baliza contrária, da vitória expressiva, tendo como base uma posse de bola segura e personalizada. Desejamos todos que 2ªs partes como a de hoje, sejam para repetir. Muitas vezes…

Fotos: A Bola, uefa.com

domingo, 2 de maio de 2010

Assim, se vê, a mística do FCP


Podem dizer que têm mais campeonatos. Podem dizer que são seis milhões. Podem afirmar que, por onde passam, arrastam multidões. Podem controlar a Liga, a Federação, a polícia, o Ministério Público, ou SIS. Mas nunca, jamais, em momento algum, conseguirão ter a mística, a garra e o coração, do nosso Porto campeão!

Na noite em que o Dragão fumegou mais do que aquele vulcão Islandês de nome impronunciável, responsável por ter deixado meia Europa em stand-by, o FC Porto fez uma demonstração de enorme carácter, perante o tão aclamado futuro-campeão-que-nunca-mais-o-é. Mesmo reduzida a 10 elementos, a equipa azul e branca fez das suas fraquezas forças e foi em busca da glória. Um prémio merecidíssimo para quem tanto teve de lutar contra as mais diversas adversidades.


Por partes. O encontro começou algo morno e dividido. Do lado galináceo jogava-se na expectativa de garantir o pontinho para a festa. Do lado portista estava em causa o orgulho ferido de toda uma nação. Sem a referência primordial do ataque, Falcao, o Porto evidenciava alguma falta de capacidade de segurar a bola lá na frente. O clube do capoeiro, por sua vez, procurava meter vários homens na entrada da nossa área sempre que subia, num modelo que já habitual naquela equipa. Nem sempre os comandados de Jesualdo souberam libertar-se dessas amarras da melhor forma, mas, o golo de Bruno Alves já próximo do intervalo, fez pender totalmente as bases do jogo a nosso favor. Era o condimento que faltava para uma partida e uma vitória galvanizante.

Com efeito, os segundos 45 minutos demonstraram cabalmente qual dos dois conjuntos estava em campo com a verdadeira ambição de arrebatar os 3 pontos. Um querer imenso do Porto, tão grande e profundo como o azul do céu, fomos capazes de inverter o fatalismo que aquela alimária que veste de preto nos tentou traçar, ao expulsar inacreditavelmente Fucile. Nem mesmo o empate fez esmorecer a confiança. Nada, nem ninguém, conseguiria desviar os mais nobres propósitos do Dragão. A retoma da vantagem viria num lance de insistência de Belluschi, com Farias a aproveitar as sobras. O resultado final seria selado com uma bomba monumental do número 7 argentino. Para ver e rever.



Para além das tácticas, da capacidade técnica, dos treinos, dos treinadores ou dos jogadores, de todo este modelo pseudo-científico em redor do futebol do moderno, ainda há algo que transcendente a tudo isto neste desporto, a predisposição mental com que se encaram os jogos. E nisso, o nosso Porto, sempre foi, e ainda é o melhor.

Fotos: uefa.com

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Oeiras, aí vamos nós...


Tal como era esperado, o FC Porto, em ritmo de passeio, garantiu a presença na final da Taça de Portugal, com vitória gorda sobre o Rio Ave. Num jogo em que Jesualdo Ferreira concedeu espaço a alguns atletas menos utilizados, destaca-se a estreia absoluta de Addy com o dragão ao peito. Um pequeno aperitivo num encontro que foi quase sempre insosso, com excepção do ultimo quarto de hora.

Assim mesmo, aproveitando a menor pressão que este jogo envolvia, o Professor aproveitou-o para mostrar o jovem lateral esquerdo Addy aos portistas. A estreia confirmou-nos que o miúdo é, por hora, mais verde que o relvado do Dragão, porem com algum processo de “domesticação” e aproveitando aquela velocidade de ponta, pode-se vir a retirar qualquer coisa dali. No mais, destaque para o retorno em bom plano de Fucile após o pesadelo de Londres.


Mercê do resultado adverso da 1ª mão, coube naturalmente à equipa de Vila do Conde a assunção dos desígnios do encontro na sua fase inicial. A equipa azul e branca, sem grandes preocupações, controlava ao largo o espírito de iniciativa dos homens de Carlos Brito. Sem muito ter feito para o conseguir, a equipa portista pôs-se na dianteira do marcador, num livre superiormente marcado por Belluschi. Se dúvidas existissem, o minuto 21 tratou de as dissipar sobre quem acompanharia o D. de Chaves ao campo de Oeiras.

O tento do médio ofensivo argentino teve o condão acordar a nossa equipa. Ainda as bancadas comentavam a mestria com que o 1º golo portista fora obtido e já Orlando Sã desperdiçava incrivelmente o 2º. E como um desperdício nunca vem só, Farías resolver solidarizar-se com o seu companheiro de ataque, falhando um penalty. Até ao intervalo apenas ficou na retina uma vistosa intervenção de Beto, após um ortodoxo cabeceamento de Ricardo Chaves.



Os segundos 45 minutos nada trouxeram de novo na sua fase inicial. Os ânimos apenas voltaram a agitar-se quando Falcão e Hulk renderam a frente de ataque titular. O jogo cresceu – para o lado portista – teve vivacidade e dinâmica. Faltava contudo o condimento essencial, os golos. Chame-se Guarín à recepção e sirva-se um golo à Ronaldo. Que pontapé. Micael “amuou” e tentou seguir-lhe as pisadas. O golo do madeirense também foi de belo efeito, mas não é a mesma coisa. Quem nunca deslustra é Falcão. Com este homem em campo os defesas adversários que se cuidem. Oxalá estejam assim inspirados a 16 de Maio.


Fotos: Agência Lusa

sábado, 20 de março de 2010

Que tal uma troca directa?


O novo director desportivo em Alvalade já avisou: o russo Izmailov não voltará a jogar pelo Sporting. Ainda bem que o Ministro já se esqueceu dos seus amúos na época 2004/2005, a última em que vestiu a camisola do FC Porto. Assim sente-se mais à vontade para tratar os jogadores com o chicote.

Assim sendo, e lembrando as trocas profícuas que fizemos no passado com o Sporting, proponho trocarmos directamente o Izmailov pelo Belluschi. O argentino assentaria que nem uma luva no losango existencial dos viscondes!

domingo, 24 de janeiro de 2010

Venha de lá o Garnizé, na Taça SLB


Segue em frente o FC Porto na Taça SLB (Senhor Lucílio Baptista), depois de bater o clube satélite da agremiação do garnizé por duas bolas. Valeu o forcing exercido pela equipa azul e branca na 2ª parte, em que muito contribui as entradas ao intervalo de Álvaro Pereira e, sobretudo, Falcão, que é neste momento um oásis de clarividência no conjunto portista.

Com Rúben Micael em estreia pelo Dragão, e logo a titular, parecia que as novidades deste encontro não se quedariam por aí, já que Jesualdo fazia alinhar 4 médios na equipa inicial (Tomas Costa, Belluschi, Rúben Micael e Guarín), indiciando o ensaio a um novo esquema táctico. Puro engano. O Professor manteve-se fiel ao seu sistema, e entendeu remeter o médio Colombiano para o lado direito do ataque. Resultado disso, Guarín acabou substituído ao intervalo e o treinador perdeu uma boa oportunidade de trabalhar uma nova fórmula de reverter este mau momento da sua equipa.


Os primeiros 45 minutos foram muito enfadonhos, com o FC Porto a não dar-se bem com algumas adaptações à socapa já anteriormente referidas, com o exacerbar da capacidade de se auto-anular por parte de outros elementos (com Mariano logo à cabeça), e também pela qualidade do “ervado” do Estoril, que mais parecia um campo de rugby. Valia o aliciante de ver como Rúben Micael se saía na sua 1ª vez de azul e branco.

Para o 2º tempo estavam reservados os golos, e logo por intermédio de dois elementos que nunca haviam feito o gosto ao pé ao serviço do FC Porto, Belluschi e Orlando Sá. Mas foram as alterações processadas ao intervalo pelo Professor que fizeram o Dragão subir ligeiramente o rendimento do seu conjunto. Falcão e Álvaro deram mais sumo à partida, mas ainda assim só de bola parada o Campeão conseguiu adiantar-se no marcador por intermédio de um livre superiormente marcado pelo médio ofensivo argentino. O fecho das contas surgiu a partir de uma perda de bola da defesa do Estoril, onde Orlando Sá aproveitou o ressalto para fugir em direcção à baliza contrária e dar maior expressão ao marcador.



Para não deslustrar com nível desta competição (Taça SLB), o FC Porto voltou a andar aos papéis, salpicado aqui e ali por umas coisitas que me dizem estar no limiar dos princípios básicos do futebol. Quem dera poder dizer-se que esta vitória é um suplemento essencial para regeneração desta equipa sem chama. Mas os problemas são demasiadamente profundos para se conseguirem resolver com um simples bálsamo motivacional.

Agora venha daí o garnizé ao Dragão. Temos o túnel todo por conta deles…


Fotos: A Bola, Record, Lusa

sábado, 19 de dezembro de 2009

Qual o onze para a Luz?

Deixando um pouco de lado os Lucílios (de quem se espera um pingo de dignidade humana) e o facto, lamentável, de Pinto da Costa deixar que os seus ódios de estimação atropelem tudo o que sempre defendeu na vida, olhemos um pouco para aquilo que Jesualdo vai fazer neste Domingo.

Não havendo qualquer dúvida, quer na baliza (agora está um bocado caladinho, Miguel Sousa Tavares...), quer no quarteto defensivo (Rolando, e o seu futebol feito de silêncios, continua a errar, aqui e ali, mas não teria lógica uma hipotética aposta em Maicon nos próximos tempos), restam porém muitas dúvidas no meio-campo e na linha da frente.

Estou tentado a acreditar que Jesualdo apostará em Guarín, para acompanhar Fernando e Meireles.
Fora-de-casa, os mais atentos repararão que Jesualdo tenta evitar a simultaneidade, no terreno de jogo, entre o Belluschi e...Hulk.
Conhecendo nós bem o nosso técnico, um raciocínio básico será que Jesualdo teme colocar em campo dois jogadores que ele julga não defenderem (curiosamente, o nosso adversário de Domingo apresenta, no seu "11" base, um rol de jogadores nestas condições).




Guarín tem entrado bem nas últimas partidas, e será muito provavelmente o titular escolhido, mas também é certo que, jogar desde o início, e logo num jogo com estas características, não é necessariamente a mesma coisa que entrar a meio.
Contudo, o que pesará mais será mesmo o facto de Hulk jogar (com esta defesa actual do slb, não podemos sequer colocar outra hipótese...).
Jesualdo surpreender-se-ia, até a si mesmo, se apostasse em Belluschi em detrimento do médio colombiano.
A outra hipótese, será a entrada de Mariano. Aquela preocupação de lhe "oferecer" uns minutinhos no último FCP-Setúbal, pode não augurar nada de bom...
Ainda resta Valeri, mas parece que muitos terão tirado conclusões rápidas de apenas uma única partida a titular...

Na frente, muito falam que Falcao poderá ser sacrificado para dar lugar a um tridente Rodriguez-Hulk-Varela. Dizem que é um trio que se adaptará melhor a um adversário destes...



Creio, porém, que tal apresentaria dois aspectos menos positivos: em primeiro lugar, o uruguaio está muito longe daquilo que produziu algures na época passada e, para além disso, a experiência já antes tentada, de colocar o internacional brasileiro sozinho na frente, além de parecer contranatura, não produziu resultados brilhantes.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Belluschi, o médio ofensivo


Antes do Vitória de Guimarães x FC Porto, num artigo de opinião, Bruno Prata escreveu o seguinte:
«Sem o argentino [Lucho], o FC Porto manteve o sistema (disposição dos jogadores, ou seja o desenho), mas o seu modelo (conjunto de princípios de comportamentos que definem a organização e dão identidade à equipa) ficou algo abalado. E isso é evidente por muito que se valorize o rendimento e a qualidade de Belluschi, que tem acções verdadeiramente desequilibrantes no ataque, mas que não entende os princípios básicos da estratégia ofensiva e, pior ainda, com os seus posicionamentos erráticos contribui para a desestabilização defensiva da equipa

Nota: Vale a pena ler o artigo de opinião completo publicado no PÚBLICO de sexta-feira.

De facto, a utilização, ou não utilização de Belluschi tem motivado discussão entre os portistas e o mínimo que pode dizer-se é que o jogo na cidade berço veio contribuir para tornar essa discussão ainda mais acesa.

«[Belluschi] Começou bem o jogo, com intensidade e capacidade de trabalho, mas voltou a falhar alguns passes daqueles que irritam Jesualdo Ferreira. Num desses lances, acabaria por surgir a falta da qual resultou o golo do Guimarães. Denotou uma vez mais uma enorme imaturidade competitiva
in O JOGO, 05/12/2009

«Belluschi borrou a pintura, aliás. Perdeu uma bola na saída da defesa, obrigou Fernando a parar Nuno Assis em falta e do livre surgiu um grande golo de Andrezinho.»
in Maisfutebol, 04/12/2009

«Os primeiros 45’ foram de classe por parte do FC Porto. (...) Só a exibição de Belluschi destoava num FC Porto como ainda não se tinha visto este ano. (...) O Guimarães não existia, mas quando parecia que os portistas iam para o intervalo com uma vantagem confortável, Belluschi inventou. Jesualdo tinha dito antes do jogo que o que o “enerva” e deixa “doido” são as “perdas de bola” quando a equipa acabou de a recuperar. Belluschi fez isso mesmo no primeiro minuto de descontos e Fernando (viu o amarelo por isso) teve que travar Nuno Assis em falta. Andrezinho agradeceu a benesse do argentino e aproveitou o livre para reduzir para 2-1.»
in PUBLICO, 05/12/2009


É indiscutível que o Belluschi tem uma qualidade técnica acima da média, à qual alia uma boa capacidade de improviso e de remate. Contudo, parece ainda não ter percebido o modelo de jogo da equipa e, além disso, os desafios têm demonstrado um jogador intermitente (por vezes desaparece do jogo) e com falta de “pulmão” para aguentar os 90 minutos, algo que se torna mais notório com relvados pesados.

Apesar desta inconstância, Jesualdo tem optado quase sempre pelo ex-jogador do Olympiakos e se o faz é porque, até esta altura, as alternativas existentes no plantel lhe dão menos garantias. No entanto, situações como a que esteve na origem do golo do Guimarães não se podem repetir. É que depois do aviso público que o treinador do FC Porto tinha efectuado na véspera, até parece que Belluschi fez de propósito (se a "brincadeira" fosse com Mourinho, não tenho dúvidas que o argentino ia penar para o banco durante umas semanas).

Mas, se Belluschi continuar a manifestar as mesmas falhas e problemas de adaptação ao modelo do FC Porto e, por via disso, Jesualdo quiser apostar num outro médio ofensivo, quais seriam as possibilidades?

No artigo de opinião acima referido, Bruno Prata acredita na exponenciação das qualidades de Valeri: "A sua adaptação ao futebol europeu terá sido prejudicada pelas lesões, mas continuo crente que não há no plantel jogador tão inteligente e tão dotado tecnicamente como este jovem de 23 anos para assumir o papel que já foi de Lucho".

A esta hipótese eu acrescentaria outra: o recuo de Rodriguez para o meio-campo, jogando como médio interior esquerdo, explorando a sua potência, mudanças de velocidade e capacidade para transportar a bola para o ataque. Neste cenário, abria-se uma vaga no trio de ataque, a qual poderia ser ocupada por Hulk.

Precisamente a par da situação de Hulk, parece-me que nas próximas semanas a titularidade de Belluschi será o principal assunto de discussão.

Nota: Os negritos são da minha responsabilidade.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Médios e medianias

Pela amostra da última jornada (Naval, Académica e Setúbal), um dado parece inequívoco: os chamados "pequenos", ao contrário da tendência que se vinha assistindo nos últimos tempos, estão efectivamente mais pequenos.
Logo, a vitória do FCP na Figueira da Foz pode, erradamente, criar a ilusão que estamos melhores do que na temporada passada, em que fomos derrotados. Nada de mais enganador.

O que se assistiu no último Sábado, bem pelo contrário, deve é fazer soar várias campainhas de alarme, aos mais atentos às "entrelinhas" de uma partida.
Além do sono que, certamente, terá provocado a muitos espectadores, a exibição da nossa equipa revelou lacunas que, julgo, podem mesmo colocar em risco o sucesso e as nossas ambições para este ano.

E começa sempre pela mesma tecla: o meio-campo.
Muito se tem lido e ouvido que Belluschi precisa de defender mais. Errado. É precisamente por estar a desgastar-se demasiadamente em missões defensivas que tem perdido a clarividência que o ponto mais forte do seu futebol - as assistências no último terço do terreno - tanto precisa.
A estrutura física do atleta, pura e simplesmente, não lhe permite fazer o papel que deve caber aos restantes médios e, obrigando-o a tal, estamos a perder o melhor que ele nos pode oferecer: passes para golo e remates de fora da área.
Se queriam um médio estilo Lucho, então enganaram-se na compra. Este é um verdadeiro número 10.


Por falar na muito discutida "obrigação" de defender, esperemos que seja esta época que, finalmente, seja dada a "obrigação" de atacar ao nosso "trinco". É que vai para mais de 4 anos (contando com os 3 do Assunção) que o nosso médio defensivo abdica de atacar.
Por muito esforçado que seja a defender - que o é -, alguém tem que lembrar a Fernando que ele é um médio, ou seja, tanto tem por missão defender como atacar.

Mas a origem da falta de fluidez do nosso jogo, tem muito a ver com a manutenção do esquema táctico das épocas anteriores.
Como já aqui se falou, aquando das previsões para a presente época, o nosso sistema actual devia muito do seu sucesso (fora de portas, pois em casa nunca funcionou) não só às características peculiares de um jogador sem igual (Lisandro), bem como à qualidade elevadíssima de jogadores como Quaresma e Hulk.
Ora destes três "monstros", só resta um (quando o deixam...).
Falcao até parece ser bom, o problema é que, mesmo sendo "mexido", e procurar zonas exteriores, o facto é que o seu ponto forte é mesmo, como se tem visto, o jogo dentro da área, logo tem características que não o aconselham para as célebres "transições rápidas", ou seja, para o velhinho contra-ataque.

Varela, por outro lado, e apesar das críticas optimistas que vem colhendo, revela ter dificuldades em ganhar lances de um-para-um. Não dá ainda completas garantias para um clube tão grande como nosso. Poderá, porém, ser uma boa opção vindo do banco, nunca um titular absoluto. Não se pode ter tornado, por magia e em apenas 3 meses, o jogador que nunca, até hoje, foi.


Sobra ainda Mariano, opção que, obviamente, não pode ser levada a sério.

Não tendo chegado ninguém para verdadeiramente substituir Lisandro (ou seja, alguém com características aproximadas), o FCP, pela amostra recente, corre real perigo das coisas deixarem de correr tão bem.
Urge adaptar a táctica/sistema/filosofia aos jogadores que temos, de uma vez por todas. E já agora, tentar perceber por que razão se compraram jogadores como Valeri, de quem Jesualdo não parece estar minimamente interessado.


Seria muito mau chegar à reabertura do mercado, em Janeiro, e termos que gastar aquilo que não quisemos dar, agora, por Kléber e ainda mais um pouco...

sexta-feira, 10 de julho de 2009

O novo camisola 8 do FC Porto?


É prematuro estar a tirar conclusões sobre o anunciado sucessor de Lucho na equipa do FC Porto, mas há alguns aspectos de que já podemos falar.

As semelhanças:
Ambos são médios, internacionais argentinos e eram titulares de um dos grandes clubes da Argentina – o River Plate - antes de se transferirem para a Europa.

As diferenças:
O Luis Oscar González tem 28 anos (nasceu em 19/01/1981) e mede 1.87 m; o Fernando Daniel Belluschi tem menos dois anos e oito meses (nasceu em 10/09/1983) e menos 16 cm (mede 1.71 m).
O Lucho já foi 41 vezes internacional pela Argentina, enquanto que Belluschi tem apenas duas internacionalizações.

As dúvidas:
Neste negócio do Belluschi há algo que eu não percebi. Em Janeiro de 2008, de acordo com o que veio a público, o Olympiacos investiu 6.5 milhões de euros no passe de Belluschi e um ano e meio depois o FC Porto comprou 50% do passe por 5 milhões.
Será que o Olympiacos FC ainda ficou detentor de parte do passe do Belluschi?
Se assim não foi, porque aceitou vender o jogador por menos 1.5 milhões do que tinha pago há 18 meses atrás?

As perspectivas:
Sinceramente, não estou à espera que o Belluschi atinja o nível do Lucho. Por alguma razão o Marselha preferiu gastar 18 milhões num jogador de 28 anos, em vez de “apenas” 5 milhões num de 25 anos.
Contudo, já me darei por satisfeito se o Belluschi mostrar categoria para ser o novo número 8, ou número 10, do FC Porto e mantiver as médias que teve no River Plate (13 golos em 48 jogos) e no Olympiacos (8 golos em 34 jogos).
E se alguns dos golos forem como os do vídeo seguinte, melhor ainda.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

SMS do dia - LXV

Belluschi assina por 4 anos.
E parece que afinal o Jesualdo Ferreira vai ter médios no plantel. Neste momento são 5 para 3 posições: Fernando, Meireles, Tomás Costa, Guarin e o recém contratado Belluschi.

Este "reforço" pelo menos já sabe o que tem de fazer!
http://www.zerozero.pt/jogo.php?id=585992