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quarta-feira, 25 de agosto de 2010

O cruzado


Em 1095, no concílio de Clermont, o papa Urbano II exortou os cristãos a libertar a Terra Santa, prometendo a salvação a todos os que morressem em combate contra os pagãos. Assim, ao longo dos séculos XI, XII e XIII, milhares partiram em direcção a Jerusalém, levando bordado sobre as suas roupas uma cruz vermelha e considerando-se a si próprios milites Christi (soldados de Cristo). Boemundo de Taranto e Godofredo de Bulhão na Primeira Cruzada (1096-1099) e Ricardo Coração de Leão na Terceira Cruzada (1189-1192), foram alguns dos nomes que se destacaram nas diversas cruzadas contra os "infiéis".

Nos últimos 35 anos, desde que se reorganizou, abandonou o "complexo da ponte" e desatou a ganhar títulos, quer a nível nacional, quer internacional, também o FC Porto se tornou alvo de várias "cruzadas", promovidas por aqueles que, instalados na capital do ex-império e habituados à vassalagem, não se conformam com a perca do poder majestático que tinham no futebol português. E se é certo que a maior parte destas "cruzadas" têm sido travadas no terreno futebolístico e da comunicação social, a última envolveu fortemente o âmbito jurídico e teve como dois dos protagonistas Pinto Monteiro e Maria José Morgado.

Nesta enésima "cruzada", após algumas vitórias iniciais, em que os "bárbaros do Norte" parecia estarem encurralados por vários "exércitos" - Ministério Público, comunicação social, CD da Liga, CJ da FPF, Platini/UEFA - a resistência foi tenaz, o cerco furado e a maior parte dos "exércitos sitiantes" bateram em retirada, sem honra nem glória. Pobres coitados, já deviam saber que do brasão da cidade faz parte o epíteto Antiga, Mui Nobre, Sempre Leal e Invicta cidade do Porto.

Ironia do destino, nesta altura, quem parece estar cada vez mais isolado no seu "castelo" e atarefado com outras "guerras" (Operação Furacão, Freeport, Face Oculta, Sindicato dos Magistrados do Ministério Publico, etc.) é Pinto Monteiro.

Um bom retrato da situação caricata em que caiu o Procurador-Geral da República, foi feito por Manuel Queiroz no semanário Grande Porto de 06/08/2010, numa crónica intitulada o "Calimero-Geral da República" que vale a pena ser (re)lida.

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«"Mas é uma injustiça, é mesmo. Eu não tenho poderes nenhuns. Sou a Rainha de Inglaterra do Ministério Público”.

O homem que, só aqui para nós, nomeou uma equipa especial para o Apito Dourado e outra para a Noite Branca porque não confia nos seus homens – não há outra explicação possível - , que abre processos aos seus procuradores, que escolhe para coordenadora do DCIAP uma procuradora que tinha sido membro da Comissão de Candidatura de Mário Soares, não tem poderes. O homem que mandou fazer recursos de todas as decisões do Apito Dourado, mesmo sem saber se elas seriam ou não fundamentadas, não tem poder nenhum. Se calhar, tem até poderes a mais, digo eu. Ou melhor, não sei que poderes é que pode ter mais o nosso Procurador-Geral, que por definição é o advogado do Estado. E nem admira que Maria José Morgado defenda também mais poderes para o Procurador-Geral – claro que sim, claro que deve nomear os procuradores distritais (para quê?).

Pinto Monteiro, é dele que falamos, o Procurador-Geral da República vai para quatro anos, queixou-se de falta de poderes, depois de se ter queixado de que lhe andavam a escutar as conversas, depois de se ter queixado de falta de condições para o Ministério Público trabalhar, depois de se ter queixado que no mesmo MP há “reis e reizinhos”, depois de se ter queixado dos megaprocessos, depois de se ter queixado dos procuradores e do juiz de Aveiro no Face Oculta. Queixas e mais queixas. Só que continuamos com os mesmos casos há anos.

Francamente, o “beirão sério” que, não tenho dúvidas, é Fernando Pinto Monteiro, juiz-conselheiro, note-se, vai ter muita dificuldade em chegar ao fim do mandato. Se se gasta tanto dinheiro em processos como o Freeport e o Apito Dourado, e se chega aos arquivamentos que se chegaram, alguma coisa está mal. O procurador tem pelo menos um poder que pode usar: o de se demitir.»

quarta-feira, 31 de março de 2010

Será que o PGR vai ler este livro?

O livro "obscuro", com que Pinto da Costa presenteou Judite Sousa no final da entrevista de ontem, é um romance que, de acordo com a sinopse do livro, conta a história do senhor F, um reputado empresário e dirigente desportivo, que nunca se dá a conhecer em discurso directo para preservar as aparências, mas que manipula todos os acontecimentos, em prol do graveto, que é o que o move.

Na crítica ao romance existente no site do autor é dito: «Os criminosos continuam a operar livremente; a polícia e a justiça cumpriram o seu papel e justificaram a sua existência num dialéctico “faz de conta”; e a satisfação dos mercados continua em pleno a garantir a todos uma remuneração aliciante!»

Ainda não li o livro, mas dizem-me que o romance conta a ascensão de um tal "Ferreira" no comércio de pneus e de como ele conseguiu subir na vida.
Pela amostra, talvez dê um bom guião para um filme...
E o procurador-geral da república, já terá mandado comprar o ‘O Águia do graveto’?
Recordo que aquando do ‘Eu, Carolina’, Pinto Monteiro mostrou bastante interesse e assegurou que ia ler o livro.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

A marca do Benfica no Seixal


A propósito da notícia do 'Sol' do passado fim-de-semana, em que Luís Filipe Vieira terá assumido, em nome do Benfica, que obteria das Câmaras de Lisboa e do Seixal novos alvarás para ampliação dos projectos urbanísticos da Euroárea, vale a pena recordar um artigo do blogue "A-Sul" (blogue ambientalista da Margem Sul) de há quatro anos atrás, publicado em 17 de Julho de 2005:

«Perdido para os Seixaleiros está já a área natural onde o Centro de Estágio está implantado e que inclui áreas de Reserva Agrícola e Ecológica (REN e RAN), onde não é permitido construir!!! E esta suposta ferramenta de protecção ambiental foi precisamente o leitmotiv para que o Benfica viesse para o Seixal, é que no meio das permutas com os terrenos junto ao Estádio da Luz, a EUROÁREA que tinha aqueles terrenos do Seixal, sem nada lá poder fazer, dada a protecção ecológica, através do Benfica conseguiu contornar esse óbice, e mesmo acelerar a obtenção de alvarás de loteamento e construção, o que permitiu a viabilidade da vinda daquela empresa BENFICA SAD para a Margem Sul, "que contribuiu, como contrapartida, apenas com a sua presença" (segundo Manuel Vilarinho - PUBLICO 07/12/2001).

Os Seixaleiros não querem acreditar é que a reboque de uns campos relvados, pertencentes a uma empresa onde uns cidadãos privilegiados exercerão a sua actividade profissional principescamente bem remunerada, erguer-se-ão ("pela sua presença") 1325 apartamentos em 76 lotes com oito pisos cada. Grande parte do terreno onde se fará a construção estão afectos à RAN e REN onde é proibida qualquer edificação, salvo se esta se constituir de interesse publico (Expresso 28/06/2001). Esta urbanização acrescentará cerca de 4000 novos habitantes a uma envolvente onde habitam 2500.»

O artigo completo do blogue "A-Sul" pode ser lido aqui.

Em 21 de Julho de 2008, o mesmo blogue fez um resumo sobre aquilo a que chamou a 'Urbanização Benfica', onde compilou diversos aspectos elucidativos desta negociata envolvendo o Benfica, a Câmara do Seixal e interesses imobiliários em áreas protegidas.

Depois de ler isto, ainda haverá quem tenha vontade em falar de irregularidades no Centro de Treino e Formação do Olival?

Na sequência da notícia do "Sol", a posição do Benfica foi remeter os jornalistas para os Relatórios e Contas da SAD. Foi o que a 'Agência Financeira' fez.
De acordo com a Agência Financeira, nos Relatórios e Contas da Benfica SAD de 2006/07 e de 2007/08, no capítulo dedicado ao balanço e demonstração de resultados, na rubrica de «outros credores diversos», é referido que existe uma dívida com a Euroárea, no montante de 6 milhões de euros, «resultante dos acordos firmados em exercícios anteriores no âmbito do contrato promessa compra e venda dos terrenos da Urbanização Sul».
Nos mesmos relatórios, e segundo a Agência Financeira, o Benfica avança que a referida dívida «poderia vir a ser substancialmente reduzida, mediante a observação, que, sumariamente, envolviam o compromisso de construção do Centro de Estágios do Seixal no prazo máximo de 18 meses, nos termos já decididos pelo clube, a revogação da promessa de doação de lotes de terreno da Quinta da Trindade e a alteração de diversos alvarás de loteamento».


A Procuradoria Geral da República ter-se-á interessado por este caso de contornos tão nebulosos?
A Drª Maria José Morgado, que tantas vezes denuncia o triângulo futebol-autarquias-empreiteiros, terá investigado este caso?
Presumo que não deve ter havido tempo, até porque, como toda a gente compreende, havia outras prioridades. Por exemplo, ouvir, filtrar e tentar compor as várias versões das irmãs Salgado, o que convenhamos não deve ter sido tarefa fácil...

Fotos: 'A-Sul', 'Manhas da Baía'

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Agostinho Homem e o "Apito Salgado"



Agostinho Homem, vice-procurador-geral da República, foi encarregue por Pinto Monteiro de uma das investigações paralelas ao ‘Apito Dourado’, nomeadamente das diversas declarações e acusações feitas pela irmã gémea de Carolina Salgado, Ana Maria Salgado.

Recentemente jubilado, este beirão (tal como Pinto Monteiro), deu uma entrevista ao 'Correio da Manhã' (a quem havia de ser?), de que reproduzo algumas das perguntas e respostas mais significativas.

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[Correio da Manhã]: Acabou de ser jubilado e o último caso que investigou, nomeado pelo Procurador-Geral da República (PGR), Fernando Pinto Monteiro, tem a ver com a condução do caso ‘Apito Dourado’, falou-se que o senhor é benfiquista. Quer comentar?

[Agostinho Homem]: O facto de eu ser benfiquista nunca prejudicaria alguém que estivesse ligado a qualquer outro clube. Se quer que lhe diga, acho que nos últimos anos o FC Porto nem tem precisado de comprar os árbitros – se é que algum dia comprou – porque tem sido, de longe, a melhor equipa.

[CM]: Enquanto teve este processo nas mãos, recebeu ameaças?

[AH]: Nunca. Sou um ilustre desconhecido: fui ao Porto à vontade.

[CM]: E acreditou nas declarações dela [Ana Maria Salgado]?

[AH]: Eu nem acredito, nem deixo de acreditar. Quando ela [Ana Maria Salgado] prestou as primeiras declarações, devo dizer que, eu vi logo que a maior parte das coisas eram mentira. Mas também havia algumas verdades. O que fiz depois foi a análise, ouvi várias pessoas a quem ela se referia e fiz a investigação de modo a nem sequer confiar plenamente nas declarações em que ela se retratou.

[CM]: Como é que reage ao facto de ela agora ter vindo alterar novamente as declarações?

[AH]: Não sei. Acho é que conforme ela disse que se tinha vendido, quando prestou as primeiras declarações, se calhar agora também lhe pediram para prestar estas – deduzo eu. Eu já tinha feito o relatório final quando as declarações me chegaram, portanto, li “en passant” e não lhes liguei muito.

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Esta entrevista é mais uma peça interessante para se perceber como, por quem e com que pressupostos foi conduzida a investigação do Ministério Público no processo 'Apito Dourado'.

Quanto às declarações da irmã gémea de Carolina Salgado, fica razoavelmente claro da entrevista de Agostinho Homem, publicada pelo 'Correio da Manhã de 5 de Julho, que só foi considerada credível a parte em que acusa Pinto da Costa. Tudo o resto, como é evidente, são mentiras que ela disse porque "se tinha vendido"...

Fotos: Correio da Manhã

sábado, 4 de abril de 2009

Os tentáculos do SLB

O SLB tem estendido todos os seus tentáculos, seja na Justiça, na arbitragem, na Liga ou na comunicação social, para tentar “equilibrar” as contas deste campeonato, enquanto ainda é possível. Para não variar, fá-lo de forma atabalhoada e evidente, mas conta com a boa vontade daqueles que estão nos lugares certos para lhe dar a mão. É o seu paradigma de actuação ao longo da sua existência. E quem ou quais são esses tentáculos?

Comissão Disciplinar da Liga de Clubes
O Dr. Ricardo Costa decidiu suspender Lisandro Lopez com um jogo de castigo porque este fez uma "simulação evidente de grande penalidade inexistente" com o objectivo de "enganar o árbitro" no jogo com o SLB, no Estádio do Dragão, e que terminou empatada a um golo. Como é bom de ver, todas as simulações de grandes penalidades, em especial as de Di Maria e Moutinho, foram convenientemente ignoradas na presente temporada mas a alegada simulação de Lisandro teve de ser castigada a bem dos interesses do SLB. Ainda por cima com os habituais requintes de paneleirice do presidente da CD, que escreveu sete páginas e ainda se aventurou a enunciar novas emendas às Leis da Física. Para não me acusarem de incitamento à violência apenas quero desejar que esse merdas padeça de uma diarreia aguda que o deixe a desfazer-se dias a fio.

Comissão de Arbitragem da Liga

Depois da nomeação de Lucílio para a entrega Taça da Liga, Vítor Pereira lá continua na senda das nomeações duvidosas e sempre, por coincidência certamente, com forte tendência para favorecer o SLB. Desta vez, e para uma deslocação que se quer difícil do FC Porto a Guimarães, decidiu nomear Carlos Xistra, um árbitro que em dois jogos contra o Sporting esta época teve várias decisões que prejudicaram claramente o FC Porto. Está tudo aqui. O pior foi mesmo a meia-final da Taça da Liga em Alvalade, quando depois do FC Porto estar a vencer por 1-0 e com a ameaça do escândalo de eliminar o Sporting em casa com as reservas, Xistra resolve inventar dois penalties para assim inverter o resultado e tranquilizar os calimeros (que depois ainda se andaram a gabar que “deram goleada”!).

Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol

O presidente é Joaquim Evangelista, um homem muito desonesto que, depois do FC Porto se sagrar campeão na época passada, afirmou, em 7 de Maio de 2008, e a propósito da existência de salários em atraso, que “com o devido respeito o vencedor (do campeonato) não é um verdadeiro vencedor, porque havendo concorrência desleal, não há verdade desportiva”. É preciso ser muito desonesto para dizer isto quando se sabe perfeitamente que em todas as épocas há clubes com salários em atraso. E para além disso estava também a retirar mérito aos jogadores do FC Porto, muitos dos quais devem pertencer ao sindicato que dirige. Este homem proferiu estas palavras sem quaisquer preocupações com os jogadores que não recebem, mas sim no meio de um episódio agudo de refluxo gastro-esofágico (vulgo “azia”) pelo facto do FC Porto ter sido campeão.Mas o mais interessante prende-se com o facto de esta personagem, qual abutre, aparecer sempre em cena quando um clube com salários em atraso vai defrontar o SLB. Isso aconteceu em Novembro de 2008, no jogo SLB x E. Amadora e nessa altura Jorge Maia escreveu no OJOGO o seguinte:
«Eu não acredito em coincidências, mas que as há, há. Os jogadores do Estrela da Amadora, que têm os respectivos ordenados em atraso desde o início da temporada, admitem ao fim de oito jornadas fazer greve no próximo jogo, por sinal uma deslocação ao Estádio da Luz. Fazem-no incitados por Joaquim Evangelista, presidente do Sindicato dos Jogadores. Ora, parece-me justo que os jogadores defendam os seus direitos e que o façam por todos os meios ao seu alcance, reconhecendo que, em última instância, o recurso à greve não pode ser excluído como justa forma de luta. Registo apenas a coincidência depois de quase três meses de competição, com sete jornadas disputadas e depois de várias intervenções bem mais moderadas, Joaquim Evangelista surgir agora tão empenhado na marcação de uma greve. Um empenho semelhante ao demonstrado em 2005 quando estavam em causa os salários em atraso no Vitória de Setúbal, embora aí o presidente do Sindicato dos Jogadores tenha esperado até à 14ª jornada para forçar a apresentação do pré-aviso de greve. Coincidentemente, antes de um jogo com o Benfica.
Ele há coisas...»

in O JOGO, 13/11/2008

"Tudo indica que a semana da recepção ao Benfica seja marcada pela ausência de um único apronto, algo que poderá ter repercussões no dia do desafio. "Trata-se de um jogo em que podemos garantir a manutenção, mas não podemos deixar de marcar a nossa posição, pois temos famílias para sustentar. Com esta atitude, o nosso objectivo não é não treinar, mas receber", evidenciou o capitão, colocando de lado a greve a qualquer uma das próximas partidas."

in OJOGO

Passados quase cinco meses o drama na equipa da Amadora mantém-se: mais de meio ano de salários em atraso. As suas formas de luta pelos seus direitos são inatacáveis e a sua prestação em campo tem sido muito boa. O que não está correcto é que tenham aceite, pressionados uma vez mais por Evangelista, não treinar uma única vez na semana em que recebem o SLB. Mais uma coincidência notável. Aqui é que não há qualquer hipótese de existir verdade desportiva. Mais um dos acólitos da corja ao serviço do clube do regime cuja actuação, sem qualquer réstia de ética ou sentido deontológico, passará impune.
Procurador-Geral da República


Disse um dia o Procurador que, após o Apito Dourado, “mesmo que os arguidos venham a ser absolvidos, nada será como dantes, no futebol português”, porque “a partir deste processo, os agentes do futebol português passaram a saber que podem ser investigados”. Mentira, e passo a corrigir: os agentes do futebol português, à excepção de dirigentes do SLB, passaram a saber que podem ser perseguidos através de tramas montadas com a colaboração da PJ e do MP. Ah, e o Presidente do FC Porto estará sempre sob suspeita.

Terminou ontem o último fôlego (pelo menos por enquanto...) deste Procurador na perseguição que montou ao FC Porto e ao seu Presidente. Toda a investigação foi uma autêntica vergonha como comprovam agora os despachos e a sentença dos (verdadeiros) Tribunais: no primeiro, relativo ao jogo Nacional x SLB, num despacho de não-pronúncia do Tribunal do Funchal, o juiz afirmou que não se entendia como é que o nome de Pinto da Costa tinha sido metido ali a martelo; no segundo, relativo ao FC Porto x Estrela da Amadora, acabou igualmente com um despacho de não-pronúncia do Tribunal do Porto, confirmado por sentença unânime da Relação, e com uma participação por crime de falsas declarações contra a peça-chave de todo o Apito Dourado — Carolina Salgado; no terceiro, relativo ao jogo Beira-Mar x FC Porto, que já havia sido arquivado mas que pela insistência da Morgado foi a julgamento, o Tribunal de Gaia sentenciou a absolvição do Presidente do FC Porto, e nas palavras da Juíza “a ex-companheira de Pinto da Costa prestou depoimentos divergentes e, pelas contradições e incoerências, não merece qualquer credibilidade”. A sua convicção é a de que “o testemunho de Carolina Salgado seja norteado pelo interesse da condenação de Pinto da Costa. Este Tribunal não atribui relevância ao depoimento”.
Uma derrota em toda a linha para o Beirão de sotaque a assobiar os esses.

Comparemos agora os meios e a aposta na condenação de Pinto da Costa com o tratamento que o Procurador está a dar ao caso Freeport, à forma como tem negado as pressões sobre os magistrados do MP que afirmaram convictamente terem sido altamente pressionados para o arquivamento do caso, à forma como desvalorizou a gravação de uma conversa entre os intervenientes no caso com frases incriminatórias do Primeiro-Ministro, à forma como resolveu reunir com Lopes da Mota, etc., etc., etc. Os exemplos de que não é competente para ocupar aquele cargo são mais que muitos. Só mesmo em Portugal para que um tipo destes ainda não tenha sido exonerado.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Hortênsia Calçada e o Apito Dourado



Houve tantas manobras no Apito para ver se conseguiam tramar o Pinto da Costa e o FC Porto.
Foi pena a procuradora Hortênsia Calçada não ter dito tudo, mas há coisas que se percebem nas entrelinhas...