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quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Estatísticas dos médios do FC Porto

O jornal O JOGO, na sua edição de 23 de setembro, apresentou os números totais de alguns tipos de acções efetuadas pelos cinco médios mais utilizados por Lopetegui no campeonato (o jogo disputado em Kiev, para a Liga dos Campeões, ficou fora destas estatísticas).

Estatísticas dos médios do FC Porto no campeonato (fonte: O JOGO, 23-09-2015)

Com base nos números de O JOGO, elaborei o quadro seguinte (clicar nele para ampliar), no qual, para além dos números totais, incluí indicadores por “jogo” (por cada 90 minutos disputados):


Evidentemente, para além da amostra ser pequena, não é a mesma coisa jogar em casa ou fora, nem é a mesma coisa jogar contra o SLB ou contra um clube do meio da tabela.
Contudo, penso que alguns indicadores são interessantes.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Da equipa B a “maestro”

Record, 23-05-2013
Pelos vistos, Carlos Eduardo é mais um da extensa lista de jogadores que interessavam ao slb e vieram parar ao FC Porto (Lisandro, Alvaro Pereira, Radamel Falcao, James Rodriguez, etc.). Mas, independentemente disso, no início desta época o meu conhecimento de Carlos Eduardo era diminuto, até porque, nos jogos da época passada entre o FC Porto e o Estoril, a minha atenção esteve sempre muito mais focada nos jogadores que equiparam de azul-e-branco.

Não dando grande importância aos jogos da pré-temporada (nunca dei), os primeiros minutos de Carlos Eduardo num jogo oficial com a camisola do FC Porto chamaram-me à atenção. Foi num Beira Mar x FC Porto B e, no dia 15 de Agosto de 2013, publiquei um artigo acerca da ‘Nova filosofia para a equipa B’, onde coloquei um recorte de O JOGO com o destaque da exibição de Carlos Eduardo em Aveiro.

Apesar das boas exibições que foi fazendo na equipa B, Carlos Eduardo ficou fora da lista de 21 jogadores escolhidos por Paulo Fonseca para a Liga dos Campeões 2013/14 e, a propósito desse assunto, no dia 5 de Setembro de 2013 escrevi o seguinte:

«Quem também fica de fora é Bolat (o terceiro guarda-redes será Kadú) e Carlos Eduardo, apesar dos bons indicadores que este médio de ataque brasileiro deu nos jogos da equipa B em que já actuou. Cheguei a admitir a hipótese de ser Diego Reyes a ficar de fora da Lista A e o 4º defesa-central (que raramente joga na LC) ser Tiago Ferreira, mas Carlos Eduardo não tem o mesmo estatuto do defesa-central mexicano e, além disso, concorre com Lucho, Quintero e, talvez, com Izmailov, o que, convenhamos, não lhe facilita a vida.»

O tempo foi passando, Paulo Fonseca foi experimentando diferentes configurações para o meio-campo portista (Fernando-Defour-Lucho; Fernando-Herrera-Lucho; Fernando-Josué-Lucho; etc.), sem obter grandes resultados e, no dia 29 de Novembro de 2013, após mais uma boa exibição de Carlos Eduardo pela equipa B, escrevi o seguinte num artigo intitulado ‘Carlos Eduardo e os intocáveis’:

«Pelo que se tem visto, quer nos jogos da equipa A, quer nos da equipa B, penso que Carlos Eduardo mais do que justifica uma oportunidade a sério na equipa principal. O problema é que Lucho parece ser intocável, Defour avisou que precisa de jogar (para manter a titularidade na seleção belga) e, no caso de Herrera, a SAD investiu 8 milhões em 80% do passe. (...) Quando as coisas não funcionam, talvez não fosse má ideia experimentar alternativas, em vez de continuar a apostar nas mesmas receitas e nos mesmos “intocáveis”.»

Nota: Atualmente, Carlos Eduardo é quase consensual entre jornalistas, comentadores e adeptos portistas, mas vale a pena (re)ler os comentários a este artigo, publicado há cerca de três semanas.

Após o FC Porto x SC Braga, jogo em que Carlos Eduardo entrou ao intervalo para substituir Lucho, escrevi o seguinte a propósito da sucessão de Moutinho:

«não havendo no plantel um “Moutinho 2”, compete ao treinador reestruturar o meio-campo, tirando o melhor possível dos bons jogadores que tem à sua disposição. Foi isso que aconteceu na 2ª parte do último FC Porto x SC Braga, em que o meio campo portista foi formado por Defour, Herrera e Carlos Eduardo e o que se viu foi o melhor FC Porto desta época. Dinâmica, intensidade, pressão alta, dois golos e mais quatro oportunidades flagrantes, tudo isto em 45 minutos sem Fernando, Lucho e… Quintero.»

Chegados à 13ª jornada do campeonato, Carlos Eduardo foi, finalmente, titular da equipa principal do FC Porto e, em Vila do Conde, jogou mais minutos do que nas 12 jornadas anteriores!

«A primeira parte [do Rio Ave x FC Porto], contudo, demonstrou que a coisa não correu muito bem, excepto na forma desempoeirada e plena de iniciativa de Carlo Eduardo que jogou muito bem entre linhas, com rapidez e critério. Também ficou incumbido da execução das bolas paradas que efectuou a um nível superior ao que tem sido feito. Foi de um livre seu que chegámos ao golo por intermédio de Maicon. (...)
Sobre o comportamento dos jogadores, e tirando Carlos Eduardo que me parece ser um reforço valioso para o que ainda falta jogar e esteve a um nível claramente superior, diria que cumpriram sem deslumbrar. Não gostei do Lucho: achei-o hesitante e com pouca mobilidade. Não criou, nem tamponou. Via o Herrera com maior utilidade para jogar nessa posição.»
Mário Faria, in ‘Carlos Eduardo fez a diferença!


Olhando para o futuro…

O JOGO, 16-12-2013
Depois de vermos os 22 jogos oficiais que o FC Porto já disputou nesta época; depois de vermos o Rio Ave x FC Porto e a 2ª parte do jogo anterior para o campeonato (FC Porto x SC Braga), cada um tirará as conclusões que entender.
Relativamente ao meio-campo portista, as minhas são as seguintes:

1) Analisando o plantel do FC Porto e o desempenho evidenciado pelos diversos médios até esta altura (quer na equipa A, quer na equipa B), o melhor meio campo portista inclui, necessariamente, Carlos Eduardo.

2) Eu reconheço grande qualidade ao Lucho (a jogar na posição 8) mas, conforme já referi noutros artigos, para mim não é obrigatório que tenha de ser sempre titular deste FC Porto 2013/14.
Por exemplo, quer contra o SC Braga, quer contra o Rio Ave, gostei de ver a dupla Carlos Eduardo + Herrera a jogarem à frente do médio defensivo (contra o SC Braga foi Defour; contra o Rio Ave foi Fernando).
O processo de adaptação de Herrera ao futebol europeu ainda não está concluído e o ex-Pachuca perde para el comandante em termos de experiência, liderança, classe pura e visão de jogo. Contudo, o internacional mexicano é um jogador mais vertical, com maior intensidade de jogo e, quando arranca com a bola em transições ofensivas, provoca maiores desequilíbrios nas defesas contrárias (fê-lo duas vezes nos 16 minutos que esteve em campo contra o Rio Ave).
Gostava de ver esta solução – Herrera + Carlos Eduardo à frente de Fernando ou Defour – trabalhada por Paulo Fonseca e experimentada em mais jogos.

3) Os últimos dois jogos para o campeonato provaram que, com o plantel atual, é possível formar meios campos competentes sem Moutinho, mesmo deixando de fora jogadores como Fernando e Lucho (na 2ª parte do FC Porto x SC Braga), Defour e Josué (no Rio Ave x FC Porto) e Quintero (em ambos os jogos).
Ao contrário dos últimos dois anos, em que, basicamente, Vítor Pereira só dispôs de quatro médios – Fernando, Moutinho, Lucho e Defour (o joker, primeira e às vezes única alternativa para todas as posições do meio-campo) –, no plantel atual não falta matéria-prima, quer para Paulo Fonseca construir e consolidar um meio-campo capaz, quer para o treinador ter alternativas de qualidade para castigos, lesões ou situações de abaixamento de forma dos habituais titulares.
Saiba o “cozinheiro” Paulo Fonseca fazer “omeletes” com os “ovos” que tem à sua disposição.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Carlos Eduardo e os intocáveis

Que me lembre, dentro do modelo 4-3-3, Paulo Fonseca já experimentou, em diferentes momentos dos jogos, os seguintes trios no meio campo portista:
i) Fernando – Defour – Lucho
ii) Fernando – Herrera – Lucho
iii) Fernando – Josué – Lucho
iv) Fernando – Lucho – Quintero

Mas, cinco meses após o arranque da época, o meio campo portista continua em “obras” e continua a ser um dos problemas da equipa azul e branca.

De fora das opções tem estado Carlos Eduardo (ex-Estoril), um médio ofensivo brasileiro que tem dado boas respostas quando é chamado à equipa B. Foi o caso na passada quarta-feira, no Oliveirense x FC Porto (1-4).


Oliveirense x FC Porto (O JOGO, 28-11-2013)

Contudo, Carlos Eduardo não fez parte da lista de 21 jogadores inscritos na Liga dos Campeões e as oportunidades dadas por Paulo Fonseca nos dez jogos do campeonato já realizados limitaram-se a 17 minutos (14 minutos no FC Porto x Guimarães e 3 minutos no Belenenses x FC Porto).

Pelo que se tem visto, quer nos jogos da equipa A, quer nos da equipa B, penso que Carlos Eduardo mais do que justifica uma oportunidade a sério na equipa principal.
O problema é que Lucho parece ser intocável, Defour avisou que precisa de jogar (para manter a titularidade na seleção belga) e, no caso de Herrera, a SAD investiu 8 milhões em 80% do passe.
E já nem falo em Josué e em Quintero que, devido ao excesso de candidatos a um dos três lugares no meio campo (os outros dois “pertencem” a Fernando e Lucho), têm sido remetidos, à vez, para uma das alas do trio de ataque.

Quando as coisas não funcionam, talvez não fosse má ideia experimentar alternativas, em vez de continuar a apostar nas mesmas receitas e nos mesmos “intocáveis”.

sábado, 25 de maio de 2013

Moutinho saiu? Chamem o “pronto-socorro”

(jornal O JOGO, 14-05-2013)

Na semana que antecedeu o desafio final em Paços Ferreira, e quando já se sabia que Fernando não ia poder participar nesse jogo (estava lesionado e castigado), o jornal O JOGO publicou um artigo sobre o Defour. Nesse artigo (ver em cima), Defour era apresentado como o pronto-socorro portista da época 2012/13, sendo destacado numa infografia o facto do internacional belga ter sido chamado a jogar em seis posições diferentes (as três posições do meio-campo, ala-direito, ala-esquerdo e defesa-direito). É obra!
E é, também, sinal de três coisas:
- das limitações existentes no plantel que Vítor Pereira teve à sua disposição;
- da polivalência de Defour;
- da confiança que o treinador do FC Porto depositou no número 35 (3+5=8, o seu número preferido) do plantel portista.

Defour ainda não é um jogador de top internacional mas, na minha opinião, é um jogador de qualidade, com uma cultura táctica muito acima da média e, tirando a “loucura” que o afectou em Málaga (obrigando a equipa postista a jogar a 2ª parte quase toda reduzida a 10 jogadores), é um jogador que se tem revelado muito útil.
Estando há dois anos no FC Porto, e tendo sido o 12º jogador do plantel mais utilizado (1308 minutos) no último campeonato, Defour ainda não se afirmou como titular dos dragões, o que é compreensível, se atendermos a que o meio-campo portista era formado por Fernando, Moutinho e Lucho.

Contudo, a saída de João Moutinho para o AS Monaco (o novo “brinquedo” do multimilionário Dmitry Rybolovlev) é uma oportunidade de ouro para o belga se afirmar como titular dos dragões porque, parece-me, ser ele quem está na pole position para ocupar o lugar do melhor médio português da atualidade.

Estou convencido que se o Defour se fixar na posição em que rende mais (na posição 8, que era ocupada por João Moutinho), em vez de ser o pronto-socorro que, por falta de alternativas no plantel, jogou em 5-6 posições diferentes, a tendência será o seu rendimento subir. Dificilmente atingirá o nível do Moutinho, mas tem características semelhantes e poderá aproximar-se.

Falta saber quem serão os outros elementos do meio campo portista para a época 2013/14.
Lucho terá como concorrentes Carlos Eduardo (ex-Estoril) e Izmaylov, mas será que Fernando, que não se cansa de dizer que gostaria de sair (Inter Milão, PSG, ...), acabará por renovar e ficar?
E que futuro está reservado para Castro, Tiago Rodrigues (ex-Vitória Guimarães) e Tozé (equipa B)?
E há ainda o mexicano Héctor Herrera, jogador do Pachuca, que se diz já ter um acordo com a FC Porto SAD desde... Janeiro.


A saída de um jogador do calibre de João Moutinho (a "maçã podre" de Alvalade, lembram-se?) é, obviamente, uma perda significativa em termos desportivos mas, como portista, estou mais preocupado em saber como vão ser colmatadas as carências óbvias que existem no ataque (extremos, avançados e pontas-de-lança) porque, em termos de médios, penso que há matéria-prima suficiente para, na próxima época, o FC Porto voltar a ter um meio-campo forte.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Fazer o melhor possível…


Em meados de Janeiro, durante uma conferência de imprensa, quando questionado se não estava preocupado com o facto de o FC Porto só ter Kléber disponível para jogar no centro do ataque, Vítor Pereira respondeu assim:

Neste momento temos apenas Kléber para jogar como ponta-de-lança e, se não podermos jogar com ele, por alguma eventualidade, teremos de inventar uma dinâmica nova. Vamos ver... O clube está a trabalhar e vamos ver o que se vai passar. Mas não posso comentar situações hipotéticas; estou aqui para treinar e para fazer o melhor possível com os jogadores que estão à minha disposição.”

O vazio resultante da saída de Falcao (Kléber nunca se conseguiu impor como solução e Walter desde cedo foi uma carta fora do baralho) existia desde Agosto e, para tentar colmatar esta enorme lacuna do plantel portista, lá chegou um “rapaz alto e loiro” em cima da data limite do período de transferências de Janeiro (a SAD oficializou a contratação de Janko no dia 31/01/2012). As coisas melhoraram um bocadinho (quanto mais não seja porque Hulk voltou a jogar na posição onde mais rende) mas, conforme se tem visto, o problema do ponta-de-lança está longe de ter ficado resolvido com este ponta-de-lança austríaco (no próximo defeso vai ser preciso voltar às compras).

No mesmo período de transferências, Pinto da Costa e Antero Henrique decidiram também reestruturar o lote de médios do plantel. Assim, aproveitando a vontade de Lucho em regressar ao Porto (onde manteve a sua casa e amigos), a que se juntou o desejo do Marselha em ver-se livre do seu elevado salário, a Administração da SAD contratou El Comandante a “custo zero” e, em contrapartida, dispensou/emprestou três médios que considerou excedentários (Guarín, Belluschi e Souza).

O problema é que, desde essa altura, o plantel ficou apenas com quatro médios de raiz – Fernando, Moutinho, Defour e Lucho – a que se somaram quatro agravantes:
i) três destes médios têm características de Nº 8, estando habituados a pisar os mesmos terrenos e a ter, dentro de campo, o mesmo tipo de missão;
ii) o plantel deixou de ter um Nº 10, ou seja, um médio criativo tipo Belluschi (embora James pudesse vir a ser adaptado a essa posição, algo que Vítor Pereira raramente faz);
iii) com as saídas de Souza e Guarín, dos três médios que nas últimas duas épocas jogaram na posição 6 (médio defensivo), apenas permaneceu Fernando o qual, ainda por cima, sofreu uma lesão;
iv) o Lucho atual, continuando a ser um grande jogador, já só aguenta meio jogo (quanto muito 60 minutos) a elevada rotação.

A propósito de Lucho, importa dizer que os problemas físicos de que se fala não são uma invenção dos adeptos, ou do Luís Freitas Lobo. É algo que tem sido notório em vários jogos e que, inclusivamente, já foi admitido por Vítor Pereira, conforme fica claro das afirmações que fez na semana passada, no final do slb x FC Porto para a Taça Lucílio Baptista:

Estamos com problemas no miolo, a troca de Lucho por James deveu-se ao facto de o Lucho precisar de descansar, sentiu dificuldades físicas...

Ao longo da época já o disse várias vezes e repito: para mim é claro que Vítor Pereira demonstrou não ter capacidade, nem o perfil adequado, para ser o treinador principal de um plantel que na época passada ganhou tudo o que havia para ganhar e que, ainda por cima, se habituou a vê-lo como adjunto. Talvez noutra altura e com outro lote de jogadores, Vítor Pereira pudesse ser uma boa escolha, mas é mais do que óbvio que com este plantel a coisa não funcionou. Contudo, sejamos justos, algumas (in)decisões da Administração da SAD não lhe têm facilitado a vida.


Nesta altura, já nada há a fazer em termos de mudanças substanciais. Assim, a um dos treinadores mais contestados dos últimos anos, o que se lhe pede (exige) é que faça o melhor possível com os caríssimos jogadores que tem à sua disposição. E se der para renovar o título de campeão, óptimo.

P.S. A gestão desportiva da estrutura do futebol portista tem sido de alto nível e fundamental para o sucesso do FC Porto nas últimas décadas. Contudo, há anos em que as coisas não correm bem e, após o final deste campeonato, quando for feita a análise a tudo o que se passou, estou convencido que as más decisões da dupla Pinto da Costa – Antero Henrique irão ser, pelo menos, tão valorizadas como os erros, inabilidades e incapacidades de Vítor Pereira ao longo da época.

domingo, 18 de março de 2012

Três números 8

Lucho saiu, deixou um vazio por preencher e, um ano depois, Moutinho veio para vestir a camisola 8 e desempenhar o papel de Lucho.


No início desta época, Defour foi contratado para salvaguardar uma eventual saída de Moutinho, que não se concretizou.


E, dois anos e meio depois, Lucho regressou a "casa" para fazer de... Lucho.


Ora, no Nacional x FC Porto, o meio-campo portista foi formado precisamente por estes três jogadores, todos com características para Nº 8, embora podendo ser adaptados a outras posições.

Com Fernando lesionado, faltou um Nº 6 (Castro está no Sporting de Gijón e Souza foi dispensado), falta um Nº 10 (Belluschi foi emprestado ao Génova e James joga como extremo) e sobraram três jogadores habituados a pisar os mesmos terrenos e a ter dentro de campo o mesmo tipo de missão.
Era previsível que as coisas não corressem lá muito bem e, ainda por cima, Lucho estourou por volta dos 60 minutos e as pilhas de Defour não duraram muito mais.

Veremos como este meio campo de números 8 se irá comportar na próxima terça-feira, visto que, com a lesão de Fernando e a "limpeza" feita em Janeiro, não há mais médios disponíveis para o jogo contra o slb.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Incógnita no meio-campo


Vamos continuar a jogar com três médios, mas queremos que o seis seja cada vez mais um oito. Antigamente, o seis era visto como um jogador de equilíbrios, um recuperador sem grande preponderância ofensiva. Agora, e nas grandes equipas mundiais, o seis é cada vez mais o primeiro organizador de jogo. A minha ideia passa por aproximar o nosso seis de um pivô com grande capacidade para circular a bola e para entrar no processo ofensivo. (…)
Existe a ideia que o Fernando é apenas um jogador defensivo, até lhe chamam o polvo, mas ele é muito mais do que isso. Tanto o Fernando como o Souza gostam de ter a bola e, se lhes derem liberdade, gostam de aparecer em zonas de finalização.

Vítor Pereira, 16/09/2011


Independentemente dos nomes, penso que a maior dúvida de Vítor Pereira será como organizar o meio-campo portista. Algumas possibilidades:

1) Um “seis” (Fernando ou Souza), um “oito” (Moutinho) e um “dez” (Belluschi)?
2) Um “seis” (Fernando ou Souza) e dois “oitos” (Moutinho e Guarín)?
3) Dois “oitos” (Defour e Moutinho) e um “dez” (Belluschi)?
4) Três “oitos” (Defour, Moutinho e Guarín)?

Há ainda a hipótese de fazer adaptações, como por exemplo:

5) Um “oito a jogar a seis” (Guarín), um “oito” (Moutinho) e um “dez” (Belluschi).

Recordo que foi este o meio-campo que jogou nos 5-0 da época passada e a coisa não correu nada mal.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Um meio-campo de luxo


Em Março passado, no seu jogo de estreia pela Selecção, Rúben Micael marcou os dois golos com que a equipa das quinas derrotou a Finlândia (2-0).

Na mesma altura, e após uns anos de ausência, Fernando Belluschi, fruto da época que tem vindo a fazer, regressou ao lote de convocados da selecção argentina para os particulares com Estados Unidos e Costa Rica (26 e 29 de Março).

Freddy Guarín, depois do muito de bom que já tinha mostrado no último terço da época passada, é um dos jogadores deste campeonato, tendo sido várias vezes considerado o melhor em campo, eleito o jogador do mês de Março e, claro, tornando-se um dos indiscutíveis da sua selecção.

João Moutinho, saído de um pesadelo chamado Sporting, voltou ao seu melhor nível, assumindo o papel de pêndulo equilibrador do FC Porto e da Selecção.

Falta juntar a esta lista Fernando, médio formatado por Jesualdo e que praticamente só defende, mas cuja importância nas transições e cobertura defensiva faz com que André Villas-Boas não o dispense.

Por tudo isto, não é exagerado dizer que o plantel desta época é constituído pelo melhor lote de médios desde o plantel de 2003/04 onde, recordo, havia um mágico Deco, um enorme Maniche, um cerebral Costinha, um Pedro Mendes todo-o-terreno e um Alenitchev de fino recorte.

E do lote actual estou a deixar de fora Souza e Castro, dois médios pouco utilizados, mas que já deram indicações positivas (desde que foi novamente emprestado, Castro tem sido bastante elogiado no Sporting Gijon).

Se é verdade que para algumas posições as alternativas existentes no plantel estão muito aquém dos titulares (ponta-de-lança e defesa esquerdo são as mais notórias), é indiscutível que no meio-campo a competitividade é muito elevada. Fernando ou Guarín? Belluschi ou Guarín? Moutinho ou Guarín? Belluschi ou Rúben? etc.

Os jogadores não gostam de ficar de fora (Rúben teve uns desabafos subliminares no final do Portugal x Finlândia), mas não há dúvida que a equipa fica a ganhar com esta competitividade. E feliz do treinador que pode contar com um lote de médios desta qualidade, todos eles perfeitamente integrados na cultura do clube e sem andarem a sonhar diariamente com outros campeonatos (não é Raul Meireles?).

É caso para dizer que já não temos o Lucho (que saudades!), mas temos um meio-campo de luxo.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Em Belém não (re)nasceu a esperança


O jogo dos 30 penalties serviu para confirmar várias das debilidades da actual equipa do FC Porto, as quais nas últimas semanas/meses têm vindo a ser amplamente discutidas pelo universo portista.
Na minha opinião, uma das principais debilidades, senão mesmo a principal, é a falta de qualidade e nível competitivo dos jogadores que constituem o meio campo portista. Aliás, na época passada, este sector – meio-campo – já era o mais pobre da equipa (e do plantel) e é inegável que a saída do Lucho veio agravar o problema.

Recuando no tempo, se recordarmos as grandes equipas do FC Porto, quer nos anos 80, quer com Mourinho, verificamos que tinham um denominador comum: o meio-campo era o esteio dessas equipas, as quais tinham médios da valia de um André, Jaime Pacheco, Sousa, Frasco, Jaime Magalhães, Costinha, Maniche, Alenitchev ou Deco.
Ora, não há milagres, e se um meio campo formado por Fernando, Meireles e Belluschi já deixa muito a desejar, que dizer quando jogam Tomás Costa, Meireles e Valeri?

Reconheço que o Tomás Costa é um jogador esforçado, mas não passa disso. É uma espécie de Paulinho Santos das Pampas (até pela polivalência que revela), mas sem um pingo da mística que fazia do caxineiro um jogador temido pelos adversários e adorado pelos adeptos. Ainda por cima, a leitura do jogo não é o seu forte e é óbvio que não tem a cultura necessária para jogar na posição 6.

Dizem-me que o Valeri esteve em campo 74 minutos contra o Belenenses, mas eu duvido. Alguém o viu? Aliás, não há registos de que este médio-ofensivo tenha feito algo de relevante (um remate, uma desmarcação, um cruzamento, um passe a isolar um companheiro de equipa). Zero!
Se o futebol actual fosse jogado com os espaços e ao ritmo dos anos 60/70, talvez este argentino pudesse ser jogador de futebol, até porque parece que tem bons pés. Mas, em 2010, não percebo o que é que um jogador com estas características está a fazer no plantel de uma equipa habituada a jogar ao mais alto nível e a medir forças com os principais clubes do futebol europeu.
Seremos obrigados a ficar com ele durante os dois anos do empréstimo? Agora que chegou o Rúben Micael não o podemos devolver à procedência?

Sobra o Raul Meireles que, sem ser brilhante, já demonstrou que tem qualidade, e fê-lo quer ao serviço do FC Porto, quer da Selecção. Contudo, esta época está a jogar metade do que nos tinha habituado, o que não admira, porque ao lado de um jogador com a craveira do Lucho também o Fernando jogava muito mais.

Mas, caramba, com um orçamento superior a 80 milhões de euros, não há outras alternativas para o meio-campo?
Claro que há! Temos o Guarin, o Mariano e o ... Prediguer!

P.S. Chegou agora o Rúben Micael (alguém percebe porque não veio em Dezembro, logo após a 14ª jornada?), o qual evidenciou no Nacional estar num patamar acima da média. Contudo, ninguém lhe pode exigir que seja o salvador da pátria e, tal como em 2004/05, olhando para o estado actual da equipa, este e outros eventuais reforços de Janeiro não irão ter uma integração fácil.