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domingo, 30 de outubro de 2016

NES não é um treinador à Porto

Nuno Espírito Santo a "explicar" o que é um jogador à Porto


«Se o pecado de João Pinheiro [árbitro do Vitória Setúbal x FC Porto] tivesse sido a grande penalidade não assinalada ainda se podia achar que tinha sido um caso sem exemplo, mas quem viu o jogo sabe bem a tendência do sr. árbitro, tanto a marcar faltas a todo o contacto dos jogadores do FC Porto e a aplicar um "critério largo" quando era o contacto era provocado pelo adversário. E depois temos os descontos, um assunto que por si só merecia um estudo, que neste jogo ficaram muito longe do tempo efetivamente perdido, tanto na primeira como na segunda parte
Francisco J. Marques, newsletter ‘Dragões Diário’, 30-10-2016


“quem viu o jogo sabe bem a tendência do sr. árbitro”

Sabe? Será que toda a gente que viu o jogo sabe?

No final do Vitória Setúbal x FC Porto, em declarações na flash interview, quando questionado sobre se o FC Porto tinha queixas da arbitragem, Nuno Espírito Santo (NES) afirmou o seguinte:

De onde estou não consigo analisar totalmente os lances, mas neste momento não vou olhar para isso

Não viu bem os lances, não percebeu a tendência da arbitragem (sempre contra o FC Porto), nem tem nada a dizer sobre o desconto (e que desconto!) de tempo dado pelo internacional proveta. Mas que gajo manso! Que cobardolas!

Ao contrário do treinador “ceguinho”, os jogadores FC Porto, quer os que estiveram sentados no banco de suplentes, quer os que andaram a correr lá dentro, viram bem e sentiram na pele a injustiça de mais uma roubalheira. Por isso, mal o jogo acabou, enquanto o seu treinador se escapulia rapidamente para o balneário, os jogadores foram manifestar a sua justa indignação junto do trio de arbitragem.

Jogadores do FC Porto a protestar com o árbitro João Pinheiro (fonte: O JOGO)

Jogadores do FC Porto a protestar com o árbitro João Pinheiro (fonte: Record)

Em vez de encher a boca com o slogan “Somos Porto”, ou pretender dar aulas, inspiradas em manuais de auto-ajuda, sobre o conceito “jogador à Porto”, alguém devia explicar a Nuno Espírito Santo o que é ser treinador à Porto.

Ser treinador à Porto, algo que Nuno Espírito Santo está muito longe de ser, é isto…


… ou isto…


Percebido?

Espero não voltar a ver, nunca mais, os jogadores do FC Porto a serem abandonados pelo seu treinador e a enfrentarem, sozinhos, juntamente com os adeptos nas bancadas, este Sistema vergonhoso que, sempre que pode, nos prejudica.

sábado, 9 de janeiro de 2016

As escolhas da SAD no pós-Vítor Pereira

No dia 20 de Junho de 2011, a poucos dias do início da época 2011/2012, André Villas Boas, aliciado pelos milhões do Chelsea e com medo do fantasma Mourinho (Pinto da Costa dixit), abandonou a sua “cadeira de sonho”.

Vítor Pereira e André Villas-Boas (época 2010/11)

Apesar de convidado a acompanhá-lo na aventura inglesa, o seu Nº2, Vítor Pereira, optou por ficar. Ficou no Porto, mas herdou um plantel que, por ter ganho tudo na época anterior, estava repleto de jogadores cheios de expectativas e com a cabeça noutro lado (Fucile, Rolando, Álvaro Pereira, Guarín, Belluschi, Falcao, etc.).
Para complicar a coisa, Radamel Falcao foi vendido no final de Agosto de 2011 (e a SAD só contratou Jackson um ano depois), tendo Vítor Pereira de se desenrascar com pontas-de-lança do calibre de Kléber e Walter!

Aos poucos, e após ter sido feita uma “limpeza de balneário” a meio da época (em Janeiro de 2012), Vítor Pereira foi “colando os cacos” e construído uma equipa à sua imagem.
Com essa equipa e o seu modelo de jogo, Vítor Pereira superou Jorge Jesus, quer nos duelos diretos que travaram, quer na “maratona” que são os campeonatos.

No 1º ano ganhou o campeonato 2011/2012.
No 2º ano ganhou o campeonato 2012/2013.
E nesses dois anos, num total de 60 jogos para o campeonato, perdeu apenas uma vez (em Barcelos, num jogo tristemente célebre, arbitrado por Bruno Paixão).

Pelo meio, Vítor Pereira foi sendo contestado (principalmente nos primeiros meses da época 2011/12 e após a derrota em Málaga, na época seguinte), mas também recebeu fortes elogios, inclusive de adeptos de clubes rivais.

Com ele, foram vários os jogadores – Maicon, Danilo, Alex Sandro, Mangala, Fernando, Moutinho, James, Jackson – que evoluíram e, em alguns casos, cresceram para patamares de excelência.

E quando a SAD não quis renovar com Vítor Pereira, ele saiu do seu FC Porto como um Senhor, de cabeça erguida e com a satisfação da missão cumprida.

Estamos no 3º ano do pós-Vítor Pereira e, neste período, a equipa principal do FC Porto já teve três treinadores (brevemente terá um 4º).

Paulo Fonseca: 01-07-2013 a 05-03-2014

Luís Castro: 05-03-2014 a 30-05-2014

Julen Lopetegui: 01-06-2014 a 07-01-2016

Por motivos diferentes, estas três escolhas da SAD – Paulo Fonseca, Luís Castro e Julen Lopetegui – acabaram por não alcançar os objetivos pretendidos, tendo-se revelado apostas falhadas.

Será que à 4ª tentativa, Pinto da Costa e Antero Henrique irão acertar na escolha para um dos cargos mais importantes da estrutura de qualquer clube/SAD de futebol?

A fasquia está alta, mas convém lembrar que ainda há muito para ganhar esta época – Campeonato (faltam 18 jornadas, estão 54 pontos em disputa e o Sporting tem de vir ao Dragão), Taça de Portugal (o FC Porto é o único dos três “grandes” ainda em prova) e Liga Europa.

Mais. A FC Porto SAD investiu dezenas de milhões de euros neste plantel (na aquisição de "passes" de jogadores, em empréstimos e em salários), tem o maior orçamento do campeonato português (mais de 100 milhões de euros) e, por isso, tem obrigação de lutar até ao fim por todos estes objetivos.

Pinto da Costa é o presidente mais titulado do futebol mundial e terá um lugar, para sempre, na gloriosa história do Futebol Clube do Porto. Contudo, depois de não ter renovado com um treinador bi-campeão e após três falhanços consecutivos, a responsabilidade desta Administração da SAD (particularmente de Pinto da Costa e Antero Henrique) é enorme.

Para bem do FC Porto, não pode(m) voltar a falhar.

quinta-feira, 19 de março de 2015

Denunciado por Vítor Pereira, confirmado por Collina

Numa conferência de imprensa realizada a 20 de Março de 2012, o treinador do FC Porto, Vítor Pereira, denunciou os bloqueios efectuados pelos jogadores do SL Benfica e, aproveitando a ocasião, revelou parte de um diálogo que teve com o árbitro Artur Soares Dias, acerca deste tipo de infracções, a que os árbitros fechavam (e continuam a fechar) os olhos.

Três anos depois, num artigo publicado, esta semana, no jornal italiano Gazzetta dello Sport, Pierluigi Collina, responsável pela arbitragem da UEFA, escolheu uma jogada efectuada pelos jogadores do SL Benfica na meia-final da Liga Europa de 2012/2013, frente ao Fenerbahçe, como exemplo de um bloqueio faltoso.

Meio a brincar, meio a sério, era caso para Vítor Pereira vir novamente a público e, a propósito dos bloqueios encarnados, dizer: “I speak da True!”

No mesmo artigo, Collina referiu que cantos, livres laterais e lançamentos (olá Maxi!), são jogadas propícias à origem deste tipo de lances irregulares e recomendou aos árbitros que assinalassem falta, sempre que vislumbrem uma situação em que um futebolista corra na direcção de um adversário, sem a possibilidade de disputar a bola e com o único propósito de o bloquear.

Gazzetta dello Sport, 16-03-2015
«HAMSIK E IL BENFICA L?adozione di tattiche o schemi particolari viene analizzata nel corso degli stage per gli arbitri organizzati dalla UEFA e, ritengo, anche in quelli organizzati dalle singole Federazioni. Forse qualcuno ricorderà un gol annullato da Rosetti ad Hamsik in un Palermo Napoli, prima giornata del campionato 2009-10: calcio di punizione laterale e Campagnaro che parte da una posizione di chiaro fuorigioco e ostacola il difensore che doveva marcare Hamsik. In pre-campionato avevamo parlato di questa tattica e gli arbitri erano pronti al verificarsi di simili episodi. E ancora nel 2013 a tutti gli arbitri UEFA è stata inviata una clip che evidenziava proprio la tattica utilizzata dal Benfica in occasione dei calci di punizione laterali, con almeno due-tre attaccanti che avevano il solo compito di bloccare in maniera irregolare gli avversari. La raccomandazione data ad arbitri, assistenti e addizionali è stata quella di essere particolarmente attenti quando su una palla inattiva gli attaccanti di una squadra si posizionano in chiaro fuorigioco, perché a quella posizione farà certamente seguito un movimento che influenzerà lo svolgimento dell?azione. In altre parole deve scattare una sorta di allarme per essere pronti a vedere e valutare un?eventuale azione fallosa.»
Pierluigi Collina
Gazzetta dello Sport, 16-03-2015


A propósito do artigo de Collina, o subdiretor de O JOGO, Jorge Maia, fala (e bem!) nos maus hábitos de algumas equipas portuguesas.

Jorge Maia, O JOGO, 18-03-2015

Perante este esclarecimento de Pierluigi Collina, falta saber o que irão fazer, daqui para a frente, os árbitros portugueses, nomeadamente nos jogos que ainda faltam até ao final deste campeonato.

Eu sei, todos sabemos, que o Sistema (o verdadeiro Sistema!) tudo tem feito (golos limpos anulados, golos do SLB em fora-de-jogo, expulsões de jogadores adversários, etc.), sem olhar a meios, para levar o SL Andor ao colo até ao título. Mas, ó gente, olhem que até no estrangeiro (Espanha, Itália, …) já se fala nas falcatruas do SLB.

sábado, 22 de novembro de 2014

As “más” decisões de jogadores “irresponsáveis”

O JOGO, 19-11-2014
Há portistas que não gostam do Ricardo Quaresma, entendem que não tem lugar no plantel do FC Porto e, inclusive, contestam a sua utilidade para a equipa (nem que seja como “arma secreta”, nos últimos 20-25 minutos dos jogos) recorrendo, para isso, a todo o tipo de argumentos.

Desde a estafada tese do “mau balneário”, à falta de “critério”, passando pela estatística dos “bons” e “maus” cruzamentos, valeu (vale) quase tudo para denegrirem o que o mustang, com ares de Harry Potter, faz em campo.

Uma das críticas mais frequentes, que esses críticos de Quaresma lhe fazem, é baseada na tese das más decisões.

Cruzou para a cabeça de Ronaldo, mas foi o defesa dinamarquês que fez autogolo e, por isso… blá, blá, blá.

Cruza, perdão, “bombeia” muitas vezes para a área, mas mesmo quando resulta em golo, Quaresma não devia ter cruzado porque, perante a posição dos defesas versus a movimentação dos avançados, conclui-se que… blá, blá, blá.

Rematou, a bola passou por baixo do guarda-redes do Athletic e entrou, mas Quaresma não devia ter rematado, porque o Brahimi fez um movimento interior e… blá, blá, blá.

Ontem, o jornal Record publicou uma extensa entrevista de Vítor Pereira.

Ao ler, nessa entrevista, o que o ex-treinador do FC Porto disse acerca do golo do Kelvin (num célebre FC Porto x SL Benfica), não pude deixar de pensar no “clube de críticos do Quaresma”.

[Vítor Pereira]: Pensava-se que já não ia acontecer nada e aconteceu tudo. E aquele menino, se fosse responsável, tinha cruzado em vez de rematar (risos). Portanto, naquela altura era preciso aquilo: um bocadinho de irresponsabilidade.

Kelvin, FC Porto x SL Benfica (2-1) da época 2012/2013

[Record]: Foi isso que lhe pediu no momento da substituição?

[Vítor Pereira]: Claro que sim. Era o que estava a faltar. Por isso é que eu digo: ser treinador tem muito de racional, mas também de intuitivo. E até de espiritual. (…) o Kelvin, porque é irreverente, capaz de pegar na bola, sair num 1x1 e… dar qualquer coisa. Foi o que aconteceu.

Vítor Pereira e Jorge Jesus, após a "irresponsabilidade" de Kelvin


Irreverência, capaz de pegar na bola, sair num 1x1, um bocadinho de irresponsabilidade são tudo coisas que também poderiam ser ditas em relação a Quaresma.

A mensagem (ensinamento) de Vítor Pereira é que há determinados jogos, ou momentos dos jogos, em que as equipas precisam de outro tipo de soluções, entre as quais, recorrer a jogadores com estas características.

Mas, claro, a competência e currículo de Vítor Pereira, não se compara com a de alguns “especialistas” sem rosto (com “formação na área”…) que, do alto da sua sapiência, usam “blogues laterais” para doutrinar o povo…

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

O banco bom e o banco mau

João Gonçalves deixou um novo comentário na sua mensagem "Impressões sobre Julen Lopetegui, parte II":

«(…) A rotatividade é fantástica para o espírito de grupo e para a competitividade interna... com Lopetegui, todos os jogadores sabem que amanhã podem jogar... com VP todos os jogadores sabiam quem ia jogar amanhã... uma pequena diferença mas que demonstra claramente a razão de quando não jogavam o núcleo de 12/13 jogadores a equipa simplesmente não rendia. (…)»


Sinceramente, não me apetece voltar ao tema “Vítor Pereira” e muito menos à discussão acerca dos méritos e deméritos que Vítor Pereira evidenciou durante os três anos em que fez parte da equipa técnica do FC Porto, dois deles como treinador principal.

Contudo, há algo que é por demais evidente e que não pode ser ignorado. O “banco de suplentes” que Lopetegui tem à sua disposição (um “banco bom”), não tem nada a ver com o que existia na época passada, ou há duas épocas atrás (um “banco mau”).

Por exemplo, no recente Sporting x FC Porto, Lopetegui não pôde contar com Maicon (estava castigado) e, mesmo assim, veja-se qual foi o onze inicial e as alternativas que tinha no banco à sua disposição…

Onze inicial e suplentes do FC Porto, no Sporting x FC Porto da época 2014/2015 (fonte: zerozero.pt)

… e compare-se com o banco de suplentes portista, no Sporting x FC Porto de há duas épocas atrás:

Onze inicial e suplentes do FC Porto, no Sporting x FC Porto da época 2012/2013 (fonte: zerozero.pt)

Melhor ainda, compare-se com as opções que Vítor Pereira tinha no banco, no Benfica x FC Porto da época 2012/2013:

Onze inicial e suplentes do FC Porto, no Benfica x FC Porto da época 2012/2013 (fonte: zerozero.pt)

Ou seja, Lopetegui recorre à rotatividade, porque quer e pode.
Com o plantel que tinha à sua disposição, como é que Vítor Pereira poderia, mesmo que quisesse, promover uma rotatividade alargada?

terça-feira, 13 de maio de 2014

“Um jogo mais vistoso...”

Na passada sexta-feira, Vítor Pereira foi o convidado do programa Maisfutebol, da TVI24, durante o qual falou sobre vários assuntos, entre os quais o modelo de jogo que preconiza para as suas equipas e as diferenças para um futebol mais de transições, como é (era) habitual nas equipas de Jorge Jesus.

A meio da conversa, quando questionado se tinha recebido algum telefonema do FC Porto para suceder a Luís Castro, respondeu que, nesta altura, o regresso “não teria lógica absolutamente nenhuma”.

A explicação: “Saí há um ano porque senti que era o momento de sair. Agora é a oportunidade para o FC Porto crescer, ter um projeto novo, com pessoas novas, talvez com um jogo mais vistoso, não sei...

E mais à frente acrescentou: “ Saí, porque…, porque senti, que havia chegado o momento das pessoas poderem apreciar outro tipo de futebol” e sorriu…

terça-feira, 6 de maio de 2014

Uma explicação aos sócios

Pinto da Costa é o presidente mais titulado de sempre do futebol mundial e é, também, o principal responsável pela transformação dos “andrades” em “dragões” (com tudo o que isso significa em termos de mentalidades e mudança estrutural do Futebol Clube do Porto).


Mas se Pinto da Costa é um presidente top, com um passado recheado de sucessos e mereceu todos os elogios que nós, adeptos portistas, lhe fizemos ao longo das últimas quatro décadas é também ele o principal responsável pelo descalabro desta época.

Foi ele, Pinto da Costa, que, em tempo oportuno, não renovou com um treinador que era campeão nacional, o qual, nos últimos meses da época 2012/2013, com um plantel limitado, continuava a lutar, taco-a-taco, com uma das equipas encarnadas mais fortes dos últimos 30 anos.

Foi ele, Pinto da Costa, que quis esperar pelo final da época 2012/2013 e, tendo em casa um treinador acabado de se sagrar bicampeão, não fez tudo o que estava ao seu alcance para o convencer a ficar (tivesse Pinto da Costa oferecido a Vítor Pereira 30 a 35% do que Jorge Jesus ganha no SLB…).

Foi ele, Pinto da Costa, que escolheu e contratou Paulo Fonseca, um homem sem qualquer experiência anterior de clube grande (ao contrário de José Mourinho, André Villas-Boas ou Vítor Pereira) e um treinador sem qualquer experiência de competições europeias e de gestão de balneários cheios de vedetas.


Foi ele, Pinto da Costa, que, em 16 de Janeiro de 2014, quando os sinais da crise que afetava o futebol portista já eram mais do que evidentes, afirmou o seguinte (numa entrevista ao Porto Canal): “Se a época e o contrato dele [Paulo Fonseca] acabassem hoje, ontem tinha renovado com ele. Não é necessário dizer mais nada. Tenho absoluta confiança no Paulo Fonseca. Se eu entendesse que ele não era o treinador que o FC Porto neste momento precisa, era o primeiro a dizer-lhe”.

Perante tudo o que se passou nos últimos 12 meses, penso que Pinto da Costa deve uma explicação aos sócios e adeptos do FC Porto (talvez numa outra entrevista ao Porto Canal).

E, já agora, depois de uma época horribilis, a nação portista precisa de uma mensagem forte acerca do futuro imediato do Futebol Clube do Porto. Porque, como Pinto da Costa disse várias vezes, do passado vivem os museus.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Maio de 2014, um ano depois…

2 de Maio de 2014.
O país futebolístico está em festa (alguém sabe se Bruno de Carvalho já emitiu um comunicado a dar os parabéns aos seus amigos da 2ª circular?) e rendido à categoria e classe extra deste SL Benfica, superiormente orientado por Jorge Jesus.

Mas será que esta equipa do SL Benfica é assim tão diferente, para melhor, das equipas orientadas por JJ nos últimos anos e, particularmente, na época passada?
Comparemos o desempenho do SLB nesta época, com idêntico momento da época passada.

Época 2012/2013
Campeonato (28ª Jornada): 23 V, 5 E, 0 D, 73–17 golos, 74 pontos
Liga Europa: apurado para a Final
Liga dos Campeões: não passou da fase de grupos (3º lugar, atrás de FC Barcelona e Celtic)

Época 2013/2014
Campeonato (28ª Jornada): 23 V, 4 E, 1 D, 56–15 golos, 73 pontos
Liga Europa: apurado para a Final
Liga dos Campeões: não passou da fase de grupos (3º lugar, atrás de PSG e Olympiakos)

Ou seja, o SLB desta época é uma equipa com um desempenho muito semelhante ao da época passada, quer no campeonato, quer nas competições europeias (a diferença mais significativa, para pior, está nos 17 golos a menos que a equipa desta época marcou no campeonato nacional).

Ora, se o SLB continua a ter uma equipa bastante forte, orientada pelo mesmo treinador, o que mudou então nestes 12 meses?

Na perspectiva de um portista, o que mudou, e para muito pior, foi a equipa do FC Porto.

O SLB dos dois últimos anos e, particularmente, o da época passada, não era inferior ao desta época, mas nem isso serviu para uma parte significativa dos adeptos portistas valorizarem o sucesso alcançado pelo FC Porto de Vítor Pereira, que venceu dois campeonatos em confronto com uma das equipas encarnadas mais fortes dos últimos 30 anos.

Aliás, o FC Porto de Vítor Pereira foi melhor que o SLB de JJ, quer no confronto direto (4 jogos para o campeonato), quer na “maratona” de dois campeonatos disputados taco-a-taco, ao longo de 60 jornadas.
E foi melhor tendo menos meios (qualidade do plantel) à sua disposição, conforme foi reconhecido pelos próprios benfiquistas.

Como adepto portista e sócio do FC Porto, além de triste com tudo o que se passou nesta época, estou também desiludido por um presidente com a experiência de Pinto da Costa não ter, em tempo oportuno, feito tudo para renovar com um treinador que ganhou dois campeonatos a este super SLB de JJ e que, em 60 jogos para o campeonato, perdeu apenas um (em Barcelos e todos nós sabemos como foi).

Tivesse Luís Filipe Vieira feito como Pinto da Costa e não tivesse renovado com o contestado treinador (em Maio de 2013), dando ouvidos aos muitos adeptos do seu clube descontentes e seguramente que esta época o SLB não estaria a um pequeno passo de fazer história.

domingo, 27 de abril de 2014

Já não há adjectivos...

O JOGO, 10-01-2014
Depois de mais um confronto contra o slb, depois de mais um teste ao valor desta pseudo “equipa”, já não há adjectivos para classificar a mediocridade que é este FC Porto 2013/2014. Hoje salvaram-se Maicon e Herrera, o MVP deste jogo (fez 4 assistências na 1ª parte, duas para Jackson, uma para Varela e uma para Defour), porque o resto…

Até aos 32 minutos, beneficiando da presença em campo de Steven Vitória e das “liberdades” dadas a Herrera, o FC Porto criou três ou quatro excelentes oportunidades, que só o cansaço / má forma / displicência de Jackson Martinez impediram se se transformar em golo.

A partir daí, com o slb a jogar com 10, Jorge Jesus colocou Garay em campo, mandou Ruben Amorim marcar Herrera e as coisas tornaram-se mais difíceis. Mesmo assim, o FC Porto deveria ter chegado ao intervalo a vencer por 2 ou 3 a zero, não fosse a inacreditável incompetência que revelou na finalização.

Jackson Martinez, não sendo um ponta-de-lança do nível do Jardel ou do Radamel Falcao, já mostrou ser um ponta-de-lança de qualidade, mas o que temos visto em muitos jogos (demasiados jogos!) desta época é um Jackson irreconhecível, uma sombra do Jackson da época passada.
Porquê? Por não ter saído no final da época passada nem, depois disso, a SAD ter renovado o seu contrato?
O que é certo é que um ponta-de-lança da sua categoria, que tem a ambição de ser titular da Colômbia no Mundial do Brasil e aspira a uma transferência milionária para um dos “tubarões” europeus, não pode falhar quatro golos feitos, como os que falhou nos primeiros 45 minutos deste jogo. E já nem falo da forma, que me abstenho de qualificar, como marcou o seu penalty.

E o que se passou com Quaresma, que eu me tenho fartado de elogiar?
Hoje fez o seu pior jogo desde que regressou ao FC Porto. Com bola e sem bola, a sua exibição foi de uma nulidade quase total (em 70 minutos dentro do campo, salvou-se um cruzamento de letra para Jackson, que o ponta-de-lança colombiano “cabeceou” com… o ombro!). E ainda expressou admiração quando foi substituído…

A jogar em casa, contra um slb cheio de segundas escolhas, reduzido a 10 jogadores desde os 32’ e que tinha jogado contra a Juventus na passada quinta-feira, a 2ª parte desta equipa de “andrades”, liderada por um amorfo Luís Castro, é inenarrável e irá ficar na história como uma das páginas negras da história do FC Porto dos últimos 35 anos.
A melhor e uma das poucas oportunidades criadas nos segundos 45 minutos foi, mais uma vez, através de Herrera, que falhou por pouco a baliza de Oblak.
E quanto a Luís Castro, de cada vez que mexeu, a equipa piorou.

Depois de tudo o que se passou esta época, depois do que vimos neste jogo (principalmente na 2ª parte), depois do que vimos em dois jogos contra um slb em poupanças e que jogou reduzido a 10 durante cerca de uma hora, não posso deixar de dizer o seguinte: que saudades que eu tenho do FC Porto de Vítor Pereira e da forma como essa equipa “enfadonha” jogava contra o “fabuloso” slb de Jorge Jesus.

terça-feira, 4 de março de 2014

Impasse no comando técnico

O JOGO, 04-03-2014
Após um dia de folga, o FC Porto regressou esta terça-feira aos treinos (embora com muitos jogadores ausentes nas respectivas seleções) e, ao contrário do que alguma comunicação social previa, ainda sob o comando técnico de Paulo Fonseca.

O JOGO (um jornal normalmente bem informado em assuntos relacionados com o FC Porto) anunciou que o futuro de Paulo Fonseca está por horas/dias mas, aparentemente, a decisão ainda não está tomada.

Tem-se dito muita coisa (nos jornais, televisões e… redes sociais), mas eu não alinho nas teses de que a saída de Paulo Fonseca ainda não se concretizou devido à teimosia de Pinto da Costa, ou por causa de uma eventual indemnização que a FCP SAD terá (teria) de pagar ao atual treinador do FC Porto (o que está em causa é muito mais do que isso e só o apuramento direto para a fase de grupos da Liga dos Campeões 2014/2015 vale 10 milhões de euros).

Por mais teimoso que seja, ou por querer mostrar que o clube não é gerido de fora para dentro, Pinto da Costa já demonstrou que, tendo uma boa alternativa na manga, não olha a amizades ou compromissos com os treinadores em funções (que sempre foram escolhidos por ele), quando constata que a mensagem do treinador não passa (as conferências de imprensa de Paulo Fonseca são elucidativas) e que a situação se tornou insustentável (a equipa continua em sub-rendimento, apesar de já estarmos no 9º mês de trabalho deste treinador).

Por que razão, então, Pinto da Costa ainda não resolveu este problema (que ele próprio criou, quando preferiu contratar Paulo Fonseca em vez de renovar com Vítor Pereira)?

Porque, ao contrário de situações anteriores (Artur Jorge em 1988/89, Bobby Robson em 1993/94, José Mourinho em 2001/2002), nesta altura não me parece que seja fácil arranjar um treinador consagrado (ou que tenha experiência de trabalhar com consagrados), que seja uma solução de médio prazo, mas que esteja disponível e/ou disposto a pegar na equipa já.

Um treinador que chegasse agora ao FC Porto teria, logo de entrada, 7 jogos em 21 dias (entre 9 e 30 de Março), entre os quais uma eliminatória da Liga Europa enfrentando o Napoles (13 e 20 de Março), com uma deslocação a Alvalade pelo meio (onde um mau resultado poderá afastar a equipa da luta pelo 2º lugar) e a 1ª mão das meias-finais da Taça de Portugal contra o slb (a 26 de Março).

Ou seja, atendendo ao momento da equipa (agravado por um balneário em frangalhos, com alguns jogadores a saberem que irão sair no final da época) e olhando para o calendário (com viagens e jogos a serem disputados de 3 em 3 dias, praticamente só é possível fazer treinos de recuperação), qualquer treinador que pegue na equipa nesta altura, corre um risco elevadíssimo de chegar a Maio “esturricado” (vejam o que se passou com José Couceiro na parte final da época 2004/2005 e a consequência que isso teve para a sua carreira subsequente de treinador).

Além disso, mesmo que Pinto da Costa assumisse o compromisso (pessoal, escrito, contratual) que, independentemente dos resultados até Maio, o novo treinador continuaria para a próxima época, quais seriam as condições de sucesso de um treinador que iniciasse a época 2014/2015 fragilizado pelos resultados da parte final desta época e, ainda por cima, sabendo que, muito provavelmente, não irá poder contar com parte da coluna vertebral da equipa – Mangala, Fernando e Jackson?

Mais ainda. Se o FC Porto terminar o campeonato na 3ª posição, terá de disputar a pré-eliminatória de acesso à fase de grupos da Liga dos Campeões 2014/2015. Ora, isso significa ter de começar a época 2014/2015 mais cedo do que o habitual. O problema é que, muito provavelmente, o FC Porto vai ter uma parte significativa dos jogadores do plantel 2014/2015 (Mangala?, Reyes, Fernando?, Herrera, Defour, Josué, Varela, Quaresma, Jackson?, Ghilas), envolvidos na fase final do Mundial do Brasil, o que significa que esses jogadores só irão iniciar a pré-temporada 2014/2015 em finais de Julho!

Noutros tempos, o FC Porto seria um desafio irrecusável e o risco de falhar estrondosamente era pequeno.
No cenário atual não é assim e, por isso, percebo perfeitamente que treinadores emergentes (Marco Silva?, Sérgio Conceição?) pensem duas vezes e que treinadores com passado no clube (André Villas-Boas?, Fernando Santos?) prefiram regressar apenas em Julho.
Quanto a treinadores estrangeiros consagrados (Marcelo Bielsa?, Michael Laudrup?), não acredito que haja algum que aceite pegar na equipa nesta altura.

O JOGO, 04-03-2014

P.S. Seria mais cómodo (e sem risco de falhar nos cenários traçados) se tivesse esperado pela decisão de Pinto da Costa, mas optei por publicar este artigo já, na sequência do artigo publicado pelo Filipe Sousa hoje de manhã, porque não sou grande adepto de fazer “prognósticos no final dos jogos”…

domingo, 2 de março de 2014

VSC x FC Porto, há um ano atrás…

Há cerca de um ano atrás, a equipa do FC Porto, sem poder contar com James (lesionado), Atsu (estava na CAN) e Defour (lesionado), deslocou-se a Guimarães, para um desafio da 17ª jornada do campeonato 2012/2013.

Ficha do Vitória Guimarães x FC Porto, época 2012/2013 (fonte: zerozero.pt)

«Uma exibição a roçar a perfeição e um Mangala e Jackson imperiais, na nossa melhor partida desde os tempos de Villas-Boas
Luís Carvalho, no RP, em ‘É disto que o meu povo gosta’ (03-02-2013)
(vale a pena reler os comentários a este artigo)


«Em Guimarães, o FC Porto, mesmo sem James e sem Atsu, fez o jogo perfeito, do primeiro ao último minuto. Não foi apenas o melhor jogo do FC Porto neste campeonato – foi, apesar do seu sentido único, o melhor jogo deste campeonato. Mais do que aquilo não é possível ver por aqui. Como equipa, como futebol encadeado e pensado, jogado com imaginação e velocidade, foi topo de gama, aqui e em qualquer lugar.»
Miguel Sousa Tavares, A BOLA (05-02-2013)

Crónica de MST em A BOLA, 05-02-2013


«um FC Porto mais forte que nunca, com capacidade colectiva para esconder ausências individuais e uma qualidade táctica que ofensivamente castiga os adversários (com mobilidade, qualidade na troca de bola e... Jackson Martinez) e defensivamente passa jogos inteiros sem sobressalto (Guimarães foi mais um).»
Carlos Daniel, Diário de Notícias (06-02-2013)


O JOGO, 03-02-2013
«Para quem, como eu, se deliciou (e delicia) a ver jogar o Barcelona “inventado” por Guardiola, ver o meu FC Porto a jogar à Barça e, no final dos jogos, ouvir adversários conformados a comparar o FC Porto ao Barcelona (“o Porto está para liga portuguesa como o Barcelona para a espanhola”, Alex, capitão do Vitória Guimarães), é algo de inolvidável.»
José Correia, no RP, em ‘Os elogios a Vítor Pereira’ (06-02-2013)
(vale a pena reler os comentários a este artigo)


Um ano depois, no regresso a Guimarães e apenas três dias após os festejos e euforia (de jogadores, treinadores e dirigentes) pela eliminação do Eintracht Frankfurt, veremos o que o FC Porto de Paulo Fonseca será capaz de fazer, esta noite, frente à equipa de Rui Vitória.

Não peço uma goleada, mas já ficaria satisfeito com uma exibição segura (sem permitir oportunidades flagrantes à equipa adversária), que culminasse numa vitória convincente.

Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Um “plantel fraco”


É assumido e faz parte do modelo de gestão desportivo-financeira da SAD a valorização de jogadores e a posterior venda dos respectivos direitos económicos. Aliás, as mais-valias resultantes das transferências de jogadores têm sido, ao longo dos últimos anos, a principal rubrica em termos de receitas (quase “operacionais”) da SAD.

Sendo esta a regra (conhecida por treinadores, jogadores e adeptos), não foi surpresa que, no defeso entre a época 2008/2009 e a época 2009/2010, a FC Porto SAD tenha vendido os passes de alguns dos principais jogadores da equipa. No caso, os jogadores transferidos foram o lateral esquerdo Cissokho, o médio Lucho Gonzalez e o avançado Lisandro López.
Para tentar colmatar estas saídas, foram contratados Álvaro Pereira (ao Cluj), Fernando Belluschi (ao Olympiakos) e Radamel Falcao (ao River Plate).

Entre os adeptos portistas, não faltou quem dissesse que, perante estas saídas e entradas, o plantel da época 2009/2010 era mais fraco que o da época anterior, sendo essa uma das razões apontadas para o FC Porto ter terminado esse campeonato na 3ª posição.

Um ano depois a história repetiu-se. No defeso entre as épocas 2009/2010 e 2010/2011, a FC Porto SAD voltou a alienar dois dos “esteios” da equipa - o defesa central Bruno Alves e o médio Raul Meireles -, tendo sido contratados o argentino Otamendi e João Moutinho.

Mais uma vez, entre os adeptos portistas, não faltou quem torcesse o nariz, alegando que, além do plantel ter ficado “obviamente mais fraco”, tinha também sido amputado de duas das suas referências (um deles o capitão Bruno Alves).
Hoje é fácil dizer que Moutinho é “insubstituível”, mas eu recordo que, no Verão de 2010, Raul Meireles era considerado o melhor médio da Seleção, enquanto que a “maçã podre” nem sequer fez parte do lote dos 23 que, nesse Verão, representaram Portugal no Mundial da África do Sul.

Vejamos então:
Se o plantel da época 2010/2011 era pior que o da época 2009/2010, o qual, por sua vez, já era pior que o da época 2008/2009;
se do plantel da época 2010/2011 faziam parte jogadores como Sapunaru, Maicon, Guarín ou Varela, entre outros, a quem, na época anterior, não era reconhecido valor para terem sido contratados e integrarem o plantel do FC Porto;
como é que foi possível, com estes jogadores e um “plantel fraco”, alcançar os inesquecíveis sucessos desportivos que foram obtidos na época 2010/2011?
Deve haver alguma explicação...


Chegados a 2013/2014, e seguindo um raciocínio semelhante ao que foi efectuado nos defesos que antecederam as épocas 2009/2010 e 2010/2011, há novamente quem diga que o plantel desta época é fraco. Pois eu discordo.

Defour, Herrera, Josué, Carlos Eduardo ou Quintero, entre outros, são fraquinhos e não têm valor para integrar o plantel do FC Porto?
Eu discordo.

Reconheço que, esta época, quase todos parecem muito maus mas, daqui a um ano, veremos se a opinião da maioria dos adeptos portistas em relação aos jogadores que fazem parte do plantel 2013/2014 é a mesma.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

O desempenho do FC Porto à 17ª jornada...

Recuando até à época 2006/2007, quando o número de equipas na I Liga foi reduzido de 18 para 16 (para abrir caminho à Taça da Liga...) e o campeonato passou a ter 30 jornadas, o desempenho do FC Porto nas primeiras 17 jornadas tem sido o seguinte:

Primeiras 17 jornadas da época 2012/2013 (fonte: zerozero)

Primeiras 17 jornadas da época 2011/2012 (fonte: zerozero)

Primeiras 17 jornadas da época 2010/2011 (fonte: zerozero)

Primeiras 17 jornadas da época 2009/2010 (fonte: zerozero)

Primeiras 17 jornadas da época 2008/2009 (fonte: zerozero)

Primeiras 17 jornadas da época 2007/2008 (fonte: zerozero)

Primeiras 17 jornadas da época 2006/2007 (fonte: zerozero)

Os números e as exibições (!) indicam que este FC Porto de Paulo Fonseca é uma das piores equipas (chamar ao que temos visto "equipa" é uma força de expressão) que o FC Porto teve neste século e, notoriamente, está num patamar qualitativo muito abaixo da EQUIPA organizada, compacta, pressionante e altamente competitiva que herdou de Vítor Pereira.



Não podendo comparar-se com o treinador que o antecedeu, os números dizem que, à 17ª jornada, o FC Porto de Paulo Fonseca está ao nível das equipas de Jesualdo nas épocas 2008/2009 e 2009/2010.

Claro que há o "pequeno pormenor" de Jesualdo ter sempre superado a fase de grupos da Liga dos Campeões e de, na época 2008/2009, ter mesmo chegado aos quartos-de-final da principal competição mundial de clubes, mas isso são outras contas, em que Paulo Fonseca também fica a perder (e por muito) nas comparações com os treinadores que o antecederam.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

O slb de JJ contra o FCP

Jorge Jesus (JJ) vai na sua 5ª época como treinador do slb e não se pode dizer que, nas quatro épocas anteriores, se tenha superiorizado nos confrontos directos com o FC Porto, bem pelo contrário.
De facto, entre as épocas 2009/10 a 2012/13, descontando a Taça da Liga (que é, claramente, a competição menos importante do panorama futebolístico português) e também retirando destas contas a derrota dos encarnados na Supertaça e a eliminação nas meias-finais da Taça de Portugal, ambas na época 2010/2011, nos oito jogos para a principal competição nacional - o CAMPEONATO -, Jorge Jesus apenas venceu o FC Porto uma vez.

E, há que o lembrar, essa única vitória, pela margem mínima, foi manchada por episódios tristes.
Dentro do campo, na jogada do único golo do desafio, há um fora-de-jogo "quilométrico" de Urreta (comparado com este, o contestadíssimo fora-de-jogo de Maicon é uma brincadeira), que não foi assinalado.
Após o final do jogo, ocorreram os célebres incidentes envolvendo stewards do slb e jogadores do FC Porto, que motivaram a suspensão de Hulk e Sapunaru durante três meses.

Em resumo, em jogos para o campeonato, o saldo de Jorge Jesus era o seguinte:
- 1 vitória (por 1-0), no seu primeiro clássico contra o FC Porto;
- 2 empates e 5 derrotas, nos sete jogos seguintes.

Jogos para o campeonato entre o slb de JJ e o FC Porto (fonte: zerozero)

Mais. Nestes sete jogos para o campeonato (épocas 2009/10 a 2012/13), contra o slb de JJ, o FC Porto obteve um total de 19 golos e marcou sempre, pelo menos, dois golos por jogo!

No domingo passado, mais de quatro anos após a anterior e única derrota (para o campeonato) contra o slb de JJ, não foi apenas a exibição da equipa azul-e-branca que foi uma nulidade. O marcador, do lado dos andrades (a jogar desta forma nem sombra de dragões), também voltou a ficar a zero.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

As entrevistas de O JOGO

Desde que saiu do FC Porto, quantas entrevistas (a maior parte delas exclusivas) é que O JOGO já publicou de André Villas-Boas? Sinceramente, já perdi a conta.

Obviamente, percebo o forte interesse jornalístico de um jornal como O JOGO, publicar entrevistas com ex-treinadores do FC Porto.

Mas, precisamente por reconhecer o interesse jornalístico e saber qual é o principal público-alvo do único jornal desportivo que tem a sede no Porto, surprende-me que O JOGO não publique entrevistas com o último dos ex-treinadores do FC Porto, até porque, que me lembre e desde que saiu do FC Porto, Vítor Pereira já deu entrevistas extensas ao Maisfutebol (01-07-2013), TVI e Record (10-09-2013).

É O JOGO que, de acordo com a sua linha editorial, não está interessado em entrevistar o treinador que levou o FC Porto ao tri-campeonato, ou Vítor Pereira que não quer dar entrevistas ao jornal dirigido por José Manuel Ribeiro?

Nota: Este post nada tem a ver com o gostar mais ou menos de AVB ou de VP. Aliás, para que fique claro, eu faço parte dos portistas que já perdoaram a "traição" de AVB e gostava de, um dia (não esta época, porque isso seria muito mau sinal), o ver regressar à sua "cadeira de sonho".

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Da exigência máxima à desculpabilização (II)



«Sem Quintero, que foi sozinho o plano B um par de vezes, nem desequilibradores genuínos no banco, Paulo Fonseca só conseguiu dar uma resposta incompleta a um Belenenses muito recuado e hermético: usou o segundo ponta de lança...»

Indo jogar ao Restelo sem poder utilizar Quintero (devido ao colombiano estar a recuperar de uma lesão muscular na face posterior da coxa esquerda), o qual, na opinião de José Manuel Ribeiro (JMR), “foi sozinho o plano B um par de vezes” e, além disso, sem ter “desequilibradores genuínos no banco”, como é que o FC Porto de Paulo Fonseca haveria de ganhar a um Belenenses recém promovido à I Liga?

De facto, olhando para o banco de suplentes e vendo lá sentados jogadores como Defour, Josué, Carlos Eduardo, Licá e Ghilas, como é que Paulo Fonseca poderia mudar a táctica e/ou melhorar o desempenho atacante da equipa? Impossível, principalmente em jogos contra equipas da estaleca do Belenenses que, como todos sabemos, estão recheadas de craques que não vieram dos “arrabaldes da alta competição”…

Agora, se Paulo Fonseca tivesse um banco de suplentes constituído por Castro, Izmaylov, Kelvin, Tozé e Sebá (como no slb x FC Porto, em Janeiro de 2013), com tantos “desequilibradores genuínos” à disposição, aí já se podia exigir mais qualquer coisa…



O JOGO, 30-11-2013

No dia 30-11-2013, umas horas antes do descalabro de Coimbra, JMR escrevia o seguinte:

“O futebol jogado não é pior do que foi o de Vítor Pereira grande parte do tempo (melhor no ataque, pior na organização)”

Bem, até um cego via que este FC Porto de Paulo Fonseca era pior que o da época passada em TODOS os aspetos. Pior a atacar (se necessário, recomendo a consulta aos indicadores ofensivos, principalmente o dos golos marcados), muitíssimo pior a defender (a defesa do FC Porto parecia um queijo suíço) e, em termos de (des)organização, nem havia comparação possível.

“os resultados são, basicamente, os mesmos (até os da primeira época na Liga dos Campeões)”

Sugiro a que alguém de O JOGO mostre ao diretor desse jornal os resultados no Campeonato e na Liga dos Campeões, nas épocas 2011/12, 2012/13 e 2013/14, no período entre agosto e dezembro.

“e muitos deles [resultados] foram adulterados por erros individuais, que só por má-fé remetem para o treinador”

Ai sim? Como, para além dos evidentes dois pesos e duas medidas, a memória de JMR parece ser muito curta, eu vou recordar alguns resultados da época passada que, de acordo com o mesmo critério, “foram adulterados por erros individuais”.

19-08-2012, Gil Vicente x FC Porto (0-0) – Resultado adulterado por dois erros graves (dois penaltis por assinalar) do árbitro Duarte Gomes.

29-09-2012, Rio Ave x FC Porto (2-2) – Resultado adulterado por um erro grave (um penalti por assinalar) do árbitro Bruno Esteves e por um erro individual de Maicon, que ofereceu o golo do empate a Tarantini (Maicon tentou sair da área com a bola controlada e perdeu-a para Tarantini).

10-02-2013, FC Porto x Olhanense (1-1) – Resultado adulterado por um erro individual de Jackson, que falhou um penalti.

13-03-2013, Málaga x FC Porto (2-0) – Resultado do jogo e da eliminatória adulterado por um erro individual de Defour, que se “autoexpulsou” estupidamente no início da 2ª parte, deixando os dragões a jogar com menos um, numa altura em que a eliminatória estava empatada.

17-03-2013, Marítimo x FC Porto (1-1) – Resultado adulterado por um erro individual de Jackson, que falhou um penalti.

Engraçado, não me lembro que todos estes “erros individuais” (quer de árbitros, quer de jogadores do FC Porto) e que adulteraram os resultados de cinco jogos, tenham servido para o Diretor de O JOGO ser mais compreensivo e menos cáustico em relação a Vítor Pereira.




O JOGO, 17-12-2013
«No FC Porto reabilitado por Paulo Fonseca, houve o furacão Carlos Eduardo, mas também o furaquinho Licá (...) Tal como Carlos Eduardo é o jogador talhado para a posição que Lucho González cumpria em desconforto e sem rendimento, atrás de Jackson, também Licá é a simplificação da enorme ensarilhada de processos a que Josué obrigava quando colocado a extremo esquerdo. (...) em duas semanas Fonseca virou a mesa e ganhou uma equipa, que não só é muito diferente das versões anteriores dele próprio como já é uma edição de autor, impossível de relacionar com as de Vítor Pereira


“FC Porto reabilitado por Paulo Fonseca”?
O FC Porto herdado por Paulo Fonseca, acabado de vencer o tri-campeonato (com uma derrota em 90 jogos para o campeonato), estava a precisar de ser reabilitado?

“Edição de autor”?
Deixa cá ver se eu percebi. Ao fim de quatro meses, Paulo Fonseca colocou, finalmente, o Lucho a jogar na sua posição natural (posição 8); colocou Carlos Eduardo, um jogador ostracizado no inicio da época (nem fez parte da lista para a Liga dos Campeões) e que se vinha destacando na equipa B, a jogar solto, nas costas do ponta-de-lança, na posição onde el comandante se sentia desconfortável e não tinha rendimento.
Adicionalmente, colocou a jogar a extremo esquerdo um… extremo (Licá), retirando dessa posição um médio (Josué) que, era óbvio, não tem características para jogar encostado à linha.
Será a isto que JMR chama o Porto edição de autor de Paulo Fonseca?


Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

sábado, 9 de novembro de 2013

Paulo Fonseca igual a Vítor Pereira?

O jornal O JOGO, talvez o jornal que mais "atacou" e criticou as opções de Vítor Pereira nos dois anos em que o espinhense foi o treinador principal do FC Porto, publicou hoje um artigo onde compara o actual FC Porto, de Paulo Fonseca, com o FC Porto de Vítor Pereira.

É absolutamente normal comparar a evolução de uma equipa entre duas épocas seguidas (quer o treinador se mantenha ou não), analisando os aspectos em que melhorou e aqueles em que piorou.
A equipa é mais ou menos ofensiva? Ataca mais pelas alas ou pelo meio? Defende melhor? Pressiona mais à frente? Joga com as linhas mais juntas? É mais eficaz nas bolas paradas? Utiliza o mesmo modelo de jogo? Marca mais golos? Sofre menos golos? etc.

Mas não foi isso que o jornal O JOGO fez.
Para o jornal O JOGO não interessa comparar a evolução, positiva ou negativa, que a equipa do FC Porto registou da época passada (2012/13) para esta (2013/14). E, como não lhes interessa, decidiram fazer outra comparação.
Qual?
Comparar os primeiros 15 jogos oficiais (abrangendo a supertaça, o campeonato, as competições europeias e a taça de Portugal) de Paulo Fonseca e de Vítor Pereira, como treinadores principais do FC Porto.

Paulo Fonseca versus Vítor Pereira (fonte: O JOGO, 09-11-2013)

Muito haveria para dizer da "validade" desta comparação. Por exemplo, um dos "pormenores" que O JOGO se esqueceu de referir são os jogadores, equipas-tipo e planteis de ambos os períodos.

De facto, enquanto que da época passada para esta permanecem 9 jogadores da equipa-tipo, o que reforça a pertinência das comparações, se a comparação for com o inicio da época 2011/12 apenas permanecem 3 jogadores da equipa-tipo (Helton, Otamendi e Fernando).

O JOGO "esqueceu-se" de o dizer, mas eu recordo que nos primeiros 15 jogos oficiais da época 2011/12, em vez dos actuais Danilo, Mangala, Alex Sandro, Defour, Lucho ou Jackson, havia Sapunaru, Rolando, Fucile, Alvaro Pereira, Souza, Guarin, Belluschi ou Kleber.
Ou seja, comparar os 15 primeiros jogos oficiais desta época com os 15 primeiros jogos da época 2011/12 é comparar realidades muito diferentes e só se compreende quando o objectivo pretendido é chegar a determinadas conclusões ("PAULO FONSECA IGUAL A VÍTOR PEREIRA").

Já agora, por que razão é que O JOGO não se deu ao trabalho de comparar os 15 primeiros jogos oficiais desta época, com os 15 primeiros jogos da época 2002/03 (José Mourinho), 2006/07 (Jesualdo Ferreira) ou 2010/11 (André Villas-Boas)?

E, para que não fiquem duvidas do que O JOGO pretende, o destaque no meio do artigo é o seguinte: «Pereira ganhou o quinto jogo da Liga dos Campeões e, a precisar de ganhar o sexto, falhou»

Pois, Vítor Pereira falhou (só não percebo por que razão a SAD fez uma "limpeza de balneário" umas semanas depois, em Janeiro de 2012, em vez de o despachar a ele...) mas, como as vitorias de Paulo Fonseca serão as vitorias de todos os portistas (no caso de Vítor Pereira parece que houve quem engolisse uns sapos...), espero que Paulo Fonseca faça melhor, ganhando o quinto e o sexto jogo da fase de grupos da Liga dos Campeões e consiga o apuramento para os oitavos de final.

De resto, ficamos à espera de mais comparações de O JOGO, a próxima já em Dezembro mas, principalmente, em Maio do próximo ano.