«Sem Quintero, que foi sozinho o plano B um par de vezes, nem desequilibradores genuínos no banco, Paulo Fonseca só conseguiu dar uma resposta incompleta a um Belenenses muito recuado e hermético: usou o segundo ponta de lança...»
Indo jogar ao Restelo sem poder utilizar Quintero (devido ao colombiano estar a recuperar de uma lesão muscular na face posterior da coxa esquerda), o qual, na opinião de José Manuel Ribeiro (JMR), “foi sozinho o plano B um par de vezes” e, além disso, sem ter “desequilibradores genuínos no banco”, como é que o FC Porto de Paulo Fonseca haveria de ganhar a um Belenenses recém promovido à I Liga?
De facto, olhando para o banco de suplentes e vendo lá sentados jogadores como Defour, Josué, Carlos Eduardo, Licá e Ghilas, como é que Paulo Fonseca poderia mudar a táctica e/ou melhorar o desempenho atacante da equipa? Impossível, principalmente em jogos contra equipas da estaleca do Belenenses que, como todos sabemos, estão recheadas de craques que não vieram dos “arrabaldes da alta competição”…
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| O JOGO, 30-11-2013 |
No dia 30-11-2013, umas horas antes do descalabro de Coimbra, JMR escrevia o seguinte:
“O futebol jogado não é pior do que foi o de Vítor Pereira grande parte do tempo (melhor no ataque, pior na organização)”
Bem, até um cego via que este FC Porto de Paulo Fonseca era pior que o da época passada em TODOS os aspetos. Pior a atacar (se necessário, recomendo a consulta aos indicadores ofensivos, principalmente o dos golos marcados), muitíssimo pior a defender (a defesa do FC Porto parecia um queijo suíço) e, em termos de (des)organização, nem havia comparação possível.
“os resultados são, basicamente, os mesmos (até os da primeira época na Liga dos Campeões)”
Sugiro a que alguém de O JOGO mostre ao diretor desse jornal os resultados no Campeonato e na Liga dos Campeões, nas épocas 2011/12, 2012/13 e 2013/14, no período entre agosto e dezembro.
“e muitos deles [resultados] foram adulterados por erros individuais, que só por má-fé remetem para o treinador”
Ai sim? Como, para além dos evidentes dois pesos e duas medidas, a memória de JMR parece ser muito curta, eu vou recordar alguns resultados da época passada que, de acordo com o mesmo critério, “foram adulterados por erros individuais”.
19-08-2012, Gil Vicente x FC Porto (0-0) – Resultado adulterado por dois erros graves (
dois penaltis por assinalar) do árbitro Duarte Gomes.
29-09-2012, Rio Ave x FC Porto (2-2) – Resultado adulterado por um erro grave (
um penalti por assinalar) do árbitro Bruno Esteves e por um erro individual de Maicon, que ofereceu o golo do empate a Tarantini (Maicon tentou sair da área com a bola controlada e perdeu-a para Tarantini).
10-02-2013, FC Porto x Olhanense (1-1) – Resultado adulterado por um erro individual de Jackson, que falhou um penalti.
13-03-2013, Málaga x FC Porto (2-0) – Resultado do jogo e da eliminatória adulterado por um erro individual de Defour, que se “autoexpulsou” estupidamente no início da 2ª parte, deixando os dragões a jogar com menos um, numa altura em que a eliminatória estava empatada.
17-03-2013, Marítimo x FC Porto (1-1) – Resultado adulterado por um erro individual de Jackson, que falhou um penalti.
Engraçado, não me lembro que todos estes “erros individuais” (quer de árbitros, quer de jogadores do FC Porto) e que adulteraram os resultados de cinco jogos, tenham servido para o Diretor de O JOGO ser mais compreensivo e menos cáustico em relação a Vítor Pereira.
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| O JOGO, 17-12-2013 |
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No FC Porto reabilitado por Paulo Fonseca, houve o furacão Carlos Eduardo, mas também o furaquinho Licá (...) Tal como Carlos Eduardo é o jogador talhado para a posição que Lucho González cumpria em desconforto e sem rendimento, atrás de Jackson, também Licá é a simplificação da enorme ensarilhada de processos a que Josué obrigava quando colocado a extremo esquerdo. (...) em duas semanas Fonseca virou a mesa e ganhou uma equipa, que não só é muito diferente das versões anteriores dele próprio como já é uma edição de autor, impossível de relacionar com as de Vítor Pereira.»
“FC Porto reabilitado por Paulo Fonseca”?
O FC Porto herdado por Paulo Fonseca, acabado de vencer o tri-campeonato (com uma derrota em 90 jogos para o campeonato), estava a precisar de ser reabilitado?
“Edição de autor”?
Deixa cá ver se eu percebi. Ao fim de quatro meses, Paulo Fonseca colocou, finalmente, o Lucho a jogar na sua posição natural (posição 8); colocou Carlos Eduardo, um jogador ostracizado no inicio da época (nem fez parte da lista para a Liga dos Campeões) e que se vinha destacando na equipa B, a jogar solto, nas costas do ponta-de-lança, na posição onde el comandante se sentia desconfortável e não tinha rendimento.
Adicionalmente, colocou a jogar a extremo esquerdo um… extremo (Licá), retirando dessa posição um médio (Josué) que, era óbvio, não tem características para jogar encostado à linha.
Será a isto que JMR chama o Porto edição de autor de Paulo Fonseca?
Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.