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terça-feira, 1 de abril de 2014

Quaresma no Mundial do Brasil? Obviamente!

No passado dia 25 de Março, no “Fórum Treinador Futebol/Futsal”, Paulo Bento foi questionado por Carlos Daniel se ia convocar Fernando e Quaresma.
É estranho, ou talvez não, que o benfiquista mais conhecido de Paredes, no papel de moderador de um painel, apenas se preocupe com os nomes de dois jogadores do FC Porto. Atendendo à inquestionável valia dos jogadores portistas, não seria muito mais lógica a dúvida em torno da convocação dos benfiquistas Rúben Amorim ou Ivan Cavaleiro?

Paulo Bento, com muita tranquilidade, respondeu: “Pode ser, está longe. Eu se calhar só faço a convocatória no dia 19 de manhã. Vou dormir no dia 18 a pensar nisso. Depois se vai Quaresma, se vai Fernando, se vai Miguel, se vai William, se vão outros, logo veremos”.

“Fórum Treinador Futebol/Futsal”, Maia, 25-03-2014


CR7 à parte e com Nani sem jogar (regularmente) há muitos meses, não vejo, atualmente, que haja algum ala/extremo português em melhor forma do que Quaresma.

Contudo, há um “jornalista” da RTP Porto, que há anos vomita anti-portismo por todos os poros, a querer crucificar Ricardo Quaresma por causa dos incidentes no final do Nacional x FC Porto (os quais, saliente-se, não envolveram o trio de arbitragem, nem qualquer tipo de agressão entre jogadores que seja visível nas imagens televisivas).

Ora, apesar dos esforços deste recadeiro e das pressões, mais ou menos óbvias, para Paulo Bento não convocar Quaresma (e Fernando!), eu não acredito que o selecionador nacional, cujo passado disciplinar na Seleção Portuguesa de Futebol é sobejamente conhecido, use este episódio como pretexto para não incluir Quaresma no lote de 23 jogadores que irá convocar para o Mundial do Brasil.

Eu não tenho memória curta e ainda me recordo do que se passou no França x Portugal, do Europeu de 2000…

«A Comissão de Disciplina da UEFA anunciou domingo o castigo aos jogadores portugueses envolvidos nos incidentes que se verificaram no final do jogo contra a França [meia-final do Europeu 2000].
Abel Xavier ficará afastado de toda a actividade internacional por nove meses, Nuno Gomes tem uma suspensão de oito meses e Paulo Bento estará de fora durante seis meses. Além disso, a Federação Portuguesa de Futebol foi castigada com 175 mil francos suíços, pouco mais de 20 mil contos. (…)
Durante o período em causa, os jogadores não poderão defender as camisolas dos seus clubes em jogos internacionais nem a da selecção nacional no Mundial que, sendo uma competição da FIFA, adopta todas as sanções da UEFA por uma questão de delegação. (…)
O relatório do quarto árbitro, o escocês Hugh Dallas, acerca do qual se especulava ter sido agredido com um murro nas costas por um jogador português, não teve qualquer influência na decisão final, já que Dallas não foi capaz de reconhecer o autor dessa alegada agressão. (…)
O comunicado da UEFA, de resto, especifica aquilo que fizeram os jogadores portugueses. Começa por dizer que Benko e o seu primeiro assistente (o eslovaco Sramka, que assinalou o “penalty” de Abel Xavier) foram empurrados e pressionados por jogadores nacionais, “sofrendo contusões e arranhões de monta”. Diz o comunicado: “o quarto árbitro, que tentou proteger os colegas, foi também pressionado, empurrado pelas costas e agarrado pelas roupas”. E, até mesmo a marcação da grande penalidade, refere a UEFA, só foi possível porque Humberto Coelho “interveio para acalmar os seus jogadores”.

Paulo Bento no EURO 2000

Continuando a seguir o comunicado da UEFA, os incidentes ter-se-ão prolongado depois do golo marcado por Zidane. “Quase todos os jogadores portugueses correram em direcção ao árbitro assistente, que foi empurrado e insultado”, lê-se. E depois vêm as referências concretas aos três punidos: “Nuno Gomes deu ao árbitro um violento empurrão no peito e Abel Xavier agarrou-lhe o braço. O árbitro mostrou então o cartão vermelho a Nuno Gomes e Paulo Bento tentou tirar-lhe o cartão, segurando-lhe o braço.” E termina: “Nuno Gomes despiu então a camisola e mandou-a ao árbitro assistente.”
Da leitura do comunicado, que refere ainda que “um jogador não identificado cuspiu no árbitro assistente” (…)»
in record.pt, 3 julho de 2000 | 02:26

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

O campo do 'Trio' está inclinado


Costuma dizer-se que um relvado está inclinado quando o árbitro do jogo, sem dar muito nas vistas, “gere” os tempos do jogo, as faltas a meio-campo, a mostragem dos cartões amarelos, etc. Muitas vezes, sem necessitar de assinalar penalties mais do que duvidosos ou foras-de-jogo escandalosos, uma “arbitragem inteligente” é suficiente para perturbar, enervar, atrapalhar e dificultar ao máximo a tarefa de uma equipa.

Passe a comparação e com as devidas distâncias foi isso que eu senti no Trio d´Ataque da semana passada, com o “árbitro” - Hugo Gilberto - a dificultar, e de que maneira, a acção de um dos “jogadores” - Rui Moreira.


Hugo Gilberto, um ex-aluno da licenciatura em Jornalismo da Faculdade de Letras de Coimbra, é jornalista da RTP há vários anos e há cerca de dois meses substituiu o Carlos Daniel como moderador deste programa das terças-feiras, em que durante cerca de hora e meia Rui Oliveira e Costa (Sporting), António Pedro de Vasconcelos (Benfica) e Rui Moreira (FC Porto) debatem sobre os principais acontecimentos futebolísticos da semana.

Já me tinha apercebido de uns sinais dados por Hugo Gilberto em programas anteriores, mas no Trio d´Ataque do dia 23 de Dezembro as coisas foram óbvias. Vejamos:

No SLB - Nacional quis-se dar a entender que tinha havido um roubo (quando, de facto, há um único lance discutível) e os lances polémicos do jogo parece terem sido escolhidos a dedo para que fosse essa a mensagem transmitida.
Por exemplo, é analisado um pseudo fora-de-jogo do ataque do Nacional (em que o árbitro auxiliar decidiu bem ao não marcar) e de seguida um fora-de-jogo evidente do ataque do SLB (que o outro árbitro auxiliar voltou a estar bem ao interromper a jogada).
Qual era a ideia ao analisar estes dois lances em sequência?
Dar a entender que para dois lances “parecidos” o trio de arbitragem teve duas decisões distintas?
Azar! Os três comentadores estiveram de acordo que nestes lances o árbitro Pedro Henriques esteve bem (as imagens televisivas não deixam dúvidas).


Ao falar do FC Porto - Marítimo, percebeu-se que antes de serem analisados casos em concreto, Rui Moreira pretendia fazer algumas considerações gerais sobre a arbitragem de Duarte Gomes. O adepto do FC Porto ainda conseguiu referir o ridículo cartão amarelo mostrado aos 92’ ao guarda-redes do Marítimo (quando este tinha começado a queimar tempo logo no início do jogo), mas já não pôde falar mais do critério na mostragem dos cartões e, principalmente, na forma como o árbitro lisboeta pactuou com todas as estratégias da equipa madeirense para fazer passar depressa os ponteiros do relógio, visto Hugo Gilberto tê-lo interrompido.

A seguir, quase não se percebeu que o árbitro internacional de Lisboa tinha perdoado duas expulsões a jogadores da equipa verde-rubra na altura decisiva do jogo, porque a preocupação do Hugo Gilberto pareceu ser destacar uma hipotética contradição de Rui Moreira, por este ter analisado os lances das mãos de Miguel Vítor (no SLB - Nacional) e de Bruno Alves (no FC Porto - Marítimo) de forma distinta. Não percebi a admiração, porque os lances, como o Rui Moreira muito bem explicou, são distintos, nomeadamente no que diz respeito ao movimento dos braços dos jogadores.

Um outro aspecto que me chamou à atenção foi o modo como o Hugo Gilberto adjectivou e destacou determinadas coisas.

Quando referiu o incidente havido no Túnel das Antas, não entre elementos participantes no jogo (como foi o caso no SLB – Nacional), mas entre indivíduos dos bastidores, Hugo Gilberto teve o cuidado de sublinhar que Duarte Gomes tinha anexado ao seu relatório um documento de quatro páginas sobre o incidente (4 páginas, ena pá, deve ter sido uma coisa gravíssima...).

Na mesma onda, ao introduzir o tema da posição tomada pelo Conselho de Justiça da FPF sobre as escutas, talvez pensando na forma como o Tribunal Arbitral do Desporto pôs em cheque tanto a Comissão Disciplinar da Liga como o Conselho de Justiça da FPF, Hugo Gilberto afirmou que o CJ da FPF tinha arrasado a decisão do Supremo Tribunal Administrativo (STA).

Uauh! Afinal a justiça desportiva é credível e acima de qualquer suspeita!

Como é sabido, em 3 de Novembro passado o STA considerou inconstitucional a utilização de escutas telefónicas no âmbito de processos disciplinares, como é o caso do 'Apito Final'.

Esta questão das escutas é polémica. Alguns dos maiores especialistas portugueses na matéria – José Faria Costa, Germano Marques da Silva, Manuel Costa Andrade e Damião da Cunha –, bem como, conhecidos juízes como Rui Rangel e Fátima Mata Mouros são taxativos e alinham na mesma tese do STA. Já o Tribunal Constitucional teve posições contraditórias sobre este assunto, a última das quais foi no sentido de considerar as escutas legais.
Em que ficamos?
Alguém se entende no meio das enumeras contradições da Justiça portuguesa?

Seja como for, os pobres juízes do Supremo Tribunal Administrativo devem estar a tremer com esta posição dos altamente isentos juristas escolhidos pelo inenarrável Gilberto Madail, para substituírem os comparsas da golpada de Julho


Quem voltou a estar bem foi Rui Moreira, não reconhecendo idoneidade aos novos membros com velhos vícios do CJ da FPF, levando o representante do Sporting a mostrar toda a sua incomodidade, falando em pazadas...

Apesar do final do programa ter sido em contra-relógio, para além da “arrasante” decisão do CJ da FPF, houve ainda tempo para o Hugo Gilberto ler 5 ou 6 e-mails (nem um de adeptos do FC Porto!), incluindo um e-mail de um adepto do SLB, elencando jogos em que supostamente os encarnados teriam sido prejudicados (o hilariante é que até incluiu o Leixões – SLB para o campeonato).
Para falar na entrevista de Madail ao Porto Canal, em que o presidente da FPF abordou os critérios de Scolari nas convocatórias e, particularmente, o caso do Vítor Baía é que infelizmente não houve tempo…

Dizem-me que o Hugo Gilberto é portista.
Não sei se é portista, mas pelos vistos tem o estigma de o ser e já se sabe que neste país infestado pela inveja e mediocridade isso é pior, muito pior, do que ser incompetente. Talvez por isso, o Hugo Gilberto tem feito tudo para fugir a esse estigma, mas no último programa exagerou.

O Hugo Gilberto dá umas aulas no Curso de Pós-graduação em Comunicação e Desporto, na Escola de Jornalismo do Porto, em que juntamente com o seu colega Manuel Fernandes Silva é responsável pelos módulos/disciplinas de ‘Reportagem e Apresentação em Desporto’ e ‘Novos Desafios Éticos e Deontológicos’

Ora, é precisamente isso que eu espero dos bons jornalistas: ética e isenção no desempenho das suas funções.
Porque se é para ser mais papista que o papa, antes o benfiquista Carlos Daniel do que o “portista” Hugo Gilberto.