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segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Déjà Vu


A Assembleia Geral do FCP, da última quinta-feira à noite, foi um sucesso. Um desfile de elogios e o Relatório e Contas (RC) foi aprovado por unanimidade.

O RC recebeu essa unanimidade, mas percebe-se que o tenha sido, uma vez que o FCP tem as contas equilibradas e as explicações, embora sucintas do Dr. Fernando Gomes, foram elucidativas e ultrapassaram quase todas as dúvidas. Num ou noutro ponto, entendo que foi um pouco a despachar, mas em verdade não estava lá ninguém suficientemente preparado ou quem estivesse disposto a discutir o documento, bem organizado e melhor defendido.

Os 30 minutos para análise e discussão de temas de interesse para o clube serviram igualmente para a direcção receber elogios, e para uma ou outra declaração sobre a equipa de futebol. Mas, nada de muito amargo. Algum constrangimento com as recentes exibições, mas certos que vamos ganhar o campeonato. O tom foi de optimismo. Hossana, hossana, vamos ser campeões, ainda que seja em igualdade pontual, como declarou o chefe da claque dos Super Dragões. Muitas palmas.

De resto houve cânticos dedicados ao (tio) Reinaldo Teles, no princípio da AG, e votos para que a operação a que ia ser submetido corresse bem (preocupação sentida por todos os presentes), e um oportuno minuto de silêncio pela morte do Engº. Adolfo Roque, a pedido do nosso presidente, que ocorreu com o máximo respeito e que antecedeu o início dos trabalhos.

No fim, PdC interveio para responder às poucas questões colocadas e de importante referiu que o museu estava em andamento e “não seria um mero armazém de taças” e que dentro de um ano esperavam que pudesse ser inaugurado e deixou um recado aos que andam pelos jornais a criticar, dizendo "que era a AG a sede própria para o fazer".

Uma ovação final da Assembleia, com os super a cantar o hino do FCP.

A AG foi das mais curtas de sempre (35 min), mas a melhor pelo fervor demonstrado, conforme o presidente da mesa considerou.

É uma pena que seja tão difícil falar, dialogar e encontrar temas de interesse colectivo para discussão aberta. O gosto da conversa e uma certa incapacidade para expor a diferença, torna estas assembleias perfeitamente redundantes e sem qualquer interesse.

É de tal forma, que não sendo importante, o Pr. da AG nas votações nunca perguntou se havia abstenções. Só uma votação mereceu abstenção e foi o sócio que o lembrou ao presidente da Mesa. Sou dos que não gosto muito de me abster nas votações. Mas há momentos em que faz jeito, sobretudo quando não se quer votar a favor e não se pretende dar um sinal que possa ser tomado como um sinal exterior de forte oposição se votarmos contra.

Há uma clara ausência de massa crítica e de oradores interessantes para animar as AG´s. É tudo muito mais previsível que o FCP a jogar. Os lances, as fintas, os atrasos, os passes, os remates, as palavras são sempre para o mesmo lado, de forma rotineira e déjà vu. Nem a encenação é nova, nem os artistas: na mesa, nos camarotes ou na plateia.

No nosso clube há vida democrática, mas muito poucos cidadãos sócios estão interessados em enriquecer os momentos mais importantes da vida do clube. Falta quem saiba ou quem queira. Sinto-me penalizado porque gosto da diferença, da controvérsia e de uma bem animada e educada discussão. Perdemos esse bom hábito. É pena.

sábado, 10 de maio de 2008

Antigamente era assim

Há horas em que as palavras não saem, por isso prefiro recordar aqui pelas palavras do Dr. Sardoeira Pinto, registadas na História Oficial do FC Porto - Alfredo Barbosa - Edição O Comércio do Porto, um episódio que vivendo-o na infância sempre me deixou orgulhoso do FC Porto e das suas cúpulas.

Este episódio, foi para mim um exemplo para a vida, de luta pelos ideais, de perseverança. Hoje sinto-me atraiçoado.

Corria o já mais ou menos longínquo ano de 1983. Ainda soprando com força os ventos de da Revolução de Abril de 1974, a Federação Portuguesa de Futebol, ao tempo presidida pelo Dr. Silva Resende, deliberara no princípio da época, atendendo à então existente plena igualdade dos cidadãos, deve ser a Final da Taça de Portugal disputada no Estádio das Antas, de modo a poder ser a Festa do Futebol levada às gentes do Porto, como prémio à sua dedicação e ao seu entusiasmo pela modalidade.

Foi-se desenrolando a época, sucederam-se as eliminatórias e surgiram como finalistas o F.C. Porto e o Benfica. Rebentou então a bomba! Na verdade, dando o dito por não dito, a Federação passou a entender dever ser a Final disputada no Estádio de Oeiras e não no do F.C. Porto, alegando como argumento essencial ter aquele um aspecto helénico, uma beleza olímpica e constituir o melhor ambiente para a realização do jogo. Pasme-se!

Entrou, como naturalmente seria de esperar, em ebulição a gente portista, justamente indignada por tamanha injustiça constituir mesmo uma espoliação! Como era sua competência, a Direcção, com Jorge Nuno Pinto da Costa à frente, protestou contra a arbitrariedade e após muitas palavras ditas, litros e litros de tinta gastos nos jornais e variadas intervenções levadas a cabo na Rádio e na Televisão, a Federação, reconsiderando, tomou uma nova posição: a Final seria disputada em Coimbra, sensivelmente a meio caminho entre as cidades dos dois finalistas... e encerrar-se-ia o assunto!

Não se convenceu o F.C. Porto e, sem desfalecer, insistiu na defesa do por si considerado seu direito absoluto e natural. Manteve o órgão de cúpula do futebol a sua posição e, para saber o pensamento dos sócios, pediu-me a Direcção para convocar uma Assembleia Geral Extraordinária.

Em noite memorável, realizou-se ela no agora inexistente Pavilhão Dr. Américo de Sá e tal foi a afluência que me cheguei mesmo a arrepender de não a ter feito em pleno estádio. Foi a maior de sempre até hoje na História do Clube e a Nação Portista compareceu em peso para, honrando o Poeta Manuel Alegre, dizer como ele "haver sempre alguém que diz não" à prepotência, à ditadura, a tudo que é tirania!...

Era extremamente delicada a situação pois cominavam os Regulamentos Federativos - e cominam! - que uma falta de comparência implicaria a descida da equipa de futebol à 3ª Divisão... e era intenção portista não ir à Final se esta não fosse realizada na nossa sacrossanta casa! Não ficou um lugar vago no Pavilhão e milhares de associados quedaram-se no exterior ansiosos por conhecer o desfecho da Assembleia. Vários oradores falaram durante horas e depois, por unanimidade e aclamação, foi votado que ou a Final se realizava como fora inicialmente deliberado ou a equipa do F.C. Porto não comparecia, sucedendo o que sucedesse!

No final da Assembleia, o abraço público que com Jorge Nuno Pinto da Costa troquei mostrou urbi et orbi ser total a unidade existente entre os corpos gerentes e a massa associativa, a mais devotada, a mais querida, a mais interessada e a mais fiel de todas.

Alguns dias depois, mais uma vez a Federação retrocedeu e, voltando novamente com a palavra atrás, remarcou a Final para o nosso estádio.

Final, diga-se em abono da verdade, que o F.C. Porto, perdeu nas quatro linhas porque nesse jogo o adversário se superiorizou. Todavia, o facto em si mesmo constitui, a meu ver, uma das maiores vitórias de sempre do Clube. Acordado pouco tempo antes de um sono de décadas, o F.C. Porto, qual guerreiro despero, espreguiçou-se, exibiu a sua força e obrigou os outros, todos eles, a mostrar-lhe o respeito que lhe é devido inteiramente. Penso mesmo que, ao contrário do que alguns, poucos, por aí vão dizendo, o grande Clube azul e branco não se portando como um mito, assumiu-se como enorme, transcendente e incomensurável realidade desportiva realidade regional, nacional e mundial como os tempos ulteriores vieram a confirmar inteiramente!

Dos entre os muitos grandes momentos vividos nas Antas durante estes 50 anos passados considero, com inteira justiça, creio, este um dos maiores...