
A Assembleia Geral do FCP, da última quinta-feira à noite, foi um sucesso. Um desfile de elogios e o Relatório e Contas (RC) foi aprovado por unanimidade.
O RC recebeu essa unanimidade, mas percebe-se que o tenha sido, uma vez que o FCP tem as contas equilibradas e as explicações, embora sucintas do Dr. Fernando Gomes, foram elucidativas e ultrapassaram quase todas as dúvidas. Num ou noutro ponto, entendo que foi um pouco a despachar, mas em verdade não estava lá ninguém suficientemente preparado ou quem estivesse disposto a discutir o documento, bem organizado e melhor defendido.
Os 30 minutos para análise e discussão de temas de interesse para o clube serviram igualmente para a direcção receber elogios, e para uma ou outra declaração sobre a equipa de futebol. Mas, nada de muito amargo. Algum constrangimento com as recentes exibições, mas certos que vamos ganhar o campeonato. O tom foi de optimismo. Hossana, hossana, vamos ser campeões, ainda que seja em igualdade pontual, como declarou o chefe da claque dos Super Dragões. Muitas palmas.
De resto houve cânticos dedicados ao (tio) Reinaldo Teles, no princípio da AG, e votos para que a operação a que ia ser submetido corresse bem (preocupação sentida por todos os presentes), e um oportuno minuto de silêncio pela morte do Engº. Adolfo Roque, a pedido do nosso presidente, que ocorreu com o máximo respeito e que antecedeu o início dos trabalhos.
No fim, PdC interveio para responder às poucas questões colocadas e de importante referiu que o museu estava em andamento e “não seria um mero armazém de taças” e que dentro de um ano esperavam que pudesse ser inaugurado e deixou um recado aos que andam pelos jornais a criticar, dizendo "que era a AG a sede própria para o fazer".Uma ovação final da Assembleia, com os super a cantar o hino do FCP.
A AG foi das mais curtas de sempre (35 min), mas a melhor pelo fervor demonstrado, conforme o presidente da mesa considerou.
É uma pena que seja tão difícil falar, dialogar e encontrar temas de interesse colectivo para discussão aberta. O gosto da conversa e uma certa incapacidade para expor a diferença, torna estas assembleias perfeitamente redundantes e sem qualquer interesse.
É de tal forma, que não sendo importante, o Pr. da AG nas votações nunca perguntou se havia abstenções. Só uma votação mereceu abstenção e foi o sócio que o lembrou ao presidente da Mesa. Sou dos que não gosto muito de me abster nas votações. Mas há momentos em que faz jeito, sobretudo quando não se quer votar a favor e não se pretende dar um sinal que possa ser tomado como um sinal exterior de forte oposição se votarmos contra.Há uma clara ausência de massa crítica e de oradores interessantes para animar as AG´s. É tudo muito mais previsível que o FCP a jogar. Os lances, as fintas, os atrasos, os passes, os remates, as palavras são sempre para o mesmo lado, de forma rotineira e déjà vu. Nem a encenação é nova, nem os artistas: na mesa, nos camarotes ou na plateia.
No nosso clube há vida democrática, mas muito poucos cidadãos sócios estão interessados em enriquecer os momentos mais importantes da vida do clube. Falta quem saiba ou quem queira. Sinto-me penalizado porque gosto da diferença, da controvérsia e de uma bem animada e educada discussão. Perdemos esse bom hábito. É pena.