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domingo, 12 de julho de 2015

Analisar o negócio Iker Casillas

Iker Casillas é o novo guarda-redes do FC Porto. 
É também provavelmente um dos dois guarda-redes de maior perfil mediático a actuar em Portugal, em conjunto com Peter Schmeichel. Também é dos futebolistas mais titulados da história. E é o jogador que vai receber o salário mais alto da história do clube. Casillas é tudo isso e portanto este negócio tem muitos pontos para analisar de pontos de vistas radicalmente distintos, do desportivo ao financeiro, do potencial de futuro às necessidades do presente. 

Comecemos pelo desportivo.
Casillas passa a ser o melhor guarda-redes da liga portuguesa. De longe. 
Iker é melhor que Helton - sim, é melhor do que Helton mesmo já não sendo o "San Iker" - e também bastante melhor que Julio César, Artur, Rui Patricio, Jose Sá e afins. Poucos duvidam disso. Não sendo já um guarda-redes de elite mundial, a meu ver, está claramente numa segunda linha. Mais ainda porque os seus últimos anos em Madrid, altamente irregulares, estão intimamente ligados ao clima que se vivia na Castellana, algo que não o vai afectar à distância. Casillas está no Porto porque quer. E isso é um ponto a favor. Podia ter ido para Roma mas entendeu que o FC Porto lhe dava condições melhores para assegurar a titularidade da baliza de Espanha no Euro 2016, o seu grande objectivo. Por isso vai estar altamente motivado, duplamente até. Para garantir a sua titularidade em França e para demonstrar aos que o têm - e são muitos, talvez a maioria - criticado de que estavam errados. Nesse sentido a sua chegada é de louvar. Casillas vai melhorar as opções existentes e tendo em Raul Gudiño um projecto de futuro a amadurecer, pode cumprir com esses dois/três anos necessários para o mexicano dar o salto. Quem vai pagar o preço é Helton com quem o clube renovou há pouco tempo mas antes de saber que Iker estava disponivel. 
Desportivamente Iker terá motivação mas também é verdade que chega sabendo-se intocável. Não terá de trabalhar semanalmente pela titularidade, está garantida verbalmente, sem ela não havia negócio. A eleição do Porto também tem, e muito, a ver com a proximidade com Madrid onde vai continuar a viver a sua familia sendo que Iker tem um acordo não escrito com o clube para poder ir passar alguns dias a Madrid à semana, provavelmente com voos de ida e volta diários. Resta saber até que ponto esse relaxamento competitivo e essas viagens podem ou não afectar o seu rendimento desportivo.

Tudo isso é Iker, o guarda-redes. Mas também há Iker, o mais bem pago do plantel.
Casillas chega a ganhar uma fortuna. Em Madrid recebia cerca de 7 milhões de euros limpos ao ano. Vai continuar a ganhar esse dinheiro mas o pagamento será dividido entre o Real Madrid, o FC Porto e o próprio, que vai perdoar dinheiro ao clube espanhol. O FC Porto pagará cerca de 3,5 milhões de euros, superando, por um milhão de euros, o seu tope salarial. Só não pagamos mais porque o Financial Fair Play nos proibe. O resto é pago pelo Real Madrid nos primeiros dois anos. Isso significa que Iker chega ao Porto a ganhar muito mais do que os colegas o que nunca cria bom ambiente de balneário. Nenhum jogador do clube tem o prestigio e perfil de Casillas, é certo, mas todos sabemos como são os futebolistas. Este precedente não deixa de ser perigoso ainda para mais na ausência de lideres que imponham a cordura dentro do balneário. Iker é também o jogador mais caro de sempre do nosso futebol e essa inversão a curto prazo tem de se traduzir em algo. Titulos, pontos ganhos por si mesmo. Em Portugal sabemos que o papel do guarda-redes é relativo. Estamos habituados a jogar no campo do rival pelo que as defesas milagrosas de Casillas serão pontuais. Mas têm de estar. Iker tem de demonstrar em cada jogo, nem que seja um par de vezes, que merece esse salário caso contrário a sua chegada perde qualquer lógica. O mesmo é aplicável na Champions onde, aí sim, se exige o melhor de Casillas. É onde veremos o seu verdadeiro nivel. Caso não esteja à altura das expectativas, o espanhol pode transformar-se num verdadeiro elefante branco. 



Por fim fica Iker, o simbolo mediático.
Casillas tem milhões de seguidores a nivel mundial. Não nos enganemos, são seguidores da marca Espanha e Real Madrid, não passarão forçosamente a ser seguidores da marca Porto. Casillas é igualmente detentor dos seus direitos de imagem pelo que esqueçam também golpes publicitários que encham os cofres do Dragão. Esse dinheiro vai todo para a sua conta bancária. Depois, relembrem-me que guarda-redes a nivel mundial é uma fonte de riquezas em marketing....pois. Não há.
Os guarda-redes não vendem camisolas, nenhum deles.
Casillas não estava no top 10 dos jogadores que mais camisolas vendiam com o Real Madrid ou com a selecção espanhola. Ninguém, na Ásia ou na América Latina (onde a maior parte do merchandising é pirata) vai perder a cabeça para ter a camisola de guarda-redes do FC Porto com Casillas. Muitos continuarão com a do Real Madrid, outros com a de Espanha. Essa é a realidade. O que Casillas pode trazer está em novos anuncios e sponsors para o clube mas, ainda assim, não estamos a falar de um futebolista que gere emoções a esse nivel. É mediático sim, sobretudo por ter sido o capitão de Espanha, mas tal como sucedia com Xavi ou Iniesta, por exemplo, não é um futebolista que renda muito em termos de marketing. Seguramente o FC Porto terá uma exposição mediática unica a nivel mundial mas é dificil que essa exposição se reflicta em dinheiro.

Haverá charters de adeptos ao Dragão para ver Casillas? Duvido muito.
Serão os jogos da liga portuguesa mais apetecidos lá fora por termos Casillas? Talvez, mas aí quem ganha é quem tem os direitos, a Olivedesportos.
Pode o FC Porto fechar um bom patrocinio ao ter um jogador do perfil de Casillas? Sim, mas salvo seja um patrocinio milionário, cada vez menos o que se paga para estar nas camisolas é redundante dentro do dinheiro ingressado pelos clubes como os relatórios de contas recentes provam em relação à PT.

Casillas dicilmente será uma mina de ouro e pode acabar até por dar prejuizo financeiro. Serão 7 milhões em salários em dois anos, zero em passe. Não é um negócio caro (vide Imbula ou todos aqueles flops para comissionista ver...allo Bolat) mas o que é, sem duvida, é um negócio sem retorno. 

Portanto, que pensar do negócio Casillas?

Financeiramente é um erro atroz ter um futebolista veterano e que não decide jogos a receber mais de 1 milhão de euros do que o nosso recorde e do que o segundo jogador mais bem pago do plantel (agora é Tello).
Pode gerar todo o tipo de problemas de balneário, invejas, criticas se algum jogo correr mal, etc. Desportivamente dependerá do que Casillas for capaz de fazer em comparação a Helton. Sim, essa será a sua vara de medir.

Casillas tem de ser muito melhor, ganhar muitos mais pontos por si mesmo, ser muito mais determinante em jogos da Champions, para que desportivamente faça sentido abdicar de um jogador com o mesmo perfil e idade por outro pagando muitissimo mais. 

A nivel de exposição só o tempo o dirá.
O Porto será mais falado lá fora, seguramente em Espanha e na América Latina, e poderá aproveitar algo dessa exposição mas do mesmo modo que hoje o Sporting não é um clube altamente popular só porque teve a Schmeichel (que chegou a Portugal como campeão europeu em titulo, a mesma idade e a ganhar menos, em proporção, do que Casillas agora, em claro declive de carreira e com um cachet bem menor) também o Porto não se vai tornar numa referência mundial por Casillas. Nem o deve ser. 

Tenho a plena convição de que Iker vai fazer uma óptima temporada. 
Vai ser decisivo em alguns jogos, vai falhar alguma que outra vez, como todos. Vai permitir maior exposição do clube mas não necessariamente maiores ingressos. Se o seu salário fosse de acordo com a realidade do clube, teria sido um negócio que aprovaria, apesar de tudo. Mas não é.

Iker é mais caro do que aquilo que nós devemos - não podemos, que também não, mas devemos - pagar a um futebolista em fim de carreira, em particular para uma posição onde a alternativa, da casa e mais barata a todos os niveis, já nos dava a todos garantias nos próximos dois anos. A Iker desejo-lhe toda a sorte que não teve nos últimos anos em Espanha mas considero o negócio um erro, mais uma fuga para a frente de um grupo de dirigentes desesperados pela ausência de resultados dos últimos dois anos e que já não sabem que politica coerente seguir sempre e quando haja titulos que a justifiquem.

Que ninguém se engane. O FC Porto 2015/16 podia ser campeão e equipa de oitavos de final de Champions - os objectivos reais de cada ano - sem Iker Casillas. Com ele no plantel não muda nada. Ou melhor, não muda nada, desportivamente. Seremos no final do ano um clube mais pobre, com um buraco mais grande para tapar. Mas como alguns pretendem ficar aqui até morrer, esse problema já não será deles. Será nosso. E quando chegar esse momento, todos se lembrarão das boas noites que Casillas nos deu e se perguntarão se essas noites valiam os problemas que vieram depois. 

Suerte Iker!

PS: Os pais do Iker Casillas - que não o próprio, está claro - declararam ao jornal El Mundo que para eles o FC Porto é um clube de "Segunda Divisão B" e que o filho merecia algo muito melhor. Espero que o Porto demonstre ao Casillas que é possivel ser feliz longe de Madrid e que os portistas demonstrem, aos pais do Casillas, quando venham ao estádio do Dragão de Segunda Divisão B ver um jogo, com um enorme coro de aplausos o que um grupo de adeptos de "Segunda Divisão B" são capazes.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Apostar em Helton e Gudiño

Raúl Gudiño (O JOGO, 02-12-2014)

Raúl Gudiño chegou ao Porto por empréstimo do Club Deportivo Guadalajara (a FCP SAD tem opção de compra do seu passe), em Setembro de 2014, para jogar nos juniores mas, em 29 de Novembro de 2014, estreou-se pela equipa B e deu logo nas vistas.

Seis meses depois e após ter visto este jovem guarda-redes mexicano atuar diversas vezes, quer em jogos da equipa B, quer na fase final do campeonato de juniores, penso que Raúl Gudiño deveria ser a grande aposta do FC Porto para a baliza da equipa principal… daqui a um ou dois anos. Até lá, se nada de anormal acontecer, Helton demonstrou que é perfeitamente capaz de assegurar a baliza do FC Porto sem comprometer.

Helton? Mas, então, o FC Porto não precisa de um guarda-redes de topo?

Onde estão os guarda-redes de topo (que sejam claramente melhores do que o Helton) interessados em virem para o campeonato português? Existem? Quanto custa o respectivo passe?

Gerir implica fazer escolhas e decidir onde investir os (escassos) recursos financeiros existentes. Ora, mesmo que houvesse guarda-redes de topo disponíveis para virem para o Porto e cujo passe custasse menos de 15M, a pergunta seguinte é: uma opção dessas faz sentido?

Faz sentido a FCP SAD gastar 10M, 12M ou 15M no passe de um “guarda-redes de topo”, tendo no plantel Helton e Gudiño? (já para não falar em Fabiano, Ricardo Nunes ou Andrés Fernández)

Penso que não. Há outras posições (ponta-de-lança para substituir Jackson e/ou defesa-central com um perfil semelhante ao Otamendi) em que me parece muito mais necessário investir o limitado dinheiro existente.

E mais. Queremos, ou não, criar condições, para que os jogadores mais promissores, que se destacam na equipa B possam, num horizonte de um ou dois anos, integrar o plantel principal?
É que se queremos isso, não podemos gastar 10, 12 ou 15M num “guarda-redes de topo”, que irá tapar e impedir esse cenário. Até porque, no caso dos guarda-redes, os suplentes só jogam em caso de lesão ou castigo do titular.

Helton tem 37 anos (feitos a 18 de Maio) e, embora esteja na fase descendente da sua carreira, ainda é um bom guarda-redes de equipa grande podendo, perfeitamente, jogar mais uma ou duas épocas (para quando a renovação?).

Raúl Gudiño tem 19 anos (feitos a 22 de Abril), ainda não completou a sua formação, mas tem características que podem fazer dele, a médio prazo, um guarda-redes de topo internacional.

Raul Gudiño (O JOGO, 07-06-2015)

Assim sendo, na minha opinião, a época 2015/2016 deveria ser aproveitada para:

– Colocar o Gudiño a treinar com a equipa principal, para se integrar no plantel, beneficiando da presença do compatriota Herrera e tendo o Helton como “professor”;

– Experimentar o Gudiño em alguns jogos particulares da equipa principal (logo na pré-temporada), bem como, em jogos da Taça da Liga;

– Dar continuidade à titularidade de Gudiño na equipa B;

– Iniciar/acelerar o processo de correção de algumas deficiências do Gudiño – melhorar o jogo de pés; melhorar o timing de saídas da baliza; melhorar a colocação das barreiras nos livres.

No final da época 2015/2016, far-se-ia uma análise e das duas uma:
a) Gudiño “cresceu”, melhorou nos aspectos que precisa de corrigir e está em condições de discutir, com Helton, a titularidade da baliza do FC Porto;
b) Gudiño não evoluiu e é preciso ir ao mercado arranjar um bom guarda-redes para suceder a Helton.

sábado, 24 de janeiro de 2015

Da “estrumeira de porcos” ao “campo lavrado”

«… a verdadeira Gala dos 100 anos da FPF aconteceu três dias depois, em Penafiel. Aí, num jogo de futebol profissional da 1ª Liga do campeonato português, o Penafiel recebeu o FC Porto numa espécie de estrumeira de porcos, com algumas ervas à mistura, onde era suposto disputar-se um jogo de futebol.»
Miguel Sousa Tavares, A BOLA, 20-01-2015


Hoje, no Estádio Carlos Osório, em Oliveira de Azeméis, o FC Porto B disputou um jogo de futebol profissional da II Liga numa espécie de campo lavrado.


Oliveirense x FC Porto B

Enquanto a Liga de Clubes e a FPF continuarem a permitir que se disputem jogos, de competições profissionais, em “estrumeiras de porcos”, “campos lavrados” ou “areais pintados de verde”, será completamente impossível atrair mais gente para os estádios. Nem que ofereçam os bilhetes…


P.S. Mesmo sem qualquer jogador do plantel principal e sem poder contar com os castigados Igor Lichnovsky e Francisco Ramos, os emprestados Tiago Rodrigues (emprestado ao Nacional) e Kayembe (emprestado ao Arouca), bem como, Ivo Rodrigues (lesionado) e Gonçalo Paciência (incluído nos convocados da equipa principal), o FC Porto B, apesar de ter perdido, foi melhor que a Oliveirense (atual líder da II Liga). Isto diz muito do nível desta competição.

P.S.2 Em Novembro passado chamei à atenção para ele. Ponham os olhos em Rául Gudiño. Ainda tem idade de júnior, mas já é titular indiscutível da equipa B. E, por aquilo que tenho visto, não ficaria demasiado surpreendido se, dentro de uma ou duas épocas, fosse titular da equipa principal do FC Porto.

domingo, 30 de novembro de 2014

Raúl Gudiño, conhece?

Raúl Manolo Gudiño nasceu em Guadalajara, México, no dia 22 de abril de 1996 (tem 18 anos) e, para além de ser um guarda-redes grande (mede 1,95m) tem tudo para ser um grande guarda-redes.

Se duvida, veja Raúl Gudiño em acção, no FC Porto B x Académico Viseu:



Rául Gudiño, que foi titular da seleção de Sub-17 do México, vice-campeã do Mundo em 2013, está no FC Porto por empréstimo do Chivas.



Ainda é muito cedo para se dizer que Raúl Gudiño é uma ameaça para Fabiano mas, depois do que se viu ontem, parece que a baliza da equipa B tem um novo dono.