
A espantosa época do FC Porto não passou inadvertida nos quatro cantos do Mundo. Como poderia? Se a Liga ZON Sagres continua a ser uma prova de pouco impacto internacional, a caminhada na Europe League tratou de elevar o FC Porto ao estatuto de sensação do ano. Villas-Boas, Hulk, Falcao e companhia são hoje nomes reconhecidos respeitosamente em qualquer lado. Se em Portugal muitos continuam agarrados ao passado, fora do rectângulo a realidade é bem diferente. Para os estrangeiros o FC Porto é um dos grandes clubes europeus da actualidade.
Depois de mais de doze anos a ver todos os jogos disputados em casa (e algumas viagens imperdíveis), troquei a minha Invicta por Madrid. O FC Porto de Jesualdo começava a dar os primeiros passos ao mesmo tempo que a minha experiência pelo estrangeiro me ajudava a entender como os de fora viam o nosso clube. Cinco anos depois, a percepção não podia ter mudado tão radicalmente. Em 2006 o FC Porto era a equipa de Mourinho, a equipa utilizada pelo sadino para lograr o seu trampolim rumo à glória. O mau ano que se seguiu à saída do técnico ajudou a criar essa sensação colectiva. Mas a pouco e pouco a imprensa espanhola, italiana, francesa, alemã e inglesa mudaram de perspectiva. Um homem ajudou, mais do que qualquer outro, a lograr essa mutação: André Villas-Boas.
A chegada de AVB ao banco do Dragão levantou muita curiosidade. A maioria esperava um mini-Mourinho, jovem, ganhador e polémico. Sobretudo esperavam um técnico que seguisse o ideário táctico do consagrado campeão europeu. A surpresa que levaram não os podia ter apanhado mais de surpresa. Quando o FC Porto foi sorteado com o Sevilha na primeira eliminatória da Europe League, em Espanha poucos davam opções aos dragões. Salvo algum reduto de bem informados – porque sempre os há em qualquer sítio – a maioria reportava-se apenas à época anterior e aos jogos com o Atlético de Madrid, onde os dragões não tinham convencido ninguém. Para a imprensa espanhola, Hulk era um Cristiano Ronaldo em miniatura, egoísta e inconsequente, Helton um guarda-redes com um sério problema de fiabilidade e o resto do plantel um mistério. O FC Porto já tinha humilhado o Benfica, mas isso para eles contava pouco. Durante anos ouvi revoltado comentários do género “O teu Porto na liga espanhola lutava para não descer”. No final dessa eliminatória tive a minha desforra pessoal quando ouvi e li o mesmo em todos os sítios: este FC Porto é favorito a ganhar a Europe League.
Folheando a imprensa internacional, conversando com colegas, tornou-se fácil perceber como Villas-Boas tinha logrado mudar esta percepção. A fama de bons vendedores já a tinhamos e sempre que sai um novo jogador do Porto à baila para um clube espanhol, todos os jornais relembram o duro negociador que é Pinto da Costa. Mas o estilo de jogo não convencia ninguém e, aos olhos do público, empequenecia-nos.
Quando AVB chegou e aplicou um modelo de jogo muito similar ao do aclamado Barcelona, as pessoas começaram a prestar atenção. Em Inglaterra os artigos publicados em jornais de prestígio como o The Guardian ou o Times reforçavam a ligação de Villas-Boas a Robson e ao estilo ofensivo britânico. Itália, a recuperar da ressaca da saída de Mourinho, reforçava o ar atrevido do técnico e a imprensa sul-americana, com especial incidência para a Colômbia, onde temos uma mina por explorar, enfocava os golos de Falcao e o trabalho de Guarín e James com um entusiasmo que não se via desde que Asprilla e Valderrama atravessaram o oceano para brilhar na Europa. Colombianos a viver em Madrid começavam a seguir os passos dos seus compatriotas com entusiasmo.
E depois, durante o duplo duelo com o Villarreal, assisti ao jogo abismado pelos comentários de constante admiração dos jornalistas espanhóis, sempre habituados a desvalorizar os rivais dos clubes do país vizinho. O FC Porto era tratado como um grande da Europa e muitos se atreviam a dizer que este equipa podia perfeitamente ter disputado a Champions League ao próprio Barcelona. Para quem teve de suportar durante alguns anos insinuações judiciais, as críticas ao jogo especulativo e os comentários mal informados de quem ainda pensa que o Benfica actual tem alguma coisa a ver com o de Eusébio e companhia, essa foi uma grande vitória.
Quando se vive longe há sempre a tentação de tentar mostrar aos amigos, ou colegas de trabalho, algo sobre o teu clube, falar sobre as conquistas mais importantes, convidá-los a ver um jogo, ganhar a sua atenção. Pela primeira vez desde que saí de Portugal experimentei a realidade oposta. Agora são eles que perguntam, que querem saber mais, que tentam recitar o alinhamento de memória e que levam as mãos à cabeça quando pensam que jogadores como Hulk ou Falcao não estão nos seus clubes. Mais do que uma vez vi camisolas do FC Porto a deambular pelas ruas e Metro de Madrid. E não eram portugueses que as levavam vestidas. A espantosa época de Villas-Boas deixou marca nos adeptos internacionais e que ninguém duvide que hoje todos olham para o FC Porto com um respeito reservado só aos grandes clubes.
Depois de mais de doze anos a ver todos os jogos disputados em casa (e algumas viagens imperdíveis), troquei a minha Invicta por Madrid. O FC Porto de Jesualdo começava a dar os primeiros passos ao mesmo tempo que a minha experiência pelo estrangeiro me ajudava a entender como os de fora viam o nosso clube. Cinco anos depois, a percepção não podia ter mudado tão radicalmente. Em 2006 o FC Porto era a equipa de Mourinho, a equipa utilizada pelo sadino para lograr o seu trampolim rumo à glória. O mau ano que se seguiu à saída do técnico ajudou a criar essa sensação colectiva. Mas a pouco e pouco a imprensa espanhola, italiana, francesa, alemã e inglesa mudaram de perspectiva. Um homem ajudou, mais do que qualquer outro, a lograr essa mutação: André Villas-Boas.
A chegada de AVB ao banco do Dragão levantou muita curiosidade. A maioria esperava um mini-Mourinho, jovem, ganhador e polémico. Sobretudo esperavam um técnico que seguisse o ideário táctico do consagrado campeão europeu. A surpresa que levaram não os podia ter apanhado mais de surpresa. Quando o FC Porto foi sorteado com o Sevilha na primeira eliminatória da Europe League, em Espanha poucos davam opções aos dragões. Salvo algum reduto de bem informados – porque sempre os há em qualquer sítio – a maioria reportava-se apenas à época anterior e aos jogos com o Atlético de Madrid, onde os dragões não tinham convencido ninguém. Para a imprensa espanhola, Hulk era um Cristiano Ronaldo em miniatura, egoísta e inconsequente, Helton um guarda-redes com um sério problema de fiabilidade e o resto do plantel um mistério. O FC Porto já tinha humilhado o Benfica, mas isso para eles contava pouco. Durante anos ouvi revoltado comentários do género “O teu Porto na liga espanhola lutava para não descer”. No final dessa eliminatória tive a minha desforra pessoal quando ouvi e li o mesmo em todos os sítios: este FC Porto é favorito a ganhar a Europe League.Folheando a imprensa internacional, conversando com colegas, tornou-se fácil perceber como Villas-Boas tinha logrado mudar esta percepção. A fama de bons vendedores já a tinhamos e sempre que sai um novo jogador do Porto à baila para um clube espanhol, todos os jornais relembram o duro negociador que é Pinto da Costa. Mas o estilo de jogo não convencia ninguém e, aos olhos do público, empequenecia-nos.
Quando AVB chegou e aplicou um modelo de jogo muito similar ao do aclamado Barcelona, as pessoas começaram a prestar atenção. Em Inglaterra os artigos publicados em jornais de prestígio como o The Guardian ou o Times reforçavam a ligação de Villas-Boas a Robson e ao estilo ofensivo britânico. Itália, a recuperar da ressaca da saída de Mourinho, reforçava o ar atrevido do técnico e a imprensa sul-americana, com especial incidência para a Colômbia, onde temos uma mina por explorar, enfocava os golos de Falcao e o trabalho de Guarín e James com um entusiasmo que não se via desde que Asprilla e Valderrama atravessaram o oceano para brilhar na Europa. Colombianos a viver em Madrid começavam a seguir os passos dos seus compatriotas com entusiasmo.E depois, durante o duplo duelo com o Villarreal, assisti ao jogo abismado pelos comentários de constante admiração dos jornalistas espanhóis, sempre habituados a desvalorizar os rivais dos clubes do país vizinho. O FC Porto era tratado como um grande da Europa e muitos se atreviam a dizer que este equipa podia perfeitamente ter disputado a Champions League ao próprio Barcelona. Para quem teve de suportar durante alguns anos insinuações judiciais, as críticas ao jogo especulativo e os comentários mal informados de quem ainda pensa que o Benfica actual tem alguma coisa a ver com o de Eusébio e companhia, essa foi uma grande vitória.
Quando se vive longe há sempre a tentação de tentar mostrar aos amigos, ou colegas de trabalho, algo sobre o teu clube, falar sobre as conquistas mais importantes, convidá-los a ver um jogo, ganhar a sua atenção. Pela primeira vez desde que saí de Portugal experimentei a realidade oposta. Agora são eles que perguntam, que querem saber mais, que tentam recitar o alinhamento de memória e que levam as mãos à cabeça quando pensam que jogadores como Hulk ou Falcao não estão nos seus clubes. Mais do que uma vez vi camisolas do FC Porto a deambular pelas ruas e Metro de Madrid. E não eram portugueses que as levavam vestidas. A espantosa época de Villas-Boas deixou marca nos adeptos internacionais e que ninguém duvide que hoje todos olham para o FC Porto com um respeito reservado só aos grandes clubes.
Nota final: O 'Reflexão Portista' agradece ao Miguel Lourenço Pereira a elaboração deste artigo.
Imagens (clicar para as ampliar): extractos de artigos da CNN, Marca e L'Equipe

