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quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

SportTv, um canal cada vez mais hostil

Joaquim Oliveira

Acho que o grande poder de decisão é da operadora [SportTv]. Não há nada a fazer. Vou dar um exemplo: pedimos o jogo na sexta-feira [dia 11 de janeiro] com o Sporting, porque jogamos terça [dia 15 de janeiro] com o Leixões e sexta [dia 18 de janeiro] com o Chaves. Não foi aceite. Jogamos sábado com o Sporting [dia 12 de janeiro] e o Sporting joga quarta-feira com o Feirense. Até o Sporting tinha a ganhar.”

Estas declarações de Sérgio Conceição, feitas na conferência de imprensa após o FC Porto x Nacional, são claras quanto ao poder da SportTv e à forma como esta operadora televisiva usa esse poder.

Mas o poder da SportTv vai para além da imposição das datas e horas dos jogos, muitas das vezes contra o interesse dos próprios clubes envolvidos (o caso do próximo Sporting x FC Porto, referido por Sérgio Conceição, é paradigmático).

Através da intervenção do ex-árbitro Pedro Henriques (que Francisco J. Marques baptizou de forma feliz como “VAR de contrafacção”) e de uma seleção cirúrgica dos “lances polémicos”, a SportTv consegue, jornada após jornada, condicionar a percepção dos casos de arbitragem existentes em cada jogo.

O ex-árbitro Pedro Henriques

Mais. A SportTv também é “criteriosa” no número de vezes e destaque das repetições dos lances polémicos e até, como se verificou no final do Portimonense x SLB, na decisão de não mostrar incidentes nas bancadas, quando os mesmos são protagonizados por um determinado “grupo organizado de adeptos”… 

Fogo e fumo nas bancadas provocado por tochas de adeptos benfiquistas (foto: CM)

«Pouco depois do apito final no Portimonense-Benfica (2-0), adeptos encarnados atearam fogo a uma das bancadas do Municipal de Portimão, gerando-se algum pânico entre os presentes naquela zona, avança o Record. A situação foi resolvida rapidamente com a intervenção dos bombeiros, que apagaram aquele foco de incêndio durante a flash interview dos futebolistas, junto ao relvado.»

Comentadores SportTv: Dois ex-jogadores do SLB e o ex-árbitro Pedro Henriques

Em resumo, na atual SportTv temos:
- Imposição das datas e horas dos jogos.
- Comentadores escolhidos a dedo.
- Seleção “criteriosa” dos lances a repetir.
- Imagens censuradas (não emitidas).
- “VAR de contrafacção”.

SportTv, um canal cada vez mais hostil para o FC Porto e mais simpático para o SLB.

P.S. Há quanto tempo é que Joaquim Oliveira não é visto no camarote presidencial do Estádio do Dragão?

sábado, 26 de janeiro de 2013

desLIGAdos


Tudo indica que o FC Porto vai ser desclassificado da Taça da Liga 2012/13, devido à utilização irregular de Fabiano, Abdoulaye e Seba no 3º jogo da fase de grupos - FC Porto x Vitória Setúbal -, menos de 72 horas depois destes jogadores terem alinhado pela equipa B (FC Porto B x Naval).

«O Regulamento de Competições da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP), sobre a inscrição e participação de equipas B na II Liga por clubes da I Liga, dita, no artigo 13.º, que "qualquer jogador apenas poderá ser utilizado pela equipa principal ou equipa B decorridas que sejam 72 horas após o final do jogo em que tenha representado qualquer uma das equipas, contadas entre o final do primeiro jogo e o início do segundo". (...)
Os "azuis e brancos" incorrem na pena prevista no Regulamento Disciplinar da LPFP, no seu artigo 78.º, sobre a inclusão irregular de jogadores. O clube "será punido, no caso de provas por pontos, com as sanções de derrota e de subtração de pontos a fixar entre o mínimo de dois e o máximo de cinco pontos" e, acessoriamente, uma multa pecuniária a definir.
Já o artigo 44.º do mesmo regulamento frisa que a sanção da derrota "faz perder ao clube sancionado, na tabela classificativa, os pontos correspondentes ao jogo a que a falta disser respeito, os quais serão atribuídos ao clube adversário", isto é, os três pontos em disputa.»
in JN


Não sou jurista mas, lendo o regulamento, parece-me não restarem grandes dúvidas. 71 horas e 45 minutos é um período de tempo inferior a 72 horas. Assim sendo, o FC Porto vai perder na secretaria, a favor do Vitória Setúbal, os três pontos que conquistou dentro das quatro linhas, o que faz com que sejam os sadinos a disputarem as meias-finais da prova (no caso frente ao Rio Ave, vencedor do Grupo C).

Na altura em que estou a escrever este texto, ainda não há uma reacção oficial do FC Porto, mas uma fonte do clube/SAD já comentou o caso para a comunicação social:

«Fonte dos dragões diz que o FC Porto solicitou a marcação do encontro para o início da noite desse dia, com a Liga a determinar aquela hora por força da transmissão televisiva. (...)
Faz sentido haver regulamentação da equipa A para a equipa B, para não se correr um risco de haver jogadores da A a jogar pela B em momentos importantes e desvirtuar essa competição. Agora, o contrário já é desvirtuar o princípio de promoção dos jovens”, lembra a fonte.
O FC Porto aguarda a decisão com serenidade, deixando o tema nas mãos do seu departamento jurídico. De qualquer forma, sabe que um eventual afastamento permitiria ganhar alguns dias de descanso num momento importante da temporada.
As meias-finais da Taça da Liga estão entre a deslocação a Alvalade e os jogos com o Málaga...”»
in Maisfutebol


«“Aquando da marcação dos jogos, o FC Porto pediu à Liga para o jogo ser à noite. A Liga nunca respondeu e marcou o jogo para as 17h30, alegando interesse da TVI”, disse ao PÚBLICO fonte do FC Porto, que recusou explicar as razões para o clube ter utilizado Fabiano, Abdoulaye e Seba, que tinham jogado no domingo pela equipa B, frente à Naval.
Em semana de Benfica-FC Porto, parece que o jogo foi marcado de propósito para forçar o FC Porto a utilizar o melhor onze. O jogo Benfica-Académica foi marcado para mais de 72 horas depois do fim do Santa-Clara-Benfica B, mas o jogo FC Porto-Setúbal não respeitou as 72 horas após o fim do FC Porto B-Naval”, queixou-se a mesma fonte. (...)
O caso está entregue ao departamento jurídico do FC Porto, mas no Dragão já se desvaloriza uma eventual penalização.
A Taça da Liga não é neste ano, como nunca foi no passado, competição prioritária para o FC Porto. Este ano ainda menos, porque a Liga não paga os prémios, a prova não apura para as competições europeias e não tem patrocinador”, disse ao PÚBLICO a mesma fonte portista.
Se formos afastados, é menos um jogo no apertado calendário de final de Fevereiro, início de Março, entre os jogos com o Málaga [para a Liga dos Campeões].”»
in PUBLICO


É verdade que é raro um jogo da equipa principal ter início às 17h30. Como é sabido, os jogos da Liga dos Campeões têm início às 19h45 e os do campeonato costumam ser à noite. E também admito como perfeitamente plausível a versão, segundo a qual, o FC Porto solicitou que o jogo fosse à hora habitual (depois das 20h00) e que foi a Liga a impor (não interessa agora as razões) que o FC Porto x Vitória Setúbal fosse disputado a um dia de semana à tarde!
Mas, se o clube/SAD se sentiu lesado e que, comparativamente com o slb, estava a ser discriminado pela Liga, deveria tê-lo dito na altura. Dizê-lo agora soa a desculpa e o que transparece para a opinião pública é que houve um lapso da estrutura da SAD.

Consequências?
O FC Porto não vai ganhar a Taça Lucílio Baptista, versão 2012/13, o que me deixa tristíssimo...
Mas nem tudo é mau.
Não vamos ter de aturar o Fernando Correia e o João Querido Manha a relatarem/comentarem mais um jogo do FC Porto.
E a TVI, depois de nem sequer ter transmitido um dos três jogos que o FC Porto disputou na fase de grupos (Nacional x FC Porto), em vez de uma meia-final com o FC Porto, vai transmitir um Vitória Setúbal x Rio Ave. As audiências vão ser gigantescas... Quem se deve estar a rebolar a rir é o Joaquim Oliveira.

Sinceramente, para quem (como eu) não atribui qualquer valor desportivo à Taça da Liga, esta "penalização" é bem pior para a competição (e indirectamente para a Liga) do que para o FC Porto.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Veja os jogos do slb na... SPORT TV


«Para além da Liga Portuguesa de Futebol, Taça de Portugal e da Taça da Liga, a SPORT TV transmite, em exclusivo, as principais ligas europeias e, mais recentemente, o campeonato Argentino.
A SPORT TV também detém os direitos de transmissão de todos os jogos da maior prova de clubes a nível europeu – a Liga dos Campeões. Liga Europa, Taça dos Libertadores, Copa América, Campeonato da Europa, Campeonato do Mundo e Mundial de clubes são também grandes competições que a SPORT TV transmite, em direto»


Há muita propaganda e lavagens ao cérebro diárias tendo como alvo o "povão benfiquista" mas, na realidade, tirando os 15 jogos que o slb disputa em casa para o campeonato, todos os outros jogos oficiais - Campeonato fora de casa, Taça de Portugal (excepto a final), Taça da Liga e Liga dos Campeões, estão na mão da SPORT TV.
Ou seja, a partir da época 2013/14, a revolução anunciada nas transmissões televisivas, resume-se ao seguinte: dos 45-50 jogos oficiais que o slb disputa por ano, apenas cerca de 1/3 serão transmitidos na benfica TV isto, claro está, se Vieira cumprir com esta promessa eleitoral (penso que, a médio prazo, a da final europeia será mais fácil de cumprir...). Para verem os restantes 30-35 jogos na televisão, os benfiquistas terão de ir para o café, ou continuarem a ser clientes da... SPORT TV.

Veja os jogos do slb na... SPORT TV. A partir de Junho de 2013, não me admirava que este fosse um dos slogans da SPORT TV. Rima e é verdade (pelo menos para a maior parte dos jogos).

P.S. Olhando para as fotos que ilustram este artigo, fico com uma dúvida: Vieira e Joaquim Oliveira são mesmo inimigos, ou disfarçam bem?

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

A revolta dos pequenos

"O presidente da Liga é colocado na Liga pelos interesses do lóbi que controla o futebol em Portugal - a Olivedesportos, obviamente. Alguma vez o Fernando Gomes ia para presidente da Liga? Isto de o Benfica, o Sporting e o FC Porto dizerem que estão zangados é tudo conversa. (...)
Até já sei quem vai vencer na Liga... Não interessa ter mais apoios, interessa ter esse apoio dessa empresa de que sou fundador."
António Oliveira, entrevista na RTP Informação, 07/01/2012


«Últimas indicações relativas à corrida eleitoral para a presidência da Liga de Clubes: Mário Figueiredo recuperou terreno e pode ganhar a António Laranjo. As últimas cartadas jogam-se entre hoje e amanhã.

O advogado portuense, que é genro do presidente do Marítimo e integra o escritório do administrador portista Adelino Caldeira, tem colhido inesperados apoios...

Mas o jogo ainda não está feito e convém não esquecer que Laranjo tem o apoio da troika formada pelos três grandes e continua a ganhar na II Liga...»
Eugénio Queirós, Record, 10/01/2012


Tudo indicava que António Laranjo tinha a eleição garantida e afinal...

Mário Figueiredo foi eleito presidente da Liga Portuguesa de Futebol Profissional, tendo obtido 27 votos, contra 21 de António Laranjo, o candidato apoiado pelos três grandes e, supostamente, pela Olivedesportos.

Veremos se ontem não foi dado o primeiro passo para, contra a vontade dos três grandes e de Joaquim Oliveira, obrigar a Olivedesportos a negociar os direitos televisivos em pacote.

terça-feira, 19 de julho de 2011

30 milhões? Estão loucos


Uma das grandes apostas da actual direcção do slb é "forçar" Joaquim Oliveira a subir a parada pelos direitos televisivos tendo, em Março passado, fixado o "valor justo" em 40 milhões de euros por ano.

Para conseguirem os seus intentos, "fontes bem informadas" não se têm cansado de lançar para a praça pública nomes de outros putativos interessados, desde a Ongoing e TVI, até ao dragão de ouro Rui Pedro Soares, passando pelo cenário de que o slb se prepara para lançar um concurso internacional para vender os direitos televisivos!

É nesta linha, de pressão sobre Joaquim Oliveira, que surgem os comunicados para a CMVM, a aquisição dos direitos de transmissão de 180 jogos... particulares e o anúncio, feito por "fonte próxima do dossier", de um principio de acordo entre o slb e Miguel Pais do Amaral por um valor próximo dos 30 milhões de euros por temporada.

Sobre este pretenso acordo, vale a pena ler o que o benfiquista Pedro Santos Guerreiro, director do Jornal de Negócios, escreveu numa das suas crónicas no Record:

«Miguel Pais do Amaral não é de emoções. Gere com frieza os negócios e só gosta de uma coisa: de dinheiro. Por isso pasma-se: 30 milhões por ano para transmitir jogos do Benfica? Por 15 jogos?! A troika ainda não tirou de Portugal a irracionalidade económica.

Se Pais do Amaral pagar 30 milhões, isso é com ele. Mesmo que choque que, nesta altura em que as PME não têm crédito, um banco lhe financie a empreitada, por mais bungee-jumping que ela pareça. Nesse caso, o Benfica, que está a fazer um leilão para forçar a Olivedesportos a subir a parada, pode fazer a festa do ano. Mas que é loucura, é. 30 milhões de euros por quinze jogos… é só fazer as contas. Não há publicidade que pague. Nem novos subscritores de um novo canal de desporto, que teriam de passar a ter dois canais, para poderem continuar a ver os jogos do Benfica fora da Luz na Sport TV. Para mais, num ano em que a publicidade está a cair. E em que a Sport TV está a perder clientes.

Joaquim Oliveira tem acordo com todos os clubes para a transmissão de jogos até 2018 (com preferência por mais três anos), exceto com o Benfica, cujo contrato termina em 2013. Por ano, Oliveira paga hoje nove milhões ao Benfica, o que é quase extorsão ao clube que gera mais audiências televisivas. E que só explica por Oliveira ter sido “banco” do Benfica nos anos em que o clube era gerido com uma mão na massa associativa e a outra na massa falida. O Sporting e o Porto já duplicaram os seus contratos. E Oliveira terá de pagar pelo menos 20 milhões para segurar o Benfica. Exceto se um louco com dinheiro aparecer e oferecer mais.

Chegou o louco: Pais do Amaral. É um negócio incompreensível. Mas se o patrão da TVI pagar, o Benfica pode pôr a estátua de Vieira ao lado da de Eusébio. É de goleador.»


Aguardemos pelas cenas dos próximos capítulos.

Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Pressão sobre Joaquim Oliveira

No dia 3 de Maio, os dirigentes do slb enviaram um comunicado para a CMVM, para anunciar que estavam a “manter conversas preliminares” com Pais do Amaral, accionista e presidente não executivo do conselho de administração da Media Capital, acerca dos direitos televisivos dos jogos de 2013/14 e épocas seguintes.

Quando tive conhecimento deste comunicado fiquei atónito. Faz algum sentido enviar para a CMVM um comunicado com este teor quando, ainda por cima, no mesmo comunicado é dito que “o valor dos referidos direitos por cada época desportiva não foi ainda objecto de qualquer negociação”?

Entretanto, em resposta a outras especulações, no dia 25 de Maio, Francisco de la Fuente, o homem forte dos interesses da Mediapro em Portugal, garantiu que o grupo espanhol nunca esteve interessado em investir dinheiro nos pretensos projectos televisivos de Rui Pedro Soares e Emídio Rangel.

Para culminar esta pressão mediática em torno dos direitos televisivos do slb, o Correio da Manhã, na edição da passada segunda-feira, noticiava que as negociações entre Miguel Pais do Amaral e a administração do slb estão próximas da conclusão e que, segundo “fonte próxima do ‘dossier’ adiantou ao CM, já existe uma base de entendimento entre o empresário e os encarnados, que passa pela compra dos direitos televisivos dos jogos em casa do Benfica para a Liga por cinco épocas, por um valor próximo dos 30 milhões de euros por temporada”.

Então faz-se um comunicado quando apenas existem conversas preliminares, mas já não há comunicado quando, supostamente, o negócio está quase concluído?

Na mesma notícia do CM, é dito que o “objectivo de Pais do Amaral é criar um canal desportivo que possa concorrer com a Sport TV” e que, por isso, tinha comprado a Worldcom, empresa de Rui Pedro Soares (ex-administrador da PT), a qual já tinha negociado os direitos da liga espanhola para Portugal.

Eu custa-me a crer nesta notícia, porque só para pagar 30 milhões de direitos televisivos o futuro canal desportivo de Pais do Amaral precisaria de 100 mil assinantes (100000 assinantes x 25 euros/mês x 12 meses = 30 milhões euros), a que acresce o custo de outros conteúdos (como os direitos da liga espanhola) e as despesas de funcionamento do canal (instalações, estúdios, meios técnicos, jornalistas, operadores de câmaras, etc.).

E, já agora, num hipotético cenário destes, o que fariam os benfiquistas dispostos a pagar para ver os jogos da sua equipa na televisão?
Mantinham a assinatura na SportTv, onde poderiam ver os 15 jogos do campeonato disputados fora de casa, ou mudavam para o canal de Pais do Amaral, para verem os 15 jogos disputados no estádio da Luz?

A pressão encarnada sobre Joaquim Oliveira, recorrendo a diversos esquemas, intervenientes e meios de comunicação social, está a intensificar-se. Veremos se a raposa velha, que praticamente detém o monopólio da publicidade e direitos televisivos dos clubes portugueses, irá ceder.

P.S. Recordo que em Abril, a Futebol Clube do Porto - Futebol, SAD informou o mercado de um novo contrato de cedência de direitos televisivos com a PPTV (2014/15 a 2017/18, valor global de 82,8 milhões de euros).

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Contratos com a PT e a PPTV


Nas últimas semanas, a Futebol Clube do Porto - Futebol, SAD informou o mercado da renovação do contrato de patrocínio com a Portugal Telecom (2011/12 a 2014/15, proveitos globais mínimos de 14,6 milhões de euros) e de um novo contrato de cedência de direitos televisivos com a PPTV (2014/15 a 2017/18, valor global de 82,8 milhões de euros).

Recordo que o contrato de patrocínio anterior com a Portugal Telecom, efectuado em Setembro de 2005, previa 21,2 milhões de euros de proveitos globais fixos para um período de seis épocas (2005/06 a 2010/11), ou seja, 3,53 milhões de euros por época.
O novo contrato abrange quatro épocas, com inicio já na próxima, a uma média de 3,65 milhões de euros por época.

Quanto aos contratos anteriores com a Olivedesportos, o penúltimo previa proveitos globais de 32,25 milhões de euros para quatro épocas (2005/06 a 2008/09), o que significava cerca de 8 milhões de euros por época.
No último contrato, em vigor até 2013/14, houve um incremento de 2,3 milhões de euros por época, ou seja, o contrato actual prevê um valor global de 51,75 milhões de euros para as épocas 2009/10 a 2013/14.

No contrato agora assinado e que irá entrar em vigor na época 2014/15, a PPTV – Publicidade de Portugal e Televisão S.A. (sociedade integrada no Grupo Controlinveste), assume a posição contratual da Olivedesportos – Publicidade, Televisão e Media, S.A. e, por aquilo que percebi, irá pagar cerca de 20,5 milhões de euros pelos jogos do campeonato em cada uma das quatro épocas (de 2014/15 a 2017/18) abrangidas pelo prolongamento do contrato.

82,8 milhões de euros pelos 60 jogos do campeonato que o FC Porto irá disputar na qualidade de equipa visitada (15 jogos vezes 4 épocas) é muito ou pouco?

Depende de como for feita a análise.

i) comparando com o contrato anterior – é praticamente a duplicação do valor.

ii) valor por jogo – duvido que no mercado português haja algum outro player que oferecesse mais do que 1,38 milhões de euros por jogo (82,8 / 60).

iii) comparando com o que irão receber Sporting e slb – Esta é a grande questão, mas para a qual ainda não temos resposta. O slb diz que não vende por menos de 40 milhões de euros por época, mas vamos ver se alguém paga esse valor.

O contrato com a PPTV abrange a cedência, em regime de exclusividade, dos direitos de transmissão televisiva para território nacional e internacional. Contudo, no comunicado para a CMVM, é expressamente referido que a SAD poderá, sujeita a determinados termos e condições já acordadas, utilizar os direitos televisivos no âmbito do canal televisivo que venha a ser criado pelo Futebol Clube do Porto e/ou pela Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD. Ora, este aspecto parece-me muito importante, sendo revelador da forte aposta que o FC Porto pretende fazer no Porto Canal.

Com o país a atravessar uma crise profunda, que não se sabe muito bem quanto tempo irá durar, nem quais as consequências a médio prazo (desemprego? carga fiscal sobre as pessoas e empresas? poder de compra? endividamento das famílias?), parece-me boa política a renovação em alta destes contratos, ambos por valores significativos para a realidade portuguesa, os quais garantem receitas seguras para anos que se antevêem muito difíceis e, inclusivamente, permitem que a SAD os possa usar como garantias no acesso ao crédito bancário.

terça-feira, 12 de abril de 2011

“A Olivedesportos é o FMI do futebol”

Com uma dívida do Estado português superior a 170 mil milhões de euros, o país perto da bancarrota, o rating da República a descer para níveis inimagináveis e os juros dos empréstimos contraídos a subirem em flecha, há muitos meses que o FMI faz parte do dia-a-dia da conversa dos portugueses.
Aproveitando este triste contexto, e no dia seguinte à chegada dos técnicos do FMI a Portugal, recordo um extracto de uma longa entrevista de António Oliveira, publicada no Record de 27/12/2010, onde a Olivedesportos foi comparada ao FMI do futebol português.


R – O mundo do futebol reconhece méritos a Joaquim Oliveira e à Olivedesportos por aquilo que fizeram em prol do futebol. Concorda?

AO – A Olivedesportos foi a primeira empresa em Portugal criada por mim e pelo senhor Joaquim Oliveira que é meu irmão e que impulsionou e desenvolveu a área desportiva através da publicidade estática, direitos de imagem, multimédia e a televisão temática de desporto. Se Joaquim Oliveira tem mérito? Isso é uma infinita evidência. Tem muitíssimos, reconhecidos com justiça por personalidades de diversos quadrantes, nomeadamente pelo ex-Presidente da República, dr. Jorge Sampaio. Quando há anos a empresa era frequentemente atacada, defendi sempre, em diversas entrevistas, que Joaquim Oliveira, mais tarde ou mais cedo, iria ser celebrado com uma estátua pelo futebol português.

R – Há alguma ironia no que diz?

AO – Não, de todo. Quem pode atrever-se a não reconhecer a importância que ele teve e tem no futebol? Há que ser justo. O facto de não falar com ele há muitos anos não me retira o discernimento para avaliar aquilo que ele faz.

R – O que representa a Olivedesportos no futebol?

AO – É o FMI do futebol. É quem tem suportado a modalidade profissional sob o ponto de vista financeiro. Há muitos anos.

R – E há algum lado perverso nessa actuação?

AO – Não me parece. Agora, provavelmente haverá outras formas para sustentar o futebol. E essas terão de ser testadas para se apurar se são melhores ou piores. Não creio, todavia, que se possa dizer que uma empresa que patrocina todos os clubes em Portugal, com contratos de exclusividade com as equipas das duas ligas, estabelecendo o tecto para cada uma delas, sendo que é com o dinheiro desses direitos, televisivos e de publicidade, que os clubes chegam à Liga e apresentam as suas contas em dia, como é que alguém pode dizer que a influência da empresa é maléfica?

R – E acha que pode ser feito algo de diferente?

AO – Tudo no futebol português, pode ser melhor. Mas quando digo tudo é mesmo tudo! Nada há que com análise séria e competente não possa ser melhorado. Mas para isso é preciso que as pessoas queiram…

R – E não querem?

AO – Às vezes dá-me a sensação que as pessoas e os lóbis a que elas pertencem não estão interessadas em mudar coisa nenhuma.

R – E que lóbis são esses?

AO – Os dos poderes instituídos. Se falarmos do mundo das finanças, onde é que eles estão? Na banca.

R – E no futebol, um deles é a Olivedesportos?

AO – É sim senhor.

R – Que pode pôr e dispor no futebol português?

AO – Corrijo: que põe e dispõe.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Os lucros da Sport TV


«A Sport TV pagou o empréstimo de 33,3 milhões de euros que contraiu junto da sua accionista Zon Multimedia, refere o relatório e contas da operadora liderada por Rodrigo Costa. Além disso, a empresa que detém os direitos de transmissão televisiva dos jogos da Primeira Liga viu os seus lucros triplicarem no ano passado, para 20,3 milhões de euros.
Segundo o relatório e contas da Zon Multimedia, que controla a Sport TV em parceria com Joaquim Oliveira, a empresa fechou 2009 com um resultado líquido de 20,3 milhões de euros, uma subida de 232% face aos 6,1 milhões de euros registados no final do ano anterior. (…)
"O mercado tem crescido muito nos últimos anos. Além disso, a Sport TV subiu o preço das mensalidades dos seus cerca de 600 mil assinantes", afirmou ao Diário Económico um dos responsáveis contactados.»
in Diário Económico, 06/04/2010


Um assinante da Sport TV paga cerca de 300 euros por ano (25 euros por mês), o que significa que 600 mil assinantes proporcionam uma receita bruta anual de 180 milhões de euros, a que acresce a publicidade que a Sport TV tem nos seus canais. Perante isto, não surpreende que, em 2009, a Sport TV tenha mais do que triplicado os lucros e pago um empréstimo de 33,3 milhões de euros à Zon Multimedia.
Crise? Qual crise? Olha-se para estes números e a conclusão é óbvia: a forma como os direitos televisivos são negociados em Portugal e o valor global que é pago pelos mesmos, traduz-se num negócio da china para Joaquim Oliveira e para a ZON, enquanto que os clubes, principalmente os pequenos, continuam com a corda na garganta.

A realidade noutros países é muito diferente. Vale a pena olhar para o estudo feito pelo site Futebol Finance, acerca das receitas televisivas nos principais mercados do futebol europeu.

Premier League – As receitas TV dos clubes Ingleses 2009/10

1.Bundesliga – As receitas TV dos clubes Alemães 2009/10

Liga BBVA – As receitas TV dos clubes Espanhóis 2009/10

Ligue 1 – As receitas TV dos clubes Franceses 2009/10

Bem sei que estes países têm uma dimensão superior à de Portugal, mas a (des)proporção dos valores dos direitos televisivos é bastante maior que essa diferença. E o argumento de que esses países “exportam” o seu futebol para todo o Mundo não explica tudo, porque também a Sport Tv não se limita ao mercado português. Voltando à entrevista de Bessa Tavares ao JN (publicada em 15/09/2008 e já aqui referida):

[JN]: Qual o balanço que pode ser feito em relação à Sport TV África?

[Bessa Tavares]: Neste momento, estamos em toda a África subsariana, na ordem dos 56 países, da Nigéria até à África do Sul. O "feedback" que temos tido é bastante simpático.

[JN]: A estratégia de internacionalização fica-se por África?

[Bessa Tavares]: África era onde sentíamos uma necessidade maior de chegar. Internacionalização de produtos temos para mais de 110 países, da Rússia ao Canadá.


Enquanto os clubes, principalmente os três grandes, continuarem hipotecados (subjugados?) aos interesses de Joaquim Oliveira e os adeptos andarem convenientemente entretidos a discutir as arbitragens (é para isso que servem os programas semanais de desporto na televisão), o homem que em Saltillo andava a carregar painéis de publicidade, pode continuar descansado a fumar charutos e a jogar golfe com os seus amigos do futebol, da política e da banca.


P.S. «Os presidentes de Benfica e Sporting, Luís Filipe Vieira e José Eduardo Bettencourt, respectivamente, deram nas vistas ao chegarem juntos à palestra do gestor espanhol [Ferran Soriano, ex-vice-presidente do Barcelona], ladeados pelo presidente da Controlinveste, Joaquim Oliveira, e do líder do Marítimo, Carlos Pereira. Mais tarde chegariam o agente FIFA Jorge Mendes e também o presidente da Comissão de Arbitragem da Liga, Vítor Pereira. Sem qualquer representante máximo do FC Porto, Vieira e Bettencourt não se largaram, formando um muro intransponível.»
in abola.pt, 17/11/2010

Fotos: abola.pt, DN

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

O grande negócio das transmissões televisivas


A questão relacionada com as receitas decorrentes dos direitos de transmissão dos jogos de futebol em Portugal já foi abordada várias vezes no Reflexão Portista:





Em Julho de 2008 o FC Porto renovou o contrato para a venda dos direitos de transmissão televisiva dos seus jogos em casa, por um período de 5 anos, recebendo cerca de 10,5 milhões de euros por ano (contra os 8 mulhões/ano anteriores). Quanto aos 2 outros grandes clubes diz-se que o slb recebe algo mais e o Sporting deverá receber o mesmo que o FC Porto.

Há muitas vozes que defendem uma negociação colectiva entre os clubes da I Liga ou entre todos os clubes das Ligas profissionais (I e II Ligas), sendo o principal argumento o de fortalecer a posição negocial dos clubes e permitir uma distribuição mais equitativa das receitas. É o que acontece, por exemplo, na Premier League em Inglaterra. Parece-me que em Portugal tal modelo não será viável, pelo menos enquanto um dos principais clubes, o slb, for liderado pelo elenco de trogloditas actual que se acha capaz, per si, de manipular as suas e as receitas de todos os outros clubes da I Liga como, aliás, recentemente se viu no apelo dos seus órgãos sociais dirigido aos adeptos para o boicote aos jogos fora como forma de chantagem para melhor acomodar os seus interesses (quaisquer que sejam).

É pública a relação de confiança há longos anos entre o patrão da Olivedesportos (empresa que controla a 100% o negócio em Portugal) Joaquim Oliveira e o actual Presidente da Liga de Clubes Dr. Fernando Gomes. Logo à partida temos um conflito de interesses que não é casual - a candidatura de Fernando Gomes à presidência da Liga foi cuidadosamente preparada. A "campanha eleitoral" incluiu um périplo por todos os clubes das Ligas profissionais tendo o agora presidente prometido mais receitas provenientes dos direitos televisivos. Enquanto este desequilíbrio de forças se mantiver não será possível a nenhum dos clubes alavancar as suas receitas e colocá-las na justa medida da sua capacidade para as gerar.

No que toca ao FC Porto resta-nos negociar a sós os direitos televisivos sendo que isso não proporcionará melhorias significativas. Uma alternativa que lanço para reflexão seria o FC Porto reunir em torno de si os interesses de um conjunto mais alargado de clubes que tenham forte presença no campeonato nacional e nas suas receitas de bilheteira e formarem um grupo de elite para negociar as transmissões em conjunto. Por exemplo FC Porto, Braga, Guimarães, Paços de Ferreira, Académica e eventualmente um ou dois clubes insulares formariam um primeiro grupo de elite seguido de outro onde poderiam entrar outros clube da I ou II Ligas como Rio Ave, Beira-Mar, Gil Vicente e Leixões. Isto permitiria que a parceria garantisse à partida cerca de 30 jogos por época onde jogassem clubes grandes e outros tantos onde entrassem clubes "quasi-grandes".


As contas da Olivedesportos não são reveladas publicamente, provavelmente por a isso não estar obrigada a sociedade. Desconheço os montantes de Activo, Passivo e Capital Próprio presentes ou passados da Olivedesportos. No entanto não pude deixar de notar que no passado exercício, segundo a Revista Exame, a Olivedesportos foi 3ª classificada a nível nacional no que respeita à Rentabilidade dos Capitais Próprios. A empresa de Joaquim Oliveira obteve uma percentagem de 517,48% (este rácio mede a relação entre o Resultado Líquido e os Capitais Próprios), o que significa que o "lucro" do último ano foi 5 vezes superior aos Capitais investidos. Sem outro tipo de informação não é possível tirar grandes conclusões a partir destes dados mas pode, contudo, inferir-se que é um negócio altamente lucrativo para a Olivedesportos e para Joaquim Oliveira.

Os clubes têm de acordar para esta situação, mais cedo que tarde, ou no futuro irão ver a Olivedesportos a aumentar o seu poder e reforçar o desvio de valor dos clubes para si.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Os direitos televisivos cavam a diferença

Num artigo de opinião publicado no DN de 02/11/2010, Santiago Segurola, um dos principais jornalistas desportivos espanhóis, analisou a forma como os direitos televisivos cavam a diferença entre os clubes mais ricos/poderosos e os outros e, desse modo, distorcem as competições.

Vale a pena (re)ler, até porque, embora a escalas diferentes, a realidade portuguesa não é muito diferente da espanhola.

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A Liga espanhola está condenada a repetir-se. Cada temporada será a mesma que a anterior, com uma única diferença; o vencedor. Será o Barça - como nas últimas edições - ou o Real Madrid. É impossível pensarmos numa alternativa.

Os optimistas consideravam que este ano oferecia boas possibilidades ao Valência, Villarreal, Sevilha e Atlético de Madrid. Se não conseguissem ser campeões, pelo menos podiam ameaçar os dois colossos do futebol espanhol. A última jornada funcionou como um banho de realidade: os gigantes voltam a estar sós. Villarreal, Atlético de Madrid, e Valência empataram e o Sevilha até perdeu, humilhado em Camp Nou. Encaixou cinco golos.

O campeonato está submetido a um processo de destruição. O Real Madrid e o Barcelona recebem mais dinheiro de direitos televisivos que qualquer outro clube no mundo. Cada um cobra 120 milhões de euros pelo seu contrato com a empresa Mediapro. O terceiro clube no ranking é o Valência, com 44 milhões de euros. Segue-se o At. Madrid, com 42 milhões. Equipas como o Sevilha ou o Atlético de Bilbau - dois clubes de tradição em Espanha - recebem sensivelmente 20 milhões. E assim será até 2015. Cada temporada que passa agudiza mais as diferenças, que já são abissais. A competição está destruída, a maioria dos clubes encontra-se na bancarrota e os adeptos cada vez encontram menos motivos para sonharem com as suas equipas. O seu destino está traçado: a mediocridade.

A diferença também é escandalosa no que diz respeito às grandes potências do futebol europeu. A Juventus, o Inter de Milão e o AC Milan recebem, aproximadamente, 88 milhões de euros pelo contrato televisivo em Itália, que factura quase 50% mais que o mercado televisivo espanhol. Na Premier League, o sistema de distribuição concede 66 milhões de euros ao Manchester United. Na época passada, o clube que menos dinheiro recebeu foi o Middlesbrough; 40 milhões de euros, quase o mesmo valor que o Valência e o Atlético de Madrid tiveram direito.

Se, por outro lado, a Premier League e a Bundesliga se preocupam em manter uma fórmula equitativa que protege todos os clubes, a Liga espanhola distingue-se pelos enormes privilégios de dois clubes e a brutal diferença que os separa dos restantes. Resultado? Uma competição ferida de morte. Com o actual sistema, que seguramente se repetirá a partir de 2015 - último ano do actual contrato -, o futebol espanhol está condenado à destruição. A Liga espanhola não é uma competição real. É um lamentável simulacro.

Na época passada, o Barcelona obteve 99 dos 114 pontos que disputou. O Real Madrid conseguiu 96 e fez 102 golos. Perdeu a Liga porque foi derrotado nos dois jogos com o Barcelona. No fim de contas, a Liga resume-se ao duelo - primeiro em Camp Nou e depois no Bernabéu - entre as duas equipas. O restante tem, apenas, um valor ornamental. É comovente o esforço de equipas como o Hércules, recém-promovido à primeira divisão. Frente ao Real Madrid adiantou-se com um golo madrugador de Trezeguet. O sacrifício para manter a vantagem foi algo de dramático. O Real Madrid reagiu e marcou três golos na segunda parte. Ninguém pensou, por um momento que fosse, numa possível surpresa. É uma Liga sem nuances, empobrecida por um capitalismo selvagem que não atende os interesses do futebol em geral, apenas aos interesses muito particulares de dois clubes que não têm a mínima solidariedade.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

"o que eu queria..."

Luís Filipe Vieira (LFV) - Ó major, eu não quero nem me tenho chateado com isto, porque eu estou a fazer isto por outro lado. (...)
Valentim Loureiro (VL) - Talvez o Lucílio, pá!
LFV - Não, não quero Lucílio nenhum! (...)
VL - E o Proença?
LFV - O Proença também não quero! Ouça, é tudo para nos f...!
VL - E o João Ferreira?
LFV - O João... pode vir o João. Agora o que eu queria... Disseram que era o Paulo Paraty o árbitro... O Paulo Paraty!...


Este extracto de uma conversa telefónica entre Luís Filipe Vieira e Valentim Loureiro, ocorrida em Março de 2004, a propósito da escolha do árbitro para apitar o jogo SLB x Belenenses das meias-finais da Taça de Portugal de 2003/04, faz parte das escutas do Apito Dourado e é bem conhecido de todas as pessoas que estão atentas ao fenómeno desportivo. Estranhamente, não mereceu a mínima investigação por parte dos agentes da Justiça, nem que fosse para perceber o que o Vieira queria dizer quando afirmou que já estava a tratar do assunto por outro lado... Os alvos eram outros e, talvez por isso, o presidente do clube do regime nunca esteve sob escuta. Mas mesmo sem investigações, o que fica claro é a preferência do presidente do SLB por árbitros como João Ferreira e Paulo Paraty. Como eu o compreendo...

Ao fim de vinte e sete épocas, o engenheiro Paraty terminou a sua carreira na arbitragem no final da época 2007/08 (para grande tristeza dos benfiquistas), devido ao limite de idade. Pouco tempo depois, demonstrou vontade em suceder a António Sérgio à frente da direcção da APAF, mas acabou por não ir a votos, deixando o caminho livre para o regresso de Luís Guilherme.


Entretanto, foi aparecendo esporadicamente na televisão, normalmente a convite do benfiquista mais famoso de Paredes, para comentar situações de arbitragem e também manteve uma colaboração com o jornal Record, numa rubrica designada Consultório Técnico.

Esta semana, o jornal O JOGO (detido pela Controlinveste) apresentou o seu novo painel de ex-árbitros que, semana após semana, comenta os casos de arbitragem dos principais jogos. O painel foi reformulado, tendo saído Rosa Santos e António Rola e entrado Pedro Henriques e... Paulo Paraty. Mais um sinal do bom relacionamento entre Joaquim Oliveira e Luís Filipe Vieira?

Como seria de esperar, logo na sua primeira intervenção Paulo Paraty mostrou ao que vinha, senão vejamos:

15': Cardozo agride Sapunaru com uma cotovelada na área do FC Porto? Justificava-se sanção disciplinar?

Cardozo atinge, com o cotovelo, Sapunaru. Difícil para o árbitro é ter acesso ao lance com a clarividência da repetição da televisão e perceber a intenção do atleta, que procura a posição. Aceito a decisão.

41': César Peixoto comete falta sobre Varela merecedora de cartão vermelho?

Parece-me que há falta grosseira de César Peixoto. Creio que, para além da primeira falta, depois ainda calcou o Varela, e não houve qualquer sanção disciplinar. Mesmo o cartão amarelo, dado o que aconteceu, seria insuficiente.

53': Aimar deveria ter visto o segundo cartão amarelo por jogo perigoso sobre Belluschi?

O árbitro fez e bem a gestão do jogo. Aimar tinha acabado de ver um cartão amarelo. Por isso aceito a decisão do árbitro; teve e tinha de aguardar algumas faltas.

57': Falta de David Luiz sobre Sapunaru justificava a exibição do cartão vermelho e não do amarelo?

Está nos limites. De facto, é mais uma falta de David Luiz, uma situação extrema. Se fosse a primeira vez, era aceitável o cartão amarelo, mas talvez se justificasse o cartão vermelho.

78': Entrada de Carlos Martins sobre Belluschi foi faltosa e merecedora de sanção disciplinar?

Entendo que seria motivo para marcar falta; terá escapado ao árbitro. Quanto à gravidade, não me parece um lance maldoso. Deveria ter sido marcada apenas a falta.

Apreciação global: Árbitro demonstrou domínio, controlo e capacidade de liderança suficiente para que o jogo chegasse ao fim com equipas completas. Para quem gosta de arbitragens à inglesa, João Ferreira esteve bem.


Os destaques a negrito são da minha responsabilidade e dispensam mais comentários.

O Paulo Paraty tem mais jeito e dá menos nas vistas que o António Rola, mas não deixa de ser interessante apreciar a sua "ginástica" argumentativa ("parece", "creio", "era difícil para o árbitro", "talvez se justificasse", etc.) para tentar justificar o injustificável.

Fotos do jogo: Blogue 'Mais Portista'

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Solidariedade Sportinveste


«O FC Porto transmitiu pela primeira vez um jogo de futebol da equipa principal no seu sítio na Internet. A experiência foi um sucesso e já eram mais de 50 mil os acessos quando o jogo começou. Ao intervalo o número subiu para mais de 110 mil. Devido a tanto tráfego registaram-se alguns problemas, sobretudo para quem se registou mais tarde.»
in ojogo.pt


A Sportinveste Multimédia foi criada em 2001 e é uma empresa resultante de uma parceria entre os Grupos Portugal Telecom e Sportinveste.
De acordo com o que consta do seu site, a Sportinveste Multimédia é titular, em regime de exclusividade, do direito de exploração, a nível nacional e internacional, dos Direitos New Media associados a todos os jogos disputados na Liga Portuguesa de Futebol e compete-lhe licenciar e disponibilizar conteúdos para Portais Internet, telemóveis de 2ª e 3ª geração, streaming vídeo, etc.

Para além de gerir (desde 2002) os sites oficiais do FC Porto, Benfica e Sporting, a Sportinveste Multimédia gere também o portal Sapo Desporto e o site Web do jornal O Jogo. Deste modo, não me surpreende que O JOGO classifique a experiência de transmissão da apresentação de ontem como um “sucesso”.
Um “sucesso”?!!! Se os jornalistas de O JOGO tivessem dado uma vista de olhos por alguns blogues e fóruns de adeptos portistas, teriam tido oportunidade de ler coisas como:

“uma emissão sem som em 2010 é gozar com os adeptos”

“na minha perspectiva não é só o problema do som, é da qualidade da transmissão, que é péssima”

“a transmitir assim, mais valia não darem nada”

“não consigo ver no site, uma tristeza...”

“já nem consigo ver nada, foi abaixo”

“Algum stream? No site não dá nada para já”

“pena que um clube com a grandeza do nosso FC Porto se esteja marimbando para os portistas de fora do país”

“isto tem contornos cada vez mais ridículos, até dá para ver o cursor do rato a andar de um lado para o outro”

“o nosso site é simplesmente VERGONHOSO!”

“há limites, isto é muito mau”

“acho triste esta pálida imagem de falta de exigência, neste tipo de transmissão online”

“Consegui acessar o site oficial. Abro o vídeo e... "De momento o directo não está disponível. Tente mais tarde"”


“espero que a partir de hoje haja uma mudança radical na política de comunicação do Clube”

“só espero que hoje seja a gota de água e o Porto rescinda com a sportinveste com justa causa”


Que grande sucesso! Há dúvidas?...

terça-feira, 16 de março de 2010

O diktat do Politburo encarnado


De acordo com uma notícia do Diário Económico, Luís Filipe Vieira enviou, nos primeiros dias de Janeiro, uma carta ameaçadora a Joaquim Oliveira, porque não terá ficado satisfeito com o número de repetições, o ângulo das câmaras, as opções dos realizadores e os comentários feitos no decorrer de diversas partidas transmitidas pela SportTv. Por isso, nessa carta, Vieira avisa o presidente do conselho de administração da Sportinvest, que a atitude do canal desportivo será tida em conta quando chegar o momento de renegociar os contratos dos direitos televisivos (o contrato actual com os encarnados termina na temporada de 2012/13).

Li esta notícia e nem queria acreditar. Desde quando é que o SLB tem a mínima razão de queixa da comunicação social?

Uma coisa é certa, comparativamente com este ex-negociante de pneus, os governantes do PSD e do PS que, nos últimos 30 anos, tentaram condicionar e controlar a comunicação social, não passam de meros aprendizes.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

O valor do futebol na TV


Em Julho do ano passado, o João Saraiva e o José Rodrigues já abordaram este assunto em dois artigos:
A evolução do direitos de TV (07/07/2008)
Joaquim Oliveira, o "amigo" dos clubes (08/07/2008)

Contudo, a discussão à volta do valor das transmissões televisivas dos jogos de futebol continua ser um tema actual (actualíssimo!) e, por isso, transcrevo de seguida partes de dois artigos do DN de 28 de Agosto.


«Actualmente, a Olivedesportos, detentora dos direitos televisivos das duas Ligas profissionais, investe por época cerca de 45 milhões de euros no escalão principal, canalizando as maiores fatias para os três grandes, com Benfica, FC Porto e Sporting a garantirem praticamente a mesma verba, cerca de 8,5 milhões de euros.

As equipas apontadas como candidatas a lugares europeus garantem receitas na ordem dos três milhões de euros, como sucede com o Vitória de Guimarães, enquanto o Sporting de Braga encaixa um pouco menos, cerca de 2,5 milhões.

Os emblemas que partem para a Liga com o principal objectivo da manutenção recebem cerca de 1,5 milhões, como Académica ou Leixões.

O presidente da SAD do clube de Matosinhos, Carlos Oliveira, é precisamente dos que defende um outro modelo de negociação dos direitos televisivos, de forma a reforçar o poder negocial dos clubes mais pequenos.
"Há uma disparidade enorme entre aquilo que é pago aos três grandes e aos outros clubes. Um modelo como se pratica em Inglaterra [acordo colectivo] seria muito mais interessante", defende, apontando para uma solução que, nas suas palavras, até poderia melhorar a qualidade da primeira Liga portuguesa.
Carlos Oliveira acredita que se os clubes acumularem "boa parte do orçamento através das receitas televisivas" o fosso entre as equipas "diminuirá", tornando a liga portuguesa "mais espectacular e competitiva".

Um artigo recente publicado pelo Futebol Finance, site especializado na área económica da modalidade, estimava que um acordo colectivo poderia render anualmente à liga principal até 150 milhões de euros, o triplo dos números actuais.
Mesmo assim, há clubes que parecem mais inclinados em estudar individualmente propostas, como o Benfica, que acredita poder passar a arrecadar uma verba na ordem dos 40 milhões de euros por época assim que expirar o acordo com a Olivedesportos, como estimava ao diário Público, em finais de 2008, o administrador Domingos Soares Oliveira.

Comparando os valores a Ligas com semelhanças à portuguesa e que também firmaram acordos colectivos, os números equivalem-se aos praticados em Portugal, como sucede na Bélgica (46 milhões de euros por época) ou Dinamarca (47).

Na Grécia, a Liga recebia um pouco mais, cerca de 55 milhões de euros, mas um novo acordo assinado entre com a Skai TV e NOVA renderá anualmente perto de 70 milhões de euros de receitas televisivas (mais 25 milhões que o contrato anterior) a partir desta temporada.
De fora ficaram Olympiacos e Xanthi, que preferiram manter os vínculos à estação pública NET.

Na Escócia, o contrato com a Setanta, empresa que entretanto faliu, foi substituído por um acordo muito menos rentável com a ESPN e Sky.
O contrato anterior previa 145 milhões de euros por cinco temporadas, montante que a Setanta não conseguiu cumprir. Face às dificuldades financeiras desta empresa, a Liga escocesa virou-se para os dois canais televisivos, que pagarão metade (75 milhões) pelo mesmo número de temporadas.
Face à desvalorização abrupta desta parte das receitas, os dois maiores clubes escoceses, Celtic e Rangers, ponderam criar um canal de futebol, um projecto que já terá propostas de financiamento na ordem dos 145 milhões de euros por temporada.
A ideia seria distribuir cerca de 30 milhões pelos outros 10 clubes da Liga escocesa e reter a restante quantia para os dois maiores.

Nas contas entre as potências europeias, os números sobem radicalmente. Os valores totais pagos em Portugal, Bélgica ou Dinamarca não chegam, por exemplo, para cobrir as receitas anuais do Bayern de Munique.

O clube bávaro é, segundo um estudo recente da Deloitte, um dos "gigantes" europeus que menos recebe pelas transmissões televisivas. Mesmo assim, garante quase 50 milhões de euros por ano, mais do que a Olivedesportos investe por época na Liga portuguesa.
No actual acordo com a Sirius, detentora dos direitos da Bundesliga, o Bayer de Munique tem direito a 10 por cento do total investido, na ordem dos 500 milhões de euros, montante muito aquém do dinheiro que circula na Liga inglesa, quase 1400 milhões de euros por temporada.

Até a Liga francesa, talvez o menos atractivo campeonato dos cinco maiores da Europa, conseguiu um acordo de valores superiores à prova da maior economia europeia. A Ligue 1 arrecada por temporada quase 700 milhões de euros, com as maiores fatias a serem canalizadas para Lyon (75) e Marselha (70).

O mesmo estudo da Deloitte mostra que há nove clubes da Europa cujas receitas exclusivas de televisão rondam a faixa "mítica" dos 100 milhões de euros, todos das três principais potências futebolísticas do "velho continente".
Dois clubes espanhóis, Real Madrid (136 milhões) e FC Barcelona (117), quatro italianos, AC Milan (123), Inter de Milão (108), Juventus (107) e As Roma (106), e três ingleses, Manchester United (116), Chelsea (98) e Liverpool (95), lideram a tabela, com receitas que "esmagam" as obtidas pelos três grandes portugueses.»
in Diário de Notícias, 28/08/2009


Referências:
Contratos de Direitos Televisivos
Audiência e Share dos jogos da Liga Sagres 2008/09
Direitos televisivos impõem horários na Bundesliga

terça-feira, 8 de julho de 2008

Joaquim Oliveira, o "amigo" dos clubes

O FCP acaba de celebrar uma extensão de contrato por 5 anos com a Olivedesportos, passando a receber 10,4 milhões €/ano contra 8 milhões €/ano anteriormente. Isto traduz-se num aumento de 28%, o que à primeira vista é muito bom.


Ao mesmo tempo estes valores são ligeiramente superiores ao que os rivais da 2a circular usufruem neste momento, o que só confirma o bom negócio.

No entanto, isto traduz-se também num aumento de 5%/ano, pouco acima da inflação. Mas mais do que isso, verifico que, comparativamente falando, as receitas são baixas no panorama europeu.

Os 10 clubes mais ricos da Europa (que em média têm menos adeptos que o FCP) receberam em 06/07 em média 70 milhões €/ano, ou seja 7 vezes mais do que o FCP vai passar a receber até 2015. E a tendência é para um forte aumento nos próximos anos.

Se é verdade que esses clubes são na maioria oriundos de mercados bastante mais vastos que o português, isto é só a ponta do icebergue; olhemos para as receitas totais dos clubes da I Liga dos maiores países da Europa.

Em Inglaterra os clubes recebem no total cerca de 1100 milhões €/ano pelos direitos de transmissão de jogos do campeonato, vendidos em 3 pacotes: 290 milhões pelos direitos para o estrangeiro, 190 pelos direitos para a Internet e telemóveis, e o restante (cerca de 600 milhões) pelos direitos para as Ilhas Britânicas. E em 2010 estes valores serão mais uma vez renegociados (quase certamente para cima).

Em Portugal, os clubes recebem no total cerca de 40 milhões €/ano. Ou seja, 27 vezes menos.

As receitas no resto da Europa são mais baixas mas não deixam de se traduzir em diferenças que o tamanho do mercado não justifica. Na própria Grécia (mercado semelhante ao português) as receitas são bastante mais altas, apesar do custo para o consumidor (i.e. a subscrição dos canais televisivos) até ser mais baixo do que o custo de subscrição da Sport TV.

E ao contrário da Grécia, nós até temos um mercado razoavelmente apetecível no estrangeiro, começando pelos países de expressão portuguesa mas não só (ainda recentemente me surpreendi ao ver a transmissão integral de um Guimarães - Leixões no lobby do aeroporto de Abu Dhabi).

Olhando ainda para isto noutra perspectiva, é fácil de concluir que a margem de lucro de Joaquim Oliveira neste negócio é obscenamente de várias dezenas de pontos percentuais, além de que têm crescido bastante mais rapidamente do que o que pagam aos clubes (número de subscritores, vendas ao estrangeiro, internet).

Enquanto a Olivedesportos paga uns 40 milhões /ano aos clubes pela transmissão dos jogos do campeonato - de longe a principal razão para a adesão de subscritores - só em subscrições a Sport TV deverá encaixar mais de 80 milhões / ano.

Que pasa?

Parece-me que há uma certa tendência do mercado para um monopólio natural, mas isso também se passa em muitos outros mercados no estrangeiro onde os clubes recebem uma fatia bem maior do "bolo" (Escócia, Grécia, Bélgica, Holanda), logo não explica tudo.

Além de que existem alternativas: se um FCP se quisesse dar ao trabalho podia entrar em acordo com um canal existente (por ex Porto Canal) para a transmissão dos jogos em pay-per-view por cabo e por Internet, o que poderia facilmente ultrapassar os 10 milhões €/ano em lucro (a um preço/jogo de 3 € e com uns 300mil subscritores teríamos quase 15 milhões €/ano de receitas, excluindo os custos de operação - relativamente baixos para um canal existente - mas excluindo também a revenda para o estrangeiro).


Penso que um factor determinante (para o FCP mas também para os restantes clubes da I Liga) é as relações demasiado próximas e históricas com Joaquim Oliveira, que entre outras coisas é accionista de referência de diversas SADs, começando pela SAD do FCP. Este factor é muito específico a Portugal e penso que explica em boa parte porque razão Joaquim Oliveira consegue fazer lucros tão obscenos com os direitos televisivos.

Concluindo, penso que o tamanho do mercado limita o potencial de receitas (nunca chegaremos perto de um grande clube inglês ou espanhol, longe disso), mas penso que querendo a SAD do FCP (e dos outros grandes) facilmente conseguiria chegar a receitas de 15 milhões €/ano. E isto sem precisar de se sujeitar a todos os caprichos da Sport TV, começando pelos jogos a horas e dias impróprios.

Só que para tal possivelmente teriam que se chatear com Joaquim de Oliveira, e muitos não querem e/ou não podem sujeitar-se a isso... entretanto vamo-nos contentando com um aumento razoável pouco superior à inflação, o que afinal de contas até já nem é mau de todo.