Mostrar mensagens com a etiqueta Universo Porto. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Universo Porto. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 9 de maio de 2017

Todos contentes

Não se enganem. Ninguém na SAD acreditava em Agosto no título. Ninguém na SAD acreditava em Janeiro no título. Ninguém na SAD acreditava em Abril no título. E por isso, toda a gente na SAD está contente em Maio. O FC Porto já assegurou quase matematicamente o segundo lugar - o que garante entrada directa na Champions, 12 milhões e uns trocos fixos em receitas - e viu o Benfica ser campeão de novo com um novo hashtag (passamos do #Colinho para o #LigaSalazar) que permite continuar a atirar areia aos olhos dos adeptos. Todo em paz, tudo satisfeito.

Faltam semanas para acabar uma época que já não vai dar nada de si. O Porto tem o segundo lugar a noventa minutos e um tropeção do Sporting de distância e o primeiro a uma quimera e vinte mil hashtags de diferença. Não se joga nada, não se joga a nada - algo que é o que tem sucedido desde há meses - e o soporifero debate sobre se há mudança de treinador, quem vai sair para tapar o buraco das contas só será superado pela moda da Liga Salazar. Tudo discussões que tapam o grave e realmente importante, tudo uma agenda que serve os mesmos interesses de sempre, os que nunca são julgados pelos fracassos e que sempre aparecem na fotografia dos êxitos.

O FC Porto vai para o quarto ano sem troféus. Quatro.
Um
Dois
Três
QUATRO.

Nesse período de tempo ainda ninguém com poder para isso explicou porque se passou do modelo Paulo Fonseca e vamos investir nos jogadores do mercado local ao modelo NES e vamos investir na formação sem vender as pérolas passando pelo modelo Lopetegui e vamos ter gajos emprestados espanhóis que isso é que está a dar...todos os modelos sem êxitos, todos os modelos diametralmente opostos do que seria ter UMA ideia de gestão desportiva.
Um treinador pode ser mais ou menos competente a nível táctico e de gestão de recursos. Um jogador pode ser mais ou menos talentoso, trabalhador ou profissional. Mas de um director, de um presidente, espera-se que tenham uma visão alargada - sobretudo quando são já 35 anos no cargo - e uma ideia de gestão clara. Desde a saída de um treinador bicampeão que colocou o ponto final a um tricampeonato histórico e do desenvestimento do clube - basta ver a qualidade do plantel de 2011 e o de qualquer ano pos 2014 - para entender que o grande problema nunca foram os nomes, dentro e fora de campo, nem sequer a existência do Polvo - real, inequivoca e cada vez maior - e sim a absoluta ausência de uma ideia de gestão desportiva que mantenha o Porto na luta. Depois de uma década em piloto automático, durante a qual não houve sequer concorrência significativa, e de um ano que provocou um importante abanão que teve uma óptima reacção - o marasmo apoderou-se dos escritórios do Dragão e ainda lá continua...um, dois, três...quatro anos depois.



Nenhum clube pode ganhar sempre. Nenhum clube pode ambicionar ganhar sempre e sentir que falha se não ganha de vez em quando. Mas nenhum clube que tenha um orçamento como o nosso se pode permitir não querer ganhar sempre e ter um plano para isso. NES é como Peseiro, Lopetegui e Fonseca o espelho da falta de ideias da direcção da mesma forma que muitos dos jogadores que têm passado reflectem a falta de critério desportivo que existe no clube. O Benfica foi campeão neste ciclo sempre com inequivocas ajudas externas que são cada vez maiores e transparentes - e são transparentes porque já nem sequer há medo de que alguém as denuncie a sério porque o silêncio impera no Dragão salvo alguns hashtags de moda - mas isso não justifica que em cada um desses anos o Porto tenha cometido erros impróprios da máquina que foi e pode voltar a ser. E no entanto a sensação colectiva é que esta seca, este mini deserto, incomoda menos do que deveria. Não gera acção nem sequer reacção. Os destinos do mercado estão entregues a amigos tal como a colocação de treinadores. O jogo da cadeira do poder alimenta facções e o poder crescente de uma determinada facção dos SD dentro da própria estrutura ajuda a explicar a ausência de contestação vivida noutras etapas muito menos graves do que esta. O trabalho mediático também deixa muito a desejar e embora o Universo Porto seja um oásis no deserto e o trabalho de Francisco J. Marques altamente elogiável, o certo é que justificar campeonatos perdidos APENAS com hashtags não ajuda em nada o clube.
Sim, o Benfica tem sido escandalosamente beneficiado. Sim, o Polvo existe e não vai desaparecer tão cedo. Sim, nos últimos vinte anos em democracia o Polvo fez-se maior do que foi durante o regime salazarista. Sim, os jogadores do Benfica - e treinadores - vivem na impunidade. Tudo isso é certo mas o Porto já ganhou ao Polvo quando soube entender que tinha de trabalhar o dobro, falhar a metade das vezes e procurar ser uma voz que ninguém calava nos momentos mais dificeis. Isso, os hashtags de Colinho e Liga Salazar, não são a forma de reagir se não forem acompanhados de outro tipo de acções - desportivas, de gestão, de presença nas intituições de forma activa - e tudo isso não existe e só poderá existir quando algumas cadeiras se derem conta de que estão a actuar como os caducos dirigentes soviéticos dos anos oitenta, a ver o tempo passar e a pensar em glórias passadas.

De nada vale o esforço dos Francisco J. Marques e afins, de nada vale que bloguers - esses demónios segundo alguns dirigentes do clube - ou adeptos de rua a apontar o dedo ao que está mal se os únicos com o poder de emendar a mão não o façam e decidam, por oposição, a mostrar contentamento com segundos lugares, apuramentos europeus e pouco mais.  A Pinto da Costa honra-lhe apoiar os homens que escolhe para dirigir o clube em momentos dificeis mas mais lhe honraria apoiar os adeptos e sócios que há trinta e cinco anos o apoiam e decidir se tem capacidade de desenhar do zero - porque será do zero face ao panorama actual - um novo plano estratégico de êxito em multiplas dimensões ou se está apenas preocupado em não cair de uma cadeira à vista de todos enquanto aqueles que o rodeiam lhe continuam a dizer que tudo está bem e a culpa da derrota é apenas e só dos polvos e nada mais...



PS: Já agora, a modo de remate, estaremos seguramente todos curiosos para saber se há prémios de participação a distribuir pela SAD pelo segundo lugar como já sucedeu pelo objectivo cumprido de disputar a Champions. Quatro anos sem títulos e com um investimento brutal e as contas nas lonas seria mais uma cuspidela na cara dos sócios e adeptos do FC Porto. Mas nada que nos estranhe vindo de quem vem realmente.

quinta-feira, 23 de março de 2017

“Sei como é que isto se faz”

No programa ‘Universo Porto da Bancada’ da passada terça-feira, foi dado destaque a declarações de um comentador benfiquista, proferidas na véspera, no programa ‘Prolongamento’ da tvi24, acerca da transmissão televisiva do Paços Ferreira x Benfica (feita pela SportTV).

Pedro Guerra, imagens do programa 'Prolongamento' (tvi24) do dia 20-03-2017

[Pedro Guerra]: O que eu desafio, não sei quem é que foi o responsável pela realização, é que mostre as imagens do minuto 52:09 [do jogo Paços Ferreira x Benfica]

[Sousa Martins]: Às vezes podem não estar disponíveis…

[Pedro Guerra]: Mas porquê? É que não estão sistematicamente. Ó Sousa Martins, sabe, eu também percebo disto. Eu trabalho nisto e sei como é que isto se faz, sei como é que se escondem lances.


Para quem não sabe, Pedro Guerra foi a pessoa que, quando era jornalista no semanário O Independente, tornou público o crime de roubo pelo qual Luís Filipe Vieira foi condenado a 20 meses de prisão.

Entretanto o mundo deu muitas voltas e, após ter feito as pazes com o cadastrado que preside ao SLB, atualmente Pedro Guerra é assalariado de uma das empresas do grupo SLB e um dos principais “pontas-de-lança” dos encarnados de Lisboa na comunicação social.

Pedro Guerra, entrevista ao jornal i (07-11-2015)

Ora, se em qualquer circunstância seria grave alguém dizer que sabe como é que se escondem lances e, desse modo, se manipulam as transmissões televisivas, mais grave se torna quando essa afirmação é feita pelo diretor de conteúdos da Benfica TV (rebatizada BTV), canal que transmite os jogos em casa do SLB.

Há muitos anos que, no ‘Reflexão Portista’, escrevo sobre este assunto, o qual me parece ser da maior importância.







O futebol é, cada vez mais, um jogo televisivo (com inúmeros "foras de jogo milimétricos" e "penalties de televisão"), em que aquilo que não aparece nas imagens transmitidas pelos operadores televisivos é como se não existisse.

Testes do vídeo-árbitro na "Cidade do Futebol", Novembro de 2016 (fonte: FPF)

Ora, se ao serviço de uma televisão supostamente independente e neutra (como a SportTV), um realizador já tem o poder de destacar uns lances e ignorar outros, é óbvio qual é a tendência quando está a trabalhar para a televisão de um clube.

Aliás, não é por acaso que, nas dezenas de jogos em casa que já foram transmitidos pela Benfica TV (BTV), é muito difícil chegar-se ao final de um jogo com a ideia de que o SLB foi beneficiado por erros de arbitragem. É que, quem controla as imagens, controla a “verdade” oficial…

Por isso, estas revelações de Pedro Guerra são muito importantes (mais do que uma confissão, eu quase diria que servem de elemento de prova) e deveriam ser utilizadas pelo FC Porto para, junto da Liga/FPF, UEFA, ERC, Governo, contestar os regulamentos que permitem que o canal de um clube transmita os próprios jogos.

Pedro Guerra na BTV

A guerra ao “polvo” encarnado será longa e envolve muitas batalhas. Uma das batalhas que é necessário travar é a das transmissões televisivas dos jogos da I Liga, as quais têm de obedecer a regras muito apertadas porque, como confessou publicamente o diretor de conteúdos da BTV, “sei como é que isto se faz, sei como é que se escondem lances”.