Ponto prévio: Considero André Villas-Boas um grande treinador, não esqueço a fantástica época em que comandou a equipa técnica do FC Porto e faço parte dos portistas que aplaudiram a entrega do Dragão de Ouro de Treinador do ano em 25 de Outubro de 2011.
Contudo, sei que a maior parte dos adeptos portugueses não partilham deste sentimento. E as razões são várias.
Os sportinguistas não perdoam a forma como, após ter sido anunciado em Alvalade (pela comunicação social), André recuou e preferiu esperar que lhe fossem abertas as portas do seu clube de sempre.
Os benfiquistas não se esquecem das humilhantes derrotas (e foram três!) que, em poucos meses, o FC Porto de André Villas-Boas lhes impôs na época 2010/11.
E há muitos portistas (talvez a maioria) que não aceitaram a forma como o André trocou a sua "cadeira de sonho" pelos milhões de Roman Arkadyevich Abramovich.
Este misto de azia e ressentimento de grande parte do Portugal futebolístico, faz com que as derrotas das equipas treinadas por AVB sejam destacadas como derrotas pessoais, quase da mesma forma como são efusivamente festejadas as vitórias de um outro treinador português, um tal de special one, que também teve um enorme sucesso na cidade Invicta, mas que em devido tempo soube romper os laços afectivos com o FC Porto.
Vem isto a propósito da forma como vi comentada, em jornais portugueses, e não só, a derrota pesada que o Tottenham averbou ontem na deslocação ao Emirates Stadium. É verdade que os Spurs perderam por 5-2 com o seu grande rival de Londres, mas só quem não viu o jogo, ou por má fé, pode culpar o ex-treinador do FC Porto.
Eu vi um Tottenham que entrou no jogo de uma forma personalizada, a controlar completamente os Gunners e que antes de completar os primeiros 10 minutos já tinha marcado um golo por Gallas, que foi anulado e bem (o defesa francês estava em fora-de-jogo). Uns minutos depois do golo anulado marcou outro golo, por Adebayor, e pode dizer-se que era inteiramente justa a vantagem no marcador. E mais uns minutos após estar a ganhar por 1-0, os Spurs podiam perfeitamente ter chegado ao 2-0, num remate cruzado de Lennon que passou a rasar o poste e com o guarda-redes do Arsenal completamente batido.
Até o Adebayor se ter feito expulsar, aos 18 minutos, só dava Tottenham e as estatísticas do jogo eram claras: quatro tentativas de golo para o Tottenham e 0 (zero!) para a equipa da casa.
Eu vi um Tottenham que entrou no jogo de uma forma personalizada, a controlar completamente os Gunners e que antes de completar os primeiros 10 minutos já tinha marcado um golo por Gallas, que foi anulado e bem (o defesa francês estava em fora-de-jogo). Uns minutos depois do golo anulado marcou outro golo, por Adebayor, e pode dizer-se que era inteiramente justa a vantagem no marcador. E mais uns minutos após estar a ganhar por 1-0, os Spurs podiam perfeitamente ter chegado ao 2-0, num remate cruzado de Lennon que passou a rasar o poste e com o guarda-redes do Arsenal completamente batido.
Até o Adebayor se ter feito expulsar, aos 18 minutos, só dava Tottenham e as estatísticas do jogo eram claras: quatro tentativas de golo para o Tottenham e 0 (zero!) para a equipa da casa.
"O Tottenham começou bem, estávamos um pouco nervosos e eles marcaram cedo (...) mas depois houve o ponto de viragem com a expulsão de Adebayor. Mudou o jogo"
Arsène Wenger, treinador do Arsenal
Arsène Wenger, treinador do Arsenal
AVB não tem a frieza, nem sabe gerir a sua carreira de treinador da forma inteligente e quase cientifica como José Mourinho tem sabido gerir a sua e, nesta segunda experiência na Premier League, não me parece que tenha criado as condições necessárias para ter sucesso no Tottenham (olhando para a concorrência e para o plantel que tem à sua disposição, melhor que o 4º ou 5º lugar será quase impossível).
Mas, para mim, continua a ser o "cenourinha", continua a ser o portuense da Foz, sócio do FC Porto desde criança, continua a ser dos nossos e, por isso (e por aquilo que já referi atrás), desejo-lhe o maior sucesso nas equipas que tem treinado no pós-FC Porto (excepto, obviamente, em jogos contra o FC Porto).



