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domingo, 18 de novembro de 2012

Em defesa de André Villas-Boas

Ponto prévio: Considero André Villas-Boas um grande treinador, não esqueço a fantástica época em que comandou a equipa técnica do FC Porto e faço parte dos portistas que aplaudiram a entrega do Dragão de Ouro de Treinador do ano em 25 de Outubro de 2011.

Contudo, sei que a maior parte dos adeptos portugueses não partilham deste sentimento. E as razões são várias.
Os sportinguistas não perdoam a forma como, após ter sido anunciado em Alvalade (pela comunicação social), André recuou e preferiu esperar que lhe fossem abertas as portas do seu clube de sempre.
Os benfiquistas não se esquecem das humilhantes derrotas (e foram três!) que, em poucos meses, o FC Porto de André Villas-Boas lhes impôs na época 2010/11.
E há muitos portistas (talvez a maioria) que não aceitaram a forma como o André trocou a sua "cadeira de sonho" pelos milhões de Roman Arkadyevich Abramovich.

Este misto de azia e ressentimento de grande parte do Portugal futebolístico, faz com que as derrotas das equipas treinadas por AVB sejam destacadas como derrotas pessoais, quase da mesma forma como são efusivamente festejadas as vitórias de um outro treinador português, um tal de special one, que também teve um enorme sucesso na cidade Invicta, mas que em devido tempo soube romper os laços afectivos com o FC Porto.

Vem isto a propósito da forma como vi comentada, em jornais portugueses, e não só, a derrota pesada que o Tottenham averbou ontem na deslocação ao Emirates Stadium. É verdade que os Spurs perderam por 5-2 com o seu grande rival de Londres, mas só quem não viu o jogo, ou por má fé, pode culpar o ex-treinador do FC Porto.
Eu vi um Tottenham que entrou no jogo de uma forma personalizada, a controlar completamente os Gunners e que antes de completar os primeiros 10 minutos já tinha marcado um golo por Gallas, que foi anulado e bem (o defesa francês estava em fora-de-jogo). Uns minutos depois do golo anulado marcou outro golo, por Adebayor, e pode dizer-se que era inteiramente justa a vantagem no marcador. E mais uns minutos após estar a ganhar por 1-0, os Spurs podiam perfeitamente ter chegado ao 2-0, num remate cruzado de Lennon que passou a rasar o poste e com o guarda-redes do Arsenal completamente batido.
Até o Adebayor se ter feito expulsar, aos 18 minutos, só dava Tottenham e as estatísticas do jogo eram claras: quatro tentativas de golo para o Tottenham e 0 (zero!) para a equipa da casa.

"O Tottenham começou bem, estávamos um pouco nervosos e eles marcaram cedo (...) mas depois houve o ponto de viragem com a expulsão de Adebayor. Mudou o jogo"
Arsène Wenger, treinador do Arsenal


AVB não tem a frieza, nem sabe gerir a sua carreira de treinador da forma inteligente e quase cientifica como José Mourinho tem sabido gerir a sua e, nesta segunda experiência na Premier League, não me parece que tenha criado as condições necessárias para ter sucesso no Tottenham (olhando para a concorrência e para o plantel que tem à sua disposição, melhor que o 4º ou 5º lugar será quase impossível).
Mas, para mim, continua a ser o "cenourinha", continua a ser o portuense da Foz, sócio do FC Porto desde criança, continua a ser dos nossos e, por isso (e por aquilo que já referi atrás), desejo-lhe o maior sucesso nas equipas que tem treinado no pós-FC Porto (excepto, obviamente, em jogos contra o FC Porto).

domingo, 2 de setembro de 2012

A gorada transferência de João Moutinho (segundo The Sunday Times)

O Jogo - jornal insuspeito de animosidade anti-portista - disse que a transferência de João Moutinho para o Tottenham se gorou por 4 minutos. Terá havido necessidade de tratar de novo da papelada e, entretanto, a hora-limite passou.

Deixo aqui a versão, aliás semelhante, do Sunday Times, jornal inglês de grande reputação e qualidade, numa peça da autoria do seu jornalista Duncan Castles:

"O fracasso do Tottenham na sua tentativa de contratar João Moutinho no último dia do período de transferências foi causado primeiramente por uma divergência acerca das condições financeiras do médio internacional portugês e, seguidamente, pela decisão do Porto de subir o preço apenas uma hora antes do encerramento do período às 11 da noite de 6ª feira. A transferência parecia bem encaminhada quando o presidente do Tottenham Daniel Levy deu o seu acordo a um valor de transferência de quase £20 M mais £ 2,4 M em objectivos. Moutinho, cujo salário no Porto está próximo dos £1,6 M anuais líquidos, recusou seguidamente as condições que lhe eram oferecidas. O treinador do Tottenham André Villas-Boas persuadiu-o a aceitar uma oferta melhorada, eram 10 da noite. Contudo, o Porto nessa altura pediu mais 25% pela transferência. Levy aumentou o valor total da oferta para perto de £24 M. O Porto concordou com essas condições 10 minutos antes da hora-limite, mas os documentos contratuais submetidos à Premier League continham erros que não puderam ser rectificados a tempo de se concluir a transferência. Os Spurs deram-se por vencidos às 11.30."


Tradução da edição em papel de The Sunday Times, site apenas acessível a assinantes.

domingo, 29 de julho de 2012

Moutinho em alerta amarelo



"Ele [João Moutinho] foi um dos jogadores mais importantes do Euro2012. Fez um torneio fantástico e é um jogador importante para o Porto. Isso não significa que seja o único alvo, mas é alguém para quem olhamos com interesse"
André Villas-Boas, 11/07/2012


P.S. Recordo que o Atletico Madrid avançou para a compra do passe de Radamel Falcao (40 milhões de euros), após ter vendido Kun Agüero ao Manchester City por £35 milhões.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Segunda oportunidade


André Villas-Boas vai treinar o Tottenham na época que agora se inicia. A imprensa inglesa afirma que foi concedida ao treinador português uma oportunidade para reconstruir a sua carreira de treinador de futebol. O anterior treinador dos Spurs, Harry Redknapp, foi despedido de forma controversa há um mês apesar de ter levado a clube ao top4 da Premier League por duas vezes em três épocas.
O presidente do clube londrino, Daniel Levy, mostra-se confiante quanto à capacidade e ao talento de André Villas-Boas:
“He has an outstanding reputation for his technical knowledge of the game and for creating well-organised teams capable of playing football in an attractive and attacking style. Andre shares our long-term ambitions and ethos of developing players and nurturing young talent, and he will be able to do so now at a new world-class training centre”
The Telegraph, 03/07/2012

Villas-Boas conhece o campeonato inglês bem melhor agora do que há um ano atrás quando se mudou para Stamford Bridge, tendo a possibilidade de começar do zero e evitar os erros cometidos ao serviço do Chelsea, num clube onde as exigências desportivas são bem menores. No entanto, esta pode ser a sua última grande oportunidade para treinar no estrangeiro. Será um duro teste. Mas quem abandona uma “cadeira de sonho” tem de estar preparado para tudo.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Mourinho de regresso a Inglaterra?


Na sua edição de domingo passado, The Sunday Times anuncia que José Mourinho decidiu deixar o Real Madrid no final da época e que pretende regressar a Inglaterra.

Referindo o desagrado de Mourinho com o ambiente madridista, especialmente a excessiva proximidade entre os media e alguns jogadores espanhóis do plantel, o jornal levanta uma série de hipóteses quanto a um possível retorno daquele nosso antigo treinador à Velha Albion.

Por mim, acho que, a regressar, o destino mais provável de Mourinho é o Tottenham. Em primeiro lugar, o actual treinador do clube, Harry Reknapp, está a ser julgado por evasão fiscal quando treinava o Portsmouth, e seja qual for o desfecho do processo, estas coisas não caem bem em Inglaterra; em segundo lugar, Redknapp nunca escondeu o seu grande interesse em suceder a Fabio Capello à frente da selecção inglesa, que o italiano deixará após o Europeu, embora o referido processo possa fazer com que a Federação Inglesa veja com reservas a contratação de Redknapp.

Em Itália e Espanha José Mourinho viu o que é uma imprensa "raivosa". Quando estava em Inglaterra também se queixava da imprensa inglesa, especialmente dos famosos "tablóides". Mas o jornalista inglês pode ser uma "lapa", mas não é clubista. Há muitos clubes grandes em Inglaterra, as pessoas tendem a apoiar o clube da sua terra, não havendo pateguismo em relação aos principais clubes. E, além disso, os ingleses levam Mourinho a sério como treinador, mas normalmente sorriem perante as suas declarações mais extraordinárias. Numa palavra, não levam a sério os seus mind games, além de que em Inglaterra há uma certa afeição pelas personalidades extrovertidas.

A seguir ao Tottenham, considero o Arsenal como a hipótese mais forte para Mourinho. Fala-se até que o Real Madrid tem tentado convencer Arsène Wenger a rumar à capital espanhola, pelo que...

Enfim, um romance a seguir nos próximos meses, decerto envolto em inúmeros desmentidos e declarações descabeladas.