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quarta-feira, 19 de julho de 2017

Portistas nas páginas de A BOLA

Nortada, Miguel Sousa Tavares (A BOLA, 18-07-2017)

«Os factos reportam-se a um jogo Beira-Mar - FC Porto, a quatro ou cinco jornadas do final de um campeonato que o FC Porto haveria de vencer tranquilamente com, salvo erro, uns 14 pontos de avanço sobre o segundo classificado – o Sporting. Ou seja, os 6 pontos retirados foram só para mostrar serviço. Recorde-se ainda que, nesses gloriosos dias, o FC Porto era treinado por José Mourinho, a sua superioridade interna era imensa e incontestável e estava a dias de se sagrar campeão europeu. Enquanto isso, o Benfica terminaria o campeonato a mais de 20 pontos de distância, em quarto lugar, atrás do Vitória de Guimarães.»
O que é feito de Carolina Salgado?
Miguel Sousa Tavares, A BOLA, 18-07-2017


O Miguel Sousa Tavares (MST) confunde algumas datas e factos (algo que, por vezes, acontece nas suas crónicas semanais publicadas na A BOLA), mas a mensagem essencial da crónica desta semana, além de pôr o dedo na ferida, é perfeitamente clara e correta.

As duas versões do livro de Carolina (jornal SOL, 08-09-2007)

Juiz acusa Carolina de mentir (O JOGO, 01-07-2008)

O célebre Beira-Mar x FC Porto, arbitrado por Augusto Duarte e que terminou empatado (0-0), foi disputado na época 2003/2004, jornada 31. Isto é, a quatro jornadas do fim desse campeonato e a cerca de um mês do FC Porto se sagrar campeão europeu em Gelsenkirchen, no dia 26 de Maio de 2004.
A equipa do FC Porto (treinada por José Mourinho) ganhou esse campeonato com 82 pontos. Mais 8 pontos que o SLB (2º classificado) e mais 9 pontos que o Sporting (3º classificado).

O campeonato que o FC Porto ganhou com 20 pontos de avanço (mais tarde reduzidos a 14) foi quatro anos depois, na época 2007/2008.
A equipa do FC Porto (orientada pelo prof Jesualdo Ferreira) terminou esse campeonato com 75 pontos e, após lhe terem sido retirados 6 pontos pelo CD da Liga (presidido pelo dr. Ricardo Costa), ficou com 69 pontos.
O Sporting terminou com 55 pontos. O V. Guimarães terminou com 53 pontos. E o SLB terminou esse campeonato em 4º lugar, com 52 pontos (a 23 pontos do FC Porto!).

Quanto à validade das escutas… Ao contrário do que afirma o MST, as escutas não foram ilegais, conforme foi explicado no último programa ‘Universo Porto’ (emitido no Porto Canal, na passada segunda-feira). As escutas não são é válidas para serem usadas no processo disciplinar da Liga/FPF que, “oportunamente”, foi (re)aberto pelo benfiquista de Canelas.

Percebe-se que este tipo de lapsos sejam aproveitados, por benfiquistas e sportinguistas, para descredibilizar o MST. O que me custa a aceitar é que também sejam aproveitados por portistas, para atacar e até insultar o MST, sempre que ele escreve uma crónica crítica do Presidente Pinto da Costa ou de decisões da Administração da SAD.

Ora, convém lembrar que, quando o Apito Dourado “explodiu”, enquanto o Presidente e o Clube/SAD se remeteram ao silêncio, o MST foi dos poucos, juntamente com alguns blogues (entre os quais tenho o orgulho de colocar o ‘Reflexão Portista’), a dar a cara e vir para a “frente de batalha” na praça pública.

É perfeitamente normal discordar das opiniões do MST e eu discordo com frequência, principalmente quando as opiniões são referentes a jogadores ou treinadores. Contudo, não me esqueço que o MST que critica o Presidente nas páginas de A BOLA é a mesma pessoa, o mesmo Portista que, nessas mesmas páginas, defendeu o FC Porto num dos períodos mais delicados da nossa história.

Por isso, e não só, obrigado Miguel.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Um dragão sem chama... 9 anos depois

O 'Reflexão Portista' foi criado no início de 2008.
Poucos meses depois, publiquei um artigo a que chamei 'Um dragão sem chama'.
Quase nove anos depois, ao reler esse artigo, decidi voltar a publicá-lo sem alterar rigorosamente nada.
E porquê?
Leiam-no (a seguir) e vejam se muito daquilo que escrevi há nove anos atrás não é perfeitamente atual.

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9 de Maio, 20h00, abertura dos telejornais.
Os três canais – RTP1, SIC e TVI – estão em directo do auditório do Piso 3 do Estádio do Dragão (bancada poente), para transmitirem a reacção de Pinto da Costa e da Administração da F.C. Porto – Futebol, SAD aos processos disciplinares instaurados pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional.
A expectativa é grande e milhões de portugueses estão de olhos nas televisões, particularmente os portistas.


20h03, Pinto da Costa inicia a conferência de imprensa:
«Senhores jornalistas, o FC Porto foi hoje notificado, às 15h50, das decisões da Comissão Disciplinar (CD) da Liga, sobre o denominado processo ‘Apito final’.
Em primeiro lugar, deploramos o facto desta notificação oficial ter sido antecedida, em quase dois dias, por uma divulgação oficiosa num órgão de comunicação social do grupo Cofina. Se nada podemos fazer para impedir a promiscuidade evidente entre a equipa especial da Dr.ª Maria José Morgado, a PJ e o ‘Correio da Manhã’, a qual tem servido para alimentar dezenas de capas desse jornal, o mesmo não se passa em relação à Liga de Clubes, da qual o FC Porto é um dos membros.
Por isso, e desde já, exigimos ao presidente da Liga de Clubes a abertura de um inquérito, para apurar quem, dentro do CD da Liga, são os informadores, ou agentes infiltrados, do ‘Correio da Manhã’.

Dito isto, queremos dizer a todos os portugueses e, particularmente, aos milhões de adeptos portistas espalhados por todo o Mundo, que o FC Porto considera esta decisão aberrante e irresponsável, sem qualquer tipo de sustentação nos factos ocorridos, a não ser nas declarações da dona Carolina Salgado. Aliás, recordamos, mais uma vez, que no âmbito do processo ‘Apito Dourado’ estes inquéritos tinham sido arquivados e apenas foram reabertos na sequência da publicação do livro escrito a meias entre a dona Carolina e a dona Leonor Pinhão.

Esta decisão da CD da Liga veio, de algum modo, dar razão ao presidente do Benfica, quando afirmou que era mais importante ter pessoas na Liga do que contratar bons jogadores. De facto, se Carolina Salgado tem sido a ponta-de-lança do Ministério Público, o Dr. Ricardo Costa mostrou ser um fantasista, quiçá com capacidades inatas para substituir outro Costa, o Rui Costa, como distribuidor de jogo dos encarnados.

Ora, quer a FCP SAD, quer o seu presidente, não aceitam esta punição ditada em tons de encarnado e irão, solidariamente, recorrer até às últimas instâncias em que tal for possível, ao nível desportivo e civil, para que seja feita justiça e para verem ressarcidos a sua honra e bom nome.


Relativamente à eventualidade de nos serem retirados 6 pontos e às declarações feitas esta tarde, pelo presidente da CD da Liga, de que se o regulamento da Comissão Disciplinar não exigisse o que exige, os clubes que hoje perdem pontos seriam punidos com descida de divisão, quero desafiar o Dr. Ricardo Costa a propor essa alteração ao regulamento e que, já agora, a mesma tenha efeito retroactivos. Tenho a certeza que esta sua iniciativa terá todo o apoio do presidente do seu clube, bem como, da comunicação social que o Dr. Ricardo Costa usa como instrumento para se auto-elogiar e pavonear.


Em função de tudo isto, a Administração da F. C. Porto – Futebol, SAD informa que tomou as seguintes decisões:

a) Até que sejam encontrados e punidos os informadores do 'Correio da Manhã' existentes no CD da Liga, o FC Porto corta relações com todos os órgãos sociais desta Liga de Clubes, mantendo apenas os contactos mínimos institucionais a que seja obrigado.

b) O FC Porto considera persona non grata todos os elementos dos órgãos sociais desta Liga, os quais não são bem vindos nos jogos disputados no estádio do Dragão. Contudo, como os regulamentos prevêem que os mesmos tenham lugares reservados no camarote presidencial, avisamos que nenhum dirigente da FCP SAD os receberá, nem ocupará lugares nesse camarote ao seu lado.

c) O FC Porto irá solicitar reuniões à UEFA e à FIFA, de modo a expor as suas razões sobre este assunto. Nessas mesmas reuniões irá apresentar um conjunto de documentação e vídeos sobre casos do futebol português, com ênfase para os escândalos que ocorreram na época 2004/05 e que passaram impunes.

d) Se os tribunais civis derem razão ao FC Porto, conforme esperamos e estamos convictos, o FC Porto irá exigir a demissão dos elementos que constituem o CD da Liga e a convocação de eleições antecipadas para este órgão da Liga.

e) Se os tribunais civis derem razão ao FC Porto, conforme esperamos e estamos convictos, o FC Porto irá exigir uma indemnização à Liga de Clubes, pelos prejuízos causados à sua honra e bom nome.

f) O FC Porto avisa os patrocinadores e canais televisivos detentores dos direitos da Taça da Liga, que na próxima época irá apresentar uma equipa de recurso nos jogos que tiver de disputar nesta competição e apela aos seus adeptos para boicotarem os jogos, deixando as bancadas vazias.

Muito obrigado pela vossa presença.
Viva o FC Porto! Viva o Porto! Viva Portugal!»

Era uma conferência de imprensa deste género que eu estava à espera.

Em vez disso, ouvimos o presidente do FC Porto afirmar:
«O FC Porto vai ter subtraídos seis pontos aos muitos que já ganhou este ano. (...) Não vamos, no que diz respeito ao FC Porto, recorrer da perda desses seis pontos. Nem precisarei de dizer porquê e, naturalmente, também não precisarei de dizer qual a razão (...) não recorremos e vamos passar a ter apenas 14 e 15 pontos de avanço. Mas a honra do FC Porto ficará salvaguardada, porque eu, pessoalmente, como presidente e como cidadão, vou recorrer, na segunda-feira, para o Conselho de Justiça. Esperamos, através desse recurso, que a verdade seja reposta e possamos mostrar que não existe qualquer razão para o FC Porto ser penalizado.»


Numa altura em que o FC Porto enfrenta uma poderosa coligação de interesses, formada por parte do Ministério Público e da PJ, clubes da 2ª circular e comunicação social, os sócios e adeptos do FC Porto estavam à espera de uma reacção enérgica, dura, sem contemplações e sem medo de eventuais sanções. Estávamos à espera de um Pinto da Costa que chamasse os “bois pelos nomes”, que desmascarasse esta teia encarnada que foi montada na “capital do Império” para atacar, denegrir e humilhar o FC Porto.
Mais do que nunca era preciso dar um murro na mesa, olhar essa gente olhos nos olhos e dizer-lhes que não temos medo e se querem guerra tê-la-ão. Dentro e fora das quatro linhas.

Em vez disso vimos um homem sem chama, sem o fulgor de outros tempos, quase resignado. Um velho leão cansado, que preferiu o calculismo de uma derrota com poucos feridas, ao risco de uma batalha pela justiça e verdade que sempre clamou e em que nós acreditamos.

Este não é o Pinto de Costa que, ao lado do saudoso José Maria Pedroto, não teve medo de enfrentar e derrotar os poderes instalados que estavam a sul.
Este não é o Pinto da Costa, que enfrentou e derrotou um presidente da FPF, o sportinguista Silva Resende, quando este ameaçou mandar o FC Porto para a 2ª divisão a propósito da marcação de uma final da Taça de Portugal.
Este não é o Pinto da Costa que enfrentou e derrotou um ministro das finanças de Cavaco Silva (Catroga), aquando da penhora da retrete do estádio das Antas.
Este não é o Pinto de Costa que eu e milhões de portistas aprendemos a admirar ao longo das últimas três décadas.


Não me revejo neste Pinto da Costa e menos ainda na gente que o rodeia.

P.S. De acordo com o jornal O JOGO, mal terminou a conferência de Imprensa, Pinto da Costa foi para a Casa das Artes de Famalicão, ao Festival Internacional de Música de Câmara Stellenbosch, tendo jantado com o maestro Vitorino d'Almeida. Ainda bem que depois de um dia negro para a honra e orgulho dos portistas o presidente do FC Porto tem disposição para ir ouvir música...

terça-feira, 20 de julho de 2010

Pobre futebol, pobres adeptos


«Os Juízos Criminais do Porto absolveram esta terça-feira Valentim Loureiro e o seu filho João Loureiro no processo do Apito Dourado relativo ao jogo Boavista-Estrela de Amadora de 03 de Abril de 2004. Também os co-arguidos Jacinto Paixão (árbitro), José Alves (observador) e Pinto Correia (responsável pela arbitragem) foram absolvidos pela juíza Maria Cristina Brás. A magistrada considerou que o Ministério Público deduziu uma acusação apoiado em suposições. (...)
No jogo que deu azo a este processo, da época 2003/2004, o Boavista perdeu por 0-1 com o Estrela da Amadora. Mesmo assim, a investigação avançou porque a Polícia Judiciária escutou conversas telefónicas alegadamente indiciadoras do propósito de favorecer o clube do Bessa. (...)
A acusação do processo foi deduzida em 12 de Março de 2007, sendo a primeira proferida pela Equipa de Coordenação do Processo Apito Dourado, liderada pela procuradora geral adjunta Maria José Morgado.»
in PUBLICO.PT


Uma após outra, todas as acusações deduzidas pela super-equipa especialíssima, liderada por Maria José Morgado, foram arquivadas ou derrotadas em tribunal.
Consequências deste facto para a dupla Pinto Monteiro - Maria José Morgado? Nenhumas.

Com base nestes mesmos factos, a Comissão Disciplinar da Liga determinou, pelos vistos indevidamente, a descida de divisão do Boavista.
Consequências deste facto para a Liga de Clubes e para o dr. Ricardo Costa? Nenhumas.

E agora, o Boavista vai ser reposto na I Liga? Irá ser indemnizado? Por quem?

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Salvem o Apito!

6 de Fevereiro de 2008, era editado o livro 'Apito Dourado - Toda a História', o qual foi distribuído juntamente com o jornal Record. Vivia-se a época dourada do apito e, depois de Carolina, também Eugénio Queirós escrevia o seu livrinho.


17 de Setembro de 2009, no Record online um desiludido, amargurado e inconformado Eugénio escreve o seguinte:

«Conscientes que estamos todos, hoje, quanto à credibilidade de uma das principais testemunhas, a senhora Carolina Salgado, e verificados os arquivamentos de alguns processos e absolvições no que chegaram à sala de audiências, somos hoje confrontados com a possibilidade de toda a construção jurídica que sustenta o processo cair abruptamente. A U. Leiria tem na mão uma decisão irrevogável, de um tribunal superior, que manda desentranhar dos processos disciplinares de natureza desportiva escutas telefónicas. Reclamando 50 milhões de euros pelos danos causados.
Ora, se a U. Leiria reclama 50 milhões de euros, quanto não devem reclamar também FC Porto e Boavista à Federação Portuguesa de Futebol e à Liga (por solidariedade)?
(...)
O futebol mais uma vez andou a reboque do monstro da justiça e até sentiu a tentação de ultrapassá-lo. Foi de desastre em desastre até à derrota final.»


Já tinha ouvido o António Pedro Vasconcelos e o Rui Oliveira e Costa clamarem contra o facto da Justiça dos tribunais comuns (a Justiça a sério!) ter, sucessivamente, contrariado as decisões "corajosas" da "Justiça desportiva".
Mas ver um "especialista do apito", com livro publicado e tudo, a baixar os braços desta maneira, quase que tenho pena.
Pobre Eugénio, tanto trabalho, tantas horas, tantas esperanças que desta vez é que ia ser e afinal...
Mas a coisa ainda pode piorar. Querem ver que o FC Porto e o tenebroso Pinto da Costa ainda vão ser indemnizados?

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

O processo Escuta Final

O Tribunal Administrativo do Círculo de Lisboa confirmou a ilegalidade do uso de escutas telefónicas como prova nos processos disciplinares desportivos e anulou o acto do Conselho de Justiça da FPF, que não atendeu à decisão tomada pelo Supremo Tribunal Administrativo em Novembro de 2008.

De acordo com o advogado da União de Leiria, este acórdão do Tribunal Administrativo do Círculo de Lisboa é valido também para os processos em que foram punidos o FC Porto e o seu presidente.
Assim sendo, será desta que o FC Porto irá avançar contra a Liga de Clubes e, particularmente, contra Ricardo Costa?

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Pedido de indemnização ao CD da Liga

No passado dia 4 de Agosto, soube-se que a UEFA tinha encerrado a investigação contra o FC Porto por alegada tentativa de corrupção de árbitros e confirmado a presença dos tetra-campeões portugueses na edição desta época da Liga dos Campeões.

Em Junho de 2008, numa entrevista à SIC, Pinto da Costa prometeu que no final deste processo iria pedir responsabilidades e indemnizações a quem de direito, nomeadamente, à Comissão Disciplinar da Liga.
Quando é que irá avançar esse pedido de indemnização?

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Desonesto com tempo extra


O excesso de oferta de programas desportivos que existe actualmente e onde se perde (literalmente) a totalidade do tempo a discutir assuntos laterais ao futebol, fez-me perder a paciência para continuar a assistir, ainda que em zapping com os canais de qualidade do cabo, a tanta asneira e a tanta mediocridade. Um dos “especialistas” em futebol, e que tem tempo de antena mais do que razoável acabando por entrar quase sempre num discurso redundante, é Rui Santos, esse narciso jornalista com um excelente gosto para o guarda-roupa.


No programa “tempo extra” da SIC Notícias de 5 de Abril, na ressaca da decisão do Tribunal de Gaia de absolver Pinto da Costa de todos os crimes de que era acusado no “Caso do Envelope”, o referido jornalista foi além de tudo o que se pode considerar razoável para um anti-portista. A decisão do Tribunal foi por ele apelidada de parcial, usou de termos como “contaminação da Justiça” para justificar tal decisão e afirmou que a Juíza julgou de camisola vestida chegando mesmo a exibir um cartoon da Juíza com uma camisola do FC Porto e Pinto da Costa a pesar mais do que a Sra. Salgado nos pratos da balança (curiosamente esse cartoon desapareceu do site do seu criador…). Ou seja, elogia-se a Justiça no lado do Ministério Público e nas pessoas da procuradora Morgado e do PGR Pinto Monteiro durante longas semanas até à exaustão mas não se aceitam as decisões da mesma Justiça no lado dos tribunais, especialmente se ela for favorável a Pinto da Costa. E depois parte para um programa de deboche total. Já se sabe o ódio que Rui Santos sempre destilou contra o FC Porto e o seu presidente mas não se adivinhava o descontrolo que a decisão (esperada) do Tribunal de Gaia lhe causaria ao ponto de nos desvendar tamanha desonestidade.

Já para não falar da forma desavergonhada e desonesta como tentou resumir os 27 anos de Pinto da Costa na presidência do FC Porto a uma eterna tentativa de “dividir o País numa guerra Norte/Sul” através de práticas “separatistas” e “incendiárias”.


Já no mês anterior, em Março, o encaracolado jornalista tinha tido uma intervenção lamentável pedindo a investigação do Ministério Público a factos ocorridos durante o jogo Leixões x FC Porto (“isto é um escândalo no futebol português!”, “isto tem de ser investigado!”, clamava...), concretamente aos golos sofridos pelo Beto, o guarda-redes leixonense, ao lance em que um dos defesas toca a bola com a mão dentro da área dando origem a um penalty a favor do FC Porto e ao lance em que o Laranjeiro atrasa mal e permite a intercepção do Hulk que acaba por marcar golo. Segundo Rui Santos, todas estas incidências foram propositadas por parte dos referidos jogadores por estarem já apalavrados com o FC Porto para a próxima época. No entanto “esqueceu-se” de pedir investigação e lançar idênticas suspeitas a um auto-golo do defesa leixonense Elvis, que deu a vitória ao SLB na Luz na semana anterior. Para este paladino da “verdade desportiva” – da sua, bem entendido – só nos jogos em que intervém o FC Porto acontecem casos estranhos e motivos para averiguação policial.


E é esta mesma pessoa que anda a tentar convencer meio mundo a assinar uma petição em que defende que o uso de novos meios tecnológicos permitiria defender a tão propalada “verdade desportiva”. Se os olhos que decidissem lances através de imagens fossem dos rui santos deste mundo estávamos bem entregues, porque esses não vêem todas as cores, apenas vêem algumas. E por falar nessa petição, parece-me fazer todo o sentido mudar o seu nome para: “Pela Verdade Desportiva do Rui Santos”…

sábado, 4 de abril de 2009

Os tentáculos do SLB

O SLB tem estendido todos os seus tentáculos, seja na Justiça, na arbitragem, na Liga ou na comunicação social, para tentar “equilibrar” as contas deste campeonato, enquanto ainda é possível. Para não variar, fá-lo de forma atabalhoada e evidente, mas conta com a boa vontade daqueles que estão nos lugares certos para lhe dar a mão. É o seu paradigma de actuação ao longo da sua existência. E quem ou quais são esses tentáculos?

Comissão Disciplinar da Liga de Clubes
O Dr. Ricardo Costa decidiu suspender Lisandro Lopez com um jogo de castigo porque este fez uma "simulação evidente de grande penalidade inexistente" com o objectivo de "enganar o árbitro" no jogo com o SLB, no Estádio do Dragão, e que terminou empatada a um golo. Como é bom de ver, todas as simulações de grandes penalidades, em especial as de Di Maria e Moutinho, foram convenientemente ignoradas na presente temporada mas a alegada simulação de Lisandro teve de ser castigada a bem dos interesses do SLB. Ainda por cima com os habituais requintes de paneleirice do presidente da CD, que escreveu sete páginas e ainda se aventurou a enunciar novas emendas às Leis da Física. Para não me acusarem de incitamento à violência apenas quero desejar que esse merdas padeça de uma diarreia aguda que o deixe a desfazer-se dias a fio.

Comissão de Arbitragem da Liga

Depois da nomeação de Lucílio para a entrega Taça da Liga, Vítor Pereira lá continua na senda das nomeações duvidosas e sempre, por coincidência certamente, com forte tendência para favorecer o SLB. Desta vez, e para uma deslocação que se quer difícil do FC Porto a Guimarães, decidiu nomear Carlos Xistra, um árbitro que em dois jogos contra o Sporting esta época teve várias decisões que prejudicaram claramente o FC Porto. Está tudo aqui. O pior foi mesmo a meia-final da Taça da Liga em Alvalade, quando depois do FC Porto estar a vencer por 1-0 e com a ameaça do escândalo de eliminar o Sporting em casa com as reservas, Xistra resolve inventar dois penalties para assim inverter o resultado e tranquilizar os calimeros (que depois ainda se andaram a gabar que “deram goleada”!).

Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol

O presidente é Joaquim Evangelista, um homem muito desonesto que, depois do FC Porto se sagrar campeão na época passada, afirmou, em 7 de Maio de 2008, e a propósito da existência de salários em atraso, que “com o devido respeito o vencedor (do campeonato) não é um verdadeiro vencedor, porque havendo concorrência desleal, não há verdade desportiva”. É preciso ser muito desonesto para dizer isto quando se sabe perfeitamente que em todas as épocas há clubes com salários em atraso. E para além disso estava também a retirar mérito aos jogadores do FC Porto, muitos dos quais devem pertencer ao sindicato que dirige. Este homem proferiu estas palavras sem quaisquer preocupações com os jogadores que não recebem, mas sim no meio de um episódio agudo de refluxo gastro-esofágico (vulgo “azia”) pelo facto do FC Porto ter sido campeão.Mas o mais interessante prende-se com o facto de esta personagem, qual abutre, aparecer sempre em cena quando um clube com salários em atraso vai defrontar o SLB. Isso aconteceu em Novembro de 2008, no jogo SLB x E. Amadora e nessa altura Jorge Maia escreveu no OJOGO o seguinte:
«Eu não acredito em coincidências, mas que as há, há. Os jogadores do Estrela da Amadora, que têm os respectivos ordenados em atraso desde o início da temporada, admitem ao fim de oito jornadas fazer greve no próximo jogo, por sinal uma deslocação ao Estádio da Luz. Fazem-no incitados por Joaquim Evangelista, presidente do Sindicato dos Jogadores. Ora, parece-me justo que os jogadores defendam os seus direitos e que o façam por todos os meios ao seu alcance, reconhecendo que, em última instância, o recurso à greve não pode ser excluído como justa forma de luta. Registo apenas a coincidência depois de quase três meses de competição, com sete jornadas disputadas e depois de várias intervenções bem mais moderadas, Joaquim Evangelista surgir agora tão empenhado na marcação de uma greve. Um empenho semelhante ao demonstrado em 2005 quando estavam em causa os salários em atraso no Vitória de Setúbal, embora aí o presidente do Sindicato dos Jogadores tenha esperado até à 14ª jornada para forçar a apresentação do pré-aviso de greve. Coincidentemente, antes de um jogo com o Benfica.
Ele há coisas...»

in O JOGO, 13/11/2008

"Tudo indica que a semana da recepção ao Benfica seja marcada pela ausência de um único apronto, algo que poderá ter repercussões no dia do desafio. "Trata-se de um jogo em que podemos garantir a manutenção, mas não podemos deixar de marcar a nossa posição, pois temos famílias para sustentar. Com esta atitude, o nosso objectivo não é não treinar, mas receber", evidenciou o capitão, colocando de lado a greve a qualquer uma das próximas partidas."

in OJOGO

Passados quase cinco meses o drama na equipa da Amadora mantém-se: mais de meio ano de salários em atraso. As suas formas de luta pelos seus direitos são inatacáveis e a sua prestação em campo tem sido muito boa. O que não está correcto é que tenham aceite, pressionados uma vez mais por Evangelista, não treinar uma única vez na semana em que recebem o SLB. Mais uma coincidência notável. Aqui é que não há qualquer hipótese de existir verdade desportiva. Mais um dos acólitos da corja ao serviço do clube do regime cuja actuação, sem qualquer réstia de ética ou sentido deontológico, passará impune.
Procurador-Geral da República


Disse um dia o Procurador que, após o Apito Dourado, “mesmo que os arguidos venham a ser absolvidos, nada será como dantes, no futebol português”, porque “a partir deste processo, os agentes do futebol português passaram a saber que podem ser investigados”. Mentira, e passo a corrigir: os agentes do futebol português, à excepção de dirigentes do SLB, passaram a saber que podem ser perseguidos através de tramas montadas com a colaboração da PJ e do MP. Ah, e o Presidente do FC Porto estará sempre sob suspeita.

Terminou ontem o último fôlego (pelo menos por enquanto...) deste Procurador na perseguição que montou ao FC Porto e ao seu Presidente. Toda a investigação foi uma autêntica vergonha como comprovam agora os despachos e a sentença dos (verdadeiros) Tribunais: no primeiro, relativo ao jogo Nacional x SLB, num despacho de não-pronúncia do Tribunal do Funchal, o juiz afirmou que não se entendia como é que o nome de Pinto da Costa tinha sido metido ali a martelo; no segundo, relativo ao FC Porto x Estrela da Amadora, acabou igualmente com um despacho de não-pronúncia do Tribunal do Porto, confirmado por sentença unânime da Relação, e com uma participação por crime de falsas declarações contra a peça-chave de todo o Apito Dourado — Carolina Salgado; no terceiro, relativo ao jogo Beira-Mar x FC Porto, que já havia sido arquivado mas que pela insistência da Morgado foi a julgamento, o Tribunal de Gaia sentenciou a absolvição do Presidente do FC Porto, e nas palavras da Juíza “a ex-companheira de Pinto da Costa prestou depoimentos divergentes e, pelas contradições e incoerências, não merece qualquer credibilidade”. A sua convicção é a de que “o testemunho de Carolina Salgado seja norteado pelo interesse da condenação de Pinto da Costa. Este Tribunal não atribui relevância ao depoimento”.
Uma derrota em toda a linha para o Beirão de sotaque a assobiar os esses.

Comparemos agora os meios e a aposta na condenação de Pinto da Costa com o tratamento que o Procurador está a dar ao caso Freeport, à forma como tem negado as pressões sobre os magistrados do MP que afirmaram convictamente terem sido altamente pressionados para o arquivamento do caso, à forma como desvalorizou a gravação de uma conversa entre os intervenientes no caso com frases incriminatórias do Primeiro-Ministro, à forma como resolveu reunir com Lopes da Mota, etc., etc., etc. Os exemplos de que não é competente para ocupar aquele cargo são mais que muitos. Só mesmo em Portugal para que um tipo destes ainda não tenha sido exonerado.

sábado, 28 de março de 2009

Mais uma palhaçada bem ao estilo SLB

Ao “folhear” um jornal desportivo de hoje, e na expectativa de encontrar informação sobre o jogo da Selecção Nacional com a Suécia, dou com uma notícia no mínimo curiosa:

“2ª linha de Quique reprova no Bessa” in OJOGO

Então não é que o Benfica e a PT organizaram um jogo particular, “amigável”, no Estádio do Bessa, com o objectivo de angariar receitas (60 mil euros ao que dizem) para “ajudar” o Boavista ?!


“O presidente do Boavista, Álvaro Braga Júnior, destacou que, "quando desafiados pela PT, o Benfica e o seu presidente, Luís Filipe Vieira, anuíram de imediato à realização deste jogo", que o dirigente "axadrezado" espera ser "um momento de alegria e de estádio cheio".”
in Lusa, 2009/03/18

O que já não espanta ninguém é que onde existem farsas, encenações e mentiras esteja sempre envolvido o nome do SL Benfica. O mais irónico desta história é que o clube que, juntamente com os seus acólitos na Liga e na Comissão de Disciplina, tudo fez para colocar o Boavista na situação em que agora se encontra acabe no final por vir fazer o papel de “amigo” e disputar um jogo de beneficência. Mais uma encenação bem ao estilo do palhaço Luís Filipe Vieira.


Quando ao processo Apito Dourado foi acrescentada uma versão desportiva, com o objectivo de poder finalmente castigar desportivamente o FC Porto e assim prejudicá-lo ao máximo através de jogadas de secretaria e conseguir o que se revelava difícil dentro do campo, foi necessário arranjar mais um ou dois clubes para compor o ramalhete e assim dar um ar mais credível à coisa. Um desses clubes, como sabemos, foi a União de Leiria, que na altura já se encontrava quase despromovido matematicamente e cuja sanção em termos práticos seria inócua e o outro clube, como também sabemos, foi o Boavista. Numa altura em que já revelava grandes dificuldades financeiras depois da forte erosão provocada pela ruinosa gestão do clã Loureiro, o clube foi despromovido com base na coacção que terá feito a equipas de arbitragem. Quem supostamente coagiu foi Valentim Loureiro que aquela data já nada representava no seio do Boavista mas que a Comissão de Disciplina liderada pela narcísica Ricardina Costa ignorou de forma consciente e propositada para assim despromover o clube. E se foi bem ou mal despromovido à época ninguém quis saber: o importante era mesmo que se tinha feito “história no futebol português com uma decisão inédita” e castigado a origem de todos os males: o FC Porto e o seu Presidente.


Agora, e perante um derradeiro apelo dos boavisteiros para que se salve o clube, quem é que, apesar de ser o paladino da “verdade desportiva” (da sua, bem entendido) e de nos bastidores ter sido o grande manipulador do Apito Final e ter aplaudido o “castigo dos corruptos” vem auxiliar uma da vítimas? O SLB! É sem dúvida inspirador este altruísmo…

De referir também que, no que respeita aos “remendados” (literalmente), nem sequer sabem “morrer” com honra e dignidade. Que tristeza.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

O "Apito" e as escutas

Um artigo de Manuel Queiroz, publicado no blog 'De Trivela' há uns dias atrás, e que merece alguma reflexão.

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O "Apito" e as escutas

«O Tribunal Constitucional recusou analisar o recurso do Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol, relativo à ilegalidade das escutas telefónicas como meio de prova em processos desportivos».

Este trecho de uma notícia do jornal online Maisfutebol é relativo ao processo em que João Bartolomeu, presidente da União de Leiria, pedia a anulação das escutas num dos seus casos do Apito Dourado. Bartolomeu está muito perto de uma vitória total.

Talvez ajude a perceber isto o facto de toda a gente saber hoje que o nosso sistema de justiça não aceita, por exemplo, um DVD gravado de uma conversa entre duas pessoas, como foi amplamente explicado a propósito do Caso Freeport. Só vale, no nosso sistema, o que é pedido e controlado por um magistrado. Estará mal ou bem, mas o nosso sistema é coerente. Demasiado garantístico, acho eu, mas coerente. Condena menos pessoas, mas só condena com certezas, em princípio.

Todo o processo Apito Dourado, e depois o Apito Final, ou seja a sua decisão em sede desportiva, enferma deste problema. Há escutas e nada mais que escutas que, dizem os juízes, no nosso ordenamento não se podem aplicar a processos de justiça menor, como estes. E por isso todo o edifício de condenações pode vir por aí abaixo, porque se deram passos maiores que as pernas numa ânisa de responder a uma parte dos interesses.

De tudo o que se sabe do "Apito", há muito pouca coisa que o cidadão comum entenda como crime. Mas há muitas que se percebem como graves faltas éticas de gente especialmente qualificada. Era nesse campo que devia ter sido tudo resolvido, do ponto de vista desportivo - e, francamente, até do ponto de vista da justiça comum. Se há alguma coisa certa é que o sistema de justiça gastou muitas energias com coisas que valiam pouco a pena, desse ponto de vista. E que do ponto de vista desportivo se perdeu uma boa oportunidade de mostrar que as regras éticas são, no desporto como na vida, tão ou mais importantes do que as Leis que são lidas com maiúsculas.

Manuel Queiroz
'De Trivela', 31/01/2009

Nota: Os negritos são da minha responsabilidade.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

E agora, Ricardo Costa?


«O Tribunal Constitucional rejeitou o recurso do Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol e considerou definitivamente ilegal a utilização das escutas telefónicas do Apito Dourado no âmbito do processo de corrupção desportiva Apito Final. Com esta decisão, o Boavista pode recorrer da descida de divisão e Pinto da Costa dos dois anos de suspensão a que foi condenado
in JN

(...)

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

O Porto, o FC Porto e Pinto da Costa (III)

O Porto, o FC Porto e Pinto da Costa (I)
O Porto, o FC Porto e Pinto da Costa (II)

(continuação do artigo de Bruno Carvalho)

Vamos agora, então, ao tema da corrupção. Sei bem que é disso que esperam que fale e aqui revele se sou ou não um verdadeiro benfiquista.

Que tristeza! Onde nós chegámos! A prova de fogo de um benfiquista é a forma como trata, ou melhor, como insulta, o presidente de um clube adversário e não aquilo que pode fazer pelo seu próprio clube.

Esse tem sido o erro sistemático do Benfica. O Benfica em vez de construir uma identidade forte e ganhadora, desperdiça o seu tempo a pensar em Pinto da Costa e como o pode ofender.

Se alguém pensa que vou insultar o Presidente do FC Porto, pode parar já de ler este texto, uma vez que não o vou fazer. Eu tenho respeito pelo presidente do FC Porto, como imagino que Luís Filipe Vieira tinha por ele quando era presidente do Alverca.

Mas não pensem que vou fugir ao assunto. Eu vou falar com franqueza de Pinto da Costa.

Pinto da Costa foi condenado no âmbito do Apito Final, por corrupção desportiva, pelo Conselho de Disciplina da Liga e recorreu da sentença, que veio a ser confirmada pelo Conselho de Justiça da Federação, numa reunião recheada de polémica. Sinceramente eu acho que essa reunião foi uma vergonha e não deixou ninguém convencido de que aí se fez justiça. A reforçar o que digo, está o facto do TAS (Tribunal Arbitral du Sport), em Lausanne, na Suíça, ter desconsiderado totalmente essa decisão do Conselho de Justiça.


Pinto da Costa, entretanto, recorreu para os tribunais administrativos, onde, entre outras coisas, põe em causa a utilização das escutas telefónicas como meio de prova. Este processo ainda decorre, pelo que devemos aguardar atentamente os seus resultados, ainda que já se saiba que o Supremo Tribunal Administrativo, no processo do presidente da U. Leiria, veio dizer que as escutas não poderiam ser utilizadas, o que pode fazer reverter todo este processo.

Quanto ao FC Porto a história é ainda pior. O FC Porto foi condenado pelo Conselho de Disciplina da Liga e, pasme-se, não recorreu.

O Porto cometeu, na minha perspectiva, um erro trágico ao não ter recorrido da sentença que o condenava no processo Apito Final.

É que a honra não tem preço e muito menos se vende por 6 pontos.

Por mais que tenham descoberto depois que o recurso de Pinto da Costa aproveita ao Porto, o certo é que o Porto não recorreu, o que significa que aceitou o castigo e logo qualquer um pode deduzir que o Porto se deu como culpado num processo de corrupção desportiva.


Deste modo, o Porto colocou-se numa posição em que lhe é muito difícil defender-se quando alguém lhe chama “corrupto”. A provar o que eu digo estão as várias declarações feitas pelo presidente da UEFA, Michel Platini, a propósito do Porto que devem fazer corar de vergonha qualquer dirigente ou adepto portista.

O Porto comportou-se com esperteza saloia, não tendo assumido a postura séria que uma instituição de prestígio exigiria, sabendo-se que o principal valor que se deve defender na vida é a honra.

E, neste caso, Pinto da Costa esteve muito mal.

Das duas, uma: ou Pinto da Costa concordou com o facto de o Porto não ter recorrido, o que no meu ponto de vista é um erro lamentável ou, se não concordou, tinha que se demitir, uma vez que era ele o presidente e não poderia transigir num assunto desta importância. Demitia-se e a seguir convocava eleições ouvindo a opinião dos sócios do seu clube.

Assim, Pinto da Costa, apesar de ser um Presidente dos mais bem sucedidos em termos de títulos na história do futebol mundial, apesar de ter construído um estádio novo, apesar de ter construído um centro de estágios, apesar de ter renovado o campo da Constituição, apesar de estar a terminar o pavilhão, cometeu um enorme erro.

Na minha opinião 6 pontos estragaram tudo e o Porto perdeu o respeito dos seus adversários porque não soube dar-se ao respeito.

Eu prefiro sinceramente nada ganhar do que a desonra que se abateu sobre o FC Porto.

Contudo, eu não sou dos que acha que o Porto conquistou todas as vitórias que enumerei por ser um clube corrupto ou porque comprou tudo e todos.

Eu não alinho na conversa do sistema que me parece, sobretudo, uma desculpa para quem não consegue ganhar em campo.

Estou convicto que o Porto ganhou o que ganhou porque ao longo destes anos foi melhor que o Benfica e porque tinha melhores equipas e melhores treinadores que os seus adversários.

O Porto chegou inclusivamente a ser Campeão Europeu com uma equipa que poderia ser a do Benfica.


O treinador era o do Benfica (Mourinho), os jogadores principais (Deco e Maniche) eram do Benfica, e depois o próprio Mourinho foi buscar Derlei e Nuno Valente ao Leiria e Paulo Ferreira ao Setúbal por meia dúzia de tostões. O sonho que se viveu no Porto podia, perfeitamente, ter sido vivido pelo Benfica.

Todos bem sabemos que Pinto da Costa definiu, há muito, o Benfica como alvo a abater. E nesse aspecto, há que admitir que o Benfica tem dado uma grande ajuda, com constantes tiros nos pés.

Não foi com certeza Pinto da Costa que elegeu presidentes como Manuel Damásio ou Vale e Azevedo.


Não foi Pinto da Costa que contratou, ao longo de anos, centenas de jogadores medíocres e treinadores sem qualidade, deixando fugir os principais talentos para os adversários directos.

O Benfica queixa-se muito do sistema, mas devia queixar-se sobretudo do seu sistema de gestão desportiva que tem sido miserável ao longo de todos estes anos.


No que diz respeito às arbitragens, que fique claro que eu não gosto dos árbitros portugueses e acho que eles são, na sua maioria, medíocres. Mas isso é consensual.

De facto, basta perguntar aos adeptos do Porto ou do Sporting se gostam dos árbitros que temos. Perguntem-lhes se não acham que os seus clubes são prejudicados pelos árbitros. Eles acham genuinamente que sim, como acham os adeptos dos clubes mais pequenos. No fundo acham todos. É que os árbitros, na sua generalidade, são francamente maus.

No entanto, não acho que sejam os árbitros a génese dos problemas do Benfica e a prova está aí à vista de todos.

Como já disse atrás, Rui Costa assumiu a pasta do futebol e o Benfica construiu logo uma melhor equipa que os seus adversários, tendo melhor plantel e melhor treinador que os demais, e os resultados apareceram de imediato. O Benfica tem já 4 pontos (no mínimo) de vantagem sobre o Porto e 5 sobre o Sporting.

Esse é o caminho. O caminho do conhecimento, do saber estar e da competência.

É por isso, e por muito mais motivos, que eu gosto tanto do Rui Costa!

Bruno Carvalho, 26/11/2008
in blog ‘Novo Benfica’

PS 1: A confirmar muito do que eu disse, o FC Porto qualificou-se para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões pelo 3º ano consecutivo, mesmo com a pior equipa dos últimos anos. Registe-se que, desde que existe Liga dos Campeões, é a 9ª vez que o Porto passa a fase de grupos, sendo que o Benfica apenas conseguiu tal feito uma única vez, com Ronald Koeman, na época 2005/2006.

PS 2: Questionado pela RTP sobre quem seria o melhor jogador da Liga Portuguesa, Pablo Aimar (outra vez lesionado!) respondeu que era Lucho González, jogador do FC Porto. Será que não chega de dar tiros nos pés? Não haverá ninguém no Benfica atento a estas coisas? Alguma vez alguém do Porto disse que o melhor jogador da Liga era o Simão Sabrosa? Não podia Pablo Aimar ter dito que era o David Suazo, o Reyes ou o Luisão? Ou até não poderia ter dito, com um sorriso, que era ele próprio? Tinha que dizer que era um jogador do Porto? Agora imaginem lá quem se ficou a rir…

Nota: As fotos, os links para outros artigos e os negritos no texto são da minha responsabilidade.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

O espectáculo continua!

O Jogo
Juiz denuncia “hábil expediente”

Supremo Tribunal Administrativo mandou retirar dos casos contra João Bartolomeu as escutas telefónicas, por uso ilegítimo.

João Bartolomeu pensa pedir indemnização, por danos patrimoniais e morais.


Ricardo Costa afirma: "Não há qualquer norma, constitucional ou legal, que proíba expressamente a utilização das escutas fora dos processos-crime… quem ler os acórdãos verifica que, além da prova que veio dos tribunais, há a que nós produzimos"


"A diferença (para Pinto Costa, João Loureiro e Boavista) é que estes processos já transitaram em julgado (ao contrário do que envolve João Bartolomeu) e terão de esperar largos meses por uma decisão final das instâncias administrativas... qualquer ilegalidade que seja cometida no âmbito do processo disciplinar nunca é aferida no processo de revisão pela Comissão Disciplinar, que se limita a apreciar factos novos ou outros que revoguem provas anteriores."

O espectáculo continua. Leia os próximos capítulos e não deixe de ver os próximos episódios.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

TAS iliba FC Porto e arrasa CD Liga e CJ da FPF

«No acórdão da sentença que determinou a participação do FC Porto na edição da Liga dos Campeões que hoje se inicia, o Tribunal Arbitral do Desporto destroça a UEFA e põe em cheque tanto a Comissão Disciplinar da Liga como o Conselho de Justiça da FPF.

O documento, que demorou todo este tempo a redigir - a decisão foi anunciada a 15 de Julho - chegou ontem aos clubes envolvidos, mas só trouxe motivos para ser bem recebido pelos dragões. No mínimo, a norma que o excluía da Champions vai a enterrar.

O painel de juízes do TAS nem chega a aprofundar a violação do princípio da retroactividade, ou seja, a decisão de excluir o FC Porto da Liga dos Campeões por actos ilícitos cometidos antes da existência dessa regra - uma das principais armas de defesa dos dragões.
Para o Tribunal Arbitral, o regulamento viola vários outros princípios, a começar pelo da proporcionalidade. Levada à letra, diz o TAS, a alínea d) do ponto 1.04 exclui perpetuamente os clubes que cometam actos ilícitos. Em lado nenhum, ressalvam os juízes, está determinado que a exclusão seja de um ano (ou dois, ou três) como pretendia o instrutor da UEFA no processo inicial.
Outra falha encontrada é a do desrespeito pelo princípio da igualdade de tratamento: os clubes só sofreriam a sanção coincidindo o ano da condenação com o ano do apuramento para a Champions. Sem apuramento, não há castigo.

Mas o TAS rapidamente põe de parte a norma, já feita em pedaços, por entender que nem é necessário discuti-la: o FC Porto não preenche os requisitos para ser castigado por ela. O painel afirma que os critérios não ficaram estabelecidos, mesmo que a UEFA pudesse decidir apenas com base na decisão dos órgãos portugueses.
"As duas decisões do Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol e da Comissão Disciplinar da Liga Portuguesa", concluem os três juízes, "não demonstram com a certeza necessária que o FC Porto ou o seu presidente estiveram envolvidos em actividades ilícitas".
E, na opinião do TAS, mesmo que provassem, a UEFA tem meios para julgar a culpabilidade do FC Porto autonomamente e não pode estar vinculada às sentenças da Comissão Disciplinar ou do Conselho de Justiça.

O outro tema forte do Apito Final - se a condenação do FC Porto transitara ou não em julgado - foi considerado pouco importante pelo Tribunal, que no acórdão diz "perceber" a decisão de não recorrer tomada pela SAD portista, dada a irrelevância dos seis pontos perdidos. Até porque "ficou provado que o recurso do presidente aproveitava ao clube".

Para o tricampeão português, este acórdão pode ser o salvo-conduto que faltava, dado estar ainda no ar a possibilidade de uma futura exclusão da Champions. O TAS fica pelo menos comprometido com esta decisão, que terá forçosamente reflexos em hipotéticos recursos, mas o mais certo é que a UEFA retire, ou substitua, a alínea d) do ponto 1.04 dos regulamentos da Liga dos Campeões e da Taça UEFA. E uma nova redacção que possa afectar o FC Porto atingirá também Milan, Juventus, Fiorentina, Marselha, etc., etc.

Para além das custas do processo, que o TAS já endereçara a Benfica, Guimarães e UEFA na sentença resumida de 15 de Julho, cada um deles terá de pagar ao FC Porto dez mil euros para ajudar às deslocações e emolumentos dos advogados
in O JOGO, 16/09/2008



Em 15 de Julho, o TAS comunicou a sua decisão:
«Lausanne, 15 July 2008, The appeals filed by Benfica and Vitoria are dismissed by the Court of Arbitration for Sport (CAS). The full arbitral award with the grounds will be published at a later date.»

Na altura, o Mário Faria publicou um artigo onde refere:
«A Direcção, ultrapassada esta fase, deve passar à ofensiva. Ponderadamente, mas com firmeza. Queremos vingança: não podemos admitir que o nome do FCP seja humilhado em vão.»

Dois meses depois, surge a divulgação do acórdão do TAS, cujos termos e fundamentos são uma espécie de bomba atómica sobre as aspirações do SLB (a LC 2009/10 ficou muito mais longe) e, também, sobre a cruzada de pseudo moralização do presidente da UEFA.

Perante uma derrota tão estrondosa e esmagadora, é natural que nos lembremos dos "generais" envolvidos. Se do lado dos vitoriosos já falamos, em devido tempo, de Adelino Caldeira, do lado dos derrotados é inevitável destacar os "generais" Luis Orelhas e Michel Corleone Platini.
Mas o "exército" dos derrotados é vasto e, coitados, também têm direito que nos lembremos deles. Por isso, aqui vai uma pequena lista, com nome e "patente":
• Ricardo Costa, o justiceiro da Liga e mentor do 'Apito Final'
• Hermínio Loureiro, o sonsa que preside à Liga com um olho na FPF
• Bando dos Quatro, os vogais da golpada no CJ da FPF
• Cunha Leal, ex-agente do SLB na Liga de Clubes
Sílvio Cervan, benfiquista ressabiado do Porto e vice-presidente do SLB
• Fernando Seara, agente do SLB na BOLA e na SIC, ideólogo do regime vermelho
Leonor Pinhão, inspiradora e co-autora do livro da Carolina D'Arc
• João Botelho, marido da Leonor
• Octávio Ribeiro, Director do jornal oficioso do SLB (Correio da Manhã)
• Eduardo Dâmaso, Sub-Director do Correio da Morgado (perdão, da Manhã)
• Tânia Laranjo, “jornalista” da correia de transmissão, especializada em apitos...
• Eugénio Queirós, o geninho é “jornalista” do Record e marido da Tânia
• Marinho Neves, especializado em “Sistemas”, ex-assalariado de Dias da Cunha, vomita ódio anti-Porto na blogosfera
• Vitor Serpa, Director da "Biblia encarnada"
• João Querido Manha, comentador manhoso na comunicação social do regime
• Rui Cartaxana, conhecido no Porto como a "ratazana encarnada"
Domingos Amaral, filho de Freitas do Amaral, "jornalista", director da revista GQ e colaborador do Diário Económico
João Miguel Tavares, "jornalista" do DN
• Ricardo Araújo Pereira, humorista oficial dos encarnados


Finalmente, será agora que a Administração da FCP SAD irá reagir publicamente, apontar a dedo os "bois pelos nomes" e, no que for possível, exigir responsabilidades a quem enxovalhou o nome do FC Porto na praça pública?

Fotos: O JOGO


P.S.1 Quem quiser pode fazer o download do acórdão (é um PDF com 30 páginas) no website oficial do TAS.

P.S.2 Os itálicos e negritos são da minha responsabilidade.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

A actuação da FCP SAD nos processos jurídicos foi...


37% leitores do Reflexão Portista (63 dos 166 participantes nesta sondagem) consideraram que a actuação da FCP SAD nos processos jurídicos foi "competente e profissional".

A segunda hipótese mais votada (com 48 votos, 28%) foi a de que a actuação foi "Incompetente, foram salvos por um advogado suíço". 38 participantes (22%) consideram que a prestação foi "Razoável, é para isso que eles são pagos". "Brilhante e digna dos maiores encómios" reuniu a preferência de apenas 10%, com apenas 17 votos.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

"Pequenos" efeitos de um apito estridente


Devido ao desencadear dos processos disciplinares por parte da Liga de Clubes contra o FC Porto e seu Presidente, o nome do Clube tem sido neste interregno competitivo muito referenciado, não só a nível nacional, mas também no panorama internacional. A entrada em cena por parte da UEFA despertou um crescente interesse neste caso fora de portas, pelo melindre que a situação acarreta e pela relevância desportiva que o FC Porto detém na actualidade.

É grande a probabilidade de a informação que chega ao comum dos adeptos de futebol no estrangeiro seja incompleta e com bastantes imprecisões, assim como desconhecem a forma enviesada de como todo o caso foi evoluindo cá no burgo, pelo que a interpretação que estes fazem sobre os factos em causa será naturalmente distorcida. Porem, o que fica nas suas consciências é reprovação moral de tais actos e o risco de a equipa vir a ser catalogada de batoteira (com a carga negativa que tudo isso acarreta). Tudo isto apesar do respeito internacional que o FC porto granjeou através dos méritos obtidos dentro das quatro linhas.

Foto: Record

No contexto interno todo e qualquer tema que ao futebol diga respeito, é sempre analisado mediante de forma parcial e emocional, consoante a cor clubistica de cada adepto, pelo que este caso não é excepção. Aliás, com todo este imbróglio verifica-se um perigoso extremar de posições, crescendo à medida em que o caso se torna mais complexo, em que aqui e acolá já se vai verificando pequenos indícios de agitação, para não chamar violência, com probabilidade de aumentar. A passividade das autoridades competentes perante tais indícios tem sido comprometedora. Veremos se a postura será para manter quando a turbulência virar mais a norte.

Precisamente pela elevada clubite existente no Portugal futebolístico, as grandes marcas sabem que para penetrar neste mercado de forma eficaz e sem conotação de óculos coloridos, têm de desenvolver estratégias comerciais baseando-se no patrocínio simultâneo aos três grandes. Foi a politica seguida pelo BES e a PT. Apesar dos “Apitos” serem um assunto que rodeia a realidade portista há quase quatro anos, não consta que se tenha havido um desinvestimento publicitário para com o clube, bem pelo contrário, assim como há garantia de retorno financeiro para as marcas que o patrocinam. As relações de proximidade e confiança de vários anos não parecem ter afastado investidores de longa data, como é o caso da Revigres, bem como não desencoraja o celebrar de novos contratos proveitosos para FC Porto, como ainda recentemente aconteceu com a Unicer.


Nos meios desportivos, especificamente na relação com outros clubes no panorama internacional, a imagem Portista não parece dar sinais de ser chamuscada, apesar do folclore vermelho estar bem activo. A prova-lo está a recente nomeação do FC Porto para o primeiro Board da European Club Association (ECA), ao lado de grandes emblemas Europeus. Do mesmo modo existe confiança bastante nas qualidades dos atletas provenientes da “universidade” do Dragão, como demonstram as sucessivas transferências milionárias para as mais importantes Ligas, sinal de que o prestigio do “core-business” do clube se mantém intacto.

A relação ao nível institucional com os órgãos Federativos é aquela que parece demonstrar maiores reservas. O afastamento de alguns anos esta parte do FC Porto das listas que compõem as Direcções da Liga e FPF, promoveu a caçada incessante e desavergonhada a tudo que azul se mexe. E mesmo a nível externo o cenário não é dos melhores, com o Presidente da UEFA, Platini, a eleger os Portistas como alvo da sua campanha demagoga contra a batotice.

Foto: Record

Toda esta situação exige um tratamento cauteloso, sem furos ou reacções intempestivas por quem comanda os destinos do nosso Clube. A confiança até ao momento demonstrada pelos parceiros da industria do futebol, garantem para já que a máquina desportiva possa rolar sem muitos sobressaltos. Mas a demora na resolução dos processos em curso, está testar a paciência adeptos azuis e brancos. Há feridas que vão demorar a sarar, mas nós Portistas já só queremos que esta novela mexicana termine de vez.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Motivações para a época 2008/2009

A época está quase a começar, e os sorteios e calendários estão praticamente todos concluídos, faltando apenas o sorteio da 3ª Pré-Eliminatória da Liga dos Campeões e da Fase Final da Liga dos Campeões (incluindo eliminatórias subsequentes).


Tendo em conta os atrasos introduzidos no processo pelas últimas "confusões" no Conselho de Justiça (CJ) da FPF, e que a decisão tomada no CJ ainda pode ser alvo de recurso (?) para o Tribunal Arbitral do Desporto (última instancia para os casos de justiça desportiva a nível europeu), é de prever que qualquer sanção que venha a ser decidida pela UEFA seja decidida durante a esta época e só seja aplicada na próxima.

Será fácil para Jesualdo Ferreira e para o resto da equipa técnica motivar os jogadores para o final do campeonato sabendo de antemão que não vão poder jogar na Liga dos Campeões do próximo ano mesmo vencendo o campeonato?
Os jogadores são profissionais e deveriam conseguir abster-se deste tipo de situações "políticas", mas a verdade é que a presença nas competições europeias é tão ou mais motivadora do que o salário que recebem ao fim do mês. Para muitos é a oportunidade de se mostrarem e conseguirem o contrato da carreira.

Será que o FC Porto vai ter dificuldade em segurar os seus principais jogadores, e em encontrar substitutos à altura dos que saírem, devido ao facto de não ir participar nas competições europeias?
Os jogadores com mais mercado não vão querer ficar afastados dos grandes palcos europeus, porque correm o risco de se desvalorizar.
A SAD também deve querer aproveitar para realizar mais valias com os jogadores ainda valorizados, para ultrapassar as dificuldades que uma época sem competições europeias vão trazer às finanças.

Apesar de ainda existir muita indefinição, acho que é algo para o qual os psicólogos da equipa e a SAD devem estar atentos.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Isenção e equidistância

foto: Record

«O processo de averiguações aos factos ocorridos na reunião de sexta-feira passada do Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol vai ser liderado por Diogo Freitas do Amaral, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros e um reputado especialista em Direito Administrativo. (...)

Freitas do Amaral adiantou ainda que, no âmbito desta investigação que vai liderar, elaborará um parecer jurídico sobre a regularidade ou irregularidade formal do que se passou na referida sexta-feira, não se pronunciando, porém, sobre a matéria em apreciação pelo CJ, isto é, os recursos do Boavista e de Pinto da Costa.

O pedido de urgência da FPF na entrega deste parecer deverá levar a que esteja concluído dentro de 15 dias.

O antigo presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas, que será coadjuvado por Pedro Machete, docente da Faculdade de Direito da Universidade Católica de Lisboa, disse que ontem mesmo iria começar a estudar a documentação fornecida pelos serviços jurídicos da Federação.»
in O JOGO, 10/07/2008


Competência tem, mas será Diogo Freitas do Amaral suficientemente isento e equidistante das partes para desempenhar esta missão?

«Difícil mesmo foi conseguir associar o nome do brilhante académico (a sua última aula encheu o grande auditório da Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa) ao futebol, não se lhe conhecendo um clube preferido. Para os mais dados aos prognósticos, aqui fica com que se entreterem: nasceu na Póvoa de Varzim, a 21 de Julho de 1941, é oriundo de uma família de Guimarães (o pai foi deputado à antiga Assembleia Nacional por aquela cidade minhota), onde ia nas férias, uma vez que vivia em Lisboa.»
in O JOGO, 10/07/2008


De facto, não me lembro de ver Diogo Freitas do Amaral ligado ao futebol, ou manifestando alguma simpatia clubistica.

O mesmo não se pode dizer de um dos seus quatro filhos, o jornalista Domingos Freitas do Amaral, que após ter trabalhado no Independente, Diário de Notícias, Grande Reportagem e Fortuna, é o actual director da revista GQ e colaborador do Diário Económico.

Domingos Freitas do Amaral é um benfiquista da "ala dura", fundamentalista e ainda recentemente escreveu um artigo no Diário Económico onde essa sua faceta é evidente.

Para se perceber o nível de fanatismo deste "taliban" da causa encarnada só lendo o artigo todo, mas destaco as seguintes partes, as quais quase fariam corar a Leonor Pinhão e fazê-la passar por uma comentadora isenta:

(...) os dirigentes portistas reagiram com arrogância e galhofa a uma condenação que sentiram como umas cócegas inofensivas. Com típica esperteza saloia, decidiram que o clube não iria recorrer da decisão (...)

(...) os juristas do FC Porto meteram-se num avião para a Suíça a correr, e recorreram para um misterioso tribunal de que ninguém antes tinha ouvido falar, o Tribunal de Apelo da UEFA. Aí, depois de pressionarem publicamente o funcionário da FPF para ele não se armar em esperto, conseguiram convencer a malta europeia (...)

Que faz então o presidente do CJ? Bem, como não conseguiu expulsar um dos conselheiros, decidiu acabar com a reunião ali mesmo! Qual votação, qual carapuça! Se a votação é para perder, acaba-se já isto e toca a lavrar acta! Mas, para espanto do presidente e do vice, que fugiram dali como dois cobardolas, os outros conselheiros ficaram e até votaram!


Apesar de terem o mesmo apelido, apesar de serem pai e filho, Diogo e Domingos são pessoas diferentes.
Por isso, e pelo prestigio que acumulou na sua carreira académica, quero acreditar que o Professor de Direito Administrativo será imune às conversas em família com o filho “taliban benfiquista” e ao facto de, ele próprio, ter uma forte ligação a Guimarães.

Ninguém quer favores, apenas que as normas do Direito sejam correctamente aplicadas.

Quanto ao resto, um recado para os invejosos medíocres que pululam neste país: construam uma equipa decente e ganhem os jogos dentro do campo.