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segunda-feira, 18 de julho de 2011

Competição fora das 4 linhas (III)

Competição fora das 4 linhas (I)
Competição fora das 4 linhas (II)


O Estudo acerca do futebol profissional em Portugal, encomendado pela Liga a uma equipa do Centro de Estudos em Gestão e Economia Aplicada da Faculdade de Economia e Gestão da Universidade Católica, inclui alguns quadros interessantes acerca do fluxo de jogadores entre as épocas 2003/04 e 2009/10.

Distribuição geográfica da nacionalidade dos jogadores importados:



Países de destino dos jogadores exportados:



Jogadores repatriados:



Os mercados (continentes) de importação e exportação de jogadores estão bem claros nestes números, algo que não é surpresa. Contudo, chamou-me à atenção o facto dos clubes portugueses exportarem mais jogadores brasileiros do que nascidos em Portugal.
Também me surpreendeu o facto de serem mais os jogadores importados do que os exportados para os países da Europa Ocidental. Supostamente (atendendo ao poder de compra médio dos clubes) deveria ser ao contrário.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Competição fora das 4 linhas (II)

Competição fora das 4 linhas (I)



Na época 2000/01, os proveitos totais dos clubes de futebol profissional portugueses eram de 156 milhões de euros. Nove anos depois, em 2009/10, tinham duplicado para os 317 milhões (cerca de 0,2% do Produto Interno Bruto).

Se o crescimento das receitas é positivo (para o qual muito contribuíram as transferências de jogadores), o aumento generalizado dos passivos dos clubes e o forte endividamento bancário é algo de muito preocupante.

Nesta primeira década do século XXI, o endividamento dos clubes de futebol profissional à banca aumentou em 500 milhões de euros. E só na época 2009/10, os clubes da Liga ZON Sagres tiveram de pagar 25 milhões de euros em juros.

Mas o pior é que a conjuntura económica mudou e o tempo do crédito barato acabou. Nesta altura, para além das restrições no acesso ao crédito, “há alguns bancos que têm indicações para não emprestar dinheiro aos clubes de futebol”, afirmou Fernando Gomes na quinta-feira passada.

Com os bancos a fechar a torneira (devem estar a rezar para que os clubes/SADs lhes paguem o que devem…), tudo indica que o futuro do financiamento do futebol português irá passar, cada vez mais, por empréstimos obrigacionistas e pela partilha dos passes de jogadores com fundos de investimento.

P.S. Em contraste com o aperto financeiro que se vive em Portugal, aqui ao lado o Real Madrid revelou que, em 2010/11, teve receitas recorde de 480 milhões de euros, valor que supera em 40 milhões o exercício anterior. Para o próximo exercício, 2011/12, o FC Barcelona prevê atingir receitas de 470 milhões de euros e o Real Madrid projecta ultrapassar os 500 milhões!

domingo, 10 de julho de 2011

Competição fora das 4 linhas (I)

Na sequência do artigo anterior do João Saraiva, em que ele chama à atenção para algumas declarações de Fernando Gomes, efectuadas aquando da apresentação do estudo “Competição fora das 4 linhas” (1), há dois quadros que fazem parte desse estudo e que são elucidativos.

Evolução do modelo de financiamento dos clubes/SADs portugueses:



Evolução dos resultados anuais, com e sem transferências:



Olhando para estes números, é fácil perceber que este trajecto é insustentável.

(1) Estudo acerca do futebol profissional em Portugal, encomendado pela Liga a uma equipa do Centro de Estudos em Gestão e Economia Aplicada da Faculdade de Economia e Gestão da Universidade Católica, no Porto, o qual contou com a colaboração de peritos da Deloitte.

Elementar, meu caro F. Gomes

A Liga de clubes apresentou por estes dias um estudo sobre o futebol português (aqui e aqui), realizado pela Univ. Católica, que vale sempre a pena ler, mas nesta altura do "campeonato" esperava-se acção em vez de lugares comuns.

Eu leio o estudo, leio a declaração do presidente da liga e não posso concordar mais, mas parece um déjà-vu, parece que estou a ler e a ouvir as intervenções de Fernando Gomes enquanto Administrador da SAD do FC Porto e depois na prática a seguir caminhos muito diferentes daquilo que defendia, e que na essência levaram também o futebol português ao ponto actual.

foto gamada em lpfp.pt

Diz F. Gomes (a declaração completa pode ser lida aqui)
Tal como o País, o futebol profissional precisa de acordar para a realidade. Perguntar a si mesmo se este caminho nos garante competitividade e sustentabilidade. E por muito dura que seja a resposta, ela é clara: Não. Este caminho não garante uma longa competitividade e sustentabilidade à indústria do futebol profissional. 
Fazemos milagres com os recursos disponíveis. Um facto que resulta da nossa extrema competência e capacidade para concorrer internacionalmente com quem tem muito mais recursos financeiros do que nós. 
Mas esses resultados desportivos não devem ofuscar a nossa capacidade de analisar criticamente o que fazemos. 
Os números que aqui vamos ver, e a análise que deles decorre, mostra um futebol profissional com um crescimento muito superior ao do próprio País, mas um crescimento assente numa base de endividamento e financiamento.
13 meses, após a tomada de posse, conseguir chegar a estas conclusões é mesmo de mestre, não se podia ter ganho um ano e ter avançado logo com medidas concretas? É que agora vem aí a parte II:
lançaremos a discussão sobre diversos temas vitais naquele que será o I Congresso Internacional do Futebol Profissional e que se realizará até ao fim de 2011. Desse debate de ideias e do contínuo diálogo com os clubes, nascerá um Plano de Acção concreto, calendarizado e com objectivos muito bem definidos.  
(...) Precisamos de ser capazes de desenhar soluções, implementar as estratégias definidas mas também medir os seus efeitos práticos. Saber, sem medos, se elas estão a cumprir os objectivos a que se propuseram.
Agora mais meio ano para fazer um congresso, 1 mês para fazer a acta, ir ao notário, depois 4 meses para escrever conclusões, depois ...
Quando se implementar alguma coisa, a Inês já é morta.

Como Portistas, podemos olhar para isto e dizer que nós somos superiores, que somos um clube da Liga dos Campeões, que os outros estão muito piores que nós, que nós ganhamos e os outros não, que isto e aquilo, mas na essência acho que o diagnóstico encaixa muito bem - também - ao FC Porto, e sinceramente preocupa-me não ver ninguém preocupado com isto.

quarta-feira, 25 de março de 2009

O mito dos 6 milhões


«O consultor Ricardo Luz, autor do relatório ‘As marcas do futebol português - ano 2008’, explicou ser difícil analisar qual o clube vencedor no campeonato das marcas, embora tenha realçado a supremacia nos resultados do FC Porto nos últimos anos.

Há períodos diferentes no futebol: O Sporting foi dominante em determinada altura, tal como o Benfica. O FC Porto tem dominado claramente nos últimos anos e, pelos resultados, é a marca mais credível, porque ganhou a maioria das competições a nível nacional, conseguindo também títulos internacionais. Mas olhamos para a história como um todo e os três grandes têm todos períodos de dominância”.

Entrevistado, o gestor frisou que uma grande empresa não se consegue manter se não tiver resultados e explicou que estes resultados devem ser potencializados sistematicamente.

O clube que não potenciar os resultados desportivos está a perder oportunidades para conseguir mais receitas que, depois, se repercutirá na qualidade da equipa. Tudo isto é um circuito cada vez mais ligado”, disse. (...)

Para Ricardo Luz, a “indústria está a crescer”, havendo, por isso, “muita gente na Ásia, por exemplo, que, hoje, é adepta de clubes na Europa. Com as novas tecnologias, rapidamente passam a consumidores, porque vão a Internet, compram as camisolas dos jogadores preferidos e conseguem ver os jogos. O mercado é global e há aqui uma oportunidade excelente para os clubes. Mas também uma ameaça, como tudo na vida, já que todos os clubes combatem no mercado”. (...)»

in Lusa / SOL, 18/02/2009

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«O FC Porto é o clube de futebol que mais adeptos conquista pela meritocracia, enquanto Sporting e Benfica garantem apoiantes pela área geográfica ou influência familiar, segundo Carlos Liz, autor do estudo ‘O Futebol, as marcas e os adeptos’.

Na conferência Sports Marketing 09, hoje organizada no Porto pelo Instituto Português de Administração de Marketing (IPAM), Liz defendeu que os "azuis-e-brancos" têm crescido de forma evidente no número de adeptos por causa da mentalidade vencedora instaurada.

"No nosso estudo, as pessoas mais velhas, para cima dos 40 e tal anos, são do Benfica e Sporting, mas quando se desce na idade, particularmente para as crianças, verifica-se um aumento de adeptos do FC Porto. Não há o critério de família ou região, mas da meritocracia. E o FC Porto tem sido mais ganhador, logo, os mais jovens, vão para o que consideram melhor", disse.

O director-geral da Área de Planeamento e Estudos de Mercado (APEME) concluiu que, há anos atrás, os adeptos escolhiam os clubes porque os pais assim o exigiam ou desejavam e afirmou também que, a criação de um novo modelo familiar também terá alterado as possibilidades de escolha.

"O FC Porto é escolhido pelo mérito. Por isso, os outros clubes (Benfica e Sporting) têm de fazer pela vida para continuarem a merecer a atenção dos adeptos. Estamos perante um novo modelo de escolha", explicou.

in O JOGO, 25/03/2009



Isto são mais duas machadadas no mito dos 6 milhões mas, claro, não têm qualquer credibilidade. Aliás, suspeito que estes dois estudos foram pagos pelo Pinto da Costa...