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quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Falar quando devemos


A arbitragem do FC Porto vs Guimarães, de responsabilidade de Jorge Sousa, deveria ter sido uma oportunidade aproveitada pela estrutura do nosso clube para chamar a atenção para a falta de respeito a que o FC Porto tem sido votado.

Seria fácil falar do golo ilegalmente anulado ao André Silva que, como se percebeu no estádio, e se comprovou na TV, não só não teve qualquer intenção de jogar a bola com a mão como, na realidade, não é ele que toca com mão, mas antes o jogador do Vitória, fazendo penalti não assinalado.
Seria fácil também falar sobre essa jogada, e compará-la com as duas jogadas de Alvalade, em que a mão dos jogadores do Sporting serviu de pé, com a total complacência dos homens do apito.

Seria fácil falar, mas não é isso que pretendo abordar.

A arbitragem de Jorge Sousa foi muito pior do que resultaria duma análise desse lance e da comparação com outros lances piores, com decisão diferente.

Abaixo explicarei porquê, mas antes uma nota sobre o momento: perante arbitragens escandalosas e - desde o início - tendenciosas, é nas vitórias que mais devemos fazer ouvir as nossas críticas.

De facto, perante um jejum de anos sem sentir o sabor do títulos, os nossos adversários procuram defender as injustiças acusando-nos de atacarmos as arbitragens apenas como forma de justificar derrotas.

Ora, todos sabemos que assim não é, e que a arbitragem nos tirou pontos decisivos em épocas passadas.
No entanto, a melhor forma de afastarmos essa acusação é, perante arbitragens vergonhosas em jogos que tenhamos ganho, apresentarmos um rigoroso mas duro trabalho de denúncia.
Não nos poderiam, assim, acusar de estarmos apenas a justificar o insucesso.


Mas onde esteve a vergonha da arbitragem de Jorge Sousa?

A meu ver, esteve em todo o lado.

Esteve, em primeiro lugar, na gestão dos tempos de jogo.
Desde o primeiro minuto de jogo que os jogadores do Vitória mostraram ao que vinham: gastar o mais tempo possível com o jogo parado. Não o esconderam, nem dissimularam. Não disfarçaram.
Dei-me ao trabalho de cronometrar as diversas paragens em pontapés de baliza e cantos, onde os jogadores do Vitória perdiam entre 20 e 30 segundos (o tempo que se dá de desconto a uma substituição). Só com esta brincadeira foram mais de 9 minutos, só na primeira parte do jogo.
Perante esta autêntica palhaçada (o exagero foi patente…), a um árbitro experiente e imparcial seria exigível uma atitude consequente: deveria dirigir-se aos jogadores do Vitória, assim que disso se apercebesse, informando-os de que procederia a descontos e que, se nisso persistissem, sairiam amarelos do bolso.
O que fez Jorge Sousa? Nada. Absolutamente nada. Nem avisos, nem amarelos, nem descontos.
Dos 9 minutos perdidos, nem um foi descontado antes do intervalo.

Esteve mal Jorge Sousa - também tendencioso - no aspecto técnico.
Ao mínimo contacto nosso (mesmo quando legal), logo virava o jogo contra nós. Mas, quando os adversários nos atingiram, pouco ou nada assinalou.
Esta dualidade introduz, por um lado, um enorme desequilíbrio na força com que cada uma das partes decide abordar um lance (o que é muitas vezes essencial para nele se poder ganhar vantagem). E, por outro lado, enerva de forma muito séria a equipa que sofre dessa desvantagem.
O objectivo do Vitória era, manifestamente, o de procurar enervar-nos e o árbitro, também aqui, quis participar na festa.

Esteve mal Jorge Sousa, finalmente, no campo disciplinar. O cúmulo deu-se quando sancionou com o mesmíssimo cartão amarelo um derrube a um jogador do FC Porto que se isolava e um derrube no meio campo, sem qualquer perigo ou relevância.

Acabou por correr tudo bem para todos: o FC PORTO ganhou; o Vitória perdeu apenas por três; e o árbitro pode justificar a quem pretendia que "fez o que foi possível".
Mas, especialmente por - aparentemente - estar tudo bem, não podemos deixar de denunciar o que esteve à vista de todos.

Temos que procurar fazê-lo nas vitórias e não nas derrotas.

Pela minha parte, será principalmente em vitórias como esta, com este tipo de arbitragens, que criticarei.
Espero ter muitas vitórias para o poder fazer.
   

domingo, 11 de setembro de 2016

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Disto (quase) ninguém fala

Após o empate de ontem, entre o SLB e o FC Porto, não é preciso estar muito atento para se perceber que o principal alvo de jornalistas, comentadores e adeptos… portistas, é Julen Lopetegui.

A uns porque o treinador basco lhes causa urticária, a outros porque tinham elevadas expectativas (provavelmente por não terem dúvidas que o FC Porto 2014/2015 é bem melhor que o SL Andor, mesmo que o jogo seja no Estádio da Luz), o empate alcançado pelos dragões em Lisboa, serviu para análises muito críticas ao modelo de jogo, onze inicial ou substituições efectuadas por Lopetegui.

Não fiquei surpreendido. Quando não se ganha, é normalíssimo o treinador ser o primeiro a ser apontado a dedo. Sobre isso, nenhuma novidade.

Mas não deixa de ser um pouco estranho que, entre os adeptos portistas, quase ninguém fale da arbitragem, até porque, houve dois lances polémicos e ambos, como aconteceu ao longo de todo o campeonato, foram decididos a favor do SL Andor e em prejuízo do FC Porto.

Por exemplo, ao minuto 79, Fejsa entrou de forma negligente e intempestiva sobre Danilo. O árbitro viu e assinalou falta, mas não mostrou um cartão amarelo ao jogador do SL Andor (seria o 2º amarelo e deixaria os encarnados com menos um jogador para os últimos 15 minutos, descontos incluídos).

Ora, com o mesmo rigor e seguindo o mesmo critério que adoptou nos amarelos mostrados a Quaresma (59’), Jackson (61’) e Marcano (72’), o senhor Jorge Sousa não deveria ter mostrado o 2º cartão amarelo a Fejsa?

Cartão amarelo a Jackson

E sobre o lance aos 43’, em que Luisão carrega Jackson no ar impedindo-o de chegar à bola, alguém viu, da parte do capitão do SLB, intenção de jogar a bola?

Luisão e Jackson (foto: Maisfutebol)

SL Benfica x FC Porto, Tribunal de O JOGO


Bem, feito este intervalo, sobre dois casos de arbitragem “imaginários”, voltemos a Lopetegui e à forma “justa” e “inquestionável” como o SL Andor vai ganhar este campeonato…

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Penalties (in)discutíveis


Desde o passado domingo, tenho ouvido e lido muitas opiniões diferentes acerca dos dois penalties que Jorge Sousa assinalou no FC Porto x SCP.
Por exemplo, no programa 'Trio d'Ataque', o portista Miguel Guedes disse que ambos tinham sido bem assinalados; o benfiquista João Gobern referiu que tinha dúvidas no primeiro, mas que o segundo era penalty; enquanto que, naturalmente, o sportinguista Rui Oliveira e Costa não viu motivos para qualquer dos dois penalties terem sido assinalados.

A falta de consenso é natural, porque são dois lances que suscitam dúvidas e cuja análise varia em função da câmara de TV escolhida pelo realizador. Por exemplo, visto de trás, da posição onde estava o árbitro Jorge Sousa, a ideia com que fico é que o 2º penalty foi bem assinalado.


Iniciei este artigo com a transcrição da opinião do jornalista Cruz dos Santos (A Bola, 09-10-2012), porque ele é insuspeito de ter qualquer tipo de simpatia pelo FC Porto. Contudo, não vale a pena gastar muito mais tempo com estes dois penalties, não só porque são lances discutíveis e suscitam análises dispares, mas principalmente porque não foi por causa disso que o FC Porto venceu o último clássico.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

"Porque será"?

Nada como uma derrota de um clube da capital para animar a malta...


Pela minha parte direi:
- o Jorge Sousa é um péssimo árbitro. Além, disso tem um longo historial de más prestações precisamente em jogos entre Porto e Sporting. Porquê ser indicado para mais um jogo entre as duas equipas? Mistério.
- ao contrário do que possa parecer (e do que certa comunicação social tenta disseminar), os dois cartões amarelos que ditaram a expulsão do jogador do Sporting, são as únicas decisões inatacáveis do árbitro. Até o lance - entre Alex Sandro e Elias - que dá origem ao remate mais perigoso do Sporting, não passa de uma falta cavada pelo "leão", que conseguiu numa penada arrumar o lateral do Porto, ganhar um livre numa zona perigosa e um cartão amarelo.


- no que respeita aos penalties, eu passava bem sem nenhum dos dois; é verdade que o Porto já estava a ganhar, mas no futebol, como se viu há uma semana em Vila do Conde, tudo é possível - ninguém pode afirmar que (mesmo com 10) o Sporting não poderia empatar o jogo. O facto é que o jogo acabou ali.
No primeiro penalty ainda dou o benefício da dúvida ao árbitro; o segundo, é fita e não devia ter sido marcado. Como seria de esperar, tudo quanto é fórum de jornal ou rede social, foi inundado de suspeições e acusações de corrupção sobre o Jorge Sousa, por parte dos adeptos verdes-e-brancos. Porém, e como já é hábito na peculiar relação do Sporting com os penalties, fica a dúvida se a discordância dos seus apoiantes com a decisão do árbitro, se prende mais com o conteúdo ou com a forma...






Convenhamos que com outra camisola, a coisa não teria resultado...
seria do "guaraná"?

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Diz-me com quem andas...

Para que fique claro, este micro-estudo não tem como objectivo alimentar teorias das conspiração (pelo menos, daquelas muito rebuscadas). É apenas e só uma pequena análise.


Do quadro atrás apresentado, que lista os jogos de pré-época (desde 2008 até à actualidade) cujos os árbitros foram escolhidos - e eu não sei se são de facto escolhidos ou nomeados pela Liga/FPF/APAF/...?, mas os dados não deixam grande margem para dúvidas - pelos ditos "3 grandes", na minha opinião, há a destacar:

- (não é o facto mais gritante, mas é o meu "favorito") O Bruno "Caixão" tem afinal fãs! E sem grande surpresa, são dirigentes do SLB! Depois do espectáculo de Campomaior ainda despertou alguma simpatia nos dirigentes do SCP - uma performance daquelas só está ao alcance de um grande defensor da "verdade desportiva" - mas por maior que seja a Paixão, só chega para um clube

- Artur Soares Dias e Jorge Sousa estão "alta" nos corredores da SAD portista; ao primeiro não tenho nada a apontar; o segundo é uma espécie de "Pedro Proença portista" mas não tem nem metade do talento - tanto beneficia como prejudica

- O SCP organiza poucos "amistosos" em terreno caseiro; joga mais torneios (organizados por outros clubes); mesmo nos que se realizam no estrangeiro, com árbitros estrangeiros, nem por isso os resultados melhoram - "porque será?"

- Dois árbitros em quem o SLB a dada altura depositou grandes esperanças são "cartas fora do baralho": Pedro Henriques - já "retirado" depois ter caído na asneira de "prejudicar" o SLB - e Pedro Proença - terá o mesmo destino do Pedro Henriques?

- O FCP recorre (ou recorria) com alguma frequência a árbitros desconhecidos

- João Ferreira é pau para toda a obra: tanto está pronto para ajudar o SLB a vencer amigáveis, como derbies ou eliminatórias da Taça

- Hugo Miguel é uma estrela em ascenção para as bandas da Metrópole, mas de um modo mais vincado para os arredores da Buraca

- O SCP raramente repete um árbitro - ainda não encontraram um que "dê garantias"; exceptuando Pedro Proença - o tal que apitou uma final da Liga dos Campeões e do Euro apenas por obra e graça do Pinto da Costa - o que serve para o SLB, serve para o SCP;

Esta é apenas uma pequena amostra das simpatias dos "3 grandes" por determinados árbitros - poucos, mas sem dúvida dos mais importantes - de entre um conjunto de 25 que a Liga tem ao seu dispor. Ao contrário do que é normalmente disseminado, nem todos os árbitros são portistas ou corruptos - porque não convidam o SLB e o SCP árbitros estrangeiros para os jogos que organizam? - mas são sim adeptos de outros clubes. E são mesmo dignos de confiança a ponto de serem chamados para arbitrar jogos onde a escolha dos árbitros cabe precisamente ao SLB e SCP. Assim sendo, da próxima vez que o Bruno "Caixão" prejudicar o Porto - uma inevitabilidade - as críticas dos portistas serão rebatidas com base em factos do jogo que demonstrem que o árbitro não errou, ou simplesmente porque o dito árbitro é um "protegido" do SLB?

sábado, 21 de abril de 2012

Adeptos do SLB condenados

«A Polícia Judiciária está a investigar, em Lisboa e no Porto, vários casos de ameaças de morte e ofensas à integridade física ocorridos nos últimos tempos contra vários árbitros de primeira categoria e respectivos familiares. De acordo com informações recolhidas pelo JN, apresentaram queixa às autoridades pelo menos três juízes e um dirigente da arbitragem. Os ofendidos terão sido contactados através dos seus telemóveis particulares, ora mediante chamadas telefónicas, ora através de mensagens escritas.»
JN, 19/12/2009

«Pelo menos os árbitros Jorge Sousa, Vasco Santos, João Ferreira e Pedro Proença receberam esta época chamadas telefónicas e SMS com ameaças à sua integridade física antes e depois de terem apitado jogos do Benfica, o que terá acontecido desde o início da época. (...) As chamadas e os SMS são oriundas do Reino Unido (+44....)»
Record, 20/12/2009


«O presidente demissionário da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP), Hermínio Loureiro, reuniu-se com o director nacional da Polícia Judiciária (PJ) para denunciar as ameaças e coacção que quatro árbitros sofreram durante os últimos oito meses. (...) No total, são nove os arguidos já constituídos pela PJ. Todos eles adeptos de “um clube de Lisboa”, mais concretamente do Benfica, segundo fonte da Judiciária. Em causa estão suspeitas de injúrias, coacção e ameaças sobre quatro árbitros da primeira categoria. Fonte da Judiciária explicou que os arguidos, “antes dos jogos do clube em causa, coagiam e faziam ameaças à integridade física e de morte aos árbitros nomeados e aos seus familiares”. Jorge Sousa, ao que o PÚBLICO apurou, é um dos visados. No caso do juiz do Porto, as ameaças terão sido dirigidas à mulher, através de um telefonema, numa altura em que se encontrava sozinha em casa. (...) As ameaças eram normalmente feitas através de telemóvel, nomeadamente por SMS, tendo a PJ realizado hoje uma série de buscas domiciliárias, divididas por Paredes, Rio Tinto, Tondela, Nordeste, Lisboa e Ponta Delgada. Nestas diligências, foram apreendidos onze telemóveis, três computadores, vários suportes físicos com registo de dados informáticos e documentos. E os arguidos foram sujeitos a Termo de Identidade e Residência.»
PUBLICO, 20/05/2010

«O caso das ameaças ao árbitro internacional Jorge Sousa chegou ao fim. Há uma semana, os sete arguidos foram condenados pelo Tribunal de Paredes a penas de multa inferiores a um ano. Um deles foi absolvido. Todos adeptos do Benfica, estavam acusados de violação de domicílio e injúria agravada por terem aterrorizado o árbitro durante vários meses. (...) Os arguidos estavam acusados de violação de domicílio e tiveram de pagar uma indemnização a Jorge Sousa. Apenas Luís Marques e Rui Franco respondiam também por injúria agravada, tendo as penas mais pesadas - multa de 880 e de 1080 euros, respectivamente. Os restantes arguidos - Hugo Silva, José Sousa, Tomás Lima e António Vieira - têm de pagar multas entre os 480 e os 540 euros cada.»
Correio da Manhã, 21/04/2012


A PJ averiguou se estes sete adeptos do slb se conheciam?
Como é que estes adeptos do slb arranjaram os números dos telemóveis dos árbitros?
Estas acções ocorreram de forma isolada e independente, ou tratou-se de uma manobra organizada e feita a pedido de terceiros?
Algum destes adeptos mantinha, ou teve, contactos com casas do slb e/ou com dirigentes encarnados?
Devido a ameaças e coação sobre árbitros, adeptos do slb foram identificados e condenados por um Tribunal, mas o clube, mais uma vez, escapou pelo meio dos pingos da chuva...

Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

A agenda dos “especialistas” de arbitragem

A minha equipa está triste e o sentimento é de revolta. Culpados pela derrota? Jorge Sousa não esteve à altura! Não se trata só da expulsão, lance no qual não há contacto do Olberdam, mas o Maxi Pereira inteligentemente tira proveito. Antes, porém, já tinha havido outras decisões infelizes de Jorge Sousa, com a balança sempre a pender para o mesmo lado.
Pedro Martins, treinador do Marítimo

[o árbitro] Passou o tempo todo a ameaçar-me que à mínima coisa me expulsava e conseguiu.
Olberdam, jogador do Marítimo

Analisem o vermelho! No lance anterior ao golo, há falta sobre o Peçanha e o árbitro nada assinalou.
Briguel, jogador do Marítimo


1. Olberdam foi erradamente expulso, deixando o Marítimo a jogar com menos um logo no início da 2ª parte. Isto é um facto e só um cego, um faccioso doentio ou alguém com uma agenda e interesses próprios pode negar aquilo que as imagens demonstram de forma clara.

Eu admito que o árbitro Jorge Sousa possa ter sido induzido em erro pela simulação magistral de Maxi Pereira, mas não compreendo, nem aceito, que três “especialistas” de arbitragem, após terem visto as imagens deste lance N vezes, emitam as seguintes opiniões:

«Olberdam foi imprudente no modo de abordar o lance. Varreu autenticamente Maxi Pereira, justificando a exibição do amarelo, que foi o segundo.»
Jorge Coroado

«Olberdam entra em “tackle” lateral deslizando de forma imprudente sobre Maxi Pereira, sendo desta forma correctamente advertido e expulso.»
Pedro Henriques

«Entendendo o “tackle” imprudente, apesar de alguma dúvida no contacto, que me parece existir, Jorge Sousa não tem outra opção que não seja exibir o segundo cartão amarelo.»
Paulo Paraty

Estes três ex-árbitros internacionais (dois de Lisboa e um do Porto) não são cegos e suponho que também não sejam facciosos doentios. Assim sendo…


2. «A entrada de Cardozo (Benfica) passou despercebida ao árbitro Jorge Sousa, mas deixou o lateral do Marítimo Rúben Ferreira fora de jogo, sendo substituído por Igor Rossi. Agora, as suspeitas do pior cenário confirmaram-se. O departamento clínico maritimista informou que o internacional sub-21 sofreu uma fractura do terceiro metatarso do pé direito, o que vai afastá-lo pelo menos seis semanas

O que disseram os mesmos três “especialistas” de arbitragem sobre este lance (ocorrido aos 66 minutos)?

«O lance foi casual e fortuito, exactamente pelo movimento da rotação de Cardozo. O árbitro nada assinalou, e bem.»
Jorge Coroado

«Rúben lesionou-se na sequência desse lance, mas com acesso à repetição vê-se que Cardozo tocou na bola, não cometendo qualquer infracção.»
Pedro Henriques

«Há um tropeção de Rúben Ferreira, Cardozo procura a mesma bola e a mesma posição. O resto é circunstancial e acidental.»
Paulo Paraty

Lendo o que os membros do ‘Tribunal de O JOGO’ escreveram, a primeira dúvida que tive é se estavam a falar do mesmo lance, tal é a disparidade dos seus comentários.
E acreditando no que estes senhores escreveram, conclui-se que o jogador do Marítimo fracturou o terceiro metatarso do pé direito sem ninguém lhe tocar. Fantástico!


3. Perto do final do jogo (aos 84 minutos), no lance que precede o único golo do desafio e que deu a vitória ao slb, Aimar toca com as mãos na cara de Peçanha e carrega irregularmente o guarda-redes do Marítimo tendo este os dois pés no ar, tudo isto de forma ostensiva, deliberada e intencional.

Conforme as imagens televisivas demonstram, o árbitro Jorge Sousa está de frente para o lance, sem nenhum jogador a cortar-lhe a visão, mas mandou seguir (ele lá saberá porquê).

Neste caso, Jorge Coroado e Pedro Henriques não negaram o que as imagens mostram de forma inequívoca mas, como dizia o poeta benfiquista Manuel Alegre, “há sempre alguém que resiste”… às evidências, acrescento eu.

«Não consigo visualizar, pela televisão, que exista alguma falta sobre Peçanha»
Paulo Paraty

É sempre uma delicia ver o contorcionismo argumentativo nas opiniões deste ex-árbitro do Porto, algo só semelhante à habilidade inata que demonstrava dentro do campo quando era chamado a arbitrar o slb.

Paulo Paraty, o preferido de Luís Filipe Vieira, o árbitro que tantas saudades deixou no estádio da Luz quando atingiu o limite de idade.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Agressão ou gesto antidesportivo?

PdC esteve a grande altura a comentar as incidências do FCP/SLB e no treino de ontem o VP esteve à conversa com o Alvaro, provavelmente, digo eu, para confirmar a sua condição física, a disponibilidade para a competição e acertar comportamentos : se calhar para lhe dizer que tinha sido excessivo quando reagiu intempestivamente a um chamamento do treinador, no jogo com o SLB.

Embora o FCP tenha tido uma segunda parte muito cinzenta e apesar do resultado ter sido justo, não entendo como se possa considerar que o Cardozo não pontapeou Fucile e não havia motivos para expulsão. Ouvi isso da boca de vários senadores, incluindo o juiz Rui Rangel e de todos os catedráticos que constituem o painel que julga os casos de arbitragem d’O Jogo.

Ontem, Rui Santos afirmou o mesmo e o ex-árbitro que dita as leis na TVI (Pedro Henriques) explicou que Cardozo tornou-se culpado de comportamento antidesportivo e, daí, o acerto na amostragem do amarelo. A apresentação do vermelho justificar-se-ía se fosse culpado de falta grosseira ou de conduta violenta.

Enfim, um pontapé entre o traseiro e os “ditos” é coisa leve, embora não seja bonita e própria de um desportista. Terrível, foi aquele murro selvático do James ao Rabiola. Isso sim, é um acto violento.

Vi as imagens da Sportv, da RTP e o vídeo no Youtube e continuo a considerar que estamos perante uma agressão. Não gosto de perder muito tempo com a arbitragem, mas aqui o que está em causa não é tanto a decisão do árbitro mas a forma como constroem a verdade indiscutível e tratam quem diz o contrário como se fôramos uns ignorantes ou salafrários.

Se o senhor Pedro Henriques levar um pontapé em idêntico local do corpo, não se queixará que foi alvo de agressão e apenas sujeito a uma atitude anticívica. E, daí a oferecer a outra face, bastará um pequeno passo, ficando amigo para sempre do concidadão que amavelmente lhe aplicou o golpe.

O branqueamento está consumado: o Fucile é um impostor e as consequências seguem dentro de momentos.

Se Lisboa é Portugal, o Porto é uma Nação, desportivamente, pelo menos. Não me calo. Não somos bárbaros. Temos direito a opinião e a defender os nossos comentários, até que a voz nos doa. A insatisfação pela 2ª parte do FCP e a justeza do resultado não nos retira o direito de julgar que a arbitragem, na vertente disciplinar, esteve longe de ser criteriosa.

A arbitragem do Sr. Jorge de Sousa não pode escamotear os erros próprios e sobretudo a aparente má forma física do FCP, e não tem servido, o que não me impede de insistir que Cardozo agrediu Fucile de forma tão violenta, pelo menos, como fez James, logo deveria ter sido expulso.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Roubar o Porto compensa


"Não sei a nota que foi dada ao Jorge Sousa, mas se é positiva é ridículo. Como é que alguém pode ter uma nota positiva quando tem uma exibição tão má como aquela, com influência directa no resultado nos mais variados sentidos? A vossa opinião pode ser diferente, mas na minha óptima roça o ridículo."
André Villas-Boas


Devido à actuação que teve no Guimarães x slb e, principalmente, ao escarcéu feito pelos encarnados, Olegário Benquerença teve a pior classificação da época e foi remetido para a "jarra" durante umas semanas.

Tendo feito uma arbitragem dez vezes pior no último Sporting x FC Porto, com erros gritantes e influência directa no resultado, Jorge Sousa recebeu uma nota positiva e irá, tranquilamente, continuar a arbitrar nos relvados portugueses, sem que ninguém lhe aponte o dedo.

Há demasiados anos que o Sistema (da arbitragem) é este e é esta a mensagem que os senhores do apito há muito perceberam: prejudicar o slb tem como consequência a "jarra", o degredo e até a descida de divisão (não é Pedro Henriques?); prejudicar o FC Porto é premiado com notas positivas, boa classificação no final da época e, para aqueles que ainda não o são, uma boa hipótese de chegar a internacional (não é Bruno Paixão?).

É por estas e por outras que me rio de cada vez que ouço falar em apitos dourados.

P.S. Perante a escandalosa arbitragem de Jorge Sousa, que tão cedo não será esquecida pelos portistas, André Villas-Boas protestou, foi expulso e, além de uma multa de 1340 euros, foi ainda alvo de uma punição de 10 dias, que o impedirá de orientar a equipa na recepção ao Vitória de Setúbal. Quanto à pessoa que provocou tudo isto, só falta ser condecorado no próximo 10 de Junho.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Mais uma vez contra 14

Não é preciso analisar à lupa a actuação de Jorge Sousa no último Sporting x FC Porto, para se constatar que estivemos perante uma arbitragem de campo inclinado, com vários erros graves, prejudicando sempre a mesma equipa – o FC Porto – e que, por isso, teve uma enorme influência no resultado final. As imagens são claríssimas e as opiniões de ex-árbitros vão todas no mesmo sentido. Contudo, parece que não se passou nada de especial. Não houve capas de jornais inflamadas, o futebol português não está de luto e ninguém clamou para que o árbitro fosse remetido para a “jarra”.

O que diria a comunicação social do regime e os “calimeros de Alvalade”, se o golo do FC Porto tivesse sido precedido de um fora-de-jogo indiscutível do marcador do mesmo, se um jogador azul-e-branco tivesse entrado por trás e cravado os pitões na perna de um sportinguista (como Maniche fez a Moutinho aos 60’) ou se, devido a um erro/precipitação do árbitro, a equipa leonina tivesse sido obrigada a jogar com menos um durante os últimos 25 minutos? Não é preciso ser bruxo, porque todos sabemos a resposta.
Em contraponto, muitos portistas acham quase normal ser prejudicados em jogos contra os “viscondes”, principalmente quando esses jogos são disputados em Alvalade ou em campo neutro. E, de facto, analisando a história destes confrontos têm razão para isso.

Para não ficar por generalidades, ou insinuações vagas, para além deste último jogo, recordo mais nove (!) Sporting x FC Porto deste século, marcados por arbitragens vergonhosas e campos inclinados.

Época 2001/02, Agosto de 2001, (Campeonato, Alvalade)
Árbitro: Lucílio Baptista
1ª jornada de um campeonato que viria a ser ganho pelo Sporting. Logo aos 35 minutos, o senhor Lucílio Baptista expulsou o Costinha, mostrando-lhe o 2º cartão amarelo, após uma simulação grosseira de João Vieira Pinto. A televisão mostrou, de forma clara, que o Costinha nem sequer tocou no “grande artista”. O FC Porto jogou quase uma hora com menos um jogador e já perto do fim, sofreu um golo e perdeu o jogo por 0-1.


Época 2002/03, 12 de Janeiro de 2003, (Campeonato, Alvalade)
Árbitro: Lucílio Baptista
«Não foi mas podia ter sido complicado o resultado da arbitragem de Lucílio Baptista (...). Só que a vitória portista foi tão incontestável que ninguém vai dar o relevo que teriam noutras situações três lances de grande penalidade não assinalados, todos a favor do FC Porto. Dois deles foram flagrantes (puxão de Kutuzov a Derlei na área do Sporting, aos 33', e mão de Contreras na área para travar um cruzamento de Clayton, aos 81'), mas o terceiro dificilmente o árbitro poderia ter visto, pois estava a colocar-se no terreno quando Tiago, ao pontapear a bola na área, atingiu primeiro Jorge Costa.»
O JOGO, 13/01/2003

Para além destes três lances, houve um quarto penalty não assinalado, na jogada que precedeu o golo do FC Porto. Quatro penalties, a favor do FC Porto, que ficaram por assinalar num só jogo!


Época 2003/04, 31 de Janeiro de 2004, (Campeonato, Alvalade)
Árbitro: Lucílio Baptista
Foi o terceiro Sporting x FC Porto consecutivo arbitrado por Lucílio Baptista (fantástico o critério das nomeações!) e, se um ano antes tinha feito vista grossa a quatro penalties a favor do FC Porto, desta vez não hesitou em assinalar dois penalties contra os dragões. Mas o desafio teve muitos mais casos de arbitragem de claro prejuízo do FC Porto, os quais podem ser recordados aqui.
No final do jogo, os dirigentes do Sporting consideraram que o árbitro tinha realizado um “bom trabalho”, o presidente da Comissão de Arbitragem da Liga (o confesso sportinguista Luís Guilherme) considerou a arbitragem de Lucílio Baptista "extremamente positiva" e os jornais Record e A Bola atribuíram-lhe uma elevada pontuação.


Época 2004/05, 21 de Março de 2005, (Campeonato, Alvalade)
Árbitro: João Ferreira
«McCarthy e Seitaridis terão sido mal expulsos do clássico no entender dos especialistas de O JOGO. No lance do grego, punido com vermelho pela grande penalidade cometida, as críticas a João Ferreira são unânimes: Seitaridis deveria ter visto apenas um amarelo por cortar uma linha de passe e não uma situação de golo iminente. Na avaliação feita à cotovelada do sul-africano, apenas António Rola aceita o entendimento do árbitro, apesar de, à semelhança dos outros, ter ressalvado que achava a expulsão demasiado severa.»
‘Tribunal de O JOGO’, 22/03/2005

«Ontem, ao minuto 35 do jogo de Alvalade, o Sr. João Ferreira decidiu abrir o caminho do título ao Benfica, juntando-se a uma vasta campanha nacional em curso que tem como objectivo levar o Benfica ao título, nem que seja por decreto-lei. (...) De uma assentada, o Sr. João Ferreira conseguiu atingir duplamente o FC Porto: tomando decisões que se revelaram determinantes na derrota e privando a equipa de contar com McCarthy para os jogos seguintes.»
Miguel Sousa Tavares, A Bola, 22/03/2005


Época 2007/08, 11 de Agosto de 2007, (Supertaça, Leiria)
Árbitro: Bruno Paixão
Logo ao 2º minuto, zás, amarelo para o Paulo Assunção e passados mais oito minutos foi a vez de Pedro Emanuel, após ter feito uma falta normalíssima, também ficar amarelado. E assim, ao minuto 10, um dos defesas-centrais e o médio-defensivo (um jogador-chave nas compensações defensivas dos dragões) já estavam condicionados para o resto do jogo.
Poucos minutos após o início da 2ª parte, e ainda com o resultado em branco, deu-se o caso do jogo. Dentro da área do Sporting, Tonel corta a bola com a mão bem acima da cabeça. Os jogadores viram e o público, a avaliar pela reacção vinda da bancada, também não teve dúvidas. Penalty claríssimo em qualquer parte do mundo (e amarelo para Tonel), mas que Bruno Paixão (bem posicionado) e o árbitro-assistente que acompanhava o ataque do FC Porto decidiram ignorar.


Época 2007/08, 18 de Maio de 2008, (Taça de Portugal, Jamor)
Árbitro: Olegário Benquerença
Para além da enorme dualidade de critérios na mostragem dos cartões, em claríssimo prejuízo do FC Porto, o lance mais flagrante, em que Olegário mostrou ao que vinha, ocorreu aos 71 minutos, instantes antes da expulsão de João Paulo. Primeiro Polga e depois Miguel Veloso derrubam Lisandro dentro da área do Sporting, em ambos os casos sem nunca tocarem na bola. Fruto desta decisão de Benquerença, de uma situação em que o FC Porto poderia ter passado para uma vantagem no marcador, passou, isso sim, a jogar com menos um jogador!
O jogo terminou com os sportinguistas em festa e com os jogadores do FC Porto a chorar, com a revolta estampada no rosto. O festival dado por Olegário neste jogo pode ser recordado aqui.


Época 2008/09, Agosto de 2008, (Supertaça)
Árbitro: Carlos Xistra
Logo no jogo de abertura da época, a Supertaça Cândido de Oliveira entre o Sporting e o FC Porto, Xistra perdoou a expulsão a dois sportinguistas, conforme pode ser recordado aqui.


Época 2008/09, 9 de Novembro de 2008, (Taça de Portugal, Alvalade)
Árbitro: Bruno Paixão
Uma arbitragem desastrosa, com erros a prejudicar as duas equipas mas, quer no aspecto técnico, quer no disciplinar, não há dúvida para que lado é que o campo esteve inclinado. Por exemplo, perante a habitual pressão histérica do público de Alvalade, Bruno Paixão amarelou três jogadores do FC Porto entre os 37 e os 46 minutos. Nesta altura do jogo, o FC Porto tinha um total de 6 faltas (uma média de um cartão amarelo por cada duas faltas!), enquanto o Sporting já ia em 16 faltas (e zero cartões). Mas houve muito mais, que pode ser recordado aqui.


Época 2008/09, 4 de Fevereiro de 2009, (Taça da Liga - Meia-final, Alvalade)
Árbitro: Carlos Xistra
A forma como Xistra inventou dois penalties, invertendo um resultado de 1-0 a favor do FC Porto para o 2-1 que abriu caminho à vitória leonina, ficou nos registos como uma das maiores poucas vergonhas dessa época.

"Tal como há fantásticos jogadores e treinadores que tomam opções erradas, o mesmo acontece com os árbitros. Estamos na presença de um excelente árbitro, mas que se equivocou numa fase de jogo em que o marcador estava em 1-1, num lance em que Postiga devia ter levado segundo amarelo por simulação e o Sporting ficava com dez jogadores. Em vez disso assinalou penalty contra nós, um de dois mal assinalados. Há lances que são grande penalidade e não o são no nosso estádio. É difícil conseguir clima de tranquilidade na arbitragem, assim. É com isto que temos de viver."
José Gomes (treinador-adjunto do FC Porto), na conferência de imprensa


É por estas e por outras, que alguns sportinguistas deviam lavar a boca quando falam no “Sistema” ou em Apitos. Mas não, para além de uma memória altamente selectiva, chegam ao ponto de se queixarem até em jogos que são beneficiados!

domingo, 28 de novembro de 2010

O Labaredas e A Bola


Sportinguista durante hora e meia?

Os especialistas em arbitragem e cronistas falam em erro com influência no resultado, expulsão perdoada a Maniche e má análise no vermelho a Maicon. Foi isso, de facto, que a esmagadora maioria dos olhos presentes em Alvalade viu. Entre os «cegos», todavia, encontrava-se Fernando Guerra. A sua apreciação ao trabalho do árbitro é «brilhante». Pergunta o Labaredas: será que esta cabeça pensante de A Bola virou sportinguista durante hora e meia ou é mesmo ódio ao FC Porto?

Nota 6: «Trabalho complicado em cenário de muita turbulência. As maças, os comportamentos, as entradas, enfim, houve de tudo um pouco, até duas expulsões. Pode queixar-se o FC Porto da posição irregular de Valdés no golo, mas o lance é dos merecem condescendência, pelo menos…»

Para além da gralha, uma ideia ressalta desta observação «minuciosa»: será que Jorge Sousa deixou de ser persona non grata, caro Guerra?

in Labaredas, 28/11/2010

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Mais do que questionar o súbito ataque de sportinguismo do jornalista encarnado Fernando Guerra, gostava de ter visto umas labaredas mais incisivas para com o árbitro do Sporting x FC Porto. É que eu estou-me a marimbar para o anti-portismo dos jornalistas de A Bola mas, relativamente à arbitragem de ontem, não faltam motivos para uma enorme chama de revolta.

E, já agora, também não ficavam mal uns recados para o senhor Vítor Pereira, porque se nos calarmos, é certo e sabido que o senhor Jorge Sousa não irá para a "jarra", nem esta miserável arbitragem irá merecer qualquer análise na sua próxima "palestra".

sábado, 22 de maio de 2010

Coacção sobre os árbitros, o artigo 54

«(...) a Polícia Judiciária recorreu sobretudo à informação de operadoras telefónicas, o que permitiu identificar indivíduos residentes em várias localidades do país: Paredes, Rio Tinto, Tondela, Lisboa e Ponta Delgada, nos Açores. São todos estudantes, à excepção de um, tendo em comum a ligação, como adeptos, ao Benfica. (...)
Uma questão ainda sem resposta é a forma como os suspeitos acederam aos números de telefone dos árbitros, bem como, informações sobre familiares que, por serem verdadeiras, atemorizaram ainda mais as vítimas. O caso que aparenta maior gravidade é o de Jorge Sousa. Este árbitro de Paredes recebeu um telefonema de um número anónimo, a 31 de Outubro do ano passado, logo após a partida Braga-Benfica, vencida pelos bracarenses por 2-0. O interlocutor da chamada terá dito que, por aquele juiz ter-se "portado mal", a sua mulher, que estava "sozinha" em casa, iria sofrer "consequências". Sucede que, naquele dia, a esposa de Jorge Sousa estava efectivamente sozinha em casa - o que demonstra conhecimento privilegiado da vida familiar do árbitro
in JN


«O presidente da Comissão de Arbitragem, Vítor Pereira, e três árbitros (João Ferreira, Jorge Sousa e Vasco Santos) foram os alvos das ameaças alegadamente feitas nos últimos oito meses por nove indivíduos detidos anteontem por alegado envolvimento nos crimes de injúrias, coacção e ameaças. Os arguidos foram sujeitos a Termo de Indentidade e Residência e, segundo assegurou ao PÚBLICO uma fonte policial, são todos adeptos do Benfica.
A investigação da Polícia Judiciária vai prosseguir no sentido de apurar se, além dos autores materiais, houve alguém que induziu os arguidos na condição de ‘mandante’ para, “antes dos jogos do clube em causa [Benfica], coagirem e a fazerem “ameaças à integridade física e de morte aos árbitros nomeados e aos seus familiares”, de acordo com o comunicado difundido pela PJ.»
in PUBLICO


«Reza o artigo 54º do Regulamento Disciplinar da Liga, sob o título Coacção, que "os clubes que exerçam violências físicas e morais (…) sobre a equipa de arbitragem com o fim de, por qualquer forma, ocasionar condições anormais na direcção do encontro com consequências no resultado (…) serão punidos nos termos do nº1 do Art.º 51º". Mais esclarece que "os clubes são responsáveis (…) pelos factos cometidos, directa ou indirectamente, por qualquer dos seus dirigentes ou representantes, SÓCIOS e funcionários". Ora, as ameaças de morte de que foram alvo alguns árbitros parecem-me encaixar na designação "violências morais". Não sei quais são as preferências clubísticas dos adeptos alegadamente responsáveis por elas ou até se serão sócios de algum clube. O que me parece é que a Comissão Disciplinar da Liga devia ser célere a investigar o assunto e tão rigorosa como sempre na aplicação da lei que, como muitas outras deste Regulamente Disciplinar, é uma autêntica Caixa de Pandora. A propósito, o artigo 51º é o tal que prevê a baixa de divisão ou, no caso de ilícitos cometidos na forma de tentativa, a subtracção de seis pontos na classificação geral...»
Jorge Maia
O JOGO, 22/05/2010