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sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Onde colocar a Europa League na lista de prioridades?

Que queremos de uma competição como a Europa League a partir de Fevereiro?
Esse é seguramente um dos grandes dilemas da Porto SAD agora mesmo. Ninguém pensava nesse cenário este ano. O sorteio da Champions League parecia perfeitamente acessível a uma equipa que tinha chegado aos Quartos-de-Final do ano anterior e, como disse bem Mourinho, depois da dupla ronda contra o Macabbi instalou-se no clube e nos adeptos a sensação de que “estava feito”. Não estava. Agora o futebol europeu hiberna mas a partir de Fevereiro é preciso tomar decisões. Em que ponto da equação devemos colocar a relevância de um torneio como a Europa League?

Parece claro que o grande objectivo do Porto permanece absolutamente inalterado.
A cada ano o clube orçamenta a temporada e traça como objectivo mínimo lutar pelo título e por um lugar nos oitavos da Champions. As Taças são torneios cada vez mais residuais nesta equação. O orçamento é planificado com base nesse raciocínio (terminar num lugar de acesso directo à Champions, preferencialmente com o título e a soma dos milhões da Champions via oitavos-de-final…depois, logo se vê). O plano para este ano – um ano de ajustes – ficou destroçado. Não só a equipa caiu antes do previsto como hipotecou superar o lucro do ano passado uma vez que o aumento dos prémios da UEFA significam na prática que alcançar agora os oitavos-de-final equivale a alcançar os quartos no modelo anterior. Repetir o (difícil) feito do ano passado seria aumentar ainda mais o bolo e tão necessitados estamos que imaginar um cenário distinto deve provocar ataques aos responsáveis de tesouraria.  Basta pensar que vários reforços foram concretizados precisamente a pensar na exigência máxima do universo Champions (e por isso a folha salarial subiu e subiu) e que agora o clube estará a pagar o dobro ou triplo do expectável a jogadores para alcançar objectivos bem mais acessíveis. 
Mas agora que o sonho de fazer mais uma pequena fortuna na Champions se esfumou, que podemos fazer com o cenário Europa League, uma competição que provoca um profundo desinteresse nos principais clubes da Europa e até em alguns emblemas de segunda fila das ligas principais. Razão? A quase total ausência de prémios monetários que justifiquem o desgaste de varias rondas em troca de nada. É isso que queremos priorizar?

Há outro cenário em equação. 
O FC Porto tem, em principio, um dos dois primeiros lugares ao seu alcance, os que dão o apuramento directo para a Liga dos Campeões 2016/17. A Europa League, desde o ano passado, permite aos campeões qualificarem-se directamente para a fase de grupos da Champions. É um plus de atracção para equipas como o Sevilla, Napoli, Fiorentina, Tottenham, Monaco, Liverpool ou Dortmund que possam ter mais concorrência interna. É uma justificação para colocarem todas as fichas no torneio se as coisas na liga correm mal. Para o Porto isso não parece ser sequer uma necessidade. Mas para muitos dos seus hipotéticos rivais será e isso significará medir-se com clubes com outras - genuínas - aspirações no torneio dispostos a tudo para ganhar. Vale a pena igualar esse esforço por nada?
Por fim está o suposto prestigio. O FC Porto venceu o torneio em duas ocasiões, em 2003 e 2011, e em ambas temporadas esse sucesso consagrou duas grandes equipas que pareciam destinadas a grandes coisas (a segunda ficou em modo coitus interruptus mas à época estava cotada perfeitamente entre as melhores do continente). O cenário deste ano parece-se, no entanto, muito mais com o do ano de estreia de Vítor Pereira. O Porto tem plantel para lutar pelo titulo na competição no papel mas a equipa não gera nos adeptos a sensação de que esse cenário actualmente é lógico e gastar energia para competir num torneio que não precisamos de ganhar para ter lucro económico ou desportivo e que a nível de prestigio é cada vez mais irrelevante a nível internacional – o nível tem decaído muito desde 2003 como o Sevilla, incapaz de competir na Champions League, bem demonstrou – parece ser bastante superfulo.



Está claro que o objectivo máximo e absoluto deve ser a partir de agora a aposta no campeonato. Ficou evidente no ano passado, a partir de certo momento, que Lopetegui preferiu sempre colocar as fichas na Champions do que na liga e o preço a pagar chegou precisamente na Luz quando uma equipa física e mentalmente destruída em Munique foi incapaz de dar um golpe de efeito no campeonato como sim logrou Vítor Pereira três anos antes, sem o desgaste da Europa em cima. Já não há desculpa para que este ano se duvide no rumo a seguir. O campeonato tem de ser a primeira, segunda e terceira prioridade absoluta e inequívoca e as taças nacionais um bom momento para testar alternativas, distribuir minutos e procurar chegar às últimas rondas (no caso da Taça de Portugal) ou de ignorar por completo (no caso da Taça da Liga) no plano de prioridades.
Se existia uma lógica financeira e de prestigio no raciocínio da SAD e do treinador em 2014/15 em partilhar o protagonismo da liga e Champions nos objectivos de grupo, o mesmo não se pode dizer agora nem faz sequer sentido que a direcção defina a Europa League como algo prioritário. 
A partir de Fevereiro o cenário pode ser muito diferente porque não sabemos como vai estar a tabela classificativa no fim do Inverno, depois da equipa ter passado já por Alvalade. Uma liderança – eventualmente folgada a mais de tres pontos de diferença – dão uma liberdade que uma luta apertada (ou um segundo lugar) não permitem.
A natureza do rival, a conhecer em sorteio na segunda-feira, também pode condicionar muita coisa. No ano de Vítor Pereira o Porto teve o azar de ser sorteado com um dos máximos candidatos ao troféu (ironicamente eliminados pelo Sporting na ronda seguinte) mas os homens de Paulo Fonseca tinham apenas de medir-se ao Eintracht Frankfurt quando foram sorteados os 16 avos de final o que permitia uma preparação totalmente diferente.

Faz portanto sentido colocar a Europa League no topo das prioridades do clube? Deve-se, em contrapartida, ignorar a competição sendo que o FC Porto nunca entra em campo para não ganhar mas sabendo que há jogos que devem ser tratados com mais ou menos exigência consoante o que o clube quer? É, para o Porto, a Europa League mais importante, agora mesmo, que uma Taça de Portugal e uma possível dobradinha, muito mais fácil de conquistar e talvez mais relevante a nivel emocional para adeptos que levam três anos sem levantar um troféu?

Pessoalmente acho que Lopetegui e a SAD devem esquecer por completo o futebol europeu até Fevereiro, dando ZERO importância agora mesmo à segunda competição da UEFA, gerindo os esforços absolutamente pensando a nível doméstico. Tendo em conta o rival e a conjuntura em Fevereiro, pode-se perfeitamente rever a ordem de prioridades mas não acredito que o clube deva desgastar-se em tentar ganhar um torneio que, actualmente, não parece ser minimamente relevante para os objectivos a médio prazo da instituição. O Porto pode ir tentando passar fase a fase, como o orgulho ao escudo exige, mas nem os adeptos nem a direcção deveriam colocar o peso das expectativas no plantel e staff técnico numa perspectiva europeia. O erro está feito e é irreversível e a Europa, a Europa a sério, só chegará mesmo para o ano. O importante agora é tratar de voltar com o escudo de campeão ao peito e acabar de vez com uma seca de títulos importantes de três anos num mano a mano com um rival que, ainda que gaste muito mais do que proclama, continua a estar perfeitamente à altura do investimento realizado.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Money, money, money

Money, money, money
Must be funny
In the rich man's world
Money, money, money
Always sunny
In the rich man's world
Aha-ahaaa
All the things I could do
If I had a little money
It's a rich man's world

Penso que toda a gente conhecerá esta parte da letra da canção “Money Money Money”.

Depois do ‘I have a dream’, que muitos (como eu) tiveram antes do pesadelo de Munique, ontem à noite, quando ficou fechado o lote dos quatro semifinalistas da Liga dos Campeões 2014/2015, lembrei-me deste refrão de uma das músicas (mais actual) dos ABBA e que assenta, como uma luva, nas fases avançadas da UEFA Champions League (UCL).

De facto, nas 11 épocas que se seguiram ao FC Porto do "cometa" Mourinho ter brilhado nos céus de Gelsenkirchen, a lista dos semifinalistas da UEFA Champions League foi a seguinte:

2004/2005 – Liverpool, Chelsea, AC Milan, PSV
2005/2006 – Barcelona, Arsenal, Villarreal, AC Milan
2006/2007 – AC Milan, Liverpool, Manchester United, Chelsea
2007/2008 – Chelsea, Liverpool, Manchester United, Barcelona
2008/2009 – Barcelona, Manchester United, Chelsea, Arsenal
2009/2010 – Inter, Bayern, Lyon, Barcelona
2010/2011 – Manchester United, Barcelona, Real Madrid, Schalke 04
2011/2012 – Chelsea, Bayern, Barcelona, Real Madrid
2012/2013 – Bayern, Real Madrid, Barcelona, Borussia Dortmund
2013/2014 – Real Madrid, Atletico Madrid, Bayern, Chelsea
2014/2015 – Barcelona, Bayern, Juventus, Real Madrid

Agora comparem a lista anterior com o quadro seguinte, extraído da 18ª edição da Deloitte Football Money League, e que corresponde aos clubes que tiveram maiores receitas (sem contar com transferências) na época 2013/2014.

Receitas dos clubes na época 2013/2014 (fonte: Deloitte Football Money League, Jan 2015)

Notam alguma correlação?
Para começar, é muito difícil encontrar nas meias-finais da UCL, clubes que não estejam no top 20 da Money League.

A última vez que houve um semifinalista que não faz parte deste top 20, foi há cinco anos atrás, em 2009/2010 – o Olympique Lyon. Antes disso, tinha havido o Villarreal (em 2005/2006) e o PSV (em 2004/2005).
Três casos no meio dos 44 semifinalistas dos últimos 11 anos!
Ou seja, os factos demonstram que cada vez é mais difícil (e raro), um clube da “classe média” europeia entrar no lote restrito dos semifinalistas da UEFA Champions League.

Na realidade, para um clube da “classe média” europeia chegar a uma meia-final da UEFA Champions League, é preciso juntar dois factores:

– a equipa tem de ser boa e muito competente nos jogos efectuados;
– é preciso ter sorte nos sorteios dos Oitavos e dos Quartos-de-final.

Esta época, a equipa do FC Porto foi muito competente nos jogos que efectuou no Play-off, na Fase de Grupos e nos Oitavos-de-final.
Mas também, há que o reconhecer, tivemos muita sorte no sorteio dos Oitavos-de-final.

Quando um dos factores falhou – tivemos muito azar no sorteio dos Quartos-de-final – dissemos adeus ao clube dos ricos.

Clube dos ricos que, cada vez mais, inclui clubes dos Big 5 (principalmente ingleses).

Top 20 da Deloitte (fonte: Deloitte Football Money League, Jan 2015)

E, se juntarmos ao cenário actual, o fim (limitação) dos Fundos e o aumento (em alguns casos exponencial) das receitas televisivas e comerciais (principalmente em mercados como o inglês e alemão), estou convencido que, nos próximos anos, esta tendência vai acentuar-se e alargar-se aos Quartos-de-final da UCL, onde também será cada vez mais difícil ver clubes da “classe média”.

Por tudo isto, e mesmo correndo o risco de levar uma coça (goleada) de um dos clubes ricos, suspeito que ainda vamos ter saudades de disputar uns Quartos-de-final da UEFA Champions League…


P.S. Os quatro semifinalistas desta época - Real Madrid (549.5M), Bayern Munique (487.5M), FC Barcelona (484.6M), Juventus (279.4M) - tiveram, na época passada, receitas (proveitos operacionais, sem incluir proveitos com transferências) que, no total, perfazem 1800 milhões de euros!

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Prestígio, fama e muitos milhões

No passado mês de Março, e após negociação com a ECA (European Club Association), a UEFA aprovou o plano de distribuição de receitas da Liga dos Campeões para o triénio 2015 – 2018.

São muitos milhões e, por exemplo, se na próxima época (2015/2016) o FC Porto conseguir repetir o desempenho que teve esta época na fase de grupos, garantirá, só em prémios (sem contar com receitas de bilheteira e market pool), um total de 24,5 milhões de euros!

Receitas da Liga dos Campeões (fonte: O JOGO, 01-04-2015)

Mas a Liga dos Campeões não se resume, “apenas”, aos milhões que distribui pelos clubes participantes. A UEFA Champions League é muito mais do que isso.

A UEFA Champions League é uma das competições desportivas mais vistas em todo o Mundo, só tendo paralelo com Jogos Olímpicos e fases finais de campeonatos do Mundo de futebol (competições disputadas de 4 em 4 anos).


Os clubes que, regularmente, disputam a UEFA Champions League e, principalmente, os que atingem as fases mais adiantadas da prova, aos muitos milhões que recebem, juntam prestígio e notoriedade a nível mundial.

Por tudo isto, custa-me a compreender, que o desempenho do FC Porto na Liga dos Campeões 2014/2015 não seja devidamente valorizado por uma fatia significativa dos adeptos portistas. Aliás, ouvindo o que alguns desses adeptos dizem e lendo o que outros escrevem, fica a ideia que preferiam ganhar a Taça de Portugal ou, pior ainda,… a Taça da Liga!

Nota: Em contraponto aos adeptos portistas, eu percebo, perfeitamente, que adeptos de clubes que raramente passam a fase de grupos da Liga dos Campeões, digam que preferem ganhar a Taça da Liga ou ir “à festa do Jamor”. É a velha história da raposa e das uvas, que estão verdes…

segunda-feira, 9 de março de 2015

Receitas directas e indirectas

«Da receita comercial bruta estimada, 55 milhões serão alocados exclusivamente ao “play-off”, como aconteceu em 2013/14. Cada uma das 20 equipas que participaram no “play-off” receberá uma quantia fixa de 2,1 milhões. Após a dedução da alocação para os clubes envolvidos no “play-off”, a quantia bruta disponível para a UEFA Champions League e a SuperTaça Europeia totaliza 1,285 mil milhões. (…)
O montante líquido disponível para as equipas participantes será dividido em dois – 500,7 milhões em pagamentos fixos (alocações a bónus da fase de grupos, desempenho e qualificação) e 409,6 milhões em verbas variáveis (quota de mercado). A verba destinada à quota de mercado será distribuída de acordo com o valor proporcional de cada mercado televisivo representado pelos clubes que disputem a UEFA Champions League (da fase de grupos em diante), e será dividida entre as equipas de cada federação. (…)
Cada uma das 32 equipas envolvidas na fase de grupos vai somar um valor base de 8,6 milhões. Os bónus de desempenho estipulam o pagamento de um milhão por vitória e 500 mil euros por empate na fase de grupos. Os apurados para os oitavos-de-final também podem esperar receber 3,5 milhões cada, os oito apurados para os quartos-de-final têm direito a 3,9 milhões e os quatro semifinalistas embolsam 4,9 milhões. O vencedor da UEFA Champions League arrecada 10,5 milhões e ao finalista vencido cabe 6,5 milhões


Receitas já obtidas pela FC Porto SAD, directamente resultantes da Liga dos Campeões 2014/2015:

Liga dos Campeões 2014/2015 - Projecção de Receitas do FC Porto


Se, amanhã, o FC Porto alcançar o desejado apuramento para os quartos-de-final da Liga dos Campeões 2014/2015 junta, desde logo, mais 3.9 milhões de euros ao pecúlio já amealhado, perfazendo 23.1 milhões de euros.
E, somando-lhe as receitas de bilheteira de seis jogos em casa (Lille, BATE, Athletic Bilbao, Shakhtar, FC Basel, adversário nos ¼), mais o montante do market pool, projecta-se uma receita directa global na ordem dos 30 milhões de euros!

Na época 2012/2013, em que também participaram três equipas portuguesas na fase de grupos - FC Porto, SL Benfica, SC Braga - a distribuição de receitas foi a seguinte:

Liga dos Campeões 2012/2013 - distribuição de receitas pelos clubes (clicar para ampliar)

Mais. Estando o FC Porto posicionado a meio da “cadeia alimentar” (entre os clubes “produtores” e os “predadores de topo”) e sendo a Liga dos Campeões a principal “montra” do futebol mundial, em quanto é que já se valorizaram alguns ativos da SAD, como Danilo, Indi, Alex Sandro, Rúben Neves, Herrera ou Brahimi, graças ao muito bom desempenho colectivo (9 jogos, 6 vitórias, 3 empates, 0 derrotas) verificado até agora?

É por tudo isto que, na minha opinião, é bem mais importante chegar a uns quartos-de-final da Liga dos Campeões do que a uma final da Liga Europa.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

10,7 milhões e outras vantagens

«Na última temporada, a participação [do FC Porto] nas competições europeias valeu 15,5 milhões de euros (já com o market pool incluído), mesmo com a eliminação precoce na fase de grupos da Champions – a Liga Europa pouco contribuiu para o bolo final.
Esta época, o FC Porto receberá 2,1 milhões de euros só pela participação neste play-off, verba à qual acrescerá, na eventualidade de apuramento, a de 8,6 milhões pela presença na fase de grupos. Ou seja, em jogo nesta eliminatória estão, no mínimo, 10,7 milhões de euros de receitas diretas, que crescerão com os pontos acumulados nos seis primeiros jogos da prova.»
in O JOGO, 07-08-2014


Segundo este texto do jornal O JOGO (publicado no início de Agosto), o FC Porto (3º classificado do campeonato 2013/2014) irá iniciar a fase de grupos da Liga dos Campeões 2014/2015 com mais 2,1 milhões de euros do que o Sporting (2º classificado do campeonato 2013/2014).
Isto sem contar com a receita de bilheteira do FC Porto x Lille a qual, presumo, terá superado os 500 mil euros, visto que estiveram presentes mais de 45 mil espectadores.

Mas, para além do aspecto monetário, este play-off teve outras vantagens “imateriais”, nomeadamente:

i) “obrigou” a Administração da FC Porto SAD a reforçar qualitativamente o plantel, de uma forma que me parece significativa;

ii) “obrigou” a fechar o núcleo duro do plantel 2014/2015, sensivelmente, um mês antes do fecho do mercado;

iii) proporcionou ao treinador dois jogos “extra”, de elevado grau de dificuldade, que puseram muitos dos novos jogadores à prova e contribuíram para dar rotinas a uma equipa em construção.


Em resumo, tendo o FC Porto superado o play-off da Liga dos Campeões, foi melhor ter ficado em 3º do que em 2º lugar no último campeonato. Mas isto, claro, é uma análise a posteriori.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Deloitte Football, 2000 a 2010


Mais do que apenas chapar a(s) tabela(s) da Deloitte Football Money League, referentes às receitas geradas pelos clubes na temporada de 2009/2010, o site Maisfutebol fez uma análise comparativa da evolução verificada no século XXI, isto é, de como era a realidade em 2000 e como é agora.

Convém salientar que as receitas dos clubes consideradas neste ranking da Deloitte não incluem transferências e são divididas em três categorias:
- Receitas de Bilheteira (inclui os lugares anuais);
- Direitos TV (inclui a venda de direitos TV nacionais e internacionais);
- Comércio (inclui todos os patrocínios e merchandising).

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Sete ingleses, quatro alemães, quatro italianos, três espanhóis e dois franceses. Em 2011, estes são os países que colocam clubes entre os que maiores receitas produziram no último ano. Maisfutebol foi ver como era em 2000, de acordo com o mesmo estudo, produzido pela Deloitte. As diferenças são grandes.

Em 2000, no relatório que costuma acompanhar a divulgação da tabela dos clubes mais ricos do mundo (em rigor, são os que geram maior receita, não necessariamente os mais ricos, as despesas ficam fora da análise), previa-se que o domínio inglês desse período podia em breve estar ameaçado.
Essa previsão concretizou-se. Em 2000, o Manchester United dominava a tabela, seguido do Bayern de Munique. Entre os cinco primeiros só havia um espanhol, o Real Madrid, e o Barcelona era apenas sexto. Por essa altura, em Itália e Espanha os clubes assinavam novos e lucrativos contratos com a televisão. E a Deloitte previa que isso pudesse alterar a tabela dos mais ricos. Certo. No entanto, identificava a Itália como principal ameaça ao domínio inglês, o que a história acabou por não confirmar.

Em 2000, a Inglaterra colocava oito clubes entre os 20 maiores. Agora tem sete. A Itália tinha seis, hoje está reduzida a quatro. A Espanha somou o Atlético Madrid ao Real Madrid e ao Barcelona. A Alemanha passou de dois para quatro representantes e a França surge na lista em 2011, facto que não se passava há dez anos. Nessa altura, Glasgow Rangers e Celtic faziam figura entre os maiores. Agora a Escócia foi retirada do mapa.

A primeira década do século XXI permitiu ao Real Madrid passar de terceiro para primeiro, mas o grande salto foi dado pelo Barcelona, que antes era sexto e hoje ameaça a liderança do clube de Florentino. O Manchester United caiu de primeiro para terceiro e o Bayern Munique de segundo para quarto.
O crescimento dos dois maiores clubes espanhóis não significa que a riqueza tenha sido bem distribuída. É verdade que o Atlético Madrid conseguiu aceder ao top 20, mas só isso.

Do ponto de vista da geração de receitas, os clubes ingleses continuam a impressionar. Claro que alguns ficaram pelo caminho. O Leeds, histórico, é o maior exemplo. Em 2000 ainda era poderoso, agora anda no segundo campeonato inglês, depois de dias de amargura. Está na luta pelo acesso à Premier League, ao lado de outros para quem a última década foi penosa: Nottingham Forest, Ipswich Town, QPRangers ou Middlesbrough.

Em 2000, a tabela ainda era ordenada em milhões de contos. Feita a conversão, a diferença é enorme. Os clubes tornaram-se em verdadeiras máquinas de fazer dinheiro. Recebem mais das televisões e dos patrocinadores, afinaram a bilheteira e a relação com os adeptos, a quem vendem hoje muito mais produtos. Descobriram também mercados novos, o asiático antes de todos.

Todos os clubes do top 20 geram hoje mais receitas do que em 2000. Alguns têm mesmo muito mais receitas.
Eis a comparação (2010 vs 2000):
Real Madrid (438 M / 124 M)
Barcelona (398/91)
Manchester United (349/180)
Bayern Munique (323/135)
Arsenal (274/79)
Chelsea (255/96)
Milan (235/88)
Liverpool (225/75)
Inter (224/80)
Juventus (205/95)

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Em 2000, o Manchester United destacava-se com receitas de 180 milhões de euros. Dez anos depois, há 10 clubes com receitas acima dos 200 milhões de euros por ano.
Sendo esta a realidade, ainda hoje me interrogo como é que foi possível o FC Porto ter ganho a Liga dos Campeões em 2004.



Olhando para o gráfico anterior, verifica-se que as receitas de televisão (direitos de TV) representam uma fatia muito significativa das receitas dos clubes mais ricos da Europa. No caso do AC Milan, Inter e Juventus, representam mesmo mais de 60% das suas receitas.

Gráficos e Tabelas: FutebolFinance, Deloitte Football Money League

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Prémio de participação no Mundial de 2010

A FIFA organiza de 4 em 4 anos uma competição de futebol de selecções nacionais de todos os cantos do mundo. Chama a essa competição "Campeonato do Mundo de Futebol". Estas competições são extremamente proveitosas para a própria FIFA (o Mundial de África do Sul de 2010 rendeu cerca de 2.600 Milhões de Euros), que estranhamente pouco redistribui quer pelos seus participantes quer pelas federações afiliadas que não participam.

O Mundial de África do Sul de 2010 viu (e bem) emergir mais um beneficiário da competição: os clubes detentores dos passes dos jogadores convocados para as selecções participantes.
Apesar de o valor não ser muito alto para os clubes com jogadores de topo ($1600 dólares por dia), será decerto uma ajuda preciosa para alguns clubes, podendo ser em alguns casos, até várias vezes maior do que o salário recebido pelo jogador. Segundo o site oficial da FIFA, o número de dias utilizado para os cálculos das "redistribuições de riqueza" é obtido contabilizando o número de dias em que o atleta esteve na competição e acrescentando duas semanas de preparação, i.e., desde duas semanas antes do primeiro jogo até ao dia da eliminatória em que a selecção para a qual foi convocado foi eliminada.

Os principais clubes beneficiados com esta medida foram os do costume, o que não é de estranhar porque são os clubes que têm mais internacionais pelas grandes selecções nas suas fileiras. O Barcelona foi o clube que mais recebeu ($667.000, por 13 jogadores), seguido do Bayern de Munique ($599.000), Chelsea FC ($588.000), Liverpool FC ($535.000) e Real Madrid ($522.000).

No caso do FC Porto este dinheiro poderá dar alguma ajuda, especialmente numa época em que não há prémios por participação na Liga dos Campeões, equivalendo a um pouco mais do que $350.000. As receitas referentes ao FC Porto estão distribuídas da seguinte forma:

Estes valores não se encontram discriminados por clube oficialmente, estando por isso os valores acima sujeitos a erros de cálculo

Esperemos que esta generosidade da FIFA se mantenha nas próximas competições, já que é a competição nos clubes que revela e paga os jogadores que tanta gente atraem a estas competições de selecções nacionais. Para o FC Porto, só podemos desejar sucesso aos jogadores mundialistas e esperar que as suas selecções sejam sempre finalistas!

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

O valor do futebol na TV


Em Julho do ano passado, o João Saraiva e o José Rodrigues já abordaram este assunto em dois artigos:
A evolução do direitos de TV (07/07/2008)
Joaquim Oliveira, o "amigo" dos clubes (08/07/2008)

Contudo, a discussão à volta do valor das transmissões televisivas dos jogos de futebol continua ser um tema actual (actualíssimo!) e, por isso, transcrevo de seguida partes de dois artigos do DN de 28 de Agosto.


«Actualmente, a Olivedesportos, detentora dos direitos televisivos das duas Ligas profissionais, investe por época cerca de 45 milhões de euros no escalão principal, canalizando as maiores fatias para os três grandes, com Benfica, FC Porto e Sporting a garantirem praticamente a mesma verba, cerca de 8,5 milhões de euros.

As equipas apontadas como candidatas a lugares europeus garantem receitas na ordem dos três milhões de euros, como sucede com o Vitória de Guimarães, enquanto o Sporting de Braga encaixa um pouco menos, cerca de 2,5 milhões.

Os emblemas que partem para a Liga com o principal objectivo da manutenção recebem cerca de 1,5 milhões, como Académica ou Leixões.

O presidente da SAD do clube de Matosinhos, Carlos Oliveira, é precisamente dos que defende um outro modelo de negociação dos direitos televisivos, de forma a reforçar o poder negocial dos clubes mais pequenos.
"Há uma disparidade enorme entre aquilo que é pago aos três grandes e aos outros clubes. Um modelo como se pratica em Inglaterra [acordo colectivo] seria muito mais interessante", defende, apontando para uma solução que, nas suas palavras, até poderia melhorar a qualidade da primeira Liga portuguesa.
Carlos Oliveira acredita que se os clubes acumularem "boa parte do orçamento através das receitas televisivas" o fosso entre as equipas "diminuirá", tornando a liga portuguesa "mais espectacular e competitiva".

Um artigo recente publicado pelo Futebol Finance, site especializado na área económica da modalidade, estimava que um acordo colectivo poderia render anualmente à liga principal até 150 milhões de euros, o triplo dos números actuais.
Mesmo assim, há clubes que parecem mais inclinados em estudar individualmente propostas, como o Benfica, que acredita poder passar a arrecadar uma verba na ordem dos 40 milhões de euros por época assim que expirar o acordo com a Olivedesportos, como estimava ao diário Público, em finais de 2008, o administrador Domingos Soares Oliveira.

Comparando os valores a Ligas com semelhanças à portuguesa e que também firmaram acordos colectivos, os números equivalem-se aos praticados em Portugal, como sucede na Bélgica (46 milhões de euros por época) ou Dinamarca (47).

Na Grécia, a Liga recebia um pouco mais, cerca de 55 milhões de euros, mas um novo acordo assinado entre com a Skai TV e NOVA renderá anualmente perto de 70 milhões de euros de receitas televisivas (mais 25 milhões que o contrato anterior) a partir desta temporada.
De fora ficaram Olympiacos e Xanthi, que preferiram manter os vínculos à estação pública NET.

Na Escócia, o contrato com a Setanta, empresa que entretanto faliu, foi substituído por um acordo muito menos rentável com a ESPN e Sky.
O contrato anterior previa 145 milhões de euros por cinco temporadas, montante que a Setanta não conseguiu cumprir. Face às dificuldades financeiras desta empresa, a Liga escocesa virou-se para os dois canais televisivos, que pagarão metade (75 milhões) pelo mesmo número de temporadas.
Face à desvalorização abrupta desta parte das receitas, os dois maiores clubes escoceses, Celtic e Rangers, ponderam criar um canal de futebol, um projecto que já terá propostas de financiamento na ordem dos 145 milhões de euros por temporada.
A ideia seria distribuir cerca de 30 milhões pelos outros 10 clubes da Liga escocesa e reter a restante quantia para os dois maiores.

Nas contas entre as potências europeias, os números sobem radicalmente. Os valores totais pagos em Portugal, Bélgica ou Dinamarca não chegam, por exemplo, para cobrir as receitas anuais do Bayern de Munique.

O clube bávaro é, segundo um estudo recente da Deloitte, um dos "gigantes" europeus que menos recebe pelas transmissões televisivas. Mesmo assim, garante quase 50 milhões de euros por ano, mais do que a Olivedesportos investe por época na Liga portuguesa.
No actual acordo com a Sirius, detentora dos direitos da Bundesliga, o Bayer de Munique tem direito a 10 por cento do total investido, na ordem dos 500 milhões de euros, montante muito aquém do dinheiro que circula na Liga inglesa, quase 1400 milhões de euros por temporada.

Até a Liga francesa, talvez o menos atractivo campeonato dos cinco maiores da Europa, conseguiu um acordo de valores superiores à prova da maior economia europeia. A Ligue 1 arrecada por temporada quase 700 milhões de euros, com as maiores fatias a serem canalizadas para Lyon (75) e Marselha (70).

O mesmo estudo da Deloitte mostra que há nove clubes da Europa cujas receitas exclusivas de televisão rondam a faixa "mítica" dos 100 milhões de euros, todos das três principais potências futebolísticas do "velho continente".
Dois clubes espanhóis, Real Madrid (136 milhões) e FC Barcelona (117), quatro italianos, AC Milan (123), Inter de Milão (108), Juventus (107) e As Roma (106), e três ingleses, Manchester United (116), Chelsea (98) e Liverpool (95), lideram a tabela, com receitas que "esmagam" as obtidas pelos três grandes portugueses.»
in Diário de Notícias, 28/08/2009


Referências:
Contratos de Direitos Televisivos
Audiência e Share dos jogos da Liga Sagres 2008/09
Direitos televisivos impõem horários na Bundesliga

terça-feira, 21 de julho de 2009

A montra


Em Abril passado, após a eliminação nos quartos-de-final perante o Manchester United, O JOGO fez as contas e chegou à conclusão que o FC Porto tinha arrecadado cerca de 18 milhões de euros na Liga dos Campeões, divididos nas seguintes parcelas:
- 5,4 milhões de prémio de participação;
- 2,4 milhões correspondentes ao desempenho desportivo na fase de grupos (4 vitórias - Fenerbahçe (2), Dínamo de Kiev e Arsenal);
- 2,2 milhões pelo acesso aos oitavos-de-final;
- 2,5 milhões pelo acesso aos quartos-de-final;
- 2 milhões do market pool televisivo (o valor exacto é 1,992 milhões);
- 3,5 milhões de receitas de bilheteira (total aproximado para os cinco jogos realizados no Dragão, sem contar com os dragon seats).

Este valor – 18 milhões de euros – representa mais seis milhões em relação ao previsto no orçamento da FCP SAD para 2008/09 e é o segundo mais alto de sempre, atrás apenas das receitas garantidas em 2003/04, época em que os dragões conquistaram a Liga dos Campeões.

Confrontado com estes números, o Dr. Fernando Gomes foi ainda mais longe referindo que o FC Porto tinha ganho "muito mais que os 18 milhões de que se tem falado nos últimos dias". Segundo o administrador da FCP SAD responsável pela área financeira, os proveitos eram "difíceis de quantificar", acrescentando que "não é fácil avaliar com exactidão a valorização que sofreram os nossos jogadores depois de estarem expostos naquela que é a maior montra do futebol europeu e Mundial, mais ainda quando foram capazes de demonstrar todas as competências técnicas que são reconhecidas nacional e internacionalmente".

Três meses depois, já se consegue ter uma ideia aproximada do impacto que as exibições na Liga dos Campeões tiveram na valorização dos jogadores do FC Porto. Os números envolvidos nas transferências do Lucho, Lisandro e, principalmente, do Cissokho são elucidativos, tendo ainda sido referido o interesse de diversos clubes em Bruno Alves, Raul Meireles e Fernando (o mercado continua aberto até 31 de Agosto).
Mas se a Liga dos Campeões serve para valorizar alguns "activos" também é impiedosa, funcionando em sentido contrário quando as equipas/jogadores desiludem e chumbam neste autêntico teste do algodão. Foi o caso do Sporting, que teve desempenhos desastrosos perante o Barcelona e Bayern Munique. Apesar da necessidade premente que a Sporting SAD tem em vender, o mercado parece ignorar os seus principais jogadores e não há quem se chegue à frente para contratar os supostamente apetecidos Miguel Veloso, Moutinho ou Liedson.

Questionado no JOGO de ontem se seria possível avaliar que efeitos teria tido a eventual ausência do FC Porto na última edição da Liga dos Campeões, Fernando Gomes respondeu:
"É quase impossível fazer uma avaliação dos custos que teria tido essa ausência, porque estamos a falar de efeitos directos e indirectos. Em termos de efeitos directos, entre receitas de bilheteiras, direitos e prémios de performance, estaremos a falar de qualquer coisa como 15 a 18 milhões de euros. Depois teríamos os efeitos indirectos que se reflectem na valorização dos jogadores. Se pensarmos que o Cissokho, por exemplo, nunca teria jogado em Madrid e em Manchester, se considerássemos que o Lisandro e o Lucho também não teriam essas montras ao seu dispor, estamos a falar de um efeito que podia facilmente atingir as dezenas de milhões de euros."

Percebe-se, pois, a ânsia do SLB em afastar o FC Porto da Liga dos Campeões e o desespero que os invadiu após a derrota estrondosa que tiveram no TAS.

Foto: Loja da Gucci na 5ª avenida, a rua comercial mais cara do mundo

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Perante os resultados apresentados pela SAD acha que a Administração fez um trabalho...


"Péssimo - à escala de um gestor do Lehman Bros". Foi esta a escolha de pouco mais de um terço dos participantes nesta sondagem, com 52 votos, correspondentes a 37%.

Muito Bom, digno de Nobel da Economia 11 (7%)
Bom, à altura de um Cadilhe ou de um Teixeira dos Santos 9 (6%)
Um quarto dos votantes (com 35 votos) consideram a administração da SAD fez um trabalho "Razoável, para alguma coisa serve o ouro do Banco de Portugal", atingindo esta opção a segunda posição. A terceira opção mais votada foi a que considera o desempenho "Fraco - aqui não há PEC que se safasse", com 31 votos (22%).

Com menos expressão, obtiveram 11 e 9 votos (respectivamente 7% e 6%) as opções "Muito Bom, digno de Nobel da Economia" e "Bom, à altura de um Cadilhe ou de um Teixeira dos Santos".

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Análise sintética às Contas 2007/2008

Numa análise puramente económica podemos observar que se mantêm praticamente inalterados os Proveitos Operacionais, constituídos em minha opinião por seis tipos de receitas ‘core’ (Bilheteira, TV, UEFA, Publicidade e Sponsors, Corporate e Outros) nos 55 M€ mas que existe um aumento considerável de Custos com Pessoal (+4,7 M€) (justificado no Relatório e Contas pelo investimento no plantel e por renovações com o intuito de mitigar os efeitos perversos da aplicação da Lei Webster) e um aumento ligeiro nos FSE's (+0,8 M€) e ainda uma duplicação dos Outros custos operacionais (+0,7 M€) o que nos leva a um resultado operacional (EBITDA) negativo de 1,6 M€ (Nota: não levo em linha de conta o EBITDA apresentado no R&C porque este inclui mais-valias obtidas com transacções de passes de jogadores, algo que não me parece de todo poder encaixar no conceito de "operacional").


Assim, a actividade corrente da SAD foi deficitária em 2007/2008, contrariamente ao que aconteceu em 2006/2007 em que foi possível apurar um resultado operacional positivo de 7,7 M€. Já na época de 2005/2006 tínhamos registado um valor negativo de 11,6 M€.O quadro acima demonstra que a sociedade tem tido grandes dificuldades em ‘segurar’ o crescimento dos Fornecimentos e Serviços Externos (FSE’s) e também um crescimento preocupante dos Custos com Pessoal, embora neste último caso se entenda que tenham existido renovações com inclusão contratual de cláusulas de rescisão para evitar o que aconteceu com a saída do Judas para o Atlético de Madrid ao abrigo da “Lei Webster”. No que respeita a Proveitos Operacionais é possível identificar uma tendência para a sua estabilização em torno dos 55 M€ sendo as receitas provenientes de participação nas Provas UEFA aquelas que têm tido maiores variações (daí se entendendo a importância no Orçamento anual da passagem aos oitavos de final da Liga dos Campeões). De registar ainda um interessante crescimento da rubrica Publicidade e Sponsorização ao longo dos três últimos exercícios.


Por outro lado assistimos a uma progressão da função financeira com o crescimento do endividamento bancário de curto prazo em 22 (vinte e dois!) M€, com o consequente aumento dos custos financeiros (leia-se neste caso juros e comissões, porque os custos financeiros propriamente ditos diminuíram devido ao fim dos - para mim inexplicáveis - "descontos de pronto pagamento concedidos). O endividamento bancário total aumentou cerca de 43% no último ano.

Em termos financeiros temos um enorme desajuste entre Activos Correntes e Passivos Correntes (com um saldo negativo de cerca de 25 M€), o que indicia uma enorme dificuldade da sociedade em cobrar dívidas. Da degradação na relação entre prazos de pagamento e prazos de recebimento, que já é uma constante ao longo dos últimos anos, ressalta naturalmente uma maior pressão sobre a tesouraria (confirmada por uma degradação nos rácios de liquidez).

O aumento da dívida bancária está, de certa forma, suportado no aumento dos capitais próprios dado que o rácio debt-to-equity (relação entre dívida e capital próprio) diminuiu consideravelmente de 2006/2007 para 2007/2008. No entanto é uma situação arriscada aumentar a dívida bancária de curto prazo por um montante superior ao do total do capital próprio. O aumento da dívida tem, em minha opinião, dois objectivos: suportar os investimentos feitos no plantel e fazer face ao aumento do ciclo de tesouraria.

Nos últimos anos a SAD não tem conseguido inverter a sua tesouraria líquida (diferença entre o Fundo de Maneio e as Necessidades de Fundo de Maneio) para valores positivos, o que a coloca num problema de solvabilidade, com maior dependência do sistema bancário, como está bem patente no crescimento da dívida bancária.

Sumariamente poderemos concluir que a SAD não gerou dinheiro a partir da exploração e que não tem apresentado uma actividade pautada pela estabilidade dos fluxos. Como tal, não se encontra numa situação de equilíbrio financeiro. Ao contrário do que é afirmado pelos Srs. Administradores no Relatório de Gestão, a generalidade dos rácios e indicadores, bem como a sua evolução no último ano, não demonstram que "os resultados apresentados permitam vislumbrar uma maior solidez e consistência na estrutura patrimonial da sociedade". Tendo presente que na actual conjuntura de crise financeira a nível global os valores de receitas obtidas com transferências de jogadores deverão baixar consideravelmente, parece-me no entanto que se deve dar o benefício da dúvida a esta Administração uma vez que já deu mostras de possuir qualidades de alquimista no que respeita à potenciação de receitas com transferências de jogadores para clubes de top no panorama europeu.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

A SAD vai apresentar no exercício de 2007/2008 um resultado...


"Positivo abaixo de 5 M€", foi a opinião de 40% (9 votos) dos participantes nesta sondagem.

Os restantes participantes consideraram que a SAD ia aprensentar um resultado "Negativo acima de 5 M€" (22%, 5 votos), "Positivo entre 5 e 10 M€" (18%, 4 votos), "Negativo abaixo de 5 M€" (13%, 3 votos) e "Positivo acima de 10 M€" (4%, apenas 1 voto).

terça-feira, 8 de julho de 2008

Joaquim Oliveira, o "amigo" dos clubes

O FCP acaba de celebrar uma extensão de contrato por 5 anos com a Olivedesportos, passando a receber 10,4 milhões €/ano contra 8 milhões €/ano anteriormente. Isto traduz-se num aumento de 28%, o que à primeira vista é muito bom.


Ao mesmo tempo estes valores são ligeiramente superiores ao que os rivais da 2a circular usufruem neste momento, o que só confirma o bom negócio.

No entanto, isto traduz-se também num aumento de 5%/ano, pouco acima da inflação. Mas mais do que isso, verifico que, comparativamente falando, as receitas são baixas no panorama europeu.

Os 10 clubes mais ricos da Europa (que em média têm menos adeptos que o FCP) receberam em 06/07 em média 70 milhões €/ano, ou seja 7 vezes mais do que o FCP vai passar a receber até 2015. E a tendência é para um forte aumento nos próximos anos.

Se é verdade que esses clubes são na maioria oriundos de mercados bastante mais vastos que o português, isto é só a ponta do icebergue; olhemos para as receitas totais dos clubes da I Liga dos maiores países da Europa.

Em Inglaterra os clubes recebem no total cerca de 1100 milhões €/ano pelos direitos de transmissão de jogos do campeonato, vendidos em 3 pacotes: 290 milhões pelos direitos para o estrangeiro, 190 pelos direitos para a Internet e telemóveis, e o restante (cerca de 600 milhões) pelos direitos para as Ilhas Britânicas. E em 2010 estes valores serão mais uma vez renegociados (quase certamente para cima).

Em Portugal, os clubes recebem no total cerca de 40 milhões €/ano. Ou seja, 27 vezes menos.

As receitas no resto da Europa são mais baixas mas não deixam de se traduzir em diferenças que o tamanho do mercado não justifica. Na própria Grécia (mercado semelhante ao português) as receitas são bastante mais altas, apesar do custo para o consumidor (i.e. a subscrição dos canais televisivos) até ser mais baixo do que o custo de subscrição da Sport TV.

E ao contrário da Grécia, nós até temos um mercado razoavelmente apetecível no estrangeiro, começando pelos países de expressão portuguesa mas não só (ainda recentemente me surpreendi ao ver a transmissão integral de um Guimarães - Leixões no lobby do aeroporto de Abu Dhabi).

Olhando ainda para isto noutra perspectiva, é fácil de concluir que a margem de lucro de Joaquim Oliveira neste negócio é obscenamente de várias dezenas de pontos percentuais, além de que têm crescido bastante mais rapidamente do que o que pagam aos clubes (número de subscritores, vendas ao estrangeiro, internet).

Enquanto a Olivedesportos paga uns 40 milhões /ano aos clubes pela transmissão dos jogos do campeonato - de longe a principal razão para a adesão de subscritores - só em subscrições a Sport TV deverá encaixar mais de 80 milhões / ano.

Que pasa?

Parece-me que há uma certa tendência do mercado para um monopólio natural, mas isso também se passa em muitos outros mercados no estrangeiro onde os clubes recebem uma fatia bem maior do "bolo" (Escócia, Grécia, Bélgica, Holanda), logo não explica tudo.

Além de que existem alternativas: se um FCP se quisesse dar ao trabalho podia entrar em acordo com um canal existente (por ex Porto Canal) para a transmissão dos jogos em pay-per-view por cabo e por Internet, o que poderia facilmente ultrapassar os 10 milhões €/ano em lucro (a um preço/jogo de 3 € e com uns 300mil subscritores teríamos quase 15 milhões €/ano de receitas, excluindo os custos de operação - relativamente baixos para um canal existente - mas excluindo também a revenda para o estrangeiro).


Penso que um factor determinante (para o FCP mas também para os restantes clubes da I Liga) é as relações demasiado próximas e históricas com Joaquim Oliveira, que entre outras coisas é accionista de referência de diversas SADs, começando pela SAD do FCP. Este factor é muito específico a Portugal e penso que explica em boa parte porque razão Joaquim Oliveira consegue fazer lucros tão obscenos com os direitos televisivos.

Concluindo, penso que o tamanho do mercado limita o potencial de receitas (nunca chegaremos perto de um grande clube inglês ou espanhol, longe disso), mas penso que querendo a SAD do FCP (e dos outros grandes) facilmente conseguiria chegar a receitas de 15 milhões €/ano. E isto sem precisar de se sujeitar a todos os caprichos da Sport TV, começando pelos jogos a horas e dias impróprios.

Só que para tal possivelmente teriam que se chatear com Joaquim de Oliveira, e muitos não querem e/ou não podem sujeitar-se a isso... entretanto vamo-nos contentando com um aumento razoável pouco superior à inflação, o que afinal de contas até já nem é mau de todo.

terça-feira, 4 de março de 2008

FCP SAD - resultados 1o Semestre

A SAD acabou de anunciar as contas referentes ao primeiro semestre de 2007/08, com um resultado líquido positivo de 7,3 milhões de Euros.

À primeira vista o resultado é positivo, mas é de salientar que está aqui incluída a venda de Pepe por 30 milhões (19 milhões de mais-valias).

Apesar do relatório ser semestral a novidade está no resultado do 2o trimestre, já que já sabíamos que no 1o trimestre tínhamos tido 10,8 milhões de lucro (devido à venda do Pepe). Ficámos agora pois a saber que no 2o trimestre fizémos 3,5 milhões de prejuízo sem que nesse período tenhamos comprado ou vendido qualquer novo jogador, o que é um bom indício de que continuamos dependentes da venda de jogadores para ficarmos no positivo ou perto disso.

Se exceptuarmos as vendas de jogadores verifico que os proveitos praticamente não evoluíram em relação à época anterior (28,5 contra 27,9 milhões, um aumento inferior à taxa de inflação) enquanto os custos aumentaram mais de 10% (de 35,6 para 39,3). Não é exactamente uma boa notícia, e espero que não seja para continuar, senão cada vez mais temos que vender mais jogadores (ou comprar menos).

Indo mais ao detalhe, verifica-se que os Fornecimentos & Serviços Externos subiram imenso (28% em relação há 1 ano atrás, atingindo no 1o semestre o valor de 9,2 milhões) e os custos com pessoal um bom bocado (8%, para os 18 milhões).

Porque é que os FSE subiram? Fico sem saber, até porque o texto do relatório não ajuda muito - dizem que o aumentos dos custos "assenta em grande parte no aumento de FSE para fazer face aos eventos organizados pela PortoEstádio" quando na realidade se verifica que os custos TOTAIS da PortoEstádio (que inclui FSE e custos com pessoal) só subiram 0,3 milhões, ou 15% do aumento total em FSE; a bota não bate com a perdigota.
Também não foi na PortoComercial que os FSE tiveram um grande salto, já que os custos totais da mesma só aumentaram 0,1 milhões.
Sendo assim que tipo de FSE é que aumentaram em flecha? E foi one off, ou é estrutural? Impossível descortiná-lo através do relatório. Concluindo sobre este ponto, dá-me a impressão que os FSE estão um bocado fora de controlo, o que é particulamente má notícia porque os FSE não ajudam grande coisa a ganhar títulos - a não ser que seja um "servicinho" do Mestre Alves, claro :-)

De resto o aumento dos custos com pessoal só deve surpreender os mais distraídos: não era preciso ser-se o Mestre Alves para se saber no Verão passado que, com as renovações de contrato que iríamos ter durante o ano e sem a entrada de mais jovens da casa no plantel, seria muito provável que subissem consideravelmente.

Do lado das receitas os resultados com a bilheteira e TV são decepcionantes: evolução negativa (quedas de 10% e 6%, respectivamente) quando estas são rubricas em franca expansão por essa Europa fora.

Finalmente: penso que vamos acabar o ano no positivo - devido à venda de um ou mais titulares daqui até Junho, apenas e só. Penso mesmo que não teremos quaisquer grandes novidades nos resultados do 2o semestre, a única incógnita é quanto dinheiro é que vamos fazer em vendas (ou se conseguimos ir muito longe na Liga dos Campeões).

Vou arriscar uma previsão: antes da venda ou compra de mais jogadores até 30 de Junho e extrapolando do comportamento histórico do 2o semestre e dos resultados deste 1o semestre (e das movimentações do defeso), eu arrisco que se não ultrapassarmos o Schalke (i.e. indo tão longe na Liga dos Campeões como no ano passado) teremos um prejuízo anual entre os 8 e 10 milhões.

Daqui concluo que será quase certo que sairá pelo menos um titular até fins de Junho para colmatar esse défice, até porque a tesouraria está bastante mais apertada do que no início da época.

Relatório e contas consolidado 2007/2008:
http://www.fcporto.pt/PDF/RelatoriosContas/FCPSADRC1S07CONSOLIDADO.pdf

P.S. No relatório diz-se que os custos de aquisição de Farías, Stepanov e Bolatti foram de 15,5 milhões (ou seja, em média 5 milhões cada um); os valores avançados na imprensa foram de 9,5 (4, 3.5 e 2, respectivamente).
Viva a transparência, como disse o João Saraiva noutra mensagem...

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

A Europa dos ricos

Acaba de ser publicado o ranking de receitas orgânicas dos clubes europeus para a época 06/07 (Deloitte Football Money League). Antes de mais convém assinalar que este ranking de receitas exclui receitas com jogadores (i.e. transferências). Dois factos saltam à vista:

1) As receitas dos maiores clubes europeus continuam em forte crescimento: os 20 clubes mais ricos viram em média um aumento de 15% em relação à época anterior.

2) A diferença entre eles e... nós, FCP. Principalmente entre os clubes do top10 e nós (que não entramos sequer no top20).

O Real Madrid lidera a lista com receitas de 350 milhões de euros; no 9o lugar temos o Inter com 195 milhões - compare-se isso com os ~55 milhões da FCP SAD. Dito de outra forma, o Real tem receitas orgânicas cerca de 6x superiores às nossas, o Inter 3,5x.

Alguns olharão para estes números e encolherão os ombros, dizendo que no futebol a "lógica é uma batata". Pois bem, desde que a Lei Bosman impera que não é bem assim: nas últimas 3 épocas os clubes do top10 de receitas açambarcaram 71% dos lugares nos 1/4 de final da Liga dos Campeões. Se a isto juntarmos outros clubes um pouco mais abaixo, temos que em média 7 das 8 vagas nos 1/4 final são preenchidas pelos 20 clubes mais ricos da Europa.

Será pois a nossa sina ficar para trás? Penso que "nim". Em média sim, teremos cada vez menos sucesso comparativo em relação ao top10; mas penso ao mesmo tempo que podemos ir sistematicamente aos 1/8 final e fazer "umas flores" de vez em quando, indo mais longe - vencer a Liga dos Campeões é um sonho, mas não impossível.

Que fazer? Muita coisa poderia ser dito sobre isto, mas resumidamente: penso que as receitas podem ser esticadas, em particular as receitas televisivas. Mas acima de tudo penso que temos que apostar na nossa grande vantagem competitiva: o mercado português, começando pela formação (e passando pelos estrangeiros que jogam em Portugal).

Mercado português onde ainda por cima há pouca rivalidade financeira, o que leva a que a pressão a nível de salários e passes seja mais baixa do que em Inglaterra, Espanha ou Itália.

O objectivo será pois conter as despesas o melhor possível (contendo as despesas em passes e salários) potencializando as mais-valias financeiras de futuras vendas (não esquecendo no entanto que nem todas as compras devem ser na perspectiva de vender mais tarde), sem comprometer a valia desportiva do plantel. Sem se gerar mais-valias financeiras consideráveis não teremos hipóteses de discutir taco-a-taco, ano após ano.

Isto não invalida naturalmente que se explorem outros nichos (ultimamente tem sido o argentino) - mas que ninguém se ilude que o FCP vá conseguir sistematicamente comprar jogadores argentinos com cartaz (como era o caso de um Lucho ou Lisandro) a preços acessíveis. Isto pode parecer um paradoxo mas quanto maior sucesso tiverem Lucho e Lisandro no FCP, menor a probabilidade de que façamos negócios idênticos no futuro (já que cada vez mais os clubes europeus ricos irão directos à "fonte"...).

A médio e longo prazo, o nosso futuro na Europa passa pela aposta no mercado português: repare-se que as grandes mais-valias geradas nos últimos anos foram todas oriundas do mercado português: R Carvalho, Pepe, Deco, P Ferreira. Anderson foi vendido por valores elevados, mas com mais-valias mais baixas (já que foi bastante mais caro - tal como um Lucho, já agora).

Fonte: http://en.wikipedia.org/wiki/Football_Money_League