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sábado, 11 de abril de 2015

Respeitinho

«Vítor Baía vai fazer parte da Federação Portuguesa de Futebol (FPF). Segundo o suplemento ‘Ataque’ do Jornal de Notícias, o antigo guarda-redes do FC Porto vai rumar a Lisboa, para integrar a estrutura do organismo máximo do futebol português liderado por Fernando Gomes, candidato que o ex-jogador apoiou.
O cargo que irá ocupar ainda não é conhecido, mas a publicação do JN revela que a sua futura função implicará uma presença diária em Lisboa, na sede da FPF.»


Record, 08-03-2015
Ah, bom, sendo assim, já se percebe melhor a afirmação, feita em Fevereiro passado, de que “os árbitros são sempre a desculpa para o insucesso da gestão, para o insucesso daqueles que não conseguiram ter uma boa equipa nem o melhor treinador”.

Temos de compreender que a vida está difícil e, para o atual colaborador do Record e da TVI, um “tacho”… perdão, um cargo na FPF dá sempre jeito…


sábado, 28 de fevereiro de 2015

SMS do dia

Aqui há uns tempos fizémos uma série de artigos sobre potenciais candidatos a presidente no pós-PdC.

 Bem, parece que podemos riscar com segurança o nome de Vítor Baía dessa lista.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

1993



Numa noite de insónia pouco habitual, pus-me a viajar pelos muitos canais televisivos à disposição, até que desaguei no RTP Memória que retransmitia o Farense-FCP do ano da graça de 1993. Essa jornada, segundo percebi do saboroso relato de Gabriel Alves, realizou-se já no fecho do campeonato e com o quase certo primeiro lugar no bornal do FCP. O jogo fez-se à luz do dia, estava muito vento e foi arbitrado por Donato Ramos.
O FCP alinhou: Baía; Bandeirinha, Fernando Couto, Aloísio, Vlk; Jaime Magalhães (Jorge Couto), Rui Filipe, André, Semedo; Domingos e Kostadinov. O treinador era o brasileiro Carlos Alberto Silva. O resultado final: 1-0 a favor da equipa algarvia, num jogo horrível, feito de colisão e muito pontapé sem arte nem jeito e demasiadas vezes dirigidos às canetas do adversário. Não jogávamos em “posse”, não saímos do 4x4x2, o meio campo foi demasiado lento, aqui e acolá com algumas acelerações do mal-amado Semedo e a única receita foi jogar para o Kostadinov que ainda incomodou, apesar da marcação impiedosa do brasileiro Luisão. Domingos foi muito castigado o que o condicionou. Apenas Aloísio e Vlk estiveram bem. Os restantes estiveram a um nível pouco condizente com os seus pergaminhos. A nossa equipa apenas incluiu três estrangeiros e dos portugueses só o André não veio da formação. A arbitragem foi um horror e permitiu ao Farense uma postura de violência inadmissível, nomeadamente no primeiro tempo. O comentador era hilariante e julgou sempre as agressões claras do nosso opositor como sendo involuntárias.
21 anos separam-nos daqueles tempos; o futebol mudou substancialmente e para melhor: na construção e qualidade do jogo, no preparo físico, na intensidade e velocidade,  com  arbitragens de melhor qualidade e muito menos violento. Pela negativa, o colossal recurso a jogadores estrangeiros em relação a esses tempos e a míngua de atletas da formação na constituição da nossa equipa principal. Outro contraste: o estádio do Farense estava cheio. Muito idêntica ao que se passa  nos nossos dias,  a mediocridade do comentário que não mudou a matriz: a falta de qualidade sustentada no duopólio que fornece a grande maioria dos comentadores da nossa praça: SLB e SCP e, ainda por cima, mauzinhos, mauzinhos.

Sou o mais velho do RP o que não é mérito para além das fragilidades que o envelhecimento provoca e continuarmos com vontade de andor por aí. Apesar disso, não tenho saudades do passado nem do futuro. Fala-se muito nestes tempos, na ausência de mística e aponta-se que nos falta na nossa equipa actual mais amor à camisola e dá-se como exemplos maiores dessa ligação clubista íntima, Vítor Baia e Jorge Costa. Gosto de ambos, mas na bola o atleta, não raramente, cede às circunstâncias. VB não hesitou em emigrar para o Barcelona, regressar depois de rejeitado no clube catalão com a garantia do mais alto vencimento praticado no nosso país e, hoje, colabora com o incrível Record, enquanto JC fugiu duas vezes, na primeira por ter atirado a braçadeira de capitão para o relvado a segunda por não ter tido a capacidade de reconhecer que já não reunia condições para ser titular. Um dos jogadores que mais aprecio no actual plantel é Óliver Torres que sem qualquer ligação ao clube e à cidade se comporta como sempre cá tivesse vivido ou saído da formação. O amor ao clube é importante, mas não é decisivo: a qualidade e o profissionalismo estão primeiro, digo eu.

sábado, 12 de janeiro de 2013

Baía a presidente, Baía a presidente!

Vitor Baía pertence ao mesmo lugar da geração dos anos 90 que ocupa Fernando Gomes, o "Bibota", com os portistas que cresceram nos anos 70 e 80. É o máximo símbolo no campo do que significa ser jogador, capitão e emblema do clube.

Quando voltou, depois de um período no Barcelona que começou bem mas que entre alguns erros e muitas lesões acabou mal, num jogo contra o Beira-Mar em casa, agora com o 99 às costas, esperava-a uma legião de adeptos fanáticos, desejosos de testemunhar em primeira pessoa o regresso do filho pródigo. Estava frio, muito frio, chovia  como no Porto habitualmente sucede nestes momentos. Eu tinha 39,5 graus de febre, estava de cama há dois dias mas conseguiu convencer por artes mágicas os meus pais que nunca me perdoaria perder o regresso do Baía depois de tantos anos. E lá fui ver um jogo com pouca história mas com muito simbolismo.

Só os grandes nomes são capazes de inspirar nos adeptos esse tipo de sensações, de intimidade.
Ao contrário dos seus colegas de equipa, os Jorge Costa, Sérgio Conceição, Paulinho Santos, Rui Barros ou Nuno Capucho, o antigo guarda-redes sempre deixou claro que não tinha nenhuma intenção de ser treinador. O seu lugar era atrás de um gabinete com um posto de acordo com o seu status. Simbologia para um líder que superou todos os registos, que ainda é o futebolista com mais títulos conquistados, e que começou a carreira na ressaca de Viena para acabar pouco depois da ressaca de Gelsenkirchen.


É claro que sabemos que para Vitor Baía ser algum dia presidente do FC Porto precisa de ter atrás de si uma equipa extremamente competente. Porque bom gestor não é.
Os seus problemas financeiros, as dividas (entretanto perdoadas) espelham o que habitualmente acontece com futebolistas com muito dinheiro, erros de aplicação de fundos, confiança nas pessoas erradas e falências precoces. Baía, de quem alguns dizem que até era benfiquista em miúdo, não seria a primeira pessoa em que eu pensaria para manter um controlo sobre as verbas do clube. Mas como símbolo institucional é uma das máximas referências do portismo.

Perante o cenário, já aqui avançado, de uma liderança bicéfala depois de acabar o mandato de Pinto da Costa (este ou os seguintes), o clube precisaria de uma figura consensual com os adeptos para presidente do clube enquanto que a SAD estaria entregue aos homens que, realmente, vão liderar os destinos do clube. Da mesma forma que muitos não engolem a imagem de Antero Henriques como presidente de facto, ninguém exclui que ele continue a mandar, como em parte já faz, com um "testa-de-ferro" no cargo. Nesse sentido, a figura de Baía, mais jovem, mais presente, mais subordinado, encaixa melhor que o perfil do "Bibota", outro eterno símbolo e crónico presidenciável.

Baía foi provavelmente o maior guarda-redes da história do futebol português. Como presidente seria um romper evidente com a herança de Pinto da Costa. O estilo do presidente é inimitável mas ninguém imagina Baía como guerreiro do Norte, a lançar farpas e ataques aos poderes instalados, dentro e fora de Portugal, a utilizar a retórica como arma política e com um faro para os negócios impecável. Mas a herança de PdC será pesada para todos e talvez muitos adeptos prefiram um líder simbólico, apoiado por uma equipa que mantenha a estrutura de sucesso, que uma aventura com alguém que aterre de fora, como António Salvador e Rui Moreira, e que rompa com os moldes actuais de gestão do clube.

Baía seria portanto um nome de consenso e de pouco poder, um presidente para a fotografia, de uma forma que os Adelino Caldeira, Fernando Gomes, Antero Henriques ou Reinaldo Teles jamais poderão ser. A sua herança, junto dos adeptos, daqueles que o viram nascer, crescer e triunfar de dragão ao peito seria um capital de prestigio e popularidade que demoraria muitos anos a perder-se, salvo uma gestão desastrosa, e deixaria espaço para que os homens dos corredores do poder continuarem a fazer negócios à sua maneira.

"Baía a presidente, Baía a presidente!" seria, seguramente, algo que não me surpreenderia ouvir da guarda pretoriana, ou da claque, como lhe queiram chamar, quando chegar a hora. Porque como parou o impossível no campo, o 1 (ou 99, como prefiram) também poderia continuar a tapar as perguntas mais incómodas no gabinete presidencial!

Outros artigos nesta série: 
A Sucessão: António Oliveira
A Sucessão: Antero Henriques
A Sucessão: O Fim de um Tabu

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Mourinho e os guarda-redes simbólicos

José Mourinho está a fazer de tudo para ser despedido do Real Madrid.
Cada vez se parece mais aquele tipo de trabalhadores que querem ser despedidos para receber uma indemnização e decidem desafiar o patrão por tudo e por nada para forçar a situação. Ele sabe que naquele balneário ninguém o suporta, que lhe será impossível voltar a vencer a liga e a Champions League parece uma utopia cada vez mais evidente. Para preparar o futuro, com 12 milhões de euros no bolso, o melhor é sair quanto antes. Por isso decidiu pisar o último símbolo do clube espanhol que faltava: Iker Casillas.

As discussões de Mourinho com Casillas não são nada novas.
Remontam ao dia em que o capitão do Real Madrid ligou ao seu melhor amigo, Xavi Hernandez, em plena sequência de Clásicos, em 2011, e da troca de insultos e acusações entre ambos os clubes. Mourinho não lhe perdoou ao madrileno que pensara pela sua própria cabeça e como faz sempre, desenhou uma cruz no seu nome e manteve-a até hoje. Mas Casillas não é um jogador qualquer.
Capitão, herdeiro único da última equipa a vencer a Champions League com o clube, símbolo máximo do futebol espanhol e da sua geração mais brilhante, casado e amigo de jornalistas influentes, era a peça com quem não se podia meter livremente sem saber que acabaria por perder. Até agora.
Ao relegá-lo ao banco de suplentes num jogo decisivo em Málaga, Mourinho condenou-se e voltou a demonstrar a sua particular veia por discutir com guarda-redes que também são símbolos e lideres de balneário. Viajemos até 2003.



Mourinho tinha acabado de chegar e reencontrou-se com Vitor Baía, com quem tinha vivido épocas douradas no FC Porto e em Barcelona como adjunto de Bobby Robson.
Os dois eram amigos e rapidamente o treinador tentou afastar-se do jogador para não dar a imagem errada ao balneário. Mas Baía era o líder indiscutível, particularmente depois do afastamento de Jorge Costa, e o capitão dessa equipa. E não queria abdicar facilmente do poder que tinha para um homem que tinha começado a carreira há meio ano. Houve discussões, houve fricção e houve problemas quando Mourinho devolveu a braçadeira ao regressado "Bicho", passando por cima do historial de Baía e da sua maior longevidade com o clube.
O choque aconteceu depois de Mourinho não ter convocado Baía para uma viagem a Guimarães, entregando a titularidade a Nuno Espírito Santo. Baía pediu explicações a Mourinho, lembrou-o do seu passado como "traductor" e Mourinho queixou-se à directiva que ficou do seu lado e suspendeu Baía de todas as actividades. Nesse dia o guarda-redes deu igualmente uma polémica entrevista ao Record em que deixava antever que havia movimentos no clube para o substituírem  Uma linha de raciocínio que vem de encontro com as declarações, à posteriori, de Scolari e com o pensamento de Mourinho, que gosta de eleger um guarda-redes sempre com o mesmo tipo de características  algo que Baía não tem. O 99 vinha também de um período complicado, depois de várias lesões e do Mundial 2002, e essa discussão podia ter colocado um ponto final na sua carreira.

Só um posterior pedido de desculpas do 99 - quase um mês depois dos incidentes - o permitiu voltar a ocupar o seu lugar natural, nas redes, a caminho do biénio mais bem sucedido da história do clube. A partir de aí não voltou a haver um conflito aberto, apesar de já Mourinho ter recomendado ao clube a contratação de Helton, que anos mais tarde seria o substituto definitivo do capitão azul e branco.

Nesse mano a mano, Mourinho saiu vencedor e a sua posição no balneário reforçada, apoiada directamente por uma SAD que não sabia bem como lidar com os pesos pesados do balneário (veja-se caso Jorge Costa). Neste duelo concreto é fácil perceber que o português já perdeu. Perdeu a credibilidade que lhe restava, o apoio da directiva, da pouca imprensa que ainda o aguentava e do adepto comum, habituado a ver em Casillas um símbolo do madridismo. Dois guarda-redes históricos, duas histórias paralelos e um mesmo protagonista. O homem que não lidava bem com os guarda-redes!


sexta-feira, 8 de junho de 2012

O capitão Baía


Se não fosse o degredo a que Baía foi condenado pelo “Sargentão” Scolari (dentro de uma estratégia clara de afrontamento ao FC Porto e de afirmação pessoal junto do povão), para além da Seleção Nacional ter podido dispor do melhor guarda-redes europeu de 2004 (eleito pela UEFA) e não ter ficado refém das suicidas saídas da baliza protagonizadas pelo “Labrecas”, Vítor Baía seria hoje (e por mais alguns anos) o jogador que mais vezes teria capitaneado a seleção principal de futebol.

Mesmo assim, é certo que irá continuar no top 5 durante muitos anos.

Infografia: Record

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Baía e as mentiras de Scolari

Ontem à noite, logo a seguir ao telejornal, a RTP brindou o país com uma extensa entrevista efetuada a Luís Felipe Scolari, entrevista essa que no dia/horas anteriores andou a promover à custa do anti-portismo nacional. De facto, o chamariz desta entrevista foram as “revelações” de Scolari acerca das razões que o levaram a não convocar Vítor Baía para a Seleção Nacional.
E que explicações foram essas?
Bem, Scolari contou uma história que, segundo ele, se terá passado na véspera de um Belenenses x FC Porto, supostamente o primeiro jogo a que assistiu como selecionador de Portugal (no início de 2003):

No dia anterior [ao Belenenses x FC Porto], tive um encontro com as lideranças do Porto, técnico e presidente

Disseram-me que o Vítor Baía não estava mais nos planos do clube, não jogaria mais e que estava em conflito com o seu treinador [José Mourinho] e com a direção

Foi o presidente do Porto que me disse isto. A partir daí passei a olhar com outros olhos para o Vítor Baía

Quem jogou esse jogo [Belenenses x FC Porto] foi o Nuno Espirito Santo

Um mês ou dois depois [o Vítor Baía] voltou a jogar no Porto

O jornalista da RTP ouviu estas afirmações impávido e sereno, mas o comum dos adeptos não precisa de ter grande memória para se lembrar de outras explicações apresentadas por Scolari (para o afastamento de Vítor Baía da seleção nacional). Primeiro, e durante anos, foi a tese da opção técnica.

5 de Setembro de 2008. No fecho do Fórum de Treinadores de Elite da UEFA, em Nyon, na Suíça, Luiz Felipe Scolari (na altura treinador do Chelsea) afirmou:
As escolhas que fiz na época [em que era selecionador de Portugal] e as que faço agora são de acordo com as minhas convicções. Já falei 120 vezes a mesma coisa, que foi por opção técnica. Quem quiser que entenda, se não quiser que se dane.

No entanto, em Dezembro passado a razão principal deixou de ser técnica e passou a ser de balneário, com o ónus pelo afastamento de Baía a ser atirado para cima de Gilberto Madail.

30 de Dezembro de 2011. Em resposta a declarações de Gilberto Madail, acerca do afastamento de Vítor Baía da seleção nacional, Acaz Felleger, assessor de Luís Felipe Scolari, afirmou em entrevista à RTP:
Scolari perguntou a Madail sobre o Vítor Baía e foi-lhe dito pelo presidente que não era um bom atleta de balneário, que não criava bom ambiente

Uns dias depois, Madail refutou completamente estas declarações: “Surpreenderam-me essas declarações do senhor Scolari. Eu seria incapaz de me intrometer em algo que é da responsabilidade do selecionador. E ele sabe muito bem que nunca tive essa conversa com ele.

Finalmente, nove anos e meio após ter sido contratado pela FPF, Scolari chegou à mãe de todas as explicações e aquela que, indiscutivelmente, mais agrada ao país desportivo: o principal culpado pelo afastamento de Baía foi o maquiavélico Pinto da Costa!

Mas será esta explicação mais verosímil que as anteriores?
É fácil constatar que as afirmações de Scolari estão cheias de falsidades.

14 de Dezembro de 2002. O presidente da FPF, Gilberto Madaíl, completou 58 anos e Scolari veio a Lisboa para assinar contrato como selecionador de Portugal. No evento, que teve ampla cobertura mediática (e foi transmitido em direto no sítio da FPF na Internet), esteve presente Luís Filipe Vieira, na altura presidente da SAD do slb.

19 de Janeiro de 2003. Disputou-se, no Restelo, o Belenenses x FC Porto, da jornada 18, do campeonato 2002/03.

Será que nesse dia Scolari já estava em Lisboa a trabalhar como selecionador?
Será que na véspera (18/01/2003) se encontrou com o treinador e dirigentes do FC Porto? Onde?
Convido os jornalistas sérios a investigarem, mas uma coisa é facílima de apurar (eu demorei dois minutos): quem defendeu a baliza dos dragões nesse jogo não foi Nuno Espirito Santo, mas sim… Vítor Baía! (o tal que, segundo Scolari, lhe foi dito que não jogaria mais pelo FC Porto, porque estava em conflito com o seu treinador e com a direção)

É verdade que Vítor Baía teve um desentendimento com José Mourinho num treino à porta fechada, mas isso foi no dia 22 de Setembro de 2002 e, após ter sido colocado a treinar à parte, o conflito ficou sanado no dia 17 de Outubro de 2002 (três meses ANTES do Belenenses x FC Porto referido por Scolari).

Na realidade, Baía voltou à baliza do FC Porto, não quando o Scolari disse na entrevista à RTP (“um mês ou dois depois [do Belenenses x FC Porto] voltou a jogar no Porto”), mas muito antes do devoto de Nossa Senhora de Caravaggio ter posto os pés em Portugal. E, para desgosto do clube de fans do Ricardo, foi com o Vítor na baliza que o FC Porto venceu o campeonato, a final da Taça de Portugal e a Taça UEFA dessa época (2002/03), já para não falar na Liga dos Campeões no ano seguinte.

Pois é, querendo, apanha-se mais depressa um mentiroso do que um coxo. O problema é que, neste caso, isso estragava os títulos e manchetes anti-Porto que esta entrevista a Scolari proporcionou.

P.S. Que Scolari, para ser popular e para agradar aos seus amigalhaços portugas, avance com explicações mirabolantes, desdizendo-se a si próprio, é algo que não me surpreende minimamente. Agora, que um jornalista cruze o Atlântico para ir a São Paulo entrevistar Scolari, ouça estas afirmações e nem sequer o confronte com as contradições evidentes e diferentes “explicações” anteriores, é algo que remete para outro tipo de considerações.
Em primeiro lugar, o que motivou a entrevista ao ex-ex-selecionador de Portugal nesta altura? O ex-selecionador (Carlos Queiroz) também vai ser entrevistado ou isso não convém?
Em segundo lugar, tendo a RTP um correspondente no Brasil, qual a necessidade de enviar propositadamente um jornalista de Lisboa, algo que implicou uma viagem de 16 mil quilómetros (ida e volta)? Pelos vistos, e apesar da Troika, na televisão pública continua a haver oceanos de dinheiro para esbanjar nestas “missões especiais”…
Em terceiro lugar, porque razão foi escolhido o jornalista Hélder Conduto? Por estar habituado a confraternizar com treinadores de futebol? Por ser amigo de Scolari desde os tempos em que o homem das bandeirinhas fazia campanhas de milhões para o BPN? Por, em entrevistas anteriores, já ter mostrado uma elevada capacidade para “conduzir eficazmente” entrevistas polémicas que envolvam insinuações ou acusações a elementos do FC Porto?

sábado, 1 de janeiro de 2011

Para memória futura (II)

"Nada belisca a relação umbilical que me liga ao FC Porto. Há uma carga emotiva muito grande, até porque a minha vida confunde-se com o clube. Tudo o que eu sou devo-o ao FC Porto. Embora tenha no currículo uma passagem pelo Barcelona, que muito me orgulha, há uma ligação eterna a este clube. De resto, a minha saída do cargo que ocupava foi pacífica."

"Tenho por Pinto da Costa uma admiração, um apreço e um carinho ilimitados. É uma pessoa que eu adoro e espero que fique muitos anos no clube. Atrevo-me mesmo a dizer que é a maior figura da história do FC Porto. Não tenho dúvidas quanto a isso."



Com estas afirmações, inseridas na grande entrevista que deu ao Record, estou certo que o Baía terá feito as pazes com os portistas que, em Outubro passado, ficaram zangados com ele, a propósito de uns desabafos efectuados pelo Vítor numa visita à escola EB 2.3 Nicolau Nasoni.

Eu continuo a pensar o mesmo. Na minha opinião, a polémica da altura foi muito empolada e exagerada. Aliás, na recente entrevista que deu a O Jogo, Pinto da Costa foi muito claro e afirmou o seguinte: "Tinha e tenho relações de amizade com ambos [Baía e Fernando Gomes]. Conheci o Vítor Baía ainda nos juniores e guardo com carinho a primeira camisola que ele usou como sénior, bem como, a camisola com que ele ganhou a Champions contra o Mónaco.".

Vítor Baía é dos nossos, é um "filho" do FC Porto e, mesmo que diga coisas com as quais não estamos de acordo (e eu não estive com algumas), não merece ser tratado como um proscrito.

domingo, 24 de outubro de 2010

Ainda sobre Vítor Baía

É lamentável que exista uma turba de portistas que invariavelmente revele excesso de anti-corpos para com outros portistas que tenham a veleidade de proferir afirmações que possam, de alguma forma, beliscar a actuação do clube/sad. Foi o que acabou por acontecer em algumas franjas da blogosfera com as recentes afirmações de Vítor Baía em visita à escola EB 2.3 Nicolau Nasoni. O argumento utilizado é sempre o mesmo e revela pouca massa cinzenta, sendo qualquer coisa do tipo “nesta altura um portista não pode dizer isto porque somos atacados de todos os lados”. Sempre fomos atacados e sempre seremos mas isso é sinal de que continuamos a ser os melhores. Sou contra as tentativas de “crucificação” do Baía.


Por outro lado devo dizer que achei que Vítor Baía esteve particularmente infeliz. Ele vale por si próprio, pela sua carreira, pela pessoa que é e não precisa que o clube o promova ou tente promover quer na comunicação social quer à porta do Estádio do Dragão. Uma personalidade destas, com um coração tão grande, que criou uma Fundação de propósitos tão meritórios, com o trabalho que está a desenvolver na ala de Pediatria do Hospital S. João, não precisa de uma estátua para ser admirado e, muito menos, de choramingar por ela.

No FC Porto, só duas pessoas são recordadas por estátua ou busto, Pavão e Rui Filipe, e esses morreram de forma trágica.

Uma das coisas que me espantou foi a candura com que Baía fez estas afirmações, por dois motivos:
1- A mensagem que provavelmente passou aos jovens foi: se fores muito bom mas do FC Porto não te darão valor mas se fores dos clubes de Lisboa aí terás direito a uma estátua;
2- Que jogador dos clubes de Lisboa tem o mesmo curriculum de Vítor Baía? Será que este pensa que se tivesse jogado na 2ª Circular teria vencido os títulos que venceu?

Vítor Baía é um Campeão e um Símbolo do FC Porto. Pelo teor das declarações que tem proferido (em Fevereiro e agora) nota-se que sai do FC Porto com mágoa. Mas o caminho faz-se caminhando e o Baía sabe-o melhor que ninguém.

sábado, 23 de outubro de 2010

Baía e os Talibans

É verdade que como dizia, esta semana, PdC temos um país cheio de Bin Laden's, que devemos combater, mas quando internamente temos Talibans que são mais papistas que o Papa, venha o diabo e escolha.

Vem isto a propósitos dos "ataques" ao Baía, que as suas palavras de 5ª feira suscitaram. E não vou aqui falar muito sobre o conteúdo das mesmas, concordo com umas, discordo de outras, o que interessa aqui é o porquê de ter sido tão violentamente atacado nestes 2 dias.

Se agora foi tão atacado por portistas, por que motivo não o atacaram da mesma forma em fevereiro deste ano quando deu uma entrevista à revista Focus em que basicamente disse o mesmo que disse 5ª feira? Por que motivo não pediram nessa altura a sua demissão? Por que motivo na altura só teceram elogios à entrevista?


Pois!

A diferença é que entretanto saiu do Porto e como não saiu propriamente a dizer bem de tudo e todos - tal como já não dizia em Fevereiro, qualquer palavra que possa ser entendida como uma crítica a PdC e à sua estrutura tem sempre os talibans à perna. São os mesmos que há uns anos nem podiam ouvir falar no Fernando Gomes, o bi-bota, que logo vinham os insultos, e hoje são só elogios.

Aqui ficam algumas das palavras do V. Baía em Fevereiro, comparem-nas com as de 5ª feira, e depois comparem as reacções de certa franja de portistas a ambas.

Sobre a visibilidade se tivesse jogado no ben7ica:

Quando o Benfica ganhava tinha essa identidade. A partir de certa altura mudaram a estratégia e aproveitámos para ocupar esse lugar e não querer sair de lá. O problema é que a nós custa-nos muito mais do que as outras estar no top. E a nós custou-nos muito estar lá, a ganhar, a lutar contra tudo e contra todos.
(...)
É a tal questão cultural. Se calhar a imprensa também, tem muita culpa nisso. Repare, estamos a 300 e tal quilómetros e as outras equipas estão a metros. Há jornalistas sérios, há políticos sérios, há gente séria, mas também há gente que não o é. E custa-me conceber que jornais, generalistas ou desportivos, sejam tendenciosos e parciais. Isso custa-me muito.
(...)
A brincar fiz uma afirmação no meu livro, que responde um pouco à questão de visibilidade que falámos anteriormente. Se tivesse feito a carreira no Benfica, tenho a certeza que à frente da estátua do Eusébio estava uma baliza comigo, com o Eusébio a rematar e eu em frente a defender a baliza. Sei que isto é forte, mas com isto respondo a tudo.

Sobre o seu cargo:

E esta posição deu para conhecer o clube em outras áreas. Mas não é onde eu possa ser uma mais-valia directamente.
Então onde é que é?
É no dia-a-dia da equipa, nas estratégias da equipa, foi ai que cresci. Não falo como treinador, logicamente.

Sobre o Helton:

O Co Addriaanse acabou por ir embora no final dessa época mas já tínhamos decidido que, no ano seguinte, com Jesualdo Ferreira, se tivesse de jogar, jogava, mas a minha missão principal era ajudar o Helton. Se calhar não é coincidência, ajudei-o mesmo e o melhor ano do Helton foi aquele em que esteve ao meu lado, em que lhe expliquei exactamente o que é ser o guarda-redes do FCP, em que lhe dei a estabilidade de que necessitava, em que o ajudei em determinados momentos, sem qualquer tipo de maldade.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Um “filho” do FC Porto

Eu não estive presente na visita do Vítor Baía à escola EB 2.3 Nicolau Nasoni.
Eu não ouvi nenhuma gravação das declarações que o Baía proferiu nessa escola. Alguém ouviu?
Eu não achei estranho o eco que a generalidade da comunicação social fez a propósito das declarações de Baía. Será que quem fez os títulos dos jornais ouviu as declarações completas (perguntas e respostas)?
Num comentário a um artigo do ‘Reflexão Portista’, uma pessoa que esteve na escola EB 2.3 Nicolau Nasoni chamou à atenção que as declarações do Baía estavam a ser deturpadas. Podem ler aqui.

Por tudo isto e pela postura que o Baía sempre teve, entendi que não me devia pronunciar antes de ouvir/ler a sua reacção a este “escândalo”, que a comunicação social vem alimentando desde ontem. É o mínimo que alguém com o seu passado no clube merece.

Após ler os esclarecimentos que Baía fez num comunicado, no qual afirma que as suas palavras foram "incrivelmente descontextualizadas", e em que aproveita para explicar o que quis dizer com algumas pretensas polémicas declarações, não me arrependo de ter esperado e de não ter contribuído para “crucificar” na praça pública este “filho” do FC Porto.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Os eucaliptos e a sombra

A versão oficial...

«O director de relações externas da FC Porto – Futebol, SAD, Vítor Baía, apresentou um pedido de cessação de funções ao presidente do Conselho de Administração, no qual demonstrou «o propósito de abraçar um projecto de natureza pessoal». A Administração compreendeu os argumentos aludidos, restando desejar-lhe os maiores sucessos na sua nova actividade, sem prejuízo de esperar que se criem condições para o seu retorno quotidiano a esta casa.»
in www.fcporto.pt


... e a explicação de O JOGO...

«Baía ocupava o cargo de director de relações externas do clube desde o início da época 2007/08, depois de ter pendurado as luvas com a conquista do seu décimo título de campeão nacional, mas o facto é que nunca se adaptou completamente às funções de representação que lhe estavam reservadas. A vontade de desempenhar um papel mais activo na estrutura do futebol, aliada à recente conclusão do curso superior de Gestão do Desporto, terá sido determinante para a decisão. O facto de ter ficado de fora da reestruturação operada há poucos meses na estrutura da SAD terá sido o catalizador para uma decisão que foi ponderada durante algum tempo.»
in ojogo.pt


Em Fevereiro passado, Vítor Baía deu uma entrevista à Revista Focus onde afirmou o seguinte:

[Focus]: Sempre esteve habituado às luzes da ribalta. Agora, no cargo de relações externas não tem pouca visibilidade?

[Vítor Baía]: Esta entrevista merece a minha sinceridade. Não é onde posso ser mais útil mas é um início. É uma transição, terminou um ciclo, começa outro. E esta posição deu para conhecer o clube em outras áreas. Mas não é onde eu possa ser uma mais-valia directamente.

[Focus]: Então onde é que é?

[Vítor Baía]: É no dia-a-dia da equipa, nas estratégias da equipa, foi aí que cresci. Não falo como treinador, logicamente.

[Focus]: Pensa exercer este cargo por quanto mais tempo?

[Vítor Baía]: Não sei. Não depende só de mim. Temos uma estrutura, uma administração e um presidente. Depende daquilo que acharem que posso ou não fazer.

[Focus]: E vê-se como presidente?

[Vítor Baía]: Isso é um tema delicado. Serei aquilo que tiver de ser. Posso vir a ser presidente como posso vir a não ser nada. Este é o meu pensamento. Mas há uma coisa que as pessoas podem ter a certeza: gosto demais do FCP. Jamais colocaria os interesses pessoais à frente daquilo que é a grandeza do clube.

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Quem leu atentamente esta entrevista, publicada na Focus de 24/02/2010, percebeu que Vítor Baía já revelava um grande mal estar com a figura de peça decorativa que Pinto da Costa lhe tinha reservado e, por isso, não surpreende esta sua tomada de posição.
Ao fim de três anos como "director de relações externas" (lindo nome para um cargo vazio de conteúdo) é perfeitamente normal que uma pessoa com o passado que Baía tem no clube, com a experiência que adquiriu, com os contactos que possui, com a sua capacidade intelectual e com ambição, quisesse intervir "no dia-a-dia da equipa, nas estratégias da equipa".
Mas também compreendo que na reestruturação operada na estrutura da SAD, Pinto da Costa tenha preferido reforçar a posição de Antero Henrique. Vítor Baía faz mais sombra...

Nota: Os negritos são da minha responsabilidade.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

700 jogos, exemplar!

Na final da Liga dos Campeões, Javier Zanetti cumpriu o 700º jogo com a camisola do FC Internazionale Milano. Havia quem dissesse que este tipo de casos eram impossíveis na era pós-Bosman, mas pelos vistos...

Ao vê-lo jogar e no final a levantar a taça, lembrei-me que também já tivemos capitães desta estirpe, também eles exemplos e esteios das grandes equipas que conquistaram a Taça/Liga dos Campeões em 1987 e 2004. Sim, é verdade, quer João Pinto (chegou ao FC Porto com 14 anos vindo do Oliveira do Douro), quer Vítor Baía (veio do Académico de Leça com treze anos), jogaram mais de 400 jogos com a camisola do FC Porto e terminaram a sua carreira de dragão ao peito.

Neste aspecto, e em contraponto, o que se passou no Jamor foi exemplar. O jogador que envergou a braçadeira de capitão, poucos minutos após erguer o troféu, estava mais preocupado em transmitir-nos o seu enorme desejo de sair... E no jogo anterior, em Leiria, o capitão do FC Porto foi Rolando.

Mais do que contratar bons jogadores, que obviamente são necessários, o que eu espero de Pinto da Costa é que acabe com a "política do contentor" e refunde uma equipa onde a cultura e valores do portismo estejam bem entranhados, pelo menos naqueles que tenham a honra de envergar a braçadeira que já foi de Rodolfo Reis, João Pinto, Jorge Costa e Vítor Baía. É que para voltarmos a ganhar à Porto, precisamos de jogadores à Porto.

domingo, 14 de março de 2010

A nossa identidade

[Focus]: Os êxitos do FC Porto devem-se à existência de alguém que explique o que é o clube?

[Vítor Baía]: Não tenham dúvidas. O meu único receio e medo é que se descaracterize isto por uma conjuntura actual do futebol mundial, de irmos buscar jogadores de todo o lado e sem qualquer tipo de problema, principalmente da zona europeia, e isso compromete este acompanhamento, porque são os jogadores portugueses que transmitem o que é ser jogador do FCP. A tal mística é difícil de explicar, só mesmo assistindo. A forma como explicamos o que é ser do FCP, que é realmente diferente, o que é ganhar, atitude, agressividade q.b., o facto de gostarmos do clube como se ele fosse nosso. E era isso que passava aos outros e conseguia. A ideia de vamos defender isto como se fosse nosso. Isto é o nosso castelo, aqui ninguém entra. E espero que não se perca. Isto só se consegue com os valores portugueses, porque nós contagiávamos os jogadores que vinham, como Aloísio, Kostadinov, Deco, Lucho e Derlei. E posteriormente, o Derlei já contagiava toda a gente. E não nasceram aqui. Se deixarmos de explicar o que é isso... Esse é o meu único receio e espero que nunca se perca essa identidade.


Dos 13 jogadores que jogaram contra a Académica:
- 7 estão na sua primeira época no FCP (Beto, Miguel Lopes, Alvaro Pereira, Belluschi, Ruben Micael, Varela, Falcao)
- 3 estão na segunda época (Rolando, Rodriguez, Tomás Costa)

Dos 14 jogadores que jogaram em Londres:
- 5 estão na sua primeira época no FCP (Alvaro Pereira, Nuno André Coelho, Ruben Micael, Varela, Falcao)
- 4 estão na segunda época (Rolando, Hulk, Rodriguez, Guarin)

Dos 14 jogadores que jogaram contra o Olhanense:
- 8 estão na sua primeira época no FCP (Miguel Lopes, Maicon, Álvaro Pereira, Belluschi, Rúben Micael, Falcao, Valeri, Varela)
- 3 estão na segunda época (Tomás Costa, Rodríguez, Guarín)

Os números falam por si.
Este é um dos principais problemas do FC Porto e não tem nada a ver com o treinador. Decorre do modelo de negócio que a SAD implementou de há uns anos para cá.
E se esta elevadíssima rotatividade do plantel continuar, adeus identidade. Mais, neste cenário, qualquer treinador, chame-se Jesualdo, António ou Joaquim, irá ter sempre grandes dificuldades em formar uma EQUIPA à Porto.

Foto: Revista Focus Nº 541, 24/02/2010

quinta-feira, 4 de março de 2010

Baía, o desportista da década


A revista Focus promoveu no seu website uma votação com o objectivo de eleger o melhor desportista português da última década. A votação estavam os seguintes atletas:
* Cristiano Ronaldo (Futebol)
* Fernanda Ribeiro (Atletismo)
* Francis Obikwelu (Atletismo)
* Gustavo Lima (Vela)
* Luís Figo (Futebol)
* Nelson Évora (Atletismo – Triplo Salto)
* Nuno Delgado (Judo)
* Telma Monteiro (Judo)
* Vanessa Fernandes (Triatlo)
* Vítor Baía (Futebol)

Em terceiro lugar ficou o Nelson Évora, em segundo o Figo e o primeiro lugar, com 82,6% dos votos, foi para o jogador mais titulado do futebol mundial, o Vítor Baliza.

Foto: Revista Focus Nº 541, 24/02/2010

sábado, 15 de agosto de 2009

Mais um episódio

Esta novela da guerra das cervejas tem aí mais um episódio, agora a Sagres ataca, e usa um ponta de lança do FC Porto, o Baía:



Não é a primeira vez que o Baía protagoniza campanhas da Sagres, já o tinha efectuado há uns anos a par do Figo e João Pinto com a camisola da selecção, e mais recentemente foi a cara principal de outra campanha com uns remoques ao brasileiro que dizem foi seleccionador nacional.

Como dizia não é a primeira vez, mas não deixa de ser estranho que uma das principais caras dirigentes do clube e seu representante em diversos eventos importantes, seja uma das caras de um concorrente de um dos principais patrocinadores do clube. É verdade que o mesmo acontece com patrocínios de equipamentos desportivos, mas não deixa de me parecer estranho ver ali o Baía.

Mas por outro lado é esta guerra de patrocínios e de caras, que tem permitido arranjar importantes receitas para o(s) clube(s). E por aí que a "guerra" continue por muitos e bons anos.

ps 1: Mas mais estranho, ainda, é ver ali o Oceano (que é seleccionador nacional de sub-21) a vestir a camisola dos lagartos. Todos sabemos que ele é lagarto e não é isso que está em causa, mas quando se está ao serviço de uma instituição como a federação o mínimo que se pede é que se evitem confusões de funções e de papeis.

ps 2: De todas as camisolas que o Futre teve ao longo da carreira, qual foi a escolhida para aparecer no anúncio? Pois é! Fica sempre melhor aparecer com uma camisola vencedora.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

20 anos: Parabéns Campeão!


Cumpriram-se ontem 20 anos sobre o primeiro jogo de Vítor Baía como guarda-redes titular da equipa principal do FC Porto. Foi em 11 de Setembro de 1988, então com 18 anos, à quarta jornada do Campeonato Nacional, em Guimarães, que defendeu pela primeira vez a baliza portista. O habitual titular, o polaco Mlynarczyck, lesionou-se numa clavícula, enquanto o suplente Zé Beto estava proibido de alinhar por problemas disciplinares sobrando, assim, o jovem Vítor Baía.
No entanto, recuperado o guarda-redes titular, Baía foi relegado para o banco de suplentes. Era Quinito o treinador do FC Porto, que não chegou a terminar essa época tendo sido substituído por Artur Jorge que acabou por devolver a titularidade novamente a Vítor Baía. A partir daí impõe-se definitivamente na baliza do FC Porto e, a partir de 1991, na da Selecção Nacional.


As suas prestações e as conquistas do clube não passam despercebidas e em 1996 é contratado pelo FC Barcelona que faz dele o guarda-redes mais caro do mundo. Foi promovido a titular tendo conquistado a Supertaça de Espanha e no ano seguinte a Taça de Espanha e a Taça das Taças. Mas o azar bate-lhe à porta e lesiona-se num joelho, lesão que o viria a atormentar durante largos anos. Entretanto recuperou mas o treinador Van Gaal preferiu o holandês Hesp e Baía foi relegado para o banco de suplentes, onde ainda festejou a conquista do campeonato em 1998. Depois de quase duas épocas sem jogar aceitou o desafio e regressou ao FC Porto para relançar a sua carreira. O regresso resultou e Baía volta finalmente aos grandes momentos.


Depois do campeonato do mundo de má memória para a selecção nacional em 2002, em que TODOS os jogadores estiveram mal, Baía é afastado das convocatórias pelo novo treinador, o brasileiro que precisamente na Coreia/Japão se tinha sagrado campeão mundial. Esse afastamento foi vergonhoso por várias razões: serviu para a afirmação do novo seleccionador, serviu para a afirmação do presidente da federação e serviu para todo um país anti-portista se rever numa selecção onde não figurava o maior símbolo do FC Porto: Vítor Baía. Um afastamento que serviu muitos interesses menos (aquilo que deveriam ser) os superiores interesses da equipa que representa Portugal. E depois foi ver o seu substituto, o medíocre Ricardo, falhar a toda a linha na final do Euro 2004 dando o seu frango tradicional com uma saída em falso a um cruzamento e permitindo o golo da vitória da Grécia a Charisteas.


Vítor Baía continuou a trabalhar no FC Porto, alheio a todas as canalhadas dos sulistas. Depois de um período conturbado no clube com a substituição de Fernando Santos e a passagem (felizmente breve) de Octávio pelo comando técnico, eis que surge José Mourinho e com ele o melhor período de sempre da vida do clube. Baía (e os restantes atletas) vence dois campeonatos, uma supertaça, a Taça Uefa em 2003, a Liga dos Campeões em 2004 e a Taça Intercontinental já sob o comando do espanhol Victor Fernandez. Depois chegou Co Adriaanse e mais tarde Baía perdeu a titularidade para Hélton. Apesar disso nunca desanimou, tendo sido o esteio do balneário portista em força e motivação. Despediu-se em Maio de 2007, jogando os últimos minutos da vitória sobre o D. Aves que nos daria também a vitória no campeonato nacional. Actualmente é o Director de Relações Externas da SAD do FC Porto.

“Desde que comecei a minha carreira como sénior, aos 18 anos, quis sempre estar entre os melhores do Mundo e demonstrei-o, não de letra, mas em campo, conquistando títulos importantes e sendo considerado pelas maiores entidades ao nível da Europa como o melhor.”
Vítor Baía, ao Expresso

“Só é verdadeiramente derrotado quem desiste de lutar. Por isso eu vos proponho, baseado na minha experiência: nunca desistam de um sonho!”
Vítor Baía, na sua Autobiografia


Apesar de uma carreira notável e de uma postura pública sempre irrepreensível, Vítor Baía tem pago um preço elevado pela sua forte ligação ao FC Porto. A polémica mais recente surgiu quando o ex-seleccionador, depois de se mudar para Inglaterra, decidiu escrever um livro a dizer que tinha preterido Baía por “opção” e, depois de questionado por jornalistas, afirmou mesmo que foi por “opção técnica”, depois de ter estado anos a dizer que não tinha de se justificar relativamente a isso. Baía fartou-se e chamou-lhe (e muito bem) cobarde. Que é precisamente aquilo que Scolari é. Ora, os jornalistas da praça (os do costume) insurgiram-se contra Vítor Baía porque acharam que ele se devia ter pronunciado quando o ex-seleccionador ainda cá estava. Mas quando cá estava, Scolari nunca foi capaz de explicar porque não o convocava. Só o fez depois de se ver daqui para fora, e através de um jornalista.

No 10 de Junho deste ano, Vítor Baía foi condecorado pelo Presidente da República, Cavaco Silva, na Comemoração do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, tendo sido investido como Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, numa cerimónia que teve lugar em Viana do Castelo. Uma condecoração tardia mas inteiramente justa.


Como grande homem que é, Baía criou uma Fundação com o seu nome e o número que o celebrizou na segunda fase da sua carreira, o 99, instituição que tem como objectivo “apoiar as crianças e os adolescentes carenciados das mais diversas formas”. Foi uma atitude nobre a de colocar ao serviço dos mais desfavorecidos a notoriedade que conquistou como futebolista. Não é Fundação que faça um jogo de “amigos” por ano, com muita fotografia e cagança, mas é uma Fundação que tem oferecido diversos equipamentos a hospitais e hospitais pediátricos.

Pela tua postura e pelo que tens contribuído para o Clube, a Cidade e o País, Obrigado Vítor.

terça-feira, 10 de junho de 2008

Baía condecorado


foto MaisFutebol

Cavaco Silva condecorou Vítor Baía com a Ordem do Infante D. Henrique, no âmbito das comemorações do 10 de Junho.

Numa altura em que o FC Porto é atacado e enxovalhado interna e externamente, é justo e sabe bem ver o actual Presidente da República Portuguesa a reconhecer a categoria e mérito de um dos maiores símbolos dos Dragões e que, em 2003/04, com o emblema do FC Porto ao peito, levantou bem alto a taça correspondente à vitória na Liga dos Campeões.