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terça-feira, 2 de junho de 2009

Fair play

No domingo passado fez-se história. Robin Söderling, o tenista sueco n.º 25 do ranking ATP bateu Rafael Nadal, o rei da terra batida, após um reinado de mais de 4 anos sempre a vencer no grand slam de Paris. Nadal perdeu com os parciais de 2-6, 7-6, 4-6 e 6-7 e obviamente saiu frustado e triste do court Philippe Chatrier.

Na conferência de imprensa após a partida, os jornalistas perguntaram-lhe por diversas vezes como é que ele explicava aquela derrota, o que falhou, quais as razões e como se ia preparar agora o número 1 do mundo para o torneio de Wimbledon. O jovem de 22 anos respondeu que não havia muito a analisar, acrescentando que quando se joga mal, perde-se assim como nos últimos 4 anos ele venceu sempre porque jogou bem. Rafael Nadal não deu nem uma desculpa, por mais pequena que fosse, para explicar a derrota no 4º round do torneio onde ainda é Rei. Nem o vento o afectou, como perguntou um jornalista, nem a lesão nos joelhos que o afecta há mais de um ano ou o número elevado de torneios que tem realizado, como perguntou outro, nem mesmo o público que rapidamente começou a torcer pelo sueco Söderling na expectativa de assistir a uma momento histórico no torneio, nem o sol, nem a chuva, nem a raquete, nem a senhora com o chapéu grande nas bancadas. Nada. "Joguei mal e foi isso (...) Tenho de aceitar as minhas derrotas com a mesma tranquilidade com que aceito as minhas vitórias" concluiu Nadal.

A forma como Nadal se comporta no campo e fora dele é um exemplo para qualquer atleta de qualquer modalidade. Rafael Nadal é um autêntico senhor do desporto e, com apenas 22 anos, deve fazer muita inveja a inúmeros agentes do desporto com idade para ter juizinho.

No final da Taça de Portugal, ainda em pleno relvado, o jornalista da TVI interpelou Paulo Ségio, treinador do Paços de Ferreira, cujas primeiras palavras foram dirigidas à arbitragem de Paulo Costa, para a seguir se frisar que não se estava a desculpar com os árbitros. Haja decência intelectual quando num jogo fraco, sem casos, em que o FC Porto a meio gás conseguiu controlar um Paços esforçado, mas incapaz de virar o resultado, o primeiro comentário a uma final inédita do treinador do clube estreante seja sobre a arbitragem.

Saber perder é uma qualidade muito escassa no futebol, em especial em Portugal. Talvez o exemplo de um rapazola de 22 anos e que é um dos maiores atletas do mundo ajude os agentes desportivos a sairem da adolescência mental.