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sexta-feira, 24 de abril de 2009

Talentos, em Portugal, Ney pensar

Entrada muito dura de Ney, sem direito a amarelo

Em velocidade, Hulk deixou Nuno André Coelho no chão, cruzando para o interior da área de Filipe Mendes, o que acaba por conseguir. Porém, no segundo seguinte é atropelado por Ney, que foi à dobra, ficando no chão agarrado à perna esquerda. Teve de sair de maca e talvez não jogue mais esta época.

OJOGO, 2009/03/23


Um dos melhores jogadores do FC Porto, o brasileiro Hulk, foi anteontem atingido pelo estrelista Ney, numa entrada violenta que nem sequer mereceu sanção disciplinar de Carlos Xistra e que muito provavelmente o deixará de fora para o resto da época. Já não é a primeira nem a segunda nem sequer será a última vez que um jogador do FC Porto é posto no “estaleiro” por “caceteiros” sem que estes sejam devidamente punidos pelos seus actos. Basta recorrer a exemplos recentes como a entrada do benfiquista Karagounis que arrumou o Lisandro durante uns tempos ou aquela brutal entrada de Katsouranis sobre o Anderson que, por curiosidade, também não mereceu qualquer sanção de outro artista, o Lucílio, e que partiu três ossos da perna do brasileiro e o atirou para fora dos relvados por mais de meio ano. Nessa altura não houve castigo por parte da Comissão Disciplinar da Liga aos infractores e o mais certo é que a entrada do Ney também passe impune. Tudo respeitando os regulamentos, claro está. Regulamentos que afinal de contas não têm qualquer utilidade.
O comunicado da SAD emitido no site oficial é o mínimo que o clube poderia fazer. Espero que não se fique por aí.


Em Portugal não se aprecia bom futebol nem se apreciam e protegem os verdadeiros artistas como o Hulk. Eles estão sujeitos às agressões dos medíocres “caceteiros” deste campeonato que não suportam que haja alguém em campo que se distinga e se eleve acima da vulgaridade. E o melhor que os talentos têm a fazer é, mais tarde ou mais cedo, abandonarem o país e mudarem-se para países que levam a sério o futebol protegendo os bons jogadores e castigando exemplarmente os “caceteiros”. O Anderson pode agora jogar e potenciar o seu futebol livremente em Inglaterra porque se algum Katsouranis o magoar seriamente sabe que fica sujeito a castigos exemplares de vários meses e por isso pensa duas vezes antes de cometer faltas duras.


E agora, pergunto eu, quem é que vai indemnizar o FC Porto por uma eventual não utilização do Hulk para o resto da época? É o Ney? É o Estrela? É a Liga? É o sindicato dos jogadores ou o seguro caducado do Estrela da Amadora? A resposta é fácil: ninguém. Ninguém vai indemnizar o FC Porto. E o pior é saber-se que na próxima jornada lá estará o “caceteiro” Ney pronto para dar o seu contributo à equipa. Tenho pena que não haja no FC Porto actual um Paulinho Santos ou um Jorge Costa que fizesse de imediato o Ney provar do seu próprio veneno, para aprender.
Foi uma arbitragem (mais uma) miserável do Xistra. Merecia que lhe partissem uma perna. E ao Ney que lhe partissem as duas.


O futebol português não é melhor porque não quer. Gosta-se é do jogador “combativo” ou com “poder de choque”, ou seja, admira-se o “caceteiro”. Fico abismado quando ouço os comentadores desportivos dizerem, por exemplo, que a entrada do Moutinho ao jogador do Guimarães no jogo da passada jornada não merecia cartão amarelo por não ter sido “violento”. Só quem não joga ou jogou futebol é que não sabe o efeito doloroso da chamada “paralítica” (entrada de joelho à coxa do adversário). A facilidade com que se despreza a “cacetada” é impressionante. O que se é que há-de fazer? Se o Cristiano Ronaldo tivesse ficado em Portugal já teria sido operado aos joelhos uma carrada de vezes e estaria agora a arrastar-se em campo e a ponderar o fim da carreira.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Um passaporte para a final com pouca Estrela

Haverá algo mais angustiante do que a exibição sofrível do FC Porto na Reboleira? Sim, a aparente grave lesão de Hulk, que no momento a que esta pequena crónica sai do “forno”, tudo indica o afastará da competição até ao final da corrente época. No espaço de uma semana, Jesualdo Ferreira vê-se privado de 2 importantes atletas para os jogos decisivos do campeonato que se avizinham.

Dentro do terreno de jogo, pouco fica para contar. A partida até começa de feição para os azuis e brancos, com Farias a carimbar o bilhete para Oeiras, após assistência de Lisandro. A vantagem na eliminatória era confortável, demasiado até, o que “permitiu” um aparente relaxamento a uns quantos que ainda têm muito para certificar sobre o seu selo de qualidade para integrar o plantel portista.

Lázaro Oliveira é que não foi de modas, nem se deu por vencido. Viu bem por onde explorar as fragilidades dos comandados de Jesualdo, retirando o médio Vítor Vinha para introduzir o avançado Rui Varela. Com 2 avançados (Anselmo e Rui Varela) bem encostados nos centrais portistas, exercendo maior pressão sobre estes, as dificuldades subiram em flecha e o FC Porto cedeu fatalmente no ultimo quarto de hora do 1º tempo, permitindo ao Estrela dar a volta ao marcador.

Para a 2ª metade do encontro, os Dragões regressaram com o mesmo 11 com que haviam saído para o intervalo, mas tambem com os mesmos problemas e dificuldades. A defesa continuava a não acertar com a dupla da frente do Estrela. Já o meio campo revelava incapacidade para criar zonas de pressão. Madrid, sem pulmão, não preenchia o corredor à frente da defesa, Guarin nem construía, nem destruía, Tomás Costa fazia o que podia. Jesualdo percebeu o perigo e colocou Fernando em campo, estabilizando o jogo.

A qualidade da exibicional do FC Porto não melhorou, a equipa simplesmente manteve-se em serviços mínimos para garantir a qualificação para a final. E essa terá sido provavelmente a única coisa positiva que sobrou da noite passada na Reboleira. Jesualdo saiu da Amadora com a certeza de que o seu plantel está pobre e curto. Hulk foi-se, e há mais 3 ou 4 nomes que fizeram questão de mostrar ao treinador portista a nulidade que representam para a equipa.

Positivo: Vamos a Oeiras! E o Paços de Ferreira, por muito respeito que nos mereça, é um adversário bem mais acessível que o Nacional.

Negativo: Guarin. Já tenho visto miúdos dos sub-16 ou sub-17 com melhor qualidade de passe e recepção, bem como maiores noções de preenchimento e ocupação de espaços. Este Colombiano deve urgentemente candidatar-se ao programa “Novas Oportunidades” do futebol, dadas as evidentes lacunas que exibe sobre os conceitos mais básicos do jogo.


Fotos: Lusa, fcporto.pt

domingo, 12 de abril de 2009

Porto Personalizado


O FC Porto entrou para o jogo ante o Estrela da Amadora com algumas alterações no onze habitual, com a entrada de Andrés Madrid, Mariano e Farías - este último a substituir o primeiro jogador da Liga a simular um penálti na presente época. Antes do início da partida, os adeptos portistas poderam assistir a um momento "RTP Memória" com a entrega dos troféus de campeão da Liga de 2006/07 e 2007/08.

Quanto ao jogo, a equipa entrou algo passiva, talvez ainda com o jogo de Manchester na memória e o de quarta-feira no pensamento. Com algum cansaço compreensível à mistura, principalmente de Lucho, Meireles e Rodriguez, o FCP poucas vezes ultrapassou a linha de meio campo nos primeiros 10 minutos. O Estrela aproveitou estes momentos iniciais para criar situações de algum perigo para a baliza de Hélton. O Porto reagiu, equilibrou o jogo, mas sem grandes oportunidades, acabando por chegar ao golo com um livre soberbo de Bruno Alves (sim, esse que "não marcaria outro igual na vida"). Estava aberto assim o caminho para a vitória que repunha a vantagem de 23 pontos sobre a Académica.

Na segunda parte, os portistas melhoraram muito, batalhando mais e controlando bem o jogo, sem no entanto esquecer a importante e decisiva partida de quarta-feira. Por isso mesmo, Jesualdo mexeu na equipa e fez entrar Hulk e Guarín por Rodriguez e Meireles. Hulk viria a dar mais força ao lado direito e foi numa das suas arrancadas que este fez um bom passe para Farias que na pequena área marcou o 2-0 ao minuto 58. Lucho sairia mais tarde para a entrada de Tarik Sektioui. Aos 65 minutos, Bruno Alves - um dos melhores da partida - cruzou para o bis de Farías - outro jogador em destaque neste jogo - e aumentar a sua conta pessoal para 7 golos na Liga. A partir do 3-0, o FC Porto abrandou um pouco ritmo procurando sempre criar mais oportunidades de golo. Farías falharia, à boca da baliza, a emenda a um remate de Hulk do lado esquerdo.


Embora o jogo não tenha começado bem, nunca esteve em causa a superioridade do Futebol Clube do Porto. Mesmo sem algumas peças importantes, Jesualdo apresentou uma equipa personalizada, concentrada e muito motivada, que soube controlar bem o jogo, de forma a garantir o equilíbrio necessário entre uma vitória importante de aproximação ao tetra e o embate da 2ª mão da Champions League. Destancando talvez Bruno Alves e Farías pela influência directa no resultado, a vitória valeu pelo colectivo, demonstrando que é como grupo dentro das 4 linhas que se fazem campeões. O FC Porto inspira confiança e irá precisar muito dela para o confronto de campeões daqui a 3 dias.

Força Porto!

segunda-feira, 23 de março de 2009

Serviços mínimos


Cedo se percebeu que o FC Porto ia procurar vencer o Estrela da Amadora recorrendo aos serviços mínimos. Mesmo com um onze de máxima força, a equipa jogou quase sempre devagar procurando, sem grandes correrias, ultrapassar um Estrela fechado, mas permeável e inofensivo para a baliza de Nuno.

Como tem sido habitual no Dragão esta época, o FC Porto dispôs de diversas ocasiões não aproveitadas logo no início da partida. No entanto, a equipa manteve-se calma e sem grandes precipitações. Os jogadores rapidamente se aperceberam que com tranquilidade (porque não!) seria possível garantir um bom resultado para a 2ª mão.

Foi deste modo que, numa jogada de perigo eminente, o FC Porto beneficiou de uma grande penalidade - para não fugir à regra do fim de semana - e passou a liderar o marcador. Quatro minutos mais tarde, Raul Meireles faz um belo remate para o 2-0. Ficou a sensação que os serviços mínimos estariam cumpridos e que o FC Porto ia manter o ritmo calmo depois do intervalo.

E devagarinho, e algumas vezes relaxada demais, a equipa controlou o jogo na segunda parte. Varela deu algum trabalho a Sapunaru , mas as suas jogadas individuais não tiveram consequência, à excepção de um remate muito perigoso perto do final da partida. O FC Porto manteve o seu jogo a trote e apenas as entradas Farias e Hulk aos 65 minutos, por vez de Lisandro e Rodriguez, deram mais poder atacante ao FC Porto. Ainda se desperdiçaram mais algumas jogadas, sendo a mais vistosa um bom centro de Mariano para Farias, de cabeça, permitir uma grande defesa a Nélson.

Individualmente, destaque para a dupla de centrais: Bruno Alves pela positiva, pois continua a desafiar as leis da física e esteve perto do golo em duas ocasiões e Stepanov, pela negativa, pois esteve trapalhão e desconcentrado. Fernando continua a exibir-se a alto nível no meio campo e Mariano alternou, como é habitual, entre o bom e o mau.

Foi uma noite - que deveria ter sido uma tarde - relaxada de futebol q.b. Se por um lado o FC Porto foi competente, por outro não teria desagradado aos 19 mil sócios presentes assistir a uma goleada, como a da última época frente a esta mesma equipa. Não terá sido a estocada final na eliminatória, mas o resultado permite crer que novo FCP q.b. na 2ª mão garante a presença em Oeiras.

Foto: Record

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Sobe, sobe, Porto, sobe


Num estádio tradicionalmente muito difícil para o FC Porto, com tendência para sofrer golos estranhos (Baía no ano de Adriaanse ou Helton no ano transacto), o receio de reviver más experiências passadas voltou a pairar sobre as hostes portistas. Um jogo que penou demasiado tempo na indefinição e mais um golo surreal sofrido, causaram tensão. Felizmente hoje houve um final feliz.

Curiosamente, e ao contrário das ultimas partidas, o FC Porto entrou bastante forte no encontro, pressionando o E. Amadora quase para cima da sua área, criando logo nos primeiros momentos um par de situações perigosas. Não foi de estranhar que à passagem dos 10 minutos os azuis e brancos já estavam em vantagem, na sequência de um cabeceamento certeiro de Lisandro, que no minuto anterior já havia marcado, mas de pronto o arbitro invalidou indevidamente o lance por falta do avançado Argentino.

Apesar do golo, equipa manteve uma tracção mais ofensiva e pró-activa do que lhe é costume ver, continuando a desperdiçar ocasiões para facturar à mesma velocidade que as criava (Rodriguez por 2 vezes). A grande mobilidade dos 3 homens da frente causava estragos na defensiva do Estrela, que só se conseguiu soltar um pouco das amarras com entrada de N´Diaye.

Foi precisamente nesse período que os da Reboleira chegaram ao empate, num golo que tem tanto de estranho como de ridículo. Fucile alivia para o pé de Vitor Moreno com a bola a sobrevoar caprichosamente Helton caindo dentro da baliza.

Os portistas acusaram o golo um pouco contra a corrente do jogo, mas voltaram a assumir as rédeas do encontro. De forma mais intermitente, é certo, a equipa foi procurando a espaços atingir o alvo, sempre com Hulk e Lisandro a dinamizar as investidas do FC Porto. O golo anunciava-se, mas antes disso Paulo Baptista assumia novamente o protagonismo ao não assinalar uma clara penalidade de H. Carreira. O 1-2 chegou ao cair do pano do 1º tempo, com a cabeça de Rodriguez.


Para a 2ª parte o FC Porto parecia querer dispor-se numa toada mais expectante, controlando ao largo as movimentações do adversário. Porem haveria de vacilar uma vez mais nas bolas paradas defensivas. Vidigal, antecipando-se a Fucile, fez o empate, mergulhando o jogo numa indefinição.

Nada como ter um Super-Herói na equipa para resolver casos bicudos. Eis que Hulk, poucos minutos depois, faz aquilo só ele sabe, pega na bola e vira o jogo do avesso. Com um remate potente, colocado e cheio de intencionalidade, atira o Estrela definitivamente as cordas e embala o Dragão para a vitória.

Mais do que dominar, o FC Porto conseguiu finalmente controlar a partida, geri-la sem sobressaltos de maior. A confirmação do triunfo chegaria pouco mais adiante, num livre bem batido Rodriguez.

Positivo: Os inúmeros e fantásticos desarmes de Fernando
Negativo: As inúmeras e incríveis perdas de bola de Fernando

Fotos: fcporto.pt e Lusa

sábado, 22 de novembro de 2008

Obri quê?

O Estrela da Amadora está em crise desde há uns meses. O Evangelista presidente do sindicato dos jogadores veio incitar os jogadores do Estrela a fazerem greve ao jogo da oitava jornada que por acaso se realizava no estádio da Luz contra a equipa local. Já em 2005 o mesmo presidente tinha incitado os jogadores do V. Setúbal a apresentarem um pré-aviso de greve antes de um jogo contra o SLB, à 14ª jornada. Coincidências.


Entretanto o presidente do Estrela da Amadora prometeu aos jogadores, antes do jogo com o SLB, de que lhes ia pagar um dos meses em atraso. Tinha conseguido um cheque de um sponsor que iria cobrir a verba necessária para pagar um mês de salário aos atletas. Por outro lado, no último programa “Tempo Extra” da SIC Notícias, Rui Santos fez a revelação de que o tal cheque que serviria para pagar aos jogadores do Estrela viria da empresa Obriverca.


“A empresa que se dispunha a viabilizar algo mais de um mês de salários aos jogadores do Estrela tem fortes ligações no ramo do imobiliário na Área Metropolitana de Lisboa - com investimentos designadamente nos concelhos de Vila Franca de Xira, Odivelas, Loures e… Amadora. A Obriverca (com sede em Alverca) teve como sócios fundadores Eduardo Rodrigues, actual presidente do Conselho de Administração, Luís Filipe Vieira, que dela se desvinculou em 2001, e Joaquim Marto, entretanto falecido. O actual homem-forte da Obriverca é natural da aldeia de Grade, distrito de Castelo Branco e, avesso a mediatismo, sempre que resolve dar uma festa em sua casa tem um amigo que invariavelmente convida: Joaquim Raposo, o presidente socialista da Câmara Municipal da Amadora. O universo Obriverca agrupa 12 outras empresas, algumas das quais têm na administração as duas filhas de Eduardo Rodrigues. O futebol não é de todo desconhecido para Eduardo Rodrigues, através do cargo de presidente do Conselho Fiscal do Alverca.”
in O JOGO, 18/11/2008


O facto de o presidente do SLB, Luis Filipe Vieira, ser um dos fundadores da Obriverca é mais uma daquelas infelizes coincidências de que o futebol em Portugal está cheio. O cheque, segundo o jornal Record “até existia desde há alguns dias, mas o “mecenas” terá dado o dito pelo não dito e retirou o prometido apoio ao E. Amadora. Esta marcha atrás poderá ter a ver com o facto de este apoio ter sido tornado público num programa de TV no domingo à noite”.


Estou curioso para ver qual será a (in)acção que será levada a cabo pela Super Morgado - a Super-Procuradora com Super-Poderes, pelo presidente da Liga (o mesmo que sempre prometeu que iria afastar o clima de suspeição permanente no futebol português) e pela própria Ricardina quando uma empresa da qual fez (faz?) parte Luís Filipe Vieira aparece na véspera do jogo SLB x E. Amadora para “ajudar” este clube em dificuldades com um cheque de 150 mil euros, ainda por cima quando o saque só é tentado no dia a seguir ao referido jogo (17/11/2008) e depois da notícia ter sido divulgada terem surgido “irregularidades de saque” que impediram o Estrela de receber o dinheiro. Mais uma confusão em que aparece envolvida esta empresa criada por Vieira que "meteoricamente se transformou num império"…