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quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Reforços sim, contratações não

É preciso recuar muito no tempo para descubrir um FC Porto activo em todas as quatro frentes chegado esta altura do mês de Janeiro, precisamente 2008-09, em que se chegou ao inicio do novo ano nos Oitavos de Final da Champions League (cairiamos em Quartos frente ao Manchester United), a camino das finais da Taça de Portugal (que ganhariamos) e da Taça da Liga (caindo nas meias-finais) e liderando o campeonato que encerraría o ano do Tetra de Jesualdo Ferreira. 
Nem sequer no mágico ano de 2011 a equipa de André Vilas-Boas aguentou o ritmo e soçobrou frente ao Nacional na fase de grupos da Taça da Liga precisamente no inicio do mês de Janeiro. Isso sem ter de jogar a exigente Champions League. Algo que permite colocar – ainda mais – em perspectiva, o feito dos homens de Sérgio Conceição. E sabendo que aí vêm cinco meses de máxima exigência, a expectativa não podía ser maior. Olhando para a forma desastrada como o plantel foi construido – victima do descontrolo dos últimos anos – desde cedo a maioria dos adeptos e analistas foi rápida a indicar que o plantel era curto e tarde ou cedo iria necessitar de ajustes. Não deixa de ser correcto o raciocínio mas o certo é que, com metade da época cumprida, esse inevitavel desgaste não se tem notado – nem nos resultados nem em campo – graças à excelente gestão de grupo de Conceição o que permite reabrir a discussão sobre a necessidade real de interferir activamente na reabertura do mercado.

O mercado de Inverno é um mundo complexo. 
Poucas vezes serviu, realmente, de algo para equipas com objectivos importantes. Os poucos casos são simbólicos e parecem reforçar a sua importância (e ninguém esquecerá Carlos Alberto em 2004 ou a série de avançados que foi chegando nos anos posteriores que, com golos importantes, ajudou a alcançar metas e títulos) mas na prática vale muito mais ter um plantel bem estruturado desde o início do que aventurar-se no desconhecido do defeso invernal. Num ano sem competição africana de selecções – fundamental quando os MVP´s da época têm sido Brahimi, Aboubakar ou Marega – e sem lesões largas e graves, salvo os problemas físicos repetidos de um Soares que ainda não apanhou a dinâmica e de um irregular Otávio, os problemas têm sido contornados com tranquilidade. Sobretudo o que estes meses nos têm ensinado é que o éxito do FC Porto começa e acaba no espirito de grupo que o treinador forjou nos meses de pre-temporada e que todos têm abraçado, jogando mais ou menos. 
Num modelo de jogo muito exigente físicamente – por vertical e ofensivo – mas onde a posse de bola ajuda, em momentos de descanso, gerir esforços, Conceição tem sabido trocar peça por peça em momentos pontuais sem perder o ritmo colectivo. Tem acontecido na metamorfose de Oliver a Herrera (onze mais físico, com menos posse, e com maior entrega e presença em troca de maior controlo), nas inclusões pontuais de Sergio Oliveira, Layun ou Maxi Pereira num onze quase sempre recitado de memoria. Até mesmo a recuperação de Diego Reyes e o regresso de Soares abriram outras opções em posições chave. Conceição tem claro na sua cabeça que há um onze titular base mas sujeito a alterações pontuais face a rivais ou forma física e uma poule de seis/sete jogadores (Maxi, Reyes, Sergio, Oliver, Otávio, Soares e André André) que permite cobrir essas necesidades. É certo que, de base, o plantel apresenta descompensações tais como o excesso de laterais (o que tem feito Ricardo actuar de extremo algumas vezes) e a falta de jogadores abertos nas alas quando, sobretudo, Corona, não está ao seu nível ou peca por ausente, sendo que a adaptação de Ricardo, por um lado, e o uso de Hernani, por outro, abrem outras questões paralelas na gestão de grupo. A forma como Conceição abdicou de jogar com um 10 tem retirado importancia e influencia a Oliver, e também a Otávio, e tendo em conta que Danilo é indiscutivel, aberto a Herrera, André André e Oliveira a possibilidade de rodar por um lugar. No fundo o técnico conta já com seis médios para duas posições (oferecendo às vezes uma modificação do 4-2-4 para 4-3-3 para acomodar Herrera-Danilo-André André/Oliveira em momentos de maior posse) e não tem necessidade de mais tendo em conta que todos cumprem os distintos perfis utilizados. Layun, vitima de um claro over-booking e de um grande ano de Telles, e Maxi e Casillas – por questões salariais – são os claros candidatos a sair das contas sem que, em principio, a equipa mostre sinais de ressentir-se das suas baixas mas e quanto a incorporações, que decisão tomar?


O importante, uma vez mais, é referir o espirito de grupo como base de tudo. 
A ideia de jogo do técnico não é complexa – digamos que é uma versão à Porto, com esse extra de garra, do que lograva o Benfica de Jesus com êxito a nível doméstico no inicio da década – mas a idiossincrasia da equipa é muito especial. Qualquer novo reforço entra num grupo já formado, trabalhado e emocionalmente muito unido e tem de ser capaz de adaptar-se a essa realidade em tempo recorde. Não há, no mercado e face à nossa realidade, um talento absoluto disponível capaz de ser titular de caras apenas pelo genial que possa ser, pelo que quem vir tem de ser parte da engrenagem colectiva ou o próprio técnico será o primeiro a excluí-lo das opções. Oliver, sem dúvida um jogador com um talento incomparável, não joga precisamente porque apesar das suas virtudes, não é o homem certo para o modelo de jogo. 
Ou seja, salvo que seja uma posição cirúrgica (estou a pensar em extremo esquerdo/direito) ou um avançado de natureza muito diferencial do jogo que oferece Aboubakar (e para isso já existe Soares, inclusive), as necesidades reais deste plantel são escassas. E mais ainda quando o grupo parece de tal forma unido que a capacidade de multiplicação de posições reduz ainda mais essa ideia de necessidade extrema individual. Chegar e sentir o que o técnico fazem os jogadores sentirem, dentro dessa dinámica de “irmãos de armas”, é algo extremamente complexo de lograr e difícil de exigir a uma cara nova. Para quatro meses de competição, mais ainda. 

Seguramente haverá jogadores melhores que Marega no mercado mas será que algum dará a Sérgio o que ele quer dessa posição? Ou será tão capaz como Marega é de representar a unidade do grupo e o espirito deste projecto? O mesmo pode ser dito, realmente, de todos. Ninguém pode saber o que nos espera o amanhã e talvez uma lesão grave de um central, um problema sério de Danilo ou de Brahimi – os únicos jogadores sem réplicas reais daquilo que são e dão à equipa – podem sempre oferecer novos problemas e novas equações. No entanto, no momento presente, cada incorporação corre o risco de ser mais vista como uma contratação do que, propriamente, um reforço. E sabendo como está a SAD e como estão as finanças do clube  - com jogadores por renovar e buracos abertos para a próxima época, sobretudo na posição de defesa central – o mais lógico seria confiar em Conceição e nos seus homens e ir preparando o futuro com consciencia, sabendo que a força, a união e o talento do grupo e do seu líder que trouxe o FC Porto à sua melhor posição numa década a inicio de ano é uma arvore com raizes mais profundas na terra do que podemos imaginar para abanar ao primeiro sinal de tempestade.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

20 Milhões de Euros!

Sabem porque é que o FC Porto é um clube vendedor?
Eu explico. Vendemos, todos os anos, dois a três titulares - entre os melhores negócios da Europa - porque somos obrigado a isso. E sabem porque somos obrigados a isso? Há várias razões mas estas são as principais:

a) Porque não temos liquidez habitualmente e estamos constantemente a vender partes de passes e a pedir empréstimos a curto prazo.
b) Porque temos um passivo tremendo (ainda que á SAD isso pouco pareça importar, aos Relatórios Contas me remito) que tem de ser reduzido quanto antes a valores sustentáveis
c) Porque não temos meios de gerar ingressos que nos permitam manter esses jogadores sendo que recebemos amendoins por contratos televisivos, de patrocinio e vestuário em comparação com outros clubes europeus.

Essa realidade não vai mudar porque somos um clube da periferia.
Com titulos dignos de uma grande liga mundial, sim, mas sempre de periferia. E como chegamos a esse nivel e respeito mundial?

Comprando barato e vendendo caro, tendo uma margem de lucro que sustentava o clube enquanto seguiamos com um processo que, auto-destructivo a longo prazo, nos iam mantendo com a cabeça á tona de água.

O orçamento para esta temporada esteve a ponto de ser um desastre e só as vendas milionárias de Danilo e Jackson salvaram as contas. A cada ano que passa há menos "Danilos" e "Jacksons" e o clube paga cada vez mais por eles, reduzindo a margem de lucro que possamos obter. Dos tostões pagos pelos Decos, Costinhas, Maniches, Paulo Ferreiras ou Cissokhos passamos aos milhões que custaram Hulk, Danilo, Alex Sandro e companhia. O modelo está em decadência e a corda ao pescoço vai sendo esticada cada vez mais.

Todos chegamos á conclusão que pagar 18 milhões por Danilo era um risco imenso e não era para repetir. Temos o caso de um Alex Sandro que ainda não renovou e pode sair daqui a um ano a zero depois de um investimento de mais de 10 milhões no seu passe que pode nem ter retorno financeiro. E no entanto, forçados a vender, a pedir jogadores emprestados para completar o plantel ou a contratar jogadores a custo zero - uma politica sensata para um periodo de transição - eis que o Futebol Clube do Porto anuncia hoje que bateu o seu recorde de transferência e pagou 20 milhões por um jogador.


Vou só deixar que reflictam nesse valor, um pouco.
Que pensem o que custaram Falcao, Moutinho, Meireles, Pepe, Lisandro, Lucho, Anderson, James e afins. E depois voltem a olhar para a cifra que é recorde em Portugal e que só os clubes da Premier ou algum que outro clube da elite europeia - Dortmund, Bayern, Schalke 04, PSG, Monaco, Atletico, Valencia, Sevilla, Real Madrid, FC Porto e Juventus - podem pagar.

São 20 milhões de euros!

Esse jogador chama-se Imbula, tem uma margem de projeção interessante  e jogava na liga francesa. Não é uma estrela consolidada. Não é Neymar, nem Messi, nem Cristiano Ronaldo. Também não é um Isco, um Insigne ou um Reus. É um médio defensivo trabalhador como foi Casemiro - por quem pagar 15 já seria uma barbaridade - Fernando, Costinha ou Paulo Assunção.

O FC Porto acabou de pagar 20 milhões de euros por esse futebolista. Tudo aquilo que seja dito a partir de agora pelos gestores do clube, via SAD, sobre necessidade de ajustar contas, de orçamentos controlados, de ter de vender para sobreviver vai sempre esbarrar contra este anuncio oficial. Nós pagamos 20 milhões de euros por um jogador que não justifica nem sequer a metade desse valor e fizemo-lo no ano em que mais perto estivemos de cair no poço financeiro.

A partir de este momento tudo aquilo que seja relativo à planificação do plantel da próxima época me parece totalmente irrelevante. Este clube está entregue a canibais mas em vez de se devorarem entre eles - como têm feito na sombra - vão acabar por comer o dragão do escudo. Façam bom proveito!

domingo, 21 de junho de 2015

Tchau Guido!

Guido Carrillo (capas de O JOGO de 10 e 18 de Junho)

«Seduzidos pelas exibições do argentino, os portistas conversaram com Mariano González e obtiveram as melhores referências do jovem de 24 anos. Clube de La Plata está a pedir cerca de dez milhões de euros»
O JOGO, 10-06-2015

«A lista de clubes que já foram apontados como possíveis destinos de Guido Carrillo neste defeso é interminável. Todavia, um nome salta à vista: o Monaco. A equipa de Leonardo Jardim perdeu o búlgaro Berbatov e em França garante-se que está muita atenta ao avançado. O Olympiacos, o Inter e o Palermo são os outros clubes que, tal como o FC Porto, também estão de olho no argentino.»
O JOGO, 10-06-2015

«O CEO da sociedade azul e branca está na Argentina e o objectivo é muito claro: tentar fechar negócio rapidamente, antecipando-se à concorrência, que não é tão pouca quanto isso. Na agenda já estiveram duas reuniões: uma com o presidente do Estudiantes, Juan Sebastián Verón, e outra com o pai e os empresários do avançado do momento na América do Sul.»
O JOGO, 14-06-2015


Guido Carrillo aceita proposta do Monaco (O JOGO, 21-06-2015)

O que falhou na hipotética contratação de Guido Carrillo, como eventual substituto de Jackson Martínez?

Bem, para começar, a novela Jackson ainda não terminou. Aliás, depois de parecer estar tudo acertado com o AC Milan, o jogador e o seu empresário fizeram um compasso de espera (aparentemente, à espera do Atlético Madrid), deixando o FC Porto pendente, quer da confirmação da saída do Cha-Cha-Cha, quer da consequente entrada de uma verba significativa (20, 25, 30 ou mesmo os 35 milhões da cláusula de rescisão).

Mas, o problema principal foi o FC Porto ter concorrência de peso e, obviamente, o FC Porto não tem os argumentos financeiros do “tubarões” como o Inter ou o AS Monaco.

AS Monaco que, recorde-se, foi comprado por Dmitry Rybolovlev em Dezembro de 2011. Ora, daí para cá, a fortuna do bilionário russo permitiu ao clube monegasco investir centenas de milhões de euros em contratações milionárias (Radamel Falcao, James Rodríguez, João Moutinho, Bernardo Silva, etc.) e oferecer aos jogadores salários estratosféricos.

Foi o caso de Guido Carrillo. Para além de pagar ao Estudiantes o valor que o clube argentino pretendia (9-10 milhões de euros), o AS Monaco ofereceu ao jogador um contrato de cinco anos, com um ordenado líquido de três milhões de euros por ano. E falta saber quanto receberam os intermediários (empresários e pai do jogador)…

Se tal fosse necessário, esta disputa por Guido Carrillo veio demonstrar que será cada vez mais difícil o FC Porto vencer, dentro do campo, clubes médios/grandes europeus (endinheirados), como este AS Monaco de Rybolovlev. E digo que será difícil o FC Porto vencer dentro de campo porque, sem recurso a partilha do passe com Fundos, fora das quatro linhas já não tem qualquer hipótese.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

15 milhões? Não, obrigado!

Hoje o jornal As informa nas suas páginas interiores que o Real Madrid vai responder ao FC Porto - que anunciou há dias a intenção de fazer efectiva a opção de compra sobre o Casemiro - com um "ok, levem-no lá, nós não o vamos recuperar"! Dito de outro modo, Casemiro será jogador do FC Porto nos próximos quatro anos por um valor de 15 milhões de euros. Sim, de 15 milhões de euros.

O Real Madrid é um clube que aprecia menos o valor de um bom jogador e mais o valor de mercado que possa gerar. Por isso estão a pensar para a posição que ocupa Casemiro em dois jovens de classe mundial, Verrati do PSG e Pogba da Juventus. Jogadores superiores ao brasileiro mas, sobretudo, mais mediáticos. Rafa Benitez também quer trazer um médio defensivo do seu perfil e isso vai fechar as portas ao até agora Dragão. E aí entramos nós na equação.

Tal como sucede com Tello, o FC Porto detinha na altura da contratualização do empréstimo, uma opção de compra. Muitos especularam sobre o valor que nunca foi oficial. Falava-se entre 8 a 10 milhões de euros. Durante grande parte da temporada - até Março, sensivelmente - muito poucos (para não dizer nenhum) adepto do FCP estaria disposto a pagar isso por Casemiro. Mas o seu final de época foi, realmente, de encher o olho e notou-se muito o seu crescimento. Mérito indiscutivel de Julen Lopetegui (o mesmo passou, com um mês de antecedência, com Tello mas a lesão sofrida retirou-lhe protagonismo no final da época) que sempre manifestou internamente querer contar com o jogador. Afinal, nem havia no plantel alternativas (Campaña foi um erro de casting de ultima hora depois da teimosia de Lopetegui em insistir em jogadores inviáveis como eram Darder e Camacho e Ruben foi crescendo progressivamente mas ainda está verde) nem há, dentro da faixa etária de Casemiro, jogadores com a sua margem de progressão. Quem o segue, como eu, desde os dias do São Paulo, sabe-o.

Casemiro é um bom jogador que se tornou, durante o ano, num jogador muito útil e um dos pontos fortes da temporada. Ninguém o vai negar. Mas Casemiro não vale 15 milhões de euros. E, mesmo que os valesse, que é discutivel, o FC Porto não pode meter-se em negócios assim.

Tenho dito e repetido várias vezes.
A SAD vende internacionalmente uma mensagem que dista da realidade. O modelo de negócio que começou há 15 anos já não existe. O clube já não contrata por tostões e vende por milhões. Contrata por milhões - e cada vez mais muitos milhões - e vende por ainda mais milhões mas com uma margem de lucro progressivamente menor. E claro, com maior risco. 
Até este ano ninguém imaginava o Danilo a sair pelo valor que vai sair e com o Real Madrid como destino. Durante três anos duvidou-se muito do investimento feito. E com razão. O negócio saiu bem mas vai ser preciso sair um negócio muito mal para alguém acordar?
Pode o FC Porto arriscar todos os anos pagar muito dinheiro para um jogador quando temos empréstimos obrigacionistas que pagar, juros que abater, um passivo que urge reduzir de forma progressiva (progressiva, não abate-lo, cuidado) e, a nivel desportivo, posições onde estamos mais descalços e sem alternativas? 
A minha resposta é, claro que não!



O FC Porto tem de, ano após ano, pagar o preço de uma má gestão e isso significa aproveitar os ingressos das vendas para abater o que deve. Com o que sobra, manter a equipa competitiva. Isso significa negócios de baixo risco e negócios certeiros. Negócios a custo zero - os antecessores de Casemiro, desde Costinha, chegaram praticamente assim - ou de um valor de mercado reduzido. E se há que apostar forte num ou outro negócio, de tempos a tempos, que seja em posições onde o talento individual faz realmente a diferença. Num avançado como Jackson, num extremo como Hulk, num playmaker como James. Futebolistas que decidem temporadas e que têm sempre um cartel elevado. Nesses perfis o risco é sempre menor. Num médio defensivo (ou num lateral, ou num guarda-redes) o risco aumenta. O Casemiro vai á Copa America e fez um bom fim de ano. Mas e se sai da selecção, se baixa o nivel na próxima época ou se um futuro treinador não sacar dele tudo o que tem, pode o clube permitir-se ficar a arder com 15 milhões de euros na situação actual?

Desportivamente ficar com Casemiro era uma óptima noticia. Mas só se fossemos o Barcelona, com dinheiro para gastar no substituto do Jackson, no substituto do Oliver e no substituto do Danilo sem ter de fazer contas a dividas e mais dividas. Eu já sei que há muito medo entre os adeptos de que comprar barato, a custo zero ou nomes pouco sonantes pareça um risco. A esses peço-lhes que me digam quanto se gastou em 2003 ou em 2011 para que entendam que o dinheiro, por si só, não compra talento e competitividade. Também sei que quem dirige a SAD está-se a lixar para o futuro financeiro do clube porque quando a bolha rebentar já não vão estar aqui para prestar contas. Mas o clube, que é nosso, é-o hoje e será daqui a 20 anos. Com compras deste estilo, pode ser que o FC Porto 2018/19 seja muito pior do que imaginamos. E eu conta ser portista a vida toda e viver muitos Portos. Para os que pensam só no Porto do próximo ano, os Casemiro, Tellos (outro sobre quem se efectuará opção de compra), são bons negócios. A sua preocupação com a viabilidade financeira do clube não está claramente na lista de prioridades. Eu acho que começa a chegar a altura de entender que há momentos para por um ponto final ás loucuras efectuadas na última década. Esta operação - prestes a ser anunciada - só nos diz que a loucura não tem fim. 

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Hernâni, com nome de estrela azul-e-branca um negócio que faz todo o sentido

A aquisição de Hernâni pelo FC Porto responde a uma das politicas de aquisições recuperada nas últimas duas temporadas, a de procurar reforços úteis para a primeira equipa na liga portuguesa. Jogadores com provas dadas no campeonato, jovens, versáteis e com projecção futura. Exemplos não faltam mas poucos acabam por vingar no plantel. Muitos acabam por ser moeda de sucessivos empréstimos e a outros faltam-lhes as oportunidades. Hernâni não terá um futuro fácil e um bom exemplo disso mesmo é o jogador que o extremo lisboeta foi substituir em Guimarães, o versátil Ricardo Pereira que apesar de já ter demonstrado valor e potencial ainda não se confirmou como um dos 16 jogadores mais utilizados por Julen Lopetegui.

No entanto a chegada do extremo pode dar-nos pistas para o futuro. O FC Porto tem actualmente como extremos puros a três jogadores no plantel: Ricardo Quaresma, Christian Tello e o próprio Ricardo Pereira. O último tem sido cada vez mais provado como lateral. Quaresma já está no outono da sua carreira - apesar de genialidades como as do passado domingo - e Tello tem sido um dos jogadores mais criticados dos últimos meses. E com razão. É também um jogador emprestado que pode voltar - ora por vontade do clube, ora por desejo do Barcelona - a casa no próximo defeso. Na equipa B ainda há a possibilidade de utilizar como extremo a André Silva mas este parece não contar ainda para Lopetegui. Há portanto uma carência que só a utilização de jogadores deslocados da sua posição natural - Brahimi, Quintero ou Oliver, por exemplo - tem permitido tapar nesta primeira metade de temporada. Hernâni vem para dar equilíbrio a esse sector do ataque e parece ser uma aposta acertada.

É um jogador barato, com experiência na liga, projecção de futuro - tem apenas 23 anos e duas boas temporadas nas costas - e sabe que vem para ser um suplente com alguma utilidade e não uma primeira figura. O seu empréstimo vai permitir também resolver a situação de Sammi - em conflito aberto com Sérgio Conceição -, de Ivo Rodrigues (uma das nossas maiores promessas - tem 12 golos na II Liga - mas sem espaço para Lopetegui) e de Otávio. O médio brasileiro tem um potencial tremendo e foi um investimento sério. A sua aquisição foi feita, seguramente, tendo em vista o fim do empréstimo de Oliver (ainda que se tenha aberto a possibilidade de uma prolongação de uma temporada mais, algo de que falarei noutro dia), mas depois de meia época na II Liga não lhe vem mal uns meses numa equipa que luta abertamente pela Europa e que tem sido uma das mais consistentes formações da liga. Rui Vitória pode ter muitos defeitos mas é evidente que sabe moldar tacticamente jogadores jovens e ao brasileiro a experiência será seguramente positiva.


Face á situação financeira do clube estava claro que não havia muito que fazer no mercado. É bastante provável que alguns dos empréstimos acabem este Verão - Tello e Casemiro - e se para a posição 6 seguramente Lopetegui continuará a ter em Ruben Neves a sua aposta principal, o clube acabará por ter que reforçar-se em Julho, a posição de extremo fica claramente coberta com a chegada de Hernâni. Não se enganem, a mais que provável saida de Brahimi para fazer caixa e o eventual regresso de Tello em Barcelona obrigará a nova incursão no mercado mas pelo menos o jovem tem meio ano para provar o que vale e não apenas quatro semanas em Julho como tem sucedido com tantos jogadores. Um negócio acertado de um jogador que se enquadra perfeitamente no plantel!

PS: O FC Porto inscreveu também para a equipa B um jovem chamado Anderson. Nada a dizer. Mais um jogador estrangeiro de potencial duvidoso que chega para reforçar uma equipa que devia servir para fazer a ponte em jogos competitivos entre o futebol de formação e a primeira equipa mas que tem um terço de plantel com jogadores de fora com uma projecção futura mais que questionável ainda que existam bons exemplos em contrário - Mikel, Kayembe (depois de meio ano a tapar Rafa para ser empestado ao Arouca), Gaudiño, por exemplo. O caso de Anderson é no entanto curioso. Jogava num clube perdido de Belo Horizonte na Segunda Divisão do estadual mineiro que curiosamente, e só curiosamente, é sustentado pelo banco BMG. O mesmo que patrocina o museu e com quem o clube tem tão boas relações.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Provavelmente, o melhor lateral-direito do Mundo

Em 1 de dezembro de 2011, após a divulgação do Relatório e Contas Consolidado da FC Porto SAD, 1º Trimestre 2011/2012, publiquei um artigo acerca dos valores envolvidos na contratação de Danilo, em que escrevi o seguinte:

«No dia 19 de Julho, pagar 13 milhões de euros por um jovem lateral-direito (que também pode jogar a médio) promissor, mas ainda sem um curriculum assinalável, parecia um balúrdio apenas justificável por, mais uma vez, ter envolvido uma disputa com o SLB. Contudo, os números reais não eram estes, faltavam os “encargos adicionais”...

No negócio Danilo (em que a SAD portista ganhou mais uma corrida à SAD do SLB!), os designados Encargos adicionais (incluem serviços de intermediação, serviços legais, prémios de assinatura de contratos, etc.) perfazem a escandalosa soma de 4.839.131 Euros, atirando o custo total desta aquisição para quase 18 milhões de Euros! (…)

Atendendo aos valores gastos na compra, aos encargos salariais e às comissões que a FC Porto SAD também costuma pagar aquando das vendas, o Danilo terá mesmo de ser um grande craque, de modo a que os “tubarões” europeus abram os cordões à bolsa e a SAD portista não perca dinheiro se e quando o vier a vender daqui a uns anos.»


É sabido que, quando chegou a Portugal, Danilo não tinha cultura da posição e, aliás, gostava pouco de jogar a lateral-direito (preferia jogar a médio interior, como se diz no Brasil). Quer Vítor Pereira, quer o próprio Danilo já falaram nisto várias vezes e o ex-treinador do FC Porto teve mesmo de “convencer” o jogador, ensinando-lhe as rotinas necessárias a um lateral direito do futebol europeu.

Embora Danilo tenha dado bons sinais em épocas anteriores (principalmente no 2º ano de Vítor Pereira como treinador principal), foi esta época, com Julen Lopetegui, que “explodiu” como jogador de top internacional, algo que não me tenho cansado de sublinhar:

«Danilo - De jogo para jogo, justifica, cada vez mais, a chamada de Dunga à seleção brasileira. Se continuar assim, a SAD ainda vai recuperar os quase 18 milhões de euros que investiu na sua contratação» (RP, 17 Setembro 2014)

«A jogar como o fez contra o Nacional e como tem feito na maior parte dos jogos desta época, Danilo, depois de já ter regressado à seleção canarinha, no final da época irá, seguramente, saltar para um dos “tubarões” europeus» (RP, 1 Novembro 2014)

«Danilo - Está numa forma extraordinária e, claramente, a fazer a sua melhor época desde que chegou ao FC Porto (é bem provável que a FC Porto SAD recupere os 18 milhões de euros que gastou na sua contratação)» (RP, 5 Novembro 2014)


Três anos depois de ter chegado, Danilo já ajudou o FC Porto a ganhar dois campeonatos nacionais e a superar duas vezes a fase de grupos da Champions e caminha, a passos largos, para o topo do ranking dos melhores defesas/laterais direitos da história do FC Porto.

O JOGO, 02-12-2014

No mesmo período, foi convocado para representar a selecção brasileira no Torneio Olímpico de futebol de 2012 e, com Dunga, regressou à Seleção principal do Brasil.
E, lendo declarações recentes do selecionador brasileiro (ao jornal A BOLA), tudo indica que será para continuar…

[Danilo] Tem uma enorme qualidade, é uma força da natureza pois deposita muita energia em campo e a forma como joga contagia os companheiros. Faz o corredor imensas vezes sempre com enorme competência. (…)
Danilo tem uma força física que impressiona, um pouco à imagem do Maicon. Corre quilómetros atrás de quilómetros e apresenta sempre um rosto com frescura física. (…)
Com ele [Danilo] não há deslizes. É um profissional exímio por aquilo que me apercebo nas concentrações da seleção. Tem imenso cuidado com a alimentação, procura seguir as regras elementares e também descansa imenso, o que é importante para um atleta.


Capa de O JOGO de 02-12-2014
Quer fisicamente, quer tecnicamente, Danilo Luiz da Silva é um futebolista muito acima da média.
Com apenas 23 anos (nasceu a 15 de Julho de 1991), já ganhou títulos no Brasil e em Portugal, está na sua 4ª época de futebol europeu (já disputou 20 jogos na Liga dos Campeões) e é titular da canarinha (11 internacionalizações na seleção principal).

Danilo tem contrato com o FC Porto até Junho de 2016 e uma cláusula de rescisão de um valor muito elevado (50 milhões de euros), mas quem pagou 42 milhões por Thiago Silva e 50 milhões por David Luiz é capaz de, para além de Brahimi, também estar interessado noutro titular do quarteto defensivo da seleção brasileira.

E, para além do PSG, o mercado inglês (Chelsea, Manchester City, Manchester United, ...) também deve estar muito atento àquele que, nesta altura, é, provavelmente, o melhor lateral-direito do Mundo.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

A propaganda do regime

Ontem, a propósito de mais uma exibição “convincente” do SLB e do “encorajante” resultado final (0-2), que os encarnados de Lisboa alcançaram frente aos azuis de São Petersburgo (Parabéns André! Parabéns Hulk!), voltei a ouvir a desculpa-explicação de que, ao contrário do FC Porto (que, segundo eles, fez um investimento brutal para esta época), o clube amparado pelo BES tinha desinvestido na sua equipa de futebol.

Eu sei que a propaganda ao serviço do clube do regime usa e abusa de uma conhecida máxima (lição de propaganda) ensinada por Joseph Goebbels – “If you tell a lie big enough and keep repeating it, people will eventually come to believe it” –, mas, sinceramente, convinha terem algum pudor e olhar para os factos.

1 – O “investimento brutal” do FC Porto para a época 2014/2015

Tal como já demonstrei no artigo ‘Saídas e Entradas: as contas finais’, referente às saídas e entradas de jogadores no FC Porto durante o último defeso (Maio a Agosto de 2014)…
… é FALSO que tenham saído poucos jogadores;
… é FALSO que não tenham saído jogadores importantes (titulares indiscutíveis nas últimas épocas);
… é FALSO que o valor investido em contratações seja superior ao encaixe que a FC Porto SAD obteve com as transferências, neste mesmo período;
… é FALSO que a FC Porto SAD tenha investido muito mais do que em anos anteriores (ver Relatórios e Contas dos últimos anos).


2 – A “contenção” e “desinvestimento” do SLB para a época 2014/2015

De acordo com a informação que foi do conhecimento público, durante o último defeso (Maio a Agosto de 2014), a Benfica SAD fez as seguintes contratações:

Paweł Dawidowicz. | Lechia Gdansk | Custo do passe: 2 M€
César | Ponte Preta | Custo do passe: 3 M€
Loris Benito | Zurique | Custo do passe: 3 M€
Djavan | Corinthians Alagoano | Custo do passe: 1,5 M€
Bebé | Manchester United | Custo do passe: 3 M€
Talisca | Bahia | Custo do passe: 4 M€
Derlei | Marítimo | Custo do passe: 2,5 M€
Eliseu | Málaga | Custo do passe: 1,5 M€
Samaris | Olympiacos FC | Custo do passe: 10 M€
Cristante | AC Milan | Custo do passe: 6 M€

E, para além dos 36,5 M€ investidos nestas 10 contratações, a Benfica SAD também contratou dois nomes sonantes a “custo zero”: Júlio César e Jonas.

Quanto é que estes dois internacionais brasileiros, contratados a “custo zero”, receberam de prémio de assinatura? E quanto vão receber de salário anual?
Não sabemos (a Benfica SAD não divulgou essa informação).
O que sabemos é que Júlio César auferia no QPR um salário anual de aproximadamente de €6.000.000 e tinha um vínculo contratual ao clube da Premier League de mais dois anos (até Junho de 2016).


Em resumo, a “contenção” do SLB para a época 2014/2015, traduziu-se num investimento de 36,5 M€ (o maior entre os clubes portugueses!), mais os valores (desconhecidos) de duas contratações milionárias a… “custo zero”.
De facto, foi um enorme “desinvestimento”…

terça-feira, 16 de setembro de 2014

A irrelevante contratação de Otávio

O JOGO, 13-09-2014
As SAD’s são obrigadas a comunicar ao mercado todos os factos relevantes mas, o que é um “facto relevante”?

Na realidade, não há uma regra minimamente objectiva que defina o que são “factos relevantes”, ficando ao critério das sociedades desportivas decidir o que entendem como sendo “relevante” para a vida da empresa.

Peguemos no exemplo de Otávio. Através de notícias que chegaram do Brasil, soube-se que a FC Porto SAD investiu 3,25 milhões de euros em 50% do passe de Otávio, ficando os restantes 50% na posse do próprio Otávio (15%), dos seus representantes (20%) e de um grupo de empresários japoneses (15%).

3,25 milhões de euros por 50% do passe (significa que a totalidade do passe de Otávio foi avaliada em 6,5 milhões de euros), não parece ser irrelevante, mas a FC Porto SAD entendeu o contrário e, por isso, não efectuou qualquer comunicado.

Qual é o critério da FC Porto SAD para comunicar a contratação de jogadores?

Vejamos. Neste defeso, a FC Porto SAD elaborou comunicados, que enviou à CMVM, acerca das seguintes contratações:

12/07/2014: Futebol Clube do Porto - Futebol, SAD informa sobre a aquisição dos direitos desportivos do jogador Adrián López

15/07/2014: Futebol Clube do Porto - Futebol, SAD informa sobre a aquisição dos direitos desportivos do jogador Martins Indi

16/07/2014: Futebol Clube do Porto - Futebol, SAD informa sobre empréstimo do jogador Cristian Tello

19/07/2014: Futebol Clube do Porto - Futebol, SAD informa sobre o empréstimo do jogador Casemiro

23/07/2014: Futebol Clube do Porto - Futebol, SAD informa sobre aquisição dos direitos desportivos do jogador Brahimi

24/08/2014: Futebol Clube do Porto - Futebol, SAD informa sobre a aquisição dos direitos desportivos do jogador Aboubakar


Por que razão é comunicada a contratação de 30% do passe de Aboubakar e não é comunicada a contratação de 50% do passe de Otávio?

Por que razão são comunicados os empréstimos de Cristian Tello e de Casemiro e não foram comunicados os empréstimos de Óliver Torres e de José Campaña?

Alguém consegue descortinar um critério minimamente coerente, seguido pela FC Porto SAD, para comunicar ou não-comunicar contratações de jogadores?

Evidentemente, a CMVM tem coisas mais importantes com que se preocupar, mas é, também, por causa deste tipo de (in)coerências que, no mercado de capitais, ninguém leva a sério as sociedades anónimas desportivas e os respectivos grupos empresariais.

sábado, 6 de setembro de 2014

Saídas e Entradas: as contas finais

Depois de ter feito um balanço a meio de Agosto…


… vamos agora às contas finais.


SAÍDAS DO PLANTEL 2013/2014 (10):
Fucile | Fim de contrato | Nacional Montevideo (Uruguai) | encaixe: 0
Abdoulaye | Empréstimo | Rayo Vallecano (Espanha) | encaixe: ??
Mangala | Venda do passe (57%) | Manchester City (Inglaterra) | encaixe: 30,5 M€
Fernando | Venda do passe (90%) | Manchester City (Inglaterra) | encaixe: 13,5 M€
Defour | Venda do passe (57%) | Anderlecht (Bélgica) | encaixe: 3,4 M€
Carlos Eduardo | Empréstimo | Nice (França) | encaixe: ??
Josué | Empréstimo | Bursaspor (Turquia) | encaixe: ??
Licá | Empréstimo | Rayo Vallecano (Espanha) | encaixe: ??
Varela | Empréstimo | West Bromwich Albion (Inglaterra) | encaixe: ??
Ghilas | Empréstimo | Córdoba (Espanha) | encaixe: ??


OUTRAS SAÍDAS (8):
Bolat (Kayserispor, Turquia) | Empréstimo | Galatasaray (Turquia) | encaixe: ??
Quiñones (FC Porto B) | Empréstimo | Penafiel (I Liga) | encaixe: 0
Castro (Kasimpasa, Turquia) | Venda do passe | Kasimpasa | encaixe: 2 M€
Izmaylov (FK Qäbälä, Azerbeijão) | Empréstimo | FC Krasnodar (Rússia) | encaixe: ??
Djalma (Konyaspor, Turquia) | Empréstimo | Konyaspor | encaixe: ??
Iturbe (Verona, Itália) | Venda do passe (45%) | Verona | encaixe: 6,75 M€
Sami (Marítimo) | Empréstimo | SC Braga (I Liga) | encaixe: 0
Kléber (FC Porto B) | Empréstimo | Estoril (I Liga) | encaixe: 0


CASOS NÃO RESOLVIDOS (2):
Rolando (Inter, Itália) | ??? | ??? | encaixe: ??
Tiago Rodrigues (Vitória Guimarães) | ??? | ??? | encaixe: ??


ENTRADAS (16):
Ricardo | Académica | Custo do passe: 0
Andrés Fernández | Osasuna | Custo do passe: 1,6 M€
Opare | Standard Liège | Custo do passe: 0
Martins Indi | Feyenoord | Custo do passe: 7,7 M€
Iván Marcano | Rubin Kazan| Custo do passe: 2 M€
José Ángel | AS Roma | Custo do passe: 0
José Campaña | Sampdoria | Empréstimo
Casemiro | Real Madrid | Empréstimo
Brahimi | Granada | Custo do passe (20%): 1,5 M€
Evandro | Estoril | Custo do passe: 1 M€ (?)
Óliver Torres | Atletico Madrid | Empréstimo
Otavio | Internacional Porto Alegre | Custo do passe (50%): 3,25 M€
Tello | FC Barcelona | Empréstimo: 1 M€ (1º ano empréstimo)
Sami | Marítimo | Custo do passe: 0
Ádrian López | Atletico Madrid | Custo do passe (60%): 11 M€
Aboubakar | Lorient | Custo do passe (30%): 3 M€


Feitas as contas (de acordo com os valores que vieram a público) ao que a FC Porto SAD gastou nas 16 contratações que efetuou, chega-se a um valor – 32 milhões de euros – ligeiramente acima do encaixe que a SAD obteve com a venda, ao Manchester City, de 56,7% do passe de Mangala.

E, para além da transferência de Mangala, do lado das receitas a FC Porto SAD irá encaixar mais cerca de 4,5 milhões de euros – 3,4 milhões de euros correspondentes a 56,7% do passe de Defour e 1,5% do valor da transferência de James do AS Monaco para o Real Madrid (cerca de 1,2 M€).

Total do encaixe com transferências (época 2014/2015): 35 M€.

Importa salientar que, do lado das receitas, não incluí os encaixes com as vendas dos passes de Otamendi, Iturbe, Castro e Fernando, os quais perfazem cerca de 34 milhões de euros, mas que irão ser contabilizados nas contas do exercício 2013/2014.

Ao contrário do que já li e ouvi N vezes, estes números demonstram ser falso que a FC Porto SAD tenha vendido pouco e investido muito mais do que em anos anteriores. Quiçá terá investido é melhor, numa lógica de qualidade / preço.


Nota: Nos valores apresentados não foram consideradas as comissões e/ou outros encargos dos negócios.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

As últimas horas do mercado

A evolução do mercado, no DN.pt, até às 23:59 do dia 1 de Setembro…

22.45 - A Sampdoria anunciou a transferência de José Campaña para o Dragão, por empréstimo, conforme antecipou o DN.

22.15 - Rolando foi inscrito pelo FC Porto na Liga, mas não deverá ser reintegrado no grupo de trabalho.

22.10 - Segundo apurou o DN, o Estoril pode ser a solução para o futuro de Kléber.

22.05 - O mercado fechou em Itália e, com ele, a última possibilidade de Rolando não ficar um ano a treinar-se sozinho no Porto.

21.42 - Ghilas já está em Espanha e assinou contrato de um ano pelo Córdoba, confirmou o DN. O avançado argelino sai por empréstimo, sem opção de compra. O clube da Liga espanhola fica com a carga salarial do ponta-de-lança.

21.30 - O FC Porto optou por emprestar Sami ao Sporting de Braga, confirmou o DN, apesar de o Rio Ave também ter pedido o jogador. O empréstimo será válido por um ano e grande parte dos vencimentos estará a cargo dos minhotos. O FC Porto propôs Kléber aos vilacondenses, mas o vencimento do avançado brasileiro é excessivo.

21.15 - O FC Porto confirmou, através do Porto Canal, a contratação de Otávio, que assinou por cinco épocas e fica com cláusula de rescisão de 50 milhões de euros. O negócio terá sido de baixo custo, ao contrário dos números veiculados no Brasil, por isso não foi declarado à CMVM, embora a documentação ainda possa ser encaminhada.

21.00 - O FC Porto está à beira de fechar a contratação de José Campaña, apurou o DN.

20.22 - Ghilas, do FC Porto, está de saída para o futebol espanhol, apesar de o Sporting de Braga o ter pedido emprestado. Os dragões ainda procuram colocar Kléber.

19.42 - Sergi Darder, médio-defensivo do Málaga que está em estágio com a seleção de sub-21 de Espanha, aguarda um telefonema para saber se fica na Andaluzia ou se ruma ao FC Porto. Os dragões mostram relutância em chegar aos 10 milhões de euros exigidos pelo clube, mas Darder já fez saber que quer ingressar no Dragão.

19.15 - Otávio, após cumprida a bateria de exames médicos, vai ser oficializado pelo FC Porto. Segundo apurou o DN, os dragões ainda devem apresentar mais um médio nesta segunda-feira.

19.12 - O Aves já inscreveu Pius, emprestado pelo FC Porto, e Rui Fernandes, este último uma revalidação contratual.

19.09 - O Desp. Chaves confirma as chegas de Stefanovic, do FC Porto, e de Guzzo, do Benfica, junto da Liga.

19.00 - Foram registados mais 14 contratos na Liga. O FC Porto inscreveu o ponta-de-lança camaronês Aboubakar e o guarda-redes mexicano Raul Gudiño.

18.42 - Rolando não vai rumar ao Everton, confirmou o DN. A sondagem do clube inglês não chegou nem perto dos 10 milhões de euros exigidos pelos dragões.

18.30 - O lateral-esquerdo Quiñones, do FC Porto, vai ser emprestado ao Penafiel, por uma época. O clube penafidelense vai pagar parte do salário do colombiano.

17.35 - Tiago Rodrigues, do FC Porto, rejeitou ser emprestado ao Boavista. O Cluj pediu o seu empréstimo por uma época, mas o médio de 22 anos ainda não tem colocação.

17.33 - O Nice oficializou a contratação de Carlos Eduardo, do FC Porto, por empréstimo, sem opção de compra.

17.17 - Otávio, médio criativo do Internacional, já está na cidade do Porto, onde está a cumprir exames médicos antes de assinar pelos dragões. O atleta vai assinar até 2019.

17.05 - O Desp. Chaves confirma que se reforçou nos "grandes": Stefanovic, do FC Porto, e Guzzo, do Benfica, chegam por empréstimo.

16.55 - O Málaga resiste à investida do FC Porto por Sergi Darder, a prioridade de Lopetegui para o meio-campo após falhada a aquisição de Clasie. Ignacio Camacho também interessa, mas é igualmente caro. Há mais soluções no futebol europeu e no futebol sul-americano, sendo que Lopetegui prefere um conhecido seu.

16.43 - Depois de Caballero, o Desp. Aves recebe mais um jogador do FC Porto B, agora o central nigeriano Junior Pius, que na época passada era júnior.

16.37 - Sp. Braga e Rio Ave lutam pelo empréstimo de Sami, do FC Porto. O avançado guineense não cabe nos planos de Lopetegui. Os dragões têm ainda dois pontas-de-lança por colocar: Kléber e Ghilas, que juntos custaram mais de sete milhões de euros.

16.20 - O FC Porto vai fechar nesta segunda-feira a contratação de Otávio, médio criativo proveniente do Internacional, mas Lopetegui ainda espera um médio-defensivo. Para já não há qualquer nome na iminência de ser confirmado.

16.12 - Como o DN noticiou na véspera, o FC Porto está a tratar das cedências de Kelvin e Carlos Eduardo ao futebol francês: o primeiro para o Évian, o segundo para o Nice. Carlos Eduardo também tinha mercado em Espanha.

16.10 - O FC Porto ainda tem a casa por "arrumar". O Everton perguntou o preço de Rolando, os dragões pedem 10 milhões de euros. A equipa de Liverpool não se dispõe a chegar a tanto.

sábado, 30 de agosto de 2014

Estou muito contente, pois claro!

Rúben Neves

Estou muito satisfeito pelo facto do FCP ter cumprido o primeiro grande objectivo da época: a passagem à fase de grupos da CL, com as vantagens desportivas e financeiras que a inclusão na prova maior permite acolher. Não foi perfeito o exame da passada terça-feira, mas a prova correu bem porque trabalhámos muito e fomos competentes. Vencemos com um agregado de 3-0, mas há quem esteja descontente, porque não chega: a rapaziada é razoável e exige o limite. Aos outros de preferência. Assobia-se porque a equipa perdeu alguma coesão a meio da primeira parte ou porque o treinador entendeu não meter o Quaresma na última substituição que podia fazer, depois de ter queimado uma por incapacidade física de Alex Sandro. Que pecado capital cometeu o mister para merecer tanta severidade? Nunca bati tantas palmas a um treinador para ajudar a abafar essa opinião sonora de descontentamento incompreensível que não serve o clube, não apoia o jogador que vai entrar, legitima a rebeldia de Quaresma e potencia um aval indirecto de revelia à autoridade do treinador. No FCP, para alguns, a autoridade do treinador acaba quando a integração de Quaresma se intromete e se torna uma obrigação para esses iluminados. Que estranha obsessão.

A exibição do FCP contra o Lille não foi perfeita. Mas, um bom gestor deve reconhecer as forças e fraquezas do grupo e agir em conformidade com essas realidades. Mais, deve acomodá-las ao modelo de jogo do clube, aos actores que tem à disposição e aos diferentes momentos da competição. A ultrapassagem do play-off que a equipa tinha de cumprir (obrigatoriamente) no início da época para estar na CL, não permitia devaneios artísticos. O treinador chamou a si todas as responsabilidades e não teve medo de correr riscos em defesa da segurança e do controlo de jogo que entendeu imprescindível para passar o Rubicão. Da última vez que tivemos idêntico desafio, calhou muito mal com um precário Anderlecht.
Temos uma equipa jovem e ainda não fomos derrotados o que é estranho numa equipa com um treinador sem experiência na CL e tarimba de balneário e em que Fabiano não dá confiança, Danilo escorrega sem jeito, Indi não sabe saltar e sair a jogar, Reyes está verde, Casemiro talvez sirva mas não é forte na posição 6, Herrera não sabe passar a mais de 10 metros de distância, o miúdo ainda não é gente, tal como Óliver que retém a bola e joga para o lado. Salvam-se o Martinez e o Brahimi, por enquanto. Maicon está no limbo e Alex Sandro sujeito a novas observações. Se fosse cínico, diria que o treinador conseguiu um milagre, dada a sua inexperiência e à fragilidade dos atletas que temos, por quem ajuíza e sabe da poda.

Pela minha parte, estou entusiasmado com o trabalho produzido, embora reconheça que precisámos de melhorar a nossa presença no ataque. Mas, nestas coisas da bola não basta consultar a wikipedia ou estar atento aos conselhos de Freitas Lobo para lá chegar. Demora e é feito de riscos, porque não raramente tapa-se de um lado mas destapa-se do outro. Brahimi fez uma excelente segunda parte a que não foi alheio o facto de haver mais espaços porque chegámos à vantagem no arranque do segundo tempo.
Assino por baixo a política de contratações e alienações no plantel, embora Ádrian Lopez ainda esteja muito longe de justificar o investimento que foi feito. Uma última consideração para o Rúben que deve ser tratado como uma pedra rara que deve ser lapidada com muito carinho. Acho que o miúdo saiu da sua zona de conforto e está a aprender a jogar num registo diferente. Acredito na perspicácia de Jullen para acompanhar o seu crescimento. Por fim, espero que Lopetegui saiba gerir o conflito com o Ricardo Quaresma e que o clube lhe saiba dar apoio esclarecido, como fez com Mourinho aquando do processo disciplinar a Vítor Baia, até porque o Mustang não é uma referência como foram Fernando Gomes e Jorge Costa e acabaram por sair por razões disciplinares. Estou muito contente, pois claro e o Rúben representa essa crença de confiança no futuro.

domingo, 20 de julho de 2014

Leocísio Júlio Sami

Leocísio Júlio Sami tem 25 anos (nasceu em Bissau, a 18 de Dezembro de 1988) e, como sénior, já representou cinco equipas – Eléctrico Futebol Clube; Desportivo das Aves; Marítimo B; Centro Desportivo de Fátima; Marítimo – sem atingir um particular brilhantismo.

Carreira de Sami ( fonte: www.foradejogo.net )

Vindo do Marítimo (a custo zero), Sami chegou ao FC Porto há três semanas, de forma quase clandestina, sem dar nas vistas, até que…

Sami, Genk x FC Porto

Será possível que um jogador com o trajecto futebolístico deste avançado guineense, possa ser o principal candidato a Nº 9 da equipa principal do FC Porto se, como alguns sinais sugerem, nos próximos dias/semanas Jackson Martinez juntar o restante corpo à cabeça (que há muito está noutras bandas)?

Adrián López, Nabil Ghilas e Gonçalo Paciência que se cuidem…

sábado, 19 de julho de 2014

Casemiro, o sucessor de Fernando

Casemiro é um jogador formado no São Paulo Futebol Clube, onde começou aos 11 anos.

Tendo-se destacado, quer com a camisola tricolor do SPFC (fez a sua estreia pela equipa principal, com 18 anos, em 25 de julho de 2010), quer nas seleções jovens do Brasil (fez parte das seleções sub-17 e sub-20), Casemiro despertou o interesse do Real Madrid e, em Janeiro de 2013, os dois clubes acordaram um empréstimo (com opção de compra).

Casemiro (juntamente com Danilo, Alex Sandro, Neymar, ...) na Seleção do Brasil de Sub-20

Inicialmente contratado para jogar pelo Castilla, Casemiro foi promovido à equipa principal dos merengues, por José Mourinho, em 19 de abril de 2013.

Dois meses depois, em 10 de junho de 2013, o Real Madrid não teve dúvidas, exerceu a opção de compra e Casemiro assinou um contrato de quatro épocas com o colosso de Madrid.

Evidentemente, tendo o Real Madrid médios do calibre de Xabi Alonso e Khedira (já para não falar em Illarramendi), o caminho para a titularidade da equipa de Carlo Ancelotti estava tapado mas, mesmo assim, ao longo da época 2013/2014, Casemiro participou em 25 jogos (12 no Campeonato, 7 na Taça do Rei e 6 na Liga dos Campeões). Nada mau para um jovem de 21 anos.

Casemiro (juntamente com CR7, Pepe, Di Maria, Modric, ...) na equipa inicial do Real Madrid

Contudo, com a contratação de Toni Kroos, o Real Madrid passou a ter excesso de jogadores de top para a mesma posição de Casemiro.

Havendo disponibilidade do Real Madrid para deixar sair Casemiro (por empréstimo), o FC Porto aproveitou, avançou e o médio/volante brasileiro já está no Porto.

«O Real Madrid C. F. e o FC Porto chegaram a acordo para o empréstimo do jogador Casemiro durante a temporada 2014-2015.
Ao FC Porto fica reservada a opção de compra no final da próxima temporada. Se o clube português avançar para a aquisição do passe do jogador, ao Real Madrid C. F. fica reservada uma cláusula de recompra.»

Em condições normais, parece-me que muito dificilmente um clube português conseguiria contratar um jogador do Real Madrid, que estivesse em fase de afirmação e que, ainda por cima, fosse apreciado pelo treinador e pelos adeptos madrilenos.

Casemiro e Ancelotti

Casemiro e os adeptos

O FC Porto conseguiu (provavelmente com a preciosa ajuda de Lopetegui) e, precisando urgentemente de colmatar a saída de Fernando, penso que não seria fácil (e barato) o FC Porto arranjar uma solução melhor do que Casemiro para chegar e “pegar de estaca”. Veremos…

Uma “pérola” de La Masia no Porto

No dia 23 Fevereiro de 2012, o jornal catalão El Mundo Deportivo noticiou o interesse do Benfica em Cristian Tello, adiantando que Valência, Málaga e Liverpool eram outros emblemas que tinham o futebolista debaixo de olho.

Perante esta notícia, Nuno Farinha, jornalista (Subdiretor do Record) e um assumido adepto “doente” do FC Barcelona, escreveu o seguinte no seu blogue dedicado ao Barça: “Cristian Tello? E não querem mais nada?” (vejam os comentários)

Cerca de um ano depois, em 18 de Abril de 2013, num post intitulado “Cláusula de alto risco”, o mesmo Nuno Farinha escreveu o seguinte:

«Tello continua a sua assombrosa evolução que está a surpreender, até, o próprio Barcelona. Só assim se compreende que a cláusula de rescisão do extremo seja de apenas 10 milhões euros - perfeitamente acessível a qualquer clube grande. É preciso rever com urgência o contrato de Tello e atualizar, igualmente, esta perigosíssima cláusula: 10 milhões é a cláusula de vários "garotos" das equipas B em Portugal. Tello reclama um lugar na melhor equipa do Mundo. Atenção, pois.»

E quando se começou a falar, de forma mais insistente, na hipótese de Tello vir para o FC Porto, num novo post, intitulado Tello é a "bomba" do FC Porto, o sócio 129800 do FC Barcelona, escreveu o seguinte:

«O negócio não está ainda garantido, mas há mesmo fortes possibilidade de Tello ser cedido ao FC Porto por empréstimo. A titularidade no Barça é um objetivo impossível: as três vagas do ataque para a nova época estão reservadas para Messi, Neymar e, em princípio, Luis Suárez. Ainda "sobram" Alexis Sánchez, Pedro e Deulofeu. Mesmo que Alexis venha a sair (ou mesmo Pedro), é fácil perceber que a vida não está fácil para Tello. Não é por isso que deixa de ser um jogador de top. É mesmo: velocidade de ponta impressionante, praticamente impossível de parar no 1x1 (quando embala para a linha de fundo) e com muito golo (sobretudo para um extremo). Se Lopetegui o convencer a mudar-se para o Porto... é de tirar o chapéu!»


E Tello veio mesmo, num empréstimo de dois anos.

«O FC Porto assegurou a cedência, por empréstimo, do extremo espanhol Cristian Tello, do FC Barcelona, para as próximas duas épocas desportivas, com opção de compra, findo esse período.»

«FC Barcelona and FC Porto have reached an agreement for the loan of striker Cristian Tello for the next two seasons, with the latter having an option to buy. The loan will operate on a payment basis, and FC Barcelona withhold the right to cancel the option to buy as well as the loan agreement itself at the end of the first season.»


No seu site, o FC Barcelona referiu que pode anular a opção de compra, bem como, o acordo de empréstimo no final da primeira temporada mas, segundo o jornal O JOGO, nesse caso o FC Porto será compensado (financeiramente).

De facto, o FC Porto “corre o risco” da 1ª época de Tello no Porto ser tão boa que, no final da temporada 2014/2015, o colosso catalão irá/poderá anular a opção de compra e compensar financeiramente a FCP SAD.

Ou seja, investindo muito pouco, o FC Porto irá usufruir de um produto de La Masia durante dois anos, isso é (quase) certo.

Qual é o risco desta operação?

O “risco” é o Tello fazer duas excelentes épocas de dragão ao peito, ajudar o FC Porto a alcançar sucessos desportivos e de, ao fim desses dois anos, o FC Barcelona o querer de volta.

Como adepto e sócio do FC Porto é um cenário que, a concretizar-se, não me parece nada mal, bem pelo contrário.

terça-feira, 15 de julho de 2014

7,7 milhões por Indi

Entra um internacional holandês - Bruno Martins Indi -, por 7,7 milhões de euros (falta saber o valor dos encargos e comissões deste negócio)...


... e, tudo indica, sairá um internacional francês - Mangala (falta saber por quanto).

domingo, 13 de julho de 2014

Adrian Lopez - mudar de rumo

A SAD do FCP comunicou à CMVM que contratou Adrian, comprando 60% do passe por 11M€.

Isto é o que se pode chamar de «investir forte e feio» e pode despoletar várias discussões (e vou abordar aqui três). A primeira que me vem à cabeça é sobre a política de contratações da SAD.

No passado muito se constatou (e elogiou) que a prioridade do FCP era gastar muito dinheiro acima de tudo em jogadores jovens com alta margem de progressão. Ora ao contratar um jogador de 26 anos avaliado (pelos vistos) em 18M€ parece que a SAD está em boa parte a mandar essa linha de rumo às malvas (daí o título deste artigo). 

Aliás, em termos de € por % de passe, esta contratação é, de longe, a mais cara de sempre no FCP (não entro nestas contas com % de passe compradas pouco antes de vender o jogador e muito depois de se o contratar, em que o contexto é completamente diferente - como aconteceu com Hulk e James por exemplo).

Outra linha comum (ainda que não exclusiva, longe disso) na política de contratações da SAD tem sido um fascínio pelo mercado latino-americano. Pelos vistos de uma época para a outra mudaram completamente de ideias e afinal o mercado espanhol é que «está a dar»...

Mas será que isto só acontece porque o treinador é espanhol e, quem sabe, a contragosto da Direção? Bem, nesse caso teríamos também uma inversão na política de contratações, nomeadamente: passar a dar-se prioridade a fazer as vontades todas ao treinador (muito ao contrário do que é tradição no Dragão).

Mas adiante. Outra discussão (e que mais interessa ao adepto comum) aborda as implicações desportivas desta contratação.

Parece-me mais ou menos claro que isto implica que Jackson estará de saída. Não me passa pela cabeça que Adrian venha para ficar no banco, nem tampouco que seja para enviar Jackson para o banco. A passagem a um 4-4-2 parece-me também muito pouco provável (pelas características de Jackson mas também porque nesse caso não entenderia a vinda de Tello, por exemplo).

Nesse caso será Adrian uma boa solução? Bem, pelo pouco que conheço do jogador tenho dúvidas que justifique o investimento, apesar de lhe reconhecer qualidade; pelas características que lhe conheço, e porque o seu track record não dá lá muita confiança, convenhamos (bem sei que tem andado tapado por grandes jogadores no A. Madrid, mas mesmo assim marca muito poucos golos por minuto jogado - por ex, na última época marcou 3 em 1300 minutos, ou o equivalente a um golo em cada... 5 jogos completos).

Finalmente, a terceira discussão aborda o seu preço.

Sinceramente parece-me sobreavaliado, pela idade e CV (relativamente modesto para o pricetag) que tem.

O que me leva em conclusão ao facto mais saliente desta contratação: o empresário, que dá pelo nome de Jorge Mendes. Bem, dizia-se muito que com uma nova «parceria estratégica» [sic] ele nos ia fazer grandes favores, mas ao olhar para o preço deste jogador vs. CV fico na dúvida sobre quem anda afinal a fazer favores a quem... (já a contratação de Lopetegui não me tinha parecido ser um «favor» - não estamos a falar propriamente de um treinador conceituado com meia Europa à perna...).

Bem, em jeito de remate constato o óbvio: desejo a Adrian Lopez toda a sorte do mundo, que bem jeito nos dava!

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Dezenas de milhões «investidos»... fora de campo

Dizia eu no artigo anterior que o facto de termos dezenas de milhões de euros (e não é só os passes, é também os salários) «empatados» no banco, na bancada ou na equipa B é uma das razões práticas para não haver correspondência entre a diferença orçamental do FCP para com os adversários que tem defrontado e as exibições em campo (havendo claro outras, de que já muito se falou). Falava eu nomeadamente das 4 contratações mais caras de 2013, nomeadamente Reyes, Herrera, Quintero e Ghilas.

Ora a meu ver, se isso acontece tem que ser apenas e só porque a resposta a (pelo menos) uma das perguntas seguintes é um claro «sim»:

1) Comprámos gato por lebre (i.e. a um preço claramente inflacionado)?
2) Demos prioridade no investimento às posições menos prioritárias?
3) Os jogadores são mesmo bons mas o treinador não sabe/pode tirar usufruto disso?
4) A «concorrência» desses jogadores (na luta por um lugar na equipa) tem surpreendido pela positiva, excedendo as expectativas iniciais?
5) Os jogadores estão a demorar bastante tempo a adaptar-se?

Pessoalmente acho que a verdade é uma mistura de 1), 2), 3) e em menor medida 5), dependendo do caso específico.

Comecemos por aquilo que acho claramente que não é: 4).

Muito sinceramente, não me parece que se esses quatro jogadores não jogam é porque os outros colegas que lhes estão a «roubar» o lugar (como Defour ou Josué) tenham estado até agora a um nível excepcional, superando as expectativas do início da época.

Do ponto 3) já muito aqui se falou, nomeadamente de uma insuficiência do treinador em potencializar a valia de jogadores. Por exemplo: penso que Herrera e Quintero poderão ser em parte vítima da confusão de ideias para o meio-campo; Ghilas poderia talvez ser aproveitado num 4-4-2 (tal como Quintero, aliás, jogando a nr 10 à frente de Lucho e Josué/Herrera, e Fernando mais atrás), ou pelo menos fazendo muitos mais minutos para descansar Jackson e coloca'-lo 'em sentido'.

Quanto ao ponto 5), isso poderá explicar muito parcialmente as situações de Herrera e Reyes em particular, chegados do México. Digo «muito parcialmente» porque - a este nível e num FCP, que nao e' um Barcelona receado de estrelas - um jogador que vale 10M ou perto disso não precisa de mais de 5 meses para começar a demonstrar qualidades de forma a ganhar algum espaço claro nas escolhas principais, mesmo que a adaptação ainda não tenha terminado.

Quanto ao ponto 1), sem haver dados definitivos (muito longe disso) parece-me que Herrera e Ghilas em particular terão custado bem mais do que valiam na altura (e valem) - mesmo que possam eventualmente valorizar-se no futuro (mas isso, a bem dizer, podem todos, pelo menos os que ainda nao atingiram o pico de carreira).

Quanto ao ponto 2), penso que é o factor que melhor explica a situação de Reyes, e em menor medida Quintero e Ghilas. Investiu-se muito pouco em extremos – posições claramente deficitárias no fim da época, principalmente se a ideia era para continuar com um 4-3-3, ainda que «envergonhado» - em detrimento de uma posição em que já estávamos claramente bem servidos (central) e outra em que a concorrência era considerável começando pelo «dono» natural do lugar (Lucho, mas também Carlos Eduardo e Josué). Da mesma forma dá jeito ter um suplente de qualidade para Jackson, mas já é discutível que seja preciso ter alguém no banco que custe tanto ou quase como o PDL titular (que dá garantias, estando no top10 europeu para a sua posição).

Ainda sobre o ponto 2), eu até compreendo que se queira precaver o futuro (por ex antecipando uma venda futura de Mangala ou Jackson), mas nunca descurando o presente ao ponto das 4 contratações mais caras de 2013 serem todas «de futuro» (se tanto).

Mais: se porventura a razao para este desequilíbrio na balança presente/futuro for (ainda que parcialmente) não uma decisão deliberada mas sim um desajustamento entre o que o treinador quer (tactica- e individualmente) e o que esses jogadores oferecem, entao sera' caso para pensar para os meus botões que das duas uma:

1) Ou a SAD toma ela própria a iniciativa nas grandes contratações (como parece à primeira vista ser regra geral o caso) e nesse caso terá que dar um pouco menos de autonomia ao treinador, impondo-lhe um ou outro ponto fundamental na táctica ou na composição da equipa (o que implica por sua vez contratar treinadores dispostos a tal, o que exclui tipicamente treinadores com palmarés e CV - e à partida seria de esperar que PF fosse um desses treinadores mais «moldáveis», sendo muito jovem e chegando com um CV muito modesto);

2)... ou então a SAD envereda por oferecer uma grande autonomia ao treinador no seu trabalho, mas nesse caso terá que lhe dar a principal palavra nas contratações (começando pelas mais caras).

O que já não fará para mim sentido é enveredar - como parece estar a ser o caso - por uma postura a meio caminho que «nem é carne nem peixe»: a Direção tomar a iniciativa nas grandes contratações, mas depois dar autonomia quase total ao treinador no seu trabalho. A consequência mais provável de tal postura é um desperdício de recursos (leia-se $$$$) com enorme custo de oportunidade (i.e. o dinheiro teria sido mais bem gasto em outras posições/jogadores que estivessem mais de acordo com as ideias do treinador) e/ou o desvalorizar de alguns dos seus melhores activos.