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quinta-feira, 19 de março de 2015

Denunciado por Vítor Pereira, confirmado por Collina

Numa conferência de imprensa realizada a 20 de Março de 2012, o treinador do FC Porto, Vítor Pereira, denunciou os bloqueios efectuados pelos jogadores do SL Benfica e, aproveitando a ocasião, revelou parte de um diálogo que teve com o árbitro Artur Soares Dias, acerca deste tipo de infracções, a que os árbitros fechavam (e continuam a fechar) os olhos.

Três anos depois, num artigo publicado, esta semana, no jornal italiano Gazzetta dello Sport, Pierluigi Collina, responsável pela arbitragem da UEFA, escolheu uma jogada efectuada pelos jogadores do SL Benfica na meia-final da Liga Europa de 2012/2013, frente ao Fenerbahçe, como exemplo de um bloqueio faltoso.

Meio a brincar, meio a sério, era caso para Vítor Pereira vir novamente a público e, a propósito dos bloqueios encarnados, dizer: “I speak da True!”

No mesmo artigo, Collina referiu que cantos, livres laterais e lançamentos (olá Maxi!), são jogadas propícias à origem deste tipo de lances irregulares e recomendou aos árbitros que assinalassem falta, sempre que vislumbrem uma situação em que um futebolista corra na direcção de um adversário, sem a possibilidade de disputar a bola e com o único propósito de o bloquear.

Gazzetta dello Sport, 16-03-2015
«HAMSIK E IL BENFICA L?adozione di tattiche o schemi particolari viene analizzata nel corso degli stage per gli arbitri organizzati dalla UEFA e, ritengo, anche in quelli organizzati dalle singole Federazioni. Forse qualcuno ricorderà un gol annullato da Rosetti ad Hamsik in un Palermo Napoli, prima giornata del campionato 2009-10: calcio di punizione laterale e Campagnaro che parte da una posizione di chiaro fuorigioco e ostacola il difensore che doveva marcare Hamsik. In pre-campionato avevamo parlato di questa tattica e gli arbitri erano pronti al verificarsi di simili episodi. E ancora nel 2013 a tutti gli arbitri UEFA è stata inviata una clip che evidenziava proprio la tattica utilizzata dal Benfica in occasione dei calci di punizione laterali, con almeno due-tre attaccanti che avevano il solo compito di bloccare in maniera irregolare gli avversari. La raccomandazione data ad arbitri, assistenti e addizionali è stata quella di essere particolarmente attenti quando su una palla inattiva gli attaccanti di una squadra si posizionano in chiaro fuorigioco, perché a quella posizione farà certamente seguito un movimento che influenzerà lo svolgimento dell?azione. In altre parole deve scattare una sorta di allarme per essere pronti a vedere e valutare un?eventuale azione fallosa.»
Pierluigi Collina
Gazzetta dello Sport, 16-03-2015


A propósito do artigo de Collina, o subdiretor de O JOGO, Jorge Maia, fala (e bem!) nos maus hábitos de algumas equipas portuguesas.

Jorge Maia, O JOGO, 18-03-2015

Perante este esclarecimento de Pierluigi Collina, falta saber o que irão fazer, daqui para a frente, os árbitros portugueses, nomeadamente nos jogos que ainda faltam até ao final deste campeonato.

Eu sei, todos sabemos, que o Sistema (o verdadeiro Sistema!) tudo tem feito (golos limpos anulados, golos do SLB em fora-de-jogo, expulsões de jogadores adversários, etc.), sem olhar a meios, para levar o SL Andor ao colo até ao título. Mas, ó gente, olhem que até no estrangeiro (Espanha, Itália, …) já se fala nas falcatruas do SLB.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Bloqueio mental



«Em resposta às acusações de Vítor Pereira, Jorge Jesus negou que as suas equipas trabalhem os bloqueios ofensivos como estratégia de jogo, mas alguns jogadores que no passado foram treinados por ele contrariam-no. O enfoque nas bolas paradas é, dizem, uma das chaves do seu sucesso. E os ditos bloqueios podem não ser uma invenção dele, mas fazem parte da estratégia usada para vencer jogos.

Luís Filipe, lateral do Olhanense, nunca tinha ouvido falar de tal coisa antes de ser treinado por Jesus. André Leone já os conhecia do Brasil, mas aprofundou a técnica no Braga. “Treinávamos, e muito! Até era ele [Jesus] que nos atirava a bola com a mão, para ser mais preciso do que se fosse com o pé”, frisou. “Eu até podia cair no lance, mas o que importava era tapar o caminho ao adversário. Nem me preocupava com a bola. Virava-me de costas para ela e abria os braços em direção ao adversário”, explicou a O JOGO. O ex-árbitro Jorge Coroado não tem dúvidas: se é isso que Jesus pede, então os árbitros pecam ao não assinalar falta. “Jesus é inteligente no aproveitamento do que é a regra, que, não sendo específica, atira para o primeiro parágrafo da Lei 5: a opinião do árbitro”, explica, acrescentando que no clássico, como noutros jogos do Benfica, deveriam ser assinaladas várias infrações: “Fazem mais faltas nestas situações do que as outras equipas.

A fronteira entre legal e ilegal provoca desacordo entre os jogadores ouvidos por O JOGO. A estratégia é clara, mas a forma de a explorar só choca João Guilherme, do Marítimo, e Gaspar, do Rio Ave. “O Benfica não faz falta uma, duas ou três vezes; faz sempre. Ainda não vi nenhuma assinalada. No final de uma recente reunião de arbitragem, o próprio Vítor Pereira [líder do Conselho de Arbitragem] disse que bloqueios acontecem no basquetebol; no futebol, chamam-se obstruções. Se o avançado mete a bola na frente e é obstruído, marcam falta. Por que não o fazem também quando se trata de um lance de bola parada?", pergunta o defesa do Rio Ave, que recorda os tempos de Belenenses e a insistência com que Jesus abordava esse tipo de trabalho. “Se eu fosse árbitro e visse um defesa de costas para a bola, ficava duplamente atento. Se não olha para a bola é porque só procura obstruir o homem”, justifica. João Guilherme partilha da opinião. “O Benfica faz muito isso. Mas é falta. Se os árbitros não marcarem, eles ficam com grande vantagem. Senti isso em todos os cantos e livres dos jogos frente ao Benfica”, reclama o maritimista.

O FC Porto acredita no mesmo. Antes de Vítor Pereira o denunciar, já se temia o uso abusivo dos ditos bloqueios e, na reunião que antecedeu o jogo, o delegado portista tratou de pedir especial atenção ao árbitro Artur Soares Dias
in O JOGO, 22/03/2012


O bloqueio será sempre considerado falta quando o jogador não tem objetividade na disputa da bola e antes e só na perturbação do adversário. É falta sempre que um jogador se interpõe entre o adversário e a bola, não se preocupando em jogá-la e sim em travar a marcha do adversário.
Jorge Coroado


Perante os factos, perante a denúncia, perante as evidências, perante as imagens, Jorge Jesus nem vacilou e afirmou o seguinte na conferência de imprensa que deu hoje:

Nas leis do jogo não existe a palavra bloqueio. Existe sim antecipação. Isto é uma forma de alertar para a qualidade das nossas bolas paradas. Não trabalhamos bloqueios, isso é no basquetebol. O que eu digo aos meus jogadores é que, quando estão agarrados, têm de arranjar maneira de deixarem de estar agarrados. Eu quero é que os árbitros vejam o que fazem aos nossos jogadores. É natural que os jogadores se agarrem uns aos outros. Mas os grandes prejudicados somos nós, pois o Luisão e Javi são sempre agarrados. Aliás, no segundo golo frente ao FC Porto o Luisão está a ser agarrado. No meio desta situação, os jogadores do benfica são sempre os prejudicados”.

Lendo estas afirmações do “mestre da tática” nem sei o que dizer. Provavelmente, um de nós deve estar com um bloqueio mental…

P.S. Ninguém pode tirar o mérito a Jorge Jesus por trabalhar este tipo de lances até à exaustão. Os árbitros deixam e as suas equipas aproveitam. Compete aos outros treinadores denunciarem esta estratégia (naquilo que ela tiver de ilegal) e, dentro do campo, alertarem os seus jogadores e arranjarem antídotos para a mesma.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Bloqueios nas bolas paradas


Houve faltas contra nós a favorecer as bolas paradas do Benfica. É só reverem as imagens. O Benfica resolve muito de bola parada, mas são quase todas elas antecedidas de obstrução, de bloqueios... Tive o cuidado de perguntar a Artur Soares Dias se bloqueios eram permitidos. E ele disse que são considerados obstrução! Vejam se as bolas paradas do Benfica não são fruto de bloqueios ou obstruções! São precedidas de falta! Não entendo como diz que não são permitidas e depois tem esta postura de deixar que as coisas corram. Golo de Nolito? Não. Estou a falar de uma bola metida na área; obstrução dos homens que estão ao segundo poste; Javi García toca na bola e dá golo! Gostava que os árbitros tivessem coragem para assinalar essas faltas.
Vítor Pereira


Sobre este assunto, Gaspar, defesa-central do Rio Ave e que foi treinado por Jorge Jesus no Belenenses, afirmou o seguinte em entrevista ao Maisfutebol:

Treinávamos [com Jorge Jesus] bloqueios no Belenenses. O treinador indicava, por assim dizer, o elo mais fraco do adversário e apontávamos para aí. Por isso, não há de ser agora no Benfica que vão deixar de treinar. Aliás, basta ver os jogos. Não é algo que acontece uma ou duas vezes. São duzentas, trezentas. Não digam que não é estratégia, porque é. Se querem atirar areia para os olhos...

Se marcam obstruções em vários lances, porque não marcar nestes? Há lances em que os jogadores estão de costas para a bola. Não me venham dizer que têm intenção de a discutir.

Na última reunião que houve com os árbitros isto foi discutido e disseram que era ilegal. Admito que para um árbitro seja difícil de ver, mas talvez tenham de estar mais atentos. Isto é algo que se faz há anos, mas vai ser mais mediático depois deste jogo


Desde os primeiros meses desta época que, por várias razões, venho criticando o treinador principal do FC Porto. Ora, um dos aspetos em que o Vítor Pereira deixa muito a desejar é na comunicação, repetindo discursos monocórdicos, vazios de conteúdo e cheios de lugares comuns.
Sendo isto um hábito, a conferência de imprensa de ontem foi uma agradável surpresa, não só no modo como ironizou e ridicularizou as afirmações do mestre da tática mas, principalmente, na forma incisiva como desmascarou e chamou à atenção de todos (jornalistas, jogadores, treinadores e... árbitros!) para a estratégia dos bloqueios (obstruções) adotada pela equipa de Jorge Jesus nas bolas paradas.


A seguir ao slb x FC Porto para o campeonato, o João Saraiva já tinha abordado este assunto aqui, mas dito por Vítor Pereira numa conferência de imprensa, o assunto tornou-se incontornável e, a partir de agora, vai ser um bocadinho mais difícil aos árbitros fazerem vista grossa.

Fotos: LUSA, Tasca de Palmeira