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domingo, 29 de julho de 2018

Conceição, Jesus e as previsões de José Eduardo Simões

José Eduardo Simões e Sérgio Conceição (foto: Record)

José Eduardo Simões (ex-presidente da Académica) conhece bem Sérgio Conceição…

«O acórdão do Conselho de Justiça (CJ) que mantém a suspensão de 50 dias a Sérgio Conceição, aplicada na sequência dos insultos dirigidos ao árbitro Bruno Paixão e a José Eduardo Simões durante o Sp. Braga-Académica de março de 2015, revela vários pormenores dos relatórios de árbitro, delegados e polícia que ajudam a perceber o que aconteceu.
Assim, nos "factos provados", é descrito que "aos 22 minutos da primeira parte (...), José Eduardo [Simões], dirigindo-se a Sérgio Conceição, disse 'ò filho da p..., vai trabalhar'". (…)
Já no túnel de acesso aos balneários, Conceição "agarrou José Eduardo Simões, chamou-lhe 'filho da p...' e disse-lhe 'paga o que deves'", pode ler-se ainda nos "factos provados" do acórdão.»


Hoje, no jornal O JOGO, José Eduardo Simões escreve o seguinte:

«Sérgio Conceição é um exemplo de capacidade de trabalho, de talento e de ambição. Sabe treinar qualquer equipa; é um óptimo treinador de jogo; sabe valorizar activos perdidos; e mostrou capacidade para apresentar resultados com meios algo escassos face aos da concorrência. Tem objetivos muito claros. Ele quer conquistar títulos europeus e não apenas nacionais. Pretende ter no currículo pelo menos o que Artur Jorge, Mourinho ou Villas-Boas alcançaram. E quer ter condições para poder alcançar rapidamente esses objectivos. Se as não tiver, sairá do Porto e de Portugal no final da época. Não sei por que razão, mas vejo escrito nas estrelas o regresso de Jesus no final desta temporada, mas o equipamento que virá usar não será vermelho nem verde


Não conhecia os dotes de Zandinga do ex-presidente da Académica.
Pois bem, fica aqui, para memória futura…

sábado, 21 de maio de 2016

O grande negociador


Segundo a imprensa lisboeta, o FC Porto terá exercido nas últimas semanas grande pressão sobre o treinador do Sporting, Jorge Jesus, para que este viesse treinar o clube na próxima época.


Mas, caro leitor, há mais. O Reflexão Portista está em condições de revelar, com base nas suas fontes, que além das ofertas acima enunciadas pela imprensa, Pinto da Costa propôs ainda a Jorge Jesus (e ao Sporting) o seguinte:

  • - A Banca credora perdoaria toda a Dívida do Sporting de uma só vez;
  • - A Torre dos Clérigos seria rebaptizada Torre do Jorge Jesus;
  • - Os sócios do FC Porto teriam de assistir aos jogos no Dragão mastigando volumosas chicletes;
  • - O prémio para o segundo lugar no campeonato seria de 25 milhões de euros;
  • - Portugal conseguiria fechar o ano 2016 com um défice abaixo dos 2%;
  • - A famosa Francesinha passaria a denominar-se Jorginha;

E nem assim...

O presidente sportinguista Bruno Carvalho, possuidor de ímpar capacidade negocial, falou com o cobiçado Jorge Jesus e, mediante um aumento de apenas 20% no ordenado, convenceu o treinador a renovar o contrato com o Sporting. Não é para quem quer, é para quem pode.
   

terça-feira, 17 de maio de 2016

À espera do Messias

Jorge Jesus, futuro treinador do Porto - se não for na próxima época, será na seguinte ou depois - descobriu há poucos dias, e da forma mais difícil, que saber muito de futebol - ser um "catedrático" - ajuda mas não garante nada. 

Embriagado pelo seu próprio sucesso, o "Chiclas" julgou que conseguia ser campeão em qualquer clube, em quaisquer condições - enganou-se. Para citar uma das frases do Pinto da Costa preferida dos "lampiões" - a frase é atribuída ao Pinto da Costa, mas se realmente a proferiu ou não, é questionável (e referia-se ao Mourinho) - "o Jorge Jesus não ganhou sozinho"; o que não é uma surpresa para ninguém, excepto para o próprio Jesus, que pensou que na sua mudança para Alvalade, levava para além da sua equipa técnica, e os "segredos" da equipa do slb, também o Bruno Paixão, o Jorge Ferreira, o João Capela, o Artur Soares Dias, o Vítor Pereira e demais pandilha. Da mesma forma, não lhe ocorreu que quem viesse atrás, teria direito às mesmas benesses - podem ter tardado, pois à 14ª jornada, ainda "chorava" o ladrão de camiões: "o mais estranho é que o líder dos árbitros é o mesmo da última época", i.e. as pessoas são as mesmas, porque é que no ano passado houve colinho e este ano nada?

Ele está no meio de nós

Desconheço qual é o plano da SAD do FC Porto, para a próxima época ou para as seguintes, ou se há sequer algum plano para além de manter treinadores a prazo, até que finalmente se consiga o almejado Jorge Jesus - a famosa "estrutura", que possibilitava a qualquer treinador ser campeão, não vê agora outra saída que não seja apostar tudo num treinador (que a salve) - e mais por uma questão de emoção, porque o Pinto da Costa adora o Jesus, e não por razões objectivas como a inequívoca qualidade do mesmo. Certo é que ter Jesus não é garantia de nada, e se a SAD tem intenção tirar o Clube do buraco (em que o meteu), vai de mostrar mais qualquer coisa do que depositar esperanças n'O Salvador.
   

domingo, 17 de janeiro de 2016

Fisgas contra Canhões

Capas de jornais do dia 16-01-2016

Os sportinguistas têm razão de queixa da arbitragem do Sporting x Tondela?
Claro que não.
Então porquê esta gritaria?
Porque, no campeonato português, esta pressão contínua sobre os árbitros acaba, mais tarde ou mais cedo, por render pontos.
E o Sporting este ano começou cedo, quer a pressionar, quer a obter dividendos dessa pressão.

Logo na 1ª jornada, o Sporting ganhou ao Tondela (em Aveiro) por 1-2, com um golo de penalti ao minuto 90+8'. Foi, também, o jogo em que o João Pereira fez um lançamento lateral com os pés já dentro das 4 linhas.

Lançamento lateral de João Pereira

Na 5ª jornada, no Sporting x Nacional, um jogador do Nacional foi expulso ao minuto 32. O Sporting ganhou por 1-0, com um golo de Montero ao minuto 86.

No final desse jogo, o treinador do Nacional, Manuel Machado, disse o seguinte:
A minha equipa esteve muito bem defensivamente. Jogando uma hora em inferioridade (...) Os árbitros, não tendo claques, têm de ser protegidos e isso inibe-me de dizer o que penso, também por carácter e princípios. Hoje foi preciso mais do que o Sporting para que o Nacional saísse vencido

Na 9ª jornada, o Sporting ganhou por 1-0 ao Estoril, com o único golo a ser marcado de penalti.

No final desse jogo, o treinador do Estoril, Fabiano Soares, disse o seguinte:
Vocês viram. Perder assim é complicado. Eu erro, os jogadores erram e eles [árbitros] também. Vocês têm as imagens e elas são claras.

Na 10ª jornada, o Sporting ganhou em Arouca por 1-0, com o golo da vitória a ser marcado por Slimani, ao minuto 90’.

No final desse jogo, a propósito de uma grande penalidade clara não assinalada a favor da equipa da casa (ao minuto 84), o treinador adjunto do FC Arouca disse o seguinte:
Sabe que, infelizmente, quem semeia ventos não colhe tempestades. E as equipas pequenas sofrem essas tempestades. Há que refletir, toda a estrutura do futebol, sobre estas tempestades e ventos que estão a ser provocados de forma propositada

Penalti por assinalar no Arouca x Sporting

Mais tarde veio-se a saber, que o árbitro deste jogo, Cosme Machado, teve uma má avaliação (o árbitro da AF Braga foi classificado com 2,4), muito por causa da grande penalidade que ficou por assinalar a favor dos arouquenses.

Na 11ª jornada, o Sporting ganhou por 1-0 ao Belenenses, com o golo da vitória a ser marcado de penalti ao minuto 90+4'.
Foi o célebre jogo da mão do Manaca... perdão, do Tonel.

Na 17ª jornada, a perder em casa por 0-2, surgiu um penalti miraculoso (mais uma vez), decisivo para o Sporting inverter a tendência do jogo, dar à volta ao resultado e vencer o SC Braga por 3-2.


Obviamente, não foi por acaso que, logo no final deste Sporting x Tondela, primeiro o presidente e depois o treinador leonino, “apontaram e dispararam os canhões” contra o árbitro.
E, menos de 24 horas depois, o presidente da AG (Jaime Marta Soares) já veio ajudar à festa.
Falta apenas o Octávio Machado. Afinal, o “Palmelão” foi contratado para quê?

Ora, se os nossos rivais usam “canhões”, nós não podemos ir para uma “guerra” destas com “fisgas”, sem “generais” e com os nossos “soldados” a marcharem uns para cada lado.

E reagir 48 horas depois, quando ninguém nos está a ouvir, serve apenas para ocupar espaço na grelha do Porto Canal.

Já agora, alguém me diz quem é o nosso Octávio Machado?...


sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Jesus, tantas expulsões!!!

Muito se tem dito acerca da propensidade dos árbitros em expulsar os adverários do Jorge Jesus. Quem é que eu estou a enganar? Pouco ou nada se tem falado nisso! Pelo menos nos meios de Comunicação Social Lisboeta. Este é um problema grave que tem que ser abordado pelas instituições competentes, haja idoneidade e vontade política para o fazer.

Um dos argumentos atirados para o ar a justificar os clubes que aparentemente beneficiam de maior número de expulsões é a de que esses clubes atacam mais, estão mais vezes na grande área, criam maior perigo obrigando as defesas a recorrer de soluções drásticas, daí a expulsão. Este argumento é igualmente usado para justificar maior número de penalties, e sinceramente, acho-o um argumento credível e aceitável.

Nas 5 últimas épocas, e nesta época em curso, os clubes orientados pelo Jorge Jesus têm tido sensivelmente o mesmo número de penalties que o Porto (mas nesta época o Sporting já leva 5-0 nessas contas!). Já em expulsões a coisa muda de figura. Ver tabela:



Se o argumento que justifica os penalties se aplica para as expulsões então como explicar esta ENORME discrepância entre os clubes orientados pelo Jorge Jesus e pelo FC Porto? Eles realmente atacam mais? Se atacam mais pq é que esse discrepância no número de expulsões não é igualmente reflectida no número de golos no fim da época? 

A verdade é que o Mestre da Táctica é mestre a jogar contra 10 ou até 9. Essa é que é a verdade. Nas 6 épocas anteriores, o Jorge Jesus tem beneficiado duma média de 9 expulsões por época, enquanto o Porto teve 5.5, ou seja o Jorge Jesus tem +/-65% mais jogos contra adversários em inferioridade numérica do que o Porto. CARAMBA!!!!!


segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Convém que JJ diga tudo o que sabe


Há um vídeo a circular na net que mostra um diálogo curto entre Jorge Jesus e o 4º árbitro, supostamente no recente jogo em Alvalade entre o Sporting e o Estoril.

"Eu conheço-o...
Eu sei muita coisa, atenção!
Eu sei muita coisa do ano passado… Beeeeem!"

Não é preciso ser um especialista em leitura labial para perceber que Jorge Jesus diz, em tom de aviso e ameaça, que conhece o árbitro e que sabe “coisas” do ano passado acerca dele. Ora, o “ano passado” é na prática a época desportiva 2014-2015, em que Jorge Jesus treinou o Benfica. E foi precisamente nessa época que ocorreram pressões sobre os árbitros para favorecerem o Benfica. O ex-árbitro Marco Ferreira já o denunciou publicamente por diversas vezes e, tanto os responsáveis federativos como os do Ministério Público assobiaram para o ar. O que está a acontecer é impensável mas demonstra bem que em Portugal há um clube do regime a quem tudo é permitido e que tem de vencer quase por decreto e há um clube de corruptos, a Norte claro, a quem tudo é penalizado mesmo sem nexo de causa-efeito dentro das quatro linhas. É este o nosso triste país que ainda guarda vícios nocivos do Estado Novo como as corporações, da qual o SLB é o maior exemplo vivo.

Convinha que Jorge Jesus viesse esclarecer as “coisas” que sabe do “ano passado” porque a suspeita está lançada e é preciso investigar o que se terá passado para, eventualmente, punir o Benfica e Vítor Pereira, o presidente da Comissão de Arbitragem. Todos vimos os favorecimentos de que foi alvo o clube do regime. Foi tudo tão óbvio que é perfeitamente possível documentar lances de favorecimento grosseiro.

Esses lances e essas situações foram denunciadas aqui no Reflexão Portista em diversos artigos:
Só não viu quem não quis ver.

Depois de tudo o que foi dito e feito na mega-investigação “Apito Dourado” e sobre a necessidade de haver “verdade desportiva”, não há outra alternativa que não seja a investigação pela polícia e a punição do SLB com a descida de divisão. O campeonato de 2014-2015 foi viciado no campo pela actuação das equipas de arbitragem. E isso o tempo nunca apagará.
   

sábado, 8 de agosto de 2015

Jorge Jesus já não é Vaca Sagrada



Jorge Jesus teve uma tirada rasteira e de mau gosto ao dizer que falta na Luz o seu cérebro. Não sei, nem me interessa, se a ausência por aquelas bandas de uma massa cinzenta equivalente à sua é ou não real, mas ele foi imediata e justamente criticado, em alguns casos severamente. Já ao serviço do Benfica era exímio neste tipo de saídas, mas aí, contudo, os moralistas da paróquia calavam-se, incluindo o Manuel José .

Saídas deste tipo e piores são o pão-nosso-de-cada-dia do Mourinho, mas entre nós nunca há quem se atire a ele como agora se atiraram ao Jesus. Pior:  as mais inacreditáveis regorgitações do auto-proclamado "Especial" são por cá, regra geral, elevadas ao duvidoso estatuto de "mind games" E isto porquê? Porque a pequenez e complexos perante o estrangeiro da maioria dos portugueses os torna fácil presa da adoração de vacas sagradas, que é naquilo que transformam qualquer português de sucesso no estrangeiro, especialmente no campo desportivo.

Dentro deste rectângulo (refiro-me a Portugal Continental, e não a um campo de futebol), esse estatuto divino-bovino também costuma ser outorgado a muito boa gente ("boa", neste contexto, tem um sentido meramente retórico). O próprio Jorge Jesus, como acima refiro, permitia-se abrir a boca e impunemente disparatar à vontade quando ao serviço da "instituição". Tais tempos, para ele, passaram. Sem querer exagerar nas metáforas, à meia-noite os coches transformaram-se de novo em abóboras, e os cocheiros em ratos.

Jorge Jesus já não é vaca sagrada.


quarta-feira, 10 de junho de 2015

Jorge Jesus e Lopetegui

                      Foto: futebolgourmet.pt

Estou há umas largas semanas para escrever sobre Lopetegui e os recentes episódios de Jorge Jesus fazem com que não me deva atrasar mais. Na verdade, os últimos episódios vêm fazer vincar ainda mais no meu entendimento as grandes semelhanças entre Lopetegui e Jorge Jesus. Claro que não me refiro ao cabelo longo com risca ao meio, pese embora não seja também apreciador desse tipo de visual. As semelhanças que encontro em ambos são aquilo que - independentemente dos possíveis resultados - faria com que eu, se tivesse a responsabilidade de dirigir o nosso Clube, jamais contratasse qualquer um deles.

Claro que ambos têm coisas positivas: a meu ver, ambos percebem de futebol e são, claramente, futebolistas no bom sentido. Ambos têm, no entanto, duas características que não tolero em treinadores do meu Clube:

(i) Em primeiro lugar, ambos actuam sempre - e quando digo sempre, quero dizer mesmo sempre - pensando primeiro em si e depois no Clube. Foi esse, por exemplo, o caso dos primeiros anos de Jesus no SLB, quando obrigava os jogadores a jogar a 100km/h mesmo que os jogos já estivessem ganhos. Fazia-o porque, sabendo que não chegava aos títulos e procurando iludir os adeptos sobre a diferença pontual, era a forma de alegrar o pagode. Os adeptos idolatravam-no, embora ele não ganhasse nada. Foi essa também a postura de Lopetegui ao longo do ano: começou por não reagir atempadamente aos roubos de que fomos vítimas logo no início do campeonato, por pensar que isso ajudaria a manter uma imagem de "tranquilidade"; depois, aproveitou a passagem precoce aos oitavos de final da Champions para dar em Espanha - que é com Espanha que ele se preocupa - uma ideia de sucesso; finalmente, quando lhe começou a ser útil, passou a criticar (diga-se de passagem, com inteira razão) as arbitragens. Ele pensa que a segunda posição no campeonato e a campanha na Champions são duas linhas honrosas no seu CV. Mas para o Clube isso é uma tristeza.

(ii) Em segundo lugar, são treinadores que, nos momentos de guerra, em vez de cerrarem os dentes e partirem para a batalha com o peito feito, se acobardam e se deixam ultrapassar. Foi assim Jesus no Dragão, no jogo em que Kelvin o fez ajoelhar-se no nosso Estádio. Foi assim Lopetegui em muitos jogos, culminando com o jogo na Luz (em que parecia não querer ganhar) e no Restelo, em que se ajoelhou. Pelos vistos há portistas que gostam, como há benfiquistas que, mesmo nos primeiros anos, idolatravam o JJ. Eu com eles não me iludo e o Lopetegui, ou muda, ou de mim recebe apenas um "cantas bem mas não me animas".

sexta-feira, 5 de junho de 2015

O Regresso do "Pai dos Povos"

Josef Vissarianovich Dzhugashvili, também conhecido por "Pai dos Povos", e ainda mais conhecido por Stalin, ficou para a História como o inventor do "Photoshop", cujos direitos o Comité Central do PCUS, já na sua decadência, venderia à dupla Thomas e John Knoll, os quais ficaram assim injustamente com a fama de terem sido os inventores da técnica.

Mais recentemente, Lyudovik Filipp Vieirovsky, conhecido por «Pai dos '6 Milhões'» (não usa preservativo), tornou-se também um exímio utilizador desta artística técnica.

Abaixo podem ver um exemplo do trabalho de cada um desses meritórios artistas.




Nota: o "ausente" na primeira foto soviética é Nikolai Yezhov, executado em 1940, e daí em diante conhecido, por causa desta foto, por "o Comissário Desaparecido".

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Jesus: “milagres” e mitos

A confirmar-se o que diz toda a comunicação social, segundo a qual Jorge Jesus irá para o Sporting com um contrato de 18 milhões de euros por três épocas



… e com um salário 50 por cento superior ao que tinha no SLB


… é o fim de alguns mitos.

O mito de que o “novo Sporting” é um clube/SAD de boas contas, no qual não se cometem loucuras financeiras (ao contrário do que nos últimos anos foi feito nas “mal geridas” SAD’s da concorrência).

O mito de que no “novo Sporting” há patamares máximos de salários para treinadores e jogadores e que quem não concordar em renegociar contratos em baixa é-lhe indicado a porta da rua.

O mito de que Jorge Jesus tinha inúmeros clubes estrangeiros interessados em contratá-lo, dispostos a pagar o que fosse preciso para o levar e que JJ só não ia porque os “projetos desportivos” não eram aliciantes.

O mito de que Pinto da Costa sonhava com Jorge Jesus e que o aliciava todos os anos a vir para o Porto.

A confirmar-se esta notícia, eu diria que, mais uma vez, nada como os factos para contrariar rumores e especulações e, já agora, para também desfazer alguns mitos.

P.S. Sobre a alegada origem angolana do dinheiro que estará por trás deste “milagre”, falarei num outro artigo.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

O estado natural das coisas!

Calabote e o estado natural das coisas

Esta não foi uma época perdida: esta foi uma boa época do FCP, dadas as profundas mudanças levadas a cabo. Com Mourinho e Vilas Boas, estivemos bem por cima. Não deu campeonato e a diferença está no SLB que encontrou no JJ o homem para liderar um projecto de continuidade que venceu a barreira da dúvida e recebe o apoio generalizado da mouraria vermelha. Todos os estorvos de JJ foram remetidos à sua insignificância.

Esta centralização do poder no treinador tem os seus perigos, mas JJ é uma figura consensual, como muito raramente aconteceu no futebol pátrio. A estrutura lisboeta acolheu os inputs do FCP e, hoje, está ao nosso nível, pelo menos. Para além disso, domina o Futebol como no antanho, ou quase.

O SLB recebeu benefícios arbitrais em quase todos os jogos, e o FCP na Luz não foi excepção. Aquela pretensa proposta que o presidente do SLB terá feito ao presidente do SCP de “partilha de campeonatos” é elucidativa da vontade de implantação da “situação” que dominou nos anos 60 e nos afastou da ribalta, até Pedroto. A dita proposta, constituiria a reposição do “estado natural das coisas” dos anos idos, ou seja: a atribuição do justo poder ao SLB, em reconhecimento do seu enorme mérito desportivo e força social. As vitórias seriam partilhadas generosamente com o SCP na proporção das forças em presença.

Ao FCP seria atribuído o papel de primeiro outsider a que caberia um triunfo de vez em quando, para alegar a malta e comprovar a bondade do sistema, e que seria concedido a bem da coesão nacional.

Naqueles anos de Calabote e Reinaldo Silva, a cada três campeonatos do SLB, correspondia um do SCP. O regresso ao “estado natural das coisas” seria nos tempos que correm um enorme “progresso”, porque ocorreria num quadro democrático que faria regressar a Lisboa os anos repletos de vitórias desportivas que os presidentes das camaras consagrariam com pompa e circunstância. A bem da Nação, pois claro.

Apesar de todos os colinhos, o SLB cresceu muito na era JJ o que muito o ajuda a consolidar a ideia que o “estado natural das coisas” acontecerá de forma gradual por mérito e força da instituição. Tão inevitável para eles como o rio que corre para o mar.

Lopetegui e Pinto da Costa

Salvo Adrián López, fomos capazes de contratar e criar uma equipa muito interessante. O investimento teve um bom retorno nesta época que está a findar com as receitas da CL. O risco no FCP decorre e acentua-se na execução de uma política menos certeira na gestão do futebol e que se constata (para quem não tem outros meios de prova) na demasiada rotação do plantel e das equipas técnicas. O FCP, no período “JJ”, teve como treinadores da equipa principal: Jesualdo, Vilas Boas, Vítor Pereira, Paulo Fonseca e Lopetegui. Este silêncio do FCP, relativamente à continuidade do actual treinador, poderá ser um sinal de incerteza que só gera instabilidade. Lopetegui tem dado o peito às balas como poucos e é mal amado internamente e odiado externamente.

A nossa querida comunicação social desanca forte e feio no homem e fez de Quaresma um mártir da sua incompetência. É certo que errou e se “perdeu” após o Bayern, mas compreende-se: foram-lhe exclusivamente assacadas todas as críticas e já se sabe que nestas fases os amigos minguam sempre. E há muito quem recorra ao: “eu previ, disse e escrevi...”, para atestar a sua ciência sobre a previsão das debilidades do actual mister. As duras críticas de comentadores alinhados (Porto Canal incluído) comprovam (a meu ver) as incertezas internas quanto ao seu futuro.

Obviamente, defendo a continuidade de Lopetegui, porque acho que é o homem certo para continuar a obra e construir um FCP suficientemente competente para combater a inevitabilidade do regresso ao “estado natural das coisas” do pontapé na bola cá do burgo. Tenho a certeza que Lopetegui saberá aprender com os erros que cometeu e espero que o nosso presidente não ceda à vox populi que exige sangue para salvar a honra por nada termos ganho esta época.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Abraços e beijinhos

Quaresma e Jorge Jesus (foto: Maisfutebol)

Nas redes sociais e até no Porto Canal, já muito se falou no abraço e beijinhos entre Quaresma e Jorge Jesus, no final do último SLB x FC Porto.

Entretanto, a comunicação social lisboeta não dorme e hoje (quarta-feira), alguns jornais, tirando partido da situação, vieram dizer que o abraço de Quaresma a Jorge Jesus tinha caído mal na estrutura portista.

Se isso for verdade, acho bem, porque eu também não gostei. E não gostei, porque o SLB é mais do que um adversário, mais do que um mero rival.

Nos últimos anos, o SLB, por razões estratégicas, elegeu o FC Porto como alvo a abater e, nesse sentido, transformou-se num inimigo do FC Porto.
Inimigo? Sim, inimigo, em termos desportivos, bem entendido.

E não foi, apenas, um problema entre dirigentes. A “nação benfiquista” declarou guerra ao FC Porto e nessa “guerra” não olhou a meios:

- Primeiro, o próprio SLB tudo fez, em Portugal e no estrangeiro, para afastar o FC Porto das competições europeias.

- Depois, diversos benfiquistas (Leonor Pinhão, João Malheiro, João Botelho, etc.) apoiaram, directa ou indirectamente, a elaboração de um livro e a produção de um filme, cujo único objectivo foi o de achincalhar o FC Porto.

- Seguramente pessoas ligadas ao SLB, andaram (andam?) por sites estrangeiros e pelo YouTube, com a missão de denegrirem e insultarem o FC Porto (até se dão ao trabalho de colocar vídeos legendados).

- Comentadores benfiquistas, incluindo dirigentes no activo, aproveitam o palco que lhes é dado por televisões e jornais para, semanalmente, atacarem e enxovalharem o FC Porto.

- Dirigentes e elementos da estrutura do SLB, puseram e põem em causa a justeza e legitimidade de vários títulos conquistados pelo FC Porto, alguns dos quais com o contributo do próprio Quaresma.

Ora, quem não se sente, não é filho de boa gente. E Quaresma tem especiais responsabilidades, não só por saber tudo isto, mas por ter vivido grande parte destas situações de perto e saber o que isso custou ao clube e aos adeptos portistas.

Eu até compreendo que a jogadores estrangeiros, que estão de (curta) passagem pelo Porto, este tipo de situações sejam desconhecidas ou lhes passe ao lado, mas ao Quaresma não.

Mais. O Quaresma sabe, como toda a gente sabe, que este é o campeonato mais fraudulento de que há memória, um campeonato que está manchado por uma série inacreditável de casos de arbitragem. E sabe, também, que este sucessivo colinho ao SLB já foi várias vezes denunciado pelo treinador do FC Porto, o qual, por causa disso, foi (é) objecto de gozo e desconsideração por parte da “nação benfiquista”.

Por tudo isto, não compreendo, não aceito e lamento que, precisamente a seguir a um desentendimento entre Lopetegui e Jorge Jesus, Quaresma, à vista de toda a gente e em pleno relvado do estádio da Luz, tenha ido dar um abraço ao treinador dos encarnados.

Se eu dúvidas tivesse acerca do acerto da decisão, que não tinha, estava mais do que justificada a retirada da braçadeira de capitão no início da época (a seguir ao incidente em Lille).

E bem pode o Quaresma bater com a mão no peito, dar beijos no emblema azul-e-branco, ou fazer declarações de “amor” ao FC Porto, porque há coisas que não se esquecem e a imagem que está no início deste texto vale por mil palavras.


P.S. Há umas semanas atrás, numa entrevista que deu ao Porto Canal, vi e ouvi o Lima Pereira dizer que nunca tinha trocado de camisola com um jogador do SLB. Nunca! Outros tempos, outros jogadores, outra fibra, outra paixão pelo FC Porto.

domingo, 26 de abril de 2015

A táctica do autocarro... em casa!

No longo historial de desafios entre o SL Benfica e o FC Porto, nos 80 jogos anteriores (ao de hoje) para o campeonato, que foram disputados em Lisboa, o saldo, naturalmente, era (e continua ser) muito favorável aos encarnados:
- Vitórias SL Benfica: 42 (52%)
- Empates: 24 (30%)
- Vitórias FC Porto: 14 (18%)
- Vitórias do FC Porto por mais de um golo: 1

E no presente?
Há várias semanas que ouvimos jornalistas, comentadores e adeptos dizerem que, em casa, este SLB é uma equipa muito forte.

E, de facto, os números sustentavam essa tese. Esta época, nos 14 jogos anteriores disputados em casa, o saldo do SL Benfica era o seguinte:
- Vitórias: 13
- Empates: 1
- Derrotas: 0
- Golos marcados: 40
- Golos sofridos: 4

E o FC Porto?
Bem, na passada terça-feira, o FC Porto jogou na Alemanha, contra a melhor equipa do Mundo, e saiu de Munique vergado ao peso de uma goleada.
Ou seja, perante um calendário pouco favorável (é preciso ter “sorte” para jogar fora, em Munique e na Luz, num espaço de poucos dias…), a equipa do FC Porto chegou ao “jogo do título” fisicamente desgastada e emocionalmente esgotada.

Perante um cenário destes, jogando em casa, com o Estádio da Luz completamente cheio, o que fez Jorge Jesus?
Aproveitou o colinho das 29 jornadas anteriores e uma conjuntura muito favorável para a sua equipa?


Aproveitou a fragilidade do adversário para vir para cima do FC Porto, dominar o jogo, encostar os azuis-e-brancos às cordas e dar o golpe de misericórdia a um Dragão ferido?
Não, nem pensar.

A equipa liderada por Jorge Jesus jogou de forma cínica, com uma táctica parecida à que tinha utilizado no Estádio do Dragão, uma táctica de equipa pequena, cujo principal (único?) objectivo era não deixar a equipa adversária jogar.
Não é exagero dizer-se que, neste jogo, o “mestre da táctica” começou o jogo com um “autocarro” e terminou com dois “autocarros”. E com os jogadores encarnados a queimarem tempo…
Ao menos, o Mourinho, quando leva o “autocarro” é para os jogos fora de casa…

Na primeira parte, quantas vezes é que os jogadores encarnados entraram na área do FC Porto, em lances de bola corrida?
Quantas vezes é que os médios do SLB passaram do meio-campo?
Nos primeiros 45 minutos, o criativo Gaitán (o melhor jogador do SLB), destacou-se mais a construir jogadas ofensivas, ou a vir atrás, em ajudas defensivas?

Aliás, basta verificar a que minuto o SLB fez o 1º remate à baliza do Helton e olhar para as substituições feitas pelos dois treinadores, para se perceber qual era o objectivo de cada um deles.

O SLB terminou o jogo em branco (2206 dias depois, os encarnados voltaram a ficar a zero num encontro em casa para o campeonato), com 8 jogadores de perfil defensivo - Júlio César, Maxi, Luisão, Jardel, Eliseu, Samaris, André Almeida e Fejsa - e apenas três jogadores supostamente ofensivos - Ola John, Gaitán e Lima - mas cujo principal objectivo era também defender.

Perante uma equipa encarnada que, mesmo a jogar em casa, perante os seus adeptos, teve como prioridade, desde o minuto inicial, defender, não deixar jogar, defender, não deixar jogar, defender, não deixar jogar… o FC Porto poderia ter feito melhor?
Sim, apesar de tudo, podia.

Faltou frescura física e um maior dinamismo para sair da teia de aranha montada por Jorge Jesus.

Faltou um Brahimi em melhor forma. O Brahimi pós-CAN não é o mesmo que encantou os portistas (e não só) até Dezembro.

Faltou Tello. Conforme se previa, um jogador com as características de Tello fez (faz) muita falta e as bolas em profundidade, nas costas da "Linha Maginot" encarnada, raramente saíram bem.

Faltou marcar primeiro. Jackson falhou o golo que teria colocado o FC Porto em vantagem no marcador e obrigado (?) Jorge Jesus a mudar de táctica.

O FC Porto já demonstrou, várias vezes, que é melhor que o pré-definido e futuro vencedor do campeonato mais fraudulento de que há memória.
E hoje voltou a fazê-lo, indo a casa do rival mostrar que é uma equipa grande e jogando como tal.


Por isso, e apesar do treinador, dos jogadores e dos adeptos terem saído desiludidos do Estádio do Luz, por "apenas" regressarem ao Porto com um empate, eu acho que a forma como este desafio foi disputado e a atitude dominadora evidenciada ao longo do jogo, foi a 1ª vitória da próxima época para esta equipa.



P.S. Há quem tenha memória curta (mesmo entre os portistas) e já se tenha esquecido dos inúmeros casos de arbitragem que mancharam este campeonato. Mas eu não me esqueço e não fossem os muitos pontos que o SLB deve a “erros” de arbitragem e tenho a certeza que o jogo de hoje teria tido outra história. Pelo menos, não haveria “autocarros” porque, seguramente, o empate seria um resultado que não serviria os interesses matemáticos de Jorge Jesus.

P.S.2 E por falar em memória curta… Na época passada, o FC Porto foi ao estádio da Luz perder 0-2 para o campeonato e perder 1-3 para a Taça de Portugal (num desafio em que o SLB jogou com menos um desde o minuto 28). Esta época, o FC Porto saiu do estádio da Luz com um empate e com Jorge Jesus, à rasca, a trocar Talisca por Fejsa e Pizzi por André Almeida. Sem estar tudo bem, longe disso, penso que estamos no caminho certo.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

A sorte grande de uma equipa banal

“… vendo a banalidade que é este SL Benfica, eu ainda quero acreditar que é possível e, por isso, jogadores e adeptos não podem baixar os braços

Foi assim que eu terminei o artigo que escrevi acerca do FC Porto x SL Benfica (0-2) e iniciei o artigo que escrevi após o SL Benfica x SC Braga (1-2), em que os bracarenses eliminaram os encarnados da Taça de Portugal.

Não sei se “banal” é o adjectivo que melhor caracteriza este SL Benfica versão 2014/2015, mas ontem, ao ver o Sporting x SL Benfica foi, mais uma vez, a palavra que me veio à cabeça.

Chegados aos 75 minutos de jogo, os encarnados de Lisboa tinham feito 3 (três!) remates, nenhum enquadrado com a baliza de Rui Patrício.

Ao minuto 80, o SL Benfica conquistou, finalmente, o seu 1º canto (nessa altura o Sporting já tinha 10!).

E ao minuto 94 (a 28 segundos de se esgotar o tempo de descontos dado por Jorge Sousa), após um balão de Pizzi (feito à sorte, de costas para a baliza do Sporting), beneficiando de um ressalto na área leonina, no 4º remate e primeiro (e único!) enquadrado com a baliza, o SL Benfica marcou e conseguiu empatar.

A BOLA (o jornal semioficial do SL Benfica) chamou-lhe sorte grande. Eu nem sei muito bem o que lhe hei-de chamar. Sei que, tal como no Dragão, o SL Benfica jogou em Alvalade como jogam as equipas pequenas, em termos ofensivos foi de uma nulidade quase total, mas conseguiu sair de mais um confronto com um rival directo sem perder.

Aqueles que, em anos anteriores, elogiavam o “futebol atacante e entusiasmante” das equipas de JJ (em contraponto com o “futebol monótono” das equipas de Vítor Pereira…), o que dirão deste SL Benfica que, no Dragão, jogou da mesma forma que o Boavista – autocarro de dois andares à frente da baliza – e agora, em Alvalade, repetiu a receita, com um quarteto defensivo em que os laterais praticamente não subiram no terreno, mais dois médios defensivos – André Almeida e Samaris – que raramente passaram do meio campo.

Aliás, sempre que o Sporting acelerava o jogo, o SL Benfica transformava-se em benfiquinha e adoptava a mesma estratégia de queimar tempo tão habitual (e que costuma ser severamente criticada por jornalistas e comentadores) nas equipas de mentalidade e categoria pequenina.

Foi assim na 1ª parte, com Eliseu, Jonas e Jardel a caírem e ficarem no relvado, para acalmar o jogo… e continuou na 2ª parte (até ao minuto 86), em que esse papel triste foi desempenhado por Artur.

Ao minuto 62, foi quase cómico, quando a transmissão televisiva mostrou um Jonas esbaforido, aos gritos (penso com o Eliseu), a dizer: “Calma, calma, calma!”.

Nos jogos contra o Sporting, contra o FC Porto e na fase de grupos da Liga dos Campeões, independentemente de ter conseguido alguns resultados positivos, este SL Benfica 2014/2015 mostrou aquilo que é: uma equipa banal!

E o jogo de ontem comprovou aquilo que toda a gente sabe (incluindo os benfiquistas, embora não o confessem em público): não fora as arbitragens que o catapultaram para o 1º lugar e, nesta altura, este benfiquinha nunca seria líder do campeonato português.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

"mainde gaimes" a la Jesus

Hoje, no JN, Jesus, referindo-se à recente derrota e desvalorizando os seus efeitos, diz que, apesar de tudo, "os outros é que têm que olhar para trás". Não nos deixemos iludir e continuemos a olhar para a frente...
   

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

A pouca vergonha do SL Paixão

Capa de O JOGO de 27-01-2015

«Num jogo com muito que analisar em termos de arbitragem (…)
Centro de Jonas, a bola bate na mão de Ricardo e Bruno Paixão assinala penálti. Este é o relato fiel. (…)
Chegou, então, o momento que decidiu o jogo. Abordagem displicente de Eliseu e penalti inequívoco sobre Hurtado, lançado minutos antes pelo Paços de Ferreira. Bruno Paixão hesitou segundos confrangedores, quando todos pareciam ter visto. Olhou na direção contrária ao lance (Manuel Mota, o quarto árbitro, ou o assistente?) e então apitou. Sérgio Oliveira marcou o golo que decidiu o jogo e manteve acesa a disputa pelo campeonato.
Ainda sobre o árbitro, uma última nota: medíocre como quase sempre. Dúvidas em dois lances com Cícero na área encarnada e o tom repetitivo de apitos que todos percebem ser de alguém com pouca mão no jogo. A Liga e um jogo tão vivo como este mereciam melhor.»


«Hurtado passou, correu, Sérgio devolveu a bola, ela chegou ao peruano e o lateral do Benfica esticou a perna. Estava na beira da grande área e acabou por rasteirar o avançado do Paços. De início não se ouviu apito — até ao auxiliar avisar Bruno Paixão e o árbitro, aí sim, soprar no apito. Era penálti.»


Bruno Paixão em acção: take 1 (fonte: Record)

Bruno Paixão em acção: take 2 (fonte: Record)

«A indicação do penálti que decidiu a partida terá sido dada pelo 4.º árbitro, Manuel Mota que, curiosamente, estava mais longe do lance do que Bruno Paixão e o seu auxiliar, Rodrigo Pereira.
O juiz hesitou após a falta de Eliseu e olhou para o seu assistente. Bruno Paixão só marcou a infração quando recebeu a indicação de Manuel Mota. Esta situação acabou por ser analisada por Jesus. “Não sei quem deu a indicação. O árbitro auxiliar do lado da bola não deu, o árbitro também não, e, passado alguns segundos, há a confirmação de que é penálti”.»
in record.pt


Jorge Maia, O JOGO, 27-01-2015

Não há muito a dizer sobre a escandaleira do FC Paços Ferreira x SL Paixão de ontem à noite. As decisões, as hesitações, as imagens, os FACTOS falam por si.

Ontem, em Paços de Ferreira, apesar da derrota do clube do regime, assistiu-se a um novo episódio do campeonato mais fraudulento dos últimos 30 anos (pelo menos).

E, perante a fraude, perante a falsificação de resultados, perante a instituição da mentira desportiva, o chefe dos árbitros, o senhor Vítor Pereira, continua como se nada fosse, sem dizer uma palavra.


"Apetecia-me mas não vou falar da arbitragem [de Bruno Paixão]"
Paulo Fonseca, 26-01-2015


P.S. Os intermináveis minutos de desconto dados por Bruno Calabote… perdão, por Bruno Paixão, após o Paços Ferreira ter marcado ao minuto 89…


sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Um campeão banal

“… vendo a banalidade que é este SL Benfica, eu ainda quero acreditar que é possível e, por isso, jogadores e adeptos não podem baixar os braços”


De facto, este SL Benfica 2014/2015 é uma equipa banal (sem qualquer sombra de dúvida, a equipa encarnada mais fraca da era Jorge Jesus). E não é por ter ganho no Estádio do Dragão (onde, esta época, também empatou o recém promovido Boavista), que passou a ser uma equipa melhor.

Record, 19-12-2014
A derrota de ontem, em casa, frente ao SC Braga (a segunda derrota que, em poucas semanas, Sérgio Conceição impôs a Jorge Jesus), veio apenas confirmar que os 5 pontos em 18 possíveis, conquistados pelos encarnados de Lisboa nos seis jogos da Fase de Grupos da Liga dos Campeões, não foram obra do acaso. Ou melhor, se calhar até foram, porque nos dois jogos que o SL Benfica fez contra o AS Monaco, a equipa de Leonardo Jardim foi melhor e merecia muito mais.

Significa isto que estou mais optimista do que estava há cinco dias atrás?

Não. Apesar de mais uma derrota do SLB (a segunda em pleno estádio da Luz e a 5ª derrota em jogos oficiais esta época), vi coisas no jogo de ontem que confirmam um determinado padrão.

Que coisas?

Jonas apoia-se e impede o defesa do SC Braga de saltar no golo do SL Benfica (fonte: Maisfutebol)

Poderia falar de várias situações, mas vou dar dois exemplos “invisíveis” (que não fazem parte dos resumos do jogo e de que ninguém fala), do que foi a “uniformidade de critérios” e “coerência” do árbitro deste SL Benfica x SC Braga, em termos disciplinares.

Durante os primeiros 45 minutos do SL Benfica x SC Braga, o bracarense Rúben Micael sofreu 5 ou 6 faltas, quase todas cometidas por Enzo Pérez, duas das quais para cartão amarelo (conforme foi reconhecido pelo próprio comentador da Sport Tv, o benfiquista Pedro Henriques). Pois bem, não só Enzo saiu do jogo (ao intervalo) com a folha disciplinar limpinha, como Rúben Micael, na 1ª falta que cometeu na segunda parte (ao minuto 56, junto à área do SLB…), viu imediatamente um cartão amarelo.

Mais. Tal como já tinha acontecido no jogo em Braga, para o campeonato, a equipa de Sérgio Conceição, depois de estar a perder, deu a volta ao resultado e colocou-se em vantagem no marcador ao minuto 58. Pois bem, apenas três minutos depois, o senhor Artur Soares Dias (lembram-se dele do SL Benfica x FC Porto da época passada?) foi implacável com o guarda-redes bracarense (o russo Stanislav Kritciuk) e mostrou-lhe um cartão amarelo por estar a queimar tempo. Nem aviso, nem nada, zás, toma lá um amarelo e ficas avisado (condicionado) para o resto do jogo.
Aliás, ao minuto 61, cinco jogadores do SC Braga já estavam amarelados e, no final, o SC Braga “ganhou” por 6 a 1 em cartões amarelos…

E nem sequer vale a pena falar no penalty (mais um!) que ficou por assinalar contra o SLB, devido a um corte com a mão, de Jardel, em plena área benfiquista. Além de ter sido um lance de descarada mão na bola e de não haver a desculpa de ter sido à “queima roupa”, foi na sequência de uma bola parada. Como diria Jorge Jesus, os árbitros não viram porque não quiseram…

E é por estas e por outras, que eu considero que será muito, muito, muito difícil o SLB perder a liderança do campeonato porque, parafraseando novamente Jorge Jesus (da vez em que foi ao estádio da Luz como treinador do SC Braga), “eles” (os árbitros) não deixam…

sábado, 6 de dezembro de 2014

Regulamentos, hipocrisia e “verdade desportiva”

Deyverson e Miguel Rosa

«Na época passada, à 21.ª jornada, no início de Março, o Belenenses recebeu o Benfica e, à última hora, Miguel Rosa, Deyverson e Rojas, jogadores do clube do Restelo cedidos pelos benfiquistas, ficaram de fora do jogo.

Posso dizer que não foi por uma opção técnica”, sustentou, na altura, Marco Paulo, responsável técnico da formação de Belém. Pouco depois, tornou-se pública a ideia de que um acordo verbal na transferência dos jogadores levara a essa situação.

Amanhã, sob orientação de Lito Vidigal, o Belenenses visita o Benfica num clássico em que a história ameaça repetir-se, ou seja, uma percentagem detida pelo clube da Luz em relação ao passe de Miguel Rosa e a opção de recompra no que diz respeito a Deyverson podem afastar os jogadores do encontro desta jornada.

Nada nos regulamentos da competição defende casos deste género e, sejam quais forem os clubes envolvidos, não faz sentido que isto aconteça. Se um clube não está interessado ou não pode contar com determinados jogadores, a partir do momento em que os cede não deve exercer qualquer tipo de influência para impedir que representem o clube seguinte quando se reencontram. Pior ainda se, de um lado, está um dos três grandes, pois é suposto que a sua força esteja acima de questões desta natureza.

A integridade das competições não vive apenas de um contexto em que não haja resultados combinados. É preciso respeito entre os clubes e os dirigentes devem ser os primeiros a garantir que assim é. Caso contrário corre-se o risco de se chegar à conclusão que, no final da temporada, o campeão só foi a melhor equipa porque defrontou alguns adversários diminuídos. E ganhar a qualquer custo não deve ser a meta dos campeões.»


O texto anterior, escrito por Paulo Jorge Pereira e publicado no Diário Económico de ontem, toca nos pontos-chave desta discussão.

Miguel Rosa foi titular em dez jogos esta temporada, somando 900 minutos e quatro golos, enquanto Deyverson é a principal referência do ataque do Belenenses, com onze jogos (981m) e sete golos.

A propósito deste assunto, Fernando Mendes, antigo jogador do SL Benfica e do CF Belenenses, em entrevista à Antena 1, disse o óbvio:

O Deyverson tem feito muitos golos e o Miguel Rosa é excelente. Sem eles, o Belenenses fica mais fragilizado


Já Jorge Jesus, confrontado pelos jornalistas, preferiu fazer de conta e ser hipócrita:

Não sei qual é legislação em Portugal, nem qual é o acordo [entre os clubes]. Sei apenas o que sucede noutros países, onde os jogadores emprestados não podem ser utilizados nestas circunstâncias, pois é assim que está contratualmente decidido. Em Portugal não sei como é. Não conheço em termos da legislação.


Pois, não sabe… Eu também não sei se, à última da hora, Luís Filipe Vieira e Jorge Jesus, tolhidos pela vergonha, irão dar luz verde para que Lito Vidigal possa utilizar os seus dois melhores avançados mas, mesmo que o façam, o mal está feito.

O que eu sei é que, após o autêntico descalabro que foi a participação nas competições europeias, o SL Benfica está obrigado a ganhar este campeonato, custe o que custar. Contudo, conforme referiu Paulo Jorge Pereira, ganhar a qualquer custo (recorrendo a “trunfos” como nomeações cirúrgicas, arbitragens de “colinho”, equipas adversárias condicionadas, etc.) não deve ser a meta dos verdadeiros campeões.


P.S. «Apesar de integrarem a lista de convocados para o jogo com o Benfica, este sábado, Deyverson e Miguel Rosa não vão a jogo, no Estádio da Luz, por indicações expressas da SAD. Segundo noticia A BOLA, o treinador dos azuis, Lito Vidigal, foi informado por um elemento da SAD, antes do final do treino desta sexta-feira, que ambos os jogadores, que já passaram pelas águias, não iriam estar disponíveis para serem utilizados, mas que ainda assim deveriam ser convocados. No meio da surpresa por, a poucas horas do jogo, ter sido informado da indisponibilidade de duas pedras nucleares, o técnico rejeitou incluir Miguel Rosa e Deyverson no seu lote de eleitos, sendo que, por indicação do treinador, nem seguiram para estágio.»


Nota: Os destaques no texto, a negrito e sublinhado, são da minha responsabilidade.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Os factos e a fé… em Jesus


Jorge Jesus na véspera do Zenit x SL Benfica:

Penso neste jogo, que é da Liga dos Campeões. Não vamos pensar noutras provas [Liga Europa], quando temos valor para estar nesta. O foco está no jogo com o Zenit, para continuarmos na prova que todos os jogadores e treinadores gostam, que é a Champions .”


Jorge Jesus após o Zenit x SL Benfica:

Na primeira meia hora não estivemos tão bem, não nos conseguimos adaptar ao clima (…) Não merecíamos, mas o que conta é que saímos daqui com uma derrota e estamos afastados da Liga dos Campeões (…). Na Champions jogam os melhores e isso não tira mérito ao Benfica.”


Pois é, o SL Benfica é um clube estável, tem o mesmo treinador há seis épocas, tem um modelo de jogo consolidado, tem “nota artística”, tem um plantel de luxo (caríssimo para a realidade portuguesa), recheado de consagrados, craques, “pérolas” e jogadores experientes, mas…

… quando ainda falta um jogo para a conclusão da fase de grupos, os encarnados de Lisboa já garantiram o último lugar do seu grupo e, mais uma vez, dizem adeus em Dezembro à prova onde estão os melhores.

Incrível! Como é possível isto acontecer (novamente!) a um “treinador excelente”, aliás, a um “treinador de top” (pelo menos no salário), aliás, a um “treinador que está ao mesmo nível de Mourinho”?

As explicações para um mistério destes são, com certeza, muito complexas e eu, como não tenho “formação na área” (apenas o conhecimento resultante de ter visto uns milhares de jogos nos últimos 40 anos), não me atrevo a avançar com explicações cientifico-técnico-tácticas, mas fico à espera que um dos “apóstolos” deste Jesus me elucide.

À falta de explicações mais ou menos elaboradas, avanço com alguns dados e factos.

Nas últimas cinco épocas – de 2010/2011 a 2014/2015 – o SLB, orientado por Jorge Jesus, disputou 33 jogos para a Liga dos Campeões, tendo obtido 12 vitórias, 7 empates e 14 derrotas!
E, nestes 33 jogos, os encarnados marcaram apenas 35 golos (para uma equipa com fama de dar espectáculo e ser muito ofensiva não está mal…), tendo sofrido 41 golos.

Em resumo:
Mais derrotas que vitórias.
Mais golos sofridos que marcados.
Mais fracassos que sucessos.
Mas pronto, como a prioridade é o campeonato, deve ser normal que, em cinco participações na Liga dos Campeões, apenas UMA vez a equipa de Jorge Jesus tenha superado com sucesso a fase de grupos.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

O Chorão e o Happy

A propósito da lista de candidatos ao prémio de melhor treinador de 2014, cujo vencedor será anunciado na gala da Bola de Ouro da FIFA...

Ontem, Jorge Jesus (o “Chorão”) afirmou:

“Há treinadores que fizeram menos do que eu, a nível interno e no que diz respeito a finais.”

“Olhei para a lista e pensei: há aqui alguns que não estiveram em nenhuma final, muitos nem foram campeões nacionais. Se gostava de lá estar? Gostava.”


Hoje, José Mourinho (o “Happy One”) respondeu:

[sabe que está incluído na lista para a Bola de Ouro?] “Sei, mas não liguei. Mas posso dizer-lhe que tenho a certeza que não ganharei, até porque reconheço que não mereço ganhar a Bola de Ouro.”

[Quando tomou conhecimento das nomeações, Jorge Jesus disse que na lista há treinadores que não ganharam títulos…] “Pois, julgo que o regulamento proíbe que estejam treinadores que foram eliminados da Champions League na fase de grupos…”


Lindo!