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segunda-feira, 1 de abril de 2013

Mais uma ameaça de greve antes do... SLB!

Os jogadores do Olhanense apresentaram na quinta-feira um pré-aviso de greve e, caso não seja pago um salário até 5 de Abril, a formação algarvia recusará defrontar o Benfica, na 25.ª jornada da I Liga de futebol. Em comunicado, o Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol (SJPF) revelou que a “maioria” dos futebolistas do Olhanense não recebe qualquer renumeração desde Dezembro de 2012, numa situação que se está a tornar “cada vez mais gravosa” e que ainda “não mereceu por parte do clube a resposta adequada”. “Os trabalhadores profissionais de futebol em actividade no Sporting Clube Olhanense, caso não seja efectuado o pagamento a todo o plantel de um mês de salário até às 15h de 5 de Abril de 2013, decidirão pelo recurso à greve sob a forma de paralisação total do trabalho, não comparecendo ao jogo da 25.ª jornada a disputar contra o Benfica”, alertou o organismo sindical. Com este pré-aviso de greve, o SJPF pretende, além de garantir que a direcção do Olhanense pague pelo menos um mês de salário, “obrigar o Governo e sobretudo as entidades competentes, como a Liga Portuguesa de Futebol Profissional e Federação Portuguesa de Futebol, a uma intervenção firme junto do clube no sentido de honrar as suas obrigações”. O Olhanense, treinado por Manuel Cajuda, ocupa o 15.º e penúltimo lugar do campeonato nacional da I Liga.

Público, 29/03/2013


É um déjà vu recorrente, a cada época, no campeonato português. O sindicato dos jogadores é liderado por Joaquim Evangelista, um capacho do 5LB, que todas as épocas desportivas se aproveita de um clube em dificuldades financeiras e com salários em atraso para reivindicar greves (ou ameaças de greve) na véspera de estes clubes defrontarem o clube do regime.

Esta situação já se vem repetindo desde 2005 e tem sido denunciada aqui no Reflexão Portista desde 2008. Agora é a vez do Olhanense. O clube algarvio tem salários em atraso há cerca de 3 meses. O Evangelista aproveita para semear a desorganização em semana de jogo contra um adversário que está a disputar o primeiro lugar, incitando os jogadores à greve e desviando a sua concentração do trabalho que têm de desempenhar (o Olhanense, estando em penúltimo lugar, não deveria descurar um único jogo).

A greve é um direito inalienável dos trabalhadores e está consagrada na Constituição. Não tenho dúvidas de que, em última instância, a greve pode ser encarada como uma forma de luta justa e compreensível. O que não é compreensível é que todos os anos lá venha o pastor evangélico incitar os jogadores de um clube em situação financeira difícil a fazer greve antes de um jogo com o 5LB. Isto acontece pelo menos desde 2005.

A lista é longa e o adversário dos putativos grevistas foi sempre o mesmo:

  • Em 2005, à 14ª jornada, os jogadores do Vitória de Setúbal apresentaram um pré-aviso de greve antes do jogo com o… 5LB;

  • Em Novembro de 2008, à 8ª jornada, os jogadores do Estrela da Amadora não treinaram nessa semana e ameaçaram não comparecer ao jogo na Luz contra o… 5LB; (curiosamente neste caso o presidente do clube conseguiu um “sponsor” que pagou os salários: a empresa Obriverca)

  • Em Abril de 2009 Evangelista entregou aos jogadores do Vitória de Setúbal o dinheiro do Fundo de Garantia Salarial, apenas três dias depois de estes serem goleados em casa pelo… 5LB e quatro dias antes de uma deslocação ao Dragão; (curiosamente os jogadores estiveram sem treinar toda a semana que antecedeu o jogo contra o... 5LB!)

  • Em Abril de 2012 o Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol avisava em comunicado que os jogadores do União de Leiria iriam “paralisar por completo o trabalho” se não recebessem 3 meses de salários em atraso. Faltavam 3 jogos para o fim do campeonato e um deles era na Luz contra o… 5LB!

Ver mais em:
O evangelho segundo Joaquim
“Contribuir para a estabilidade do grupo”
Os tentáculos do slb
Obri-quê?
A aliança entre Evangelista e Vieira
O presidente

terça-feira, 24 de abril de 2012

O evangelho segundo Joaquim

«Eu não acredito em coincidências, mas que as há, há. Os jogadores do Estrela da Amadora, que têm os respectivos ordenados em atraso desde o início da temporada, admitem ao fim de oito jornadas fazer greve no próximo jogo, por sinal uma deslocação ao Estádio da Luz. Fazem-no incitados por Joaquim Evangelista, presidente do Sindicato dos Jogadores. Ora, parece-me justo que os jogadores defendam os seus direitos e que o façam por todos os meios ao seu alcance, reconhecendo que, em última instância, o recurso à greve não pode ser excluído como justa forma de luta. Registo apenas a coincidência depois de quase três meses de competição, com sete jornadas disputadas e depois de várias intervenções bem mais moderadas, Joaquim Evangelista surgir agora tão empenhado na marcação de uma greve. Um empenho semelhante ao demonstrado em 2005 quando estavam em causa os salários em atraso no Vitória de Setúbal, embora aí o presidente do Sindicato dos Jogadores tenha esperado até à 14ª jornada para forçar a apresentação do pré-aviso de greve. Coincidentemente, antes de um jogo com o Benfica.
Ele há coisas...»
Jorge Maia
in O JOGO, 13/11/2008


«Três dias DEPOIS de serem goleados em casa pelo slb e quatro dias ANTES de se deslocarem ao Estádio do Dragão, os jogadores do Vitória de Setúbal receberam duas “prendas”:
- metade de um ordenado (algo que não recebiam há cinco meses!);
- uma verba do Fundo de Garantia Salarial, entregue por Joaquim Evangelista.
Evidentemente, deve ter sido coincidência estas verbas não estarem disponíveis ANTES do jogo com o slb...
Aliás, esta época futebolística tem andado cheia de coincidências. Por exemplo, os jogadores do Estrela da Amadora, após terem estado 10 dias sem treinar (tendo para tal o apoio público do presidente do Sindicato), decidiram regressar aos treinos sem que nenhuma das suas exigências tivesse sido cumprida.
Quando? Precisamente três dias DEPOIS de terem jogado com o slb e quatro dias ANTES de se deslocarem ao Estádio do Dragão. Olha que coincidência!...»
in Reflexão Portista, 26/04/2009


«A Direcção do Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol, ao abrigo e nos termos do disposto no Art. 534º do Código do Trabalho aprovado pela Lei 7/2009, de 12 de Fevereiro, comunica que os trabalhadores profissionais de futebol em actividade na União Desportiva de Leiria, Futebol SAD, se não for efectuado o pagamento de três meses a todo o plantel até à véspera de cada um dos jogos em falta, se decidiram pelo recurso à greve sob a forma de paralisação total do trabalho aos jogos Leiria-Feirense (28ºJornada), Benfica-Leiria (29ºJornada) e Leiria-Nacional (30ºJornada) respectivamente.»
in PUBLICO.pt, 23/04/2012


aqui falei na vergonha que é a existência de salários em atraso em mais de uma dezena de clubes das competições profissionais do futebol português.
Mas não posso deixar de apreciar as "intervenções cirúrgicas" do presidente do Sindicato dos Jogadores, em que os timings dos pré-avisos de greve parecem ser escolhidos a dedo, embora haja quem acredite que são coincidências...

Ver mais em:
A aliança entre Evangelista e Vieira
“Contribuir para a estabilidade do grupo”

Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

O pastor evangélico


Durante décadas (desde a sua fundação até 1 de Julho de 1979) o slb fazia questão de apenas utilizar jogadores de nacionalidade portuguesa, usando esse facto como um motivo de orgulho patriótico e algo que o distinguia dos restantes clubes portugueses (supostamente menos nacionalistas que os encarnados de Lisboa).

Na passada quarta-feira, em Istambul, para a 3ª pré-eliminatória da Liga dos Campeões, o slb apresentou-se sem qualquer jogador português no onze inicial. Nada que surpreenda porque, depois de terem despachado “históricos” (Quim e Nuno Gomes) e encostado outros menos históricos (Carlos Martins e César Peixoto), o único português que ainda sobrava do onze-tipo da época passada - Coentrão - estava mortinho para ir para Madrid (e foi).

Mas, para além do onze inicial, também os três suplentes utilizados contra o Trabzonspor são estrangeiros, perfazendo a bonita soma de 14 estrangeiros e zero portugueses!

Muita gente falou sobre isto nos últimos dias, principalmente benfiquistas, mas quem era suposto falar - o presidente do Sindicato dos Jogadores - manteve, até agora, um estridente silêncio. De facto, habituados como estamos a que Joaquim Evangelista venha a público pregar em defesa do seu "rebanho" (os jogadores portugueses), é estranho que, desta vez, não tenha nada a dizer. E eu que gostava tanto de ouvir o seu sermão sobre este assunto...

Tal como aqui já escrevi, não tenho provas de que Joaquim Evangelista condiciona as suas intervenções em função dos interesses do slb, mas lá que parece, parece. E atenção às alianças que Evangelista vai fazer nas próximas eleições para a FPF.

P.S. E monsieur Platini, também não diz nada? Deve estar de vacances...

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

O melhor para a Liga e Sindicato

Após ter sido o jogador mais votado por treinadores e adeptos nos meses de Agosto e Setembro, Hulk voltou a ser eleito Jogador do Mês - Outubro - da Liga Portuguesa de Futebol Profissional.


A juntar a este prémio, também o Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol (SJPF) atribuiu a Hulk o troféu de melhor jogador da Liga nos dois primeiros meses de campeonato.

Com tanta unanimidade, só falta A Bola escolher o Incrível para jogador do ano e pedir ao Ricardo Costa para lhe entregar o prémio...

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

A suspensão segue dentro de momentos


"Ele [Hulk] está [preparado para o jogo com o Arsenal]; não se encontra lesionado, está a treinar bem... Neste momento, a minha perspectiva é de o poder convocar [para o jogo com o Arsenal] (...)
O Hulk é um jogador revoltado. O estado de espírito dele é de revolta, porque não pode trabalhar e fazer aquilo que gosta. Nós, internamente, também estamos revoltados porque temos um profissional bem pago e que não está a ajudar a equipa como devia em função do contrato que tem. Acho que quando erramos temos de ser penalizados, mas temos de ser penalizados na justa medida do erro que cometemos, e temos de ser penalizados de forma a não voltar a errar. Agora, isto tudo não deixa de ser uma coisa incompreensível para as pessoas.
"
Jesualdo Ferreira, 12/02/2010


Após 12 ou 13 jogos (perdi-lhe a conta) em que esteve impedido de exercer a sua profissão, tudo indica que hoje Hulk vai voltar aos relvados. Será uma interrupção numa das suspensões mais injustas e absurdas de sempre de um jogador de futebol, cujos contornos definitivos continuam no segredo dos deuses da Liga.

«O Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol é uma associação cuja principal missão é defender os interesses individuais e colectivos dos atletas. (...) É a voz activa do profissional de futebol junto de instituições governamentais e outras (...) O Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol assume a defesa intransigente da classe»
in site oficial do SJPF

Quem diria? Já alguém ouviu o Joaquim Evangelista pronunciar-se sobre este caso?
Não será estranho que o presidente do Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol não manifeste preocupação por um profissional de futebol estar suspenso preventivamente há cerca de dois meses e impedido de trabalhar?
Depende. A quem interessa a suspensão de Hulk?
Na época passada, a quem interessava a greve dos jogadores do Estrela da Amadora, na véspera da deslocação ao Estádio da Luz?
Em 2005, a quem interessava o pré-aviso de greve dos jogadores do Setúbal, precisamente antes de um jogo com o Benfica?

Não tenho provas de que Joaquim Evangelista condiciona as suas intervenções em função dos interesses do SLB, mas lá que parece, parece. É que já são coincidências a mais...

sábado, 4 de abril de 2009

Os tentáculos do SLB

O SLB tem estendido todos os seus tentáculos, seja na Justiça, na arbitragem, na Liga ou na comunicação social, para tentar “equilibrar” as contas deste campeonato, enquanto ainda é possível. Para não variar, fá-lo de forma atabalhoada e evidente, mas conta com a boa vontade daqueles que estão nos lugares certos para lhe dar a mão. É o seu paradigma de actuação ao longo da sua existência. E quem ou quais são esses tentáculos?

Comissão Disciplinar da Liga de Clubes
O Dr. Ricardo Costa decidiu suspender Lisandro Lopez com um jogo de castigo porque este fez uma "simulação evidente de grande penalidade inexistente" com o objectivo de "enganar o árbitro" no jogo com o SLB, no Estádio do Dragão, e que terminou empatada a um golo. Como é bom de ver, todas as simulações de grandes penalidades, em especial as de Di Maria e Moutinho, foram convenientemente ignoradas na presente temporada mas a alegada simulação de Lisandro teve de ser castigada a bem dos interesses do SLB. Ainda por cima com os habituais requintes de paneleirice do presidente da CD, que escreveu sete páginas e ainda se aventurou a enunciar novas emendas às Leis da Física. Para não me acusarem de incitamento à violência apenas quero desejar que esse merdas padeça de uma diarreia aguda que o deixe a desfazer-se dias a fio.

Comissão de Arbitragem da Liga

Depois da nomeação de Lucílio para a entrega Taça da Liga, Vítor Pereira lá continua na senda das nomeações duvidosas e sempre, por coincidência certamente, com forte tendência para favorecer o SLB. Desta vez, e para uma deslocação que se quer difícil do FC Porto a Guimarães, decidiu nomear Carlos Xistra, um árbitro que em dois jogos contra o Sporting esta época teve várias decisões que prejudicaram claramente o FC Porto. Está tudo aqui. O pior foi mesmo a meia-final da Taça da Liga em Alvalade, quando depois do FC Porto estar a vencer por 1-0 e com a ameaça do escândalo de eliminar o Sporting em casa com as reservas, Xistra resolve inventar dois penalties para assim inverter o resultado e tranquilizar os calimeros (que depois ainda se andaram a gabar que “deram goleada”!).

Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol

O presidente é Joaquim Evangelista, um homem muito desonesto que, depois do FC Porto se sagrar campeão na época passada, afirmou, em 7 de Maio de 2008, e a propósito da existência de salários em atraso, que “com o devido respeito o vencedor (do campeonato) não é um verdadeiro vencedor, porque havendo concorrência desleal, não há verdade desportiva”. É preciso ser muito desonesto para dizer isto quando se sabe perfeitamente que em todas as épocas há clubes com salários em atraso. E para além disso estava também a retirar mérito aos jogadores do FC Porto, muitos dos quais devem pertencer ao sindicato que dirige. Este homem proferiu estas palavras sem quaisquer preocupações com os jogadores que não recebem, mas sim no meio de um episódio agudo de refluxo gastro-esofágico (vulgo “azia”) pelo facto do FC Porto ter sido campeão.Mas o mais interessante prende-se com o facto de esta personagem, qual abutre, aparecer sempre em cena quando um clube com salários em atraso vai defrontar o SLB. Isso aconteceu em Novembro de 2008, no jogo SLB x E. Amadora e nessa altura Jorge Maia escreveu no OJOGO o seguinte:
«Eu não acredito em coincidências, mas que as há, há. Os jogadores do Estrela da Amadora, que têm os respectivos ordenados em atraso desde o início da temporada, admitem ao fim de oito jornadas fazer greve no próximo jogo, por sinal uma deslocação ao Estádio da Luz. Fazem-no incitados por Joaquim Evangelista, presidente do Sindicato dos Jogadores. Ora, parece-me justo que os jogadores defendam os seus direitos e que o façam por todos os meios ao seu alcance, reconhecendo que, em última instância, o recurso à greve não pode ser excluído como justa forma de luta. Registo apenas a coincidência depois de quase três meses de competição, com sete jornadas disputadas e depois de várias intervenções bem mais moderadas, Joaquim Evangelista surgir agora tão empenhado na marcação de uma greve. Um empenho semelhante ao demonstrado em 2005 quando estavam em causa os salários em atraso no Vitória de Setúbal, embora aí o presidente do Sindicato dos Jogadores tenha esperado até à 14ª jornada para forçar a apresentação do pré-aviso de greve. Coincidentemente, antes de um jogo com o Benfica.
Ele há coisas...»

in O JOGO, 13/11/2008

"Tudo indica que a semana da recepção ao Benfica seja marcada pela ausência de um único apronto, algo que poderá ter repercussões no dia do desafio. "Trata-se de um jogo em que podemos garantir a manutenção, mas não podemos deixar de marcar a nossa posição, pois temos famílias para sustentar. Com esta atitude, o nosso objectivo não é não treinar, mas receber", evidenciou o capitão, colocando de lado a greve a qualquer uma das próximas partidas."

in OJOGO

Passados quase cinco meses o drama na equipa da Amadora mantém-se: mais de meio ano de salários em atraso. As suas formas de luta pelos seus direitos são inatacáveis e a sua prestação em campo tem sido muito boa. O que não está correcto é que tenham aceite, pressionados uma vez mais por Evangelista, não treinar uma única vez na semana em que recebem o SLB. Mais uma coincidência notável. Aqui é que não há qualquer hipótese de existir verdade desportiva. Mais um dos acólitos da corja ao serviço do clube do regime cuja actuação, sem qualquer réstia de ética ou sentido deontológico, passará impune.
Procurador-Geral da República


Disse um dia o Procurador que, após o Apito Dourado, “mesmo que os arguidos venham a ser absolvidos, nada será como dantes, no futebol português”, porque “a partir deste processo, os agentes do futebol português passaram a saber que podem ser investigados”. Mentira, e passo a corrigir: os agentes do futebol português, à excepção de dirigentes do SLB, passaram a saber que podem ser perseguidos através de tramas montadas com a colaboração da PJ e do MP. Ah, e o Presidente do FC Porto estará sempre sob suspeita.

Terminou ontem o último fôlego (pelo menos por enquanto...) deste Procurador na perseguição que montou ao FC Porto e ao seu Presidente. Toda a investigação foi uma autêntica vergonha como comprovam agora os despachos e a sentença dos (verdadeiros) Tribunais: no primeiro, relativo ao jogo Nacional x SLB, num despacho de não-pronúncia do Tribunal do Funchal, o juiz afirmou que não se entendia como é que o nome de Pinto da Costa tinha sido metido ali a martelo; no segundo, relativo ao FC Porto x Estrela da Amadora, acabou igualmente com um despacho de não-pronúncia do Tribunal do Porto, confirmado por sentença unânime da Relação, e com uma participação por crime de falsas declarações contra a peça-chave de todo o Apito Dourado — Carolina Salgado; no terceiro, relativo ao jogo Beira-Mar x FC Porto, que já havia sido arquivado mas que pela insistência da Morgado foi a julgamento, o Tribunal de Gaia sentenciou a absolvição do Presidente do FC Porto, e nas palavras da Juíza “a ex-companheira de Pinto da Costa prestou depoimentos divergentes e, pelas contradições e incoerências, não merece qualquer credibilidade”. A sua convicção é a de que “o testemunho de Carolina Salgado seja norteado pelo interesse da condenação de Pinto da Costa. Este Tribunal não atribui relevância ao depoimento”.
Uma derrota em toda a linha para o Beirão de sotaque a assobiar os esses.

Comparemos agora os meios e a aposta na condenação de Pinto da Costa com o tratamento que o Procurador está a dar ao caso Freeport, à forma como tem negado as pressões sobre os magistrados do MP que afirmaram convictamente terem sido altamente pressionados para o arquivamento do caso, à forma como desvalorizou a gravação de uma conversa entre os intervenientes no caso com frases incriminatórias do Primeiro-Ministro, à forma como resolveu reunir com Lopes da Mota, etc., etc., etc. Os exemplos de que não é competente para ocupar aquele cargo são mais que muitos. Só mesmo em Portugal para que um tipo destes ainda não tenha sido exonerado.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

A aliança entre Evangelista e Vieira


«Eu não acredito em coincidências, mas que as há, há. Os jogadores do Estrela da Amadora, que têm os respectivos ordenados em atraso desde o início da temporada, admitem ao fim de oito jornadas fazer greve no próximo jogo, por sinal uma deslocação ao Estádio da Luz. Fazem-no incitados por Joaquim Evangelista, presidente do Sindicato dos Jogadores. Ora, parece-me justo que os jogadores defendam os seus direitos e que o façam por todos os meios ao seu alcance, reconhecendo que, em última instância, o recurso à greve não pode ser excluído como justa forma de luta. Registo apenas a coincidência depois de quase três meses de competição, com sete jornadas disputadas e depois de várias intervenções bem mais moderadas, Joaquim Evangelista surgir agora tão empenhado na marcação de uma greve. Um empenho semelhante ao demonstrado em 2005 quando estavam em causa os salários em atraso no Vitória de Setúbal, embora aí o presidente do Sindicato dos Jogadores tenha esperado até à 14ª jornada para forçar a apresentação do pré-aviso de greve. Coincidentemente, antes de um jogo com o Benfica.
Ele há coisas...»
Jorge Maia
in O JOGO, 13/11/2008


Em Agosto de 2005, quando Luis Filipe Vieira e o jogador Miguel travavam um braço de ferro (o jogador queria sair para o Valência), de que lado ficou o presidente do Sindicato dos Jogadores de Futebol Profissional (SJFP)?

Relembro que Miguel, por imposição do SLB, foi obrigado a ler um comunicado onde, de forma humilhante, teve de pedir desculpa aos adeptos encarnados pelo seu comportamento em todo o processo, e acusou os seus representantes de tentarem fazer dinheiro à sua custa (por acaso, ao lado dele, estava precisamente o seu representante Paulo Barbosa...). Teve ainda de agradecer aos dirigentes encarnados a forma como agiram e como possibilitaram a sua transferência para Valência.

Alguém ouviu uma única palavra de repúdio de Joaquim Evangelista perante este comportamento de Luis Filipe Vieira?


Em 8 de Fevereiro de 2008, Evangelista veio a público dizer que a situação de Bruno Moraes no FC Porto era “anormal”. E porquê? Porque o avançado se considerava apto para a competição e que, segundo a douta opinião de Evangelista, estava a ser vítima de um “expediente” que alguns clubes usam para “afastar jogadores do plantel”.


Em 8 de Maio de 2008, horas depois de Joaquim Evangelista ter incluído o Sporting entre os clubes que ainda não tinham pago os salários de Abril aos seus jogadores, Filipe Soares Franco deu uma conferência de imprensa onde afirmou o seguinte:
"O presidente do Sindicato de Jogadores de Futebol tem o dever de conhecer integralmente estas datas. E se as conhece, só pode ter utilizado o nome do Sporting por estar de má fé. Se não conhece, publica o nome do Sporting relacionado com esta lista por ignorância. Por ignorância ou por má fé, não deve ser presidente do Sindicato. A partir de hoje, o presidente do Sindicato, enquanto não apresentar desculpas ao Sporting, não terá qualquer tipo de diálogo connosco".

Na mesma altura, Joaquim Evangelista aproveitou a oportunidade para desvalorizar o mérito da vitória do FC Porto no campeonato, afirmando que "com o devido respeito, o vencedor não é um verdadeiro vencedor, porque havendo concorrência desleal, não há verdade desportiva."


Olhando para aquilo que tem sido o comportamento e declarações públicas de Joaquim Evangelista desde que é presidente do SJFP, verifica-se que, ao contrário do que acontece com FC Porto e Sporting, não há memória de ter tomado uma única posição que ponha em causa Luis Filipe Vieira ou o SLB.

Já o disse e repito: os dirigentes do FC Porto têm de estar muito atentos ao poder e influência de Joaquim Evangelista, particularmente agora, em que a representatividade do SJFP na AG da FPF é reforçada com a nova Lei de Bases do Desporto.

Nota: Os negritos são da minha responsabilidade.
Fotos: Record

quinta-feira, 8 de maio de 2008

O Presidente

Os sindicatos são organizações de classe e faz todo o sentido que os jogadores de futebol tenham uma organização forte que se faça ouvir e respeitar. Os jogadores são os artistas do espectáculo desportivo e os seus interesses não podem ser escamoteados: é perfeitamente justo que se defendam e intervenham no quadro legislativo e regulamentar, na defesa dos seus direitos e na luta por uma relação com os restantes agentes desportivos – nomeadamente as entidades patronais – assente no respeito pelos compromissos (colectivos) estabelecidos entre as partes e o pelo cumprimento das condições contratuais, livre e individualmente negociadas.

Haverá um longo caminho a percorrer e, no futebol como noutras actividade, continua a reinar o nacional porreirismo, a fuga para a frente, a incompetência e o absurdo total, como o caso do BFC comprova. No futebol o impossível acontece.

Que o Presidente do Sindicato se atire com unhas e dentes sobre os infractores e que lidere ou acompanhe os processos em que os jogadores são lesados e estabeleça ou queira estabelecer o primado da prevenção contra os salários em atraso e outros desmandos que prejudicam a carreira dos jogadores, será sempre bem vista e nunca é demais vir à luta, apontar o dedo e direccionar os culpados.

O Sindicato dos jogadores teve outros presidentes, cuja linha não foi substancialmente diferente do actual, só que sendo antigos praticantes tinham uma outra compreensão e uma tendência para o compromisso e o acordo, pois estiveram mais próximos de uma multiplicidade de temas e problemas que se vão repetindo – não são novos há muito tempo - e que viveram de muito perto.

Couceiro e Carraça saíram do Sindicato e a sua actividade profissional mudou de posicionamento: passaram a servir entidades patronais do sector, em funções directivas ou outras.
O Sindicato dos jogadores permite aos seu Presidentes uma grande visibilidade, e tal como nas outras estruturas sindicais se não houver uma intervenção activa dos sócios, o sindicato tende a tornar-se uma estrutura burocrática, dominada por funcionários que conhecem mal o terreno e a vida real dos seus associados. E se o Sindicato passa ser one man show, então há uma clara subversão do espírito associativo e as relações sindicais poderão ser enviesadas, pois ficam demasiado dependentes da liderança do “chefe”.

Esse é um problema que não me afecta, nem tão pouco me diz respeito. É de total responsabilidade dos jogadores de futebol. Tinha uma opinião positiva de Joaquim Evangelista, presidente do SJPF, mas a notoriedade às vezes retira lucidez: a justa luta dos jogadores não dá o direito ao presidente de se meter em temas que não lhe cabem e pronunciar sentenças, como se fosso o dono da bola.

Ouvi, ontem, o presidente do SJPF na TV a dizer que “com o devido respeito o vencedor (do campeonato suponho) não é um verdadeiro vencedor, porque havendo concorrência desleal, não há verdade desportiva.” Em resumo: um campeonato de batotice não gera um vencedor digno.
Ocorreu-me que já tinha ouvido exactamente o mesmo raciocínio por parte do Dr. Dias Ferreira no programa da SIC Notícias. Coincidências. Aos anos que esta praga dos salários em atraso acontece no futebol português. Todos os anos se repetem as profecias, as desgraças, as promessas, as exigências, e nada muda porque, obviamente, os problemas são estruturais.


Mas, o presidente do SJPF resolveu falar de batotice, que nem a Dra. Morgado sobre a corrupção. Meteu-se num beco sem saída, pois tomou um caminho demagógico e colocou o debate numa orla que não é da sua competência nem do interesse do SJPF. Já sabemos que tudo o que possa desvalorizar o êxito do FCP é bem recebido e não sofre remoques, mas o senhor presidente também representa os jogadores do FCP e não deveria ter caído nessa armadilha. Essa forma de desvalorizar o campeão, é um absurdo e só caberia se o FCP tirasse mais proveito da situação que os outros clubes que consigo competiram directamente. É “tão batoteiro” o vencedor do campeonato, como a eleição do jogador do mês patrocinado pelo STJF, pois a batotice reinante que denuncia, faz com que os jogadores não compitam para esse título em igualdade de condições.
E todos sabemos que os casos conhecidos são apenas a ponta do iceberg. Os jogadores (os trabalhadores em geral) com menor poder reivindicativo e com menos mercado, sujeitam-se, calam-se e esperam resolver os problemas a bem, sob pena de perderem pau e bola. É preciso atentar na situação e prever sanções para os prevaricadores, mas nada de matar o doente com a cura.

E a concorrência desleal não vem apenas dos salários em atraso, das dívidas ao fisco ou à Segurança Social. Procure, senhor presidente, que há-de encontrar muitas outras discriminações, como por exemplo o estatuto excepcionalmente favorável dos clubes da região autónoma da Madeira.

Depois do que li, e ouvi, ainda hoje, sobre a listagem dos clubes com os salários em atraso relativo ao mês de Abril (cuja denúncia considero mais um excesso de zelo, para presidente se exibir), acho que Joaquim Evangelista gosta de se ouvir e estará, provavelmente, a preparar a sua saída. Definitivamente, está a prejudicar o SJPF. Vamos esperar para ver.