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terça-feira, 24 de maio de 2011

Onde está a cabeça de Fernando?


Fico feliz por estar neste grande clube, mas vamos ver. Depois de tudo o que vivemos e daquilo que conquistei aqui dentro, vários títulos, que foram oito, penso que a melhor altura para sair seria esta. Fala-se muito na Itália, mas vamos ver. (…) todos os jogadores sonham em jogar em grandes campeonatos.

Estas declarações de Fernando, feitas imediatamente após a Final da Taça de Portugal, são reveladoras do estado de espírito do jogador, sendo claro que, para ele, se fechou um ciclo no passado domingo.

Ao ouvi-las, lembrei-me de declarações idênticas feitas no mesmo local, há um ano atrás, por Raul Meireles e Bruno Alves. Por outro lado, não pude deixar de rever mentalmente as últimas exibições que Fernando fez ao serviço do FC Porto. De facto, quer na Final da Liga Europa, quer no jogo do Jamor, o trinco brasileiro esteve vários furos abaixo do habitual, revelando uma grande desconcentração competitiva e cometendo erros crassos que, não fora as extraordinárias defesas de Helton e Beto, poderiam ter comprometido o sucesso da equipa nestas duas competições.

Aparentemente, a cabeça de Fernando já está noutro clube/campeonato (Itália?) e, assim sendo, penso que se houver uma boa proposta (12 a 15 milhões de euros), a Administração da FC Porto SAD faria bem em vender o seu passe, mesmo por um valor abaixo da cláusula de rescisão, até porque existem alternativas no plantel.
Quais?
Para além das possíveis adaptações de Guarín, Moutinho ou Castro à posição 6, existe Souza, o qual, na próxima época, já estará perfeitamente adaptado ao futebol português, ao clube, aos companheiros de equipa e às ideias de André Villas-Boas.
Não por acaso, no momento em que partiu para férias no Brasil, o ex-Vasco da Gama afirmou: “Sabemos que a Europa tem equipas de maior expressão e o Fernando quer conhecer outros ares. Ele tem essa possibilidade e, se acontecer, vou ficar feliz não só por ter a oportunidade de jogar mais, mas sobretudo por ele e pela sua família.

Havendo, como há, boas alternativas no plantel, só falta uma proposta aceitável para que todas as partes fiquem satisfeitas: Fernando, Administrador Financeiro da SAD e… o Souza!

terça-feira, 19 de abril de 2011

Uma vítima dos twitter's?

Sábado - 13h00
INDO ALMOÇAR COM MINHA ESPOSA , AMANHA FC PORTO X SPORTING VOU ENTRAR JOGANDO AMANHA ASSISTAM !!!
depois de várias respostas de agradecimento, pelos incentivos recebidos, escreve:

Sábado - 21h32
VENDO JOGO DO REAL X BARÇA NO SOFA DE CASA COMENDO SOPA RS , AMANHA TEM PORTO X SPORTING CLASSICO PORTUGUES VOU JOGAR
o homem estava tão contente que até divulgou um concurso:
FAREI O SORTEIO DE UMA CAMISA DO PORTO AUTOGRAFADA , ESPALHEM POIS SERA DAQUI A 1 SEMANA .. FAREI UMA PERGUNTA FACIL RS SOBRE MIM...
O Jogo hoje diz que no Domingo escreveu no Facebook:

Não confia em mim, me libera

Mensagem que terá apagado pouco tempo depois.

E ao final do dia, o Souza - que é a figura central desta história, ficou pelo banco de suplentes.


Este é só mais um caso de má utilização das redes sociais, e se eu tinha algumas reticências na imposição de regras, como as que já foram anunciadas para o próximo ano, começo a dar-lhes alguma razão de ser.

Sempre acreditei na auto-regulação, as pessoas devem ser minimamente inteligentes para saberem defender-se, e só divulgarem e/ou falarem sobre aquilo que as não compromete e que não implica estratégias de equipa - quer seja numa empresa, quer seja numa equipa de futebol, quer seja em termos individuais. Melhor que isto, só mesmo o pessoal que divulga que a casa vai ficar vazia durante x dias.

Não sei se neste caso, lhe foi mesmo dito que ia jogar ou se ele entendeu mal, e percebo que ele tenha ficado feliz mas era escusado andar a divulgar isso aos sete ventos, e ao preservar-se só se estava a proteger a si próprio e à equipa. Por algum motivo é que a constituição da mesma não é divulgada pelo treinador 24 horas antes.

Não sei se o AVB o ia meter ou não, e se não o meteu por "castigo", mas se o fez percebo perfeitamente o porquê.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Favoritismo e estatuto confirmados


Como se esperava, o FC Porto termina esta fase de grupos da Liga Europa com mais uma vitória, diante de um CSKA Sofia que, em 90 minutos de futebol, apenas deu um fogacho de bom trato na bola. Um jogo que não foi muito exigente, e sem obrigações de maior, bem à medida das necessidades da nossa equipa, gerindo o esforço para aquilo que de mais importante aí vem, já no próximo fim de semana na Mata Real.

À já anunciada titularidade de James Rodriguez, André Villas-Boas escalou para o onze inicial Souza para a posição de pivô defensivo. Fucile, Otamendi e Walter completaram a lista de escolhas, que visava não só a rotatividade que vem sendo implementada pelo nosso treinador, mas também a adopção de um sistema algo alternativo, numa espécie de 4-1-3-2.


A pouca réplica dos Búlgaros não esclarece a eficácia do novo modelo de jogo. Ainda assim, foi possível vislumbrar entre as diversas alterações que, por detrás daquela aparência “balofa” de Walter, se esconde um jogador capaz de deambular com afinco pelas laterais e, com capacidade de gerar perigo na baliza adversária. James e, especialmente Otamendi, fizeram também questão de demonstrar a Villas-Boas que estão na luta por uma vaga na equipa.

Como já se disse, a vitória não merece o menor reparo. Apenas um ligeiro parêntesis no jogo provocado por Delev, com a complacência de Maicon, que sofre por hora do síndrome “eu é que sou bom”, lançou um pouco de poeira no resultado. Os números finais pecam por escasso, dado o caudal e as oportunidades criadas pelo Dragão.



Por entre os pormenores de classe de Falcao – que contrasta com a sua aselhice na marca de 11 metros – da vivacidade de James, da fogosidade de Walter, do ritmo de Álvaro Pereira ou da intensidade de Moutinho, neste jogo apenas Souza pareceu perdido no campo, mergulhado num mar de dúvidas do que é ser “volante” no futebol Europeu. A perder espaço no plantel azul e branco, tal como o já aqui referido Maicon. Mas esse, não por falta de qualidade, mas por viver no presente alguns dogmas existenciais.

O brilhantismo com que o FC Porto encerra as contas da fase de grupos da Liga Europa, faz jus aos seus pergaminhos internacionais. O destaque e atribuição de algum favoritismo à nossa equipa nesta prova, parece, até ao momento, não assustar os nossos jogadores. Mas, a realidade, é que só agora vai começar a verdadeira competição.

Fotos: uefa.com

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Moutinho, Rúben e Souza


Não pensava que o FCP pudesse estar, e muito menos nesta fase de arranque, claramente à frente dos seus concorrentes directos. Obviamente que o campeonato ainda agora começou, mas sempre pensei que iríamos ter um início mais atribulado. E, como a tendência será para melhorar, é possível que o FCP esteja a formar uma equipa competitiva e progressivamente mais confiante. E a praticar um melhor futebol, o que já tomamos como um desígnio da equipa e uma exigência do treinador.

Embora a vitória valha sempre 3 pontos, foi nos jogos mais difíceis que estivemos a um nível superior. Ainda não esmagámos, mas fomos claramente superiores aos adversários nos jogos com o SLB e SCB. Contra a Naval e o Rio Ave, fomos superiores, mas não fomos suficientemente consistentes.

A defesa está a melhorar. Fucille e Otamendi são opções credíveis, sendo que o primeiro funciona tão bem na direita como na esquerda. Na frente o trio actual deverá manter-se, mas falta-nos um avançado. Temos o Falcão, o Walter e o Hulk como recurso. É muito pouco relativamente à concorrência e à rotação que o treinador será obrigado a recorrer para a equipa se apresentar de forma condizente em todas as provas em que participa.

No meio campo é que (ainda) a coisa não funciona tão bem como é desejável. Se Fernando e Beluschi estão em crescendo e a preencher funções que antes não desempenhavam, pois o primeiro já sobe e constrói, enquanto o segundo, sem perder o perfil de play maker, pressiona mais e defende melhor, considero, ao invés, que Moutinho e Rúben ainda estão longe da produção que prometiam. Lutam, mais o primeiro que o segundo, mas têm sido pouco decisivos ma última fase de construção. Entram pouco nas faixas para permitir as diagonais aos alas, e quase não arriscam em movimentos de ruptura.

Creio que não é apenas um problema de adaptação. O Moutinho e o Rúben eram as referências das equipas a que pertenciam, que se estruturavam em função do perfil de cada um, o primeiro um permanente motor em alta rotação, o segundo mais criativo e explosivo na última fase de construção.

Obviamente que nem um nem outro confirmaram (ainda) as qualidades demonstradas e ainda são personagens à procura do ritmo certo. Oxalá continuem a porfiar e não desistam. É que naquela zona do terreno têm de contar com o Souza que vai ser uma certeza, pois nos minutos que jogou provou um enorme potencial, e Guarin que tem predicados que o tornam muito útil, em jogos que exijam mais músculo.

Ukra, Castro, Rafa e James não conto muito com eles, enquanto espero que o Rodriguez não se acomode, pois se recuperar a sua melhor condição física é uma opção válida para jogar na ala esquerda.

"Bigorna" é o nome de guerra de Walter, um avançado brasileiro possante, capaz de esburacar defesas sólidas e possuidor de um pontapé forte e bem colocado – por isso o apelido. Walter é um jogador polivalente, capaz de actuar como segundo avançado ou como ponta-de-lança fixo, embora tenha características de jogador mais móvel e capaz de explorar os espaços vazios. Este é o cartaz. Falta comprovar.

Helton dá-me toda a confiança e tem sido uma surpresa como capitão. Muito bem!
Este FCP não é vintage, mas tem futuro. Desejo ao AVB toda a sorte do mundo. Acho que o seu trabalho será decisivo no progresso da equipa.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

As dispensas do FC Porto

Por Filipe Sousa

A cada defeso – “época em que é proibido caçar” – a minha esperança, e a de outros portistas, é a de que, finalmente, o Porto faça uma dieta na sua extensa folha de pagamentos. Neste defeso, mais do que em qualquer outro de entre os mais recentes, é (ou seria) absolutamente obrigatório que essa dieta se concretizasse, dado que os milhões da Liga dos Campeões vão passar ao largo. Algumas vozes defendem - e estou basicamente de acordo - que um corte relevante nos custos com salários de jogadores que, muitas vezes, não chegam a fazer um único jogo oficial pela equipa principal, permitiria contratar jogadores mais “conceituados”. Ou seja, em vez de manter 10 jogadores emprestados de qualidade duvidosa – e neste grupo não incluo as “promessas” oriundas da formação, como são exemplos Ricardo Carvalho, Castro e Ukra, poder-se-ia contratar um ou dois jogadores de créditos firmados e com salário condizente com a sua “fama”.
Este é um dos cenários óptimos. Agora a realidade, e no caso específico do “meio-campo”.

A acreditar nas notícias, Castro, Pelé, Fernando e Souza, vão lutar por um (ou dois?) lugar(es) no plantel principal, durante o próximo estágio de pré-época. A “nota dissonante” aqui é precisamente o recém-chegado Souza, que, de novo, a acreditar nas notícias, não foi “pedido” ou “exigido” por Vilas (ou Villas?) Boas (VB), mas teve apenas o seu aval. Um parêntesis aqui. A juventude e famigerada inexperiência de VB, causam-me mais temor na sua convivência diária com os “tubarões” que gerem o Porto, do que nos confrontos com Manuel Machado, Rafa Benítez, Jorge Jesus ou o aprendiz de Jorge Jesus, José Mourinho.

De volta ao Souza. Tendo apenas o aval de VB, 20 e poucos anos, e nenhuma experiência de futebol europeu, não lhe auguro grande futuro no plantel principal nos próximos tempos. Logo, a conclusão óbvia é que se trata de mais uma “aposta de futuro”. Tendo em conta que certamente o Pelé, não vai agora “abrir o livro”, estes dois mais o Prediger, vão durante sabe-se lá quanto tempo continuar a pesar nas contas do Porto, sem oferecerem qualquer tipo de retorno. A pergunta é “para quê”? Mesmo que o Fernando seja transferido e o Castro tome o seu lugar, é no Souza que se vai apostar, no caso de lesão do Castro? Faz sentido manter esta política de “contratar para emprestar” (por somas relevantes, note-se), num ano que se prevê de “vacas magras”? Todos estes custos distribuídos, não permitiriam contratar um jogador com créditos firmados, e até manter outros?

Acreditei que os desaires da época passada (apesar do grandioso orçamento), de entre os quais a não qualificação para a Liga dos Campeões é de longe o mais gravoso, fizessem o Porto voltar a uma gestão mais "terra-a-terra", a uma política de contratações mais objectiva e ponderada, porque o tempo, até pelos factos relatados pelo José Correia no recente post “Do Terreiro do Paço nem bom vento…”, não permite grandes aventuras. Mas a aposta parece ser – até ver – na continuidade. E agora já não há a desculpa recente e recorrente, que todas as dúvidas abafa: (não) somos campeões. A margem de erro está substancialmente reduzida e a mudança de treinador pode resolver alguns problemas, mas não soluciona todos, e as contratações por “tentativa e erro” – como no fundo são todas – têm, mais tarde ou mais cedo, de deixar de ser feitas completamente às cegas. Este é um ano fundamental, (como sempre) mais importante que anterior mas que começa (quase) da mesma forma – mais uma época de fracasso pode embalar definitivamente o Clube do Regime - que não desdenha dos erros alheios, como o Porto outrora fez - para uma espiral de aumento de impost… perdão, de vitórias difícil de contrariar.

Nota final: O 'Reflexão Portista' agradece ao Filipe Sousa a elaboração de mais este artigo.