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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Jogar à Porto sem jogadores à Porto


Depois do empréstimo de Maicon ao São Paulo - prévia renovação de contrato para comprar o silêncio de quem não explicou sequer, como devia como capitão, aos sócios e adeptos o motivo do seu comportamento e as suspeitas levantadas pelos familiares nas redes sociais - o plantel do maior clube português conta apenas com 3 jogadores com mais de dois anos de primeira equipa. Sim, leram bem. Em 25 jogadores, o FC Porto tem 3 jogadores com mais de dois anos de azul e branco e dragão ao peito. Soa a ridículo. E se soa, é porque o é. Sobretudo quando este clube, talvez mais do que nenhum outro, se fez grande precisamente imprimindo um estilo próprio - "o jogar à Porto" - com jogadores que sentiam a mística do clube e a interpretavam como ninguém depois de incorporar todos os conceitos mais básicos do portismo servindo de porta-estandartes para os que vinham depois.

O FC Porto sempre foi um clube de ciclos curtos até mesmo na realidade pré-Bosman. Sempre tivemos jogadores estrangeiros - e até aos anos 70 em proporção superior ao dos rivais de Lisboa que usavam a "batota" das colónias para manterem-se competitivos - e sabíamos que os jogadores da casa que se destacavam tarde ou cedo teriam tubarões atrás. Para contra-balançar essa realidade criou-se, sobretudo com a chegada de José Maria Pedroto e Pinto da Costa, uma genuína cultura de balneário assente em jogadores que - formados em casa ou contratados cedo na sua carreira - formavam um núcleo duro que raramente se rompia. Sabiam que não eram provavelmente nem os segundos melhores na sua posição mas que, em conjunto, eram invencíveis. Esse espírito cimentou a história do FC Porto até há bem poucos anos. Das gerações dos operários de Pedroto e Artur Jorge passou-se aos homens lançados nos anos noventa nos mandatos de Carlos Alberto Silva, Bobby Robson e António Oliveira e projectados para o novo milénio por Fernando Santos. Ano sim, ano também o FC Porto continuava a ser o que sempre foi, um clube vendedor. Não havia dúvidas, já com a lei Bosman em acção, que futebolistas como Jardel, Zahovic, Deco, Sérgio Conceição, Vítor Baía, Fernando Couto e afins tinham mercado e iam sair. Mas havia sempre os que ficavam - os Paulinho, os Aloísio, os Folha, os Jorge Costa - - ou os que saiam já muito tarde na carreira depois de ter dado tudo o que tinham. Entre uns e outros o clube garantiam ter sempre uma dezena de futebolistas imbuídos no espírito da casa. Os treinadores mudavam, as estrelas iam e vinham, mas eles seguravam o edifício. Mesmo no pós-Gelsenkirchen, quando a razia fez-se mais evidente, soube-se encontrar veículos de transmissão e jogadores que, vindos de fora, aprenderam depressa a lição como demonstrou sempre Lucho Gonzalez, João Moutinho ou Hulk que, sem ser da casa ou dos arredores, souberam ser "jogadores à Porto".

Ora, face à politica comissionista, a politica de "contentores", de relações com fundos e agências, perseguida de forma implacável e sem olhar para trás da coluna dirigente - uma politica que se aplica cada vez mais à própria formação, contratando-se jogadores por cinco vezes mais o seu valor em negócios difíceis de explicar (Juca, da próxima vez tenta lá fazer jornalismo a sério e perguntar a Pinto da Costa os porquês detrás dos negócios Kayembe, Victor Garcia ou a renovação de Ruben Neves e os 5% para o irmão de um dos administradores) - o espírito à Porto tem vindo a desaparecer. Os próprios homens - ou homem, se quiserem - que alimentaram com êxito e visão essa política de jogadores da casa ou imbuídos no espírito da casa, são os mesmos - ou, o mesmo, se preferirem - que se encarregaram de dinamitar essa realidade. Hoje, em Fevereiro de 2016, o FC Porto tem 25 jogadores inscritos no primeiro plantel e desse lote há três futebolistas que têm mais de dois anos de primeira equipa. A saída de Maicon - veteraníssimo e capitão por antiguidade, que não por mérito próprio de liderança - outro sinal evidente de que algo está podre - deixou Helton, Varela e, pasmem-se, Herrera, como os nomes mais antigos no balneário.
Helton é o rei dos veteranos e um farol de portismo absoluto que suportou estoicamente tudo - de criticas a lesões quase impossíveis de recuperar a lugares de suplente difíceis de explicar - e Varela um jogador que quis forçar a sua saída mas que escolheu o destino errado e foi forçado a voltar com o rabo entre as pernas. O terceiro em discórdia, Herrera, não podia ser maior patinho feio (herda o posto na hierarquia de Maicon) e seguramente é jogador com guia de marcha em Junho. A estes podem juntar-se ainda Ruben, Chiodzie, André André ou André Silva, com passado mais ou menos largo na formação mas com muito poucos kms de equipa  principal.
Em comparação o Benfica tem 9 jogadores com mais de dois anos de primeira equipa - a que podem juntar outros seis da formação num total de 15 futebolistas - e o Sporting tem 11 jogadores no primeiro plantel com mais de dois anos de casa a que podem juntar ainda outros dois jogadores da formação para um total de 13.
Esta é a nossa triste realidade. Algo de quem não tem culpa Paulo Fonseca, Julen Lopetegui e, naturalmente, muito menos, José Peseiro. Os treinadores no FC Porto são excelentes bodes expiatórios mas os ciclos têm sido tão curtos e o seu poder tão exíguo que na hora da verdade só existe um local para onde se olhar para apontar culpados a esta realidade.

Ninguém pode criticar uma política que tem décadas - a de comprar barato e desconhecido, vender caro e preparando estrelas de primeiro quilate para outros - a funcionar perfeitamente. Esse não é nem nunca foi o problema do FC Porto entre outras coisas porque é algo absolutamente inevitável. China e Premier serão amanhã o que a liga espanhola, francesa e russa foram no passado. Não, esse não é o problema. O problema está no orçamento descontrolado - ano após ano - nas exíguas mais valias entre comissões, vendas de percentagens e investimentos em activos cada vez mais caros e, sobretudo, na ausência de uma visão desportiva - o FC Porto é um dos poucos clubes de elite que não conta com um Director Desportivo digno de usar esse titulo - que garanta que paralelamente a esses negócios necessários exista uma guarda pretoriana que garanta que os que venham a seguir saibam o que é "jogar à Porto". Ninguém está a pedir que existam dez jogadores que fiquem uma década no clube, um cenário que é cada vez mais irreal em qualquer liga. Mas ter apenas três jogadores - dois suplentes e um mal amado - é cair no fundo. Para o próximo ano ninguém sabe que será dos três. Podem estar cá todos ou até mesmo nenhum o que faria de Ruben Neves (se fica, que esperemos que sim), o mais veterano do plantel. Um miúdo da casa não pode levar esse peso nos ombros com 20 anos de idade. É o caminho mais curto para atropelar uma futura referência. Todos antes dele que prometiam muito, de Gomes a Postiga, tiveram em quem se apoiar. Ruben pode acabar só como o último sobrevivente do espírito de jogador à Porto num plantel sem jogadores - formados ou comprados, nacionais ou estrangeiros - que saibam realmente o que isso significa. Não é por casualidade que até Sapunaru - um desses estrangeiros que souberam entender isso de ser um "jogador à Porto" - afirmou publicamente o choque que lhe provocou visitar o Olival. E ele, mais do que nós, sabia por dentro o que o Porto foi e o que o Porto é hoje.

Ás vezes, entre resultado positivo e resultado negativo, entre bola na trave e bola dentro, estas questões ficam esquecidas mas depois, quando as coisas correm mal, todos levantam a cabeça à procura de referências mas hoje em dia só as encontram nos jogos de veteranos. O gesto de Maicon só é possível no contexto deste FC Porto do pós-pintocostismo com Pinto da Costa, um clube sem lideres a nenhum nível e onde os jogadores vêm trabalhar todos os dias como se estivessem noutro sítio qualquer.
   

domingo, 26 de julho de 2015

Um Ensaio Trôpego



Foi fraquinho, mas estes jogos têm pouca importância do ponto de vista de resultado e até de exibição. Servem para aquecer os motores. Além disso, defrontámos o 3º classificado da Bundesliga.

PONTOS POSITIVOS

Em termos colectivos é difícil salientar pontos positivos, mas individualmente sempre se salientaram:

Aboubakar - tem sido insistente a notícia de que o FC Porto procura um ponta de lança, embora alguns dos nomes ventilados só possam cair no reino da fantasia, mas Aboubakar fez um excelente jogo, não só na sua comprovada eficácia de homem de área - excelente finalização no nosso golo - como no apoio que deu à equipa, recuando frequentemente.

Varela - Esta espécie de filho pródigo regressou com aparente vontade de impressionar. Há duas facetas "varelianas": a da molenga e a da eficácia. Esta última preponderou, especialmente na jogada do golo.

Marcano - não que tenha deslumbrado, mas cada vez me sinto mais seguro ao ver este homem no centro da nossa defesa. Decidido e firme.

PONTOS NEGATIVOS

O 4-4-2: não é o modelo que acho negativo, mas o modo como se apresentou. Jogar em 4-4-2 não é enfiar quatro médios, sejam quais forem as suas características, no meio-campo, e toca a andar. Se já temos uma monocórdica tendência a trocar a bola sem proficuidade, com quatro homens a meio-campo a coisa pode tornar-se verdadeiramente empastelante se entre eles não constar um tipo que seja capaz de furar "na vertical", como agora se diz.

José Angel - quando ataca até se lhe notam qualidades, mas na defesa este fulano chega a ser sobressaltante.

Maicon - bateu o recorde de biqueirada para a frente em toda a carreira, até agora detido por um voluntarioso central do Ramaldense dos anos 60. A FIFA presenteou-o com uma medalha comemorativa da efeméride. Não se confirma que vai para o Manchester United.


segunda-feira, 23 de junho de 2014

Varela mantém Selecção ligada à maquina...


No jogo do tudo ou nada a Selecção voltou a falhar em toda a linha. Valeu o golo salvador de Silvestre Varela para levar a decisão para o último jogo. Mesmo assim o apuramento só será possível com uma vitória por 5 golos sem resposta ao Gana.
Mais um jogo com substituições forçadas por lesões na equipa lusa, o que demonstra bem o estado físico da maioria dos atletas. A época nos clubes foi desgastante mas só o caso de Cristiano Ronaldo serve de atenuante para Paulo Bento. Todos os outros foram escolhas que muito espantaram quem esteve atento à convocatória e ao trajecto de vários jogadores nos últimos meses.

Em 19 de Maio, o José Correia chamou a atenção, aqui, para essa situação:
“Nani. De 07-12-2013 até agora participou em três jogos (!!) do Manchester United, num total de 134 minutos! (…)
Vieirinha. Sofreu uma lesão gravíssima em 24-09-2013 e só regressou aos relvados quase sete meses depois, no dia 12-04-2014. (…)
Éder. Teve várias lesões ao longo da época e, de 07-12-2013 até agora, participou em cinco jogos do SC Braga, num total de 246 minutos. (…)
Hélder Postiga. Transferido para a Lazio em Janeiro, participou em cinco jogos da equipa de Roma, num total de 139 minutos e zero golos marcados! (…)
Se a escolha já estava feita (de acordo com um “critério técnico-tático”…), independentemente dos jogadores estarem em boa forma ou não, aliás, independentemente dos jogadores terem sequer jogado regularmente pelos seus clubes nos últimos seis meses, porquê tanto show-off?”

Na altura, a convocatória não estranhou à imprensa lusa, mais preocupada em relatar a "histeria brasileira com a chegada do melhor do mundo". Agora as coisas vão começar a fazer sentido.
Do grupo acima referido, o Nani esteve muito bem a espaços, pelo golo que marcou, pela bola no poste e por ter sido dos poucos que não mostrou medo em tentar o remate à baliza americana. No entanto também fez passes errados e deixou Jones rematar para um grande golo. Vieirinha nem calça pelo que não vamos chegar a saber em que condição física está. Éder é pouco experiente e nada útil no estilo de jogo desta equipa, dado que precisa de vir atrás buscar bolas e de saber jogar de costas para a baliza. Hélder Postiga nem 15 minutos aguentou! A Selecção está presa por arames.

É quase caricato que William Carvalho não seja o titular na sua posição. Apesar de um ou outro erro fez uma óptima e esclarecida exibição no meio da hecatombe. E Ricardo Costa, titular forçado pelo castigo a Pepe, fez também ele uma excelente exibição. Mas lá está: os titulares há muito que estavam definidos, ainda que por um “critério técnico-táctico” de difícil explicação.

O presidente da FPF cometeu um erro enorme ao renovar com Paulo Bento antes do Mundial. Tudo correu mal, desde o planeamento das estadias à escolha dos jogadores. No final o seleccionador terá de ser responsabilizado.

Quanto ao slogan jornalístico luso deste mundial, esse será "E Tudo o Bento levou"...

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

O FCP ganhou mas pôs-se a jeito

Varela e Herrera, Gil Vicente x FC Porto (fonte: LUSA)

Contra um Gil Vicente muito fraquinho, que demonstrou o porquê de não ganhar um jogo desde o dia 3 de Novembro, os dragões, sem acelerarem, poderiam (deveriam!) ter ganho este jogo em Barcelos por três ou quatro golos de diferença.

Mas este FC Porto 2013/2014 teima em sofrer (e fazer sofrer os adeptos portistas) até ao apito final do árbitro.

Um exemplo: minuto 89, canto a favor do FC Porto.
Canto marcado, a bola regressa aos pés de Josué, que insiste e volta a bombear a bola para a área, os jogadores que equiparam de azul e branco perdem, mais uma vez, o duelo na área gilista, a equipa portista está mal posicionada no terreno, os galos partem num contra ataque rápido e Fernando é obrigado a fazer uma falta sobre Hugo Vieira (e vê um cartão amarelo) para evitar um lance de perigo. Em certos aspetos, parecia o lance em que Herrera foi obrigado a fazer falta sobre Hulk, no FC Porto x Zenit.

Inexplicável a forma como, dois minutos após ter chegado ao 0-2, a equipa portista consentiu o 1-2. As facilidades consentidas (os gilistas trocaram a bola à vontade à frente da baliza defendida por Helton) pareciam de uma equipa de juvenis.

Também inexplicável é que Paulo Fonseca tenha mantido Quaresma em campo quase 70 minutos. Num relvado em muito mau estado, em que se exigia vestir o fato-macaco, ver um gajo a andar em campo com tiques de vedeta (os outros que corram por mim…) e uma atitude de mete nojo é algo que me tira do sério. E, precisamente devido à sua atitude pouco profissional, até podia ter visto um 2º cartão amarelo.

Menos inexplicável foi a exibição de Herrera. Quando eu me atrevi a sugerir que devia ser o médio mexicano e não Lucho o “número 8” do FC Porto, quase que caía o Carmo e a Trindade, até porque não faltava quem dissesse que Herrera não valia nada e a sua contratação tinha sido um flop. Afinal…
Herrera fartou-se de recuperar bolas (pulmão não lhe falta) e, além disso, foi o principal impulsionador do ataque azul-e-branco. Se (quando) melhorar a forma como conclui as suas arrancadas e aprimorar a finalização, vai ser um caso sério no meio campo portista.

Finalmente, um “Drogba da Caparica” ao seu melhor nível que, entre outras coisas, marcou dois golos (falhou o hat-trick muito por culpa do miserável estado do relvado). Pela 3ª ou 4ª vez esta época, Silvestre Varela foi o MVP de um jogo do FC Porto. Nada mau…
É caso para dizer, que diferença entre as exibições do “patinho feio” e do “mustang”!

Em resumo: Dois golos, uma bola ao poste, mais meia dúzia de oportunidades flagrantes e um penalty (mais um!) por assinalar a favor do FC Porto.

O FCP ganhou bem, a justeza da vitória é indiscutível mas, em grande parte, por causa das fragilidades defensivas que vem evidenciando nesta época, pôs-se a jeito.

P.S. Mais uma vez Ghilas entrou depois do minuto 85 (desta vez foi ao minuto 87). E com Jackson a fazer um dos piores jogos desta época, quem saiu foi… Varela.

domingo, 19 de janeiro de 2014

Boa vitória, goleada desperdiçada

FC Porto x Vitória Setúbal (foto: REUTERS)

Um bom Porto, um mau Vitória, uma boa vitória e uma goleada desperdiçada.

1-0 aos 10 minutos.
2-0 aos 35 minutos.
Com o golo da tranquilidade (e que golo!) alcançado, por Silvestre Varela, a cerca de uma hora do final do jogo; com um trio de ataque azul-e-branco inspirado e uma defesa cor de laranja atarantada (ficou ainda pior depois da lesão de Javier Cohene), pensei que o resultado só ia parar nos cinco ou seis a zero.

Assim não aconteceu, essencialmente porque os jogadores do FC Porto não quiseram. Abrandaram, reduziram a intensidade, diminuíram o número de metros percorridos (nenhum jogador do FC Porto atingiu os 9 quilómetros percorridos) e passaram a "gerir" tranquilamente o jogo.

Após a entrada de Josué, para substituir um Lucho que me pareceu cansado, a equipa portista, que estava meio adormecida, ganhou uma injecção de ânimo, voltou a criar oportunidades e chegou naturalmente ao terceiro golo (mais um golaço de Carlos Eduardo).

Para além dos golos de Varela e de Carlos Eduardo, que deverão entrar para o top 10 do campeonato e que, por si só, valeram o preço do bilhete, este jogo confirmou que o trio de ataque para a 2ª volta do campeonato está encontrado.
Jackson marcou o seu 13º golo no campeonato e o 19º em jogos oficiais esta época; Varela (um habitual patinho feio) está ao seu melhor nível; falta Quaresma atingir uma boa forma física e começar a entender-se melhor com Danilo e... Jackson.

Com Maicon de novo titular (ainda não percebi por que razão Paulo Fonseca preferiu Otamendi no jogo da Luz), deste jogo sobra a dúvida do meio-campo.
Lucho vai continuar a ser titular indiscutível?
Herrera, Defour, Josué e Quintero, não serão médios a mais no plantel para, em condições normais, jogarem um total de 20-25 minutos por jogo?

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

As alas são um problema?

O JOGO, 06-01-2014

7 portistas que podem jogar na ala: Quaresma, Varela, Licá, Kelvin, Josué, Ricardo e Quintero.
O JOGO, 06-01-2014

«(…) Varela está em grande. E Kelvin finalmente conta. Licá é o extremo portista que melhor defende (…) Meia época depois, os extremos já não são um problema do FC Porto. (…)
André Morais, O JOGO, 06-01-2014


Para além dos sete jogadores referidos por O JOGO que, esta época, já jogaram nas alas (nos casos de Josué e Quintero, num posicionamento e movimentação parecidos com o de James na época passada), há ainda Ghilas, o qual, conforme se viu no último jogo (FC Porto x Penafiel, para a Taça da Liga), também poderá ser uma alternativa, numa lógica semelhante à de Derlei em 2002/03 ou de Lisandro em 2005/06.

Olhando para estas oito opções, o mais provável é que Paulo Fonseca opte por Varela e Quaresma que, juntamente com Jackson, deverão formar o trio de ataque que irá ser mais utilizado na 2ª volta do campeonato.

A confirmar-se este cenário e atendendo às características deste lote de jogadores, Kelvin poderá ser uma alternativa a Quaresma (o extremo titular mais tecnicista) e Ghilas uma alternativa a Varela (o extremo titular mais possante).

E Licá?
Licá brilhou na época passada ao serviço do Estoril, mas parece-me ser um jogador que muito dificilmente encaixa no 4-3-3 tradicional do FC Porto. Isto porque, não sendo um jogador tecnicista (tem muitas dificuldades nos duelos um-contra-um) e não sendo um jogador possante, Licá é um jogador que necessita de espaço para potenciar o seu futebol.
Ora, não havendo espaço no relvado para as “cavalgadas” de Licá, penso que o ex-estorilista também irá perder espaço nas convocatórias de Paulo Fonseca.

Quanto às restantes duas opções – Josué e Quintero – o seu lugar natural é no meio e não nas alas, possivelmente como alternativas ao Carlos Eduardo (ou vice-versa).

Seja como for, não me parece que as alas sejam um problema.

Precisamos, isso sim, que Paulo Fonseca estabilize um onze com todos os jogadores nas suas posições naturais e que saibam interpretar o modelo de jogo idealizado pelo treinador. Matéria-prima não falta.

sábado, 19 de outubro de 2013

Missão cumprida com serviços mínimos

(fonte: Maisfutebol)

Um FC Porto de serviços mínimos, contra um Trofense entrincheirado no seu meio-campo, deu como resultado uma vitória por 1-0 e a passagem do FC Porto à próxima eliminatória da Taça de Portugal.

A Taça de Portugal, tirando a final, ou eliminatórias contra o slb e em menor medida contra o sporting, não é uma competição que me desperte grande interesse.
Neste jogo, o meu interesse esteve em ver como se comportavam jogadores nunca/raramente utilizados por Paulo Fonseca na equipa principal - Victor Garcia, Diego Reyes, Carlos Eduardo, Ricardo, Ghilas, Kelvin - contra uma equipa que ocupa o último lugar da classificação da II Liga.

Gostei das exibições de Diego Reyes (ao contrário de Maicon, não me lembro de uma única falha), de Carlos Eduardo (salvaguardando as devidas distâncias, tem um estilo aproximado ao de Deco) e principalmente de Ricardo que, juntamente com Fernando, foi o melhor da equipa portista.

Olhando para o lote de extremos do FC Porto, penso que Ricardo justificaria mais oportunidades. E Carlos Eduardo também, até porque é um jogador que tem cumprido sempre, quer pela equipa B, quer nas poucas vezes em que foi chamado à equipa principal.

Enfim, como jogo de preparação, para os jogos contra o Zenit e Sporting, não foi mau. A maior parte dos habituais titulares foram poupados para as batalhas que se avizinham, ninguém se aleijou e Paulo Fonseca ficou a saber que pode contar com outros jogadores do plantel que tem à sua disposição.

P.S. Juntando o Portugal x Luxemburgo e o FC Porto x Trofense, esta semana foi Varela 2, MST 0.

P.S.2 Cinco meses depois, Kelvin voltou a jogar no Estádio do Dragão.

P.S.3 Mais de 21 mil espectadores? Bem bom...

domingo, 4 de agosto de 2013

Bons sinais

FC Porto x Nápoles (foto: Maisfutebol)

O jogo de hoje contra o Nápoles mostrou alguns bons sinais. O principal foi a boa forma atual de Silvestre Varela, o "patinho feio" de Miguel Sousa Tavares (e não só) e que já ontem, contra o Galatasaray, tinha sido um dos melhores jogadores portistas, precisamente no melhor período da equipa (os primeiros 45 minutos).

Entre os novos, gostei do que vi fazer Quintero. Comparando com James Rodriguez nas mesmas circunstâncias (duas ou três semanas após chegar ao FC Porto), parece-me que o novo Nº 10 do plantel não fica a perder. Falta saber se e onde é que Paulo Fonseca irá encontrar lugar para este novo talento colombiano no onze titular.

Também Herrera deu boas indicações, nomeadamente na 2ª parte. Se Fernando não sair, a luta com Defour por um lugar no meio-campo portista vai ser interessante.

Juntando a 1ª parte do FC Porto x Galatasaray com a 2ª parte do FC Porto x Nápoles, teríamos um bom jogo para esta altura da época.

sexta-feira, 29 de março de 2013

Lesões e Seleções

«João Moutinho, Varela e Defour já estiveram esta quinta-feira no Centro de Treinos e Formação Desportiva PortoGaia, no Olival, onde Vítor Pereira dirigiu mais um treino do FC Porto, que prepara a deslocação ao terreno da Académica (24.ª jornada, sábado, 18h15). Porém, os internacionais portugueses não estiveram no relvado: o primeiro [Moutinho] efectuou trabalho de recuperação no ginásio, enquanto Varela apresentou uma mialgia no adutor direito e limitou-se a tratamento. (...) Jackson Martínez e James, que estiveram ao serviço da Colômbia e tiveram o desgaste acrescido de uma viagem intercontinental, ainda não estiveram no Olival»
in www.fcporto.pt, 28-03-2013


Pelos vistos, Moutinho chegou da Seleção todo "roto", Varela com uma mialgia e os internacionais colombianos ainda nem sequer tinham chegado à hora do treino de quinta-feira.

O caso do Moutinho é mesmo paradigmático. A 23 de Fevereiro jogou contra o Rio Ave; depois sofreu uma lesão muscular num treino e falhou o jogo contra o Sporting (em 02-03-2013) e a recepção ao Estoril (em 08-03-2013). Dado como apto pelo departamento médico do FC Porto, no dia 13 de Março foi titular em Málaga mas, por volta dos 30 minutos, ressentiu-se da lesão na mesma perna e Vítor Pereira teve de o substituir ao intervalo.

(Málaga x FC Porto, O JOGO)

Lesionado, Moutinho voltou a falhar um jogo do campeonato, desta vez na Madeira, contra o Marítimo (em 17-03-2013) e, tal como na deslocação a Alvalade, o FC Porto voltou a empatar, perdendo mais dois pontos na corrida para o título.
Ao contrário do que é habitual com outros jogadores, todo este historial recente de lesões musculares não impediram Paulo Bento de convocar João Moutinho para dois jogos em países longínquos (Israel e Azerbaijão), nos quais o médio do FC Porto "apenas" jogou 180 minutos!
No treino de quinta-feira Moutinho efectuou trabalho de recuperação no ginásio. Veremos se já estará em condições de treinar na sexta-feira, o último treino antes da deslocação a Coimbra para defrontar a Académica.

O mesmo se passa com os dois internacionais colombianos que, na melhor das hipóteses, também apenas poderão participar num único treino de preparação para o Académica x FC Porto do próximo sábado. Espero é que as consequências de mais esta chamada à seleção da Colômbia não se façam sentir no próximo jogo do FC Porto. E digo isto porque ainda tenho bem presente o desempenho de Jackson Martinez no FC Porto x Olhanense. Para quem já não se lembra, eu recordo.
Guatemala e Colômbia disputaram um jogo particular em Miami, no dia 7 de Fevereiro, com início às 02h00 (hora de Portugal continental). Imagino o bem que deve fazer ao organismo de um jogador que vive na Europa, disputar um jogo neste horário.
De regresso a Portugal, após mais uma viagem intercontinental (e não sei quantos fusos horários), Jackson fez treino de recuperação na véspera do FC Porto x Olhanense e, no dia 10 de Fevereiro, teve um dos seus piores jogos com a camisola azul-e-branca, falhando um penalty e dois golos aparentemente fáceis, um em cada parte.

(FC Porto x Olhanense, O JOGO)

Lesões, seleções, limitações para treinar e/ou jogar, esta tem sido uma das sinas do FC Porto esta época.

P.S. Devido à entrada dura de Roberge (penalty por assinalar no Marítimo x FC Porto), a qual lhe provocou uma entorse no tornozelo direito, duas semanas depois Atsu continua lesionado e ficou de fora dos convocados para o Académica x FC Porto de amanhã. Regressado lesionado da seleção de Paulo Bento, Varela fica a fazer companhia a Atsu. E assim, Vítor Pereira vai para Coimbra sem extremos.

sábado, 8 de dezembro de 2012

O Drogba da Caparica

Varela é entre os adeptos um jogador algo controverso (ainda que possivelmente haja quem o seja ainda mais). Há quem o aprecie bastante, como há quem diga que ele «devia dedicar-se à música» (como vi escrito no outro dia).

Eu aprecio-o bastante, embora não o coloque entre os mais valiosos da equipa. Antes de mais acho que é, como dizem os ingleses, um jogador «well rounded»: um jogador completo. Tacticamente muito bom (e acho que muitos adeptos não reparam nisto), boa técnica (recepção, passe, cruzamento, remate; finta já nem tanto), com maturidade, fisicamente forte q.b., e sabe jogar com os 2 pés. Nao e' necessariamente excelente em tudo isto, longe disso, mas e' bom em muitas coisas.

No entanto uma das suas qualidades (objectividade) tem o reverso da medalha que se traduz na maior crítica que lhe aponto: é demasiado conservador, arrisca pouco. Varela tem tendência a tomar quase sempre a opcao (nas movimentações, passes, ...) que tem maior probabilidade de sucesso; ora isso é óptimo por exemplo num trinco, mas não na posição em que joga, em que é necessário criar desequilíbrios o que implica assumir riscos com alguma frequência, ainda que com moderacao (um passe mais arriscado, uma finta, uma desmarcação,...). Para um jogador nessa posição de forma a fazer a diferença mais vale 'as vezes tomar 2 decisões em 3 de risco que não resultam, com a 3a a resultar em cheio. Acaba portanto por ser um jogador algo «ensosso», que raramente joga mal mas também raramente faz a diferença.

O que me leva a um ponto fundamental deste artigo, que é (na minha perspectiva) uma total estagnação de Varela nos últimos 2 anos e meio. Há 2 anos e meio eu escrevi aqui um artigo em que me perguntava se não seria preferível Varela a titular em detrimento de Hulk.

Ora o tempo demonstrou que afinal não havia fundamento para as minhas dúvidas, e penso que a razão para tal foi que Varela não evoluiu (em certa medida houve até mesmo um ligeiro retrocesso) enquanto Hulk continuou a evoluir, principalmente ao nível da maturidade. Penso que Varela corre mesmo a curto prazo o forte risco de perder a titularidade para um «rookie» como Atsu, mesmo que este não seja exactamente um prodígio nato.

Porque é que Varela não evoluiu (e tendo em conta que há 2 anos e meio tinha 25 anos, longe da idade típica de «pico» de performance), é para mim um pequeno mistério. Desleixo e falta de ambição? Trabalho insuficiente do treinador (individual e de aproveitamento colectivo)? Um misto das duas coisas? Outras? Se calhar nem eles sabem.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Um fim-de-semana em pleno



Nada mais saboroso. Foi de barriga cheia que o FC Porto mandou os seus adeptos para fim-de-semana depois aviar o Marítimo com cinco golos sem resposta. Uma exibição de grande qualidade onde Jackson – pois, claro – e James Rodriguez bisaram, coroando boas prestações ao longo de todo o encontro. Pinceladas individuais a dar brilho à força do colectivo, essa sim, a maior estrela da noite. Tudo “quase” perfeito, não fossem as arreliantes lesões.

E que melhor encanto quando um jogo começa com golos? Ritmado e forte, a equipa azul e branca pautou o seu jogo sem disposição para dar tréguas ao seu adversário. O conjunto insular pouco resistiu e sucumbiu. Em quatro minutos Jackson Martinez fez a rede dançar finalizando um sublime ensaio colectivo. O primeiro de muitos. De trás para frente Moutinho trouxe o esférico até James até o delegar ao testemunho final. Um rendilhado fantástico que resultou numa fabuloso golo.

O Marítimo organizava-se em linha no seu reduto defensivo. Ensaiava a tentativa de deslocação dos avançados portistas mas, invariavelmente, via-se quinado da sua própria estratégia e pela velocidade elevada que a nossa equipa imprimia. Entre foras-de-jogo na nesga e outros que nem o foram o avolumar do marcador pressentia-se próximo. E assim foi, para lá da meia hora de jogo, num pontapé certeiro – é que pontapé – de Varela.

Um momento de felicidade que contrastava com a agonia dupla vivida momentos antes. Em cinco minutos Vítor Pereira viu-se privado de Fernando e Maicon com mazelas que geram incógnita na deslocação a Kiev. Resquícios de problemas passados ou algo novo, não se sabe ao certo. Factual é este número exagerado de condicionamentos físicos e aquele relvado que levanta a cada embrulhar de jogadores e que nada contribuiu à boa saúde das suas articulações.

A 2ª parte trouxe mais problemas destes com Helton e Lucho metidos ao “barulho”, mas felizmente também nos deu mais do bom futebol que nos primeiros 45 minutos já se observara. Jackson voltou a engordar a sua conta pessoal e a cimentar a liderança dos melhores marcadores da Liga. Em ritmo colombiano James fez mais dois, completando uma mão cheia de golos o entusiasmo com que o bicampeão nacional trilhava o seu jogo.

Ao sentimento do dever cumprido juntou-se o consolo de uma exibição conseguida. Um encontro que agradou a todos – jogadores e adeptos -, porque tudo se torna mais fácil quando se joga futebol com paixão e sem rendilhados. Este grupo alimenta-se do colectivo onde o potencial individualista de Hulk parece já pertencer a um sonho que quase ninguém lembra. Agora não será melhor, nem pior. É apenas diferente. E que bom é o FC Porto rapidamente ter sabido encontrar esse caminho.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Luxuria, Varela e o Direito à Indignação


Ao contrário do que esperava Portugal venceu a Dinamarca, num jogo sofrido ao jeito do nosso fado. De qualquer forma, aumentou o espaço para a esperança. Quero tanto que Portugal se apure para a fase seguinte quanto se apure, qualquer que seja o resultado final, os desmandos e as mordomias de uma selecção que se apresentou como a mais gastadora neste Euro 2012. Não basta vir o Sr. Humberto Coelho dizer que a FPF é a única entidade financiadora da selecção, pois que saiba a FPF não deixou de receber do orçamento geral do Estado as verbas que anualmente lhe são atribuídas e que visam o investimento nas competições não profissionais, nomeadamente para a formação. Ainda que não o fosse, esse despesismo dos dirigentes deve ser contido, pois é ofensivo. O Sr. Humberto Coelho e outros mamões que por lá pululam deveriam ter vergonha, mas não têm. Não isento o Dr. Fernando Gomes, pelo contrário, acho que é o primeiro responsável por este desvario, feito de compromissos para agradar os clubes que dominam o panorama do futebol nacional e, nesse particular, o preço que lhe terá sido exigido para merecer o apoio dos clubes da capital. É tempo de alguém de direito puxar as orelhas a estes senhores. Fico à espera, Dr. Miguel Relvas.


Varela que foi quase cilindrado no jogo com a Alemanha por ter falhado um golo – em que fez quase tudo bem, mas o guarde redes e os defesas alemães ainda melhor – foi agora levado aos píncaros depois de ter marcado o golo da vitória num excelente remate com o pé direito, depois de ter falhado a primeira tentativa com o pé esquerdo. Faço ideia do que diriam, se não tivesse marcado o golo. Gostei desse golo por beneficiar Portugal e por premiar Varela, que também nem sempre “tratei” de forma equilibrada, quando as suas prestações ao serviço do FCP foram menos assertivas. Boa Varela!

Entretanto, enquanto o Euro domina as conversas, li que a claque do FCP iria ser impedida de entrar em Lisboa, aquando do SLB-FCP para o campeonato nacional de hóquei em patins. Já aconteceu uma vez e fico sem saber se foi ameaça, se ocorreu ou não, há dias. Indigna-me que não hajam indignados. Prevejo que serão os superiores interesses dos cidadãos e da sua segurança que virão à colação para justificar a ilicitude da polícia e do seu ministério. Não me contento com esta explicação. Quem souber que me conte o que se passou. Acho que temos matéria para uma boa luta. Gostaria de não desistir na denúncia deste abuso de poder. O FCP ficou mudo e quedo. A claque comeu e calou. Basta!

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Um suave parêntesis no desafio ao Golias



A deslocação tranquila da equipa azul e branca às margens do Sado tornou-se num bálsamo de descompressão bem à medida da gestão corrente que Vítor Pereira necessita de fazer para os dois dificílimos embates diante do City. Este Vitória justifica bem o último lugar que ocupa, e o FC Porto, pouco preocupado com isso, construiu o resultado que se lhe exigia, tentando colocar alguma pressão na deslocação galinácea à cidade Capital Europeia da Cultura.

E se as “odds” eram, antes do inicio da partida, muito favoráveis às nossas cores, mais subiram quando logo aos 3 minutos Janko cabeceava mortiferamente para o fundo da baliza de Ricardo, após um bom cruzamento de Moutinho. O austríaco fazia jus ao seu bom posicionamento e tornava tudo ainda mais fácil. Na verdade, o tento madrugador não ajudou muito à qualidade do jogo, mas o Dragão mandou como quis, construindo aqui e ali situações de algum frisson.

Num desses lances Fernando recuperou a bola, apanhando o Setúbal em contra-pé, dispôs o esférico a Hulk onde este lhe retribuiu o gesto mais adiante, colocando o médio defensivo na cara golo que não perdoou. Dois golos diferença, num encontro com duas equipas com uma décalage gritante entre si, não davam espaço a grande interesse para o que ainda havia por jogar, nomeadamente na 2ª parte.

E assim foi. Num ritmo extremamente baixo, intercalado com umas pífias reacções dos comandados de José Mota, o FC Porto aproveitou para dar descanso a alguns ilustres da companhia. O ambiente zen fez embalar a equipa num engodo perigoso no qual o minuto 76 fez soar o alarme. O golo de Meyong abriu o resultado por culpa do baixar de guarda portista, e num quarto de hora tudo poderia acontecer, mais ainda quando toda gente já estava em transfere a caminho de terras de sua Majestade.

Felizmente o susto não durou muito, com a equipa a ligar rapidamente o descomplicador. Três minutos volvidos o nosso conjunto repunha a diferença de duas bolas, numa combinação entre Alex Sandro e C. Rodriguez, com o uruguaio a dar de bandeja o terceiro tento a Varela. Fechavam-se definitivamente as contas do jogo, Vítor Pereira respirava fundo e era tempo de olhar definitivamente para a missão “quase” impossível da próxima quarta-feira.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Palito dá, Varela confirma


Em noite de clássico espanhol ter de redireccionar a atenção para uma competição de cariz dúbio, torna-se um acto de disciplina exigente. O encontro do estádio do Dragão, tal como era espectável, nunca conseguiu elevar-se a ponto de esquecer quem em Madrid jogava, ainda assim, o FC Porto carimbou a vitória sem grandes sobressaltos e sem grande réplica.

Um Estoril organizado, apenas comprometido no espírito de “não ir muito além do seu meio campo”, foi adiando como pode o único resultado possível. O conjunto azul e branco também foi pouco incómodo, apenas ritmado a espaços por um Álvaro Pereira supersónico, merecedor dos maiores encómios da noite pela forma como encara uma partida de tão amorfa importância.

Ainda não foi desta que Danilo calçou a bota, e nem mesmo Iturbe garantiu vaga no onze inicial. Vítor Pereira fez-se conservador nas escolhas e optou pelos nomes mais regulares a fim de garantir o apuramento para a fase seguinte da Taça da Liga. Objectivo quase apontado, escapou-se a oportunidade de um jogo de olho arregalado.



Com efeito, num encontro pautado pelo ritmo baixo, durante grande período o frisson passou apenas por bolas paradas. Destaque para o livre de Moutinho aos 37 minutos onde guarda-redes dos visitantes salvou à queima. Até ao intervalo soçobrou o desperdício de Kléber a um golo feito, fazendo levar ao desespero os 15 mil heróicos adeptos que se deslocaram ao Dragão.

O segundo tempo não trouxe melhor futebol, mas a vitória haveria de ser garantida. Kléber, em noite infeliz, viu Vagner negar-lhe o golo de forma ortodoxa, que contudo não foi capaz de evitar aos 61 minutos o remate vitorioso de Varela com o pé esquerdo à entrada da área. Golo com assinatura do extremo, mas o grande artífice foi, claro está, Palito, num dos seus raides desconcertantes.

James viu o poste roubar-lhe o golo da suprema tranquilidade, mas estava escrito que o enguiço das bolas paradas jamais hoje seria proscrito. Nada que tenho levado a por em causa o sereno triunfo portista e os consequentes objectivos da equipa nesta competição. O futebol jogado, esse, é que continua ser pobrezinho.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

O trio dourado do ataque portista


Nos últimos dias, falou-se muito do facto de Hulk e Falcao terem terminado o campeonato nas duas primeiras posições da lista dos melhores marcadores, com 23 e 16 golos respectivamente. É um feito assinalável, como o comprova o facto de a última vez que uma equipa o conseguiu datar da época 1975/76, há 35 anos.

Dois melhores marcadores na mesma equipa:
1975/76 (slb): Jordão, 30; Nené, 29
1964/65 (slb): Eusébio, 28; Torres, 23
1963/64 (slb): Eusébio, 28; Torres, 22
1962/63 (slb): Torres, 26; Eusébio, 23
1960/61 (slb): José Águas, 27; José Augusto, 24
1938/39 (FC Porto): Costuras, 18; Carlos Nunes, 15

Mas, para além de Hulk e Falcao, há também Varela que, com 10 golos, ficou em sexto lugar na lista dos melhores marcadores, justificando o destaque que a FIFA deu a este trio em Novembro passado, designando-os como "O trio dourado do FC Porto".

Nota: João Tomás também marcou 16 golos, mas Falcao disputou menos oito jogos e teve menos 791 minutos de utilização do que o avançado vilacondense.

sábado, 14 de maio de 2011

Registo Lampião aniquilado pelo Dragão


Eis a confirmação de mais um registo estatístico impressionante, mesmo estando há muito anunciado, tal a décalage do FC Porto perante as demais equipas da Liga Portuguesa. O Dragão termina o campeonato sem levar na pá e aniquila mais um daqueles pseudo-recordes de algibeira da família galinácea. Não faltarão escribas de serviço da Travessa da Queimada a anotar um qualquer pentelho “Catrogiano” neste marco azul e branco em comparação com o anterior mas, o que apraz dizer deste feito verdadeiramente assinalável dos comandados de Villas-Boas, é que isto já não se usa no futebol dos nossos dias.

Mesmo em gestão com pinças tendo em vista a importante final de Dublin, a nossa equipa concretizou o objectivo estabelecido na deslocação ao Funchal, muito à custa de uma eficácia quase letal na 1ª meia hora de jogo, mas, também, do perfil macio do Marítimo. Varela fez balançar a rede à passagem do 22º minuto, num remate de belo efeito após uma assistência soberba de Guarín que, à medida que o tempo passa, vai expandindo o seu manancial futebolístico.


Dez minutos mais tarde, Walter, mete a tola entre os centrais insulares e dobra a vantagem portista. Num misto de elegância e descontracção, a nossa equipa jogava a seu bel-prazer e compunha o ramalhete bem ao jeito dos seus intuitos. Ganhar, ficar invencível na Liga e viajar para a Irlanda com plantel intacto.

O 2º tempo, condicionado pelos factores anteriormente descritos, tornou-se num expectável bocejo de bola. Apenas Beto fez por valer mais um punhado de créditos na sua conta corrente, evitando em três momentos o golo quase certo do Marítimo. Relaxe, e receio de uma coisa ruim, fazia a malta retirar o pé a tudo que era disputa de bola. Mas quem os pode censurar numa hora destas?

Sem capacidade para fazer cócegas ao FC Porto, o conjunto madeirense foi quase sempre espectador da circulação de bola da nossa equipa. Sem grande profundidade, é certo, mas que se tornou numa imagem de marca do nosso modelo de jogo. O triunfo estava garantido, assim como o igualar do famigerado recorde da invencibilidade. Sinceramente, estou-me a borrifar para isso, porque o que eu quero mesmo é o caneco na Quarta-Feira.

Fotos: uefa.com

domingo, 1 de maio de 2011

Sempre ao nível máximo


Domingo, dia de descompressão, tarde bem passada a deitar o olho à miudagem no Dragão, apesar de haver família a jogar pelas cores do adversário. Desse por onde desse a festa estava garantida. O capoeiro SL abria a churrasqueira e cá a malta gosta é disso. Pronuncio positivo para que às margens do Sado a alegria continuasse. Em Setúbal a cambada de Villas-Boas passeou classe e demonstrou a confiança das grandes equipas. Mais uma vitória categórica de um grupo que só sabe jogar nos limites.

Com efeito, mesmo com oito alterações no escalonamento inicial, o FC Porto fez dos sadinos gato-sapato, controlando a partida a seu bel-prazer. Os primeiros minutos do encontro confirmaram logo a matriz da contenda, com a equipa azul e branca a assacar para si toda a iniciativa do jogo. Valdomiro, no momento LOL da noite, abriu a conta corrente portista num auto-golo a roçar o ridículo. Otamendi, já bem perto do intervalo, aumentou a vantagem, numa primeira parte entretida de um jogo que quase nada tinha em disputa para as nossas cores.


Os segundos 45 minutos confirmaram o domínio deste FC Porto de segunda linha, mas com um nível exibicional consistente. Insaciáveis, como o seu treinador, os portistas não se consolavam com o resultado que já era confortável. Eles queriam mais, muito mais. Para frente era o caminho e numa jogada notável iniciada por Guarín e assistida por James, Walter fez o terceiro sem espanto. Pelo meio houve tempo para Beto fazer de herói improvável ao defender uma penalidade. E, já em fim de festa, Varela confirmou a goleada com toda a naturalidade.

Com este caudal de vitórias, não espanta a confiança que este FC Porto patenteia. O que é verdadeiramente notável é a capacidade desta equipa não só manter a concentração total num jogo que não interessa nem “aquele” menino Jesus, mas também não descaracterizar a sua identidade de jogo pese as inúmeras alterações efectuadas na equipa. Isso só é possível com uma orientação técnica de nível máximo.

Parabéns André! A cada dia que passa, esta nossa equipa deixa-nos mais orgulhosos.

Fotos rapinadas em uefa.com

domingo, 20 de março de 2011

Haverá festa no capoeiro?


Não é novidade, este FC Porto alimenta a chama através da constante reciclagem de novos desafios. Com o campeonato no bolso a malta de Villas-Boas vai mantendo a concentração nos jogos que faltam como pode. Nem sempre da melhor maneira. A Académica é que, pouco preocupada com isso, pôs o Dragão em sentido, obrigando-o a contornar um desafio imprevisto. Para não variar, conseguiu-o com distinção.

Em gestão de alguns activos, o conjunto azul e branco perspectivou ter em mãos mais um daqueles antigos tróleis de colecção, onde inevitavelmente o golo iria aparecer depois de muita pedra partir. Puro engano. Voto de louvor à Briosa que veio à Invicta praticar um futebol descomplexado. Uma estratégia bem delineada, assente em ataques rápidos que surtiu efeito pouco depois de meia hora de jogo. Addy cometeu uma pequena “traição” à sua casa-mãe.

Se a letargia portista derivava do seu convencimento de que o golo mais cedo ao mais tarde iria cair, o adiantar do marcador por parte da Académica teve o condão de resgatar a nossa equipa para o jogo no imediato. A passividade, e a circulação de bola inútil, deram lugar a uma outra dinâmica, obrigando Peiser a entrar em cena e garantir a vantagem da sua equipa até ao intervalo.


Os segundos 45 minutos vieram confirmar o embalo que a locomotiva azul e branca estava a tomar. Com o ritmo e troca de bola bem lá no alto, sucediam-se os momentos de aflição em redor da baliza da Académica. Resistir a tal caudal era impossível e o FC Porto em pouco mais de um quarto de hora despachou serviço, dando a volta ao marcador. Guarin, novamente, foi o abre-latas de ocasião.

Insaciável pelo golo, o FC Porto ainda deu mais cor ao resultado por intermédio de Varela, em recarga após um cabeceamento à trave de Rolando. No antes e no depois, mais umas quantas de bolas ficaram por entrar. Nada que possa vir a fazer grande diferença na contabilidade final do campeonato. O título segue romaria para o capoeiro, e Villas-Boas tem à sua disposição o andor completo.

Fotos rapinadas em uefa.com

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

O onze tipo esboroou-se

«André Villas-Boas não pôde contar com seis jogadores, todos ao cuidado do departamento clínico do clube portista. Beto, Falcao e Cristián Rodríguez são casos conhecidos, permanecendo todos a realizar treino condicionado. Alvaro Pereira encontra-se a recuperar da intervenção cirúrgica ao ombro esquerdo a que foi submetido no domingo. Fucile e James são as restantes baixas. O lateral uruguaio tem uma mialgia de esforço, enquanto o extremo colombiano tem uma contusão no pé direito. (…) Quem já corre normalmente para o regresso são Varela e Fernando»
in Maisfutebol, 04/01/2011


Um jogador a recuperar de uma recente intervenção cirúrgica; dois jogadores a limitarem-se a fazer tratamento; três jogadores em treino condicionado; e dois jogadores a, finalmente, regressarem aos treinos normais após uma paragem de um mês. A poucos dias do primeiro jogo para o campeonato em 2011, é esta a realidade do plantel portista. Tenho a certeza que este facto preocupa muitíssimo mais André Villas-Boas, do que a derrota contra o Nacional para a Taça da Liga. A mim preocupa e, juntando a isto a fragilidade do plantel em algumas posições, considero ser esta a grande ameaça às aspirações do FC Porto, quer no campeonato, quer na Liga Europa.

Se recuarmos no tempo, verificamos que André Villas-Boas preparou e arrancou para esta temporada (na Supertaça) com o seguinte onze:


Para além de uma natural gestão em algumas posições (Sapunaru versus Fucile, Maicon versus Otamendi, Belluschi versus Ruben Micael), este onze base foi-se mantendo durante várias semanas, até que as inacreditáveis condições da “piscina” de Coimbra estiveram na origem de uma lesão muscular de Fernando. No entanto, o médio brasileiro foi (bem) substituído por Guarin, cujo rendimento na posição 6 tem vindo a surpreender, e a equipa manteve os elevados índices exibicionais.

Mas os problemas não afectaram apenas um dos titulares do onze tipo. O “Drogba da Caparica” começou a época ainda a recuperar de uma lesão grave contraída na época passada (fractura no perónio que o afastou do Mundial da África do Sul) e, apesar de André Villas-Boas gerir com pinças a sua utilização, teve recaídas que o obrigaram a abandonar duas convocatórias da Selecção, até “encostar às boxes” em meados de Novembro. E, em poucos dias, o treinador do FC Porto ficou sem a asa esquerda (não confundir com o fim dos voos da águia Vitória…), porque também Alvaro Pereira se lesionou ao serviço da selecção uruguaia (fissura no úmero esquerdo).

Em Dezembro, já sem Varela e Alvaro Pereira, outro esquerdino – Cristián Rodríguez – lesionou-se pela n-ésima vez nos últimos 16 meses. E como se tudo isto não bastasse, Falcao começou a acusar a sobrecarga de jogos (e viagens) ao serviço do FC Porto e da Colômbia, alguns dos quais disputados em condições particularmente difíceis, até que também ele teve de parar (“Falcao teve de sair [no intervalo do Paços Ferreira x FC Porto] por estar perto da cedência muscular. Ele estava no limite daquilo que podíamos arriscar.”, André Villas-Boas).

No futebol não há milagres. Sem Fernando, Varela, Alvaro Pereira e, nos últimos jogos, também ‘El Tigre’, era inevitável a quebra de rendimento da equipa portista. Isto e o facto de outros jogadores parecerem presos por arames é, não tenho dúvidas, a principal razão para as exibições sofríveis que se verificaram após os inesquecíveis 5-0 do dia 7 de Novembro de 2010.

Por isso, mais do que qualquer D. Sebastião no mercado de Janeiro, o grande desafio para esta 2ª metade da época, é a recuperação plena do actual plantel portista, particularmente dos jogadores do onze tipo definido por André Villas-Boas e que tão boas provas já deu esta época.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Azar ou algo mais complicado?

«Cristian Rodríguez continua a ser perseguido pelo azar. Ontem, na noite em que fazia a sua estreia a titular neste campeonato, o extremo não conseguiu concluir o encontro em campo. Ainda antes da hora de jogo, sentou-se no relvado, em frente ao banco do FC Porto, e de lá não mais saiu. Depois de assistido, e com as lágrimas nos olhos, o internacional uruguaio teve de abandonar o terreno de jogo. Resultado: uma mialgia de esforço na coxa esquerda.»
in record.pt, 07/12/2010


Desde que em Junho de 2009 se lesionou ao serviço da selecção uruguaia, Cristian Rodríguez tem tido sucessivas lesões musculares. A época passada foram quatro ou cinco e esta época a coisa ameaça ir pelo mesmo caminho.

O mesmo se passa com Varela, também ele propenso a problemas físicos, que esta época já o levaram a ser duas vezes dispensado da Selecção e agora o afastaram do jogo contra o Vitória de Setúbal. Pelos vistos, nem o facto do André Villas-Boas gerir com pinças a utilização do “Drogba da Caparica”, substituindo-o quase sempre por volta dos 60-70 minutos, impede que as lesões musculares se manifestem.

O FC Porto é um clube altamente profissionalizado e, quer em termos de acompanhamento médico, quer de condições para uma correcta preparação física, estou certo que nada falta aos jogadores. Por isso, e mesmo não sabendo qual é a explicação, penso que é simplista classificar como azar os sucessivos problemas que têm afectado Rodriguez e Varela. Haverá, concerteza, outra explicação.

P.S. O que seria se o campeonato português fosse mais intenso, tivesse mais jornadas e o FC Porto jogasse de três em três dias, tendo de recorrer aos seus melhores jogadores?