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| Diretores de O JOGO, Record e A BOLA (fonte: FPF) |
Não conheço pessoalmente José Manuel Ribeiro (JMR) mas, sendo leitor de O JOGO, costumo ler aquilo que escreve e parece-me ser um daqueles portistas que nunca foi grande apreciador do trabalho feito por Vítor Pereira nos três anos em que o espinhense foi treinador do FC Porto (um como adjunto e dois como treinador principal). Sobre isso nada a dizer.
Mas, para além do adepto de futebol, JMR é também jornalista e Diretor do jornal O JOGO. Ora, nesse papel, impressiona-me a forma dual como tratou os últimos dois treinadores do FC Porto. Onde havia exigência máxima (em relação a Vítor Pereira), agora vejo explicações e até desculpabilização para todo o tipo de desaires (em relação a Paulo Fonseca).
Vejamos alguns exemplos de escritos de JMR nos últimos três meses…
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A cura para a ingenuidade
Era previsível que a ingenuidade fosse o calvário do FC Porto nesta Liga dos Campeões (...) Desde o treinador, ainda a procura da melhor formula para equilibrar uma equipa grande e ele próprio estreante na Champions, até aos reforços, todos vindos dos arrabaldes da alta competição, não havia muito por onde fugir. (...) É perder para aprender.»
O JOGO, 02-10-2013 (após a derrota em casa frente ao Atlético Madrid)
Ingenuidade na Liga dos Campeões?
Recuemos no tempo. Em Setembro de 2012, qual era a experiência (número de jogos disputados) de jogadores como Danilo, Alex Sandro ou Jackson na Liga dos Campeões?
E, há um ano atrás, Helton, Otamendi, Mangala, Fernando, Defour, Lucho e Varela tinham, por acaso, mais experiência na Liga dos Campeões do que têm esta época?
Reforços vindos dos arrabaldes da alta competição?
É um facto que o Josué, o Licá, o Carlos Eduardo, o Ricardo e o o Ghilas vieram de Paços Ferreira, Estoril, Vitória Guimarães e Moreirense.
Mas não era isso que muitos portistas defendiam?
Isto é, que o FC Porto devia suprir as lacunas do seu plantel, procurando, em primeiro lugar, entre os valores emergentes que se destacassem nos “clubes pequenos/médios” do campeonato português?
E, já agora, de onde vieram Drulovic, Zahovic, Capucho, Deco, Jorge Andrade, Derlei, Paulo Ferreira, Nuno Valente, Pepe, Helton, Rolando, Cissokho, Maicon, entre muitos outros que vestiram e jogaram com a camisola do FC Porto na Liga dos Campeões?
O Reyes e o Herrera vieram da América Latina (como todos sabemos, um “arrabalde da alta competição” onde é raro o FC Porto contratar jogadores…) mas, por exemplo, de onde vieram o paraguaio Paredes, o brasileiro Fernando, ou o colombiano Jackson Martinez?
O Quintero não veio do Real Madrid ou do Manchester United? Pois não, veio de um “clube pequeno/médio” europeu (Pescara, Série A italiana), mas de onde vieram Guarín, Belluschi, Alvaro Pereira, Defour ou Mangala?
E, já agora, de onde veio o Hulk? Da Premier League?
Esta tese, cruzando a ideia de reforços de qualidade duvidosa com uma suposta ingenuidade do plantel portista, de ingénua não tem nada, mas pronto, foi uma das que serviu ao Diretor de O JOGO para desculpar a desastrosa campanha do FC Porto na Liga dos Campeões 2013/14.
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Moutinho leva tempo a curar
Era exigível que [o FC Porto] jogasse um futebol mais autoritário? Não. O facto de termos esquecido tão depressa que o FC Porto perdeu João Moutinho, ventrículo direito e esquerdo da equipa, é trabalho do treinador, mas não é problema que se ultrapasse assim. (...) Paulo Fonseca teria sempre direito a tempo e a experimentação. Sobretudo quando consegue experimentar e ganhar em simultâneo.»
Pois, conforme os portistas sabem, não é nada normal o FC Porto vender dois ou três dos seus melhores jogadores no final das épocas... Mas, para além disso, o tom dramático desta tese do Diretor de O JOGO, que mais parece algo do género “depois do Moutinho, o diluvio”, fez-me pensar como é que foi possível o FC Porto ganhar 1 Taça dos Campeões Europeus, 1 Taça UEFA, 1 Liga dos Campeões, 1 Supertaça Europeia e 2 Taças Intercontinentais… sem o Moutinho! Os treinadores dessas equipas devem ter feito autênticos milagres…
Agora, numa coisa o Diretor de O JOGO tem razão. Ao contrário de Vítor Pereira que, a partir da “limpeza de balneário” de Janeiro de 2012, praticamente só dispôs de quatro médios (Fernando, Moutinho, Lucho e Defour), a Paulo Fonseca não faltaram jogadores e tempo (de Julho a Dezembro de 2013) para fazer experimentações no meio campo portista.
Só no jogo de Coimbra (estádio onde o FC Porto não perdia para o campeonato há 43 anos!), foram várias as experiências mirabolantes em apenas 90 minutos.
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O Crédito de Paulo Fonseca
Com a Liga dos Campeões danificada pela falta de maturidade de alguns elementos, mais do que por qualquer fracasso táctico (...) Pinto da Costa sabe muito bem que ficou a dever um extremo ao treinador no mercado de Verão.»
O JOGO, 26-10-2013 (após a derrota em casa frente ao Zenit)
Esta é uma das teses mais divertidas, a tese do modelo táctico excelente (o Bayern de Heynckes e o Real de Mourinho também jogavam com um duplo pivô…), a que faltou maturidade e um extremo de top (já agora, quais eram os extremos que existiam no plantel da época passada?).
O facto do Fernando render o triplo se jogar sozinho à frente da defesa e do Lucho render um terço se jogar encostado ao ponta de lança é, pelos vistos, irrelevante.
E que interessa se os jogadores do FC Porto têm características diferentes dos que jogavam no Bayern Munique ou Real Madrid?
Se o Diretor de O JOGO, do alto da sua sapiência, diz que não houve qualquer fracasso táctico na Liga dos Campeões 2013/14, quem somos nós para contestar?
(continua)