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domingo, 29 de julho de 2018

Conceição, Jesus e as previsões de José Eduardo Simões

José Eduardo Simões e Sérgio Conceição (foto: Record)

José Eduardo Simões (ex-presidente da Académica) conhece bem Sérgio Conceição…

«O acórdão do Conselho de Justiça (CJ) que mantém a suspensão de 50 dias a Sérgio Conceição, aplicada na sequência dos insultos dirigidos ao árbitro Bruno Paixão e a José Eduardo Simões durante o Sp. Braga-Académica de março de 2015, revela vários pormenores dos relatórios de árbitro, delegados e polícia que ajudam a perceber o que aconteceu.
Assim, nos "factos provados", é descrito que "aos 22 minutos da primeira parte (...), José Eduardo [Simões], dirigindo-se a Sérgio Conceição, disse 'ò filho da p..., vai trabalhar'". (…)
Já no túnel de acesso aos balneários, Conceição "agarrou José Eduardo Simões, chamou-lhe 'filho da p...' e disse-lhe 'paga o que deves'", pode ler-se ainda nos "factos provados" do acórdão.»


Hoje, no jornal O JOGO, José Eduardo Simões escreve o seguinte:

«Sérgio Conceição é um exemplo de capacidade de trabalho, de talento e de ambição. Sabe treinar qualquer equipa; é um óptimo treinador de jogo; sabe valorizar activos perdidos; e mostrou capacidade para apresentar resultados com meios algo escassos face aos da concorrência. Tem objetivos muito claros. Ele quer conquistar títulos europeus e não apenas nacionais. Pretende ter no currículo pelo menos o que Artur Jorge, Mourinho ou Villas-Boas alcançaram. E quer ter condições para poder alcançar rapidamente esses objectivos. Se as não tiver, sairá do Porto e de Portugal no final da época. Não sei por que razão, mas vejo escrito nas estrelas o regresso de Jesus no final desta temporada, mas o equipamento que virá usar não será vermelho nem verde


Não conhecia os dotes de Zandinga do ex-presidente da Académica.
Pois bem, fica aqui, para memória futura…

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Ó meu Porto

Capa de O JOGO de 20-04-2017

Durante anos, demasiados anos, o FC Porto andou calado, silencioso, amordaçado, encolhido, quase que envergonhado.
Levavamos “estaladas” dos nossos inimigos e os dirigentes do FC Porto “ofereciam a outra face” (e, por vezes, até convidavam essa gente para o camarote presidencial).
“Cuspiam-nos na cara” e nada.
Insultavam-nos, denegriam-nos e nós, feitos anjinhos, chegamos ao ponto de convidar os diretores de A BOLA e do Record para a gala anual Caras-Dragões.

Nunca me conformei com este tipo de FC Porto (inclusive quando ganhávamos campeonatos). Pelo contrário, desde que existe ‘Reflexão Portista’ (2008) e mesmo antes noutros fóruns de portistas, sempre me insurgi contra esta atitude de “pombinhas” (para não dizer pior) dos dirigentes do meu clube.

Finalmente, nos últimos dias, parece que acordamos desta longa letargia e voltamos a ser Porto.








Capas de O JOGO de 19 e 21 de Abril

Este, sim, é o meu Porto!

Quando alguém se atrever a sufocar
O grito audaz da tua ardente voz
Ó Porto, então verás vibrar
A multidão num grito só de todos nós

domingo, 26 de fevereiro de 2017

A “verdade” televisiva

Na edição de O JOGO de ontem (Sábado), o diretor do jornal, José Manuel Ribeiro, assinou uma crónica, intitulada ‘Verdade televisiva’, onde escreveu o seguinte:

«O complicado é quando o Benfica se reclama uma pessoa de bem (…). Porque uma pessoa de bem faria questão de repetir, no canal televisivo que é seu e que transmite em exclusivo os seus jogos em casa, todas as jogadas duvidosas e não apenas as que parecem favorece-lo, como tem acontecido ultimamente com uma desfaçatez notável.»

Esta questão – a “verdade” televisiva – não é nova, mas está na ordem do dia, quer devido à transmissão televisiva (feita pela SportTV) do FC Porto x Tondela quer, principalmente, após a desfaçatez da Benfica TV na “criteriosa” transmissão do SLB x GD Chaves.






Aos mais distraídos, isto pode parecer um assunto de somenos. Contudo, se pensarmos no surreal comunicado da Direção do Tondela e na surreal conferência de imprensa do treinador do Tondela (o benfiquista Pepa), cujas declarações foram suportadas nas imagens que a SportTV (não) mostrou do jogo FC Porto x Tondela, percebemos até onde pode ir a “verdade” televisiva.

E a coisa torna-se ainda pior, quando a “verdade” televisiva é utilizada para pressionar e condicionar as nomeações e as arbitragens dos jogos seguintes, algo que foi evidente com a nomeação do algarvio Nuno Almeida (conhecido no meio da arbitragem por “Ferrari vermelho”) para o SLB x GD Chaves.

«Lutamos [FC Porto] contra muita coisa e o valor dos adversários não é a mais difícil de vencer. Ontem, na Luz, o Ferrari vermelho fez "pendant" com o Benfica, o que nem aos mais distraídos surpreende - estava lá mesmo para isso, para fazer "pendant"»
Francisco J. Marques (Diretor de Comunicação do FC Porto), ‘Dragões Diário’ de 25-02-2017


Portistas, é fundamental lutarmos contra este tentáculo do “polvo encarnado”.
Mas este combate não pode ser, apenas, travado com as queixas dos adeptos nas redes sociais e as denúncias do novo diretor/departamento de comunicação do FC Porto.
Esta é uma batalha crucial, que tem de ser assumida pelo FC Porto ao mais alto nível – presidência e administração do clube/SAD –, mesmo que isso custe amizades antigas.
Lamento, mas os interesses do FC Porto têm de estar acima disso.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

O canto do cisne feio

No último FCP x SLB, nos poucos minutos que esteve em campo, o mexicano Héctor Herrera provocou um canto ao tentar, sem conseguir, chutar a bola contra um adversário.
Um canto.
Ao longo do jogo, a equipa encarnada beneficiou de nove cantos, mas quis o destino, com a ajuda da má marcação feita por alguns jogadores do FC Porto, que fosse precisamente nesse canto que o SLB marcaria um golo.

Danilo Pereira e Lisandro no lance do golo do SLB

Sim, o Herrera provocou um canto de forma disparatada, mas não tem culpa que, na sequência desse canto, o Danilo Pereira tenha deixado o Lisandro cabecear a bola nas suas costas. Nem tem culpa que, ao contrário do que aconteceu no FC Porto x Brugge (disputado 4 dias antes), desta vez o Casillas tenha sido menos ágil e não tenha conseguido impedir a bola cabeceada por Lisandro de entrar na sua baliza.

Por outro lado, também não é culpa do Herrera que o FC Porto tenha chegado ao minuto 90+2’ com apenas um golo marcado. De facto, quer nas situações em que o seu compatriota Corona foi incapaz de marcar dois golos quase feitos, tendo apenas o guarda-redes adversário pela frente, quer quando o árbitro anulou um golo ao FC Porto, o Herrera estava… sentado no banco de suplentes.

FC Porto x SLB, golo mal anulado, análise do Tribunal O JOGO

FC Porto x SLB, Felipe cruza para André Silva marcar (golo mal anulado)

Um jogo de futebol é feito de erros, cometidos por jogadores (das duas equipas), treinadores e árbitros.

Esta época, o FC Porto já beneficiou de quatro expulsões de jogadores adversários em três jogos importantíssimos da Liga dos Campeões – FC Porto x AS Roma, AS Roma x FC Porto, FC Porto x FC Copenhaga.

Esta época, o FC Porto já beneficiou de dois penalties em jogos da Liga dos Campeões, cometidos por jogadores do AS Roma e do Brugge, os quais foram determinantes no resultado final dos jogos FC Porto x AS Roma e Brugge x FC Porto.

Esta época, o Felipe já marcou dois golos na própria baliza (ia marcando outro no jogo contra o SLB, ao desviar uma bola para o poste).

Ora, que eu saiba, nenhum destes jogadores foi insultado e enxovalhado na praça pública pelos adeptos dos clubes respetivos.

E tenho a certeza que, se em vez do Herrera, este canto fatídico tivesse sido provocado pelo André Silva, Ruben Neves ou Oliver, os insultos seriam substituídos por palavras de incentivo.

Sim, eu sei que mais vale cair em graça do que ser engraçado mas, antes de nós, portistas, lincharmos o Herrera na praça pública e culpá-lo de ser o grande e único responsável pelo empate, convém analisarmos os factos com um mínimo de frieza e racionalidade.
E os factos são os seguintes: o Herrera, de forma desastrada, provocou um canto contra a sua equipa. Não foi um golo na própria baliza, nem um penalty cometido, nem um livre direto em posição frontal, nem um passe errado a isolar um adversário (tipo Secretário - Beto Acosta, Fucile - Nedved ou Bruno Alves - Rooney), nem uma expulsão que tenha deixado a sua equipa a jogar com menos um. Foi um canto. UM CANTO!

Dir-me-ão que o problema não é o canto em si, mas sim o facto do Herrera parecer displicente. E que, além disso, o Herrera comete erros regularmente (passes falhados, perdas de bola, más decisões, …), que levam os adeptos ao desespero.

Eu aceito este tipo de crítica e percebo as reações emotivas no momento (incluindo os assobios dirigidos ao Herrera em pleno jogo), mas parte do que li após o final do jogo, escrito por portistas, além de ser insultuoso para o atual capitão do FC Porto, roça a irracionalidade.

E, lamentavelmente, até o jornal O JOGO ajudou à festa, fazendo do Herrera o único réu pelo empate e usando o seu nome para um trocadilho na capa do jornal.

Capa de O JOGO de 07-11-2016

O FC Porto tem uma longa tradição de jogadores mal-amados por parte dos adeptos portistas (lembram-se do Semedo?). O Herrera é mais um dessa lista negra. E faça o que fizer, só as coisas más serão destacadas (empoladas!) e lembradas.

Por exemplo, alguém se lembra que, na época 2014/2015, o Herrera marcou 4 golos na Liga dos Campeões e 3 golos no campeonato?
E que na época passada – 2015/2016 –, o Herrera marcou 9 golos no campeonato (incluindo um dos golos da vitória na Luz), isto sem ser marcador de livres ou de penalties?
Claro que ninguém se lembra disto, mas há quem se lembre de um jogo (FC Porto x Zenit) disputado há mais de três anos (no dia 22 de Outubro de 2013), em que o Herrera viu dois cartões amarelos em cinco minutos…

Perante este clima, penso que o Herrera tem cada vez menos condições para continuar no FC Porto (qualquer dia basta levantar-se do banco de suplentes para ser logo assobiado…).

O que nos vale é que o Herrera é um jogador com mercado e que mercado!
Na última AG do Clube, quer o administrador financeiro, quer o senhor presidente, garantiram aos sócios que a FC Porto SAD recusou uma proposta de 30 milhões de euros pelo passe do Herrera.
Portanto, o “problema Herrera” será muito fácil de resolver…

domingo, 16 de outubro de 2016

A SAD fez 75 milhões em vendas!

O JOGO é o único jornal desportivo que eu compro, o que faço, com alguma frequência, aos fins-de-semana.
De há uns meses para cá, a edição de domingo de O JOGO sofreu diversas alterações e passou a incluir crónicas de um conjunto alargado de comentadores.

Comentadores de O JOGO (edição de 16-10-2016)

Um dos comentadores da edição de domingo de O JOGO é Manuel Queiroz, um jornalista Portista, que leio desde os seus tempos do PÚBLICO (no século passado) e do qual destaquei vários artigos em posts publicados no ‘Reflexão Portista’ ao longo dos anos. Alguns exemplos:

O jornalismo vergado a interesses (7 de Março de 2009)
Matar o mensageiro (25 de Janeiro de 2010)
Recordando Pôncio Monteiro (16 de Abril de 2011)


Manuel Queiroz, que já esteve no “Index” de Pinto da Costa (penso que já não está), no início da sua crónica de hoje (com várias partes) faz uma referência às contas do FC Porto:

Manuel Queiroz na TVI
«O descalabro das contas do FC Porto – 58 milhões é uma brutalidade – teve o efeito, ao que parece, de colocar Pinto da Costa outra vez na torre de comando, de que verdadeiramente tinha saído nos últimos anos. Mas aqueles números vermelhos têm nomes – Casillas, Maxi, Quintero, Adrian Lopez, Bueno, Tello, Imbula, Lopetegui – que foram decisões de gestão contra as quais muita gente alertou. E até foi alvo de chacota por isso. Vê-se hoje: nem títulos, nem dinheiro. É um descontrolo total porque, se é verdade que a grande diferença teve a ver com as vendas de jogadores que não houve, parecia muito evidente já em janeiro. E ninguém tomou medidas e o resto da administração estava toda – saiu apenas Antero Henrique. Que teve muitas culpas, mas todos os contratos têm que ser assinados, pelo menos, por dois administradores…»


Neste seu texto, curto mas incisivo, particularmente por aquilo que é sugerido nas entrelinhas, Manuel Queiroz parece querer isentar Pinto da Costa da desastrosa gestão desportivo-financeira dos últimos anos. Pelo menos é essa a leitura que se pode fazer da frase “colocar Pinto da Costa outra vez na torre de comando, de que verdadeiramente tinha saído nos últimos anos”.
Bem, se Pinto da Costa, que é o presidente do Clube e da SAD, não é o primeiro culpado e o responsável máximo do que se passou nos últimos anos, quem foi? O porteiro?

Por outro lado, ao falar do descontrolo das contas da FC Porto SAD, Manuel Queiroz insiste na ideia, que já li/ouvi a muitos portistas, de que “a grande diferença teve a ver com as vendas de jogadores que não houve”.

“as vendas de jogadores que não houve”? Ó meus amigos, vamos lá ver se a gente se entende. No exercício 2015/2016, a FC Porto SAD registou mais de 75 milhões de euros (75.357.145 Euros) em vendas de passes de jogadores, as quais proporcionaram mais-valias superiores a 40 milhões de euros (40.222.955 Euros).
Se alguém tem dúvidas, consulte as páginas 68, 97 e 98 do Relatório e Contas Consolidado da FC Porto SAD, porque está lá tudo explicadinho.

O cenário é de tal forma negro, que se a FC Porto SAD tivesse feito o dobro em vendas de passes de jogadores, mantendo o mesmo rácio entre vendas e mais-valias, atingiria o valor estratosférico de 150 milhões de euros em vendas de jogadores, 80 milhões em mais-valias e continuaria a fechar o exercício 2015/2016 com um elevado prejuízo (cerca de 20 milhões de euros).

Para não nos andarmos a enganar a nós próprios, era bom que Portistas – jornalistas, comentadores ou meros adeptos – não induzissem outros Portistas em erro. De uma vez por todas, NÃO É VERDADE que, no período correspondente ao exercício 2015/2016, não tenha havido vendas significativas de passes de jogadores.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

4 milhões de lucro?

Capa de O JOGO 02.02.2016
O jornal O JOGO enche a 1ª página da sua edição de hoje (edição Porto) com a seguinte frase (a letras garrafais):
Imbula dá 4 milhões de lucro

4 milhões de lucro? Será?
Bem, segundo as contas de O JOGO, “a SAD garante um lucro imediato de quatro milhões de euros com a saída do médio, seis meses depois de o contratar ao Marselha por 20 milhões de euros”.

Ou seja, nas contas de O JOGO, está implícito que estas duas transferências de Imbula, primeiro do Marselha para o FC Porto e agora do FC Porto para o Stoke City, não implicaram quaisquer encargos e/ou pagamento de comissões por parte da FC Porto SAD.
Eu gostava de acreditar nisso…

Mais. Também está implícito, nestas contas de O JOGO que, em ambas as transferências, a FC Porto SAD não pagou qualquer contribuição de solidariedade ao(s) clube(s) formador(es) do Imbula, ao abrigo do mecanismo de solidariedade da FIFA.

Eu espero que sim, que todo este cenário idílico apresentado por O JOGO (e não só) seja verdade.
Mas eu, se fosse ao O JOGO, antes de anunciar lucros de 4 milhões e abrir as garrafas de champagne, esperava pelo Relatório e Contas do 3º trimestre do exercício 2015/2016.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

E o maior é…

Pelos vistos, no “campeonato do facebook”, o FC Porto é o clube português que tem mais seguidores.

Os três grandes no facebook (fonte: O JOGO, 19-11-2015)

Os três grandes no facebook (fonte: capa de O JOGO, 19-11-2015)

Os três grandes no facebook (fonte: O JOGO, 19-11-2015)

Mas, mais importante que ser o maior (em número de sócios, número de adeptos, número de seguidores no facebook, …), interessa ser o MELHOR. E nesse aspecto há poucas dúvidas, os resultados (a nível interno e externo) falam por si.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Estatísticas dos médios do FC Porto

O jornal O JOGO, na sua edição de 23 de setembro, apresentou os números totais de alguns tipos de acções efetuadas pelos cinco médios mais utilizados por Lopetegui no campeonato (o jogo disputado em Kiev, para a Liga dos Campeões, ficou fora destas estatísticas).

Estatísticas dos médios do FC Porto no campeonato (fonte: O JOGO, 23-09-2015)

Com base nos números de O JOGO, elaborei o quadro seguinte (clicar nele para ampliar), no qual, para além dos números totais, incluí indicadores por “jogo” (por cada 90 minutos disputados):


Evidentemente, para além da amostra ser pequena, não é a mesma coisa jogar em casa ou fora, nem é a mesma coisa jogar contra o SLB ou contra um clube do meio da tabela.
Contudo, penso que alguns indicadores são interessantes.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Os “recados” de Lopetegui

Crónica parcial do FC Porto x Estoril em O JOGO


«Assim de repente, é difícil não ver na escolha de Indi para o lado esquerdo da defesa e de Brahimi para o eixo do meio-campo, no apoio a Aboubakar, duas indiretas de Lopetegui à SAD portista, quando faltam cerca de 48 horas para o encerramento do mercado de transferências. Uma espécie de lembrete de que, pelo menos para já, Cissokho e José Angel não chegam para as encomendas do treinador e de que a equipa funciona melhor com um médio criativo, dinâmico e desequilibrador atrás do ponta de lança, sendo conveniente que, para tê-lo lá, não seja preciso sacrificar o melhor extremo da equipa. De resto, o jogo com o Estoril tratou de mostrar que, de facto, para além de alguma concentração e disciplina tática, faltam soluções à equipa.»
Jorge Maia, Diretor adjunto de O JOGO


Mensagens subliminares, indiretas, lembretes, é bem provável que esta leitura, feita por jornalistas de O JOGO, esteja correcta.

Mas, para além dos “recados” enviados à Administração da SAD (com os adeptos portistas em Cc), talvez fosse interessante que Lopetegui também desse algumas explicações.

Por exemplo, na perspectiva de Lopetegui, quer Cissokho (nesta altura), quer José Angel, não servem para serem titulares num jogo em casa, frente ao Estoril (!) e, por isso, o treinador do FC Porto adaptou um central (Indi) a defesa-esquerdo.
Contudo, pressuponho que Lopetegui terá dado o seu aval à respectiva contratação e, no caso particular do lateral-esquerdo espanhol, terá sido mesmo por indicação de Lopetegui que a FC Porto SAD o contratou (na época passada).

Outro exemplo: era mesmo necessário “sacrificar o melhor extremo da equipa” (Brahimi), colocando-o no meio (na posição 10), nas costas do ponta-de-lança, quando o treinador tem à sua disposição Evandro e Alberto Bueno?

Bueno é um avançado disfarçado de médio, que pode ajudar a transportar jogo. Ele tem essas caraterísticas

Será que sonhei, ou foi Julen Lopetegui quem disse isto, na flash interview da SportTV, após o jogo contra o Stoke City (vitória por 3-1), sobre o papel que Bueno poderia ter na equipa do FC Porto?

Voltando ao início. Parece-me mais ou menos óbvio que Lopetegui está a “esticar a corda”, para ver se a SAD lhe dá mais/melhores reforços.
Mas, se assim é, convinha que o próprio Lopetegui explicasse a utilidade de jogadores que, supostamente, a SAD contratou por sua indicação, como são os casos de José Angel e de Alberto Bueno.

sábado, 14 de março de 2015

Peritos em jogadas de bastidores

Ontem, o Director de O JOGO, José Manuel Ribeiro, num artigo de opinião, comentava a capacidade do Sport Lisboa e Benfica para “vender a mensagem que lhe interessa ou, simplesmente, gerar ruído”.

«(…) há duas áreas em que esse equilíbrio [entre FC Porto e Benfica] é impossível: nas receitas ordinárias, porque o Benfica tem bastante mais almas a contribuir com euros; e na chamada comunicação, isto é, na capacidade para vender a mensagem que lhe interessa ou, simplesmente, gerar ruído. Essa vantagem inabalável reside num par de fatores. Por um lado, a geografia da Imprensa nacional, que favorece muito o Benfica; por outro, João Gabriel, o ex-assessor do Presidente da República Jorge Sampaio, que orquestra essas intervenções com tanta arte que ainda há uma semana pôs um jornal espanhol a lavar a roupa suja da arbitragem portuguesa. São armas de que o FC Porto não dispõe e, se provas fossem necessárias, aí estão os quinze dias que se sucederam às palavras de Pinto da Costa e Lopetegui sobre os árbitros dos jogos do Benfica. Não terão passado 48 horas sem uma rajada: o próprio Gabriel, depois José Eduardo Moniz, depois Varandas Fernandes, agora o antigo presidente Manuel Vilarinho e, no habitual estilo impróprio para pessoas decentes, Rui Gomes da Silva. Tirando algumas questões de respeito pelo próximo (sugerir que os jogadores do Braga facilitaram contra o FC Porto?), nada a objetar. Estratégia é estratégia. A minha dúvida é se o resultado será tão eficiente como de costume. O que estará a evidenciar-se mais? A pressão sobre os árbitros ou a impressão de que o Benfica está assustado?»
José Manuel Ribeiro, O JOGO, 13-03-2015


Hoje, nas páginas do mesmo jornal, Mesquita Machado, ex-presidente da Câmara Municipal de Braga, põe o dedo na ferida:

Esta polémica não interessa ao futebol. Já é tempo de as equipas se habituarem a ganhar dentro das quatros linhas e não jogarem com comentários que visam apenas pressionar. Sabemos que o Benfica, no seu historial, é perito neste tipo de jogadas de bastidores.
Mesquita Machado, O JOGO


Perante o circo mediático, que foi montado pelos encarnados de Lisboa, será possível que o SLB x SC Braga de hoje seja um jogo limpo e sem casos?
Duvido.

domingo, 19 de outubro de 2014

Sirenes de alerta no Dragão

O JOGO
«São demasiadas alterações na equipa-base. Independentemente dos jogos e das seleções, o problema é a mentalidade de Lopetegui, que, se calhar devido à falta de experiência, faz demasiadas alterações. A equipa não é constante, quebra com as mudanças, não cria ascendente e no último terço tinha de ser mais fluída, mais forte.»
António Sousa (ex-jogador do FC Porto e do Sporting), O JOGO, 19-10-2014


«Lopetegui voltou a experimentar e voltou a dar-se mal. Será cedo para começar a pôr em causa o lugar do espanhol, mas urge definir um rumo. Uma grande equipa precisa de ter estabilidade no seu onze, o que não quer dizer que tenha que ter sempre o mesmo onze.»
Germano Almeida (jornalista do Maisfutebol), 18-10-2014

«A defesa do FC Porto falhou. Marcano não é Martins Indi e, sobretudo, José Ángel não é Alex Sandro. Lopetegui mexeu demais e ofereceu «buracos» autênticos em zona crucial, que o Sporting soube aproveitar.»
Germano Almeida (jornalista do Maisfutebol), 18-10-2014


«A ideia que me dá é que o FC Porto fica sempre aquém do que quer aplicar. E quando sente isso, muda. Jogadores e suas posições.»
Luís Freitas Lobo, O JOGO, 19-10-2014


«Lopetegui quis colocar fogo no ataque, com Adrián López muito perto de Jackson, deu asas a Óliver e Quintero nos flancos e destapou a manta toda no meio campo.
(...) Falta jogo interior ao FC Porto e Lopetegui precisa de ter mais perícia a montar a equipa.»
Norberto A. Lopes, JN, 19-10-2014


José Manuel Ribeiro
«O FC Porto está fora da Taça de Portugal e perdeu pela primeira vez esta época, porque Julen Lopetegui leu mal o momento da equipa dele. Sem entender que estava semeada a dúvida entre os jogadores e que, por isso, precisava de se agarrar a alguns princípios, o espanhol rodou o barómetro da rotatividade e das inovações tácticas mais uns graus para lá do máximo recomendável e rebentou com a máquina.
(…) o treinador do FC Porto começou por provocar a sorte ao deixar Brahimi no banco e prosseguiu com alterações importantes no sistema táctico: em vez do 4x3x3, um 4x4x2 ou 4x2x4 (…)
(…) Lopetegui joga sempre vários jogos num só. Na cabeça dele, já estavam previstas outras etapas e até é possível que estivesse montado um plano infalível para disparar Brahimi e Tello na segunda parte.
(…) A reacção foi regressar a um meio-campo mais tradicional. Rúben Neves substituiu Casemiro, Quintero passou a jogar como dez e Óliver deu a vaga a um extremo genuíno (Tello). Ou seja, uma combinação nova, provavelmente nunca utilizada e que precisou de aprender em andamento num jogo desta importância (…)»
José Manuel Ribeiro, O JOGO, 19-10-2014


Depois de um início de época prometedor, a equipa do FC Porto, em vez de evoluir, regrediu.
Motivo(s)?
Semana após semana, tem-se vindo a formar um grande consenso, acerca de qual é a origem do principal problema (que não o único), que vem afectando a equipa do FC Porto nos últimos 4-5 jogos.

Capa de O JOGO
E há sinais importantes, transmitidos por jornais e jornalistas insuspeitos de serem anti-Porto ou anti-direcção do FC Porto.

Chamo à atenção para os extractos que reproduzi acima, da crónica do FC Porto x Sporting, assinada pelo director de O JOGO.

Eu aprecio bastante a forma, inteligente, como José Manuel Ribeiro escreve e escolhe, cuidadosamente, as palavras para transmitir o que pensa. Mas, o título da sua crónica – Como Lopetegui levou Lopetegui ao fundo – e os “recados” que espalhou ao longo do texto, são uma mensagem clara (para bom entendedor…).

E, tal como o anterior director de O JOGO (Manuel Tavares), ninguém pode dizer que José Manuel Ribeiro seja um crítico da administração da FC Porto SAD ou das suas escolhas.

Esta época, José Manuel Ribeiro começou a “torcer o nariz” muito mais cedo e isso, vindo do responsável máximo de um jornal editorialmente próximo do FC Porto, parece-me um sinal importante, que o director de O JOGO envia aos… responsáveis da SAD azul-e-branca.


Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

FC Porto @ Redes Sociais

O JOGO, 04-10-2014
«A passagem de capital do Estádio do Dragão para a estrutura acionista teve o mérito de ressuscitar discussões sobre a relação entre clubes e associados. O burburinho virtual foi ensurdecedor, mas não teve expressão concreta, porque a febre do mundo binário contrasta com a mortificação das outrora apaixonantes assembleias gerais, hoje decrépitas e representativas do desinteresse que os sócios têm por tudo o que não envolva uma bola a rolar. Aliás, quantos saberão, sequer, que o FC Porto e a SAD do FC Porto não são uma e a mesma coisa?
É essa ausência de escrutínio e de participação que enaltece a dimensão do golpe de asa da Direção de Pinto da Costa que, perante a necessidade de transferência de parte da joia da coroa que é o Dragão para a estrutura da SAD, cuidou de sublinhar que esta, passando a ser também dos accionistas é, acima de tudo, do clube e dos sócios.
Um gesto porventura discreto, mas que espelha uma rara visão para além da vitória no próximo jogo.»
André Viana, O JOGO, 04-10-2014


Este texto de André Viana, que mais parece ter sido escrito com o jornalista de O JOGO sentado num lugar anual do Estádio do Dragão e de cachecol ao pescoço (e andamos nós a criticar a subserviência dos Delgados e Guerras deste Mundo em relação a Luís Filipe Vieira…), é susceptível de várias leituras.
Por exemplo, eu podia discorrer sobre o “golpe de asa” ou a “rara visão”, mas prefiro pegar na associação que é feita entre o “burburinho virtual ensurdecedor” e “febre do mundo binário” com a “ausência de escrutínio e de participação”.

Eu não sei se o jornalista André Viana, como sócio do Futebol Clube do Porto ou noutras funções, participou em alguma das “outrora apaixonantes assembleias gerais”, mas senhor jornalista, deixe que lhe diga uma coisa: nos últimos 30 anos, o Mundo mudou e muito!
Estamos no século XXI e, em 2014, desvalorizar o papel que a Internet e as redes sociais têm na intervenção e debate público, sobre as mais variadas matérias (futebol, política, educação, cidadania, etc.), é de alguém que pode ser jovem (e uma excelente pessoa), mas que, lamentavelmente, parou no tempo.

FC Porto - Redes Sociais
Se é verdade que, no passado, os sócios praticamente só podiam intervir na vida dos clubes marcando presença nas assembleias gerais, hoje em dia também o podem fazer recorrendo a outros meios.
Aliás, os próprios responsáveis do Futebol Clube do Porto têm plena consciência disso e, cada vez mais, o clube interage com os seus sócios e adeptos (espalhados pelo Mundo) recorrendo a diversos novos canais: E-mail, Website oficial, YouTube, Facebook oficial, Twitter @FCPorto, Instagram @FCPorto.

Neste contexto, alguns (poucos) fóruns e blogues portistas, entre os quais o 'Reflexão Portista', mostraram interesse e abordaram, sob diferentes pontos de vista, os assuntos que faziam parte das ordens de trabalho das últimas assembleias gerais do Clube e da SAD. E fizeram-no, estou certo, porque entenderam que o assunto era relevante e porque tinham opinião ou dúvidas que gostariam de ver esclarecidas.
Mas, pelos vistos, isso parece ter incomodado o jornalista André Viana, que classifica este tipo de intervenção / discussão / debate / participação de “burburinho virtual ensurdecedor”.
Tenho pena que o faça.

E tenho ainda mais pena que, antes destas duas assembleias gerais, a comunicação social e, particularmente jornais como O JOGO ou o JN, não tenham pegado no assunto como ele merecia e feito, sobre o mesmo, uma abordagem jornalística, o mais completa possível, tendo em vista contribuírem para um cabal esclarecimento de tudo o que estava (está) em causa.
Se o tivessem feito, talvez houvesse menos sócios e adeptos portistas a confundirem o Futebol Clube do Porto com a SAD do FC Porto…


P.S. O Porto Canal anunciou que, logo à noite, a partir das 21h00, irá transmitir uma entrevista com o vice-presidente Fernando Gomes, onde alguns dos assuntos discutidos nas últimas assembleias gerais do Clube e da SAD irão ser abordados.

sábado, 1 de março de 2014

Erros, golos sofridos e os doutorados dos jornais

O JOGO, 01-03-2014

«Uma equipa com vontade é sempre melhor do que uma equipa sem vontade, mas o destino é igual se não for capaz de seguir regras de organização com o máximo rigor. (...) Os golos sofridos com demasiada facilidade não são um efeito passageiro de umas quantas semanas de debilidade psicológica: o FC Porto sofreu golos em todos os jogos importantes que fez (e só venceu um, com o Sporting).»
José Manuel Ribeiro, O JOGO, 28-02-2014

José Manuel Ribeiro, O JOGO, 28-02-2014

Na conferência de imprensa de antevisão da deslocação a Guimarães (domingo, 19h15, 21ª jornada do campeonato), o treinador principal do FC Porto, em resposta a uma questão sobre a razão dos erros defensivos que se têm sucedido, afirmou:

Não tenho explicação para isso [a razão de tantos erros defensivos], mas certamente haverá quem tenha. Se abrir os jornais todos os dias, os doutorados com certeza lhe explicarão o porquê de isso acontecer

Os erros defensivos sucedem-se. O FC Porto sofreu golos em todos os jogos importantes que fez (e só venceu um). No campeonato, o FC Porto já encaixou 14 golos em 20 partidas, tantos como os que sofreu nos 30 jogos do campeonato da época passada. No total, o FC Porto já sofreu 29 golos nos 36 jogos disputados esta época.

Perante isto, qual a explicação de Paulo Fonseca? Não tem e, melhor ainda, sugere que se pergunte aos “doutorados dos jornais”.
Pronto, ficamos esclarecidos...

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

As entrevistas de O JOGO

Desde que saiu do FC Porto, quantas entrevistas (a maior parte delas exclusivas) é que O JOGO já publicou de André Villas-Boas? Sinceramente, já perdi a conta.

Obviamente, percebo o forte interesse jornalístico de um jornal como O JOGO, publicar entrevistas com ex-treinadores do FC Porto.

Mas, precisamente por reconhecer o interesse jornalístico e saber qual é o principal público-alvo do único jornal desportivo que tem a sede no Porto, surprende-me que O JOGO não publique entrevistas com o último dos ex-treinadores do FC Porto, até porque, que me lembre e desde que saiu do FC Porto, Vítor Pereira já deu entrevistas extensas ao Maisfutebol (01-07-2013), TVI e Record (10-09-2013).

É O JOGO que, de acordo com a sua linha editorial, não está interessado em entrevistar o treinador que levou o FC Porto ao tri-campeonato, ou Vítor Pereira que não quer dar entrevistas ao jornal dirigido por José Manuel Ribeiro?

Nota: Este post nada tem a ver com o gostar mais ou menos de AVB ou de VP. Aliás, para que fique claro, eu faço parte dos portistas que já perdoaram a "traição" de AVB e gostava de, um dia (não esta época, porque isso seria muito mau sinal), o ver regressar à sua "cadeira de sonho".

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Da exigência máxima à desculpabilização (II)



«Sem Quintero, que foi sozinho o plano B um par de vezes, nem desequilibradores genuínos no banco, Paulo Fonseca só conseguiu dar uma resposta incompleta a um Belenenses muito recuado e hermético: usou o segundo ponta de lança...»

Indo jogar ao Restelo sem poder utilizar Quintero (devido ao colombiano estar a recuperar de uma lesão muscular na face posterior da coxa esquerda), o qual, na opinião de José Manuel Ribeiro (JMR), “foi sozinho o plano B um par de vezes” e, além disso, sem ter “desequilibradores genuínos no banco”, como é que o FC Porto de Paulo Fonseca haveria de ganhar a um Belenenses recém promovido à I Liga?

De facto, olhando para o banco de suplentes e vendo lá sentados jogadores como Defour, Josué, Carlos Eduardo, Licá e Ghilas, como é que Paulo Fonseca poderia mudar a táctica e/ou melhorar o desempenho atacante da equipa? Impossível, principalmente em jogos contra equipas da estaleca do Belenenses que, como todos sabemos, estão recheadas de craques que não vieram dos “arrabaldes da alta competição”…

Agora, se Paulo Fonseca tivesse um banco de suplentes constituído por Castro, Izmaylov, Kelvin, Tozé e Sebá (como no slb x FC Porto, em Janeiro de 2013), com tantos “desequilibradores genuínos” à disposição, aí já se podia exigir mais qualquer coisa…



O JOGO, 30-11-2013

No dia 30-11-2013, umas horas antes do descalabro de Coimbra, JMR escrevia o seguinte:

“O futebol jogado não é pior do que foi o de Vítor Pereira grande parte do tempo (melhor no ataque, pior na organização)”

Bem, até um cego via que este FC Porto de Paulo Fonseca era pior que o da época passada em TODOS os aspetos. Pior a atacar (se necessário, recomendo a consulta aos indicadores ofensivos, principalmente o dos golos marcados), muitíssimo pior a defender (a defesa do FC Porto parecia um queijo suíço) e, em termos de (des)organização, nem havia comparação possível.

“os resultados são, basicamente, os mesmos (até os da primeira época na Liga dos Campeões)”

Sugiro a que alguém de O JOGO mostre ao diretor desse jornal os resultados no Campeonato e na Liga dos Campeões, nas épocas 2011/12, 2012/13 e 2013/14, no período entre agosto e dezembro.

“e muitos deles [resultados] foram adulterados por erros individuais, que só por má-fé remetem para o treinador”

Ai sim? Como, para além dos evidentes dois pesos e duas medidas, a memória de JMR parece ser muito curta, eu vou recordar alguns resultados da época passada que, de acordo com o mesmo critério, “foram adulterados por erros individuais”.

19-08-2012, Gil Vicente x FC Porto (0-0) – Resultado adulterado por dois erros graves (dois penaltis por assinalar) do árbitro Duarte Gomes.

29-09-2012, Rio Ave x FC Porto (2-2) – Resultado adulterado por um erro grave (um penalti por assinalar) do árbitro Bruno Esteves e por um erro individual de Maicon, que ofereceu o golo do empate a Tarantini (Maicon tentou sair da área com a bola controlada e perdeu-a para Tarantini).

10-02-2013, FC Porto x Olhanense (1-1) – Resultado adulterado por um erro individual de Jackson, que falhou um penalti.

13-03-2013, Málaga x FC Porto (2-0) – Resultado do jogo e da eliminatória adulterado por um erro individual de Defour, que se “autoexpulsou” estupidamente no início da 2ª parte, deixando os dragões a jogar com menos um, numa altura em que a eliminatória estava empatada.

17-03-2013, Marítimo x FC Porto (1-1) – Resultado adulterado por um erro individual de Jackson, que falhou um penalti.

Engraçado, não me lembro que todos estes “erros individuais” (quer de árbitros, quer de jogadores do FC Porto) e que adulteraram os resultados de cinco jogos, tenham servido para o Diretor de O JOGO ser mais compreensivo e menos cáustico em relação a Vítor Pereira.




O JOGO, 17-12-2013
«No FC Porto reabilitado por Paulo Fonseca, houve o furacão Carlos Eduardo, mas também o furaquinho Licá (...) Tal como Carlos Eduardo é o jogador talhado para a posição que Lucho González cumpria em desconforto e sem rendimento, atrás de Jackson, também Licá é a simplificação da enorme ensarilhada de processos a que Josué obrigava quando colocado a extremo esquerdo. (...) em duas semanas Fonseca virou a mesa e ganhou uma equipa, que não só é muito diferente das versões anteriores dele próprio como já é uma edição de autor, impossível de relacionar com as de Vítor Pereira


“FC Porto reabilitado por Paulo Fonseca”?
O FC Porto herdado por Paulo Fonseca, acabado de vencer o tri-campeonato (com uma derrota em 90 jogos para o campeonato), estava a precisar de ser reabilitado?

“Edição de autor”?
Deixa cá ver se eu percebi. Ao fim de quatro meses, Paulo Fonseca colocou, finalmente, o Lucho a jogar na sua posição natural (posição 8); colocou Carlos Eduardo, um jogador ostracizado no inicio da época (nem fez parte da lista para a Liga dos Campeões) e que se vinha destacando na equipa B, a jogar solto, nas costas do ponta-de-lança, na posição onde el comandante se sentia desconfortável e não tinha rendimento.
Adicionalmente, colocou a jogar a extremo esquerdo um… extremo (Licá), retirando dessa posição um médio (Josué) que, era óbvio, não tem características para jogar encostado à linha.
Será a isto que JMR chama o Porto edição de autor de Paulo Fonseca?


Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Da exigência máxima à desculpabilização (I)

Diretores de O JOGO, Record e A BOLA (fonte: FPF)

Não conheço pessoalmente José Manuel Ribeiro (JMR) mas, sendo leitor de O JOGO, costumo ler aquilo que escreve e parece-me ser um daqueles portistas que nunca foi grande apreciador do trabalho feito por Vítor Pereira nos três anos em que o espinhense foi treinador do FC Porto (um como adjunto e dois como treinador principal). Sobre isso nada a dizer.

Mas, para além do adepto de futebol, JMR é também jornalista e Diretor do jornal O JOGO. Ora, nesse papel, impressiona-me a forma dual como tratou os últimos dois treinadores do FC Porto. Onde havia exigência máxima (em relação a Vítor Pereira), agora vejo explicações e até desculpabilização para todo o tipo de desaires (em relação a Paulo Fonseca).

Vejamos alguns exemplos de escritos de JMR nos últimos três meses…


«A cura para a ingenuidade
Era previsível que a ingenuidade fosse o calvário do FC Porto nesta Liga dos Campeões (...) Desde o treinador, ainda a procura da melhor formula para equilibrar uma equipa grande e ele próprio estreante na Champions, até aos reforços, todos vindos dos arrabaldes da alta competição, não havia muito por onde fugir. (...) É perder para aprender
O JOGO, 02-10-2013 (após a derrota em casa frente ao Atlético Madrid)

Ingenuidade na Liga dos Campeões?

Recuemos no tempo. Em Setembro de 2012, qual era a experiência (número de jogos disputados) de jogadores como Danilo, Alex Sandro ou Jackson na Liga dos Campeões?
E, há um ano atrás, Helton, Otamendi, Mangala, Fernando, Defour, Lucho e Varela tinham, por acaso, mais experiência na Liga dos Campeões do que têm esta época?

Reforços vindos dos arrabaldes da alta competição?

É um facto que o Josué, o Licá, o Carlos Eduardo, o Ricardo e o o Ghilas vieram de Paços Ferreira, Estoril, Vitória Guimarães e Moreirense.
Mas não era isso que muitos portistas defendiam?
Isto é, que o FC Porto devia suprir as lacunas do seu plantel, procurando, em primeiro lugar, entre os valores emergentes que se destacassem nos “clubes pequenos/médios” do campeonato português?
E, já agora, de onde vieram Drulovic, Zahovic, Capucho, Deco, Jorge Andrade, Derlei, Paulo Ferreira, Nuno Valente, Pepe, Helton, Rolando, Cissokho, Maicon, entre muitos outros que vestiram e jogaram com a camisola do FC Porto na Liga dos Campeões?

O Reyes e o Herrera vieram da América Latina (como todos sabemos, um “arrabalde da alta competição” onde é raro o FC Porto contratar jogadores…) mas, por exemplo, de onde vieram o paraguaio Paredes, o brasileiro Fernando, ou o colombiano Jackson Martinez?

O Quintero não veio do Real Madrid ou do Manchester United? Pois não, veio de um “clube pequeno/médio” europeu (Pescara, Série A italiana), mas de onde vieram Guarín, Belluschi, Alvaro Pereira, Defour ou Mangala?

E, já agora, de onde veio o Hulk? Da Premier League?

Esta tese, cruzando a ideia de reforços de qualidade duvidosa com uma suposta ingenuidade do plantel portista, de ingénua não tem nada, mas pronto, foi uma das que serviu ao Diretor de O JOGO para desculpar a desastrosa campanha do FC Porto na Liga dos Campeões 2013/14.


«Moutinho leva tempo a curar
Era exigível que [o FC Porto] jogasse um futebol mais autoritário? Não. O facto de termos esquecido tão depressa que o FC Porto perdeu João Moutinho, ventrículo direito e esquerdo da equipa, é trabalho do treinador, mas não é problema que se ultrapasse assim. (...) Paulo Fonseca teria sempre direito a tempo e a experimentação. Sobretudo quando consegue experimentar e ganhar em simultâneo

Pois, conforme os portistas sabem, não é nada normal o FC Porto vender dois ou três dos seus melhores jogadores no final das épocas... Mas, para além disso, o tom dramático desta tese do Diretor de O JOGO, que mais parece algo do género “depois do Moutinho, o diluvio”, fez-me pensar como é que foi possível o FC Porto ganhar 1 Taça dos Campeões Europeus, 1 Taça UEFA, 1 Liga dos Campeões, 1 Supertaça Europeia e 2 Taças Intercontinentais… sem o Moutinho! Os treinadores dessas equipas devem ter feito autênticos milagres…

Agora, numa coisa o Diretor de O JOGO tem razão. Ao contrário de Vítor Pereira que, a partir da “limpeza de balneário” de Janeiro de 2012, praticamente só dispôs de quatro médios (Fernando, Moutinho, Lucho e Defour), a Paulo Fonseca não faltaram jogadores e tempo (de Julho a Dezembro de 2013) para fazer experimentações no meio campo portista.
Só no jogo de Coimbra (estádio onde o FC Porto não perdia para o campeonato há 43 anos!), foram várias as experiências mirabolantes em apenas 90 minutos.



«O Crédito de Paulo Fonseca
Com a Liga dos Campeões danificada pela falta de maturidade de alguns elementos, mais do que por qualquer fracasso táctico (...) Pinto da Costa sabe muito bem que ficou a dever um extremo ao treinador no mercado de Verão
O JOGO, 26-10-2013 (após a derrota em casa frente ao Zenit)

Esta é uma das teses mais divertidas, a tese do modelo táctico excelente (o Bayern de Heynckes e o Real de Mourinho também jogavam com um duplo pivô…), a que faltou maturidade e um extremo de top (já agora, quais eram os extremos que existiam no plantel da época passada?).

O facto do Fernando render o triplo se jogar sozinho à frente da defesa e do Lucho render um terço se jogar encostado ao ponta de lança é, pelos vistos, irrelevante.
E que interessa se os jogadores do FC Porto têm características diferentes dos que jogavam no Bayern Munique ou Real Madrid?
Se o Diretor de O JOGO, do alto da sua sapiência, diz que não houve qualquer fracasso táctico na Liga dos Campeões 2013/14, quem somos nós para contestar?

(continua)

sábado, 14 de dezembro de 2013

Não, não foi azar

«O azar e a sorte intrometem-se frequentemente no jogo, ora para nosso desespero ora para nossa alegria. Neste jogo com o Atlético de Madrid nada correu bem, mas temos de convir que foram cometidos alguns erros capitais que não devemos escamotear, porque aconteceram e são recorrentes. (…) Com o Nacional e o Belenenses, foi a mesma história. Foram falhas e não tiveram nada a ver com a sorte ou o azar.»
Mário Faria, in ‘Frustração!


Desde o início da época que eu acompanho, com alguma curiosidade, a linha editorial de O JOGO, nomeadamente no que diz respeito ao treinador escolhido por Pinto da Costa para suceder ao mal amado Vítor Pereira. Em termos de desculpas e atenuantes tem havido de tudo e, desta vez, parece que a culpa da derrota (mais uma!) foi dos ferros das balizas do Vicente Calderón.

Não, por mais que O JOGO e outras pessoas queiram passar essa ideia, não foi por causa dos ferros, nem por azar, que o FC Porto perdeu em Madrid.

Não, não foi azar, bem pelo contrário, o Atletico Madrid já ter o 1º lugar do grupo assegurado e, por isso, ter alinhado de início com várias segundas escolhas - Aranzubia, Alderweireld, Manquillo, Insúa e Óliver Torres.

Não, não foi por azar que o FC Porto sofreu um golo ao minuto 14, na sequência de um lançamento lateral (!) do adversário.

Não, não foi por azar que o FC Porto sofreu um golo ao minuto 37, marcado por Diego Costa, o qual, sozinho contra a “linha” defensiva do FC Porto, se isolou e bateu Helton facilmente (numa jogada que foi quase uma fotocópia de outra que, qual aviso, tinha ocorrido ao minuto 29).

Não, não foi azar a forma passiva como toda a defesa do FC Porto, ao minuto 45, ficou a assistir à troca de bola entre jogadores do Atletico e que só não culminou no 3º golo dos colchoneros porque Helton defendeu o cabeceamento de Adrián feito à queima roupa.

Não, não foi azar (foi uma enorme sorte!) Diego Simeone ter trocado ao intervalo o bad boy Diego Costa pelo inconsequente David Villa.

Não, não foi azar, bem pelo contrário, Diego Costa (atualmente o melhor avançado do campeonato espanhol) só ter jogado 45 dos 180 minutos, nos dois jogos entre dragões e colchoneros.

Não, não foi azar, nem por culpa do Austria Viena (o qual fez a sua parte e a 40 minutos do final do Atletico Madrid x FC Porto já ganhava ao Zenit por 3-1), que o FC Porto ficou fora dos oitavos final da Liga dos Campeões.


Durante várias semanas, fomos bombardeados com a tese dos erros individuais…
O facto dos “erros individuais” terem sido cometidos, não por um jogador desconcentrado ou em má forma, mas serem recorrentes e cometidos por vários jogadores - Helton, Danilo, Otamendi, Mangala, Alex Sandro e Herrera, só para falar nos mais óbvios e com consequências diretas em golos sofridos -, não mereceu qualquer reflexão dos responsáveis, nem análise aos problemas coletivos que estavam na sua origem.

Depois veio a tese mirabolante da equipa quase perfeita, a que só faltava afinar a finalização…

Agora querem convencer-nos que a culpa é do azar.

Capas de O JOGO após as derrotas em casa frente ao Atletico Madrid e Zenit

Senhor diretor de O JOGO (e não só), a realidade é a seguinte: o FC Porto só ganhou UM dos SEIS jogos que disputou para a fase de grupos da Liga dos Campeões. Azar? É mesmo, um azar do caraças…

É óbvio que seguir por este caminho, o caminho das desculpas esfarrapadas (azar, inexperiência, azar, erros individuais, azar, postes das balizas, azar,…) e das vitórias morais (a capa de O JOGO após a derrota em casa frente ao Zenit encheu-me a alma destroçada), não vai levar a nada de positivo. Contudo, se há pessoas que acham que o problema deste FC Porto de Paulo Fonseca é de azar e mau olhado, contrate-se um bruxo…

P.S. Este artigo foi elaborado e agendado há dois dias atrás e só não foi publicado antes por uma questão de agendamento de artigos de outros co-autores do 'Reflexão Portista'.