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sábado, 5 de fevereiro de 2011

Turquia, um mercado emergente


«De uma assentada, Yildirim Demiroren decidiu contratar três das estrelas portuguesas mais cotadas do mercado futebolístico. O presidente do Besiktas já tinha ido buscar, no Verão, Ricardo Quaresma ao Inter de Milão, a troco de 7,5 milhões de euros e um ordenado chorudo. Antes já se tinha decidido pelo craque do Real Madrid, Guti. Agora, na janela de Inverno, optou por abrir ainda mais a carteira e, numa parceria com o empresário Jorge Mendes, garantiu as contratações de Simão Sabrosa, Hugo Almeida e Manuel Fernandes.

Os três portugueses foram apresentados. Em linha, numa mesa em conferência de imprensa e vestidos com a camisola preta e branca do Besiktas, falaram aos jornalistas. Horas antes, o Aeroporto Ataturk, em Istambul, tinha sido invadido por adeptos eufóricos com a chegada do trio. A confusão foi tanta que a polícia foi obrigada a intervir, pessoas ficaram esmagadas e os futebolistas tiveram de ser escoltados até aos carros. É neste mundo entre a euforia e os resultados que Demiroren ocupa o cargo de presidente do Besiktas desde 2004. Venceu a corrida a três e segue os passos do pai, antigo dirigente do clube.

Demiroren vive do estrelato. Com negócios no gás natural e uma enorme paixão pelo futebol, este milionário turco, que já ganhou a alcunha de "Abramovich da Turquia", não está a conseguir juntar os bons jogadores aos bons resultados.

Chegou em 2004 e apesar de um pedigree semelhante ao seu predecessor, as vitórias teimam em não aparecer. Para tentar fugir à sina de ser tomado por um dos piores presidentes desde que o Besiktas foi criado, em 1903, está a injectar dinheiro para inverter essa situação.

Foi responsável pela renovação do Estádio Inönü, criou o canal de televisão do clube Besiktas TV. Levou Del Bosque e Tigana, bem como jogadores como Carew, Ricardinho e Ailton. Mas a equipa continua longe do topo. Ocupa o quinto lugar, a 14 pontos do líder, Trabzonspor.
Pior: o segundo lugar, último de acesso à Champions, está já a nove pontos e é ocupado pelo Bursaspor. Os adeptos começam a impacientar-se...

Foi ele quem escolheu o treinador Bernd Schuster para liderar a equipa, contratou a estrela do Real Madrid Guti e levou Quaresma por 7,5 milhões de euros. Numa parceria com o empresário português Jorge Mendes, convenceu Manuel Fernandes e o Valência - um empréstimo com opção de compra no final da temporada. Demiroren desbloqueou os contratos de Simão com o Atlético e Hugo Almeida com o Bremen a troco de 2 milhões de euros cada um, pois os contratos de ambos só terminavam no final da época. Aos dois ofereceu um ordenado milionário de 3 milhões de euros anuais
in PUBLICO.pt

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Nas vésperas de um desafio com o FC Porto, já uma vez aqui falei na dimensão e capacidade económica do Fenerbahçe.

Vale a pena recordar que a Turquia é um país de 70 milhões de habitantes e que só na área metropolitana de Istambul vivem mais de 11 milhões de pessoas.

Quando os dirigentes dos principais clubes turcos puserem em prática uma gestão desportiva competente e começarem a ser mais criteriosos nos muitos milhões que investem, não vai ser fácil aos clubes portugueses derrotá-los nas competições europeias.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Não deu para descansar



Falcao arranca penalty e finalmente não o falha. Vantagem parecia tornar-se decisiva até ao momento em que Rodriguez perde a calma, algo que já se está a tornar um hábito.
Besiktas passa a dominar o jogo, marca um golão e falha mais 2 ou 3 feitos.
Quase no final, mais uma decisão arbitral controversa e Micael vê-lhe negado (sobre a linha?) o possível golo da vitória.
Pelo meio, demasiadas falhas defensivas que fazem renascer receios antigos e um meio-campo que não carburou como vinha sendo habitual. O Besiktas também nunca colaborou e acabou por ser o teste mais difícil desta época no Dragão.
Apuramento no bolso mas um empate que tem que se considerar justo.

Jogo muito vivo. Se calhar vivo em demasia para os nossos íntimos desejos de algum descanso pré-clássico.
Os turcos deram sempre água pela barba e jogaram no campo todo, sempre muito fortes no um-para-um.
Podia o golo cair para qualquer dos lados, quando Falcao tirou da algibeira um penalty que compensa aquele outro - roubado - no jogo de Istambul.
Grande expectativa sobre se o enguiço seria desta vez quebrado. Dito e feito: o próprio colombiano assume a responsabilidade e finalmente o FCP volta a saber marcar do disco.

A segunda parte ainda ia nos seus inícios e o Besiktas jamais dava descanso.
O difícil torna-se ainda mais complicado quando Rodriguez, já amarelado, cai infantilmente na ratoeira dos turcos e é expulso após uns "chega-para-lá" mais emotivos que o habitual.
O uruguaio parece continuar sem perceber por que razão não esteve no último Mundial e levanta ainda mais dúvidas sobre o seu futuro no nosso clube.

De súbito, os turcos colocam ainda maior pressão e com um golão, de fora da área, empatam a partida. Ainda teriam mais oportunidades flagrantes e nas bancadas e no banco de suplentes começa a germinar a ideia que o empate até que nem seria assim tão má ideia.

E nem mesmo a expulsão do jogador do Besiktas, fez alterar muito estes pensamentos.
Porém, e de modo algo surpreendente, a dada altura os turcos começam a quebrar e parecem também dar-se por satisfeitos.

Estavam as coisas nisto quando uma excelente jogada de combinação deixa Micael na cara do guarda-redes contrário. Chapéuzinho perfeito e...golo! Golo? Afinal não. Um dos inúmeros árbitros (6 no total!) considerou que um turco ainda terá conseguido evitar que a bola cruzasse completamente a linha. Dúvidas. Muitas dúvidas.

Foi um partida em que ninguém esteve em particular evidência. Pelo contrário, até mesmo Álvaro Pereira deixou muitas interrogações no ar tais as crateras que se abriram no seu lado. Também o meio-campo, povoado com quase tantos elementos quanto o número actual de árbitros num jogo de futebol, nunca conseguiu verdadeiramente segurar estes turcos vivaços e raçudos.

Dois dias para reflectirmos.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Um bom teste


Jogar na Turquia nunca é fácil.
Vencer no estádio Inonu é sempre, em qualquer circunstância, um excelente resultado.
Vencer jogando 47 minutos em inferioridade numérica (os últimos 6 minutos com menos dois jogadores) é algo que pouca gente admitiria como provável.
Vencer jogando contra 13 (os 11 jogadores do Besiktas, o público e o árbitro) é obra!

Dito isto, queria agradecer ao senhor Carlos Clos Gómez, porque a sua actuação vergonhosa teve o efeito de proporcionar aos jogadores e treinador do FC Porto um bom teste, quer do ponto de vista meramente futebolístico, quer em termos de maturidade e experiência.
São jogos como este, em que o sofrimento se mistura com a qualidade futebolística, que fortalecem os colectivos e fazem as equipas crescer.

Num jogo em que a solidariedade e a união do grupo portista se impuseram e superaram todas as adversidades, é justo, mais uma vez, destacar a exibição de Hulk. Marcou dois golos extraordinários, fez uma fantástica assistência para o 2º golo de Falcao (um roubo a forma como este golo foi anulado) e foi um quebra cabeças constante para a defesa turca. Mas talvez a jogada que melhor define este novo Hulk tenha sido, quase no minuto 90, quando veio cá atrás ajudar a defesa e, com um carrinho, cortou uma jogada perigosa do Besiktas.

Foi impressionante ver, no final do jogo, o estádio em pé a aplaudir Hulk. Por isso, meus amigos, aproveitem e desfrutem enquanto ele anda por cá, porque a partir da próxima época o incrível irá dar espectáculo para outro ($$$) campeonato.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Em serviços mínimos


Para o segundo encontro referente à Peace Cup, o FC Porto apresentou-se em Sevilha, diante do Besiktas, com 4 alterações no onze inicial relativamente ao jogo com o Lyon. Beto, Miguel Lopes, Guarín e Farias tiveram oportunidade de se mostrar ao treinador, que, para esta partida, optou por retirar os alas puros da equipa, dando um cariz mais musculado ao meio campo. Uma espécie de 4-4-2, que se revertia pontualmente em 4-3-3.

Mercê dessa alteração táctica os Dragões evidenciaram alguma desorganização durante grandes períodos do jogo. A equipa Turca foi quem mais assumiu o controlo das operações, mas ao longo de todo o encontro, só foi criando algum frisson junto à baliza de Beto a partir de lances de bola parada.



Do lado do Porto, com Meireles a evidenciar pouco fulgor físico, Belluschi intermitente – apesar de pontualmente fazer uns apontamentos de classe – foi Guarín quem se mostrou mais esclarecido do que aquilo que lhe é habitual ver. Fernando, esse, varre tudo o que lhe aparece pela frente. Na dianteira, Farias passou longos minutos longe do jogo, e só Hulk fez valer a sua velocidade de ponta. Tivesse o árbitro a graduação dos seus óculos calibrada, e teria assinalado 2 penalidades claríssimas sobre o avançado portista.

Na verdade, esta é uma daquelas partidas que não deixará saudades a ninguém. Ao ritmo tradicionalmente lento destes típicos jogos de pré-temporada, junte-se a pouca predisposição das 2 equipas em jogar o jogo pelo jogo. É certo que ao FC Porto servia-lhe um empate para seguir em frente nesta competição, bem como as nuances tácticas impostas nesta partida por parte de Jesualdo possam ter afectado o rendimento colectivo, mas isso, por si só, não justifica uma exibição tão descolorida.



De positivo, fica o registo de mais uma prestação imaculada da defesa azul e branca, sendo claramente o sector mais entrosado da equipa. Beto muito seguro. Miguel Lopes em estreia, com algum nervosismo à mistura, que lhe valeu algumas más acções. A dupla de centrais esteve irrepreensível, como é hábito. Álvaro Pereira muito bem no flanco esquerdo.

Segue-se como adversário o Aston Villa, nas meias-finais da Peace Cup.

Fotos: Getty Images