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sexta-feira, 17 de julho de 2015

O que é um jogador à Porto, afinal de contas?

Como sabemos muito bem, Pinto da Costa elogiou Maxi Pereira como sendo um «jogador à Porto». 

Pessoalmente vi isso muito mais como alguém que está a «vender o seu peixe», para usar a metáfora, do que fruto de uma convicção pessoal, mas não excluo que ele acredite mesmo nisso. Só ele sabe.

Mas o que é afinal um «jogador à Porto»? Este artigo não é só sobre o Maxi (para isso tivemos o artigo de ontem), mas sim para abordar de forma mais geral o que entendemos pela expressão.

Bem, a resposta é por natureza subjectiva: ninguém detém a resposta certa. Mas há alguns consensos. Uma condição que é frequentemente mencionada é ser um jogador «que dá o litro». Outra é ser «aguerrido».

Mas isto chega? Para mim não. Para mim um «jogador à Porto» inclui também as seguintes características:
  • é um jogador humilde (embora tenha um ego saudável, não se indo abaixo ao primeiro contratempo - alô Semedo). Ou seja, não se põe em bicos de pé nem muito menos se arma em prima donna.
  • é um jogador ambicioso e inconformado. 
  • é um jogador que sente a camisola do FCP e por isso «come a relva». Não precisa ser prata da casa ou portista de pequenino (vide Deco), nem muito menos precisa de sonhar em acabar a carreira no FCP, mas demonstra senti-la: sofre verdadeiramente com as derrotas do clube. Um exemplo clássico disso foi a atitude de Jorge Costa numa célebre derrota em Belém. Um jogador «profissional» dá 100%; um jogador profissional que sente a camisola FCP dá 110%. Ora como consequência lógica para mim não se sabe se um jogador é jogador «à Porto» ou não antes de... o demonstrar no FCP.
Isso para mim é o fundamental. Mas para além disso e em menor medida:
  • não é por natureza um jogador maldoso. Pode ser até bastante faltoso, mas não maldoso.
  • não é por natureza um jogador trapaceiro ou fiteiro (que isso aconteça raramente acontece a todos, infelizmente o mundo do futebol é assim). Admito sem problemas que já tivémos jogadores assim (não é exclusivo dos rivais), mas o que isso significa para mim é apenas que... esses jogadores em questão não eram jogadores à Porto.
Jogadores como Jorge Costa, Bruno Alves, João «Broas» Pinto, Rui Barros, Deco foram jogadores à Porto, cumprindo os meus critérios pessoais. Já outros dos nossos ídolos não, falhando claramente em um ou mais requisitos (Bibota, Madjer, Jardel), mas também não deixam de ter sido ídolos meus por causa disso.

Há quem diga, relativizando, que aos olhos dos lamps alguns dos exemplos que dei também falham nos meus critérios. Que Jorge Costa era um jogador maldoso, por exemplo. Ou que Deco era um fiteiro inveterado.

Pois bem, com todo o devido respeito eu estou a borrifar-me para o que eles pensam. Eles também acham que ganharam o último campeonato de forma limpinha, mas isso não muda de todo a minha convição de que sem colinho nunca teriam sido campeões. Portanto: não, não acho que Jorge Costa fosse por natureza maldoso ou Deco um fiteiro inveterado. Apesar de reconhecer que também já tivemos jogadores assim, e de reconhecer que já houve e/ou há jogadores no slb com potencial para serem jogadores à FCP. Posso ter óculos azuis e brancos, mas não sou cego.

Pegando no exemplo Maxi Pereira, para mim ele falha claramente em alguns dos critérios acima, por muito que dê o litro. Mais: é um símbolo-mor do «manto protector» que tanto criticamos ao slb, e depois de tudo o que disse e fez ao longo de oito anos no slb não vejo como algum dia possa vir a sentir verdadeiramente a camisola do FCP.

Há quem assinale que Moutinho (que já agora penso preencher em boa medida os meus critérios para «jogador à Porto», ainda que não totalmente) também era um símbolo do SCP. Sim, era um símbolo do SCP, mas não era um símbolo do que detestamos no SCP.

Resumindo e concluindo: é bem possível que Maxi venha a demonstrar ser 100% profissional no FCP (e é para isso que é pago, e muitíssimo bem pago). É também possível (mas menos provável) que demonstre ter arrepiado caminho completamente no que diz respeito à maldade e batotice inveterada. É até mesmo possível (mas extremamente improvável) que nos próximos 3 anos venha a sentir verdadeiramente a camisola do FCP, e o demonstre.

Mas que para mim ele hoje não é um jogador à Porto, lá isso claramente não é. You´ve got to earn it.

Termino com uma pergunta para reflexão: até há umas semanas atrás Maxi era visto pela maioria dos adeptos lamps como um «jogador à benfica». Será que «jogador à Porto» e jogador à benfica» afinal é a mesma coisa? 

quarta-feira, 22 de junho de 2011

De Oliveira a AVB

Um dia nos anos 80 vi o meu ídolo de infância, aquele por quem chorei a ida para Sevilha e festejei o seu regresso, aquele que para mim era o símbolo do ser jogador do Porto, jogar nas Antas com uma camisola vermelha, empatar a 2 e no fim do jogo ser aplaudido pelos adeptos do Porto.

Nesse dia percebi que eu gostava mesmo era do Porto, doeu ver os adeptos do Porto vaiarem os nossos jogadores e aplaudirem quem nos tirou um ponto em casa.

Passaram-se uns 30 anos - pelo meio houve mais 2 ou 3 desilusões - e as coisas estão extremadas, não há símbolos do clube. Há profissionais que vestem a camisola do clube e recebem bem por fazê-lo. Há muito que deixei de admirar o homem, admiro o profissional. E como profissionais o que lhes peço é que justifiquem cada tostão daquilo que recebem. Durante anos mentalizei-me disto, até porque o clube também tem esta necessidade: vênde-los e por isso não vale a pena estar a criar muitas afectividades.

É como profissional que estou agradecido a André Villas-Boas, encaixou perfeitamente naquilo que peço aos profissionais do Porto. Não sei se foi a melhor época do Porto, isso é sempre subjectivo, mas foi uma época perfeita.

E esta mensagem devia ter acabado aqui.

Mas (e há sempre um mas) desta época fiquei com a ilusão de algo mais, identifiquei-me a 100% com o profissional, voltei a identificar-me com o homem que está atrás do profissional, voltei a acreditar que era possível que o futebol fosse puro prazer, que os egos e as vontades individuais fossem sobrepostos pelo gozo colectivo.

Acordei.

André, vou-te dizer uma coisa: foda-se esta doeu!

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Sempre se poupam uma coroas

Daquilo que a minha memória alcança, acho que é a 1ª vez que um treinador, no Porto, dispensa os estágios de véspera em hotel e todos juntinhos, antes dos jogos em casa.

Obviamente que o aspecto económico não é para aqui chamado, mas há um hotel que vai ter quebra de receitas, é a crise! Mas lembro-me facilmente de um conjunto de treinadores com quem esta decisão era  completamente impossível, e um conjunto de jogadores para quem esta decisão era o antecipar do fim de uma carreira (ou nem sequer começavam a carreira).

Como é que o Co Adriaanse ia apanhar as cabeleireiras do McCarthy?


Obviamente que uma medida destas responsabiliza e muito os jogadores, muito mais que ao treinador, e se algum é apanhado a mijar fora do penico, pode começar a fazer as malas.

Como adepto, quero ver empenho, bom futebol e vitórias, quero lá saber saber com quem os jogadores partilham o quarto ou tomam o pequeno-almoço, mas agrada-me a responsabilização individual. Agrada-me que não haja capatazes, mas que exista uma equipa, em que cada um tem responsabilidades individuais e colectivas, e que todos tenham em mente a ideia de que estão a trabalhar para o bem comum.

Isto não se consegue fazer com um grupo qualquer, por isso os jogadores que aproveitem e saibam estar à altura da responsabilidade que lhes está a ser dada, para que não tenhamos que levar com outro Octávio ou outro Adriaanse.

E por falar em hotel, o que é feito do hotel no Olival? Ainda não conseguiram pôr o serralheiro a andar?

terça-feira, 23 de março de 2010

6 prioridades para a próxima época

A presente época ainda não chegou ao fim, longe disso: ainda podemos conquistar a Taça de Portugal, e resta uma esperança ínfima de chegar ao 2o lugar no campeonato. Mas se o treinador e jogadores se devem concentrar nos próximos jogos - é para isso que lá estão e que são bem pagos - não é nada cedo para que a direcção e os adeptos comecem a pensar na próxima época. Mas comecemos por umas reflexões sobre a época em curso.

Nesta temporada assistimos ao maior investimento de sempre no FCP em jogadores - pelo menos 45M€ (para além dos 31M€ no primeiro semestre tivémos ainda A. Pereira, O. Sá, Valeri, Maicón, M. Lopes e Beto antes de 1 de Julho, e R Micael e Addy depois de 31 de Dezembro); e aos mais elevados custos com pessoal (i.e. salários e bónus) entre clubes portugueses. Logo não foi certamente devido a qualquer contenção de despesas que não atingimos os objectivos: tal como em épocas anteriores "esticámos a corda" (aliás, por alguma razão contraímos em Dezembro um empréstimo obrigacionista superior ao caducado), ainda que sem cometer loucuras.

Apesar disso vimo-nos arredados da luta pelo título a 10 jornadas do fim, o 2o lugar por um canudo, uma final da Taça da Cerveja perdida sem brilho nem honra, uma equipa em baixa em vez de em crescendo à medida que o campeonato passa, e um potencial de mais-valias no próximo Verão claramente inferior ao da época passada - apesar de uma prestação honrosa (mas com saída humilhante) na LC. Que pasó?

O slb também investiu fortemente, com a diferença de que não venderam "jóias da coroa" (e isto à custa de empréstimos obrigacionistas ainda mais elevados do que os nossos, e a venda de % de jogadores a um fundo de investimento); mas penso que mais importante do que isso foi uma maior competência nas contratações, o acerto na escolha do treinador, e "colo" quando deu jeito (com a colaboração do ignóbil R. Costa).

No entanto a explicação de "colo" já não funciona para o Braga, que até foi em certa medida vítima (alô Vandinho); muito menos a de uma "fuga para a frente", tendo eles um orçamento umas 10 vezes inferior ao nosso (e é também unânime que o plantel é mais fraco do que o nosso).

Ilações para o futuro?

Antes de mais, penso que há que rever em baixa a estratégia de alto risco (ainda que não tão elevado como a do slb esta época, como expus em Agosto): subir a parada ainda mais - a única alternativa credível - seria hipotecar seriamente o futuro do clube. Nesse caso outra época má sucedida, e sem receitas da Liga dos Campeões, levaria a um impacto por muitos e longos anos. Sendo assim temos que rever significativamente em baixa o investimento em contratações, que tem andado entre os 20 e 40 milhões, tal como a altíssima rotatividade do plantel. Os 15M€ a menos em receitas da LC vão-se fazer sentir, principalmente a partir de Dezembro.

Em segundo lugar, um emagrecimento progressivo da "estrutura" no que está fora do "core business" (que é os jogadores): nomeadamente em custos de salário com administradores, directores, treinadores e restantes administrativos; e em FSE (Fornecimentos e Serviços Externos). Estas rubricas atingiram os 13M€ e 20M€, respectivamente, em 08/09 (e não andarão longe disso em 09/10). Estes custos (só por si umas 3x superiores ao orçamento total de um Braga) têm crescido imenso desde 2003 e precisam mais do que nunca de uma trajectória inversa se quisermos evitar um brusco "apertar do cinto" nas épocas seguintes.

Em terceiro lugar, a mudança de treinador - devido às limitações próprias previamente apontadas neste blog, Jesualdo chegou ao fim do seu "ciclo" no FCP: muito obrigado, estamos gratos pelo balanço geral positivo destes 4 anos, mas adeuzinho e boa sorte.

Penso que o próximo treinador deve encetar trabalho no dia seguinte à final da Taça de Portugal (se não for mais cedo), de forma a ter opinião mais formada sobre prioridades no plantel e possíveis dispensas - mas mesmo antes de se assinar contrato tem que haver uma discussão profunda entre ele e SAD sobre a adequação das ideias dele ao plantel e cultura do FCP, sobre as mais prováveis vendas de Verão, sobre o dinheiro que se estima disponível para investimento (no próximo Verão e seguintes), sobre os papéis de um e outros nas contratações e formação do plantel (com o treinador a ter um papel mais forte do que tem sido o caso), etc.

Em quarto lugar, fugir à tentação de revoluções no plantel: uma meia dúzia de entradas e saídas, não mais, até porque temos jogadores subaproveitados. Nas entradas, repescar para aí uns 3 emprestados (Ukra e Castro são os mais fortes candidatos, mas há outros), comprar um par de jogadores que tenham dado nas vistas no campeonato português (de longe o mercado de compras com melhor rácio sucesso/custo ao longo dos últimos anos), e uma eventual contratação de mais monta no estrangeiro (dependendo do dinheiro encaixado em vendas); não escamoteando a possibilidade de mais outra barata (i.e. 2M€ ou menos) de elevado potencial, seja em Portugal ou no estrangeiro. E chega bem.

Nas saídas, vender um ou no máximo dos máximos dois titulares se aparecerem boas propostas (e não me acredito que apareçam propostas superiores a 20M€), e entre os dispensáveis privilegiar os que tenham mais mercado (mesmo que não sejam os menos úteis), mesmo que sejam libertados "de borla" caso tenham salários muito elevados; Farias é um exemplo desse tipo de jogador. Entre os mais indispensáveis coloco Falcao no topo da lista, apesar de possivelmente ser o jogador com mais mercado: faz muita falta e vai bem a tempo de ser vendido numa das épocas seguintes. Já Meireles é, dos titulares com mercado, porventura o que mais facilmente será substituído (penso que um meio-campo com Fernando, Rúben e Belluschi pode ser interessante, se bem trabalhado).

Em quinto lugar, evitar a aquisição de % de passes de jogadores que já nos pertencem (como fizémos este ano com T. Costa, Fernando, Guarin, Falcao) , a não ser que seja por uma pechincha - o que não foi de todo o caso nos casos mencionados. Quem tem uma situação financeira apertada (para não falar num plantel curto) não pode dar-se ao luxo de jogar no casino.

Em sexto lugar, deixarmo-nos de ser "comidos de cebolada" nas instituições, nomeadamente LPF e FPF: temos certamente poder suficiente para evitar que sejam controladas pelo slb a seu bel prazer, começando por um trabalho de casa diligente nas próximas eleições na Liga (muito ao contrário do que aconteceu nas duas eleições anteriores).

Encerro assim as linhas-mestras do que penso ser desejável para a próxima temporada. Como ficou bem explícito, penso que a mudança de treinador é mais do que desejável mas muito longe de ser a única medida necessária ou até mesmo suficiente. Naturalmente, o sucesso desportivo depende também imenso do pequeno "detalhe" da qualidade de execução: começando pelo acerto na escolha do treinador, ou em contratações cirúrgicas - a margem de erro é muito mais baixa, e o trabalho de casa pela frente é portanto imenso. Esperemos que tudo corra pelo melhor, o que é perfeitamente possível.

Cabeça fria para todos e muito trabalho dedicado e honesto para quem lá está dentro, é tudo o que se pede.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

O cabo das tormentas


«Rodríguez está em plena pré-época, mas tem de a cumprir num período repleto de competição. Em suma, tem muito jogo e pouco treino (...). Mesmo assim, é difícil exigir nível máximo a um jogador que já enfrentou lesões em ambos os joelhos e que só cumpriu 20 sessões de treino sem quaisquer limitações num total de 101 possíveis. Tudo isto é agudizado por constantes viagens para a América do Sul (...). Rodríguez não tem sequer 500 minutos nas pernas e de azul e branco só fez 6 dos 9 jogos que soma esta época. (...) Entretanto, acelera no Olival para voltar a ser desequilibrador na faixa, formando com Hulk e Falcão o ataque há tanto prometido.»
in Record, 24/10/2009


«Pelo menos até agora, Jesualdo Ferreira nunca conseguiu ter à sua disposição aquele que parece ser o seu "onze". Ou falta Hulk por estar castigado ou falta Rodríguez por lesão ou não conta com Fernando por castigo ou não pode utilizar Belluschi por lesão. E para complicar, também lhe faltam Varela e Valeri e Orlando Sá e Tomás Costa para compensar as ausências dos titulares.»
Jorge Maia, O JOGO, 24/10/2009


Antes da largada para a longa viagem que é a época futebolística 2009/10, o comandante da nau azul-e-branca viu partir para outras paragens três dos seus elementos mais capazes – Cissokho, Lucho e Lisandro – e, no caso da dupla argentina, não será exagero dizer que eram dos navegadores mais experientes e que foram pilares fundamentais de epopeias anteriores, nomeadamente na conquista do Tetra aos “mouros” e nas batalhas com as principais potências europeias.

No total saíram 9 e entraram 11 novos marinheiros (!) e, estava a armada portista em ensaios para treino da nova tripulação e já as maleitas afectavam vários deles, com destaque para a baixa prolongada de Rodriguez.

Também há que contar com o Adamastor e com as forças ocultas que manobram nos bastidores. Ainda se via o porto de partida e logo na primeira etapa Hulk era vítima de um inédito castigo, só regressando às lides na quarta etapa da viagem.

Depois vieram mais e mais lesões (no último desafio eram sete!), ao ponto do comandante nunca ter tido à sua disposição a tripulação completa e, inclusivamente, obrigando-o a recorrer a iniciados nas artes de navegar. Todos fazem falta mas, neste domínio, têm sido particularmente sentidas as ausências de Silvestre Varela, Belluschi e agora também de Fucile.

Em paralelo, todos os meses a tripulação portista tem sido desfalcada dos seus marinheiros internacionais, os quais se têm ausentado e estado várias semanas ao serviço dos seus países. Também neste aspecto os dragões têm sido, de longe, os mais afectados entre as naus portuguesas. Para o comprovar basta verificar o que se passou na última jornada dupla das competições de países, em que o comandante Jesualdo ficou praticamente duas semanas sem 10 tripulantes, oito dos quais são titulares habituais - Helton, Fucile, Rolando, Bruno Alves, Álvaro Pereira, Meireles, Rodriguez e Falcao (a estes juntaram-se Beto e Guarin).

É verdade que a navegação tem tido alguns zig-zags e a velocidade não tem sido a ideal, mas convenhamos que, nestas circunstâncias, e em tão pouco tempo não é fácil integrar 11 elementos novos e construir uma tripulação coesa com os necessários entendimentos e mecanizações. Seja como for, nada está perdido (longe disso) e, inclusivamente, o cabo Bojador (conquista da Supertaça) já foi dobrado com sucesso.

Enfim, espero que este conjunto de contrariedades, um verdadeiro cabo das tormentas, seja rapidamente ultrapassado e que a nau portista, comandada pelo timoneiro Jesualdo, entre em águas mais calmas, num rumo seguro em direcção aos destinos pré-definidos: os oitavos da LC e a reedição do penta-campeonato.



Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas foi nele que espelhou o céu.

Fernando Pessoa
poema "Mar Português", livro Mensagem

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Plantel "exige" continuidade de Jesualdo


Penso que na cabeça de Pinto da Costa a decisão já estava tomada mas, depois deste apoio entusiástico dos jogadores na festa do Tetra, a margem de manobra para que Jesualdo não continue como treinador do FC Porto é praticamente inexistente.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Análise individual do plantel - 1ª volta (II)


Rodríguez: Após uma boa pré-época, os primeiros jogos oficiais não lhe correram de feição. Os cruzamentos e remates não lhe saíam bem e limitava-se a fazer o corredor esquerdo do ataque portista. Demonstrou sempre ser um lutador incansável. A 1 de Dezembro de 2008 marca o seu primeiro golo e desde então tem sido habitualmente um dos melhores em campo. Rodriguez começou a variar o seu jogo pelas alas e centro, aparecendo mais vezes na área com perigo, o que lhe valeu mais 4 golos, sendo neste momento o melhor marcador da equipa na Liga a par de Hulk.
24 jogos e 5 golos (Liga 15/5, UEFA 6/0, Taça 1/0, Taça Liga 1/0, Supertaça 1/0)

Mariano: Está longe de recolher o consenso entre os adeptos. Tanto faz boas jogadas como se atrapalha com a bola. Tanto ajuda a defesa como se esquece de defender. Falta-lhe velocidade para jogar nas alas e tem alguma dificuldade em libertar rapidamente a bola. Por outro lado, é esforçado e parece ser um jogador útil no plantel que entra para fazer qualquer posição que se lhe peça. Tê-lo em campo parece ser uma lotaria: não sabemos que Mariano vamos ter. Como disse, muito longe de ser um jogador consensual.
16 jogos e 1 golo (Liga 10/0, UEFA 4/0, Taça 2/1, Taça Liga 2/0)

Raul Meireles: Foi o médio mais desinibido no início da época, devido às várias incertezas no meio campo da equipa. Cumpriu bem o seu papel a médio mais recuado até Fernando começar a sobressair. Aí, regressou à sua posição habitual mantendo o bom momento de forma. Nos últimos jogos da 1ª volta pareceu mais cansado e discreto que o normal.
22 jogos e 2 golos (Liga 14/2, UEFA 6/0, Taça 1/0, Supertaça 1/0)

Bolatti: O único jogo oficial que realizou foi no nevoeiro da Madeira para a Taça da Liga, o que inviabiliza qualquer análise. No entanto foi utilizado por diversas vezes na pré-época quando Jesualdo Ferreira procurava saber quem seriam os médios mais fiáveis do plantel. Bolatti, que esteve tapado em 2007/08, teve a sua oportunidade para triunfar no FC Porto. Contudo, em todos os jogos de preparação, mostrou-se pouco lutador, desmotivado e até sem grande paciência para lutar pela titularidade. Foi naturalmente relegado para último lugar. Bolatti mostrou que não tem estofo para jogar num futebol exigente, como demonstra aliás a recusa para continuar a jogar a título de empréstimo na Europa.
1 jogo (Taça Liga)

Tomás Costa: Apareceu bem no início da época, fazendo boas exibições. É um médio versátil que consegue cumprir com alguma qualidade as posições de médio direito ou esquerdo e defesa lateral. Continua a saltar regularmente do banco de suplentes com resultados positivos.
19 jogos e nenhum golo (Liga 10, UEFA 5, Taça 1, Taça Liga 3)

Fernando: Depois de uma boa pré-época em 2007/08 que não foi suficiente para ficar (até porque estava tapado pelo titular indiscutível Paulo Assunção), regressou para ficar. E, com alguma surpresa, tomou conta da posição de médio defensivo. Justiça seja feita, Fernando começou por ser titular também porque não havia alternativas para o lugar, o que acabou por ser positivo para o FC Porto. Bolatti desistiu da corrida, Pelé pouco jogou, Guarín nunca se adaptou e Meireles rendia menos do que no seu lugar original. Aos poucos, Fernando foi corrigindo alguns defeitos de palmatória, como perder bolas à saída da grande área que nos valeram 2 ou 3 golos e começou a ser mais eficiente na cobertura aos laterais. Acaba a 1ª volta em muito boa forma.
21 jogos e nenhum golo (Liga 13, UEFA 6, Taça 1, Taça Liga 1)

Pelé: Um jogador difícil de analisar pois esteve apenas 143 minutos em campo. Não conseguiu superar a concorrência de Fernando e acabou por ter poucas oportunidades. Julgo que passou praticamente despercebido nos minutos finais em que entrou em campo. Fez um único jogo completo contra o Vitória Setúbal para a Taça da Liga.
5 jogos e nenhum golo (Liga 2, UEFA 2, Taça Liga 1)

Lisandro: Na época passada obteve 24 golos (13 dos quais na 1ª volta). Este ano tem apenas 5 golos na Liga mas este ano os golos têm sido mais distribuídos pela equipa. É lutador e dedicado durante todos os minutos de cada jogo e foi um dos jogadores mais importante na fase de grupos da Champions cumprindo a totalidade dos 6 jogos com 4 golos marcados e 1 assistência. Quer pela qualidade, quer pela quantidade, Lisandro continua a ser um jogador preponderante no onze.
23 jogos e 9 golos (Liga 15/5/4, UEFA 6/4/1, Taça 2/0/0, Supertaça 1/0/0)

Hulk: Em poucos jogos após ter chegado ao clube mostrou que tinha velocidade, força, boa técnica e um potente remate. Tinha também enormes limitações tácticas e um jogo um pouco previsível. Demorou algum tempo a melhorar esses aspectos, mas os resultados estão à vista. Ao fim dos 14 jogos é o jogador mais decidido e perigoso da equipa, capaz de desequilibrar as defesas, mesmo quando o resto o ataque está menos inspirado. É a par de Rodriguez o melhor marcador da equipa na Liga. A segunda volta confirmará se vai ser a revelação da Liga 2008/09.
23 jogos e 6 golos (Liga 14/6, UEFA 6/0, Taça 1/1, Taça Liga 1/0, Supertaça 1/0)

Tarik Sektioui: Vinha de uma boa época deixando a esperança que poderia ser um bom ala no FC Porto por mais uma ou duas temporadas. O ano passado esteve presente em 30 jogos (22 a titular) com 7 golos marcados. Uma lesão inviabilizou-o de participar na pré-época o que, para um jogador com 31 anos, pode ter sido decisivo para a sua má forma. No seu último jogo (Académica para Taça Liga) revelou insuficiências físicas que afectaram totalmente a sua competitividade.
6 jogos e nenhum golo (Liga 3, UEFA 2, Taça Liga 1)

Farías: Tem sido mais utilizado nas competições “secundárias”, como a Taça de Portugal e Taça da Liga, onde tem tido boas actuações contra equipas mais acessíveis. Na Liga não tem demonstrado grandes capacidades, talvez fruto de entrar como substituto para o último quarto de hora. Não jogou em nenhuma partida da Champions League.
11 jogos e 5 golos (Liga 5/1, Taça 2/3, Taça Liga 3/1, Supertaça 1/0)

Candeias: Teve algumas oportunidades durante esta primeira volta. Pareceu ser um jogador determinado mas sem grandes resultados. Poderiam-lhe ter sido concedidas mais oportunidades para jogar. Vai fazer a 2ª volta pelo Rio Ave onde poderá demonstrar os seus atributos.
9 jogos e 1 golo (Liga 4/0, UEFA 1/0, Taça 1/1, Taça Liga 2/0, Supertaça 1/0)

Rabiola: O jovem de 19 anos que vinha lesionado da época anterior manteve o seu plano de recuperação. Em Outubro regressou aos treinos tendo mais tarde boas prestações na Liga Intercalar. Estreou-se na equipa principal com um bom golo à ponta-de-lança. Manteve-se no plantel durante a abertura no mercado, o que é um sinal que poderá voltar a ser aposta na equipa.
2 jogos e 1 golo (Taça Liga)

Diogo Viana: Estreiou-se na equipa no jogo para a Taça Liga contra o V. Setúbal com um bom cruzamento para o golo decisivo de Rabiola, sendo sempre muito activo até ao final da partida. Boas prestações que podem-lhe valer mais oportunidades no plantel.
3 jogos e nenhum golo (Taça Liga)

fonte estatísticas: zerozero.pt (26.01.2009 com algumas correcções minhas)

Análise individual do plantel - 1ª volta (I)


Concluída a 1ª volta da Liga é o momento de fazer uma análise individual aos jogadores que compõem o plantel.

Helton: Começou a época algo inseguro, um pouco à imagem do que tinha sido o final da época passada. Esteve de fora durante 4 jogos e desde então tem estado bem mais firme entre os postes, o que tem ajudado os defesas. A manter-se nesta forma não será com certeza por sua causa que a equipa vai vacilar. Embora os golos sofridos não sejam da exclusiva responsabilidade dos guarda-redes, ficam aqui alguns dados estatísticos interessantes.
18 jogos e 16 golos sofridos (Liga 12/6, UEFA 5/7, Taça 1/1, Supertaça 1/2)

Nuno: O suplente de Helton é experiente e importante para o plantel. Foi chamado para substituir Helton no momento mais complicado esta época, após a derrota por 4-0 contra o Arsenal. Com ele o FC Porto venceu o Sporting para a Liga e sofreu mais três derrotas (D.Kiev, Leixões e Naval). É preciso tirar-lhe o chapéu, pois poucos seriam capazes de aguentar saltar do banco em tão conturbado momento. Nuno é o suplente quase ideal: quando chamado não compromete e tem um papel importante no plantel, principalmente com os mais jovens. Jogou mais uma vez contra o Nacional, para a Taça da Liga.
5 jogos e 8 golos sofridos (Liga 3/5, UEFA 1/1, Taça Liga 1/2)

Ventura: Jovem promissor que, quando chamado, revelou atributos muito importantes para um guarda-redes de grande nível. Destaca-se pela confiança e tranquilidade nas saídas aos cruzamentos e em momentos de mais apuro. Nos dois jogos oficiais da Taça da Liga que realizou esteve bem, sofrendo um golo de penalti.
2 jogos e 1 golo sofrido (Taça Liga)

Bruno Alves: Lutador nato em campo. Teve um ou outro jogo menos conseguido nesta 1ª volta, possivelmente fruto do ajuste às mudanças de colegas na defesa. Tem estado muito bem durante a maioria dos jogos. Contrária à campanha de alguns comentadores para o rotular de violento, Bruno Alves tem apenas 1 amarelo em todas as competições nacionais e internacionais, sendo o jogador mais utilizado da Liga. Pode-se admitir que ficou por mostrar o cartão em mais uma ou outra ocasião, mas o registo disciplinar demonstra as suas qualidades bem como o seu desportivismo. Ficamos à espera de ver mais golos de livre.
24 jogos, 3 golos e 1 amarelo (Liga 15/2/1, UEFA 6/1/0, Supertaça 1/0/0, Taça 1/0/0, Taça da Liga 1/0/0)

Pedro Emanuel: Chamado quase sempre para cumprir a posição mais debilitada do plantel. A idade não perdoa e Pedro Emanuel já não revela a velocidade necessária para defender nas laterais e mesmo no centro do terreno apresenta algumas dificuldades em acompanhar os adversários. No entanto, nunca comprometeu seriamente a equipa nos jogos em que actuou. Os adeptos reconhecem-lhe o profissionalismo e sacrifícios feitos ao longo de todas as épocas de dragão ao peito. Qualquer que seja a altura de pendurar as botas sairá sempre pela porta grande. Para já, tem pelo menos esta época o papel de ser um dos “patrões” do balneário azul e branco, tarefa que poucos se podem orgulhar de desempenhar.
10 jogos e 3 amarelos (Liga 4/0, UEFA 3/1, Taça 1/2, Taça Liga 2/0, Supertaça 1/0)

Stepanov: Uma incógnita proveniente da época 07/08. O jovem internacional tinha na sua sombra alguns graves erros na época passada que valeram golos sofridos e algumas sobrancelhas levantadas quanto ao seu valor. O FC Porto manteve-o no plantel nesta reabertura de mercado, pois esteve muito bem na Taça da Liga, sendo um dos melhores em campo em 2 dos 3 jogos em que participou (no jogo contra o Nacional não pôde ser devidamente avaliado). Se por um lado seria bom uma presença mais activa na equipa principal, por outro é consensual que a dupla Bruno Alves / Rolando tem estado a bom nível.
3 jogos e 1 amarelo (Taça da Liga)

Benítez: É seguramente o jogador mais fraco do plantel. Dele não sobressai nenhuma qualidade digna de menção e muitas das suas capacidades são medianas ou roçam a mediocridade. Tem dificuldades em subir, abre muitos espaços na defesa, recupera mal e lentamente, é quase sempre antecipado pelos seus adversários na área, quer no ar como pelo chão e defende mal, recorrendo constantemente à falta como revelam os 4 amarelos em 9 jogos. A saída de Lino garantiu-lhe a necessidade de permanência no plantel, mas Benítez revelou nas diversas oportunidades que teve que não tem qualidade para estar no plantel do tri-campeão nacional.
9 jogos e 4 amarelos (Liga 4/2, UEFA 2/0, Supertaça 1/1, Taça Liga 2/1)

Fucile: Umas das melhores contratações (qualidade/preço) do FC Porto nos últimos anos. Começou a época algo irregular devido a questões físicas e pequena lesões (parece ser vítima de excessivas viagens intercontinentais). Com o interregno dos jogos internacionais aparece no final da 1ª volta em boa forma com mais disponibilidade física. Foi um dos melhores na difícil vitória em Braga ao terminar a 1ª volta.
15 jogos e 4 amarelos (Liga 12/4, UEFA 2/0, Taça 1/0)

Rolando: Uma das caras novas no plantel de 08/09. Entrou, viu e venceu. Mas não fosse o FC Porto um clube exigente, Rolando não teria ficado a saber quão duro é ser titular no FC Porto, já que a margem de erro aceitável é extremamente reduzida. Passado o habitual período de adaptação a um novo parceiro no centro da defesa, desapareceram alguns erros defensivos e apresenta-se à entrada da 2ª volta como um habitual central do clube: de grande nível. Os 1800 minutos (totalista na Liga e na Champions) demonstram bem a confiança do treinador e a regularidade das suas prestações.
21 jogos, 1 golo e 2 amarelos
(Liga 14/0/1, UEFA 6/1/1, Taça 1/0/0)


Lino: Na sua segunda época no FC Porto não se conseguiu impor. As escolhas para lateral esquerdo recaiam nele, Benítez e Fucile, destro adaptado que levava larga vantagem na luta pela titularidade. Lino deixou o clube ainda antes do final da 1ª volta. Durante esta época mostrou-se mais confiante que na anterior, mas revelou sempre as mesmas limitações: um bom pé esquerdo para as bolas paradas mas sem sobressair nos cruzamentos, alguma qualidade nos ataques, mas menos na defesa.
8 jogos, 1 golo e nenhum amarelo (Liga 5/0/0, UEFA 3/1/0)

Sapunaru: Outra contratação para esta época. Rapidamente chegou à titularidade devido à utilização de Fucile na esquerda. Talvez devido à sua formação anterior como defesa central, Sapunaru tem algumas dificuldades de posicionamento e de arranque, o que o leva a ser algumas vez ultrapassado pelos seus adversários directos o que lhe valeu já ter visto por 5 vezes o cartão amarelo. No ataque mostrou capacidade para subir e bem, tendo já marcado e assistido para golo. Um jogador a ter em atenção na 2ª volta, já que vai estar numa luta acesa com os companheiros pela titularidade.
17 jogos, 1 golo e 5 amarelos (Liga 9/0/2, UEFA 4/0/1, Taça Liga 3/0/2, Supertaça 1/0/0)

Guarín: Teve um início de época difícil, já que Jesualdo Ferreira experimentou-o a diversas funções do meio campo. Parece sentir-se melhor a médio ofensivo, mas a irregularidade tem sido o seu grande inimigo. É capaz do melhor e do pior no mesmo jogo, assumindo por vezes um papel activo no ataque por uma vezes e desaparecendo do jogo noutras. O seu físico possante deveria-lhe dar mais capacidade para se impor no miolo do terreno. É um jogador interessante e espera-se que comece a ser mais determinante na equipa.
17 jogos e 3 golos (Liga 9/1, UEFA 3/0, Taça 1/2, Taça Liga 3/0, Supertaça 1/0)

Lucho: Tem sido um jogador menos exuberante e determinante que na época 07/08. Parece ter menos liderança na condução do ataque e que lhe falta alguma frescura física, já que por vezes desaparece por completo em largos períodos do jogo. Não deixa de ser o capitão e tem tido alguns momentos decisivos em jogos cruciais nesta época. As últimas exibições da 1ª volta podem revelar uma subida de forma na segunda metade do campeonato.
22 jogos e 7 golos (Liga 14/5, UEFA 5/2, Taça 1/0, Taça Liga 1/0, Supertaça 1/0)

fonte estatísticas: zerozero.pt (26.01.2009 com algumas correcções minhas)

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Entradas e saídas do plantel em Janeiro


Com o início da época de transferências muitos adeptos (e secretamente alguns treinadores também) esperam ver as suas equipas reforçadas. No FC Porto a situação não será diferente e o mercado é constantemente sondado à procura de bons negócios, como referiu recentemente Jesualdo Ferreira.
Haverá provavelmente também algumas saídas, motivadas pela entrada de novos jogadores e também para dar oportunidade aos jogadores menos utilizados (ou que não fazem parte dos planos do treinador) de jogar com mais frequência.


Do lado das possíveis saídas é mais fácil referir nomes em concreto, sendo os candidatos mais prováveis à saída Bollati, Lino e Stepanov.

Bollati tem sido uma desilusão e não parece conseguir adaptar-se ao estilo de jogo europeu, de tal modo que foi o jogador escolhido pela equipa técnica para ficar de fora da lista de inscrições nas competições europeias. Já manifestou várias vezes o desejo de sair, e parece que existem negociações entre o FC Porto e vários clubes argentinos para o empréstimo ou mesmo para a saída em definitivo.

O caso de Lino é uma questão de oportunidade. Apesar de ter 11 presenças na equipa este ano, Lino tem 31 anos e o Porto não vai realizar uma grande transferência com ele. Havendo uma equipa interessada em contratá-lo, o momento pode ser aproveitado para reduzir o plantel e abrir uma vaga para a contratação de um novo lateral. A título de curiosidade, o site inglês da Wikipedia sobre Lino já o refere como jogador do PAOK.

Stepanov parece ser um caso diferente dos dois referidos acima. Apesar de ser reconhecido como um jogador com potencial e com qualidade, não se tem conseguido impor na equipa, fruto de alguns acidentes de percurso (semelhantes aos de Pepe na sua primeira época de azul e branco). O destino mais provável parece ser o empréstimo a uma equipa estrangeira onde possa jogar com regularidade de modo a ganhar ritmo competitivo e confiança que lhe permitam regressar ao plantel como alternativa credível.

É possível que Pelé possa também ser transferido no caso de haver um boa proposta, já que é um jogador que tem algum mercado, não tem conseguido impor-se na equipa principal, e tem sido dado como um jogador pouco querido pelo treinador devido às suas actividades extra-profissionais.

Apesar de não ser tão provável, é possível que algum dos quatro jogadores mais jovens do plantel seja emprestado para ganhar ritmo competitivo e experiência. Entre estes, os mais prováveis candidatos à saída serão Tengarrinha e Rabiola, já que Candeias tem sido opção com alguma frequência e Ventura é o terceiro guarda-redes do plantel (a sua saída obrigaria à contratação de outro guarda-redes ou a promoção de algum júnior).


Adivinhar nomes de entradas no plantel é um pouco mais complicado, já que o universo de jogadores candidatos à entrada é um pouco maior do que o de candidatos à saída (plantel vs mercado).

As posições que se mostraram mais fragilizadas são:
- a de lateral esquerdo, onde Lino e Benítez não se conseguem impor e Pedro Emanuel não consegue disfarçar a falta de ritmo. Fucile não pode fazer as duas laterais em simultâneo, podendo fixar-se na esquerda se for contratada mais uma alternativa para a direita.
Leandro pertence ao FC Porto, mas a alergia aos microfones parecem afastá-lo do regresso.

- a de médio-ala, onde não existem alternativas a Rodriguez. Tarik tem sido atormentado por lesões, Candeias não parece ter oportunidades apesar de dar boas indicações quando é chamado, e Mariano tem feito fazer sofrer os adeptos com a qualidade das suas exibições apesar da entrega com que costuma jogar.
Dos jogadores emprestados pelo FC Porto, Hélder Barbosa, Bruno Gama e Diogo Valente estão a fazer campeonatos interessantes, podendo estar a ser considerado o seu regresso.

- a de defesa central, se for confirmada a saída de Stepanov, por não ser seguro tentar fazer mais de meio campeonato com apenas três defesas centrais (apesar de Sapunaru poder fazer o lugar).
Nuno André Coelho é um jogador emprestado pelo FC Porto que tem feito algum furor no Estrela da Amadora. O seu regresso parece estar na calha, apesar de à primeira vista ser um candidato à posição de quarto central da equipa.


Apesar de tudo, esta época de transferências costuma ser pródiga em surpresas e em laterais-esquerdos, por isso qualquer bom negócio que surja pode ser aproveitado.
Um facto é certo: com a crise financeira a chegar ao mundo do futebol, não vamos ver a SAD a cometer grandes extravagancias.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Ontem, hoje e amanhã

Pré-Época: Independentemente de neste período os jogos não contarem para os pontos, não deixou de parecer estranho JF rodar muito a equipa, ensaiando vários jogadores para as posições que estávamos mais carenciados, em função das saídas do Paulo, do Zé e do Quaresma.

Normalmente colocava um onze numa parte e outro na segunda, fazendo combinações, porventura, experimentais para chegar à receita certa. Pareceu a quem não sabe da poda experiências a mais. Talvez não fosse, mas parecendo o treinador ter dúvidas é essa incerteza que transmite ao público, quer queira ou não. De facto, só passamos a ter um onze mais ou menos fixo, depois da 2º. Jornada, quando trocou Pedro por Rolando e encaixou Fernando como trinco.

Uma equipa em construção: O FCP integrou jogadores em todos os sectores e tenta jogar num 4x3x3 meio manco pois os homens que jogam nas alas não são extremos puros, e os defesas laterais não são propriamente especialistas no aproveitamento do corredor, ora pecando por excesso ora por diferença.
O lugar de defesa esquerdo parece um lugar maldito no nosso clube, pois não há quem aqueça no lugar.

A defesa tem oscilado e correu muito mal a substituição do Helton pelo Nuno. Uma coisa ganhou-se: deixou de haver dúvidas.

Sapu tem potencial, mas parece desconcentrar-se e não é uma certeza. Tendo transitado do centro da defesa para a faixa, tem sido a atacar que se tem mostrado mais. A defender dá muito as costas e é pouco agressivo. Vamos ver como vai evoluir. Rolando fixou-se e vai crescer. Bruno é uma máquina e Pedro é um defesa esquerdo que se defende em função da larga experiência que tem. Triste remedeio...

O meio campo com Fernando a trinco ainda não apresenta a mesma coordenação que tinha quando o Paulo Assunção era titular daquela posição mestra para o equilíbrio da equipa.

Fernando tem sido uma boa surpresa, mas falta-lhe experiência e um pouco mais de atrevimento. Ainda não advinha o lance e nem sempre parece ter o dom da ubiquidade. No futebol moderno, o trinco não se pode resguardar na zona central, a passar a bola para o defesa mais próximo. Tem de ser capaz de pisar outros terrenos e aparecer mais à frente, quer para pressionar o homem da bola, quer para criar vantagem numérica na zona de ataque.
Vi o Atlético de Madrid num dos últimos jogos e apercebi-me que o Paulo Assunção, sendo o homem de ligação, joga mais à frente que o fazia no FCP, toma mais iniciativas e até teve alguns passes de ruptura muito bons, dum dos quais saiu um golo do Atlético.
Fernando ainda não é esse homem, ainda treme bastante como aconteceu com o Arsenal, mas tem tudo para fazer um excelente campeonato e constituir uma bela surpresa. Para além disso, já deu para ver que pode ser deslocado para lateral direito - quando o treinador entender necessário – que dá conta do recado, e é portanto uma peça que se pode mexer para dar mais profundidade à equipa, sem a desequilibrar. Admirei-me com o facto do JF não o ter tentado no último jogo.

Meireles tem estado dentro da sua bitola. O problema tem sido Lucho. JF explicou que Lucho tem outro tipo de funções. É provável que tenha , mas o que surpreende é que quando joga com o registo anterior - o faz muito bem – só que dura muito pouco tempo.
Se calhar lembra-se que tem de jogar de outra maneira, engasga-se e a coisa não sai, com a fluência que fez dele o jogador mais valioso da época transacta.

Na frente o tridente ainda são apenas três dentes e nem sempre mordem como gostaríamos. Lisandro está abaixo do que valeu a época passada, embora continue a ser um elemento altamente valioso que parece perder protagonismo quando encostado há linha e fica sem espaço de manobra, uma vez que Hulk, com poder que tem, cobre e precisa de um largo espaço para fluir o seu tipo de jogo.
Rodriguez está melhor, mais metido no jogo, embora tenha alguma tendência para fugir para o centro e não seja forte a centrar.


Hulk uma revelação apesar de alguma irregularidade e alguma inexperiência táctica. Muito potente, merece ser egoísta, só se pede que não abuse. Com Lucho ao seu nível e a dividir melhor o jogo com este trio, acho que o rendimento do nosso ataque vai melhorar consideravelmente. É o nosso sector potencialmente mais forte. Há que o provar. Já.


Tomás Costa e Guarín podem ser a meu ver jogadores interessantes. A sua utilização tem sido irregular. Umas vezes parece que vão ter mais jogo e desaparecem; volta o Mariano e o Tarik, que desaparece de seguida. Deve ter a ver com o adversário e da forma como JF lê o jogo.
Pelé tem sido visto na Liga Intercalar. Não tem presença assegurada no banco. Ao que veio? Algumas destas perguntas terão a devida resposta nos próximos capítulos.

As estatísticas, não sendo tudo, dizem sempre qualquer coisa. Em 12 jornadas já esgotámos os 3 empates da época passada e apenas temos menos uma derrota que em toda a época anterior. Temos uma média de 1,66 golos marcados contra 2,00 de 2007/8, e uma média de 0,75 golos sofridos contra 0,43 em 2007/8. Estamos piores, as exibições tem sido dominadas pela intermitência. Em contra-partida estamos nas 4 provas, que ainda podemos ganhar.

E o futuro próximo: Em princípio a equipa só pode melhorar. A construção ainda não terá acabado, mas os jogadores conhecem-se melhor e provavelmente estarão mais aptos para desenvolver os trabalhos exigidos, pois já vamos com meio ano de rotinas. Os alicerces estão lançados, sustentados e, sendo assim (não se percebe que possa ser de outra maneira) , vamos crescer como equipa e ser mais competentes.
O recomeço será muito exigente: Nacional (f), Trofense (c), Braga (f), Belenenses (f) e SLB (c). Nos momentos mais difíceis temos sido mais capazes, e no Dragão já perdemos 5 pontos, num total de 12, com SLB (f), Rio Ave (f), Leixões (c), Naval (f) e Marítimo (c). Na CL depois de uma entrada muito tremida, conseguimos passar aos oitavos e ficar em 1º lugar na nossa série.
De qualquer forma e na minha opinião a equipa ainda não está coesa, nem suficientemente forte para estarmos muito optimistas. Além disso vamos atrás 2 pontos do SLB.


Mas, como o futuro próximo vai constituir uma empreitada complicada, e porque tem sido nessas circunstâncias que temos respondido melhor, temos bons motivos para confiar que se tivermos um bom recomeço, talvez as coisas se componham.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Empréstimos de jogadores: virtudes e defeitos

Na sequência do artigo do José Rodrigues sobre os jogadores do FC Porto que estão emprestados, acho interessante destacar um artigo de António Tadeia, publicado no Diário de Notícias do passado sábado, onde ele analisa as virtudes e os defeitos dos empréstimos de jogadores.

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«Oportunidade. Os grandes clubes fazem investimento sobre investimento e ficam com talentos que não podem utilizar. Para não os ver desvalorizar, emprestam-nos a clubes menos ricos, que assim melhoram o seu potencial desportivo. Mas nem tudo são rosas, porque se o jogador for mesmo bom, a separação chegará rapidamente.

A maior fatia do investimento feito pelo Sporting nos últimos anos foi no exercício dos direitos de opção sobre jogadores emprestados como Romagnoli, Izmailov ou Grimi.

No Benfica, grande parte do sucesso da equipa na Liga explica-se com o rendimento de Suazo, um atacante que pertence ao Inter de Milão e veio para Portugal em busca de tempo de utilização.

O FC Porto é, dos três grandes, quem menos recorre aos empréstimos - nos últimos anos assim estiveram Fucile e Luís Aguiar, o primeiro resgatado, o segundo não - optando antes pela co-propriedade com fundos de investimento a que também o Benfica recorre com frequência.

A dispersão do valor dos jogadores por investidores ou o recurso a cedências de emblemas financeiramente mais fortes é cada vez mais uma realidade que se impõe a um futebol onde o dinheiro não abunda. E, embora haja problemas, toda a gente acha o esquema positivo.

A questão fundamental tem a ver com o profissionalismo do jogador emprestado.

"Há jogadores que chegam e se encostam ao contrato, mas quando o profissionalismo é a 100 por cento, o empréstimo pode ser encarado como uma oportunidade para demonstrar que quem emprestou estava enganado ou para atrair o interesse de um novo mercado", sustenta Carlos Freitas, actual director desportivo do Sp. Braga que, nos anos que passou enquanto responsável pelo mercado no Sporting recorria regularmente aos empréstimos de clubes estrangeiros.

Depois, há a noção de que, como salienta Carlos Carvalhal, treinador que levou o V. Setúbal à vitória na Taça da Liga com cinco emprestados entre os titulares, a situação tem que estar clara para toda a gente.

Equipa do V. Setúbal, Taça da Liga 2007/08 (fonte: VIII Exército)

"Só se deve pedir um jogador emprestado se se tiver uma utilidade específica para ele", diz Carvalhal, consciente de que a operação deve satisfizer as três partes nela implicadas: o jogador, que se mostra e valoriza; o clube que o recebe, que melhora o potencial desportivo; e o clube que o cede, que vê crescer um activo.

Esta época, entre os casos de não cumprimento destas regras basilares destacam-se, por exemplo, Celsinho ou Saleiro. O primeiro foi emprestado pelo Sporting ao Estrela da Amadora e, a julgar pelos problemas disciplinares que já enfrentou, não terá encontrado no passo atrás a motivação para trabalhar mais. Já Saleiro, que teve sucesso na passagem pelo Fátima, na época passada, tem tido poucas oportunidades para jogar, a ponto de já ter questionado publicamente a opção pelo V. Setúbal.

Por outro lado, o futebol português tem, este ano, um caso evidente de sucesso, que é o Olhanense, líder da II Liga e candidato à subida de divisão com seis emprestados, cinco deles (os portistas Vitória, Stephane, Castro e Ukra e o sportinguista João Gonçalves) habituais titulares.

Jorge Costa, Olhanense (fonte: Record)

Jorge Costa, o treinador do Olhanense, não esconde a felicidade por ter melhorado o plantel de uma forma que normalmente não estaria ao alcance do clube. "Tive a felicidade de o FC Porto e o Sporting me terem emprestado jogadores de qualidade, na maioria jovens internacionais, e de ter no grupo uma série de jogadores experientes que me deram uma ajuda muito grande a enquadrá-los", destaca Jorge Costa.

Mas o antigo defesa central do FC Porto e da selecção nacional sabe que nem tudo são rosas. Basta recordar a sua própria experiência como jogador emprestado, primeiro ao Penafiel e ao Marítimo, ainda enquanto jovem em busca de afirmação, e mais tarde, quando teve problemas com Octávio Machado, ao Charlton, de forma a poder jogar e justificar a convocatória para o Mundial.

"A primeira situação foi semelhante à dos jogadores que tenho agora. Era um jovem que queria fazer carreira e mostrar qualidades. E consegui-o, em dois anos fantásticos, nos quais cresci como homem e jogador. A segunda situação teve contornos mais infelizes, mas foram seis meses que me correram muito bem e nos quais consegui o objectivo", recorda. Houve, porém, uma infelicidade. "No Marítimo, numa das vezes que joguei contra o FC Porto, tive a infelicidade de fazer um autogolo [ndr: em Fevereiro de 1992, a desempatar o jogo a favor dos portistas]. Foi complicado, mas quem joga está sempre sujeito a isso. É por isso que, embora saiba que para um emprestado não há melhor ocasião do que aquela para mostrar valor, acho que o ideal é mesmo proteger os jogadores e não os utilizar nessas situações", considera o treinador do Olhanense. Esta época, uma vez que joga um escalão abaixo de FC Porto e Sporting, Jorge Costa não terá de enfrentar essa situação na Liga. Já será diferente se subir de divisão e ficar em Olhão.

Aí, porém, pode ter de confrontar-se com a perda dos jogadores, já valorizados, outro dos problemas de quem recorre a emprestados. "Em tese é mais interessante um clube partir para um investimento que possa dar frutos do ponto de vista desportivo mas também financeiro", concorda Carlos Freitas, consciente de que ao acolher jogadores cedidos os clubes estão a valorizar-se activos alheios.

Carlos Freitas (fonte: Record)

"Mas sou claramente favorável aos empréstimos, sobretudo em clubes portugueses. A capacidade dos nossos clubes intervirem num primeiro ou mesmo num segundo mercado é esporádica e surge sempre num contexto de oportunidade e não de intervenção consolidada", explica Freitas que, apesar de tudo, no Sp. Braga só tem um emprestado: o colombiano Rentería, que pertence ao FC Porto. No futuro talvez cheguem mais: "convém manter o contacto, não apenas nas janelas de mercado mas durante todo o ano, para estar sempre a par de quem pode vir a estar disponível", defende.»

António Tadeia
in DN, 13/12/2008

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O FC Porto tem sido, essencialmente, um clube que empresta jogadores, recorrendo poucas vezes a empréstimos de jogadores de outros clubes.
Nos últimos anos, os casos de maior sucesso foram Benny McCarthy, que na segunda metade da época 2001/02 jogou no FC Porto por empréstimo do Celta de Vigo, e Fucile, que veio como um desconhecido e se impôs como um dos melhores laterais do plantel.
Na época passada Luis Aguiar também veio por empréstimo mas, apesar das boas exibições que o uruguaio fez na Académica, a SAD portista não exerceu o direito de opção e o jogador foi contratado pelo Braga (onde tem sido um dos esteios da equipa desta época).

Deveria o FC Porto recorrer mais vezes a empréstimos de jogadores cujo passe pertença a outros clubes?

Nota: A escolha das fotos e os negritos são da minha responsabilidade.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

O segredo do sucesso

Discute-se muito a quantidade de jogadores estrangeiros que actuam no futebol português. No passado dia 3 de Outubro, o jornal gratuito 'Sexta' deu um contributo para esta discussão, publicando um estudo em que apresentava os seguintes números:


Olhando para o caso que me interessa mais, impressiona verificar que 67% do plantel do FC Porto é constituído por jogadores estrangeiros. Não me lembro de outra época em que os números tenham atingido esta dimensão.
Mais. Dos 10 jogadores portugueses, dois são guarda-redes e outros dois - Tengarrinha e Candeias - estão "à experiência" e não surpreenderia se, em Janeiro próximo, fossem emprestados para rodar...

De modo a ser possível efectuar algumas comparações, o estudo também apresentou os números de jogadores nacionais versus estrangeiros para a Série A, Premiership e Liga espanhola.


O cenário acima apresentado é, em grande parte, consequência do Acórdão Bosman. Recordando o que se passou, em final de contrato com o FC Liége, Jean-Marc Bosman viu este clube exigir uma indemnização para permitir a sua transferência para o Dunquerque. Com o apoio do advogado Luc Misson, Bosman intentou uma acção junto de um tribunal belga que, por sua vez, colocou a questão ao Tribunal Europeu de Justiça, a mais alta instância judicial da União Europeia.


Ao dar razão ao jogador belga, o acórdão do Tribunal Europeu de Justiça constitui um marco na jurisprudência desportiva, no que diz respeito às transferências de jogadores. Assim, a partir de 1996, os jogadores de futebol que terminem contrato podem circular livremente na União Europeia e os clubes estão autorizados a inscrever futebolistas comunitários sem quaisquer restrições.

Adicionalmente, o Acórdão Bosman praticamente coincidiu com a reformulação da Liga dos Campeões e a partir da época 1997/98, para além dos campeões de cada país, passaram a ter acesso equipas classificadas imediatamente a seguir, em função do ranking de cada um dos países.

Com mais dinheiro (proveniente da "liga dos milhões" e da renegociação de contratos televisivos) e regras que eliminam grande parte das restrições associadas à contratação de jogadores estrangeiros, os clubes mais poderosos dos principais campeonatos europeus - Inglaterra, Espanha, Itália e Alemanha - transformaram-se numa espécie de multinacionais, contratando os melhores jogadores que despontavam por toda a Europa.

Se antes já era difícil, passou a ser uma miragem clubes de outros países repetirem sucessos passados e ganharem a principal competição europeia de clubes.


Contudo, em 26 de Maio de 2004, um clube de um pequeno país conseguiu o impensável: vencer a actual Liga dos Campeões.

Sem ter dinheiro para contratar os "melhores jogadores" onde esteve o segredo do sucesso do FC Porto?

Evidentemente, houve vários factores que se conjugaram e contribuíram para os êxitos obtidos no período 2002-2004. Contudo, não será despiciendo salientar que, oito anos após o acórdão Bosman, o onze inicial que alinhou na final de Gelsenkirchen tinha nove jogadores portugueses - Baía, Paulo Ferreira, Jorge Costa, Ricardo Carvalho, Nuno Valente, Costinha, Pedro Mendes, Maniche e Deco - e no banco de suplentes sentaram-se ainda mais quatro - Nuno, Pedro Emanuel, Ricardo Costa e Bosingwa.


Penso que não haverá dúvidas que ter 13 jogadores portugueses entre os 18 convocados, grande parte dos quais com uma fortíssima identificação com o clube, foi fundamental para a coesão de um colectivo que superava, em muito, a soma das partes.

Aliás, se recuarmos a 1987, verificamos algo muito parecido: o onze inicial de Viena tinha oito jogadores portugueses - João Pinto, Eduardo Luís, Inácio, André, Quim, Sousa, Jaime Magalhães e Futre -, na 2ª parte entrou o Frasco e de fora, por lesão, ficaram os habituais titulares Lima Pereira e Gomes.

Coincidência?
Na minha opinião, não.

Quer antes de Bosman (em 1987), quer no pós-Bosman (em 2004), o FC Porto chegou ao topo da Europa com equipas baseadas em jogadores portugueses, vários dos quais formados no clube, a que juntou alguns (poucos) estrangeiros de bom nível - Mlynarczyk, Madjer, Juary, Derlei, McCarthy, Alenitchev.

Será possível repetirmos a gracinha invertendo o paradigma, isto é, com uma equipa baseada em estrangeiros, com alguns (poucos) portugueses de bom nível e praticamente sem referências formadas no clube?
Na minha opinião, não.

Para agravar o problema, a esmagadora maioria dos estrangeiros do plantel actual são sul-americanos, cujos empresários (e eles próprios) olham para o FC Porto como uma mera porta de entrada no mercado europeu e que, conforme já se viu, não hesitam em desestabilizar publicamente o grupo de trabalho para obterem mais dinheiro.

«Andei oito anos nesse mercado [argentino] e sei como é inflacionado. Há que ter boas redes de observação e apostar nos clubes fora de Buenos Aires. As regiões de Cordoba e de Rosario são viveiros. (...)
Só conseguirão jogadores feitos recorrendo a fundos e parcerias, como sucedeu nesses casos [Lucho e Lisandro]. (...) Quem vai para o FC Porto sabe que é para jogar na Liga dos Campeões, para se promover e para sair para um grande campeonato europeu

Luis Norton de Matos
in Record, 14/10/2008

Vale a pena recordar que esta não é a primeira vez que a SAD aposta em força no mercado sul-americano. Antes do Mourinho chegar ao FC Porto e ir "contratar jogadores à loja dos 300" (Paulo Ferreira, Nuno Valente, Derlei, Maniche, Pedro Mendes, Pedro Emanuel), tinham sido contratados nos anos anteriores: Argel, Alessandro, Rubens Júnior, Esnaider, Pizzi, Ibarra, Quintana, Paredes, etc.
Na altura as coisas não correram nada bem, espero que agora corram muito melhor.

Nota final: Como é óbvio, nada tenho contra os jogadores estrangeiros, principalmente se forem de boa qualidade. Contudo, entendo que para um clube como o FC Porto, que não tem capacidade financeira para contratar "estrelas", é fundamental ter uma base sólida de jogadores portugueses, que garantam um balneário coeso e facilite a integração dos estrangeiros que chegam.

sábado, 4 de outubro de 2008

As Causas das Coisas

Por Luis Carvalho

Londres, 30 de Setembro de 2008


No jogo de, muito provavelmente, maior grau de exigência que vai realizar em toda a presente época, o FCP apresenta, de início, nada menos que sete jogadores com apenas três meses de casa, apesar de apenas terem saído três habituais titulares. Mais: destes sete, seis apresentam uma experiência de Champions League de apenas 90 minutos.
Aqui chegados, a pergunta a fazer é apenas uma: como se chegou a este estado de "loucura"?

Vários factores se conjugaram para que tal sucedesse.
Em primeiro lugar, a dificuldade da generalidade das pessoas entenderem que, devido a uma situação praticamente única em toda a Europa (domínio caseiro praticamente absoluto), o nosso clube efectua menos de dúzia e meia de jogos verdadeiramente competitivos. Isto é, tirando os jogos da Champions League e os confrontos com slb e scp, só numa ou outra rara circunstância (uma final de Taça, por exemplo), o FCP enfrenta adversários que lhe permitam aferir do seu real valor.


Um erro comum é portanto tirar grandes conclusões dos confrontos com as restantes equipas da liga portuguesa. Aliás, no nosso campeonato, pode até acontecer que uma equipa sem grande valor, passe uma época inteira a enganar tudo e todos. Basta relembrar os casos recentes do Boavista-campeão com Pacheco ou do slb de Trapattoni.
Na prática, pode até ocorrer que melhoremos a nossa diferença pontual para os nossos rivais internos enquanto, em simultâneo, estejamos a cavar ainda mais o nosso fosso em relação aos grandes "tubarões" da Europa. Uma coisa não invalida a outra.
Já aconteceu...

É pois essencial prestar o máximo de atenção a esse número ínfimo de jogos ''a sério'' e tirar deles as conclusões.

Exemplos práticos? Pois muito bem: que garantias reais existiam acerca de um Rolando? Praticamente nenhumas. Meia dúzia de cortes na Luz e dois jogos contra os tais adversários menores e deu-se por certo que estava ali para altos voos. Aliás, tal como o Stepanov há uma ano atrás...

Pior: quase ninguém abriu a boca de espanto sobre o exílio, forçado em dois tempos, do Pedro Emanuel. Um jogo menos conseguido na Supertaça (onde, seguramente, não falhou mais que os restantes colegas de defesa) e adeus prestígio alcançado durante anos e anos, em jogos e jogos pelo FCP.
"Está velho'', dizem. A idade, aliás, é cada vez mais sentença definitiva pelo Dragão...

E quanto à restante defesa?
Bem a rábula do lateral-esquerdo daria um filme. Trágico-cómico, claro. Se Lino ''ataca bem e defende mal'', alguém partiu dessa premissa e concluiu então, que Benitez, visto não atacar bem, teria que, obrigatoriamente, defender bem. Pois, mas e então o banco de suplentes do Lanús?...
Fucile? Uns minutitos menos brilhantes em Vila do Conde (tal e qual a restante equipa mas havia a necessidade de encontrar um bode expiatório) e adeus capital acumulado no último ano.

Quanto a Fernando, após ter realizado uma época de quase absoluta obscuridade na Amadora, bastou que começasse a circular a hipótese da titularidade para, de repente, passar a ser quase unânime que, afinal, ele até tinha tido uma passagem bem "jeitosa" pela Reboleira...
Porém, a dura realidade dos factos é que, certamente por engano, foram comprados dois "números oitos" para esta posição "seis" e Fernando é apenas fisicamente parecido com o Assunção, nada mais.
O Pelé dos 6 milhões? Parece que, apesar do preço e ter vindo do Inter, ainda não está "ambientado", seja lá isso o que for...


E chegamos ao ataque. O local onde joga a nossa mais curiosa aquisição: Rodriguez.
Se em Maio passado perguntássemos a qualquer outro portista a opinião sobre o uruguaio, a maioria diria tratar-se de alguém com potencial mas que, como qualquer outro jogador que passe pelas bandas da segunda-circular, estava a ser sobrevalorizado. Ora, as primeiras impressões muitas vezes são as mais correctas...
Daquele jogador que, há menos de 2 meses atrás, se garantia ir-se tornar, rapidamente, o melhor jogador da liga, nem sombra.

Nada de enganos: Rodriguez não é mau jogador, bem pelo contrário. Todavia, além de ter sido exageradamente caro, é apenas a menos-má alternativa para a substituição de Quaresma, esta sim uma perda sem cura possível.
Já Lisandro é aquele tipo de jogador que todos querem ter na sua equipa mas, aquela máquina de golos da época transacta foi, como já na altura era bom de adivinhar, uma excepção. Não voltará a marcar tantos. Foram tempos em que tudo lhe corria bem, rematasse como rematasse. Ora, ponta-de-lança-matador ele nunca foi, nem será. Não exageremos pois nas críticas aos golos que agora ficam por marcar. Falta-lhe uma "muleta" a seu lado, agora que o Mustang se foi.
E esta só pode ser mesmo Hulk, jogador que está a pagar pelo negócio estranhíssimo que envolveu a sua compra. Muita gente, com razão, estava (e ainda está) algo desconfiada. Não há razões para isso: ali existe mesmo garra e qualidade que muito útil nos será. O atleta não pode ser sofrer na pele por razões que é alheio. Num plantel de fraca qualidade como o actual, terá que ser forçosamente titular.

Na origem de todos estes erros e omissões, está claro a política de contratações.
Defendo mesmo que as entradas deviam ser higienicamente limitadas a umas 5/6 por ano.
A forma como jogadores, não geniais, mas com algumas provas dadas como Ibson, Pitbull e Adriano (pior do que Farias em quê exactamente?) foram descartados, diz tudo sobre o facilitismo com que sempre decorre o nosso defeso, altura rica nas mais absurdas "trocas", que tão caro pagamos ao longo da temporada (Postiga...).

E chegamos assim ao nosso técnico. Ele não terá a culpa total, bem longe disso, mas anda completamente perdido entre "sistemas-base", "modelo", "princípios", "métodos" e "estratégias" e outros modernismos que tais que tão bem ficam nas entrevistas.


E que tal uma "transição rápida", menos tatuada, para a realidade das coisas, Sr. Professor?


Nota final: O 'Reflexão Portista' agradece ao Luis Carvalho a elaboração deste artigo.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Ser melhor

Os sócios do FCP passaram a pré-época entre a Liga, a FPF e o TAS. Aliás, admira-me, hoje, que a Cosmos não tenha organizado umas viagens à Suíça, para estarmos mais próximos dos duros embates que lá se passaram.

Recordo, muito vagamente, os estágios, os jogos, porque foram mornos e não trouxeram qualquer adrenalina acrescida aos confrontos na Suiça, pois o jogo principal continuava a jogar-se noutro campo, com os mais variados artistas, com lances de perder o fôlego. Ficamos exaustos, e nem após o último acórdão do TAS, acho que ganhámos: falta receber a "taça".

Em certa altura do processo do Apito Final, considerei que terminado o processo junto do TAS e com sentença transitada em julgado, teríamos que passar ao ataque. Tomar a iniciativa porque os ventos estavam de feição. Nada disso se passou, e sendo assim, só tenho que entender que esse jogo ainda não acabou e que ainda não foi dado xeque mate ao inimigo, que se esconde em vários rostos, instituições e lugares.

Talvez por isso, talvez porque a suspensão do nosso presidente e o seu silêncio terá sido extensivo – por moto próprio – a toda a SAD, continuamos calados e aparentemente pouco activos.


Mais uma vez, foi Jesualdo Ferreira que no lançamento do jogo de hoje, falou sobre arbitragem e deixou alguns avisos, bem metidos e melhor sustentados. Mais uma vez o nosso treinador esteve muito bem.

Estou em parte em desacordo com Miguel Sousa Tavares quando refere que "os assobios eram para Jesualdo Ferreira... ainda não digerimos mais uma derrota com o Sporting... uma vitória tão fácil desperdiçada na Luz... com o Fenerbahçe, o que o público sentiu foi que outra vitória perfeitamente ao alcance tinha passado a correr o risco de se esfumar..." ou como desperdiçámos 60 minutos para tentar ganhar ao Rio Ave, complementaria, eu.

Acho que isso é verdade, mas é a ponta do iceberg. Na alma, os problemas são sempre mais complexos. Com o FCP calado, com uma política de contratações duvidosa, com a saída de alguns personalidades da equipa, sem grande proximidade com a classe que nos dirige, resta-nos exigir que a honra seja reconquistada no terreno. É como os antigos torneios da Idade Média em que a verdade e a honra se demonstravam na força e na destreza do uso da espada.

Também sinto isso. Se falharmos no jogo, se os novos recrutas não corresponderem, o que nos resta para a defesa do nosso castelo, do nosso brio, da nossa força, da nossa razão, da superioridade da nossa organização, se não podermos provar que somos os melhores, no terreno em que se semeiam as vitórias?

E no campo a nossa superioridade anda periclitante: o treinador com dúvidas, as novas vedetas em rodagem, os golos escassos, a regularidade disfarçada do seu contrário, os defesas ora pecam a atacar ora a defender e no meio de tudo isso há uma enorme ansiedade dos adeptos, porque querem que não subsistam dúvidas: temos de ser os melhores, contra tudo e todos.


Ora, a verdade destas três últimas jornadas, mostra que o nosso cepticismo não é apenas uma mera questão de feitio a modos do velho do Restelo (ou do velho do Dragão se quiserem), e que a equipa está menos coesa e mais próxima de poder falhar. Ora, numa equipa em construção, podemos entender que ainda não se tivesse chegado ao telhado, mas que os alicerces ainda não estejam edificados é que parece estranho e menos fácil de entender.

Os sócios do FCP e os seus adeptos, apenas têm a equipa para responder às maldades que nos têm feito. Se a equipa falhar é uma espécie de “prova” para os que teimam em acusar-nos de batoteiros. Clamar com a Direcção não vale a pena. Clamar com os árbitros não se ouve. Clamar com a equipa e o técnico é a arma que nos resta. Mas, nada de abusar. Os jogadores (e os técnicos) são provavelmente os únicos aliados para a vingança a que temos direito. É uma guerra de soldados.


Os generais estão no seu repouso, à espera que a tempestade passe. Temos pressa, exigimos ser os melhores, apesar da política de "paninhos quentes" que os responsáveis, por tactismo, entenderam seguir nestes tempos conturbados.

Lutar muito e jogar bem é meio caminho para vencer. Estamos de olhos postos na equipa. Se somos duros é porque tudo depende dela e precisamos muito que seja competente. Ser melhor é a única alternativa que temos a jeito, para mostrar a verdade. Por favor não a desperdicem.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Vem aí o Campeonato!


Triste por termos perdido a Supertaça. Triste por termos perdido mais uma vez com o SCP. Triste pela má exibição. Triste por não ter percebido a táctica e a constituição da equipa. Triste por me sentir menos confiante. Triste por desconfiar que o treinador não sabe ganhar finais. Triste por considerar que os novos recrutas vão precisar de mais tempo. Triste por pensar que não dispomos de tempo extra.

Apesar disso, esperançado que este desaire sirva de toque a reunir, a caminho do Tetra.

A táctica

O FCP jogou com o SCP com o habitual 4X3X3.


Não foi só o sistema que perdeu, foram os jogadores, também. Lisandro a fazer de Tarik (jogar na ponta e fazer diagonais para servir de 2º ponta de lança), Cebola de Quaresma e Farías de Lisandro não corresponderam ao que lhes foi pedido e estiveram longe de um desempenho razoável.
No meio campo, Lucho, Guarín e Meireles jogaram sempre em desvantagem numérica. Lucho bem melhor na 1ª parte, Meireles bem melhor na 2ª parte, enquanto Guarín andou mais ou menos perdido, quer nas acções defensivas quer ofensivas.
Na defesa os laterais subiram (sobem) pouco e Sapu esteve irreconhecível.
Os centrais não estiveram nada bem, pois nem fecharam o centro, nem dobraram os colegas. Pedro Emanuel: o que lhe sobra em experiência, falta-lhe em velocidade e centímetros. É tempo de lançar Rolando. Bruno Alves tem de jogar mais concentrado e com melhor tempo de entrada na disputa dos lances, principalmente aéreos.

Apesar desta aparente falência individual, considero que o SCP esteve fisicamente muito mais forte que o FCP (o SCP assemelha-se muito ao Boavista que foi campeão: muita força, muita pressão em todo o campo, bastante dureza, velocidade, e alguma qualidade extra relativamente ao tal Boavista) e jogando, como diria Luís Freitas Lobo, com as linhas mais juntas provocou, numa boa parte do jogo, uma superioridade numérica na disputa de quase todos os lances, Ou seja, sem jogarem bem contribuíram para o desgaste físico e mental da nossa equipa e, obviamente, a partir dessa fadiga fica-se muito mais próximo de errar, como veio a acontecer.

O FCP foi tristonho, pouco confiante, fisicamente menos apto e não foi capaz de responder – excepto entre os 10 e os 30 minutos da 1ª. Parte – aos problemas que o SCP lhe colocou. Jogou espartilhado e viveu muito da inspiração individual, deste ou daquele, nas diferentes fases do jogo. Tudo demasiado avulso.

O FCP de JF é forte na fase de transição, mas descansa pouco com a bola, pois a sua circulação não sai fluente porque jogamos, normalmente, muito abertos e demasiado estendidos no terreno. Por outro lado, se o 4x4x2 parecia impossível de implantar com um jogador do tipo do Quaresma, julgo que com o Hulk e Lisandro podemos lá chegar, quando o primeiro estiver mais rotinado, menos individualista e aprender a ser mais pressionante. Tirar Lisandro da zona de fogo, parece-me que não é de repetir.

O presente e o futuro

No FCP não se pode deixar de agir no presente e para o presente. O caminho faz-se caminhando o futuro também. O FCP tem uma dimensão e um prestígio que não dispensa a candidatura à vitória em cada campeonato. Os planos do futuro não podem ser uma obstrução ao FCP do presente. Qualquer apagamento do presente só traria consequências desastrosas no futuro.

Planeamento de médio prazo, pois claro, apostar nos jovens com potencial, obviamente, mas tal não dispensa, arranjos, correcções e boa leitura das oportunidades, para o momento.

Foto: Record

Para já. A novela Quaresma arrasta-se para além do admissível – não tenho memória de no FCP acontecer algo semelhante – e algumas necessidades imediatas para lugares bem identificados há muito tempo, parece não terem merecido escolhas muito felizes, com excepção de Cebola. Ou seja: a taxa de aproveitamento e de tempo de jogo dos novos recrutas têm sido muito baixos, e não vai piorar porque as saídas de Paulo Assunção, ZBo, João Paulo, Cech, Adriano, Kas, Leandro Lima, Helder Barbosa e Quaresma (?) obrigam à entrada de “novos” jogadores.

Na época passada foi possível fintar esse défice, apostando numa equipa base que transitava da época anterior, a cem por cento. Este ano não vai ser possível.

Foto: Record

Vamos lá ver que coelhos é que JF tirarará da cartola. Vai ter de reformar a equipa, criar alicerces porque para o ano haverá mais mudanças e sairão mais alguns jogadores nucleares, e vai ter de ganhar o campeonato, a taça e chegar aos quartos da CL. No FCP somos razoáveis, queremos tudo!

A equipa

Não é só treinador que não é de top. Os jogadores também. Temos um ou outro de nível internacional. Dos novos temos de esperar pela confirmação.

Acresce que jogamos num campeonato fraco em que sobram as equipas “parasitas”. Não jogam, não querem jogar, praticam anti-jogo, caem muito e batem ainda mais. Todos ao ataque fechadinhos cá trás, é a táctica. Este é o futebol que temos. Fraco, e cuja competitividade não se pode aferir através do resultado que obtêm nos jogos com os grandes, pois são as únicas montras que têm ao dispor para um niquinho de fama. É difícil jogar contra equipas cuja táctica é mais ou menos a descrita acima, embora o saldo do FCP na época passada só tenha sido negativo com o SCP e o Nacional, mais este do que aquele ao nível da 1ª Liga.

E o FCP como é expectável que se apresente?
O arranque do campeonato poderá marcar o futuro na prova, porque os jogadores (novos + velhos) ainda não constituem uma equipa. As suas diferenças (ainda) não se compatibilizaram, as suas semelhanças (ainda) não ajudam a criar as rupturas na estrutura dos adversários.

Se passarmos o Rubicão sem grandes perdas, estou certo que nos vamos encaminhar para um bom campeonato e uma boa presença na CL. Se não for assim, espero que não se entre em depressão, pois há quinta jornada não há campeões. Nesta fase, será primordial o trabalho de JF.


Embora não seja um incondicional do técnico, creio que é o homem mais indicado para gerir este tempo de transição. Conhece o clube e a sua estrutura. É um perdedor de finais, mas um ganhador exímio de campeonatos. Até pode ser que este ano se quebre a “maldição” e possamos ganhar todas as finais que nos saírem ao caminho.