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terça-feira, 15 de agosto de 2017

A força do FCP

A EQUIPA de ciclismo do FC Porto na Volta a Portugal 2017

Cinco dragões nos 10 primeiros da última etapa da Volta a Portugal – 1º, 2º, 4º, 6º e 10º.

6 vitórias em 10 etapas: Raúl Alarcón (1ª etapa), Samuel Caldeira (2ª etapa), Raúl Alarcón (4ª etapa), Gustavo Veloso (5ª etapa), Amaro Antunes (9ª etapa), Gustavo Veloso (10ª etapa).

Três dragões nos 10 primeiros da Geral Individual – 1º (Raúl Alarcón), 2º (Amaro Antunes) e 6º (António Carvalho).

A EQUIPA da FC Porto sempre na liderança da corrida

1º na Geral da Montanha (Amaro Antunes).

1º e 2º na Geral Kombinado (Raúl Alarcón e Amaro Antunes).

A união e espírito de EQUIPA dos melhores de Portugal

2º, 3º e 4º na Geral por Pontos (Raúl Alarcón, Gustavo Veloso e Amaro Antunes).

1º na Geral por Equipas (com 23 minutos e 49 segundos de vantagem sobre a 2ª equipa).

As camisolas e bandeiras azuis-e-brancas nas estradas de Portugal

Assim se vê, a força do FCP!

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

“Casamento” falhado e dor na testa…


«O Sporting Clube de Portugal irá participar na próxima época desportiva de ciclismo profissional, um regresso a uma modalidade com grandes pergaminhos e tradição no clube que corresponde ainda a um grande anseio dos sócios e adeptos»
Nota publicada no site oficial do Sporting, em 03-12-2015


O objetivo é claramente lutar pela vitória em todas as provas. O Sporting já disse várias vezes que tem de fazer apostas claras e concretas em modalidades que são importantes, que tenham tradição. O objetivo é vencer a Volta, mas também as restantes provas em que entrarmos
Declarações de Bruno de Carvalho à Sporting TV, em 03-12-2015


[Na quarta-feira à noite] houve uma conversa em que chegámos à conclusão de que estávamos garantidos. Como sou um homem crédulo e um homem de bem, não estava nada escrito, mas para mim estava feito. O próprio Nuno Ribeiro [diretor-desportivo da W52] dá uma entrevista à Sporting TV. Na quinta-feira de manhã começa o telefone a tocar, gente que sabe de ciclismo a dizer que houve problemas de doping, entre outras coisas. Fiquei atrapalhado, avisei o presidente e ele mandou parar o processo para nos informarmos sobre o que se estava a passar. Tentámos obter informações de todos os lados, mas não nos chegaram e ficámos parados.
Hoje [domingo] ficámos a saber que se associaram ao FC Porto. Ainda bem que assim foi, não fôssemos associar-nos a quem não devíamos. Não sei se os dirigentes [da W52] são pessoas credíveis ou não, mas o que provaram nesta situação é que não são. Podiam ter dito qualquer coisa ao Sporting, mas não disseram e provaram que não merecem estar associados ao clube.
Vicente Moura, vice-presidente do Sporting responsável pelas modalidades, em 06-12-2015

FC Porto de regresso ao ciclismo (fonte: capa do JN de 07-12-2015)

Ora deixa cá ver se eu percebi. Na passada quarta-feira, o Sporting tinha-se associado a uma equipa vencedora (ganhou as últimas três voltas a Portugal) e a W52 era um óptimo parceiro para o clube de Alvalade regressar, com ambição ganhadora, a uma modalidade que, nas palavras sábias de Bruno de Carvalho, “já nos deu 150 títulos e nos projetou pelo Mundo”.

FC Porto ultrapassa Sporting (fonte: O JOGO, 07-12-2015)

Como, entretanto, a “noiva” (W52) deixou o “noivo” (Sporting) pendurado e “casou” com outro pretendente (FC Porto), em apenas três dias a W52 passou de parceiro ideal a parceiro duvidoso ou, pior ainda, a parceiro pouco recomendável, suspeito de andar metido na droga (no caso, no doping) e de não estar ao nível dos altos padrões morais e éticos dos viscondes de Alvalade.

Eu não ponho as mãos no fogo pela W52 (ou por qualquer outra equipa de ciclismo), mas nisto de “casamentos” falhados eu diria que a reação (no Facebook…) de Bruno de Carvalho, mais parece “dor de corno”…

domingo, 25 de dezembro de 2011

Morreu a “Velha Raposa”

Emídio Trindade Pinto, ex-ciclista, treinador e director desportivo da equipa de ciclismo do FC Porto, faleceu na véspera de Natal, aos 79 anos, em Vila Nova de Gaia, de onde era natural (nasceu na Freguesia de Santa Marinha, a 29 de Março de 1932).

Durante a sua carreira de ciclista, de 1950 a 1962, representou o Sangalhos e o FC Porto. Mais tarde, como director desportivo, comandou o FC Porto, SCP, Coimbrões, Canidelo, Feirense e Louletano, tendo vencido a Volta a Portugal por cinco vezes (recorde de vitórias que partilha conjuntamente com Manuel Zeferino).

Participou em 45 edições da maior corrida velocipédica portuguesa, primeiro enquanto atleta, depois como director desportivo. Foi nesta condição que ganhou fama, passando a ser conhecido no pelotão do ciclismo por a “Velha Raposa”, devido às tácticas que lhe valeram inúmeros triunfos.

Emídio Pinto começou no FC Porto como director desportivo adjunto, ao lado de Franklim Cardoso e de Onofre Tavares, e a primeira Volta a Portugal que festejou nessa qualidade foi a de Joaquim Leão, em 1964.

Em 1981, alcançou um dos êxitos mais espectaculares da sua carreira de treinador quando, logo no início da 2ª etapa (entre Évora e Vila Real de Santo António), um ciclista desconhecido de 20 anos fugiu e, após atravessar o Alentejo e o Algarve sozinho, chegou à meta com uma vantagem de 12 minutos! O desconhecido chamava-se Manuel Zeferino, venceu essa Volta a Portugal (num ano em que a equipa do FC Porto incluía estrelas como Marco Chagas e Belmiro Silva, vencedor da Volta três anos antes ao serviço do Coimbrões) e foi mais um dos talentos descobertos e lançados por Emídio Pinto.

Foi muitas vezes comparado a José Maria Pedroto, pelo estilo e pela argúcia, e sempre se notabilizou pela sua ligação afectiva ao FC Porto, clube de que era adepto e que nunca escondeu, mesmo quando treinou outras equipas.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Os Gloriosos Malucos das Máquinas Pedaladoras


"Eu não queria cá saber de bola! Mas de repente passei a portista sofredor, imagine só! Sabe como? Pois bem, um belo dia de Agosto de 1961 passou aqui de amarelo o Mário Silva! E o Mário Silva era do Porto. Eu era miúdo e a partir de aí passei a só ver Porto, fosse de bicicleta, fosse na bola, fosse no «hóque»!"

Pois é, este era um fenómeno muito vulgar. A Volta a Portugal, substituta do futebol nas paixões clubísticas no mês de Agosto, era o acontecimento desportivo que mais emplogava os adeptos dos grandes, à parte o Campeonato Nacional de Futebol. Um "clássico" tripartido jogava-se naqueles quinze dias, da canícula da planície alentejana, passando pelas veredas da Estrela e do Marão e pelos circuitos no velódromo de Sangalhos ou na pista das Antas, e terminando amiúde com um contra-relógio de Vila Franca de Xira ao Estádio de Alvalade.

Naquele ano de 1961 acima referido, o F.C. Porto conquistava individualmente pela terceira vez consecutiva a prova, e voltaria a fazê-lo no ano seguinte. O Mário Silva foi talvez a maior figura do clube na modalidade na década de sessenta. Com 20 ou 21 anos venceu a prova naquele ano; nunca mais a venceria de novo, mas bateu-se regularmente pela vitória ao longo da década. Terminaria a carreira numa equipa angolana, pela qual disputou a Volta de, creio, 1970, recebendo uma grande ovação à entrada de Alvalade no contra-relógio final. Os outros nomes sonantes que equiparam de azul e branco naquela década foram o Joaquim Leão e o José Pacheco, vencedores em 1965 e 1962, respectivamente, mas nenhum deles tinha a categoria do Mário Silva. Este tinha ainda outra característica que o fizera cair na graça dos adeptos: era de Águeda, conterrâneo do Hernâni, portanto.

Como o final da prova era sempre em Lisboa, a coisa propiciava-se para um reacender das batalhas clubísticas da época futebolística. Ficou célebre o desabafo do nosso corredor Dias Santos, no final de uma Volta em fins de quarenta ou princípios de cinquenta, que o nosso clube dominara amplamente: "Tirámos o sarampo à gajada de Lisboa!", exclamou ele, exuberante, aos microfones da Emissora Nacional.

Quando os grandes abandonaram o ciclismo, acabou uma era, e nem os recentes esforços do Benfica a fizeram voltar. Esse tempo passou. O ciclismo é há muito uma actividade de marcas patrocinadoras. Mas enquanto os três grandes estiveram em prova, foi o F.C. Porto quem mais vitórias individuais alcançou. O ciclismo, nos tempos anteriores à televisão, ou, mesmo depois dela, quando o futebol não tinha nela o relevo que hoje tem, foi uma enorme arma de promoção dos clubes por esse país fora.

Na foto: Mário Silva
longara.blogspot.com

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Ciclismo para onde corres?

Equipa do FCP de 1951

Vi a última subida à Torre e chocou-me a falta de entusiasmo e de adesão popular. Haverá muito provavelmente muitas razões para o explicar, sendo que nem a ausência dos grandes clubes justifica tudo, uma vez que o SLB anda por lá e tem muitos milhões para ajudar a puxar a carroça.

Era uma loucura, no passado. O Lima e as Antas enchiam para ver os heróis da estrada. A rivalidade no futebol, em época de defeso, transferia-se com armas e bagagens para o ciclismo. E nem sempre foi travada exclusivamente a esse nível.

A rivalidade de Alves Barbosa com Ribeiro da Silva e os grandes duelos travados entre ambos nos anos 50, davam apara animar as várias falanges que se reviam nos clubes mais emblemáticos que se dividiam no apoio a um dos dois, quando aos ciclistas dos seus clubes apenas estava destinado um papel de artistas secundários.

Alves Barbosa, da equipa do Sangalhos, foi o primeiro a correr na volta a França e chegou a ficar em décimo lugar. Era mais querido a sul; Ribeiro da Silva (do Académico do Porto) fez uma volta à Espanha e ficou nos cinco primeiros (creio que foi terceiro). Era mais apoiado a Norte, o que não invalidou que tivesse assinado pelo SLB, que nunca representou, pois morreu num trágico acidente de moto.

Os primeiros anos do ciclismo foram dominados por Alfredo Trindade e José Maria Nicolau, que representavam o SCP e o SLB, e só em 1948 vencemos a primeira volta a Portugal. Fernando Moreira foi o autor da proeza. Era muito popular: até a minha avó gostava imenso dele. Para além das qualidades desportivas, era elegante e muito bom tecnicamente. Durou pouco tempo como corredor, por motivos que não consigo recordar. Talvez pela passagem ter sido breve, passou a ser uma lenda. A admiração que tenho por Fernando Moreira, faz parte desse legado que os mais velhos da família me transmitiram. Não me lembro sequer de o ter visto correr.

A partir dessa altura, passamos a ter uma forte presença na volta e ganhamos individualmente a Volta, nos seguintes anos:
Fernando Moreira: 1948 ; Dias dos Santos: 1949 e 1950 ; Moreira de Sá: 1952 ; Carlos Carvalho: 1959 ; Sousa Cardoso: 1960 ; Mário Silva: 1961 ; José Pacheco: 1962 ; Joaquim Leão: 1964 ; Joaquim Sousa Santos: 1979 ; Manuel Zeferino: 1981 ; Marco Chagas: 1982

Destes nomes e destas vitórias - todas elas me deram uma grande alegria e prazer - permito-me destacar as que me deixaram esfuziante:

1) Sousa Cardoso em 1960: Sousa Cardoso era um corredor muito possante, não muito bom tecnicamente (caía com grande frequência), bom trepador e contra-relogista. Não era um bom finalizador e as etapas que ganhava fazia-o, invariavelmente, quando conseguia isolar-se.
Numa volta à Espanha ganhou uma etapa depois de ter andado solitariamente fugido, bem mais de 100 Kms. Uma força da natureza.
Acabou com o primado de Alves Barbosa, que nessa volta ganhou muitas etapas e muitos segundos de bonificação. Finalmente, Sousa Cardoso acabou com o mito, sempre muito mimado pela boa Imprensa que tinha. Nós não íamos muito com ele.

2) Mário Silva em 1961: Mário Silva era muito jovem quando ganhou esta volta. Deu um show autêntico e deslumbrou colegas e adversários. Era bom tecnicamente, um óptimo trepador e um bom contra-relogista. Era muito franzino: parecia um menino. Numa volta em que a equipa quase se eclipsou, foi um gigante. Bateu-se em todos os terrenos e brilhou na montanha. É um dos meus ciclistas preferidos e talvez com outro acompanhamento pudesse ter somado mais êxitos individuais. Mas, nessa altura o FCP tinha uma equipa muito homogénea e uma série de potenciais candidatos à vitória. Mário Silva teve sempre uma postura exemplar na ajuda dos companheiros, nomeadamente na vitória de José Pacheco.

3) José Pacheco em 1962: José Pacheco era um péssimo trepador, bom rolador e razoável contra-relogista. Nada indicava que pudesse ganhar uma volta a Portugal. Mas, ganhou e de que maneira. Ganhou a camisola amarela numa etapa que acabou nas Antas. A chegada ocorreu à hora do almoço. Vinha seguindo as peripécias de etapa pela rádio. Sabia o que se passava e das várias tentativas de José Pacheco descolar de Peixoto Alves do SLB (treinado na altura por Alves Barbosa), grande candidato à vitória final e com quem José Pacheco vinha mantendo um duelo muito particular. À terceira tentativa conseguiu fugir-lhe. Fui logo a correr para as Antas para assistir ao fecho da etapa. Foi ganhando tempo e Peixoto Alves nunca mais o apanhou. Nessa noite na TV, no Diário da Volta, os técnicos de imagem apanharam muito bem os vários momentos e as várias tentativas de fuga de José Pacheco. A última e decisiva tentativa, o homem saiu que nem uma flecha, bem colado à berma da estrada, e num sprint vigoroso e longo distanciou-se de forma irreversível. A sua vitória final foi marcada nessa etapa. Semeou vantagem suficiente para ganhar a camisola amarela e ficar com uma diferença interessante para se defender na montanha, do seu mais directo rival.

José Pacheco (FC Porto), Peixoto Alves (Benfica) à esquerda, Jorge Corvo (Tavira) à direita, Sousa Cardoso (FC Porto) e João Roque (Sporting)

José Pacheco contou sempre com o trabalho exemplar dos colegas. Com a ajuda da equipa (que o levou ao colo pela serra acima) não soçobrou e veio muito justamente a ganhar uma volta em que ganhou, salvo erro, 7 etapas. Nesse ano, depois desta vitória, resolveu assinar pelo SCP. Teve um fim desportivo cinzento, que este sucesso e tanta glória, justamente conquistados, não mereciam. O homem, talvez?

4) Joaquim Sousa Santos em 1979: Joaquim Sousa Santos filho de Sousa Santos uma velha glória do ciclismo do FCP e acima citado, acabou com um jejum de 15 anos. Foi uma volta saborosa e sofrida que determinou o regresso do nosso clube ao primeiro plano do ciclismo nacional. Foi uma vitória da regularidade e determinação. A equipa ajudou e esteve a altura do vencedor.

Joaquim Sousa Santos pai (à esquerda) e filho (à direita)

5) Manuel Zeferino em 1981: Manuel Zeferino era muito jovem quando ganhou esta volta. A vedeta era o Marco Chagas: o favorito número um à vitória final. Só que na primeira etapa em linha, Manuel Zeferino fugiu e ganhou à volta de 13 minutos sobre o pelotão. O resto foi um passeio, que o FCP dominou individual e colectivamente.

A volta e o ciclismo tinham muito público. As provas em pista eram, igualmente, seguidas com enorme interesse. Os estádios enchiam. Assisti a festivais de ciclismo com grandes nomes internacionais, dos quais destaco Eddy Merckx, provavelmente o melhor ciclista de todos os tempos. Foi uma noite que não esquecerei, pois era um dos meus ídolos de rapaz.

Embora este artigo seja para falar do ciclismo do FCP não me parece descabido incluir uma justa referência ao melhor ciclista de todos os tempos portugueses: Joaquim Agostinho. Faço-o lembrando uma etapa realizada no Estádio das Antas de “perseguição” individual. A camisola amarela era detida por um ciclista do FCP (Carlos Carvalho, Azevedo Maia, não me lembro bem) a poucos segundos de Joaquim Agostinho. O Estádio esgotou. Havia uma enorme expectativa e a esperança que o nosso ciclista se aguentasse e a até pudesse ganhar algum tempo. Não foi assim. Joaquim Agostinho deu um autêntico festival e um "banho" ao nosso atleta. Ganhou a amarela. Acho que no fim, ninguém ficou incomodado e Joaquim Agostinho saiu debaixo de uma grande ovação.

Falta, obviamente, falar em tantos que tanto deram e tanto colaboraram para as vitórias. Chamavam-lhes “aguadeiros”. Como não é possível falar em todos, destaco Onofre Tavares que foi um dos melhores sprinters portugueses. Com 16 anos ingressou no FCP e no clube se manteve durante 15 anos. E Emídio Pinto, mediano ciclista, que se tornou um dos mais sagazes treinadores da modalidade.

Tenho pena da penúria do nosso ciclismo. Não decoro nomes, não se vê quem seja capaz de ganhar alguma notoriedade, nem clubes para se firmarem no panorama do ciclismo português. Só o esforço conjunto dos patrocinadores, dos clubes mais emblemáticos, das autarquias e da TV poderá vir animar uma modalidade (ela também em crise com os escândalos do doping) com um historial riquíssimo, mas com um futuro cheio de incertezas.

Fotos: 'Paixão pelo Porto' e 'Manuel da Costa online'