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sábado, 14 de março de 2015

Peritos em jogadas de bastidores

Ontem, o Director de O JOGO, José Manuel Ribeiro, num artigo de opinião, comentava a capacidade do Sport Lisboa e Benfica para “vender a mensagem que lhe interessa ou, simplesmente, gerar ruído”.

«(…) há duas áreas em que esse equilíbrio [entre FC Porto e Benfica] é impossível: nas receitas ordinárias, porque o Benfica tem bastante mais almas a contribuir com euros; e na chamada comunicação, isto é, na capacidade para vender a mensagem que lhe interessa ou, simplesmente, gerar ruído. Essa vantagem inabalável reside num par de fatores. Por um lado, a geografia da Imprensa nacional, que favorece muito o Benfica; por outro, João Gabriel, o ex-assessor do Presidente da República Jorge Sampaio, que orquestra essas intervenções com tanta arte que ainda há uma semana pôs um jornal espanhol a lavar a roupa suja da arbitragem portuguesa. São armas de que o FC Porto não dispõe e, se provas fossem necessárias, aí estão os quinze dias que se sucederam às palavras de Pinto da Costa e Lopetegui sobre os árbitros dos jogos do Benfica. Não terão passado 48 horas sem uma rajada: o próprio Gabriel, depois José Eduardo Moniz, depois Varandas Fernandes, agora o antigo presidente Manuel Vilarinho e, no habitual estilo impróprio para pessoas decentes, Rui Gomes da Silva. Tirando algumas questões de respeito pelo próximo (sugerir que os jogadores do Braga facilitaram contra o FC Porto?), nada a objetar. Estratégia é estratégia. A minha dúvida é se o resultado será tão eficiente como de costume. O que estará a evidenciar-se mais? A pressão sobre os árbitros ou a impressão de que o Benfica está assustado?»
José Manuel Ribeiro, O JOGO, 13-03-2015


Hoje, nas páginas do mesmo jornal, Mesquita Machado, ex-presidente da Câmara Municipal de Braga, põe o dedo na ferida:

Esta polémica não interessa ao futebol. Já é tempo de as equipas se habituarem a ganhar dentro das quatros linhas e não jogarem com comentários que visam apenas pressionar. Sabemos que o Benfica, no seu historial, é perito neste tipo de jogadas de bastidores.
Mesquita Machado, O JOGO


Perante o circo mediático, que foi montado pelos encarnados de Lisboa, será possível que o SLB x SC Braga de hoje seja um jogo limpo e sem casos?
Duvido.

terça-feira, 4 de junho de 2013

terça-feira, 12 de junho de 2012

Rivalidades, ódios e negócio

«[O JOGO] é prejudicado em vendas por assumir uma posição de não-beligerância com os “grandes”, de não ferir susceptibilidades dos colossos, de manter uma relação de muita cordialidade com todos, porque “O Jogo” não é “o” negócio, mas parte de um negócio maior que tem sido o das transmissões televisivas, da publicidade estática»
Alfredo Barbosa, semanário Grande Porto, 08/06/2012


(clicar na imagem para a ampliar)

sábado, 21 de maio de 2011

Falcao é dragão!


«Nos últimos dias tem sido noticiado, em Espanha, o interesse de José Mourinho em reforçar o ataque do Real Madrid com Kun Agüero. O argentino é a grande figura do Atlético Madrid mas está longe de ser aquilo que os merengues precisam e as características do genro de Maradona assemelham-se em quase tudo às de Ronaldo ou Higuaín, ou seja, avançados de cariz mais móvel. O que o Real Madrid precisa mesmo é de um matador e bem perto está um de qualidade comprovada e preço acessível: Falcão. Por 30 milhões José Mourinho garantia um artilheiro de peso e com sede de vencer no ataque merengue. Com Di Maria, Özil, Ronaldo e Marcelo a servir o ponta-de-lança colombiano estavam garantidos, no mínimo, 30 golos por época.»
João Rui Rodrigues (editor-chefe do Record), 19/05/2011


A comunicação social lisboeta já nem disfarça o desejo, e até ansiedade, de ver Falcao voar para outras paragens. O texto anterior é apenas mais um exemplo e quase se assemelha a um apelo público a Mourinho, para que venha rapidamente buscar o goleador colombiano que, em boa altura, o FC Porto desviou da rota da Luz.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Nas bocas do Mundo


A comunicação social espanhola esteve, naturalmente, interessada no FC Porto x Villarreal, mas nos restantes países europeus e na América latina, os media também estiveram atentos e não pouparam nos adjectivos, com particular destaque para Radamel Falcao. Alguns exemplos:

«Falcao coule le Sous-Marin jaune»
L'Equipe (França)

«Falcao devasta il Villarreal»
La Gazzetta dello Sport (Itália)

«Falcao faz quatro gols, Porto goleia e se aproxima da final»
Gazeta Esportiva (Brasil)

El Messi colombiano
Olé (Argentina)


«No hay nada que hacer. Falcao García es un goleador de raza; (…) Y como el goleador lo es sin importar a donde vaya, en Porto lo disfrutan mientras pueden porque ya se han alzado voces de equipos grandes de Europa para preguntar por el nacido en Santa Marta (…) Se habla de España, de Inglaterra y de Italia, las tres mejores ligas del mundo. Es un orgullo y además muy justo para un hombre que a fuerza de talento, humildad y categoría quedará en la historia del Porto y seguirá haciendo historia a donde vaya.»
El Periodico Deportivo (Colômbia)


Nota 1: A Liga dos Campeões é uma grande montra para clubes, treinadores e jogadores, mas é notório que o trajecto extraordinário do FC Porto na Liga Europa desta época também não tem passado despercebido.

Nota 2: Ontem, no Dragão, estiveram emissários (observadores) de seis clubes ingleses - Manchester United, Chelsea, Arsenal, Tottenham, Liverpool e Everton - e ainda da Juventus, Bayern Munique, Real Sociedad e Celta de Vigo.

FC Porto x Villarreal visto de Espanha



«El 5-1 final deja al Villarreal muy tocado, con muy pocas opciones para el partido de vuelta, que jugará en casa, víctima de un equipo que exhibió todo el poderío ofensivo que le ha llevado a lograr una temporada prácticamente impoluta en Portugal»
Sport

«El segundo tanto del Oporto dejó absolutamente grogui al Villarreal»
Mundo deportivo

«aunque el 5-1 final sepulte cualquier otra consideración, lo cierto es que el Submarino tuvo llegadas para hacer más goles pero pagó muy caro el contar con una defensa endeble, con tres canteranos, demasiado para soportar la avalancha que se les vino encima cuando el Oporto olió sangre y fue a devorar a su pieza»
As

«la diferencia física de ambos equipos fue tan abismal como el resultado»
Marca

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

O ênfase da notícia


Na politica, há quem se preocupe e analise o alinhamento dos telejornais, ou as capas dos jornais. Contudo, se um desses estudiosos dos media, como o Pacheco Pereira, se debruçasse sobre o que se passa nos jornais desportivos, estou convencido que escrevia uma tese de doutoramento…
Por exemplo, peguemos numa notícia de hoje e vejamos como a mesma foi dada em diferentes jornais/sites desportivos:

«FC Porto foi a melhor equipa do mundo em Dezembro
Segundo os resultados apresentados esta quarta-feira pela Federação de História e Estatística do Futebol, o F.C. Porto foi a melhor equipa do mundo em Dezembro e a 10ª do ano de 2010. (...) O Inter, vencedor da Liga dos Campeões, liga e taça italianas, foi a melhor equipa em 2010, superando o Bayern e o Barcelona, segundo e terceiro classificados, respectivamente. (...)»
in ojogo.pt


«IFFHS: F.C. Porto a melhor equipa de Dezembro e 10ª em 2010
O F.C. Porto foi a melhor equipa do mundo em Dezembro e a 10ª em todo o ano de 2010, de acordo com o ranking divulgado esta quarta-feira pela Federação de História e Estatística do Futebol. O Inter, vencedor da Liga dos Campeões, liga e taça italianas, foi a melhor equipa em 2010, seguida por Bayern e Barcelona, que curiosamente seguia na liderança em Novembro, e cai para a terceira posição. (...)»
in maisfutebol.iol.pt


«FC Porto é o 10.º melhor clube de 2010
A Federação Internacional de História e Estatística do Futebol (IFFHS) considerou o FC Porto como a 10.ª melhor equipa do Mundo do ano de 2010. (...)»
in record.xl.pt


«Inter lidera ranking de clubes, FC Porto em 10.º
O Inter foi o melhor clube de 2010 para a Federação Internacional de Historia e Estatística do Futebol (IFFHS), que coloca o Bayern em segundo lugar e o Barcelona em terceiro. O FC Porto está no “top-10”. Os azuis e brancos subiram oito lugares em relação à última actualização e estão no 10.º lugar da tabela que integra cinco clubes portugueses entre os 350 melhores do ano que passou. (...)»
in abola.pt


Ao contrário de outras situações, neste caso não se trata dos destaques de 1ª página dos jornais, tendo em vista os respectivos públicos-alvo que se pretende atingir. Sobre isso já tudo (ou quase) foi dito e até há jornais que têm capas diferentes para Lisboa e Porto. Esta situação é distinta, porque estamos perante a mesma notícia e, sobre essa notícia, a forma como a mesma é escrita permite verificar aquilo que o jornal/site quer enfatizar (no título e no conteúdo) e o que pretende ocultar.
No Record e em A Bola, não há qualquer referência ao facto do FC Porto ter sido a melhor equipa do mundo em Dezembro (de acordo com os critérios do IFFHS). Porque será?
Melhor ainda, a notícia em A Bola é ilustrada por uma foto do Inter. Possivelmente o pasquim da Travessa da Queimada é lido por muitos italianos…

Foto: www.fotosdacurva.com

terça-feira, 7 de setembro de 2010

O Estado e a Cofina

Pelos vistos, não é só com o slb que a Cofina tem excelentes ligações. Conforme a notícia seguinte demonstra, as relações com o actual governo também são muito boas. Aliás, bem vistas as coisas, até faz todo o sentido: Estado, Governo, CM Lisboa, clube do regime...


«Metade do investimento publicitário feito pelo Estado nos jornais diários de maior expansão até Setembro de 2009 ficou nos cofres do "Correio da Manhã". Um estudo feito pela Media Monitor (empresa da Marktest que analisa o mercado publicitário) mostra que, entre inserções no caderno principal e no caderno de classificados, o diário do grupo Cofina arrecadou, até ao final do terceiro trimestre deste ano, quase 4,5 milhões de euros, exactamente metade dos gastos realizados pelo Estado: 8,8 milhões de euros. (...)
Os números agora conhecidos revelam, de facto, não um "padrão", mas três. O "Correio da Manhã" é o grande beneficiário, no que diz respeito aos anúncios colocados pelo Estado nos cadernos dos diários generalistas. Isto porque, já em 2008, aquele título arrecadara 49,6% do dinheiro despendido pelo Governo. Ou seja: o jornal da Cofina vale para o investidor Estado tanto como a soma dos restantes jornais diários.
Segundo "padrão": os jornais com a massa de leitores a Sul arrecadam 72,5% da publicidade estatal. Para o "JN" sobram 27,5%. Com sensivelmente o mesmo número de leitores (concentrados a Norte) do que o "Correio da Manhã" (concentrados a Sul), o "JN" regista um valor da receita publicitária inferior a 48% em 2008 e 45% em 2009, relativamente ao seu concorrente mais directo. Contas feitas, a diferença entre o "JN" e o "Correio da Manhã" é favorável a este último em cerca de três milhões de euros em 2008 e de dois milhões até Setembro deste ano.»
in JN, 21/12/2009

Nota: A foto e os destaques a negrito são da minha responsabilidade.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Pinto da Costa e o balneário que cheirava a bagaço

"Para eles [FC Porto], é tudo um jogo. Do princípio ao fim. Por isso é que ganham quase sempre tudo. Pelos jogadores, pela estrutura, pelo futebol, pelo presidente. Mas quem é que não gostaria de ter um presidente como o Pinto da Costa? Por favooor. Dizem mal dele mas, no fundo, até desejavam um líder igual ou parecido na forma de cativar tudo e todos através do discurso, da acção, do método."


Extracto de uma entrevista de Tomislav Ivkovic (guarda-redes do Sporting na transição do final dos anos 80 para o início dos anos 90 do século passado) e que é parte de uma entrevista publicada ontem pelo jornal i.

Estas afirmações não são propriamente originais, mas proferidas em discurso directo por um jogador de um clube rival assumem outra dimensão. Contudo, para título da entrevista, o jornalista - Rui Miguel Tovar - preferiu salientar outra frase: "Nas Antas o balneário cheirava sempre a bagaço".
Ora bem, há que satisfazer a clientela...

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

O FC Porto nos jornais ingleses

«the former AC Milan coach is entitled to a share of the credit for the way in which his team overcame a talented Porto side. (...)
Porto are a strong team who impressed in drawing 2-2 at Old Trafford in the quarter-final, first leg last season. Not until Fernando was sent off in the third minute of stoppage time, for a second bookable offence, did they accept that this would not be their night.
In that sense, this was probably the toughest match Chelsea have faced under Ancelotti. Porto are the antithesis of Stoke City, who were defeated on Saturday by a stoppage-time goal from Florent Malouda, but they are not a team to be taken lightly. (...)
With nine minutes remaining, Álvaro Pereira got behind Ivanovic and crossed to the edge of the penalty area, where Silvestre Varela, with a downward volley, forced Petr Cech into an awkward, scrambling save
The Times



«for the opening 45 minutes and the concluding 20, Porto demonstrated how they gave Manchester United a run for their money last season (...)
Porto almost gave him one or two as well on Tuesday night, most memorably in the form of the opportunities Hulk and Freddy Guarin would have converted had it not been for an excellent performance from Petr Cech. (...)
Too often Chelsea conceded possession cheaply and it was only because of their goalkeeper that they kept their noses in front. Porto unleashed 17 shots. (...)
Incredible is not a word one could normally associate with this particular Hulk but he was certainly impressive here, as much with his dribbling and passing as a blistering shot that forced Cech to make a desperate save with his knees. (...)
For Porto, however, time enough remained to hit back and how close they went to punishing Chelsea for squandering what chances they created for the remainder of a tense contest. (...)
Had it not been for Cech, Guarin and Silvestre Varela would have been celebrating a much-deserved equaliser. But Cech did his job»
Daily Mail



«the match approached its end with Petr Cech pulling off a good save from the substitute Silvestre Varela. Porto did not look wholly discouraged until the midfielder Fernando was sent off, for a second yellow card, in stoppage time. (...)
When Jesualdo Ferreira's side came to London a year ago, they were routed 4-0 by Arsenal, but considerable improvement followed.
Last night the team reminded you that they had run Manchester United very close in last season's quarter-final, when it took a goal from Cristiano Ronaldo at Estadio do Dragao to win the match. It would be pleasing to think that a side from Portugal could once more hold its own against clubs from wealthier nations. (...)
Porto, after four successive domestic titles, ought to have faith in themselves, but they were still prudent. Four of their new signings were named purely as substitutes, despite the fact that the Colombian striker Falcao had found his goal-scoring rhythm in the Portuguese League.
Ferreira's team did have a settled air and there was enterprise as well. They were ready to search for goal and Cech had to save well from Hulk early in the match. The striker has an unpredictability about him as well a sense of purpose. (...)
Ancelotti was right in his prediction that Porto would seek to attack whenever possible. There was a balance to the game. Although Chelsea did have a desire to assert themselves, they could not lay siege for long because Porto continually took their opportunities to break.
When the moments of crisis did come in the first half, the visitors reacted well
The Guardian


Sim, é verdade que o FC Porto perdeu mais uma vez em Inglaterra e que nenhum portista se satisfaz com vitórias morais. Mas, para quem ainda se lembra, comparem estas opiniões sobre a equipa de ontem, com aquilo que a imprensa inglesa escreveu há um ano atrás.

Nota: Os negritos são da minha responsabilidade.

quarta-feira, 18 de março de 2009

O caso Calabote (IX)

I. A trajectória da bola e as decisões da FPF
II. A pouco inocente nomeação de Calabote
III. Os estágios das selecções em... Lisboa
IV. Treinador-adjunto do SLB no banco do Torreense
V. Deus deu o campeonato à melhor equipa
VI. Um Gama avermelhado na baliza da CUF
VII. Treinador do FC Porto comprometido com o SLB
VIII. Jornalistas de ‘A Bola’ lamentam título ganho pelo FC Porto

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IX. Atraso inicial, penalties e descontos

«(...) foi à custa de uma grande penalidade inexistente que os lisboetas conseguiram marcar o segundo tento. Cavém foi de facto obstruído (...) a falta só exigia livre indirecto. (...) Talvez por isso o sr. Inocêncio Calabote tenha tido tanto cuidado na apreciação das faltas dos cufistas evidenciando o propósito de, a ter que se enganar, o fizesse em relação à equipa que nada sofresse com a derrota. Assim podem anotar-se-lhe frequentes erros de julgamento, benefícios do infractor e, para culminar, aquele exorbitante "penalty" que deu o segundo golo dos encarnados
Guilhermino Rodrigues, Mundo Desportivo, 23/03/1959

No Benfica x CUF os encarnados beneficiaram de três penalties (!) e mesmo os jornais de Lisboa, claramente afectos ao SLB, não têm dúvidas que o 2º penálti foi uma invenção do árbitro.

«Regular comportamento no julgamento das faltas. Só não concordamos com a segunda grande penalidade. A falta existiu, na verdade, mas só por ter sido executada fora de tempo. E porque não vimos irregularidade, tratava-se, quanto a nós, de um livre indirecto.»
in Record

Alfredo Farinha (esse mesmo), escreveu o seguinte em ‘A Bola’: «Quanto aos penalties, não temos dúvida de que o primeiro e o terceiro existiram de facto; dúvidas temos, porém, quanto ao segundo, pois Cavém, ao que se nos afigurou, não foi derrubado por um adversário, antes foi ele próprio que se descontrolou e desequilibrou

Acerca do árbitro e das grandes penalidades, o treinador da CUF, Cândido Tavares (antigo guarda-redes do Benfica), diria no fim do jogo:
Árbitro??... Não houve árbitro!... Só estranho que o senhor Calabote não tivesse arranjado uma quarta grande penalidade, nos últimos minutos”.

A propósito das polémicas entre Benfica e FC Porto e, nomeadamente do caso Calabote, Carlos Pinhão (pai de Leonor Pinhão), escreveu o seguinte em ‘A Bola’, de 08/09/1990:
«Recorda-se a [celeuma] de 1959, quando os portistas, em Torres Vedras, tiveram de esperar largo tempo que, na Luz, chegasse ao fim um Benfica-Cuf cheio de penalties e… de minutos».

Outro jornalista de ‘A Bola’, Homero Serpa (pai do actual director, Vítor Serpa), escreveria:
«O árbitro era o Calabote – houve erros inaceitáveis na Luz, com uma sucessão de golos incríveis. O guarda-redes era o Gama, que seria substituído. Os jogadores do FC Porto ficaram no campo à espera que acabassem os golos na Luz».

Estes comentários de elementos históricos de ‘A Bola’, absolutamente insuspeitos de qualquer pingo de simpatia pelo FC Porto, são ilustrativos das anormalidades que se verificaram naquele Benfica x CUF.

De facto, para além dos três penalties, que foram muito contestados pelos jogadores e treinador da CUF, o desafio ficou também marcado pelo enorme desfasamento horário em relação ao jogo de Torres Vedras.

«Um golo marcado no último minuto por Teixeira valeu o Campeonato. Na Luz, por artes e manhas do pouco inocente Calabote, jogaram-se mais 12 minutos, mas em vão...»
in 'Glória e Vida de Três Gigantes', A BOLA

Vírgilio, jogador do FC Porto, afirmou o seguinte ao Jornal de Notícias:
Pensava em ganhar, mas nunca julguei que custasse tanto. E já agora, um segredo: quando soube que o Benfica entrara em campo mais tarde 10 minutos para saber do nosso resultado, confesso que desanimei e julguei tudo perdido! Sabe o que nos valeu? Termos marcado muito tarde o segundo e terceiro golos!

Relativamente a tudo o que se passou durante o jogo, importa salientar que não havia transmissões televisivas que ajudassem a escrutinar as decisões dos árbitros. Havia, isso sim, os relatos que a Emissora Nacional transmitia e as crónicas dos jornais publicadas nos dias seguintes.

«Nesse dia eu estava no Restelo a assistir ao Belenenses-Sporting. Acabou o jogo e, depois, fiquei a ouvir o que se passava no Benfica - CUF, pela rádio, ouvindo a reportagem de Artur Agostinho para a Emissora Nacional. E ele ia dizendo que passavam dois, quatro, seis minutos... quando o jogo acabou, passavam oito minutos da hora.»
Dr. Coelho da Fonseca, presidente da Comissão Central de Árbitros

Ignorando o relato da Emissora Nacional e agarrando-se às crónicas de alguns jornais, nomeadamente de ‘A Bola’ e do ‘Record’, há benfiquistas que alegam que o Calabote “só” deu quatro minutos de descontos, dizendo que a restante diferença entre o final dos dois jogos – 12 minutos! – se deve ao propositado atraso da entrada da equipa do SLB em campo, de forma a poderem beneficiar do conhecimento do resultado em Torres Vedras.
Neste raciocínio está implicito que o árbitro do jogo Torreense x FC Porto não deu nem um minuto de descontos (o que, neste contexto, também importa destacar).

Convém também salientar que ao contrário do que se passa agora, em que é habitual haver jogos com 3 ou 4 minutos de descontos (devido às instruções que os árbitros têm da FIFA), na altura isso era muito raro. Havia apenas uma substituição, não havia cartões amarelos e o guarda-redes podia passear com a bola na grande área, batendo-a no chão as vezes que entendesse. Tudo isto não era motivo para prolongar um jogo de futebol.

Para se ter uma ideia da polémica que os descontos causavam, em 1959 ainda se falava de um caso ocorrido três anos antes, em Fevereiro de 1956, num Lusitano de Évora x SLB da 18ª jornada da época 1955/56. Nesse desafio, o árbitro Jacques Matias permitiu que Ângelo marcasse o golo da vitória dos encarnados dois minutos para além da hora, ignorando por completo os sinais do seu fiscal de linha a indicar-lhe o final do tempo. Os benfiquistas marcaram e, então, sim, o árbitro de Setúbal deu o jogo por findo...

Mas voltando ao Benfica x CUF, para além dos 4 ou 5 minutos de descontos algo, repito, verdadeiramente excepcional para a época, o facto de haver benfiquistas que desvalorizam o atraso da entrada da sua equipa no relvado, feito de forma deliberada para daí tirar uma vantagem ilegítima (os regulamentos eram claros e diziam que os jogos tinham de começar à mesma hora), mostra a forma “ética”, “limpa” e “desportiva” como encaram o futebol. E depois ainda vêm falar dos outros...

(continua: As mentiras e irradiação de Calabote)

Fontes:
[1] ‘CSI – Calabote Scene Investigation’, Pobo do Norte, Maio de 2008
[2] 'Glória e Vida de Três Gigantes', A BOLA, 1995
[3] ‘Carta de Adriano Lima a Rui Moreira’, dragaodoente.blogspot.com, 2008


Fotos: fpf.pt

quinta-feira, 12 de março de 2009

Imprensa de Madrid reconhece superioridade do FC Porto

«Leo Franco mantuvo viva una esperanza que el cerebro sabía falsa. El argentino, que está enorme, frenó al Cebolla, a Hulk, a Meireles... y en la única que él no llegó, fue el poste quien detuvo a Lisandro. Así, sin hacer nada, el Atleti llegó vivo al final, rezando por un milagro, un poco de suerte, un rebote, un error, cualquier cosa que no tuviera que ver con el fútbol ni con los méritos. Pero no llegó y fue justo. Esto es la Champions, señor Abel, aquí juegan los mejores del mundo y usted tiene dos y no puso a uno, anulando así al otro. Y así muere el Atleti, como un cobarde, sin grandeza alguna.»
in as.com

«El crack: Leo Franco
El Atleti subsistió sólo porque su portero, igual que en la ida, se exhibió y evitó la justa victoria local»
in as.com

«El paso por vestuarios no cambió la estratagema lusa. El Atleti siguió a lo suyo, sin perder la posición, sin un gesto de complicidad. Transcurridos unos minutos, Abel retiró a Maxi en beneficio de Forlán. El uruguayo se perdió en la película de terror que estaba tramitando su equipo y su entrada precipitó el despertar esperado de los portugueses. El Oporto, cansado, se lanzó a ajusticiar a un decaído soldado rojiblanco. Un milagro, una ayuda divina y Leo Franco explican que el Atlético no conociese su final mucho antes.
Hulk buscó un 'gol olímpico' desde la esquina que evitó el larguero, Lisandro se topó con la misma madera y Leo hizo el resto, manteniendo con una vida engañosa a su equipo. El Atlético no se acordó de sus virtudes y se limitó a rezar en su campo, pero se olvidó de que eso no era suficiente. Un sólo gol le echó de la Champions, un tanto tan simple como lejano. No perdió, pero la derrota es evidente. Los de las rayas de los colchones lamentan su destino.»
in marca.com

«Un milagro evitó la victoria del Oporto en el segundo asalto, el mismo que hubiese necesitado el Atleti para seguir vivo»
in marca.com

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

A ditadura da Capital na comunicação social

«Pelo menos 181 jornalistas das redacções do Porto de vários órgãos de comunicação social perderam o emprego nos últimos cinco anos, 54 dos quais no despedimento colectivo anunciado quinta-feira pelo grupo Controlinveste, apurou esta sexta-feira a Lusa.

Justificado pelo grupo de Joaquim Oliveira com a «evolução acentuadamente negativa do mercado» e a «profunda quebra de receitas», o despedimento abrangeu um total de 75 jornalistas do «Jornal de Notícias» (JN), «Diário de Notícias» (DN), «O Jogo» e «24 Horas».

Destes, 54 (23 no JN, seis no DN, 15 no jornal «O Jogo» e 10 no «24 Horas») nas redacções do Porto destas publicações.

No caso do jornal «24 Horas» deixou mesmo de existir a delegação do Porto, com a saída de todos os jornalistas que a compunham.

Recentemente, foram também «convidados a sair» três jornalistas da Rádio Regional de Lisboa (Rádio Clube Português), do grupo Media Capital, no Porto.

O esvaziamento das redacções do Porto, de vários órgãos de comunicação social, já vem acontecendo há algum tempo, acompanhado do encerramento de publicações sedeadas na cidade, como «O Comércio do Porto».

Este jornal, que era o diário mais antigo do país, foi encerrado em Julho de 2005 pelo grupo que então o detinha, os espanhóis da Prensa Ibérica, que acabou também com «A Capital», um dos mais prestigiados títulos de Lisboa.

No caso d' «O Comércio do Porto» perderam o emprego 50 jornalistas.

Dois anos antes, em 2003, a estação televisiva NTV, um canal regional do Porto criado em 2001 através de uma parceria entre a PT Multimédia e a RTP, dispensou também 25 dos 37 jornalistas contratados a termo certo, tendo acabado por desaparecer para dar origem à actual RTPN, que absorveu os restantes profissionais.

Também em 2003 a Lusomundo Media/PT encerrou a redacção do Porto da revista Notícias Magazine, despedindo os quatro jornalistas que a compunham.

Em 2006 foi a vez de o jornal «Público» iniciar um processo de rescisões que resultou na saída de 11 jornalistas no Porto (incluindo os correspondentes de Aveiro, Famalicão, Braga e Vila Real), enquanto o semanário «Expresso» dispensou, em Junho de 2007, dois jornalistas na redacção da cidade.

A estes juntaram-se, em Agosto de 2008, mais 32 jornalistas de outros dos mais antigos diários portugueses, o portuense «O Primeiro de Janeiro», alvo de um processo de despedimento colectivo

Fonte: Agência Financeira
2009/01/16

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Nem faço comentários. Os factos falam por si.

Nota: A selecção das fotos e os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Um herói num jogo viciado


O último Paços Ferreira x SLB ficou marcado por uma arbitragem escandalosa (mais uma!) de Bruno Paixão.

Pondo de lado os “erros menores”, que seria exaustivo enumerar, destaca-se a forma habilidosa como conseguiu evitar a expulsão de dois jogadores do SLB. Primeiro Maxi Pereira, aos 28’, numa entrada violenta sobre Leandro Tatu, e depois Nuno Gomes, aos 55’, após agressão deste a Filipe Anunciação.

A coisa foi de tal modo flagrante, que até Rui Santos escreveu o seguinte na sua coluna de opinião no Record:
«No último encontro da 3.ª jornada, (...) Bruno Paixão e o seu auxiliar ignoraram duas agressões protagonizadas por Maxi Pereira e Nuno Gomes, cuja omissão representa um grave atropelamento às regras do jogo»

Ao não expulsar Maxi e Nuno Gomes, quando o desafio estava longe de estar decidido, Bruno Paixão não só teve uma clara influência no resultado final deste jogo (que implicações haveria se o SLB ficasse reduzido a 10 ou 9 jogadores a largas dezenas de minutos do fim?), como também evitou que os dois jogadores encarnados ficassem suspensos nas próximas jornadas.
Ora, sabendo-se que Luisão ainda está a cumprir o castigo relativo ao sumaríssimo e que Suazo está lesionado, facilmente se percebe o impacto que, nesta altura, a suspensão de mais dois jogadores poderia ter na equipa encarnada.

O futebol é um jogo de paixões e, por isso, tenho a certeza que foi a enorme paixão deste Bruno pelo SLB... perdão, pelo espectáculo, que o fez mostrar amarelos suaves em vez dos cartões vermelhos que se impunham.
Meus caros, não nos esqueçamos que há 6, 10, 14 milhões de benfiquistas e é preciso salvaguardar as assistências e a competitividade do campeonato. Deste modo, estou certo que esta roubalheira..., perdão, gesto “magnânimo” do Bruno Paixão não será esquecido, quer pelo SLB, quer pela própria Liga (estejam atentos à classificação dos árbitros).

Desde um célebre jogo em Campo Maior, em que o Bruno mostrou toda a sua qualidade e paixão, que é difícil nós portistas ficarmos surpreendidos com uma arbitragem deste artista. Contudo, o caso da agressão de Nuno Gomes, que o árbitro viu perfeitamente, é de bradar aos céus.

O vídeo da agressão de Nuno Gomes (pontapeia por trás Filipe Anunciação) pode ser visto aqui:




O que disseram os membros do 'Tribunal de O JOGO' sobre este lance?

Jorge Coroado: «Impunha-se a exibição do cartão vermelho e não do amarelo a Nuno Gomes, que pontapeou objectivamente o adversário, praticando conduta violenta

Rosa Santos: «Trata-se de uma agressão a pontapé, que não é passível de ser punida com o cartão amarelo. Ao jogador do Benfica, devia ter sido exibido o cartão vermelho

Soares Dias: «Nuno Gomes não tem qualquer intenção de jogar a bola e dá um pontapé no adversário. Considera-se isso uma agressão. O árbitro, como é muito económico, mostrou o cartão amarelo, mas, em vez do amarelo, justificava-se o vermelho

António Rola: «Antes, houve falta do jogador do Paços de Ferreira sobre Nuno Gomes. Como o árbitro não assinalou, Nuno Gomes procura tirar desforço e pratica jogo perigoso, sendo-lhe exibido o amarelo. Aceito esta sanção disciplinar tendo em consideração o critério adoptado em duas situações anteriores muito similares. Caso o árbitro tivesse sido mais rigoroso, podia ter exibido o vermelho a Nuno Gomes

Chamo à atenção para a forma ardilosa como António Rola, que durante uns tempos foi assessor do SLB para as questões de arbitragem, tenta justificar o injustificável. No caso deste ex-árbitro, o que é notável é ele conseguir ser ainda mais faccioso que os comentadores benfiquistas que participam em programas de rádio e televisão, os quais, perante as imagens, não tiveram dúvidas em reconhecer que o Nuno Gomes deveria ter sido expulso.

Se a opinar é assim, imaginem como este Rola, com um apito na boca, “piava” dentro das quatro linhas...

Por falar em programas onde este caso foi analisado, tive pena que, no ‘Trio de Ataque’, o Rui Moreira não tivesse colocado o Nuno Gomes e o Bruno Paixão no fundo. É verdade que ele falou e “malhou” em ambos, mas quer o que se passou neste jogo, quer o passado de ambos, mais do que justificaria um fundo desta semana. Haverá ocasião mais propícia do que esta para colocar estes dois artistas no fundo?

Aliás, conforme foi lembrado pelo Rui Moreira, este foi o segundo jogo consecutivo em que o Nuno Gomes escapou à expulsão, devido à "compreensão" e benevolência dos árbitros.
Para quem já se esqueceu, poderá recordar aqui a imagem e o vídeo da entrada brutal de Nuno Gomes sobre Sapunaru.

Finalmente, e como seria de esperar, a comunicação social branqueou completamente a arbitragem vergonhosa de Bruno Paixão. Isso não é surpresa, mas desta vez foi ainda mais longe. Em vez de apontar o dedo a Nuno Gomes, elevou-o à condição de herói do jogo (segundo o Rui Moreira, o Nuno tem boa imprensa...)





E pronto, é assim que, jornada após jornada, se pugna pela transparência e verdade desportiva.

sábado, 13 de setembro de 2008

Os jornais Desportivos

No último número da Revista Dragões, o nosso Presidente entendeu, e bem, dar uma alfinetada na Bola em função da publicação em série de primeiras páginas reveladoras da falta de independência (real) do jornal relativamente ao SLB, e afirmando (muito justamente) que esse posicionamento não é conforme o bom jornalismo e a ética do jornalista. São mesmo medíocres, não são?


É proibido, e bem, proibir a liberdade de imprensa, mas não devemos perder a oportunidade de denunciar os exageros em que cai frequentemente a nossa Imprensa desportiva. Mas, nenhum dos jornais está isento de pecados, sendo o Record o pior de todos. Porque é medíocre e porque ainda não deram por ela. São demasiado mauzinhos, para o reconhecerem, não são?


O Jogo não é excepção, infelizmente, e depois de há umas semanas, durante três ou quatro dias seguidos, terem feito de Hulk a primeira página do jornal, há poucos dias asfixiaram-nos com uma entrevista a Rochemback, com 6 páginas incluindo a capa. É demais e não vejo nenhuma razão para essa extensa entrevista. É (era) tempo de selecção e de dar mais atenção aos sub-21. Não é?

O Jogo publica aos Domingos um revista a “J” que é de uma mediocridade que dói. No passado fim-de-semana com uma reportagem fotográfica de Mónica, cuja beleza não mereceria tanto.
É significativo que o jornal pense que a revista é uma mais valia e que desta forma chega junto de mais leitores. Estão a vender gato por lebre e nem o grau de fidelidade ao jornal justifica o preço que nos “obrigam” a pagar. Bons rapazes, não são?

É relativamente vulgar vender publicidade e “oferecer” em contrapartida uns favorzitos na secção dos press release, ou então foto reportagens, nomeadamente nas revistas, sobre as marcas ou os patrões das mesmas. São práticas correntes, mais ou menos camufladas, mas que existem e se patrocinam. Admito que muitas destas capas tenham como objectivo atrair o alvo primário, mas não me espantaria que fossem encomendas pelos clubes que gozam do privilégio de ter nas redacções desses jornais pessoal que se identifica com o emblema e se serve à maneira para a prestação desse tipo de servicinhos.

O reinado de Bush inaugurou o jornalismo embedded que serviu à feição para que o relato dos episódios de guerra não fugissem ao guião oficial. Acho que devem ter colhido da Imprensa desportiva portuguesa excelentes exemplos de como agradar e servir, sem perder estatuto. E nos últimos dias, nos jornais desportivos portugueses as parangonas vão direitinhas para Rochemback, Suazo, Katsou e Di Maria. Porque será? Uma capa, 5 páginas cheias de Rochemback é uma overdose, não é?