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terça-feira, 1 de novembro de 2016

Depoitre e o “novo rumo”

Crónica do Vitória Setúbal x FC Porto, em O JOGO de 30-10-2016

Para que jogos serve, afinal, um pinheiro no banco?

Não foi apenas o jornalista de O JOGO a questionar, publicamente, o facto de Depoitre não ter saído do banco de suplentes.

Muitos portistas ficaram surpreendidos com esta decisão de Nuno Espírito Santo e nas redes sociais não faltou quem fizesse idênticas observações. Por exemplo, aqui.

É natural que o façam, porque quem acompanha o futebol com interesse e já viu centenas ou milhares de jogos, tem um pouco de “treinador de bancada”. Contudo, não é minha intenção proceder a uma análise técnico-tática das opções e substituições feitas pelo treinador da equipa do FC Porto no jogo de Setúbal. A questão mais importante, para mim, é outra e é de fundo.

FC Porto SAD pagou 6 milhões de euros pelo passe de Depoitre

Por que razão a administração da FC Porto SAD gastou 6 milhões de euros na contratação de um jogador que, em 12 jogos foi titular duas vezes e que, nos últimos sete jogos, apenas foi utilizado 25 minutos, num jogo para a Taça de Portugal, contra uma equipa da 3ª divisão (o Grupo Desportivo da Gafanha)?

Num cenário de forte aperto financeiro, o que está em causa, como é óbvio, é a sustentabilidade da política desportiva e a estratégia da administração da SAD em termos de contratações.

Mais. Aquando da apresentação dos resultados do exercício 2015/2016, em que a FC Porto SAD registou um prejuízo recorde de 58,4 milhões de euros, o administrador com o pelouro financeiro, Fernando Gomes, afirmou que “em pouco tempo houve uma inflação dos custos do plantel, que, entende a administração, devem ser ponderados no sentido da sua inversão”, tendo acrescentado que “os custos com o pessoal têm crescido nos últimos anos e isso tem que levar um novo rumo”.

Inversão? Novo rumo?

No dia 8 de agosto, em declarações ao Porto Canal, Pinto da Costa afirmou que não conhecia Depoitre, mas que a SAD o tinha contratado porque “era o jogador que Nuno pretendia” e que “no meio de muitas opções possíveis [Depoitre] foi a que o treinador preferiu”.

Pinto da Costa e Depoitre

Bem, perante o que se tem visto, custa a acreditar que Depoitre tenha sido um pedido de Nuno Espírito Santo, pela simples razão que o ponta-de-lança belga nunca foi uma 1ª escolha (titular indiscutível), nem sequer é uma 2ª escolha (suplente utilizado) regular do treinador do FC Porto.

Juntando as peças do puzzle, parece-me evidente que alguma coisa não bate certo e, por isso, alguém deveria explicar este caso porque, seguramente, “novo rumo” não é gastar (desbaratar!) 6 milhões de euros num jogador de 27 anos, para ele ficar sentado no banco de suplentes.

domingo, 16 de outubro de 2016

A SAD fez 75 milhões em vendas!

O JOGO é o único jornal desportivo que eu compro, o que faço, com alguma frequência, aos fins-de-semana.
De há uns meses para cá, a edição de domingo de O JOGO sofreu diversas alterações e passou a incluir crónicas de um conjunto alargado de comentadores.

Comentadores de O JOGO (edição de 16-10-2016)

Um dos comentadores da edição de domingo de O JOGO é Manuel Queiroz, um jornalista Portista, que leio desde os seus tempos do PÚBLICO (no século passado) e do qual destaquei vários artigos em posts publicados no ‘Reflexão Portista’ ao longo dos anos. Alguns exemplos:

O jornalismo vergado a interesses (7 de Março de 2009)
Matar o mensageiro (25 de Janeiro de 2010)
Recordando Pôncio Monteiro (16 de Abril de 2011)


Manuel Queiroz, que já esteve no “Index” de Pinto da Costa (penso que já não está), no início da sua crónica de hoje (com várias partes) faz uma referência às contas do FC Porto:

Manuel Queiroz na TVI
«O descalabro das contas do FC Porto – 58 milhões é uma brutalidade – teve o efeito, ao que parece, de colocar Pinto da Costa outra vez na torre de comando, de que verdadeiramente tinha saído nos últimos anos. Mas aqueles números vermelhos têm nomes – Casillas, Maxi, Quintero, Adrian Lopez, Bueno, Tello, Imbula, Lopetegui – que foram decisões de gestão contra as quais muita gente alertou. E até foi alvo de chacota por isso. Vê-se hoje: nem títulos, nem dinheiro. É um descontrolo total porque, se é verdade que a grande diferença teve a ver com as vendas de jogadores que não houve, parecia muito evidente já em janeiro. E ninguém tomou medidas e o resto da administração estava toda – saiu apenas Antero Henrique. Que teve muitas culpas, mas todos os contratos têm que ser assinados, pelo menos, por dois administradores…»


Neste seu texto, curto mas incisivo, particularmente por aquilo que é sugerido nas entrelinhas, Manuel Queiroz parece querer isentar Pinto da Costa da desastrosa gestão desportivo-financeira dos últimos anos. Pelo menos é essa a leitura que se pode fazer da frase “colocar Pinto da Costa outra vez na torre de comando, de que verdadeiramente tinha saído nos últimos anos”.
Bem, se Pinto da Costa, que é o presidente do Clube e da SAD, não é o primeiro culpado e o responsável máximo do que se passou nos últimos anos, quem foi? O porteiro?

Por outro lado, ao falar do descontrolo das contas da FC Porto SAD, Manuel Queiroz insiste na ideia, que já li/ouvi a muitos portistas, de que “a grande diferença teve a ver com as vendas de jogadores que não houve”.

“as vendas de jogadores que não houve”? Ó meus amigos, vamos lá ver se a gente se entende. No exercício 2015/2016, a FC Porto SAD registou mais de 75 milhões de euros (75.357.145 Euros) em vendas de passes de jogadores, as quais proporcionaram mais-valias superiores a 40 milhões de euros (40.222.955 Euros).
Se alguém tem dúvidas, consulte as páginas 68, 97 e 98 do Relatório e Contas Consolidado da FC Porto SAD, porque está lá tudo explicadinho.

O cenário é de tal forma negro, que se a FC Porto SAD tivesse feito o dobro em vendas de passes de jogadores, mantendo o mesmo rácio entre vendas e mais-valias, atingiria o valor estratosférico de 150 milhões de euros em vendas de jogadores, 80 milhões em mais-valias e continuaria a fechar o exercício 2015/2016 com um elevado prejuízo (cerca de 20 milhões de euros).

Para não nos andarmos a enganar a nós próprios, era bom que Portistas – jornalistas, comentadores ou meros adeptos – não induzissem outros Portistas em erro. De uma vez por todas, NÃO É VERDADE que, no período correspondente ao exercício 2015/2016, não tenha havido vendas significativas de passes de jogadores.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

95 milhões de euros…

Fernando Gomes durante a apresentação das contas 2015/16

No final da época [2015/16], tivemos solicitações de venda do Danilo, André Silva e Herrera, com valores em causa de 95 milhões de euros. A equipa técnica e administração entenderam que, num momento em que ainda não estava garantido o acesso direto à Liga dos Campeões, a venda seria um duro golpe no percurso desportivo desta época [2016/17]

Estas declarações foram feitas ontem de manhã, pelo administrador financeiro da FC Porto SAD, durante a apresentação das contas referentes ao exercício 2015/16.

95 milhões de euros? Ena, é (seria…) muita massa!
E, entre os adeptos portistas, houve logo quem tentasse que estas declarações de Fernando Gomes fossem interpretadas da seguinte forma:
O prejuízo (brutal) do exercício 2015/16 é consequência da FC Porto SAD não ter feito vendas porque, se a administração quisesse, bastava ter vendido três jogadores (Danilo, André Silva e Herrera, por 95 milhões) que até teria tido lucro.

Bastava ter vendido três jogadores? Pois…
Cada sócio ou adepto do FC Porto é livre de fazer as interpretações e leituras que quiser, mas vamos lá ver se a gente se entende: no período correspondente ao exercício 2015/16, a SAD alienou os direitos desportivos e económicos de vários jogadores.

De acordo com o Relatório e Contas Consolidado 2015/2016 (páginas 68, 97 e 98), os Proveitos com transações de passes de jogadores atingiram um total de 75.357.145 Euros e as Mais-valias com alienações de passes de jogadores superaram os 40 milhões de euros (40.222.955 Euros).

«Em 30 de junho de 2016 a rubrica “Mais-valias de alienações de passes de jogadores” respeita essencialmente à alienação dos direitos desportivos e económicos do Alex Sandro (21.362.880 Euros). Maicon (9.093.100 Euros) e Imbula (3.867.346 Euros), entre outros.», (Nota 27 do Relatório e Contas Consolidado 2015/2016, página 97).

75 milhões em vendas de passes de jogadores.
40 milhões em mais-valias.
E, mesmo assim, 58 milhões de prejuízo!

Ou seja, apesar da FC Porto SAD ter feito várias vendas e de valor bastante elevado, não chegou.
E por que razão não chegou?
Porque, nos últimos anos, particularmente nos dois exercícios mais recentes - 2014/15 e 2015/16 -, esta administração (já com este administrador financeiro) tomou decisões que fizeram os custos da FC Porto SAD dispararem para valores desmesurados e incomportáveis para a realidade do futebol português.

Salários versus Proveitos (O JOGO, 13-10-2016)

E agora?
Agora, a mesma administração da FC Porto SAD, as mesmas pessoas que colocaram os custos com o plantel principal na fasquia dos 100 milhões de euros, dos quais 75 milhões são salários, falam em “momento zero” e dizem que, nos próximos três anos, pretendem que a massa salarial desça para os 55 milhões de euros.

Mesmo que haja essa intenção (desculpem mas, perante o passado recente, permitam-me duvidar), o problema é se a equipa principal de futebol continuar neste ciclo de derrotas (já são três anos sem ganhar nada), o que obrigará (?) a mais fugas para a frente.

Quem vier depois…

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Panorama negro

Demonstrações de Resultados (fonte: Comunicado da FCP SAD - Resultados Consolidados 2015/2016)

Resultado Líquido Consolidado negativo em 58.411m€.

Proveitos Operacionais, excluindo proveitos com passes, reduzem-se em 17.778m€.

Custos operacionais, excluindo custos com passes de jogadores, crescem 13%, equivalente a 14.091m€.

O passivo total atinge os 349.181m€, o que representa um aumento de 73.049m€ face a 30 de junho de 2015.

Estes são alguns dos destaques apresentados no comunicado enviado hoje pela FC Porto SAD à CMVM, referente aos Resultados Consolidados 2015/2016.

Antes de uma análise detalhada às contas e à situação financeira do FC Porto (a qual carece de mais informação e tempo), o que já se pode dizer é que estes Resultados Consolidados são péssimos, os piores de sempre desde que foi criada a SAD (em 1997) e os piores de sempre da história centenária do Futebol Clube do Porto.

Custos Operacionais excluindo passes (fonte: Comunicado da FCP SAD - Resultados Consolidados 2015/2016)

O panorama é negro, os custos operacionais estão descontrolados e, no mínimo, exige-se uma explicação cabal da Administração da FC Porto SAD, bem como, dos responsáveis do principal acionista da SAD, que é o Futebol Clube do Porto.

quarta-feira, 9 de março de 2016

Amor de perdição

Como sabemos, tivemos eleições na SAD do FCP há cerca de uma semana atrás. 

Durante o mandato de 3 anos que agora acabou os 4 membros executivos do Conselho de Administração da SAD receberam oficialmente uma remuneração, em média, de aproximadamente 1,400,000€ cada um pelos serviços prestados ao futebol do FCP. Ou seja, perto de 500,000€/ano - cada um, repito (ou mais de 60x o salário mínimo). 

Muito longe vão os tempos em que Pinto da Costa disse que nunca aceitaria cargos remunerados no FCP. Longos dias têm cem anos, de facto.

A componente fixa dessa remuneração foi de 100%, e a variável de 0%, segundo os R&C da SAD.

Isto exclui «despesas de representação» (carro e gasolina, etc etc), a (muito mais pequena) remuneração que recebem do clube - onde fazem todos membros da Direção como Presidente e Vice-Presidentes - e outros rendimentos que possam eventualmente ter fora do FCP. 

Bem, pessoalmente considero tamanha remuneração fixa como sendo obscena (muito superior à dos rivais, e, tanto quanto conseguir descobrir, quase o dobro do que ganham os Directores de um Real Madrid e mais do que ganham os Directores do FC Barcelona; diga-se de passagem que os presidentes do RM e do Barça não são sequer remunerados, muito ao contrário do nosso, não entrando sequer nestas contas).

Mas como as opiniões são como as cerejas, há quem encolha os ombros e diga que «a profissionalização dá nisto», há ainda quem diga que «eles merecem».

Começando pelo 2º contra-argumento, constato que no mesmo período de 3 anos (que grosso modo corresponde às épocas 2013/14, 2014/15 e a presente época), o palmarés conquistado no futebol terá sido o seguinte: uma Supertaça de Portugal; possivelmente uma Taça de Portugal (a ver...); e de resto muito provavelmente zero títulos (e um ou dois 3º lugares); e quanto à Europa, 2x eliminados na fase de grupos da LC e uma vez nos 1/4s da mesma.

De um ponto de vista de gestão financeira, no mesmo triénio vamos certamente ter um prejuízo acumulado na SAD bastante considerável (e nunca estivémos tão dependentes de mais-valias nos jogadores para equilibrar minimamente o barco). No biénio 2013-15 fizemos mais de 20M€ de prejuízo, e a presente época vai pelo mesmo caminho (ou pior), isto já contando com 1 ou 2 grandes vendas antes do fim de Junho.

Ou seja: presumo que quem acha que «eles merecem» tenha uma bitola mesmo muito baixa (ou se calhar consideram a remuneração como uma espécie de pensão de reforma ainda em funções, sei lá).

Quanto ao outro argumento, «o profissionalismo é isto», tenho duas ou três observações iniciais a fazer: a primeira é que tanto quanto eu vejo um FC Barcelona ou um Real Madrid também são geridos de forma profissional e não têm SAD nenhuma, ou seja: é (ou devia ser) irrelevante que a SAD exista ou não. A segunda é que cá eu não estou propriamente a ver um Barcelona, um Borússia de Dortmund ou um Manchester United a ir recrutar Pinto da Costa, Reinaldo Teles, Adelino Caldeira, Fernando Gomes ou Antero Henrique para a Direção executiva deles.

Mas acima de tudo há um ponto fundamental que nunca percebi: tanto quanto entendi pelas palavras dos próprios, um Pinto da Costa, um Adelino Caldeira ou um Reinaldo Teles estão lá por amor ao FCP. Aliás, todos eles (F. Gomes e A. Henrique incluídos) foram eleitos pelos sócios para liderar o FCP (*). Ora chamem-me maluco, mas na minha cartilha quem concorre a eleições por amor ao clube e «corre por gosto» não precisa de ganhar mais de 60x o salário mínimo, muitíssimo menos como remuneração fixa.

Pessoalmente considero que uma remuneração 20x inferior à actual (ou seja, uns 2,000€/mês) já daria para uma vida minimamente confortável (há tantos portistas que vivem com muito menos do que isso...) e emocionalmente recompensadora para quem corre por gosto. A isto poder-se-ia eventualmente acrescentar bónus por objectivos. Já se o amor ao dinheiro (e ao que ele compra) for maior do que ao clube, então que estejam à vontade para ir ganhar mais do que isso para onde o conseguirem, no hard feelings, seja ele ou ela quem for. Mas isso sou eu, que se calhar sou maluco.

NB: estou aqui a falar de Administradores executivos; não de Directores não eleitos, numa posição subalterna, que tenham sido recrutados pelo Conselho de Administração para a «máquina» da SAD (por exemplo, um eventual Director altamente competente recrutado para a Porto Comercial); não me choca que esses eventualmente ganhem mais - segundo a lei de mercado para esse tipo de perfil, bem entendido - da mesma forma que os jogadores também ganham mais.

PS - como curiosidade, os rendimentos de Fernando Gomes na SAD são 10x mais altos do que os rendimentos que auferia como presidente da Câmara Municipal do Porto ou como deputado na Assembleia da República. Não haja dúvidas de que, de um ponto de vista financeiro, esta nova carreira faz muito mais sentido.

PPS - Carlos Abreu Amorim foi processado pela SAD por dizer entre outras coisas que tínhamos "uma direção pejada de milionários que enriqueceram no clube". Constato que pelos vistos agora se pode processar alguém por meramente mencionar factos... é que, só nos últimos 10 anos e segundo os R&Cs da SAD, os 4 Administradores executivos da SAD receberam, em média, mais de 6,000,000€ cada um. Mas se calhar a bitola de «milionários» para eles é ainda mais alta do que isso, sei lá (já agora, estejam à vontade para me processar - e relembro que os artigos no Reflexão Portista são da exclusiva responsabilidade do autor de cada artigo, e este não foge à regra).

(*) Pinto da Costa foi eleito presidente do FCP e os restantes membros do C.A. da SAD foram eleitos Vice-Presidentes do FCP. Decidiram eles por sua vez acumular esses cargos com os cargos de Administradores executivos na SAD (ao contrário de um RM ou FC Barcelona, onde os membros do Conselho de Administração não são remunerados mas também não acumulam cargos executivos, ficando isso apenas para os Rui Cerqueiras, Rui Lousas e Eduardos Valentes do Barça).

sábado, 10 de outubro de 2015

O resumo das contas 2014/2015

Ontem, a FC Porto SAD emitiu um Comunicado com um resumo dos Resultados Consolidados do exercício 2014/2015 (correspondente ao período entre 1 de Julho de 2014 e 30 de Junho de 2015) e fez, também, a apresentação das contas à comunicação social.

(fonte: O JOGO)

Entre outros aspectos, a Administração da FC Porto SAD fez os seguintes destaques:

«Os Proveitos Operacionais, excluindo proveitos com passes, crescem 20.976 m€, o que corresponde a 29%, atingindo agora os 93.589 m€, fundamentalmente devido ao incremento das receitas obtidas pela participação nas provas europeias.»

Nota: No exercício 2014/2015 foram contabilizados dois prémios de presença na fase de grupos da Liga dos Campeões (épocas 2014/2015 e 2015/2016).

«Os Custos Operacionais, excluindo custos com passes de jogadores, crescem 16%, equivalente a 15.159 m€, acompanhando o acréscimo dos custos com o pessoal. No entanto, realça-se o facto de, neste exercício, estarem registados os prémios associados à boa performance desportiva da equipa nas competições europeias.»

Nota: Infelizmente, a FC Porto SAD não teve de registar (poupou...) os valores correspondentes aos prémios associados à conquista do campeonato nacional 2014/2015.

«O Resultado Líquido Consolidado atinge os 19.958 m€, sendo 19.352 m€ atribuíveis aos detentores de capital da empresa mãe, bastante superior ao obtido no período homólogo, principalmente devido ao crescimento dos resultados com transacções de passes de jogadores, que atingem os 82.500 m€.»

«O Activo Líquido aumenta 80%, atingindo os 359.235 m€, pela incorporação do Estádio do Dragão, propriedade da EuroAntas, cujo valor líquido a 30 de Junho de 2015 ascende a 138.800 m€.»

«O Passivo total atinge os 276.131 m€, o que representa um crescimento de 42.668 m€ face a 30 de Junho de 2014, justificado, em grande parte, pela agregação do passivo da EuroAntas, sociedade que assumiu o project finance para a construção do Estádio.»


Ao contrário da Administração da FC Porto SAD, o Record, na sua 1ª página, entendeu destacar outro aspeto das contas 2014/2015…

Parte superior da 1ª página do Record

Eu, para além do excelente resultado líquido consolidado (no contexto do futebol português, fechar um exercício com 20 milhões de euros positivos é muito bom), destacaria o forte alinhamento entre aquilo que tinha sido previsto – Orçamento – e o executado – Relatório e Contas – ao nível dos proveitos e custos operacionais.

Orçamento versus Relatório e Contas (fonte: O JOGO)

Finalmente, recomendo a leitura da análise feita no blogue ‘O Tribunal do Dragão’ (Impressões gerais do Relatório e Contas 2014-15), a qual, sem qualquer surpresa, é muito melhor e mais completa do que aquilo que pode ser lido na comunicação social.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Contas à moda da SAD

Já saíram as contas trimestrais da SAD, que podem consultar aqui.

Verifico que nos primeiros 9 meses da época/ano fiscal a SAD «conseguiu» fazer um prejuízo acumulado de 8M€ apesar de:

- ter encaixado 67M€ brutos em vendas de jogadores (Mangala, Defour e Danilo)

- ter feito uma campanha europeia muito melhor do que a média (o que se traduziu em mais de 10M€ extra em relação à época anterior, já excluindo o prémio de presença)

- ter contabilizado, ao contrário dos primeiros 9 meses da época anterior, o prémio de acesso de 8M€ à fase de grupos da LC

A coisa «promete» para as próximas épocas, sem dúvida.

PS - a propósito da negociata Euroantas, não deixei de reparar na seguinte passagem no R&C:

«No dia 22 de Outubro de 2014 a FC Porto SAD adquiriu uma participação equivalente a 47% do
capital social da Euroantas ao Futebol Clube do Porto. O Conselho de Administração do FC Porto,
SAD entendeu que, pelo facto de ter adquirido esta participação e ter passado a controlar as
políticas financeiras e operacionais da Euroantas, a FC Porto SAD passou a deter o controlo sobre
a Euroantas»

Quer dizer, a SAD tem agora 47% da Euroantas contra 53% que continuam nas mãos do clube, mas segundo eles a SAD é que manda na Euroantas... não haja dúvidas de que tudo está a ser feito para que quando o estádio e envolvente estiver pago em 2018 a SAD passe a mandar apenas umas migalhas para o clube, com os adeptos a achar isso perfeitamente normal.

quinta-feira, 5 de março de 2015

Investimento em “passes” de jogadores

Desde Agosto do ano passado, a comunicação social lisboeta vem insistindo na ideia que, para esta época, o FC Porto investiu como nunca em jogadores, enquanto que o SL Benfica tinha desinvestido ou, numa versão mais benigna da propaganda encarnada, investido pouquinho.

Qual é a realidade?

De acordo com o Relatório e Contas Consolidado apresentado pela FC Porto SAD, referente ao 1º Semestre do Exercício 2014/2015, os custos com as aquisições realizadas no período de seis meses findo em 31 de Dezembro de 2014, foram os seguintes:

Fonte: Relatório e Contas Consolidado da FC Porto SAD, 1º Semestre 2014/2015

(*) A rubrica “Encargos adicionais” refere-se a gastos relacionados com as aquisições de direitos económicos, nomeadamente encargos com serviços de intermediação, serviços legais, prémios de assinatura de contratos, entre outros custos relacionados com a aquisição de direitos económicos.

De acordo com o quadro anterior, e tendo em consideração os planos de recebimentos e pagamentos estipulados (o denominado Efeito da actualização financeira), a FC Porto SAD investiu 45.8 M euros na compra e/ou recompra de percentagens de “passes” (direitos desportivos e económicos) de jogadores.

Na realidade, no período em causa, a FC Porto SAD investiu 40.8 M euros porque, a 23 de Julho de 2014, celebrou com a Doyen Sports Investments Limited um contrato, tendo em vista a cedência de parte dos direitos económicos do jogador Brahimi (80%), pelo montante de 5.000.000 Euros.

Nota: Este contrato prevê opções de recompra, por parte da FC Porto SAD, de até 55% dos direitos económicos até Junho de 2017 e opções de venda, de até 80% dos direitos económicos por parte da Doyen, até Setembro de 2017.

E se descontarmos a compra dos restantes 50% dos direitos económicos de Quintero (a FC Porto SAD passou a deter 100% do “Passe”), então conclui-se que o investimento em percentagens de “passes” de novos jogadores foi de 36.3 M euros.

E o SLB?

De acordo com o Relatório e Contas Consolidado que foi apresentado, durante o 1º Semestre do Exercício 2014/2015, “a Benfica SAD efectuou diversos investimentos na aquisição de direitos desportivos de atletas, num valor global que ascendeu a 29,8 milhões de euros”, sendo que este valor inclui “encargos com prémios de assinatura pagos aos atletas e encargos com serviços prestados por intermediários, assim como os efeitos da actualização financeira”.

36.3 M euros versus 29.8 M euros. É assim tão grande a diferença, para se dizer que uns (FC Porto) investiram como nunca e outros (SL Benfica) investiram pouquinho?

E quanto é que a Benfica SAD gastou na compra, ou recompra, de direitos económicos de atletas com os quais já tinha contrato?

Mais uma vez, de acordo com o Relatório e Contas apresentado pelo SLB:

«O Benfica Stars Fund foi liquidado neste semestre, tendo a Benfica SAD previamente adquirido a totalidade das Unidades de Participação (“UP’s”) do mesmo, recuperando desta forma os direitos económicos dos atletas que ainda eram detidos por esse Fundo. Tendo em consideração que o Benfica Stars Fund iria terminar a sua actividade a 30 de Setembro do corrente ano, e que o referido fecho implicaria a distribuição de parte dos direitos económicos dos atletas detidos pelo Fundo a entidades terceiras, existia um interesse estratégico por parte da Sociedade em recuperar os referidos direitos económicos, de forma a evitar a sua dispersão. Desta forma, a aquisição das 85% das UP’s do Benfica Stars Fund que a Benfica SAD não detinha representaram um investimento global de 28,9 milhões de euros

Ou seja, no 1º Semestre 2014/2015, somando o investimento em “passes” de novos jogadores, com o investimento na (re)compra de direitos económicos de atletas que já lhe pertenciam, conclui-se que a Benfica SAD investiu um total de 58.7 M euros!

Em resumo:
Investimento em “passes” de novos jogadores:
FC Porto: 36.3 M euros
SL Benfica: 29.8 M euros

Investimento total em “passes” de novos jogadores + (re)compra de direitos económicos:
FC Porto: 40.8 M euros
SL Benfica: 58.7 M euros

Esta é a realidade dos factos (números).

Lamentavelmente, e apesar destes números fazerem parte dos relatórios oficiais de ambas as SAD’s, a maior parte da comunicação social continua a insistir nas teses propagandísticas iniciais, sabe-se lá com que objectivo.

domingo, 1 de março de 2015

Resultados da FCP SAD - 1o semestre

Todas as atenções estão naturalmente viradas para a recepção de logo ao SCP, mas outra notícia do dia é os resultados do 1o semestre (publicados ontem à noite, mesmo em cima da data-limite obrigatória), aqui.

Por isso mesmo voltarei a este tema de forma mais aprofundada daqui a uns dias, mas deixo desde já algumas considerações. Os resultados intermediários em si (no valor global) querem sempre dizer pouco, fruto da sazonalidade de algumas das receitas e despesas principais; mas dá para tirar algumas indicações interesssantes.

A dependência da venda de jogadores (e em menor medida das receitas da UEFA) para equilibrar as contas aumentou consideravelmente esta época em relação à época anterior: estimo que para os resultados do exercício ficarem no «zero», esta época será necessário que entre mais-valias (*) na venda de jogadores e receitas da UEFA precisemos de encaixar entre 85 e 90M€. Na época anterior o valor equivalente tinha sido de 69M€ e há 5 anos era de 47M€.

Isto é fruto do aumento brutal nos «custos com pessoal» (salários e bónus), que aumentaram cerca de 50% em relação ao 1o semestre da época anterior, ou 11,3M€ em 6 meses (de 24,7M€ para 36M€) - fruto em grande parte sem dúvida de terem entrado no plantel muitos jogadores com salários elevadíssimos (emprestados e não só). Em relação aos rivais, estes valores são 20% superiores aos da slb SAD e exactamente 3x superiores aos da SCP SAD.

De resto não há novidades muito significativas nas principais rubricas. Fica por exemplo confirmado que investimos 47M€ em passes, na linha do que investimos nas épocas recentes, tal como que o melhor desempenho na fase de grupos da LC rendeu 5M€ extra. Mais sobre isto nos próximos artigos sobre o tema.

Pelas minhas estimativas, para não fazermos prejuízo em 14/15 não será suficiente vender 'apenas' um Jackson (ja' presumindo que a venda não andará longe de 40M€ brutos), apesar de já estarem contabilizadas nas contas deste ano as vendas de Mangala por 30,5M€ e Defour por 6M€ (valores brutos)... e apesar desta época contabilizarmos - ao contrário do que é habitual - duas vezes o prémio de acesso à LC, que é de 9M€ (como só nos apurámos para a edição 14/15 depois de Julho). Presumo ao dizer isto que esta época nos apuramos directamente já em Maio, i.e. ficando pelo menos em 2o lugar no campeonato (o prémio é contabilizado na época em que o apuramento fica confirmado). A ver mais logo à noite se se confirma que este pressuposto faz sentido.

Finalmente, o facto mais importante do R&C para a SAD (que pensa quase só no curto prazo, i.e. próximos meses) é que o saldo dos activos & passivos correntes (i.e. com vencimento até 31 de Dezembro) era, a 1 de Janeiro, negativo no valor de 115M€. Este e' o 'buraco' que terá que ser fechado seja com novas receitas nesse período, seja com novos empréstimos ou seja com a prolongação de empréstimos existentes (deduzindo eventuais novos custos no mesmo período). Não tenho dúvidas de que isso irá acontecer, mas já tenho algumas dúvidas sobre a competitividade da equipa na próxima época e ainda mais para as seguintes.

E pronto, daqui a uns dias voltarei ao tema. Concentremo-nos então na recepção aos lagartos, esperando que seja desta que a equipa vence um clássico esta época. Boa sorte, rapazes! 

(*) Há ainda muita gente que confunde valores brutos de venda com as «mais valias» geradas. Por exemplo, Mangala foi vendido por 30,5M€ gerando mais valias de 22,8M€.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

As contas da SAD na Bluegosfera

Janeiro de 2008. Quando o ‘Reflexão Portista’ viu a luz do dia, houve (e ainda há) quem, por diversas razões, olhasse para este blogue de soslaio.

Ao longo destes anos, um dos aspectos em que o ‘Reflexão Portista’ se distinguiu da generalidade dos outros blogues portistas, foi na publicação, regular, de análises às contas, particularmente da FC Porto SAD.
No feedback recebido, ouvimos (lemos) de tudo.
Os comentários mais “simpáticos” acusavam o blogue de ser elitista; os menos simpáticos apelidavam os autores dos artigos de ignorantes e, pelo caminho, desafiavam esses autores a candidatarem-se às eleições do clube…

Outubro de 2014. Seis anos depois, a análise que os jornais, desportivos e generalistas, fazem às contas dos clubes/SAD’s, continua a ser tecnicamente (muito) pobre e, no essencial, continua a ser uma mera caixa de ressonância dos sound bytes que lhe são transmitidos em comunicados ou conferências de imprensa…

O JOGO, 22-10-2014

JN, 22-10-2014

… mas o panorama da bluegosfera mudou significativamente (para melhor).

O último Relatório e Contas da FC Porto SAD (correspondente ao Exercício 2013/2014), mereceu análises, mais ou menos profundas, em diversos blogues portistas.
Do que li, seleccionei alguns extractos de artigos publicados nos blogues ‘Mística do Dragão’, ‘BiBó Porto, carago!!’, ‘Mística Azul e Branca’ e ‘Tribunal do Dragão’ que, com a devida vénia, reproduzo a seguir.

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«Ao contrário do que Fernando Gomes diz sobre o Mundial ser responsável pelo avultado prejuízo, uma vez que fez atrasar alguns negócios, nomeadamente Mangala e Defour, as alienações dos passes destes dois atletas não chegariam para, sequer cobrir o prejuízo. Aliás, a alienação de Defour, calculo eu, nem sequer terá um efeito significativo nas contas e Mangala nunca na vida irá representar uma mais-valia igual aos 30,5 milhões de euros pelos quais o Porto vendeu a percentagem do passe que detinha, uma vez que o atleta ainda tinha valor nas contas do clube e Jorge Mendes se faz pagar bem;
(…)
O passivo aumentou cerca de 13 milhões, essencialmente à custa do aumento dos financiamentos;
(…)
Daqui é possível concluir que a situação financeira da SAD do Porto é deveras preocupante. Quantos anos poderemos aguentar este registo de gastar mais do que aquilo que temos, não sei. Mas era bom que os sócios e adeptos acordassem antes de levarem com uma bomba dessas em cima.»




«… usando a linguagem do “economês”, diria que assistimos a uma enorme destruição de valor. Para suprir este colapso nos capitais próprios já se conhece a solução encontrada: a passagem de 47% do Estádio do Dragão da esfera do Clube para a esfera da SAD que, de caminho, deu uma enorme ajuda para resolver o bicudo problema que o fair-play financeiro da UEFA veio criar ao não permitir que a média do somatório dos resultados dos três últimos anos não ultrapasse os 5M € de prejuízo.
(…)
Assim, depois de um resultado líquido consolidado negativo (prejuízo) de 35.734M € em 2012, e um igual resultado positivo (lucro) de 20.356M € em 2013, temos agora em 2014 este prejuízo de 40.701M €. Ou seja, a média destes 3 anos é de (-35,734 +20,356 -40,701) /3 = -18,693M €, isto é bem acima do tal máximo de 5M € permitido no regulamento da UEFA (mesmo considerando a possibilidade de abater os gastos com a formação e infra-estruturas), média considerada na avaliação da UEFA para este ano.
(…)
a) A cada ano que passa, cada vez mais se nota a extrema dependência da realização de mais-valias na transacção de passes de jogadores. Como este ano “apenas” se obteve nesta rubrica o montante de 23.907M €, o que representa uma diminuição de 52.538M € relativamente ao ano anterior, temos aqui a explicação para o descalabro das contas. Por isso falo em extrema dependência, porque uma coisa é depender 10% ou até 20% desta componente dos proveitos e que seria bem acomodada na estrutura dos proveitos, outra coisa totalmente diferente é quando se depende em 50%, ou mais, desta componente.
(…)
c) Os custos e perdas financeiras, fundamentalmente juros pagos dos empréstimos bancários e obrigacionistas, estabilizaram perto dos 13M €/ano (12.734M € contra 12.893M € no ano anterior). É bom que o ciclo ascensional que se vinha verificando tenha terminado, mesmo assim continua a ser um valor demasiado elevado e bem revelador do excessivo grau de endividamento. Para se ter uma ideia da relatividade destes números, basta dizer que estes encargos representam cerca de 15% dos proveitos totais quando, idealmente, não deviam ir muito além dos 5%.»




«Partindo do princípio que os nossos Custos correntes são quase sempre maiores do que os Proveitos, o que acontece? O Passivo sobe e os Capitais Próprios descem. Repare-se que neste último ano tivemos de Custos Operacionais 95,2M€ e de Proveitos Operacionais apenas 72,6M€. O máximo que se tem conseguido é manter o equilíbrio. Faltará depois, como é óbvio, esperar que apareça o milagre das mais-valias nas transações com jogadores, uma das formas de reduzir o Passivo, coisa que cada vez está mais difícil de atingir. Basta reparar nas Sociedades Desportivas que estão em falência técnica (por ex. os 2 circos da Segunda Circular) e aquelas que ainda continuam dependuradas no que resta dos apoios da Banca (por ex. Boavista).»



Tribunal do Dragão, 22-10-2014

«O FC Porto pagou em Junho 2,615 milhões de euros por 85% do passe de Kayembe à Danubio Finanzierungsleistungen und Marketing GMBH (tentem pronunciar isto sem se engasgarem). Kayembe estava emprestado ao FC Porto, ao que tudo indica. O FC Porto decidiu em Junho comprar 85% do passe, com encargos de 61.587€, e aí sim Kayembe assinou por 5 épocas.
(…)
Kayembe já não pode ser apenas um jogador na equipa B. Foi caro. Tem que ser uma aposta com vista ao futuro. Foi contratado em Junho. Pedido de Lopetegui ou intervenção da SAD, pouco interessa. Foi um activo caro, caro demais que ficar limitado a uma equipa B. Kayembe vai ter que evoluir no sentido de ter oportunidades na equipa A. Só o custo de Kayembe pagava uma época inteira do Feirense ou do Freamunde. Diria mais: em Janeiro devia ser emprestado para jogar já na primeira liga.»

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Todos vibramos com as vitórias e conquistas do FC Porto, mas cada vez há mais adeptos portistas com consciência, de que o enorme sucesso desportivo alcançado nas últimas décadas será insustentável se, fora dos relvados, o desequilíbrio estrutural das contas da SAD não for rapidamente corrigido.
Até porque, "balões de oxigénio", como foi a recente operação de passagem de 47% do Estádio do Dragão do Clube para a SAD, não podem ser usados todos os anos.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

As contas da SAD - 2013/14


Já sairam as contas da SAD para o ano fiscal 2013/14. Podem encontrar o R&C consolidado aqui.


Primeiras impressões, muito por alto...

Os resultados são obviamente preocupantes, e não me refiro só ao prejuízo de 41M€ em si. Se excluirmos o que encaixamos em mais-valias de jogadores (que não só é muito variável como tanto pode cair dentro de um ano fiscal ou do seguinte, conforme uma grande venda é feita antes ou depois de 1 de Julho), teríamos feito um prejuízo de 64M€, ao nível do recorde negativo de 65M€ (na época 11/12).

O mesmo indicador andou durante muitos anos pelos -30M€ ou perto disso até há 3 anos atrás. Ou seja, nos últimos 3 anos subiu para o dobro, temos andado muitíssimo mais dependentes de mais-valias para equilibrar o barco do que nos anos anteriores - e isto já depois de termos visto as principais receitas «operacionais» subirem bastante nestes últimos anos (nomeadamente receitas de TV e receitas da UEFA - que tem vindo a pagar prémios cada vez mais altos pela mesma performance, como por ex o prémio de presença na fase de grupos).

Ora ainda por cima torna-se cada vez mais difícil fazer grandes mais-valias, já que:

1) temos gasto mais em passes, o que leva em média a mais-valias mais baixas (vamos aliás ver no próximo R&C trimestral quanto foram as mais-valias na venda do Mangala...muito menos do que muita gente espera, nem 1/3 vai cobrir do «buraco»)

2) Temos tido em média menos % dos passes do que no passado

3) Com o Financial Fair Play, torna-se mais difícil arranjar várias grandes vendas já que muitos dos potenciais compradores têm que apertar o cinto (já se começou a notar isso no último defeso)

Ora isto já é bater no ceguinho, mas temos mesmo que arrepiar caminho. Infelizmente no R&C não vejo qualquer sinal de poupanças, e houve mesmo alguns custos que aumentaram. As únicas poupanças de monta (num montante de cerca de 6M€) que lá aparecem são... não ter pago aos jogadores e treinador os bónus de performance por ganhar o campeonato e passar a fase de grupos da LC (curiosamente, já os administradores até ganharam mais do que na época anterior). Poupanças dessas dispensamos nós, muito obrigado...

PS - outros artigos se seguirão sobre este tema, mais aprofundados

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

O fim dos milhões da PT

O JOGO, 17-10-2014
Ontem, numa entrevista ao Porto Canal (anunciada para as 21:00, mas que começou mais cedo…), Fernando Gomes, vice-presidente do Futebol Clube do Porto e administrador da FC Porto SAD, confirmou algumas más notícias que se anteviam e deixou sérios avisos à navegação, tendo em vista o equilíbrio das contas da SAD e a sua sustentabilidade futura:

Não nos vamos iludir. Quando grandes empresas, como a PT ou o BES, decidem deixar de patrocinar o futebol, com certeza que isso faz mossa

Sabemos o que vai acontecer com a PT e estamos em campo a tentar encontrar alternativas para a próxima época. Mas a perda é séria e pesada

É evidente que os recursos que estão afectos ao futebol, vão sendo cada vez mais curtos para fazer face às exigências. Tem de haver sensatez e prudência nesse equilíbrio. Senão, um dia, pode não haver recuperação fácil


O atual contrato entre a Futebol Clube do Porto, Futebol SAD e a Portugal Telecom SGPS (PT), no valor (mínimo) de 14,6 milhões de euros por 4 épocas (cerca de 3,7 milhões de euros por época), termina no final desta época (2014/2015) e, soube-se ontem, não vai ser renovado.

Primeiro foi o Banco Espírito Santo (BES) que, a partir de Junho de 2009, saiu das camisolas dos três grandes, optando por concentrar os seus patrocínios ao futebol no Cristiano Ronaldo e na Seleção.

Equipamento principal e alternativo do FC Porto na época 2008/2009

Agora é a vez da PT que, tudo indica, irá fazer o mesmo a partir de Junho de 2015.
E, no caso da PT, não devemos estar “só” a falar das camisolas.

Equipamento principal e alternativo do FC Porto na época 2013/2014

Também o patrocínio a bancadas/sectores dos estádios (Bancada “TMN”, Bancada “MEO”, etc.), bem como, as parcerias corporate, que envolvem a compra anual de camarotes, deverão terminar.

É um rombo (mais um) significativo nas contas das SAD’s, que irá exigir a procura de alternativas.

No caso do SL Benfica, tudo indica que já tem alternativa. A parceria que o SLB firmou com a Emirates, em Julho passado, visando o futebol de formação, deverá ser alargada a outros domínios, incluindo as camisolas da equipa principal e, possivelmente, também ao naming do estádio da Luz.

E no caso do FC Porto?

Infelizmente, a Emirates não voa de e para o aeroporto Francisco Sá Carneiro e, por isso, não poderá ser uma alternativa à PT.
Mas, olhando para o panorama altamente depressivo (para não dizer pior) da economia portuguesa, parece-me evidente que as alternativas terão de ser procuradas no estrangeiro.

Sponsors de clubes europeus (fonte: Record, Outubro de 2012)

Depois do ‘Museu do FC Porto by BMG’, será que os dirigentes do FC Porto (que, segundo Fernando Gomes, já estão em campo a tentar encontrar alternativas), irão ser capazes de “tirar outro coelho da cartola”?


Nota final: Penso que está mais do que na altura dos portistas (adeptos e dirigentes) encararem, seriamente, a possibilidade do naming do Estádio do Dragão. Eu sou a favor.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

A propaganda do regime

Ontem, a propósito de mais uma exibição “convincente” do SLB e do “encorajante” resultado final (0-2), que os encarnados de Lisboa alcançaram frente aos azuis de São Petersburgo (Parabéns André! Parabéns Hulk!), voltei a ouvir a desculpa-explicação de que, ao contrário do FC Porto (que, segundo eles, fez um investimento brutal para esta época), o clube amparado pelo BES tinha desinvestido na sua equipa de futebol.

Eu sei que a propaganda ao serviço do clube do regime usa e abusa de uma conhecida máxima (lição de propaganda) ensinada por Joseph Goebbels – “If you tell a lie big enough and keep repeating it, people will eventually come to believe it” –, mas, sinceramente, convinha terem algum pudor e olhar para os factos.

1 – O “investimento brutal” do FC Porto para a época 2014/2015

Tal como já demonstrei no artigo ‘Saídas e Entradas: as contas finais’, referente às saídas e entradas de jogadores no FC Porto durante o último defeso (Maio a Agosto de 2014)…
… é FALSO que tenham saído poucos jogadores;
… é FALSO que não tenham saído jogadores importantes (titulares indiscutíveis nas últimas épocas);
… é FALSO que o valor investido em contratações seja superior ao encaixe que a FC Porto SAD obteve com as transferências, neste mesmo período;
… é FALSO que a FC Porto SAD tenha investido muito mais do que em anos anteriores (ver Relatórios e Contas dos últimos anos).


2 – A “contenção” e “desinvestimento” do SLB para a época 2014/2015

De acordo com a informação que foi do conhecimento público, durante o último defeso (Maio a Agosto de 2014), a Benfica SAD fez as seguintes contratações:

Paweł Dawidowicz. | Lechia Gdansk | Custo do passe: 2 M€
César | Ponte Preta | Custo do passe: 3 M€
Loris Benito | Zurique | Custo do passe: 3 M€
Djavan | Corinthians Alagoano | Custo do passe: 1,5 M€
Bebé | Manchester United | Custo do passe: 3 M€
Talisca | Bahia | Custo do passe: 4 M€
Derlei | Marítimo | Custo do passe: 2,5 M€
Eliseu | Málaga | Custo do passe: 1,5 M€
Samaris | Olympiacos FC | Custo do passe: 10 M€
Cristante | AC Milan | Custo do passe: 6 M€

E, para além dos 36,5 M€ investidos nestas 10 contratações, a Benfica SAD também contratou dois nomes sonantes a “custo zero”: Júlio César e Jonas.

Quanto é que estes dois internacionais brasileiros, contratados a “custo zero”, receberam de prémio de assinatura? E quanto vão receber de salário anual?
Não sabemos (a Benfica SAD não divulgou essa informação).
O que sabemos é que Júlio César auferia no QPR um salário anual de aproximadamente de €6.000.000 e tinha um vínculo contratual ao clube da Premier League de mais dois anos (até Junho de 2016).


Em resumo, a “contenção” do SLB para a época 2014/2015, traduziu-se num investimento de 36,5 M€ (o maior entre os clubes portugueses!), mais os valores (desconhecidos) de duas contratações milionárias a… “custo zero”.
De facto, foi um enorme “desinvestimento”…

sábado, 6 de setembro de 2014

Saídas e Entradas: as contas finais

Depois de ter feito um balanço a meio de Agosto…


… vamos agora às contas finais.


SAÍDAS DO PLANTEL 2013/2014 (10):
Fucile | Fim de contrato | Nacional Montevideo (Uruguai) | encaixe: 0
Abdoulaye | Empréstimo | Rayo Vallecano (Espanha) | encaixe: ??
Mangala | Venda do passe (57%) | Manchester City (Inglaterra) | encaixe: 30,5 M€
Fernando | Venda do passe (90%) | Manchester City (Inglaterra) | encaixe: 13,5 M€
Defour | Venda do passe (57%) | Anderlecht (Bélgica) | encaixe: 3,4 M€
Carlos Eduardo | Empréstimo | Nice (França) | encaixe: ??
Josué | Empréstimo | Bursaspor (Turquia) | encaixe: ??
Licá | Empréstimo | Rayo Vallecano (Espanha) | encaixe: ??
Varela | Empréstimo | West Bromwich Albion (Inglaterra) | encaixe: ??
Ghilas | Empréstimo | Córdoba (Espanha) | encaixe: ??


OUTRAS SAÍDAS (8):
Bolat (Kayserispor, Turquia) | Empréstimo | Galatasaray (Turquia) | encaixe: ??
Quiñones (FC Porto B) | Empréstimo | Penafiel (I Liga) | encaixe: 0
Castro (Kasimpasa, Turquia) | Venda do passe | Kasimpasa | encaixe: 2 M€
Izmaylov (FK Qäbälä, Azerbeijão) | Empréstimo | FC Krasnodar (Rússia) | encaixe: ??
Djalma (Konyaspor, Turquia) | Empréstimo | Konyaspor | encaixe: ??
Iturbe (Verona, Itália) | Venda do passe (45%) | Verona | encaixe: 6,75 M€
Sami (Marítimo) | Empréstimo | SC Braga (I Liga) | encaixe: 0
Kléber (FC Porto B) | Empréstimo | Estoril (I Liga) | encaixe: 0


CASOS NÃO RESOLVIDOS (2):
Rolando (Inter, Itália) | ??? | ??? | encaixe: ??
Tiago Rodrigues (Vitória Guimarães) | ??? | ??? | encaixe: ??


ENTRADAS (16):
Ricardo | Académica | Custo do passe: 0
Andrés Fernández | Osasuna | Custo do passe: 1,6 M€
Opare | Standard Liège | Custo do passe: 0
Martins Indi | Feyenoord | Custo do passe: 7,7 M€
Iván Marcano | Rubin Kazan| Custo do passe: 2 M€
José Ángel | AS Roma | Custo do passe: 0
José Campaña | Sampdoria | Empréstimo
Casemiro | Real Madrid | Empréstimo
Brahimi | Granada | Custo do passe (20%): 1,5 M€
Evandro | Estoril | Custo do passe: 1 M€ (?)
Óliver Torres | Atletico Madrid | Empréstimo
Otavio | Internacional Porto Alegre | Custo do passe (50%): 3,25 M€
Tello | FC Barcelona | Empréstimo: 1 M€ (1º ano empréstimo)
Sami | Marítimo | Custo do passe: 0
Ádrian López | Atletico Madrid | Custo do passe (60%): 11 M€
Aboubakar | Lorient | Custo do passe (30%): 3 M€


Feitas as contas (de acordo com os valores que vieram a público) ao que a FC Porto SAD gastou nas 16 contratações que efetuou, chega-se a um valor – 32 milhões de euros – ligeiramente acima do encaixe que a SAD obteve com a venda, ao Manchester City, de 56,7% do passe de Mangala.

E, para além da transferência de Mangala, do lado das receitas a FC Porto SAD irá encaixar mais cerca de 4,5 milhões de euros – 3,4 milhões de euros correspondentes a 56,7% do passe de Defour e 1,5% do valor da transferência de James do AS Monaco para o Real Madrid (cerca de 1,2 M€).

Total do encaixe com transferências (época 2014/2015): 35 M€.

Importa salientar que, do lado das receitas, não incluí os encaixes com as vendas dos passes de Otamendi, Iturbe, Castro e Fernando, os quais perfazem cerca de 34 milhões de euros, mas que irão ser contabilizados nas contas do exercício 2013/2014.

Ao contrário do que já li e ouvi N vezes, estes números demonstram ser falso que a FC Porto SAD tenha vendido pouco e investido muito mais do que em anos anteriores. Quiçá terá investido é melhor, numa lógica de qualidade / preço.


Nota: Nos valores apresentados não foram consideradas as comissões e/ou outros encargos dos negócios.

terça-feira, 27 de maio de 2014

Empréstimo Obrigacionista 2014-2017


A FC Porto, Futebol, SAD lançou no corrente mês mais um Empréstimo Obrigacionista que tem por objectivo a realização do “roll over” do Empréstimo 2011-2014 de 10M€. O novo empréstimo terá o valor de 15M€ e vigorará de 2014 a 2017. A sociedade amortizará 10M€ no dia 3 de Junho e encaixará um valor próximo dos 15M€ (há a deduzir as despesas e comissões dos bancos coordenadores da operação e os custos de divulgação).

Nos termos do Prospecto, “a Oferta destina-se ao financiamento da atividade corrente do Emitente, permitindo-lhe consolidar o respetivo passivo num prazo mais alargado, através do refinanciamento de operações que se vencerão num futuro próximo”. O Prospecto pode ser consultado na íntegra aqui.

A nova emissão é estruturalmente idêntica às emissões anteriores e terá um cupão de 6,75%, com pagamento de juros semestrais, e maturidade de 3 anos.

A opção pela emissão de títulos de dívida justifica-se tendo em conta vários factores. Desde logo a dificuldade que as SAD’s têm no acesso a financiamento bancário. Os bancos nacionais não estão tão disponíveis (como há uma década atrás) a exporem-se aos riscos inerentes a um negócio cujas receitas são bastante voláteis (porque dependem excessivamente da venda de jogadores e dos resultados desportivos). Assim as SAD’s têm procurado formas alternativas de financiamento e, em particular, a FC Porto SAD, tem tido bastante sucesso nas várias emissões e colocações de títulos de dívida no mercado (desde 2003). Veremos se, e em quanto é que a procura supera a oferta nesta operação de subscrição.


Pelo gráfico acima podemos ver que há uma descida considerável do custo deste Empréstimo face ao que foi lançado em 2012. O cupão era, então, de 8,25% e agora reduz 150bps para 6,75%. Há que referir que em 2012 o país estava em plena fase de resgate financeiro com as yields da sua dívida soberana a atingirem valores muito elevados – acima dos 10% na dívida a 10 anos! – pelo que a SAD se viu forçada a oferecer uma rentabilidade mais elevada para convencer os investidores. Actualmente as yields da dívida portuguesa a 10 anos estão a cotar abaixo dos 4%...

                              Dívida Portuguesa a 10 anos; Fonte: Bloomberg

A Benfica SAD lançou o seu mais recente Empréstimo Obrigacionista em meados de 2013, num total de 45M€, por um prazo de 3 anos e com um cupão de 7,25%. A procura excedeu a oferta. Faltando cerca de dois anos até à maturidade do Empréstimo, o preço actual destes títulos é de cerca de 105%:


Se os títulos de Dívida da FC Porto SAD seguirem a tendência dos da Benfica SAD, é forte a probabilidade de os títulos manterem (ou subirem) os preços, o que permitiria aos seus detentores uma venda antecipada com lucro. Isso dependerá, também, da evolução do mercado nos próximos meses.

Uma vez concluída a operação de subscrição, a SAD apresentará em Balanço um total de 45M€ de Dívida em Empréstimos Obrigacionistas a que se deverão somar mais de 70M€ de Dívida Bancária. Os Proveitos Operacionais excluindo transacções com passes de jogadores mantêm-se inalterados no 1º Semestre de 2013-14 face ao período homólogo, na ordem dos 40M€, pelo que a FC Porto SAD antecipa a necessidade de efetuar um valor considerável de mais-valias de transferências de “passes” de jogadores, para que a sociedade consiga atingir um resultado positivo no final da época 2013/2014.

Repetindo aquilo que já afirmei aqui no RP há um ano e meio, o crescimento da Dívida deveria ser acompanhado de um crescimento sustentado dos proveitos da sociedade, nomeadamente aqueles que não resultam da alienação de passes de jogadores o que, ano após ano, não se está a verificar.
   

sexta-feira, 23 de maio de 2014

SAD não precisa de vender Mangala e/ou Jackson

05-02-2014
A Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD, informou ter chegado a acordo com o Valencia Club de Fútbol, para a cedência dos direitos de inscrição desportiva de Otamendi, pelo valor de 12.000.000 € (doze milhões de euros).
Este acordo prevê o pagamento de uma remuneração variável, pelo que o montante global a receber poderá atingir os 15.000.000 € (quinze milhões de euros).

09-05-2014
O Kasimpasa oficializou a contratação, a título definitivo, de André Castro. Através do seu site, o clube turco revelou que o contrato com o ex-jogador portista é por três anos (estende-se até 2016/2017).
Os valores envolvidos na operação não foram referidos (a comunicação social referiu que o negócio envolve verbas na ordem dos três milhões de euros), mas sabe-se que Castro tinha sido cedido por empréstimo, com direito a opção de compra por parte do clube turco.

22-05-2014
A Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD, informou que o Hellas Verona Football Club exerceu a opção de compra dos direitos de inscrição desportiva de Iturbe, pelo valor de 15.000.000 € (quinze milhões de euros).

O JOGO, 23-05-2014

Resumo do encaixe da FC Porto SAD, com empréstimos e transferências, no exercício 2013/2014 (de 1 de Julho de 2013 a 30 de Junho de 2014):
- Rolando (empréstimo ao Inter): 1 milhão de euros
- Atsu (transferido para o Chelsea): 4 milhões de euros
- Otamendi (transferido para o Valência): 12 milhões de euros
- Castro (transferido para o Kasimpasa): 3,5 milhões de euros
- Iturbe (transferido para o Hellas Verona): 6,75 milhões de euros

Total (até 23-05-2014): aprox. 27 milhões de euros

O JOGO (capa), 23-05-2014
Para além destes jogadores, há o caso de Fernando, cuja saída (para Inglaterra) a RTP e O JOGO dão como certa (O JOGO fala numa verba que deverá rondar os 20 milhões de euros).

Entretanto, em 18 de Maio, em declarações à imprensa italiana, Piero Ausilio, diretor desportivo do Internazionale, afirmou: “Queremos manter o Rolando connosco, mas não vamos perder a cabeça. O Rolando vai fazer 29 anos e negociar com o FC Porto pode não ser fácil. Mas é verdade que queremos que ele continue connosco e esperamos que a nossa vontade e a vontade do jogador tenham algum peso nas negociações.

A imprensa italiana referiu que o Inter está disposto a oferecer até 5 milhões de euros pelo passe de Rolando.

Ou seja, a confirmaram-se as vendas dos passes de Fernando e Rolando (por montantes próximos dos referidos), o encaixe total da FC Porto SAD, com empréstimos e transferências, irá saltar para valores na ordem dos 45 a 50 milhões de euros.

Isto significaria que a FC Porto SAD fecharia o exercício 2013/2014 com um resultado líquido positivo, sem necessitar de vender mais qualquer jogador, nomeadamente os muito falados Mangala e Jackson Martinez.