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segunda-feira, 6 de março de 2017

7 golos e recordações de Mário Jardel

«O FC Porto não vencia por 7-0 na Liga desde janeiro de 1999, na época que terminou com a conquista do Penta campeonato. Nesse dia, no final de janeiro de 1999, os dragões golearam o Beira Mar no Estádio das Antas. Curiosamente, a figura desse encontro foi Mário Jardel, ele que assistiu à receção ao Nacional nas bancadas do Dragão.»




Uma goleada das antigas e a presença de Mário Jardel no Estádio do Dragão fez-me recordar um outro jogo, um célebre FC Porto x Juventude de Évora, disputado no Estádio das Antas, em dezembro de 1997, para a 5ª eliminatória da Taça de Portugal de 1997/98 (nessa época o FC Porto haveria de fazer a dobradinha).
O FC Porto derrotou a equipa alentejana por 9-1, mas ao intervalo estava a ganhar pela margem mínima (1-0). Assim sendo, para evitar surpresas, o treinador do FC Porto (António Oliveira) foi ao banco de suplentes buscar o Super Mário e este não foi de modas: em apenas 45 minutos marcou 7 golos!
Vale a pena recordar, principalmente um memorável golo de letra.




São muitas as recordações que tenho de Mário Jardel, de golos (muitos golos) e também de alguns episódios que se terão passado fora das quatro linhas.

Um desses episódios foi relatado pelo próprio Mário Jardel, numa entrevista que concedeu à CMTV em janeiro de 2016, na qual o antigo ponta-de-lança de FC Porto e Sporting recordou uma proposta desonesta:

Fizeram-me uma proposta… Não vou dizer nomes, mas posso dizer que foi para um Benfica-FC Porto. Deram-me dinheiro para não jogar, mas os nomes revelo depois, quando publicar o livro. Mas já deixo uma pista...

Já passou mais de um ano desde que Mário Jardel fez estas declarações “bombásticas”, as quais relatam uma situação grave que, a ser verdade, ocorreu entre 1996 e 2000 (período em que Mário Jardel esteve ao serviço do FC Porto).

Naturalmente, nenhum jornal ou TV “generalista” (RTP, SIC, TVI, CMTV, SportTV, BolaTV) teve qualquer interesse em explorar a pista deixada por Mário Jardel. Ainda se fosse para investigar acusações ao FC Porto, como as que foram feitas pelo confesso dependente de drogas Walter Casagrande

Mário Jardel no último FC Porto x Nacional

Resta-nos o Porto Canal, o qual poderia (deveria) aproveitar este regresso de Mário Jardel ao Porto, para o entrevistar, “puxar o fio à meada” e fazer-lhe as perguntas que, há um ano atrás, a CMTV entendeu não fazer...

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Atacar bem? Comecem por defender bem!

Nos últimos 30 anos do futebol houve dois treinadores que mudaram radicalmente os conceitos de jogo, duas referências máximas do futebol ofensivo de alto quilate. Ambos vão passar à história porque as suas equipas jogam de forma atractiva, ofensiva, sem piedade do rival quando aumentam o ritmo para uma velocidade que mais ninguém aguenta. E no entanto, para ambos, o êxito do ataque parte sempre de um excelente trabalho na defesa. Querem atacar bem? Então preocupem-se sempre por garantir que a equipa sabe, antes que tudo, defender melhor. Sacchi e Guardiola sabem perfeitamente do que falam. As suas equipas partiram sempre de um principio básico. São equipas de treinador até ao último terço, equipas de jogadores no último. Este FC Porto dista muito desses princípios.

José Peseiro não é nem Arrigo Sacchi nem Pep Guardiola, está claro. Mas é, e sempre foi, um treinador que pensa de outra forma. As suas equipas são de tracção dianteira. As suas linhas defensivas sofrem muito e com regularidade pelo posicionamento em campo do seu 4-2-3-1. Peseiro começa a pensar o jogo com a bola no circulo central. Trabalha bem - tem-se apreciado evidentemente a diferença - o jogo ofensivo, sobretudo as sobreposições entre os interiores e os extremos no complemento ao ataque. Mas o jogo dos médios defensivos, laterais e centrais peca de ingénuo. A sua filosofia de "se o rival marca dois, eu marco três", lembra muito o futebol sul-americano ou a realidade europeia pre-anos 70 mas está bastante desfasada da realidade. Até uma equipa de estrelas absolutas e inquestionáveis como o Real Madrid da primeira geração dos "Galácticos" percebeu isso quando o génio da sua linha avançado pagou ano após ano os erros tácticos a que a sua linha defensiva estava exposta. Não, o modelo Peseiro - e de alguns treinadores da sua escola - hoje em dia pode ser atractivo em momentos concretos do jogo mas é pouco fiável. Tudo porque o seu enfoque de jogo parte da premissa que a defesa é um elemento secundário na coordenação colectiva. O jogo começa mais rápido, desde atrás, menos pensado e a cada perda de bola os jogadores da linha mais recuada encontram-se, quase sempre, mal posicionados. Tal é a vocação ofensiva que muitas vezes não existe um fio de conexão entre os centrais e os laterais, por um lado, e os laterais e os médios interiores, por outro. Nesse cenário não é difícil, sobretudo a equipas que jogam no espaço e aproveitam a velocidade para contra-atacar - como são quase todos os clubes da liga portuguesa - encontrar oportunidades para marcar. Depois é um jogo de roleta russa. A eficácia do rival, a eficácia própria, a capacidade emocional de resposta, o fluxo ofensivo criado, tudo entra numa equação perigosa. O triunfo sobre o Moreirense - por 3-2 com uma reviravolta de dois golos desfavoráveis - é o perfeito exemplo desse puzzle. Peseiro pode sentir-se triunfal porque a sua ideia prevaleceu (o rival marca dois, eu marco três), mas o seu esquema parte de um principio perigoso. É altamente provável que te marquem sempre mas não podes garantir que tu vais marcar sempre mais um. A derrota antes da à visita à Luz com o Arouca - que pode ter sido decisiva em contas para o título - é o perfeito exemplo disso mesmo.



O maior defeito que os adeptos apontavam - e muitos com razão - a Vitor Pereira e a Julen Lopetegui (mais no seu caso que tinha melhor matéria-prima) era a tremenda dificuldade de passar de uma boa organização defensiva a um jogo ofensivo eficaz e vertical. Eram o modelo oposto de Peseiro. Para ambos os treinadores - claramente da escola Sacchi/Guardiola - as suas equipas começavam a pensar-se desde o momento em que o guarda-redes colocava a bola em jogo. Era importante, não, fundamental, uma boa coesão defensiva e articulação entre sectores, um avanço progressivo das tropas antes de explodir o rastilho final no último terço.
Quando bem executado o modelo propiciou grandes jogos colectivos mas se Vitor Pereira quase nunca teve arsenal ofensivo com essa inteligência de jogo e talento (no seu primeiro ano teve de abdicar do poder de explosão de Hulk para colocá-lo como referência ofensiva e no segundo faltou-lhe o brasileiro para conectar com Jackson), já Lopetegui pecou de erros próprios na concepção de jogo colectivo. No entanto, ambos perfilavam a ideia de que a equipa tinha de funcionar como um todo nos primeiros três quartos de campo para depois permitir a explosão do talento individual no último terço. A defesa, nos dias de Vitor Pereira, era absolutamente tremenda na ocupação do espaço e no controlo da zona e com Lopetegui - apesar de Fabiano, Marcano, Maicon ou Indi, jogadores de perfil muito inferior - foi uma das melhores de todas as ligas europeias enquanto que na Champions, não fosse pelo massacre de Munique - um erro de gestão técnica tremendo - teria igualmente terminado o torneio nas menos batidas. Não esperem ver o mesmo com Peseiro.

Tem culpa o treinador do Porto dos golos sofridos recentemente? Sim e não.
A Peseiro não lhe podemos apontar o dedo na concepção do plantel - responsabilidade da SAD e de Lopetegui - nem nos reajustes de Janeiro - responsabilidade da SAD. Ao técnico foram-lhe dados ovos para trabalhar - poucos e podres - e a situação de Maicon (ainda por explicar) apenas piorou o cenário forçando-o a recrutar para as convocatórias dois jogadores com idade de júnior, Chidozie e Verdasca. Nesse cenário - múltiplas lesões, suspensões e reajustes - era absolutamente lógico e natural que houvesse maior permeabilidade defensiva. No entanto o grave nesse cenário é que Peseiro - que quer ser fiel aos seus princípios - uniu às baixas e ao plantel de pobre qualidade uma radical mudança táctica que rasga os princípios assimilados durante ano e meio. Peseiro quer tirar o Lopetegui de dentro da cabeça dos jogadores (olhando para Herrera, como melhor exemplo, está a conseguir) e a sacar o máximo potencial de jogadores que em 4-3-3 posicional renderiam muito pouco (a prova está em Suk, tem tudo para ser um novo Pena, esforçado mas excessivamente dependente do espaço e dos lances divididos para se evidenciar) no sector ofensivo. A consequência é abdicar da segurança defensiva, da estabilidade do jogo desde a retaguarda e dos naturais desajustes no miolo que provocam perdas de bola e contra-ataques do rival. A pré-época não serve apenas para preparar os jogadores fisicamente. É o único momento do ano em que o treinador tem três ou quatro semanas para aplicar as bases da sua ideia que são melhoradas com treinos pontuais. A partir do inicio da temporada o ciclo não permite a implementação de uma nova ideia táctica com êxito assegurado. As sessões de treino medem-se entre recuperação esforço, preparação tendo em conta o rival, garantir estabilidade dos níveis físicos e algum que outro dia dedicado a lances estudados. Não há tempo (nem força, física e mental) para uma pre-epoca em Fevereiro. O clube sabe isso, o treinador sabe isso e os jogadores sabem isso de modo que tudo o que estamos a viver no presente vai contra toda a lógica da gestão de um grupo. E só é possível devido ao desnorte da direcção - que forçou a mudança sem ter um plano B coerente - e o desespero total da falta de rumo que permite acreditar que mudando tudo o que estava feito os resultados, forçosamente, serão diferentes.



O 4-2-3-1 e as ideias de Peseiro, com uma boa pre-epoca, podem triunfar ainda que o mais provável é que sofram nos momentos chave a consequência do poder do controlo de jogo do futebol moderno. De certo modo Peseiro quer parecer-se mais a Paulo Fonseca do que a Vitor Pereira ou AVB. Agora tem todo o crédito do mundo porque nenhum adepto vai reclamar nada a um treinador-bombeiro sem perfil e que chegou num momento de desespero. Mas é preciso ter-se cuidado quando se brinca com o fogo. Velha é a história contada por Sacchi do dia em que van Basten, irritado por tanto trabalho táctico, lhe atirou à cara que ele era a estrela da companhia e que o êxito do Milan dependia dos seus golos. Sacchi sorriu e pactou um desafio. Se van Basten, Gullit, Ancelloti e Donadoni fossem capazes de superar o seu quarteto defensivo numa sequência de ataque a partir do meio campo, dar-lhe-ia razão. Mas se a defesa recuperasse a bola, teriam de voltar a começar o ataque do zero. Durante duas horas a defesa de Sacchi levou a melhor linha de ataque ao desespero. Não marcaram nenhum golo. Van Basten aprendeu a lição. Algo similar fez Guardiola em Barcelona, reforçando sempre às suas estrelas ofensivas que tudo começava a partir da conexão Valdés-Pique-Puyol-Busquets. Ninguém espera um golpe de génio táctico de um treinador com dez anos de fracassos acumulados às costas mas jogos como o do último fim-de-semana também não podem surpreender ninguém. Com um plantel de remendos querer jogar no fio da navalha pode provocar doses de adrenalina que o jogo dormido e pausado do 4-3-3 de Vitor Pereira (sem jogadores de ataque válidos) ou de Lopetegui (sem ideias) eram incapazes de transmitir. Mas a navalha acabará sempre por deixar as suas marcas.



domingo, 5 de maio de 2013

A melhor 1ª parte deste campeonato

Quando James marcou o 0-1, isso foi o culminar natural de um início avassalador dos dragões. De facto, o 1º golo do FC Porto correspondeu à 4ª oportunidade (!) criada pela equipa azul-e-branca nos primeiros 10 minutos do desafio da Choupana.
E antes de, aos 20 minutos, Mangala marcar o 2º golo, o mesmo Mangala já tinha enviado uma bola à trave, com o guarda-redes Gottardi completamente batido.

A equipa do FC Porto é acusada de ter muita posse de bola, mas de ser uma posse de bola inconsequente, que não se traduz em ataques, remates e golos. É uma crítica que me parece injusta e que irei abordar no final do campeonato. Mas, desta vez, penso que ninguém poderá dizer que a posse de bola do FC Porto foi inconsequente. A 1ª parte do Nacional x FC Porto terminou com 20 ataques, 15 remates, 9 oportunidades de golo, 1 bola à trave e... 65% de posse de bola.
Foram, provavelmente, os melhores 45 minutos que se viram esta época no campeonato português, valorizados por serem numa das deslocações tradicionalmente mais difíceis (onde, por exemplo, há algumas semanas atrás o "demolidor" slb de Jorge Jesus não alcançou melhor do que um empate).

(Nacional x FC Porto, jornal O JOGO)

1-3 ao intervalo era, claramente, um resultado muito lisonjeiro para o Nacional, porque não traduzia nem o domínio do FC Porto, nem as oportunidades de golo criadas pelas duas equipas. Aliás, convém notar que o Helton não fez uma única defesa no jogo todo (!), visto que nos remates que efectuou, só na grande penalidade é que a equipa insular fez um remate enquadrado com a baliza.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Jackson, o possível Bota de Bronze a quem alguns apontam o dedo!

Se calhar ainda não repararam, no meio de tantas notícias negativas, mas Jackson Martinez está a disputar, taco a taco, a Bota de Bronze com Robbie van Persie, Edison Cavani, Robert Lewandwoski e, sim, Radamel Falcao.

Eu fui - e serei sempre - dos que criticaram a venda de Falcao, particularmente pelos valores em causa e o clube para onde foi. Pessoalmente tenho-o como o melhor avançado centro do Mundo, um dos melhores jogadores que já passaram pelo FCP. E a falta de um suplente à altura, no ano passado, custou-nos uma miserável época europeia. Mas com Jackson Martinez, a SAD acertou em cheio.

Se Falcao era conhecido por qualquer um que estivesse minimamente informado sobre o futebol sul-americano, descobrir Martinez era bem mais díficil. Não só porque jogava no México - uma liga pouco seguida - como porque a sua média de golos não impressionava. De dragão ao peito destacou-se como um exímio goleador e não é por acaso que está na batalha pelo último lugar do pódio dos avançados do continente europeu. Contra estrelas de nível internacional que jogam em equipas muito mais bem preparadas para suportar o seu apetite goleador. Desde Mário Jardel que o FC Porto não tinha um jogador no pódio deste prémio. Isso diz bem do que foi Jackson este ano. Os seus 25 golos empalidecem até os números de Falcao, na liga, aquando da sua passagem pelo clube. Para não falar de Hulk, Lisandro, Derlei ou McCarthy, todos eles avançados distintos, mais trabalhadores para a equipa. E claro, empalidecem também os golos de Lima, o jogador que devia ter sido o seu parceiro de ataque. A diferença é que Lima roda numa linha ofensiva com Cardozo, Rodrigo, Salvio e Gaitan e Jackson tem sido sempre ele, só contra o Mundo. Jackson tem 2335 minutos nas pernas. É o jogador do plantel que mais minutos disputou na Liga. Um minuto mais do que Helton. Não parou todo o ano - entre liga, taça, Champions e selecção. E continua aí, a marcar, como fez com o Moreirense. E a aumentar a sua lenda!


Muitos vão chegar a Junho e culpar Jackson pelos penaltys falhados que nos custaram pontos importantes na luta pelo título. Os adeptos são assim. Mas Jackson foi, realmente, a principal razão porque lutamos por este título até perto do fim. Sem os seus golos - numa equipa sem Hulk e sem avançados dignos desse nome - o FCP provavelmente teria abdicado da luta pelo título muito antes. Ao contrário do Benfica, com um excelente arsenal ofensivo, o FC Porto não só não tem um avançado suplente como a maioria dos jogadores de segunda linha são péssimos goleadores - Moutinho, Lucho, Defour, Atsu, Varela, Fernando e James marcaram muito poucos golos em todo o ano. 23 golos pelos 25 de Jackson.
Para colocar as coisas em perspectiva, Hulk tem mais golos que Moutinho e Atsu juntos. Kelvin também. Não há muito mais a dizer em relação a isso.

Jackson falhou na Madeira. Jackson falhou com o Olhanense em casa. Os quatro pontos que marcam a diferença pontual da liga. Mas Jackson salvou vitórias in extremis em muitos outros campos da liga. Levou a equipa às costas. Superou as expectativas e valeu cada cêntimo que a SAD pagou por ele. Jackson seguramente deve estar triste, deve sentir-se culpado de certa forma. Mas levantará cabeça. Porque basta olhar à sua volta para perceber que foram os seus colegas que lhe falharam a ele.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

O melhor golo do campeonato?



Possivelmente, o melhor golo do campeonato…

Fotos: ojogo.pt
Infografia: record.pt

quinta-feira, 21 de junho de 2012

A Cabra-Cega



Os mais recentes vaticínios de Michel Platini sobre as Seleções que irão disputar a final do Euro 2012 para além de terem sido, uma vez mais, um verdadeiro chuto na atmosfera, tiveram o condão de universalizar a ideia de que o dirigente máximo da UEFA é mesmo um desbocado. Aos adeptos do FC Porto essa característica do ex-internacional francês já é quase uma redundância desde as considerações que teceu ao nosso clube no processo que foi alvo na instância que dirige. Mas a uma personalidade tão cheia de frases feitas e ideias pré-concebidas, não seria difícil de prever o tropeçar nas próprias palavras até à desconsideração geral da nação futebolística - mesmo a mais inquinada (como é o caso da imprensa lisboeta).

Houve quem referisse por estes dias que a inteligência de Platini ostentadora de um perfume único nos relvados por onde passou, não se coaduna com o seu discurso de praça enquanto Presidente do organismo supremo do futebol europeu. Porém, há 30 atrás, um artista da bola tinha tempo e espaço para pensar dentro da quadra, e atualmente isso não acontece. Nem lá dentro, nem cá fora. Está visto que o homem ainda não se adaptou aos novos tempos.



De uma forma peculiar, o dirigente francês está ser vítima da própria estratégia que o levou ao topo da hierarquia da UEFA. Foi com uma boa dose de demagogia e um discurso populista junto das Federações mais pequenas (com promessas de entrada direta das equipas de países com rankings mais baixos na Liga dos Campeões, por exemplo) que juntou votos para chegar ao cargo que por hora ocupa. Um principio válido e útil para quem se quer erguer à ribalta rapidamente, mas perigoso quando se está no topo.

Se como atleta Platini terá sido uma figura aglutinadora de massas, como responsável desportivo tornou-se um repelente. Da boca do Presidente da UEFA não interessa ouvir apostas – que ele tanto odeia – sobre uma final, dissertar sermões e opiniões sobre jogadores, ou tecer considerações acerca de dossiês que não domina e para os quais está manifestamente mal preparado. Um dirigente com sentido de Estado abstêm-se gravilhar no acessório para se dedicar ao essencial, não ficando a fazer de Cabra-Cega perante um golo “fantasma” não validado num torneio em que é organizador e onde previamente já ditou o seu desfecho.

domingo, 29 de abril de 2012

Golos sem goleadores

Com os dois golos marcados no Funchal, Hulk passou a liderar a lista dos melhores marcadores do FC Porto nesta temporada com 14. Leva nesta contagem pessoal mais dois do que James Rodriguez (muito menos utilizado que o brasileiro) e seis dos tentos foram apontados da marca de grande penalidade. É fácil adivinhar que o brasileiro não vai reeditar o triunfo da época passada no troféu de Bota de Prata face à distância de cinco golos que leva de Lima do Sporting de Braga.

Historicamente o FC Porto tem um bom lote de jogadores que se sagraram melhores marcadores do campeonato nacional. Ou que pelo menos andaram lá perto. Este ano, no entanto, a equipa de Vítor Pereira nunca encontrou um homem golo. A falta do ponta-de-lança que todos pedimos faz-se notar neste registo particular e leva-nos a outros anos onde o ataque azul e branco estava entregue a jogadores competentes mas que estavam longe de ser verdadeiros matadores. 

Desde 1991 quando Domingos bateu Rui Águas na corrida ao prémio do melhor marcador o FC Porto teve ao seu serviço 10 Botas de Prata. E venceu 14 títulos de Liga. Só por duas vezes vencemos o troféu sem sagrar-nos campeões nacionais. Com Mário Jardel em 1999/2000, o ano de Campomaior, do atraso de Secretário e do "Bitri" que nunca o foi. E com Pena no ano seguinte, no último ano de Fernando Santos ao leme da equipa. No entanto este será o sétimo ano em que - a confirmar-se o titulo nacional que está tão perto - poderemos celebrar o titulo de liga sem ter o melhor marcado do nosso lado. Habitualmente diz-se que para ser-se grande campeão é preciso ter uma grande defesa e um ataque tremendamente eficaz. No caso dos dragões não exige ter um individuo capaz de marcar mais golos que ninguém senão um leque de jogadores com poder de finalização. 

Naturalmente, ter um ponta-de-lança de garantias permite ambicionar sempre a algo mais. Domingos Paciência, Mário Jardel, Benny McCarthy, Lisandro Lopez e Radamel Falcao foram Botas de Prata e fizeram parte das mais espectaculares e eficazes equipas que tivemos nestes últimos 20 anos de liga. Ao arrancar para esta temporada com Kleber e Walter (que juntos somam nesta liga oito tentos) e depois com o remendo que foi Marc Janko (autor de quatro golos) está claro que os dirigentes do FC Porto pensavam que o titulo de liga que os homens de Vitor Pereira estão perto de ganhar só poderia ser conseguido com uma óptima defesa e um grupo coral de goleadores. 

A linha ofensiva da equipa de Vitor Pereira - que muitas vezes preferiu lançar James Rodriguez nas segundas partes, apesar do seu óptimo ratio goleador - assentou em Hulk, Kleber e Varela durante grande parte do ano, com Moutinho e Belluschi/Guarin na primeira parte da época no apoio (a partir de Janeiro passou a ser Moutinho/Lucho e Janko no lugar de Kleber). Entre todos estes jogadores podemos somar 45 golos. Dos 62 já logrados pela equipa (o melhor ataque da prova) há que acrescentar os golos dos pouco utilizados Walter (2), Cristian Rodriguez, Defour, Alex Sandro (1 cada) e dos defesas Rolando (1), Maicon (3), Sapunaru (2), Otamendi (2) e Álvaro Pereira (1). Um cenário que se assemelha bastante a 2002/03, o ano do primeiro titulo de José Mourinho em que o melhor marcador do FC Porto foi Hélder Postiga (com 13 golos, menos cinco que o melhor marcador da prova) mas em que a equipa, no seu colectivo, chegou aos 73 (menos um que o Benfica, equipa mais concretizadora do ano).

No final, tendo em conta o panorama geral (melhor ataque da prova, titulo nacional quase no bolso, dois jogadores no top 5 dos melhores da liga) é licito repensar o debate do ponta-de-lança como elemento critico fundamental à época do FC Porto. É normal que um clube habituado a contar com jogadores de primeiríssimo nível sinta a falta de uma referência de área. Por cada Jardel houve um Farias, por Falcao haverá sempre um Adriano. E no entanto não foi por ter Adriano e Farias sido os melhores marcadores do Porto em dois anos seguidos que a equipa não venceu o titulo nacional. 

Claro que os palcos europeus exigem muito mais e as defesas da Champions (seja o APOEL ou o Manchester) não são as do Rio Ave, Feirense ou Académica, e aí sim nota-se em excesso nas prestações do clube quando não há um homem golo como foi Jardel, Derlei, McCarthy, Lisandro ou Falcao. Mas essa foi a ambição da SAD este ano porque melhor que nós, eles conhecem bem as estatísticas e os registos do clube nas provas europeias quando aposta num ataque de low profile. A nível interno, este ataque tão criticado durante o ano tem chegado para as encomendas e pode terminar o ano, uma vez mais, como o mais concretizador. Hulk não levará outra bota prateada para casa mas provavelmente poderá vestir a sua terceira faixa de campeão nacional. Como adepto e portista prefiro muito mais ver um jogador do nível de Falcao a rematar o jogo da equipa mas também é verdade que entre os pecados de Vítor Pereira não pode estar uma decisão da SAD, decisão que este soube contornar com um ataque concretizador e, eventualmente, campeão!   

segunda-feira, 19 de março de 2012

O (real) valor de Hulk

O que estabelece a verdadeira grandeza num terreno de futebol? Habitualmente o adepto costuma olhar para as grandes noites como medidores de qualidade. Os momentos que ficam na retina. Os observadores gostam de ir mais longe e definem cada momento, mas sempre tendo em conta elementos circunstanciais chave. Os rivais, o entorno e o nível de exigência.

Hulk é a estrela mais cintilante da Liga Sagres, um dos maiores fenómenos físicos que o futebol português já testemunhou. E um símbolo deste FC Porto de virar de década. Mas o seu génio explica-se, também, pelo meio onde se move. Porque a sua grandeza é proporcional à exigência que o acompanha.



Poderia Hulk ser o mesmo Hulk se não jogasse de azul e branco numa Liga de segunda (ou terceira) linha europeia e com o nível de exigência físico, tático e mental da Liga Sagres?
A minha opinião é de que não, seguramente este Hulk desapareceria e outro jogador subiria ao relvado, muito menos decisivo e, seguramente, menos estelar do que aparenta de dragão ao peito. Uma opinião que não partilham seguramente muitos portistas, mas que ajuda a explicar também muitas das dúvidas que o rendimento do brasileiro alimenta junto dos olheiros dos grandes tubarões europeus.

Porque uma coisa é ser a estrela da liga portuguesa e outra, muito diferente, é ser um jogador de referência nas principais ligas da Europa. Porque pelo FC Porto passaram grandes jogadores estrangeiros, mas só um, o luso-brasileiro Deco, manteve o mesmo nível de grandeza quando deixou o Dragão. Todos os outros, estrelas cintilantes no céu da Invicta, baixaram o perfil mediático essencialmente porque a exigência das grandes ligas se mostrou bastante diferente ao ritmo de jogo a que estavam habituados.

Desde os dias de Teofilo Cubillas e Rabath Madjer que fomos um clube perspicaz em transformar aparentes desconhecidos em foras-de-serie. Mas como sucedeu com o peruano e o argelino, sair do Porto como estrela custa quando se aporta num novo porto. Durante os últimos 20 anos, e citando apenas jogadores estrangeiros, o génio de Emil Kostadinov, Zlatko Zahovic, Mário Jardel, Derlei, Lucho Gonzalez, Lisandro Lopez e Falcao brilhou no Porto como em nenhum outro lado. Todos eles eram estrelas cintilantes de azul e branco ao peito, mas nos palcos europeus empalideceram consideravelmente e transformaram-se em jogadores de perfil mediano (em alguns casos mediano-alto, mas sem o mesmo estatuto dentro e fora de campo).
Falcao, o último exemplo, ainda não logrou exibir em Madrid o mesmo espírito que fez dele o mais apaixonante goleador da última década no futebol português. Jardel passou sem pena nem glória pela Turquia e só voltou a brilhar em Portugal. Derlei perdeu-se no futebol russo, Lucho e Lisandro em França nunca foram jogadores “especiais”, Zahovic passou pela Grécia antes de entrar ao serviço do Valencia onde nunca foi a estrela que muitos imaginavam e assim sucessivamente. Pouco me permite imaginar que Hulk seria diferente.



Tem umas condições físicas impressionantes, um remate prodigioso e um espírito de improvisação que faz jus à escola brasileira. Mas nos palcos europeus, onde as defesas não jogam com a permissividade, passividade e (muitas vezes) genuína incompetência das defesas da Liga Sagres, Hulk é também o jogador mais fácil de travar. O seu jogo baseia-se, sobretudo na explosão, na procura de espaços e uma marcação mais apertada e intensa é, demasiadas vezes, suficiente para desarmá-lo. A sua tendência para explorar as diagonais utilizando, sobretudo a força muscular torna-o numa presa mais fácil de travar do que o mais imprevisível James Rodriguez, apenas para citar um colega de equipa. E a sua propensão para usar e abusar dos lances de bola parada resulta, em excessivas ocasiões, num verdadeiro desperdício para o colectivo.

Quando encontra o espaço necessário para pensar e agir, Hulk pode ser imparável. A péssima defesa do Villareal na meia-final da passada Europe League deixou isso a nu. Mas na Champions League, nos últimos anos, as suas performances têm passado despercebidas. Contra conjuntos tacticamente mais apurados, Hulk sofre. E muito. Uma realidade que ajuda a perceber que o seu estatuto de estrela em Portugal dificilmente se repetiria numa das principais ligas do futebol europeu.

Nem mesmo a jogar por um Brasil claramente mais débil que noutras épocas encontramos um Hulk assumidamente decisivo, determinante e estelar. O seu jogo continua, mesmo com a canarinha, a ser demasiadamente físico e excessivamente individual. Faltam-lhe, claramente, condições táticas e uma ideia de jogo mais colectiva para fazer brilhar o colectivo e, por consequência, ele mesmo.

Seguramente que Hulk não ficará muito mais tempo no Dragão. Mediaticamente é um jogador apetecível e à medida que vá jogando mais pelo Brasil, haverá sempre clubes dispostos a contratá-lo. Mas nunca pelo valor da cláusula e muito menos com o estatuto de estrela de que goza actualmente. A sua transfiguração noutro palco europeu será um processo complexo e exigirá muito de sua parte para funcionar.

Grande na história do FCP, o brasileiro cumpre também todos os requisitos para ser mais um dos brilhantes jogadores que para nós será sempre uma estrela, mas que falhará o salto desportivo para a elite do futebol mundial.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

O trio dourado do ataque portista


Nos últimos dias, falou-se muito do facto de Hulk e Falcao terem terminado o campeonato nas duas primeiras posições da lista dos melhores marcadores, com 23 e 16 golos respectivamente. É um feito assinalável, como o comprova o facto de a última vez que uma equipa o conseguiu datar da época 1975/76, há 35 anos.

Dois melhores marcadores na mesma equipa:
1975/76 (slb): Jordão, 30; Nené, 29
1964/65 (slb): Eusébio, 28; Torres, 23
1963/64 (slb): Eusébio, 28; Torres, 22
1962/63 (slb): Torres, 26; Eusébio, 23
1960/61 (slb): José Águas, 27; José Augusto, 24
1938/39 (FC Porto): Costuras, 18; Carlos Nunes, 15

Mas, para além de Hulk e Falcao, há também Varela que, com 10 golos, ficou em sexto lugar na lista dos melhores marcadores, justificando o destaque que a FIFA deu a este trio em Novembro passado, designando-os como "O trio dourado do FC Porto".

Nota: João Tomás também marcou 16 golos, mas Falcao disputou menos oito jogos e teve menos 791 minutos de utilização do que o avançado vilacondense.

domingo, 17 de abril de 2011

Números da semana (XXIV)

7 vitórias do FC Porto nos sete jogos disputados fora de casa na Liga Europa 2010/11.

12 golos marcados por Falcao na Liga Europa 2010/11 (um dos quais no play-off com o Genk).

12 vitórias do FC Porto nos 14 jogos já disputados na Liga Europa 2010/11.

13 jogos, treze vitórias do FC Porto em casa para o campeonato.

14 vitórias seguidas do FC Porto no campeonato 2010/11 (entre a 13ª e a 26ª jornadas), recorde que supera o registo conseguido por José Mourinho, em 2003/04.

16 golos marcados nas últimas duas épocas (7 em 2009/10; 9 em 2010/11), fazem de Guarín o terceiro melhor marcador do FC Porto neste período, a seguir a Falcao e Hulk.

17 remates dos jogadores azuis-e-brancos (9 direccionados à baliza) no Spartak x FC Porto.

19 pontos é a diferença entre o FC Porto e o 2º classificado, após a 26ª jornada.

35 jogos seguidos do FC Porto sem perder no campeonato português (9 na época passada e 26 esta época), com 32 vitórias e três empates.

36 golos já marcados pelo FC Porto na Liga Europa 2010/11 (incluindo o play-off), igualam o melhor ataque de uma equipa portuguesa numa única época nas competições europeias (na época 1963/64, o Sporting também marcou 36 golos, metade dos quais ao Apoel de Chipre).

29,5% é o contributo do FC Porto para o total de pontos das equipas portuguesas no ranking da UEFA dos últimos cinco anos (slb 25,3%, Sporting 20,6%, Braga 18,3%).

sábado, 26 de março de 2011

segunda-feira, 14 de março de 2011

Os números de Falcao


11 jogos em que Falcao esteve ausente em 2011 - Nacional (Taça Liga), Marítimo, Pinhalnovense (Taça Portugal), Beira Mar (Taça Liga), Beira Mar, Nacional, Gil Vicente (Taça Liga), slb (Taça Portugal), Rio Ave, Braga, Sevilha (Liga Europa).

Nota: Falcao parou em Dezembro, devido a fadiga extrema, tendo sido substituído no intervalo do jogo com o Paços de Ferreira. Regressou na recepção à Naval, em Janeiro, jogo em que marcou um golo e sofreu uma lesão no joelho esquerdo.

22 golos marcados esta época.

25 anos completados em 10 de Fevereiro.

101 golos marcados com as camisolas do River Plate e FC Porto.

Infografia (clicar para ampliar): record.pt

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Números da semana (II)

1 golo sofrido pelo FC Porto nos sete jogos disputados esta época fora de casa (um jogo para a Supertaça, quatro para o campeonato e dois na Liga Europa).

5 jogos seguidos de Radamel Falcao sem marcar no campeonato (bisou na 2ª jornada, na recepção ao Beira-Mar).

11 cantos a favor do FC Porto no jogo de Guimarães (contudo, tal como nos livres perto da área, o FC Porto não foi capaz de criar perigo real em nenhum destes lances de bola parada).

12º jogo interrompeu a série de vitórias (11) do FC Porto comandado por André Villas-Boas.

14.2% de audiência do Vitória Guimarães x FC Porto (programa mais visto do dia).

20 remates do FC Porto no jogo de Guimarães, dos quais 10 foram em direcção à baliza.

40 golos do Falcao em 57 jogos oficiais com a camisola do FC Porto (o 40º foi marcado em Sófia).

60% de posse de bola do FC Porto no jogo de Guimarães.

100º jogo do Varela no campeonato português (2 Sporting, 45 V. Setúbal, 28 E. Amadora, 25 FC Porto).

20530 espectadores no Vitória Guimarães x FC Porto (no V. Guimarães x slb estiveram 17730 espectadores).

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Tu foste melhor Falcao


O minuto 79 do jogo Vitória de Setúbal – FC Porto, o momento em que Radamel Falcão foi presenteado com um cartão amarelo por ter levado duas cacetadas na mesma jogada, exemplifica na perfeição o que foi esta temporada cá no burgo, a aniquilação da concorrência vermelha sempre que esta se torna ameaçadora. Agora chegou a ponto de se anular pelos bastidores um título de cariz individual, como é o premio do melhor goleador do campeonato.

O avançado portista, à entrada para a jornada 28 da Liga Portuguesa, tinha o mesmo numero de golos que Cardozo, e era meu convencimento que seria o ponta de lança galináceo a levar a melhor nesta contenda dos melhores marcadores, essencialmente pelo calendário mais vantajoso da sua equipa, onde os jogos em casa com Olhanense e Rio Ave trazem a expectativa de goleadas e, muitas penalidades para o Paraguaio facturar (o que, de resto, confirmou-se com a equipa algarvia). A desavergonhada punição de que El Tigre foi alvo às margens do Sado, dissipou todas as minhas dúvidas de quem levaria para casa a “Bola de Prata”.

Não faltarão elogios e loas ao feito de Cardozo, oriundos dos mais diversos quadrantes deste país. De norte a sul, todos se vergarão perante a façanha de converter 8 penalidades colocadas à disposição por qualquer amigo Lucílio de ocasião. Do outro lado do Atlântico, se vaticinará a “miséria” que o pé esquerdo do Paraguaio fará na África do Sul. A mãe, o pai, o irmão e o periquito enviarão mensagens de felicitações pelos pasquins da mouraria ao novo Deus do Olimpo. Jamais alguém ousará colocar em causa a magnificência deste prémio.


Certamente que ninguém se lembrará dos 4 golos mal anulados a Falcão, ninguém destacará que dos seus 23 golos obtidos até ao momento na Liga, apenas 2 provêem de grande penalidade. Não haverá alguém que faça recordar a sublime forma de como o avançado azul e branco domina e faz jogar a bola. Ninguém mencionará a argúcia com que aparece nos espaços vazios das áreas. Ninguém elogiará a tremenda eficácia e frieza sempre que está na cara do golo. Virtudes e qualidades que os invejosos e carpideiras das redacções desses pasquins que tresandam a podre tudo farão para caiam no esquecimento eterno.

Não amigo Falcao. A memória da imensa nação portista ainda é grande. Grande e eterna. Nunca nos esquecermos de tudo aquilo que alcançaste neste teu primeiro ano de futebol Europeu. Cá dentro e lá fora, porque também foste grande e deixas-te a tua marca na Liga dos Campeões. Fizeste valer os teus méritos em todas as competições que participaste. Conseguiste brilhar mesmo nas noites mais sombrias da nossa equipa. Tu, para nós, Falcao, foste o melhor!

terça-feira, 17 de novembro de 2009

A propósito da finalização


Provavelmente muitos dos nossos leitores já assistiram aos exercícios de aquecimento da actual equipa do FC Porto. Este processo consiste normalmente num curto período inicial em que os jogadores descontraidamente fazem passes e trocam a bola em grupos de dois (sendo que quem trabalha com o Bruno Alves lhe manda as bolas para a cabeça), depois há corrida, sprints e saltos aos pares num período mais alargado e mais tarde há uma sessão de "meinho" num curto espaço de terreno com duas equipas de quatro elementos cada e os restantes dois jogadores a envergarem coletes diferentes para fazerem parte da equipa que tem a posse de bola (nunca indo, portanto, ao "meio"). Por fim, nos 5 a 10 minutos que restam, os jogadores de campo reúnem-se a aproximadamente 40 metros da baliza, cada um com uma bola, para depois, um a um, fazerem uma triangulação com um dos treinadores adjuntos e de seguida rematarem à baliza um pouco antes da entrada da grande área.

Ora, é precisamente desta última fase do aquecimento que venho abordar. Não sou da equipa técnica e ainda por cima sou um leigo no que à teoria futebolística diz respeito e, por isso, desconheço o objectivo de tal exercício no âmbito dos minutos finais que precedem um jogo de futebol, mas uma coisa me intriga: será normal que 8 em cada 10 remates (mais coisa menos coisa) tenham como destino a bancada e os placards publicitários ou saiam frouxos às mãos do guarda-redes? Será normal que a quase totalidade dos remates falhem o alvo poucos minutos antes do início da partida? É possível que a explicação para isto seja muito simples e esteja relacionada com o facto de todo o trabalho específico importante ser feito nos treinos e à porta fechada e que estes sejam apenas momentos para descontracção dos atletas antes dos jogos. Mas nesse caso volto a perguntar: não será muito pior pôr um jogador a fazer 2 ou 3 remates de longa distância à baliza antes de começar o jogo e ele não acertar um único? Não ficará desmotivado a tentar a sua sorte de longe?

Dito isto, não me espanta nada que o FC Porto tenha uma prestação paupérrima em bolas paradas e remates de longa distância. Não me espanta nada que o Hulk (que tem um remate portentoso) remate e saia (quase) sempre uma "rosca" muito ao lado ou que o Meireles já não marque golos fora da área há muitos meses. No futebol, como nas outras profissões, quando não há trabalho não há resultados.

No passado estive atento às sessões de aquecimento de alguns dos melhores clubes da Europa que já defrontámos: Manchester United, Chelsea, Liverpool, Real Madrid ou Barcelona. Em todos eles identifiquei um factor comum no que respeita a remates à baliza, há 2 ou 3 jogadores que ficam alguns minutos do aquecimento a trabalhar o remate à baliza e esses remates são precisamente o contrário dos dos nossos jogadores: muito poucos falham o alvo.