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segunda-feira, 16 de março de 2015

Helton, um ano depois


«Um ano menos um dia depois, Helton voltava a jogar para o campeonato (desde 16 de março de 2014, dia em que se lesionou com gravidade no tendão d'Aquiles, frente ao Sporting). Não foram 12 meses de paragem, porque pelo meio Helton atuou por três vezes para a Taça da Liga (numa delas, em Braga, com fantástica exibição). O brasileiro, líder, entrou da melhor forma: confiante, a dar segurança aos colegas, no momento difícil. Assinou defesa assombrosa, a evitar 1-1, em remate de André Claro, nos primeiros minutos da segunda parte. Teve que sair uma vez da área, mas fê-lo bem. Será titular na Madeira, no reduto do Nacional, no castigo que Fabiano terá pelo vermelho. E depois disso… quem sabe?»
Germano Almeida, Maisfutebol, 15-03-2015


Na conferência de imprensa após o FC Porto x Arouca, questionado acerca da exibição de Helton, Julen Lopetegui respondeu assim:

[Helton] Esteve muito bem, concentrado. Demonstrou que é um fantástico guarda-redes, sem dúvida nenhuma

E, acerca das saídas de Fabiano fora da baliza, Lopetegui, também ele um ex-guarda-redes, disse o óbvio:

Os guarda-redes devem saber explorar o espaço. São momentos que o jogo, por vezes, exige


Ora, a recorrente má leitura de jogo e um timing de reacção desadequado são, precisamente, duas das piores características do Fabiano, que fazem com que o gigante guarda-redes brasileiro seja medíocre na cobertura do espaço à frente da área.

Pode mesmo dizer-se, que as hesitações e saídas intempestivas de Fabiano tornaram-se uma imagem de marca e já custaram muitos dissabores: o derrube a Tozé e consequente penálti no Estoril (que o jogador emprestado pelo FC Porto não falhou…); o choque com Casemiro em Braga, deixando a baliza escancarada; e a “colisão aérea” com Danilo frente ao Basileia; são três exemplos, três situações que deixam poucas dúvidas acerca desta sua evidente limitação.

Aliás, há três meses atrás, no dia seguinte ao FC Porto x SL Benfica, já tinha chamado à atenção para esta grave limitação:

«Fabiano é um guarda-redes grande, mas não é, nem nunca será, um grande guarda-redes. Debaixo dos postes é bom, mas o “gigante” brasileiro tem limitações que são conhecidas e que ontem voltaram a ser visíveis: é mau a jogar com os pés, é lento a executar e a reagir e, nas saídas da baliza, deixa muito a desejar.»



Aos 36 anos (faz 37 daqui a dois meses), após uma lesão gravíssima e quase um ano sem competir regularmente, é natural que Helton não esteja no top das suas capacidades. Contudo, o que mostrou ontem e aquilo que já tinha mostrado num “cósmico” jogo disputado em Braga, é mais do que suficiente para, salvo qualquer recaída, a titularidade da baliza do FC Porto lhe ser entregue até ao final desta época (pelo menos).

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Sete longos meses sem fins-de-semana



Agora que, salvo algo de monstruoso que ninguém acredita que possa suceder, tudo ficou resolvido, vão ser sete longos meses (até ao início da próxima época) em que, jogos mesmo a sério, só iremos ter dois (ok, quatro se eliminarmos o Basileia e partindo do princípio que temos realmente equipa para discutir uns quartos-de-final de Liga dos Campeões).
Se quisermos ser bondosos, poderemos acrescentar uma eventual final da taça da Liga (a tal que ninguém gostava) a esta pequena lista de jogos minimamente interessantes até ao final de Agosto.
Muito argumentarão que, dada a nossa inacreditável vantagem de apenas um ponto em relação ao scp, os jogos continuarão todos a ser a sério até final. Bem, falar em lutas pelo segundo-lugar soa até ofensivo para um clube com o nosso palmarés nos últimos 30 anos. Por muito aborrecido que seja ter que jogar uma pré-eliminatória para aceder à "Champions", a grande verdade é que ficar em segundo ou terceiro não aquece nem arrefece ninguém.
Na verdade, podemos até evitar falar em "travessias do deserto" mas de uma seca monumental já ninguém nos livra. De repente, nos próximos fins-de-semana, as ligas estrangeiras tornar-se-ão ainda mais cativantes e até as outras modalidades terão um renovado interesse aos nossos olhos.
O mais penoso nisto tudo é que diferença futebolística está longe de estar reflectida nestes largos pontos que nos separam do nosso rival. Habitualmente, tamanho "buraco" traduz uma série de insuficiências de um dos lados, algo que está longe de ser verdade na presente época. Tirando os fanatismos habituais, este slb parece inferior às recentes versões passadas.
Por isso mesmo, não é tarefa fácil explicar estes últimos acontecimentos. Tendo a presente temporada como ponto inicial de análise, existirão obviamente vários erros próprios mas nenhum com tamanho suficiente para que alguém possa acreditar, com toda a convicção, que tudo poderia ter sido diferente.
Mas vamos lá a esses "pormenores" que, não tendo sido decisivos, foram erros que nos deverão servir de lição:
Ghilas é melhor que Adrián, ponto. O primeiro deveria ter ficado e o segundo não deveria ter sido adquirido em mais uma das nossas "confusas" contas com o Atlético Madrid.
Tozé, se é que a equipa B realmente serve para algo, teria também lugar neste plantel. Não existe esse abismo, como muitos acreditam, em relação a Óliver. No fundo, é tudo uma questão de apostas. O espanhol, mesmo vindo emprestado, é aposta assumida desde a primeira hora, já o português foi sempre olhado de lado. E é nesta falta de confiança que muitos se perdem.
Já a saída de Josué, embora num patamar mais debatível, deixou também dúvidas. E deixemos, por agora, a eterna questão-Kelvin para outras núpcias.
Mas, tendo assim o plantel sido escolhido, haveria melhor "11" que aquele habitualmente colocado em campo, excessivas rotações à parte?
Bem, se olharmos com cuidado para os quase 11 meses de titularidade de Fabiano, quantos pontos ou vitórias lhe devemos? Certo que, não havendo Hélton por largos meses, as alternativas eram praticamente nulas. Mas, e agora com o capitão de regresso e em grande forma? Que desculpa pode haver? Que motivação terá, daqui em diante, um jogador a quem for dada uma "oportunidade" na taça da Liga, sabendo ele que nem uma exibição de qualidade máxima lhe abrirá as portas da equipa principal?
Já quanto a Alex Sandro, há mais de ano e meio que joga metade daquilo que rendia quando alcançou a titularidade. Danilo, que até começou bem, parece de regresso ao seu habitual modo de "não te rales muito", que ele sempre acciona quando os resultados deixam de aparecer. 
Mas, lá está, com Ricardo e José Ángel teríamos agora mais pontos? Nenhumas garantias de tal, se quisermos ser absolutamente honestos. 
E quanto ao resto? Bem, Maicon continua a ser Maicon, como aquela oportunidade desperdiçada logo nos minutos iniciais no Funchal nos relembrou. O nosso adversário directo não falharia aquela oportunidade madrugadora para ficar logo em (decisiva) vantagem.
De resto, confirma-se que Casemiro e Tello são úteis mas nada do outro mundo, como a qualidade dos seus clubes de origem poderia fazer crer. Pelo menos, ainda estão num patamar inferior àquele onde se situam Jackson, Brahimi e até mesmo Quaresma. E é este patamar que se exige a quem quer ser titular de longa duração num clube como o nosso.
Por fim, e basta olhar para o seu rosto, Quintero passou de jovem alegre e cheio de potencial para alguém a quem as mordaças tácticas transformaram num jogador apavorado pelo receio de falhar. Bem escondido continua ele pelas extremidades do campo, e isto quando joga. Quem ficou a ganhar com esta sua "domesticação"? Pois, ninguém ao certo saberá responder.
Mas estaria o FCP a discutir, ombro-a-ombro, o primeiro lugar se o atrás descrito tivesse acontecido de outra forma? Provavelmente não, e é isto que mais assusta: do ponto em que se iniciou a presente temporada, não se vislumbra grandes alternativas para um futuro diferente. Isto porque, sem "fundos", os empréstimos vindos dos "grandes" europeus tenderão a aumentar ainda mais e, em termos de liderança, como se tem visto, é cada vez mais difícil arranjar melhor.
Poderemos, então, melhorar em quê, durante estes penosos meses que se avizinham? A nossa obsessão pela posse de bola, ao contrário do que se apregoa, soa a excessiva. Reparemos que o nosso rival abriu o marcador em dois lances de futebol directo nas suas duas últimas saídas (Penafiel e Marítimo). Já nós, nem no último segundo contra um Marítimo, com tudo praticamente perdido, o nosso guarda-redes foi autorizado a avançar para a área contrária, num lance de bola parada.
Na liga portuguesa, exagerar na posse e num futebol "rendilhado", especialmente fora de portas, pode ser contra-produtivo. É uma lição que levamos desta temporada. As nossas habituais e tão elogiadas estatísticas, ao invés de serem motivo para orgulho, podem muito bem ser a mais clara expressão do nosso falhanço. Isto porque as nossas oportunidades reais de golo são em número vergonhoso para tamanho "controlo" das partidas. E o inverso sucede com praticamente todos os adversários que encontramos pela frente: por menos oportunidades que tenham, conseguem sempre criar perigo.
Por último, o factor-sorte. Todos sabemos que esta se conquista e dará mesmo muito trabalho alcançá-la, mas temos que honestamente reconhecer que a sorte, em 2014/15, nada quer connosco. Não que, alguma vez, se a deva usar como principal desculpa.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Sim, ele está bem vivo


Quem diria que um jogo para a Taça da Liga se iria tornar num dos mais marcantes da época? Quem diria que, não uma vitória mas sim um empate, originaria festejos no regresso dos jogadores ao Dragão? Pois tudo isto aconteceu mesmo, cortesia do "trio" do Sr.Cosme.

E agora, depois deste verdadeiro vendaval de acontecimentos da última quarta-feira, o que poderá ser diferente daqui para a frente?
Por exemplo, deve Hélton assumir a titularidade de imediato? Apetece dizer que sim. Sendo verdade que Fabiano poderá ficar algo perturbado, é também certo que mais vale sair assim do "11" do que após um erro grave.
Por outro lado, e após esta grande exibição de Hélton, Fabiano sabe que estaria sempre a prazo.
Ficará, muito provavelmente, em baixo psicologicamente mas saberá também que, dados os 36 anos de Hélton, o mais certo será a titularidade regressar, mais dia menos dia. Deve é trabalhar cada vez mais e, entretanto, ir aprendendo com o mestre.
Só deve existir um único critério para se entrar no "11" titular: a qualidade. Hoje por hoje, Hélton ainda é melhor que Fabiano.

Hélton que chegou mesmo a "despedir-se" através das redes (anti) sociais no início da presente época, acaba por realizar, e após quase um ano de afastamento, uma das sua maiores exibições ao serviço do nosso clube. Quando um dia ele realmente pendurar mesmo as chuteiras, este jogo será, para muitos, aquele que virá imediatamente à memória.
Trata-se efectivamente de um jogador muito especial. A sua forma calma de estar dentro e fora de campo, será mesmo a sua maior qualidade. Aliás, por mais que nos solidarizemos com a fúria de Antero Henrique no final dos primeiros 45 minutos em Braga (poderia ser qualquer um dos nós), temos de louvar a atitude de apaziguamento por parte do nosso capitão.

Hélton e Jackson, dois capitães a liderar pelo seu próprio exemplo, nas duas mais recentes partidas. E é assim mesmo que tem que ser.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Guarda-redes de equipa grande

A seguir ao FC Porto x SL Benfica, jogo em que Fabiano teve responsabilidades directas no 2º golo dos encarnados, escrevi o seguinte:

«Fabiano é um guarda-redes grande, mas não é, nem nunca será, um grande guarda-redes. Debaixo dos postes é bom, mas o “gigante” brasileiro tem limitações que são conhecidas e que ontem voltaram a ser visíveis: é mau a jogar com os pés, é lento a executar e a reagir e, nas saídas da baliza, deixa muito a desejar. Por aquilo que já mostrou, Andrés Fernandez também não parece ser guarda-redes para uma equipa de top (Lopetegui identificou cedo o problema e, por alguma razão, queria que a SAD tivesse contratado Keylor Navas… antes do Mundial). Se Helton estiver fisicamente recuperado a 100%, não tenho dúvidas que é a melhor solução existente no plantel atual.»


O JOGO, 11-01-2015
No último jogo (FC Porto x CF Belenenses), Fabiano voltou a defender uma bola para a frente e a quase oferecer um golo à equipa adversária (valeu um corte, in extremis, de Maicon).

Mas, para além das limitações técnicas que são conhecidas – dificuldades a jogar com os pés, lentidão e hesitações a sair da baliza – parece-me que Fabiano tem outro problema, que é crítico quando se é guarda-redes de uma equipa grande: “congela” e fica com as suas capacidades diminuídas, quando está muito tempo sem intervir no jogo.

Em muitos jogos do campeonato português, um guarda-redes do FC Porto é quase um espectador. Contudo, tem de ter a capacidade de se manter concentrado e “quente” para, quando for chamado a intervir, não complicar e, pelo contrário, conseguir evitar “golos feitos” na sua baliza.

Neste aspecto (e não só) um Helton a 100% dá (daria) mais garantias do que Fabiano.

Evidentemente, após 10 meses sem jogar, Helton não pode estar a 100%. Contudo, talvez esteja em condições para voltar à baliza do FC Porto num jogo da Taça da Liga, contra uma equipa da II Liga (União da Madeira) que, ainda por cima, vai ser disputado no Estádio do Dragão (na próxima terça-feira).

Será desta, que Lopetegui vai dar uma oportunidade a Helton?

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

É complicado...



Este tipo de derrotas são as mais difíceis de digerir e não apenas por ter acontecido contra o nosso principal rival.
Desta vez, contra o que frequentemente acontece, esta não teve causas óbvias e, por isso mesmo, as obrigatórias correcções poderão levar mais tempo.

Sim, é certo que, hoje por hoje, um Quaresma tem ainda mais futebol e experiência do que um verde Tello e que, por isso mesmo, deveria ter mais "tempo de antena" em campo. É também verdade que Óliver promete sempre muito mais do que aquilo que na realidade produz. E, se formos bem a ver, temos também um razoável número de titulares que dificilmente poderão ser considerados mais de que apenas "regulares" em termos de qualidade e classe (Fabiano, Marcano, Herrera e até, muito provavelmente, Casemiro).
Sendo tudo isto certo, o facto é que ainda soa a pouco para explicar estes 0-2.

O resultado é um misto de azar e de erros individuais (Danilo, Fabiano, Herrera e, em menor escala, Jackson).
O FCP fez muita coisa bem até sofrer o primeiro golo. Só depois, sim, é que deixou de ter a cabeça no sítio certo. O próprio slb terá perdido muitos jogos no Dragão em que terá feito bem mais do que neste Domingo. A questão é que, nas mais recentes épocas, o slb precisa de metade das nossas oportunidades para marcar o dobro dos golos. Para além disso, o árbitro auxiliar do slb-Rio Ave, explicou-nos, na perfeição, o resto que falta aqui dizer.
E, assim sendo, 6 pontos ressoa mesmo a sentença de morte. Eles que perderam apenas 5, até ao momento...

E isto nem começou aqui.

Colocando de parte os "compreensíveis" empates em Guimarães (sim, este com "mãozinha") e em Alvalade, a nossa primeira "morte" aconteceu mesmo naquela chuvosa noite contra o Boavista no Dragão (ainda hoje estamos para perceber a razão de Jackson ter escolhido jogar, na primeira parte, para a baliza onde o relvado pior se encontrava...).
Depois, o 2-2 no Estoril fez o resto, A partir desse empate estávamos mesmo obrigados a bater o slb em casa. Coisa, já se sabe, nunca garantida.

Demasiada pressão para ainda antes do Natal.

Que, ao menos desta vez, na Champions façamos a nossa obrigação de passar aos "quartos" dada a nossa clara superioridade em relação ao adversário. Que as derrotas passadas com Schalke e Málaga nos tenham servido de lição definitiva.

Quanto à liga, pouco mais nos resta que continuar a fazer a nossa obrigação e sofrer.
O que é uma pena pois, inversamente ao nosso rival, já vencemos outros campeonatos em que a nossa matéria-prima não era tão interessante como esta actual.

P.S.: A factura de não termos comprado o Lima continua por saldar...

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Eu ainda quero acreditar

A tristeza de Jackson no final do FC Porto x SL Benfica (fonte: Maisfutebol)

Custa sempre perder com o SL Benfica, seja em que modalidade for.
E custa ainda mais perder em pleno Estádio do Dragão, principalmente se o jogo for para o Campeonato.

A noite de ontem estava muito fria mas, no final do jogo, os portistas estavam a “ferver”. Ora, como a quente se dizem muitos disparates, ontem abstive-me de dizer o que quer que fosse (já chegam os disparates que eu disse durante o jogo).

O JOGO, 15-12-2014
Numa análise a frio, o jogo de ontem, golos à parte, foi aquilo que eu estava à espera.
Contra um SLB que joga pouquinho (na minha opinião é a equipa encarnada mais fraca da era Jorge Jesus), o FC Porto, sem deslumbrar (longe disso), dominou do primeiro ao último minuto, superiorizando-se em todos os indicadores do jogo – posse de bola, ataques, cruzamentos, remates, oportunidades de golo, cantos e livres.

Mas houve duas coisas que não estavam no “Programa das Festas”:

i) a defesa menos batida do campeonato (até este jogo) a oferecer dois golos de bandeja, em erros não forçados e sem que o SL Benfica tenha feito seja o que for (nesses lances ou no resto do jogo) para justificar marcar um golo que fosse;

ii) o melhor ponta-de-lança a jogar em Portugal ter um desempenho 100% perdulário (incrível a forma como Jackson falhou um golo feito, após um excelente cruzamento do Quaresma, na 2ª bola que enviou à trave);

O certo é que o FC Porto perdeu em casa e, por isso, é muito fácil “bater” no treinador (e, já agora, “bater” também no Antero, na SAD, no Presidente, etc.) mas, depois de um jogo destes, em que, à meia hora, os jogadores encarnados ainda não tinham sequer importunado Fabiano, custa-me ir por esse caminho.

Prefiro olhar para quatro aspectos da exibição portista que, não sendo inéditos, neste jogo voltaram a ser notórios e que precisam de ser corrigidos/resolvidos:

1) As bolas paradas ofensivas – Falta um jogo para a paragem de Natal e o FC Porto continua pouco mais do que inconsequente nas bolas paradas ofensivas (cantos e livres, porque dos penalties já nem falo…). Admito que as treinem mas, nos jogos, não se veem jogadas estudadas bem trabalhadas e, muito menos, resultados concretos desse “trabalho de laboratório”. Mais. Nuns jogos o jogador encarregue das bolas paradas é Quaresma, noutros Quintero, ontem foi Tello e nenhum deles o tem feito de forma capaz.

2) As bolas paradas defensivas – Ainda não percebi se Lopetegui quer que os jogadores defendam individualmente, à zona ou um misto das duas coisas. O que eu sei é que os jogadores (e os adeptos!) tremem nas bolas paradas defensivas e os últimos dois jogos – Shakhtar e SL Benfica – foram exemplares das fragilidades que a equipa revela nestes lances. Sofrer golos de bola parada é sinal de adversários mal estudados e de insuficiente trabalho nos treinos.

3) A dupla de Centrais – Já falei neste assunto várias vezes. Mais do que o valor individual de cada defesa-central, importa avaliar uma dupla como um todo. Ora, chegados a esta altura da época (após quase 30 jogos, entre particulares e oficiais), o FC Porto ainda não tem uma dupla estabilizada e rotinada. Pior. O elemento comum – Martins Indi – às duas duplas mais utilizadas por Lopetegui, quando faz dupla com Maicon joga do lado esquerdo e quando faz dupla com Marcano joga do lado direito! O centro da defesa é um elemento crucial de qualquer equipa e, com esta sucessiva rotatividade imposta por Lopetegui, não vamos lá.

4) O Guarda-redes – Fabiano é um guarda-redes grande, mas não é, nem nunca será, um grande guarda-redes. Debaixo dos postes é bom, mas o “gigante” brasileiro tem limitações que são conhecidas e que ontem voltaram a ser visíveis: é mau a jogar com os pés, é lento a executar e a reagir e, nas saídas da baliza, deixa muito a desejar. Por aquilo que já mostrou, Andrés Fernandez também não parece ser guarda-redes para uma equipa de top (Lopetegui identificou cedo o problema e, por alguma razão, queria que a SAD tivesse contratado Keylor Navas… antes do Mundial). Se Helton estiver fisicamente recuperado a 100%, não tenho dúvidas que é a melhor solução existente no plantel atual.


Estou convencido que este campeonato ficou ontem entregue (ao SL Benfica), mas ainda faltam muitos jogos e há uma réstea de esperança.

Para alimentar essa pequena chama, eu recordo um FC Porto x Panathinaikos (Quartos-de-final da Taça UEFA 2002/2003, 1ª mão), disputado no Estádio das Antas (que saudades!), em 13 de Março de 2003, que os dragões dominaram completamente, mas perderam por 0-1.

No final do jogo, José Mourinho, ao atravessar o relvado, virou-se para a Superior Sul, onde estavam os Superdragões, e fez este gesto:

José Mourinho no final do FC Porto x Panathinaikos, da época 2002/2003

No jogo seguinte, os Superdragões mostraram uma tarja onde se podia ler: «Se vocês acreditam nós também acreditamos».

Faço daqui um apelo aos Superdragões, para recuperarem essa tarja já no próximo jogo.

Sim, eu sei que, ao contrário de 2003, o FC Porto deixou de depender só de si para conquistar este campeonato; eu sei que esta equipa não se compara ao FC Porto 2002/2003 (na minha opinião, a melhor equipa de sempre do FC Porto); e, claro, Julen Lopetegui está muito longe de ser um treinador de top internacional (como é José Mourinho); mas, vendo a banalidade que é este SL Benfica, eu ainda quero acreditar que é possível e, por isso, jogadores e adeptos não podem baixar os braços.

sábado, 2 de agosto de 2014

O quinto guarda-redes

Tendo no plantel Fabiano (26 anos), Ricardo (32 anos), Kadú (19 anos) e Helton (36 anos), que sentido faz contratar um quinto guarda-redes para a época 2014/2015?

Sabendo-se que o brasileiro Helton (vai iniciar a sua 10ª época no FC Porto) só deverá estar em condições de voltar a competir em Novembro ou Dezembro e que, em princípio, o angolano Kadú será o guarda-redes da equipa B (foi titular em 24 jogos da II Liga 2013/2014), a contratação do espanhol Andrés Fernández só pode significar que o espanhol Lopetegui não confiava numa solução em que o brasileiro Fabiano (titular nos últimos 13 jogos oficiais da época passada) fosse o “dono” da baliza portista e o português Ricardo (ex-Académica, não falhou um único minuto nos últimos dois campeonatos) fosse a sua “sombra”.

Mas, Fabiano parece querer complicar a vida a Lopetegui…

O JOGO, 28-07-2014

Fabiano, O JOGO, 28-07-2014

A única explicação que eu vejo para a contratação de Andrés Fernández, é se o ex-Osasuna se distinguir, pela positiva, naquelas que são as duas principais lacunas de Fabiano: sair da baliza e jogar com os pés. E, claro, se estes dois aspectos forem considerados fundamentais por Lopetegui (numa lógica da equipa jogar subida e do guarda-redes encurtar espaços nas costas da defesa).

Andrés Fernández, O JOGO, 26-07-2014

De outro modo, parece-me incompreensível “obrigar” a FC Porto SAD a gastar 2 milhões de euros no passe Andrés Fernández, mais salários e as habituais comissões.

domingo, 29 de dezembro de 2013

"Gigante" Fabiano, em grande

Fabiano, Sporting x FC Porto (fonte: Maisfutebol)

Após os generosos 7 dias de férias concedidos ao grupo de trabalho, que vários jogadores portistas aproveitaram para "desligar" do frio futebol português e ir passar um Natal quentinho do outro lado do Atlântico, este Sporting x FC Porto foi um excelente treino e um bom teste (para vários jogadores), efetuado no razoável relvado do estádio de Alvalade.

Comecemos pelas coisas boas.
A exibição concentrada e personalizada do "gigante" brasileiro (mede 1,97m) que ocupou o lugar de Helton, o qual revelou grande qualidade em praticamente todas as intervenções (e foram muitas), várias das quais decisivas para manter a baliza portista inviolada.
Fabiano precisa de aprimorar o jogo com os pés e, naturalmente, de jogar mais vezes para ter ritmo de jogo, mas os adeptos portistas podem ficar tranquilos porque, quando chegar o dia, tudo indica que já temos uma boa alternativa para Helton.

Quem também se exibiu a um nível elevado foi a dupla de centrais (particularmente Mangala) e Fernando, apesar do malfadado duplo pivô que Paulo Fonseca insiste em impor à equipa, diminuindo o raio de ação, à frente do quarteto defensivo, daquele que é o melhor médio defensivo do futebol português.

Quanto a aspectos negativos, a lista seria extensa mas, como não me agradam autoflagelações, vou destacar apenas os principais:

i) A intensidade e dinâmica da equipa leonina foi muito superior à portista. No Sporting, ao contrário do FC Porto, vê-se trabalho (e bom!) do treinador e a equipa é muito mais do que um mero conjunto de individualidades.

ii) A exibição de Herrera. Foi mau demais e fico-me por aqui, porque ainda acredito que este internacional mexicano está em processo de adaptação ao ritmo do futebol europeu e a ser vítima das indefinições de Paulo Fonseca, principalmente no que diz respeito ao meio-campo portista.

iii) Licá brilhou no Estoril, onde tinha espaço para grandes correrias, mas voltou a demonstrar que não serve para o 4-3-3 do FC Porto. E porquê? Porque no FC Porto os homens da frente são sujeitos a marcações apertadas e Licá, pura e simplesmente, é incapaz de passar por um defesa no um-contra-um e perde facilmente a bola quando é pressionado.

iv) Jackson entrou a cerca de 15 minutos do fim e parecia que ainda estava no fuso horário da Colômbia. Inacreditável (e impensável há uns anos atrás), o facto de Jackson não ter feito um único treino antes deste jogo, ter sido convocado e ido diretamente do aeroporto para o hotel onde, qual turista, aguardou tranquilamente a chegada da comitiva portista a Lisboa. Um (mau) sinal dos tempos.

terça-feira, 16 de abril de 2013

A titularidade de Abdoulaye na Taça da Liga


Em Dezembro passado, decorreu durante uns dias uma votação neste blogue, em que questionamos se na Taça da Liga o FC Porto deveria jogar com:
- Equipa titular
- Titulares e segundas escolhas
- Apenas segundas escolhas
- Jogadores da equipa B

Vale o que vale, mas apenas 10% das pessoas que se deram ao trabalho de responder votaram na opção ‘Equipa titular’ (ver resultado na coluna ao lado) e embora a amostra tenha sido pequena, esta votação foi de encontro ao que me parecia ser o sentimento claramente maioritário dos adeptos portistas em relação à Taça Lucílio Baptista… perdão, Taça da Liga.

Cerca de quatro meses depois, tendo o FC Porto chegado à final da Taça da Liga 2012/13, a opção de Vítor Pereira foi apostar num onze semelhante ao habitual (levando em conta a lesão de Varela), com apenas dois jogadores do lote dos menos utilizados: o guarda-redes Fabiano e o defesa-central Abdoulaye.

Embora não tenha ficado surpreendido com nenhuma destas duas escolhas, devo dizer que, quando soube pela rádio o onze inicial do FC Porto, considerei de maior risco a titularidade de Fabiano do que a de Abdoulaye.
Porquê?
Basicamente por três razões:
1ª) A posição de guarda-redes é crítica numa equipa de futebol.
2ª) Até esta altura, Fabiano teve uma utilização residual em jogos das duas principais competições em que a equipa do FC Porto esteve envolvida – Campeonato e Liga dos Campeões – tendo apenas participado em um jogo (Abdoulaye participou em sete).
3ª) Cinco dias antes, Abdoulaye tinha jogado 45 minutos contra este mesmo SC Braga (substituindo o lesionado Maicon), sem comprometer ( «Entrou periclitante e demorou uns 15’ a estabilizar. Depois de assentar, não voltou a errar», FC Porto um a um, O JOGO).

Além disso, lembrei-me da anterior presença do FC Porto numa final da Taça da Liga (época 2009/10), em que a opção por Nuno Espirito Santo em vez de Helton correu bastante mal.
Contudo, desta vez a troca de guarda-redes correu bem, Fabiano fez uma grande exibição (juntamente com Fernando foi considerado o melhor jogador do FC Porto) e, por isso, no final do jogo não ouvi, nem li, portistas a criticarem a sua inclusão no onze inicial.

A contestação surgiu sim, mas em torno de Abdoulaye levando, inclusivamente, o jornal O JOGO a questionar conhecidos adeptos portistas acerca da sua presença no onze inicial e se isso tinha sido decisivo para a derrota do FC Porto.

(O JOGO, 14-04-2013)

Teria sido melhor optar por Otamendi em vez de Abdoulaye?

Vendo o que se passou, provavelmente, mas é bom lembrar que no jogo anterior, precisamente contra o mesmo adversário, Otamendi esteve particularmente infeliz. O jornal O JOGO atribuiu-lhe a pior pontuação entre todos os jogadores (titulares e suplentes) do FC Porto e analisou assim a sua exibição:

«Otamendi – Estranhamente intranquilo, o argentino perdeu a noção dos espaços e nos primeiros 45’ acumulou falhas em catadupa. Aos 20’ isolou João Pedro e pouco depois escorregou e daí surgiu o golo de Alan. Na segunda parte quase limpava a face quando, de cabeça, atirou à trave.»

E não se pode dizer que a exibição de Otamendi no FC Porto x SC Braga para o campeonato tenha sido caso único. A fase menos boa que está a atravessar vem de alguns jogos atrás. Por exemplo, no Marítimo x FC Porto, a apreciação feita no jornal O JOGO foi a seguinte:

«Otamendi – Falhou demasiado, deixando o Marítimo ameaçar a baliza portista ao não abordar corretamente alguns lances, sempre com Heldon no papel de protagonista (61’ e 82’). Pior exibição da época, seguramente

Na minha opinião, Otamendi é um bom defesa-central mas, por aquilo que escrevi atrás, considero normal que tenha sido suplente na final da Taça da Liga.

Aos treinadores compete fazer as escolhas. Os adeptos e jornalistas comentam-nas no final. Quando as coisas correm bem (ver, por exemplo, a entrada de Kelvin no FC Porto x SC Braga para o campeonato), os jogadores fazem capas de jornais. Quando correm mal, o treinador é criticado. O futebol é assim e ninguém é obrigado a seguir uma carreira de treinador.

Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.