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quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Reforços sim, contratações não

É preciso recuar muito no tempo para descubrir um FC Porto activo em todas as quatro frentes chegado esta altura do mês de Janeiro, precisamente 2008-09, em que se chegou ao inicio do novo ano nos Oitavos de Final da Champions League (cairiamos em Quartos frente ao Manchester United), a camino das finais da Taça de Portugal (que ganhariamos) e da Taça da Liga (caindo nas meias-finais) e liderando o campeonato que encerraría o ano do Tetra de Jesualdo Ferreira. 
Nem sequer no mágico ano de 2011 a equipa de André Vilas-Boas aguentou o ritmo e soçobrou frente ao Nacional na fase de grupos da Taça da Liga precisamente no inicio do mês de Janeiro. Isso sem ter de jogar a exigente Champions League. Algo que permite colocar – ainda mais – em perspectiva, o feito dos homens de Sérgio Conceição. E sabendo que aí vêm cinco meses de máxima exigência, a expectativa não podía ser maior. Olhando para a forma desastrada como o plantel foi construido – victima do descontrolo dos últimos anos – desde cedo a maioria dos adeptos e analistas foi rápida a indicar que o plantel era curto e tarde ou cedo iria necessitar de ajustes. Não deixa de ser correcto o raciocínio mas o certo é que, com metade da época cumprida, esse inevitavel desgaste não se tem notado – nem nos resultados nem em campo – graças à excelente gestão de grupo de Conceição o que permite reabrir a discussão sobre a necessidade real de interferir activamente na reabertura do mercado.

O mercado de Inverno é um mundo complexo. 
Poucas vezes serviu, realmente, de algo para equipas com objectivos importantes. Os poucos casos são simbólicos e parecem reforçar a sua importância (e ninguém esquecerá Carlos Alberto em 2004 ou a série de avançados que foi chegando nos anos posteriores que, com golos importantes, ajudou a alcançar metas e títulos) mas na prática vale muito mais ter um plantel bem estruturado desde o início do que aventurar-se no desconhecido do defeso invernal. Num ano sem competição africana de selecções – fundamental quando os MVP´s da época têm sido Brahimi, Aboubakar ou Marega – e sem lesões largas e graves, salvo os problemas físicos repetidos de um Soares que ainda não apanhou a dinâmica e de um irregular Otávio, os problemas têm sido contornados com tranquilidade. Sobretudo o que estes meses nos têm ensinado é que o éxito do FC Porto começa e acaba no espirito de grupo que o treinador forjou nos meses de pre-temporada e que todos têm abraçado, jogando mais ou menos. 
Num modelo de jogo muito exigente físicamente – por vertical e ofensivo – mas onde a posse de bola ajuda, em momentos de descanso, gerir esforços, Conceição tem sabido trocar peça por peça em momentos pontuais sem perder o ritmo colectivo. Tem acontecido na metamorfose de Oliver a Herrera (onze mais físico, com menos posse, e com maior entrega e presença em troca de maior controlo), nas inclusões pontuais de Sergio Oliveira, Layun ou Maxi Pereira num onze quase sempre recitado de memoria. Até mesmo a recuperação de Diego Reyes e o regresso de Soares abriram outras opções em posições chave. Conceição tem claro na sua cabeça que há um onze titular base mas sujeito a alterações pontuais face a rivais ou forma física e uma poule de seis/sete jogadores (Maxi, Reyes, Sergio, Oliver, Otávio, Soares e André André) que permite cobrir essas necesidades. É certo que, de base, o plantel apresenta descompensações tais como o excesso de laterais (o que tem feito Ricardo actuar de extremo algumas vezes) e a falta de jogadores abertos nas alas quando, sobretudo, Corona, não está ao seu nível ou peca por ausente, sendo que a adaptação de Ricardo, por um lado, e o uso de Hernani, por outro, abrem outras questões paralelas na gestão de grupo. A forma como Conceição abdicou de jogar com um 10 tem retirado importancia e influencia a Oliver, e também a Otávio, e tendo em conta que Danilo é indiscutivel, aberto a Herrera, André André e Oliveira a possibilidade de rodar por um lugar. No fundo o técnico conta já com seis médios para duas posições (oferecendo às vezes uma modificação do 4-2-4 para 4-3-3 para acomodar Herrera-Danilo-André André/Oliveira em momentos de maior posse) e não tem necessidade de mais tendo em conta que todos cumprem os distintos perfis utilizados. Layun, vitima de um claro over-booking e de um grande ano de Telles, e Maxi e Casillas – por questões salariais – são os claros candidatos a sair das contas sem que, em principio, a equipa mostre sinais de ressentir-se das suas baixas mas e quanto a incorporações, que decisão tomar?


O importante, uma vez mais, é referir o espirito de grupo como base de tudo. 
A ideia de jogo do técnico não é complexa – digamos que é uma versão à Porto, com esse extra de garra, do que lograva o Benfica de Jesus com êxito a nível doméstico no inicio da década – mas a idiossincrasia da equipa é muito especial. Qualquer novo reforço entra num grupo já formado, trabalhado e emocionalmente muito unido e tem de ser capaz de adaptar-se a essa realidade em tempo recorde. Não há, no mercado e face à nossa realidade, um talento absoluto disponível capaz de ser titular de caras apenas pelo genial que possa ser, pelo que quem vir tem de ser parte da engrenagem colectiva ou o próprio técnico será o primeiro a excluí-lo das opções. Oliver, sem dúvida um jogador com um talento incomparável, não joga precisamente porque apesar das suas virtudes, não é o homem certo para o modelo de jogo. 
Ou seja, salvo que seja uma posição cirúrgica (estou a pensar em extremo esquerdo/direito) ou um avançado de natureza muito diferencial do jogo que oferece Aboubakar (e para isso já existe Soares, inclusive), as necesidades reais deste plantel são escassas. E mais ainda quando o grupo parece de tal forma unido que a capacidade de multiplicação de posições reduz ainda mais essa ideia de necessidade extrema individual. Chegar e sentir o que o técnico fazem os jogadores sentirem, dentro dessa dinámica de “irmãos de armas”, é algo extremamente complexo de lograr e difícil de exigir a uma cara nova. Para quatro meses de competição, mais ainda. 

Seguramente haverá jogadores melhores que Marega no mercado mas será que algum dará a Sérgio o que ele quer dessa posição? Ou será tão capaz como Marega é de representar a unidade do grupo e o espirito deste projecto? O mesmo pode ser dito, realmente, de todos. Ninguém pode saber o que nos espera o amanhã e talvez uma lesão grave de um central, um problema sério de Danilo ou de Brahimi – os únicos jogadores sem réplicas reais daquilo que são e dão à equipa – podem sempre oferecer novos problemas e novas equações. No entanto, no momento presente, cada incorporação corre o risco de ser mais vista como uma contratação do que, propriamente, um reforço. E sabendo como está a SAD e como estão as finanças do clube  - com jogadores por renovar e buracos abertos para a próxima época, sobretudo na posição de defesa central – o mais lógico seria confiar em Conceição e nos seus homens e ir preparando o futuro com consciencia, sabendo que a força, a união e o talento do grupo e do seu líder que trouxe o FC Porto à sua melhor posição numa década a inicio de ano é uma arvore com raizes mais profundas na terra do que podemos imaginar para abanar ao primeiro sinal de tempestade.

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Marega e o mercado

JN de 19-12-2017

«Às costas de Marega».
Foi este o título escolhido pelo JN, para a notícia de capa referente à vitória (3-1) do FC Porto sobre o Marítimo.

É um título feliz, ilustrado por uma foto de Brahimi (duas assistências) às costas de Marega (dois golos e MVP deste FC Porto x Marítimo).

Com os dois golos que marcou no jogo de ontem à noite, Marega já leva 12 golos em 1150 minutos no campeonato português (1 golo a cada 96 minutos). E nenhum destes golos foi de penálti.

Marega é o melhor exemplo de como o Sérgio Conceição foi capaz de “esticar” um plantel curto (de cuja qualidade muitos desconfiavam), tirando o máximo partido dos jogadores à sua disposição.

Mas há mais. Do onze inicial de ontem, fizeram parte quatro jogadores – Diego Reyes, Ricardo Pereira, Aboubakar e Marega – que não serviram para outros treinadores do FC Porto e, por isso, foram dispensados (emprestados).

Pois bem, foi com estes que o FC Porto ganhou e é com estes que a EQUIPA liderada por Sérgio Conceição chegou à “paragem” do Natal 2017 na frente do campeonato, com o melhor ataque e a melhor defesa.

E depois, a gente olha para os jogadores que ontem estavam no banco de suplentes – Casillas, Felipe, André André, Óliver Torres, Hernâni, Corona, Soares – a que se juntaram, num treino após o jogo, mais alguns que ficaram de fora (Layun, Sérgio Oliveira, etc.) e começa a ser difícil acreditar que o plantel 2017/18 é curto.

Treino noturno com os jogadores menos utilizados

Reforços em Janeiro?
Não me parece que, nesta altura, haja muitos jogadores disponíveis melhores do que aqueles que ontem ficaram fora do onze titular (e, já agora, que estejam ao alcance da bolsa da FCP SAD).

Veremos o que o mercado de janeiro irá trazer. Da minha parte, os reforços que considero prioritários, são as renovações com a atual dupla de defesas centrais - Iván Marcano e Diego Reyes.

sábado, 2 de setembro de 2017

Zero reforços

Sérgio Conceição é um tipo com coragem. Tem feito um trabalho admirável de coesão, colocou a equipa a jogar bastante mais (sem ser brilhante tem logrado momentos de brilhantês, o que não é o mesmo), assumiu uma abordagem vertical, ofensiva e de riscos e, sobretudo, um projecto que hoje lhe dá menos a ele do que ele pode dar ao projecto. E para isso é preciso ser um tipo de coragem.

O "negócio" de Vaná - a posição que o FC Porto seguramente mais precisava de reforçar - impede que podamos afirmar que o FC Porto não contratou ninguém neste defeso. Também há quem defenda que além dessa "contratação", o FC Porto também recebeu na forma dos emprestados do ano passado "reforços", casos de Ricardo Pereira, Moussa Marega (um jogador que a esmagadora maioria dos adeptos há um ano ofereceria grátis a quem quisesse pegar nele) e Vincent Aboubakar. Recuso-me a chamar "reforços" a jogadores que já pertenciam ao clube e que, pelo menos no caso de Ricardo e Aboubakar, jamais deviam sequer ter saído do plantel principal. Portanto, sendo intelectualmente honestos, o FC Porto não contratou ninguém útil e não se reforçou no mercado. Sérgio Conceição sabia que chegava a um clube com problemas financeiros - motivo por qual a maioria dos treinadores sondados por Pinto da Costa lhe deu as costas - e debaixo do olho atento da UEFA. O que provavelmente não sabia é que não ia sequer ter um pequeno brinde até ao fim do mercado na forma de um ou dois jogadores da sua escolha. Conceição é o primeiro treinador que começa uma época com o FC Porto sem um reforço pedido. Nem um. Se nos lembramos que Co Adriaanse abandonou o barco por algo parecido há pouco mais de uma década, fica claro como as coisas mudaram no Dragão. O Porto vai para a guerra com os mesmos do ano passado, entre os que estavam e os emprestados. Nem mais nem menos.

Tudo o que suceda a partir de agora é, portanto, um milagre.
Para ser segundos o clube já tinha os Lopetegui e NES da vida. Depois de quatro anos o clube tinha de fazer um esforço para ser campeão e quebrar um ciclo nefasto. Não o fez. E o treinador será o menos culpado. Conceição pode cometer erros (vale a pena pensar na formação e no seu tratamento da mesma num futuro) de cariz táctico em determinados jogos (o esquema original já deu para perceber qual é e ninguém vem enganado) ou ter problemas de gestão de balneário. Mas sem ovos nem o melhor cozinheiro faz omeletes. O Benfica e, sobretudo, o Sporting, reforçaram-se bastante melhor e têm planteis com mais soluções para a maioria das posições. Se o Porto já não partia em superioridade face ao que havia em cada onze no ano passado, este ano o abismo aumenta. Uma lesão de Soares/Aboubakar, de Oliver, de Danilo ou de Brahimi abre um problema muito sério. São 41 jogos, o mínimo, por temporada, números que, provavelmente, se aproximem dos 50 com as Taças. E na prática há posições onde há uma solução e meia. Há três avançados centro para dois lugares segundo o esquema actual. Oliver e Otávio nunca demonstraram ter o pulmão para aguentar uma época a somar noventa minutos constantemente e nem André André nem Herrera cumprem o mesmo papel que Danilo, que deixou de ter concorrência directa. Na ala os únicos extremos puros são Brahimi, Hernâni e Corona, admitindo-se que tanto Ricardo como Layun podem dar uma mão, mas sempre obrigando a recorrer a planos B e C´s noutras posições. A manta é curta. Ponto.



Felizmente a ausência de dinheiro real - e não aquele que outros clubes movem alegremente no mercado - e o olho atento da UEFA (ficaram 37 milhões de euros por contabilizar nas vendas, um problema mais para resolver que Luis Gonçalves não soube driblar) obrigaram o clube a actuar com prudência. No caso desta SAD actuar com prudência é um bom sinal, pelo menos, salvo o caso Vaná, não houve comissionistas a beber da teta da vaca e quase metade dos excedentários encontraram colocação. O lado negativo, responsabilidade de Gonçalves - o director de futebol continua sem existir no mercado - e também de uma política que depende excessivamente da gestão de Mendes, D´Onofrio e Teixeira para que os jogadores saiam do clube, foi o facto de vários excedentes não terem sido colocados e os que foram terem aportado muito pouco ao clube, que se livra em alguns casos dos salários mas não recupera nem parte do investimento. Muito triste. Se a isso juntamos que jogadores que não vão ser titulares e podiam ter rendido bom dinheiro como Maxi, Reyes/Indi e Herrera ficaram no plantel e o buraco de 37 milhões continua aí (quando, há um ano, só Herrera, segundo o Presidente, valia mais dos 30 milhões que recusou), não se pode dizer que tenha sido um verão positivo. Só saíram dos jogadores da casa, com um futuro superior às cifras que foram pagas por eles como vão seguramente demonstrar. Muito pouco.

Na prática foi também Conceição - e tendo em conta a sua coragem e a forma como tem trabalhado acho que merece sem dúvida o beneficio da dúvida nestes casos, se teve intervenção directa na decisão - quem decidiu virar as costas à equipa B e à formação. Todos os que podiam reforçar o plantel e abrir passo a algumas saídas úteis foram "despachados". Fonseca (lateral direito), Rafa (lateral esquerdo), Mikel (médio defensivo) e, sobretudo, Rui Pedro (avançado) podiam ter sido opções úteis para complementar o plantel, mais tendo em conta as restrições da lista da UEFA. Um caso para abordar mais à frente, com paciência e perspectiva.

Conceição tem um desenho táctico que funciona claramente em Portugal - na Europa, como Jorge Jesus, o seu primeiro grande defensor, e mais tarde Rui Vitória, têm demonstrado, nem tanto - e esse é e tem de ser o grande objectivo. Até agora, por jogo e por atitude, o seu trabalho tem sido muito superior às expectativas mas o ano é largo e haverá algum momento em que olhar para o banco e ver que não há um só avançado para entrar (como tem sucedido na ausência de Soares) pode ser a morte do artista. Conceição aceitou o desafio e nós aceitamos o desafio com ele. A responsabilidade, um ano mais, mais do que nunca, tem nomes próprios e apelidos. Em Maio, se o FC Porto for campeão, nunca será tanto por culpa de um treinador e tão pouco por mérito de um Presidente. Oxalá assim seja. O espírito do Dragão que Sérgio e os jogadores têm reactivado, muito mais real e sentido que o "Somos Porto", bem o merece!

Sérgio, estamos contigo!

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Duplo alívio

Cláusula de rescisão de Ricardo Pereira (O JOGO, 24-08-2017)

Perdi a conta às inúmeras notícias, que deram a saída de Ricardo Pereira como quase certa.

Após o interesse do Tottenham (que vendeu Kyle Walker ao Manchester City), ontem era a Juventus (que vendeu Daniel Aves ao PSG) a voltar à carga e que se preparava para bater a cláusula de rescisão.

E depois de ouvir um comentador da SIC (Joaquim Rita), dizer que 25 milhões de euros eram trocos para clubes como o Tottenham e a Juventus, hoje de manhã estava à espera de ver a transferência de Ricardo Pereira confirmada.

Afinal, o valor da cláusula era uns “trocos” acima dos anunciados 25 milhões e, embora 37,5 milhões de euros não dê para os adeptos do FC Porto ficarem descansados, sempre dá para ficarem um pouco mais aliviados.

Entretanto, por volta do meio-dia de hoje, tivemos uma outra boa notícia relacionada com o Ricardo Pereira: Fernando Santos voltou a não convocar o melhor lateral direito português para os jogos com as Ilhas Faroé e a Hungria.

Como, ao contrário de outros jogadores, o Ricardo Pereira não precisa da “montra” da Seleção para se valorizar (até seria contraproducente que se valorize mais), foi com alívio que soube que o Ricardo ia continuar por cá, integrado no grupo de trabalho de Sérgio Conceição.

Obrigado Fernando Santos, só foi pena ter convocado o Danilo Pereira.

P.S. Para passarmos de um duplo para um triplo ou tetra alívio, falta a Administração da FCP SAD renovar com o Ricardo Pereira, o Aboubakar e o Ivan Marcano.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

O saldo do mercado

O mercado de Verão 2015 (entre o final da época 2014/2015 e o início da época 2015/2016) fechou.

Finalmente, pode-se fazer umas contas por alto (com base em valores aproximados) aos:
i) montantes globais gastos em compras (de passes) e empréstimos de jogadores;
ii) montantes globais das vendas efetuadas;
iii) saldos obtidos pelos diversos clubes/SADs.

Essa análise foi efetuada por diversos órgãos de comunicação social.

A que apresento a seguir foi feita pelos elementos do programa Mais Transferências da TVI e, no essencial, não difere muito das que vi noutros órgãos de comunicação social.






Programa «Mais Transferências» do dia 01-09-2015 (fonte: TVI 24)

A comunicação social (e não só), não se cansa de repetir que o FC Porto foi, entre os “três grandes”, aquele que mais gastou. É verdade.

Contudo, para ser feita uma análise completa, é preciso olhar para as duas faces da moeda. Ora, na diferença entre vendas e compras, o FC Porto é, de longe, o que tem o saldo mais positivo entre os “três grandes”.

Dito de outra forma. Com um saldo positivo (entre vendas e compras) superior a 70 milhões de euros, o que significa que gastou muito menos do que aquilo que recebeu, é mais correto dizer que o FC Porto investiu ou que desinvestiu no plantel da sua equipa de futebol?

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Regular excedentes, necessidade absoluta

A politica ambiciosa de contratações - as incorporações de Iker Casillas, Maxi Pereira, Imbula, já confirmadas e as "possiveis" de João Moutinho e Aleksander Mitrovic - dicta claramente o ritmo a que segue a planificação de temporada. Depois de um ano de investimento imediato mas sem um desembolso financeiro considerável (jogadores a custo zero e emprestados da liga espanhola) agora o objectivo é dotar de experiência e jogadores caros (seja no passe, seja no salário) para recuperar o titulo de liga e voltar a dar cartas na Europa. 

Considerações à parte sobre essa politica há algo imperioso para procurar equilibrar, de algum modo, a balança. As saidas de Danilo, Jackson, Quaresma e Casemiro desafogaram o topo da lista entre os mais bem pagos (ficou Tello), mas esta já foi imediatamente ocupada (e com juros). O caminho que o clube pode, deve e já está a seguir é um já reclamado há muito tempo, desde que se implementou uma politica de "contentores", como se chamou, onde havia um claro excedente de jogadores nos quadros do clube que não traziam nada de novo ao plantel. Esse excedente continua a existir e é preciso ser cortado pela raiz. Para um clube das nossas caracteristicas ter um Casillas ou um Moutinho (de regresso) é preciso deixar de ter, e já, muitos Carlos Eduardos, Josués, Andrés Fernandez, Opares e afins. Jogadores cuja aportação desportiva foi/é minima e que cobram o seu salário regularmente sem trazerem nada de novo. Envia-los para novos destinos (preferencialmente com vendas ou com o clube de destino responsável do seu salário) é forçoso para encontrar uma especie de equilibrio cada vez mais complicado. O FCP tem mais de duas dezenas de jogadores nos seus quadros que não pertencem ao primeiro plantel ou não estão nas contas de Lopetegui e nesta lista excluo já, à partida, os futebolistas de formação. Uma segunda equipa paralela que não faz sentido que continue nos quadros do clube. Não serve desportivamente, é um lastre económico e se é verdade que alguns vêm como algo util ter jogadores emprestados noutros clubes portugueses para manter sobre eles uma certa influência (politica popular, tanto no Porto como no Benfica desde os anos noventa), o facto de alguns desses jogadores andarem perdidos pelo estrangeiro sem qualquer seguimento anula, de certo modo, essa filosofia.

Felizmente a SAD está atenta a essa necessidade e tem trabalhado nesse sentido. 
Foi um problema que criaram - há contratações que, desde o primeiro dia, todos sabiamos que faziam pouco sentido - e que devem resolver quanto antes. O poder na gestão do plantel de Lopetegui, superior ao dos seus antecessores, também engrossou essa lista. Talvez um Vitor Pereira estivesse disposto a ficar com este ou aquele jogador, dar-lhe alguns minutos, mas Lopetegui não está pelos ajustes (ele que, também, foi responsável por algumas dessas incorporações) e sabe com quem quer trabalhar e quem não se enquadra na sua filosofia. É nessa lista que o clube tem de trabalhar para que não exista uma especie de Porto C por esse mundo fora. As saídas anunciadas de Carlos Eduardo e Kleber são um óptimo sinal nesse sentido. Ambos jogadores tiveram a sua oportunidade e, noutro cenário, podiam perfeitamente ser parte do plantel como fundo de armário. Mas no contexto actual- de elevado investimento - nota-se me excesso a diferença de qualidade que apresentam em comparação com outras opções. A venda desses dois activos representa de forma perfeita o que é necessário fazer com vários outros jogadores. Vão para mercados periféricos onde há dinheiro. O clube ingressa o que pode por apostas que não resultaram e livra-se de lhe pagar os salários. Um Win-Win em toda a regra.



A partir desse pressuposto há vários dossiers que há que trabalhar até ao final de Agosto. 
Jogadores que podem sair por empréstimo ou em venda definitiva (ainda em, alguns casos, com opção de recompra) para regular o peso do navio. Tal como as saidas da dupla de brasileiros é absolutamente lógica, também o é o empréstimo de Diego Reyes (sem opção de compra) à Real Sociedad e o eventual empréstimo de Juan Quintero ao Bologna (sem opção de compra). São jogadores que vão para os seus dois potenciais mercados (Quintero veio de Itália, Reyes assinou pelo Porto recusando equipas espanholas), exibir-se como potenciais titulares, contra rivais de nivel superior ao da liga portuguesa e que, se funcionarem, permitem ao clube negociar a partir de uma posição favorável. E - no improvável caso - de darem um importante salto de qualidade, poderão voltar ao plantel.
Distinto é o caso de Andrés Fernandez. Foi um erro de casting por assumir e agora em Granada - um clube amigo via Doyen - vai rodar para ser vendido a posteriori, a sua recuperação nem sequer se discute. A mesma situação aplica-se a Ghilas, cuja culpa de não estar no plantel é exclusivamente sua e da sua atitude (reproduzida em Espanha, aliás). Mas, cuidado com esses empréstimos. Os últimos Relatórios de Contas foram evidentes, os empréstimos dão prejuizo no modelo actual. Ou o clube que fica com o jogador para o seu salário ou o melhor é forçar a venda, ainda perdendo dinheiro à primeira vista. A SAD sabe perfeitamente dessa situação.

A partir destes nomes há uma lista variadas que podemos englobar em duas visões paralelas.
As que seguem a estela Reyes e, eventualmente, Quintero, jogadores que convém emprestar por um ano (com salário a ser pago pelo clube destinatário) para uma derradeira prova de fogo, e os jogadores que haveria de vender a todo custo de forma a aligeirar essa carga salarial. E vamos excluir a formação - Rafa, Gonçalo, David Bruno, Ivo Rodrigues, André Silva, Francisco Ramos - desta equação. Jogadores a quem um ano na equipa B já não traz nada e que podem potencialmente servir, num futuro próximo, ao plantel principal.

No primeiro grupo - a imitar o exemplo de Otávio que volta a Guimarães - estão Kayembe e Victor Garcia, contratados para a equipa B (e portanto não são formação) mas que precisam de minutos como titulares o mais depressa possível. Urge tê-los por perto, clubes portugueses, partilhando o salário mas com seguimento exaustivo. A prova dos nove.

No segundo falariamos de Josué (outro erro de casting), Kelvin, Caballero (emprestado a um clube suiço sediado no Lieschtein pela alma de quem?), Ricardo Nunes, Tiago Rodrigues (idem), Quiño, Ba, Djalma, Sami, Licá, Bolat, Opare, Rolando, Pedro Moreira, Izmailov e o inanarrável Adrian Lopez. Futebolistas que - por um motivo ou outro - não deveriam ter pertencido aos quadros em primeiro lugar (excepção feita a Kelvin e Rolando) e que são um peso morto para as finanças do clube. Se queremos contar com Casillas e Moutinhos é aqui onde temos de começar a cortar.

São, mais homem menos homem, quinze futebolistas a que podemos juntar ainda outros dos quais detemos percentagens nos passes que convinha que nos livrassemos num futuro não muito distante e que todos os anos lá vão aparecendo no Relatorio de Contas (Walter, olá). Uma autêntica equipa C que só nos prejudica. Se algum desses jogadores for realmente bom para o futuro (e há muito poucos que encaixam nesse perfil) então que se vendam com opção de recompra. Tal foi feito, por exemplo, com o Tozé que encaixa no perfil do Sergio Oliveira. Veremos daqui a um par de anos como se safa em Guimarães. Um FC Porto com um plantel principal de 24 jogadores e uma equipa B que faça a ponte com outros tantos jogadores - incluindo meia dúzia que saltem, nos treinos e convocatórias - entre um e outro, é o cenário ideal. A esse juntem meia dúzia de jogadores que não encaixam na B mas ainda não servem para A e temos o plantel ideal para o FC Porto do futuro. 

Tudo o resto são, inevitavelmente, sobras. Sobras caras e que em nada ajudam as contas no fim do trimestre. A SAD está a fazer o trabalho de casa como os sinais do mercado têm evidendiciado. Têm um mês e meio para dar vazão aos restantes jogadores. Estaremos atentos!

domingo, 7 de junho de 2015

Saídas e Entradas (I)

SAÍDAS (3):

Danilo (Real Madrid) – dos 31,5 M€ pagos pelo Real, entraram nos cofres da FCP SAD cerca de 26,7 M€ (correspondentes a 3,56 M€ do valor contabilístico do atleta + 23,1 M€ da mais-valia comunicada).

Casemiro (Real Madrid) – 7,5 M€ pagos pelo clube espanhol (presumivelmente limpos de encargos).

Óliver (Atlético Madrid) – fim do empréstimo (que não tinha opção de compra) e regresso do jogador a Madrid.


ENTRADAS (4):

André André, Bueno, Sérgio Oliveira, Carlos Eduardo

Sérgio Oliveira (Paços Ferreira) – a FCP SAD terá investido cerca de 0,5 M€

Carlos Eduardo (Nice, França) – fim do empréstimo (o Nice não tinha opção de compra) e regresso ao Porto.

Alberto Bueno (Rayo Vallecano, Espanha) – jogador livre (estava em fim de contrato).

André André (Vitória Guimarães) – 1,5 M€ (valor da cláusula de rescisão).


BALANÇO

É demasiado cedo para fazer balanços. Falta um mês para o arranque da nova época e mais de dois meses para o primeiro jogo oficial. Daqui até lá, irão existir imensos rumores, muitas entradas e saídas e, inclusivamente, não é certo que Óliver saia mesmo, bem como, que as quatro "entradas" fiquem todos no plantel 2015/2016.

Para já, parece claro que o FC Porto terá de ir ao mercado para arranjar um médio defensivo, porque nenhum dos quatro jogadores regressados/contratados tem essas características e Rúben Neves ainda não está preparado para ser o Nº 6 titular dos dragões.

sábado, 3 de janeiro de 2015

O mercado dos emprestados

Tiago Rodrigues (ex-Vitória Guimarães), que jogou a primeira parte desta época no FC Porto B, vai ser emprestado ao Nacional da Madeira.
Parece-me bem.

Olhando para outras hipóteses, referidas nos últimos dias…

O JOGO 28-12-2014 e 02-01-2015

Kelvin emprestado a um clube brasileiro.
Parece-me mal. Kelvin precisa de “crescer” como homem, amadurecer como jogador, melhorar a sua cultura táctica e o Brasil não é o melhor sítio para isso. Um clube europeu seria muito melhor.

Diego Reyes e o interesse do Parma.
Parece-me muito bem. Reyes precisa de jogar com regularidade para evoluir (o campeonato italiano é muito exigente do ponto de vista defensivo) e, nesta altura, é o 4º defesa-central do plantel principal. Além disso, se necessário, Lopetegui poderia recorrer a Igor Lichnovsky, jovem internacional chileno que joga na equipa B.

Daniel Opare.
Parece-me bem que o internacional ganês seja emprestado, se possível a um clube que pague o seu ordenado. Para Lopetegui, a alternativa a Danilo é Ricardo Pereira. Ponto final.

O JOGO, 03-01-2015

Ricardo Nunes e o interesse da Académica.
Parece-me bem o empréstimo, se possível a um clube que pague o seu ordenado. Com a recuperação plena do Helton, não faz sentido o plantel principal manter quatro guarda-redes.

sábado, 6 de setembro de 2014

Saídas e Entradas: as contas finais

Depois de ter feito um balanço a meio de Agosto…


… vamos agora às contas finais.


SAÍDAS DO PLANTEL 2013/2014 (10):
Fucile | Fim de contrato | Nacional Montevideo (Uruguai) | encaixe: 0
Abdoulaye | Empréstimo | Rayo Vallecano (Espanha) | encaixe: ??
Mangala | Venda do passe (57%) | Manchester City (Inglaterra) | encaixe: 30,5 M€
Fernando | Venda do passe (90%) | Manchester City (Inglaterra) | encaixe: 13,5 M€
Defour | Venda do passe (57%) | Anderlecht (Bélgica) | encaixe: 3,4 M€
Carlos Eduardo | Empréstimo | Nice (França) | encaixe: ??
Josué | Empréstimo | Bursaspor (Turquia) | encaixe: ??
Licá | Empréstimo | Rayo Vallecano (Espanha) | encaixe: ??
Varela | Empréstimo | West Bromwich Albion (Inglaterra) | encaixe: ??
Ghilas | Empréstimo | Córdoba (Espanha) | encaixe: ??


OUTRAS SAÍDAS (8):
Bolat (Kayserispor, Turquia) | Empréstimo | Galatasaray (Turquia) | encaixe: ??
Quiñones (FC Porto B) | Empréstimo | Penafiel (I Liga) | encaixe: 0
Castro (Kasimpasa, Turquia) | Venda do passe | Kasimpasa | encaixe: 2 M€
Izmaylov (FK Qäbälä, Azerbeijão) | Empréstimo | FC Krasnodar (Rússia) | encaixe: ??
Djalma (Konyaspor, Turquia) | Empréstimo | Konyaspor | encaixe: ??
Iturbe (Verona, Itália) | Venda do passe (45%) | Verona | encaixe: 6,75 M€
Sami (Marítimo) | Empréstimo | SC Braga (I Liga) | encaixe: 0
Kléber (FC Porto B) | Empréstimo | Estoril (I Liga) | encaixe: 0


CASOS NÃO RESOLVIDOS (2):
Rolando (Inter, Itália) | ??? | ??? | encaixe: ??
Tiago Rodrigues (Vitória Guimarães) | ??? | ??? | encaixe: ??


ENTRADAS (16):
Ricardo | Académica | Custo do passe: 0
Andrés Fernández | Osasuna | Custo do passe: 1,6 M€
Opare | Standard Liège | Custo do passe: 0
Martins Indi | Feyenoord | Custo do passe: 7,7 M€
Iván Marcano | Rubin Kazan| Custo do passe: 2 M€
José Ángel | AS Roma | Custo do passe: 0
José Campaña | Sampdoria | Empréstimo
Casemiro | Real Madrid | Empréstimo
Brahimi | Granada | Custo do passe (20%): 1,5 M€
Evandro | Estoril | Custo do passe: 1 M€ (?)
Óliver Torres | Atletico Madrid | Empréstimo
Otavio | Internacional Porto Alegre | Custo do passe (50%): 3,25 M€
Tello | FC Barcelona | Empréstimo: 1 M€ (1º ano empréstimo)
Sami | Marítimo | Custo do passe: 0
Ádrian López | Atletico Madrid | Custo do passe (60%): 11 M€
Aboubakar | Lorient | Custo do passe (30%): 3 M€


Feitas as contas (de acordo com os valores que vieram a público) ao que a FC Porto SAD gastou nas 16 contratações que efetuou, chega-se a um valor – 32 milhões de euros – ligeiramente acima do encaixe que a SAD obteve com a venda, ao Manchester City, de 56,7% do passe de Mangala.

E, para além da transferência de Mangala, do lado das receitas a FC Porto SAD irá encaixar mais cerca de 4,5 milhões de euros – 3,4 milhões de euros correspondentes a 56,7% do passe de Defour e 1,5% do valor da transferência de James do AS Monaco para o Real Madrid (cerca de 1,2 M€).

Total do encaixe com transferências (época 2014/2015): 35 M€.

Importa salientar que, do lado das receitas, não incluí os encaixes com as vendas dos passes de Otamendi, Iturbe, Castro e Fernando, os quais perfazem cerca de 34 milhões de euros, mas que irão ser contabilizados nas contas do exercício 2013/2014.

Ao contrário do que já li e ouvi N vezes, estes números demonstram ser falso que a FC Porto SAD tenha vendido pouco e investido muito mais do que em anos anteriores. Quiçá terá investido é melhor, numa lógica de qualidade / preço.


Nota: Nos valores apresentados não foram consideradas as comissões e/ou outros encargos dos negócios.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Rescaldo do defeso

Tendo fechado o período de inscrições na 2a feira, podemos (finalmente...) fazer um rescaldo das movimentações de mercado. 

1) A contratação mais relevante de todas dá pelo nome de Lopetegui: como bem sabemos, um bom treinador pode potencializar um plantel limitado e um mau treinador pode destruir um bom plantel. Ora como já aqui tinha dito, confesso que não fiquei nada entusiasmado com a escolha - preferindo de longe apostar num treinador com estatuto e experiência. Espero naturalmente que, apesar disso, as coisas lhe corram muito bem, e seria óptimo que ficasse pelo menos 3 anos de forma estabilizar e, quem sabe, finalmente potencializar a formação. Entre os dados iniciais houve algumas coisas de que gostei, outras de que desgostei - mas acima de tudo penso que sera' preciso algum tempo para perceber se temos ali bom TREINADOR ou não, e' muito prematuro.

2) Desportivamente, estou contente com o plantel - que e' obviamente melhor do que o do ano passado (embora o «11 tipo» nao seja necessariamente melhor; a ver vamos, até porque ainda nem sequer sabemos qual será a equipa base; há sim, sem qualquer dúvida, melhores opções no banco). Dito isto acho que está um bocadinho desequilibrado, por exemplo com médios a mais e extremos a menos. Acho também que é mais jovem do que o ideal, esperemos que isso não seja um handicap (acima de tudo na LC e nos jogos ditos «grandes»).

3) Acho q houve exagero no # de contratações. Pessoalmente e retrospectivamente até entendia que se chegasse a uma dezena de contratacões... mas não uma quinzena, uma autêntica revolução no plantel (daí a escolha da foto que ilustra este artigo, já agora). Sem querer entrar aqui em detalhes, parece-me que contratações como um dos dois GRs, um dos meiocampistas, um dos centrais e Sami (e mais uma ou outra) foram contratações escusadas.

Desportivamente, isso traz como consequências negativas a necessidade de mais tempo para se ganhar entrosamento, menos "cheiro da casa", e um balneário (leia-se "expectativas") um pouco mais dificil de gerir. Financeiramente, traduz-se a meu ver em algum desperdicio não negligenciável de dinheiro e em mais uma fuga para a frente (ainda que em moldes diferentes do que é costume, apostando-se mais na folha salarial ainda que sem travar muito a fundo o investimento em passes) o que complica um pouco mais a situação daqui a um ano e de médio prazo (já agora, não demorou muito a que as intenções declaradas da SAD em fazer contenção de custos fosse mandada às malvas, como começa a ser tradição) - ainda que não me parece que se possa chegar ao ponto do descalabro, longe disso (pelo menos a curto prazo, i.e. 1 ou 2 anos). Mas acho que é pena que se continue a «mandar para o lixo» todos os anos uma dezena de milhões em juros de empréstimos: reduzir este montante de forma gradual, com critério e palautinamente seria uma vantagem estratégica e orgânica sobre os rivais, mas está visto que não vai acontecer.

A nível "micro" houve algumas contratações que me agradaram bastante (em particular Brahimi, Tello e Casemiro), outras assim-assim e outras a que torci o nariz. Sublinho que quando digo «contratações» quero dizer isso mesmo e não «jogadores»: às vezes há jogadores de que gosto mas cuja contratação não me agrada, e outras em que o jogador não me entusiasma mas a contratação agrada; tudo depende do contexto, como custo, moldes da contratação, alternativas no plantel.

4) Acho também que houve exagero no # de emprestados. Há muito tempo que defendo que se «pesque» um ou outro emprestado com qualidade comprovada mas estejam tapados num «tubarão», e para posições deficitárias ao nível de titulares; foi precisamente isso que fizémos com Tello e Casemiro, o que aplaudo. Mas... cinco ou seis já me parece exagero (menoriza-se o potencial de vendas, e torna-se mais difícil gerir o balneário).

5) No que diz respeito aos «mares em que se pescou», não me agradou o que me pareceu ser um certo provincianismo de Lopetegui, ao parecer estar 90% concentrado no mercado espanhol só por o conhecer melhor (e ainda por cima, não me parece absolutamente nada que seja nesse mercado que tenhamos o melhor "value for money", sendo dos 2 mercados mais mediáticos do mundo; o que não invalida que estivesse à espera de DUAS ou TRÊS contratações bem «sacadas» fruto da vinda de Lopetegui, mas não uma carrada delas). No entanto, a aposta em Rúben Neves mostra que certamente nao sera' «autista», e verdade seja dita q os interesses de Jorge Mendes também contribuiram para se apostar acima de tudo nesse mercado, como factor secundário (por exemplo, não sei até que ponto Lopetegui terá tido influência na vinda de Adrian, é pouco provável).

6) Ainda sobre a formação do plantel e Lopetegui, também não me agradou ver certos indícios dele "entrar como um elefante numa loja de porcelana" (Helton, Ghilas, ...). Não sei se isso será devido a só ter experiência no que diz respeito a gerir putos, e em selecções; há muitos dados que nao temos... mas seja como for, espero que ele demonstre daqui para a frente saber ter tacto suficiente e ser humilde/flexível q.b., sabendo dar o braço a torcer aqui e ali.

Resumindo e concluindo, as expectativas sao relativamente altas: se nao ganharmos o campeonato vai haver grande frustração, ainda mais do que já é normal, já que temos um bom plantel; e provavelmente nunca tivemos nos últimos 20 anos um plantel tão associado a um treinador (o que quer dizer que se não formos campeões dificilmente ele se aguenta). 

No que diz respeito à avaliação do trabalho de Lopetegui acho que será preciso pelo menos alguns meses para se poder ter opinião formada, até porque é muuuito jogador novo (para além dele próprio precisar de se ambientar e, também ele, aprender o que é ser treinador num clube como o FCP, uma experiência nova na sua carreira).

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

As últimas horas do mercado

A evolução do mercado, no DN.pt, até às 23:59 do dia 1 de Setembro…

22.45 - A Sampdoria anunciou a transferência de José Campaña para o Dragão, por empréstimo, conforme antecipou o DN.

22.15 - Rolando foi inscrito pelo FC Porto na Liga, mas não deverá ser reintegrado no grupo de trabalho.

22.10 - Segundo apurou o DN, o Estoril pode ser a solução para o futuro de Kléber.

22.05 - O mercado fechou em Itália e, com ele, a última possibilidade de Rolando não ficar um ano a treinar-se sozinho no Porto.

21.42 - Ghilas já está em Espanha e assinou contrato de um ano pelo Córdoba, confirmou o DN. O avançado argelino sai por empréstimo, sem opção de compra. O clube da Liga espanhola fica com a carga salarial do ponta-de-lança.

21.30 - O FC Porto optou por emprestar Sami ao Sporting de Braga, confirmou o DN, apesar de o Rio Ave também ter pedido o jogador. O empréstimo será válido por um ano e grande parte dos vencimentos estará a cargo dos minhotos. O FC Porto propôs Kléber aos vilacondenses, mas o vencimento do avançado brasileiro é excessivo.

21.15 - O FC Porto confirmou, através do Porto Canal, a contratação de Otávio, que assinou por cinco épocas e fica com cláusula de rescisão de 50 milhões de euros. O negócio terá sido de baixo custo, ao contrário dos números veiculados no Brasil, por isso não foi declarado à CMVM, embora a documentação ainda possa ser encaminhada.

21.00 - O FC Porto está à beira de fechar a contratação de José Campaña, apurou o DN.

20.22 - Ghilas, do FC Porto, está de saída para o futebol espanhol, apesar de o Sporting de Braga o ter pedido emprestado. Os dragões ainda procuram colocar Kléber.

19.42 - Sergi Darder, médio-defensivo do Málaga que está em estágio com a seleção de sub-21 de Espanha, aguarda um telefonema para saber se fica na Andaluzia ou se ruma ao FC Porto. Os dragões mostram relutância em chegar aos 10 milhões de euros exigidos pelo clube, mas Darder já fez saber que quer ingressar no Dragão.

19.15 - Otávio, após cumprida a bateria de exames médicos, vai ser oficializado pelo FC Porto. Segundo apurou o DN, os dragões ainda devem apresentar mais um médio nesta segunda-feira.

19.12 - O Aves já inscreveu Pius, emprestado pelo FC Porto, e Rui Fernandes, este último uma revalidação contratual.

19.09 - O Desp. Chaves confirma as chegas de Stefanovic, do FC Porto, e de Guzzo, do Benfica, junto da Liga.

19.00 - Foram registados mais 14 contratos na Liga. O FC Porto inscreveu o ponta-de-lança camaronês Aboubakar e o guarda-redes mexicano Raul Gudiño.

18.42 - Rolando não vai rumar ao Everton, confirmou o DN. A sondagem do clube inglês não chegou nem perto dos 10 milhões de euros exigidos pelos dragões.

18.30 - O lateral-esquerdo Quiñones, do FC Porto, vai ser emprestado ao Penafiel, por uma época. O clube penafidelense vai pagar parte do salário do colombiano.

17.35 - Tiago Rodrigues, do FC Porto, rejeitou ser emprestado ao Boavista. O Cluj pediu o seu empréstimo por uma época, mas o médio de 22 anos ainda não tem colocação.

17.33 - O Nice oficializou a contratação de Carlos Eduardo, do FC Porto, por empréstimo, sem opção de compra.

17.17 - Otávio, médio criativo do Internacional, já está na cidade do Porto, onde está a cumprir exames médicos antes de assinar pelos dragões. O atleta vai assinar até 2019.

17.05 - O Desp. Chaves confirma que se reforçou nos "grandes": Stefanovic, do FC Porto, e Guzzo, do Benfica, chegam por empréstimo.

16.55 - O Málaga resiste à investida do FC Porto por Sergi Darder, a prioridade de Lopetegui para o meio-campo após falhada a aquisição de Clasie. Ignacio Camacho também interessa, mas é igualmente caro. Há mais soluções no futebol europeu e no futebol sul-americano, sendo que Lopetegui prefere um conhecido seu.

16.43 - Depois de Caballero, o Desp. Aves recebe mais um jogador do FC Porto B, agora o central nigeriano Junior Pius, que na época passada era júnior.

16.37 - Sp. Braga e Rio Ave lutam pelo empréstimo de Sami, do FC Porto. O avançado guineense não cabe nos planos de Lopetegui. Os dragões têm ainda dois pontas-de-lança por colocar: Kléber e Ghilas, que juntos custaram mais de sete milhões de euros.

16.20 - O FC Porto vai fechar nesta segunda-feira a contratação de Otávio, médio criativo proveniente do Internacional, mas Lopetegui ainda espera um médio-defensivo. Para já não há qualquer nome na iminência de ser confirmado.

16.12 - Como o DN noticiou na véspera, o FC Porto está a tratar das cedências de Kelvin e Carlos Eduardo ao futebol francês: o primeiro para o Évian, o segundo para o Nice. Carlos Eduardo também tinha mercado em Espanha.

16.10 - O FC Porto ainda tem a casa por "arrumar". O Everton perguntou o preço de Rolando, os dragões pedem 10 milhões de euros. A equipa de Liverpool não se dispõe a chegar a tanto.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Saídas e Entradas: sob o signo do 23

SAÍDAS DO PLANTEL 2013/2014 (8):
Fucile | Fim de contrato | Nacional Montevideo (Uruguai) | encaixe: 0
Abdoulaye | Empréstimo | Rayo Vallecano (Espanha) | encaixe: ??
Mangala | Venda do passe (57%) | Manchester City (Inglaterra) | encaixe: 22 M€
Fernando | Venda do passe (90%) | Manchester City (Inglaterra) | encaixe: 13,5 M€
Josué | ??? | ??? | encaixe: ??
Licá | Empréstimo | Rayo Vallecano (Espanha) | encaixe: ??
Varela | ??? | ??? | encaixe: ??
Ghilas | ??? | ??? | encaixe: ??


OUTRAS SAÍDAS (8):
Bolat (Kayserispor, Turquia) | Empréstimo | Galatasaray (Turquia) | encaixe: ??
Rolando (Inter, Itália) | ??? | ??? | encaixe: ??
Castro (Kasimpasa, Turquia) | Venda do passe | Kasimpasa | encaixe: 2 M€
Tiago Rodrigues (Vitória Guimarães) | ??? | ??? | encaixe: ??
Izmaylov (FK Qäbälä, Azerbeijão) | Empréstimo | FC Krasnodar (Rússia) | encaixe: ??
Djalma (Konyaspor, Turquia) | Empréstimo | Konyaspor | encaixe: ??
Iturbe (Verona, Itália) | Venda do passe (45%) | Verona | encaixe: 6,75 M€
Kléber (FC Porto B) | ??? | ??? | encaixe: ??


ENTRADAS (12):
Ricardo | Académica | Custo do passe: 0
Andrés Fernández | Osasuna | Custo do passe: 2 M€
Opare | Standard Liège | Custo do passe: 0
Martins Indi | Feyenoord | Custo do passe: 7,7 M€
José Ángel | AS Roma | Custo do passe: 0
Casemiro | Real Madrid | Empréstimo
Brahimi | Granada | Custo do passe (20%): 1,5 M€
Evandro | Estoril | Custo do passe: ??
Óliver Torres | Atletico Madrid | Empréstimo
Tello | FC Barcelona | Empréstimo: 1 M€
Sami | Marítimo | Custo do passe: 0
Ádrian López | Atletico Madrid | Custo do passe (60%): 11 M€


Os encaixes com as vendas dos passes de Iturbe, Castro e Fernando perfazem cerca de 22 milhões de euros, mas irão ser contabilizados nas contas do exercício 2013/2014.

A confirmar-se a transferência de Mangala para o Manchester City, por 40 milhões de euros, a FC Porto SAD irá encaixar outros 22 milhões de euros, esses sim, já contabilizados nas contas da época 2014/2015.
Ainda do lado das receitas, o FC Porto terá também direito a receber 1,5% do valor da transferência de James para o Real Madrid (cerca de 1,2 M€).

Por coincidência (ou talvez não), fazendo as contas aos valores (que vieram a público) das 12 entradas para a época 2014/2015, chega-se ao mesmo valor das receitas: 23,2 M€.

Mas ainda faltam 23 dias até ao fim de Agosto (e na Rússia o mercado só encerra no dia 3 de Setembro).

Nota: Nos valores apresentados não foram consideradas as comissões e/ou outros encargos dos negócios.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

SAD não precisa de vender Mangala e/ou Jackson

05-02-2014
A Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD, informou ter chegado a acordo com o Valencia Club de Fútbol, para a cedência dos direitos de inscrição desportiva de Otamendi, pelo valor de 12.000.000 € (doze milhões de euros).
Este acordo prevê o pagamento de uma remuneração variável, pelo que o montante global a receber poderá atingir os 15.000.000 € (quinze milhões de euros).

09-05-2014
O Kasimpasa oficializou a contratação, a título definitivo, de André Castro. Através do seu site, o clube turco revelou que o contrato com o ex-jogador portista é por três anos (estende-se até 2016/2017).
Os valores envolvidos na operação não foram referidos (a comunicação social referiu que o negócio envolve verbas na ordem dos três milhões de euros), mas sabe-se que Castro tinha sido cedido por empréstimo, com direito a opção de compra por parte do clube turco.

22-05-2014
A Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD, informou que o Hellas Verona Football Club exerceu a opção de compra dos direitos de inscrição desportiva de Iturbe, pelo valor de 15.000.000 € (quinze milhões de euros).

O JOGO, 23-05-2014

Resumo do encaixe da FC Porto SAD, com empréstimos e transferências, no exercício 2013/2014 (de 1 de Julho de 2013 a 30 de Junho de 2014):
- Rolando (empréstimo ao Inter): 1 milhão de euros
- Atsu (transferido para o Chelsea): 4 milhões de euros
- Otamendi (transferido para o Valência): 12 milhões de euros
- Castro (transferido para o Kasimpasa): 3,5 milhões de euros
- Iturbe (transferido para o Hellas Verona): 6,75 milhões de euros

Total (até 23-05-2014): aprox. 27 milhões de euros

O JOGO (capa), 23-05-2014
Para além destes jogadores, há o caso de Fernando, cuja saída (para Inglaterra) a RTP e O JOGO dão como certa (O JOGO fala numa verba que deverá rondar os 20 milhões de euros).

Entretanto, em 18 de Maio, em declarações à imprensa italiana, Piero Ausilio, diretor desportivo do Internazionale, afirmou: “Queremos manter o Rolando connosco, mas não vamos perder a cabeça. O Rolando vai fazer 29 anos e negociar com o FC Porto pode não ser fácil. Mas é verdade que queremos que ele continue connosco e esperamos que a nossa vontade e a vontade do jogador tenham algum peso nas negociações.

A imprensa italiana referiu que o Inter está disposto a oferecer até 5 milhões de euros pelo passe de Rolando.

Ou seja, a confirmaram-se as vendas dos passes de Fernando e Rolando (por montantes próximos dos referidos), o encaixe total da FC Porto SAD, com empréstimos e transferências, irá saltar para valores na ordem dos 45 a 50 milhões de euros.

Isto significaria que a FC Porto SAD fecharia o exercício 2013/2014 com um resultado líquido positivo, sem necessitar de vender mais qualquer jogador, nomeadamente os muito falados Mangala e Jackson Martinez.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Fazer igual é fazer pior

Havia muitos portistas, talvez a maioria, que não gostava de Vítor Pereira. Ou melhor, penso que não tinham nada contra o Vítor Pereira, mas não gostavam do modelo de jogo que ele implementou no FC Porto (apesar da conquista de dois campeonatos e de apenas uma derrota em 60 jogos).

Embora discordando desses portistas (eu pertenço à minoria que defendia a renovação com Vítor Pereira), compreendo as criticas que faziam e as legitimas expectativas que tinham num novo treinador, que trouxesse um tipo de futebol mais atrativo, mais entusiasmante, mais ofensivo, com mais golos e que apostasse mais em jogadores como Iturbe ou Kelvin.

Lendo o que se ia escrevendo nas redes sociais, percebia-se que a pré-temporada e, principalmente, a digressão à Colômbia e Venezuela, alimentou o entusiasmo, reforçado pelo 1º jogo oficial, em que o FC Porto venceu e convenceu o Vitória Guimarães por 3-0.

O grande receio era o mercado e as constantes notícias que davam como quase certas as saídas de Mangala, Fernando e Jackson.


No início de Setembro, após o fecho do mercado, o novo treinador do FC Porto elogiou o arranque de temporada da sua equipa, mostrou enorme satisfação por, ao contrário do que tem sido habitual em anos anteriores, não ter saído nenhum jogador importante na reta final do mercado e afirmou publicamente que “não podia ambicionar mais”.


No dia 5 de Setembro, num artigo de opinião, escrevia-se o seguinte no jornal O JOGO:
«O mercado das entradas e saídas relevantes fechou para o FC Porto com uma antecedência invulgar, apresentando soluções imediatas para quase todas as questões que transitavam da época anterior. Para além de colmatar de pronto as saídas de Moutinho e James (também elas atempadas), a SAD deu ao novo treinador a tal sombra de Jackson (ainda não requisitada), preencheu um meio-campo deficitário e encontrou uma alternativa aos titularíssimos das laterais. (…) o momento do balanço não deixará de fazer justiça a um dos mercados melhor e mais rapidamente controlados pela SAD. Desta vantagem teórica sobre a concorrência sobe, pois, uma fasquia que Paulo Fonseca, mais artilhado do que Vítor Pereira (que perdeu Falcao e Hulk nos descontos) em qualquer uma das épocas, dificilmente contornará: fazer igual é fazer pior.»

Na véspera da estreia na Liga dos Campeões, respondendo aos elogios do treinador do Austria de Viena, Paulo Fonseca afirmou: “Podemos, devemos e vamos jogar mais”.


Infelizmente, daí para cá não se pode dizer que a equipa tenha melhorado e esteja a jogar mais, bem pelo contrário.

Perante tantas expectativas, incluindo do próprio Paulo Fonseca, o que está a falhar?

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Crise? Qual crise?

Agora que os mercados fecharam em quase todo o lado, os plantéis finalmente começam a tomar contornos definitivos.

A Premier League consolida cada vez mais o papel destacado de liga rica da Europa: neste defeso os clubes ingleses gastaram mais de 720M€ em passes (facilmente batendo o recorde de 2008), mas o mais importante é que tiveram um investimento líquido (descontando as vendas) de 460M€ - alimentado em grande parte pela venda de direitos de TV (mas não só).

A seguir e a grande distância vêm os clubes espanhóis e italianos ex-aequo (390M€ cada, 25% dos quais só para o Bale), franceses (315M€, dos quais metade no Mónaco) e alemães (270M€) – não tenho dados para a Rússia, mas estou certo que vem mais abaixo. Salvo erro o dinheiro gasto em passes subiu em todos esses países neste defeso.

Não tenho dados para o investimento líquido nessas ligas, mas terá sido certamente uma pequena fração dos 460M€ na Premier League, se é que foi positivo. De assinalar também que o grosso do investimento nessas ligas foi muito mais concentrado num punhado de clubes do que em Inglaterra.

É por o dinheiro estar acima de tudo em Inglaterra que é importante que os não-comunitários contratados pelo FCP sejam titulares na sua seleção (um critério fundamental para poderem lá jogar – a FA abre excepções, como foi o caso do Anderson, mas são isso mesmo, excepções). É possível que tenha sido por causa disso que Fernando não tenha sido agora transferido para lá, e é um factor que poderá eventualmente limitar o «leilão» numa venda futura de Jackson (ele que está tapado por Falcão na seleção).

De resto e falando do FCP, acabou por não haver nenhuma saída de titulares habituais (nem mais nenhuma contratação, havendo quem suspirasse por um extremo). Boa notícia, excepto talvez no caso de Fernando (por mim tinha-o vendido por ofertas superiores a 10M€... agora é extremamente urgente 1. renovar contrato e 2. trabalhar seja o jogador seja a táctica, de forma a maximizar a sua utilidade na equipa).

Com as saídas de Ba e T. Rodrigues para o Guimarães e de Iturbe para Verona, o plantel concluiu o seu emagrecimento. De assinalar que um impacto da saída do primeiro junto com as saídas de Atsu (bem vendido) e Castro, voltamos a ter um único jogador formado no FCP no plantel: Josué (que depois de ter sido dispensado há 2 anos foi comprado outra vez, qual filho pródigo regressado a casa).

Isso, junto com um recorde negativo de portugueses no plantel (4 apenas, incluindo o Josué), limita o treinador nas inscrições para a UEFA, e penso que terá sido uma das razões para termos o plantel mais curto da última década: 24 jogadores.

Mesmo assim nem todos poderão ser inscritos na UEFA (salvo erro 3 ficarão de fora, já que pelo que vi nenhum dos estrangeiros do plantel fez 3 épocas completas em Portugal até aos 21 anos), já que só há 17 inscrições livres estando mais 4 reservadas para prata da casa (usamos apenas uma) e outras 4 para jogadores formados em Portugal (das quais vamos usar 3), o que é pena. Para além de Bolat (certinho que fica de fora), não é óbvio quem escolher à partida sabendo-se que até Janeiro não pode haver alterações... penso que a escolha será entre Izmaylov e C. Eduardo; e entre Kelvin e Ricardo. 21 parece-me curto... em última instância teremos que recorrer a adaptações ou prata da casa sub21 que jogue na equipa B (que podem ser inscritos na UEFA).


De resto estou curioso para ver o R&C da slb SAD daqui a uns meses, já que - apesar de não se poderem dar a esse luxo, a não ser à custa de carregar ainda mais o endividamento, já de si muito elevado - investiram muito mais do que encaixaram em vendas, nomeadamente 25M€. Será que daqui a um ou dois anos teremos uma repetição do «estouro» que vimos agora no outro lado da 2a circular?

terça-feira, 16 de abril de 2013

Um plantel para o futuro

Parece evidente que o FC Porto é cada vez mais um clube com um modelo de negócio muito bem definido e que nos tem trazido não só resultados no relvado como reconhecimento internacional. Descobrir jogadores, transformá-los em futebolistas de primeira ordem e vendê-los por uma pequena fortuna foi, durante quase uma década, o nosso trademark mundial.

A Europa não conhece o FC Porto pela metamorfose de "andrades" a "dragões", nem pelos "raçudos do Norte" ou pela fortaleza do espirito de balneário. Somos negociantes de primeira, na descoberta e na revenda do producto e com James Rodriguez, Jackson Martinez, Eliquiam Mangala e Alex Sandro, temos quatro novos jogadores para somar uma boa maquia nos próximos dois anos.

E no entanto, essa política, em si mesma, não pode ser exclusiva para um clube que aspira a tudo. Porque o FC Porto deve sempre aspirar a tudo. A vencer a Liga e a Taça ano sim e ano também. E sobretudo a melhorar as suas performances europeias. Se isso não suceder todos os anos - em Portugal só há, racionalmente, uma equipa que aspira ao mesmo - não é necessário fazer um drama, pedir cabeças e montar a guilhotina. Mas também é preciso ter consciência de que as distância se encurtam, sobretudo porque o rival copiou bem o nosso modelo de negócio e já pouco nos separa deles nesse capitulo. Numa era global é cada vez mais fácil a um miúdo de 18 anos saber quem é o James ao mesmo tempo que os olheiros de clubes europeus e só a falta de interesse em arriscar directamente por parte dos grandes tubarões permite a sobrevivência da classe média europeia e esses negócios de ouro. O que nós fazemos também já o fazem em Itália (Napoli, Udinese, Fiorentina), França (Lyon), Holanda (PSV) e Espanha (Atlético Madrid, Sevilla) relativamente bem. Nós ainda temos algumas vantagens, em determinados mercados, e a certeza a agentes e jogadores que passar pelo FCP faz bem ao curriculum, garante uma exposição regular na elite europeia, dinheiro a tempo e horas e títulos. Mas essas estâncias estão destinadas a ser cada vez mais curtas e o clube tem de pensar mais a médio e longo prazo. Reforçar a espinha dorsal da equipa com os Moutinhos de hoje e de amanhã.


Em 2002/03 o FC Porto estava mal financeiramente e desportivamente.
A construção do estádio do Dragão dava pouca margem de manobra na tesouraria e o maior hiato sem títulos nacionais desde o início do mandato de Jorge Nuno Pinto da Costa era algo que parecia pressagiar o fim. Foi o principio de uma nova era. Sobretudo porque o engenho de uma excelente equipa directiva nos escritórios da SAD, de um treinador de excelência (habilmente pescado pela mesma equipa) e a falta de dinheiro fresco nos levou a olhar para dentro. Para o mercado português. E recrutar entre jovens promessas e jogadores, aparentemente subvalorizados, os mecanismos dos nossos maiores anos. Neste contexto em que há cada vez menos liquidez para ir ao Brasil ou Argentina, e em que sabemos que o Benfica sabe fazer precisamente o mesmo, mais do que nunca devemos pescar dentro de fronteiras o que ainda há de bom no futebol português. É verdade que a formação lusa actual está em piores condições que em 2002. Que a qualidade média do futebolista estrangeiro decaiu. E que a nossa formação vive numa permanente interrogação. Mas em 2002, nas bancadas das Antas, durante um jogo de pré-época, ouvi vários sócios veteranos queixarem-se de Paulo Ferreira, Nuno Valente, Maniche ou Derlei. Os mesmos que olharam para o lado quando contratamos um jogador que nunca tinha actuado em Portugal chamado Costinha. Ou os que acharam digno de uma jogada encarnada, ir buscar César Peixoto depois de uma grande exibição contra nós no Restelo. Esses negócios, baratos e com um enorme potencial - não só financeiro mas, sobretudo, desportivo, permitiram criar um esqueleto que esteve por detrás do nosso sucesso europeu.
Quando Mourinho se foi embora, deixou atadas a compra de Pepe e tinha já na antecâmara Raul Meireles e José Bosingwa para render Paulo Ferreira e Maniche no onze titular. Nomes que não só nos deram triunfos no relvado como permitiram significativos encaixes de transferência.

Nem sempre vai haver dinheiro para pagar 9 milhões por Jackson, quase 20 milhões por Danilo ou 14 por Alex Sandro. O risco é cada vez maior e a margem de erro diminui a cada Verão que passa. O plantel de este ano pagou esse preço. Sem dinheiro fresco, há poucas camisolas à disposição do técnico e a equipa B ainda é um projecto demasiado verde para ser uma alternativa real. Com jogadores de 10 a 20 milhões mas poucas alternativas, chegamos ao final da época sem pernas, cansados e com poucas alternativas, de tal forma que em Janeiro a directiva teve de resgatar um avançado de 35 anos que não joga e um médio russo com um corpo que não aguenta forçosamente a exigência e tensão do final de temporada, apenas porque vieram a custo zero. Por isso é cada vez mais importante olhar para dentro e pensar que jogadores a actuar no futebol português ou de nacionalidade portuguesa (e aqui entra em jogo muito do que nos exige a UEFA nas inscrições da Champions League e não nenhum nacionalismo bacoco) para reforçar a estrutura do próximo ano. Dificilmente entrem como titulares indiscutíveis, mas serão as alternativas em momentos de aperto, os que vão ganhar traquejo para no futuro, como sucedeu com Ricardo Carvalho, Meireles, Alves, Bosingwa e companhia, recuperarem o testemunho dos que se vão embora (porque sempre se irão) e que nos permitam a continuar ser competitivos e um projecto ganhador.



E para que se diga que falar é fácil, agir é mais complicado, deixo a minha lista de oito sugerências pessoais que podem (ou não) funcionar como o futuro do FC Porto numa versão mais nacional, mais económica mas sem abdicar do nosso core principal e do faro que temos para cheirar grandes negócios.

- Ricardo (extremo-direito, Vitória Guimarães)
Se o Varela foi uma compra interessante, este jovem extremo do Vitória tem potencial para ser bastante melhor que o "Drogba da Caparica". É mais rápido, acutilante e demonstra uma maturidade competitiva bastante surpreendente para a sua idade.


Zé Luis (extremo/avançado, Braga)
Deu muito nas vistas na formação do Gil Vicente e foi uma das grandes contratações da SAD do Braga no ano passado. Só uma lesão grave o impediu de "explodir" antes. Está na hora das nossas relações com a "Pedreira" nos trazerem algum beneficio.



Vieirinha (extremo, Wolfsburg)
Quem o viu despontar, na sua etapa de júnior ainda no FC Porto, já lhe augurava um excelente futuro mas, inexplicavelmente  a sua geração desapareceu demasiado cedo do radar. As suas exibições na Grécia e Alemanha - e também com a selecção - deixam claro que é um jogador que pode oferecer o que a ala direita do FC Porto - quando James não está - não pode. O já estar no futebol alemão dificultaria qualquer negócio.

Paulo Oliveira (central, Vitória Guimarães)
Outra das grandes revelações da temporada no D. Afonso Henriques. Com o nosso Tiago Ferreira, um dos centrais de maior projecção futura do futebol de formação português. Rápido, bom sentido posicional, alto, com uma auto-confiança surpreendente, seria uma excelente adição apesar da contratação de Reyes e o overbooking de defesas a torne complicado. Não excluiria a ideia de o contratar e deixar um ano em Guimarães até se confirmarem as eventuais saídas de Mangala e Otamendi nos próximos dois anos.

Nabil Ghilas (avançado, Moreirense)
Aos 22 anos já demonstrou saber o "b-á-b-á" do golo e num plantel onde as únicas referências de ataque são Jackson e Liedson, é o jogador perfeito para desbloquear jogos dificeis a baixo custo. Vejo-o num patamar parecido ao de Lima e todos sabemos como isso acabou.


- Tiago Rodrigues (médio, Vitória Guimarães)
A crise no Vitória permitiu-lhes lançar miúdos com muito potencial que noutro contexto estariam agora na equipa B a acumular minutos. Aos 21 anos, este médio já não é uma novidade para quem o viu jogar nos últimos anos e seria uma adição muito interessante para o meio-campo já que na nossa equipa B só Tozé tem demonstrado ter perfil para ser promovido.

- Carlos Eduardo (médio, Estoril)
Um dos responsáveis directos da excelente época do Estoril. Um médio criativo com muito futebol nas pernas, jovem e potencial.

- Tiago Silva (médio, Belenenses)
Excelente médio de futuro, um dos melhores jogadores da II Liga esta temporada.

- Filipe Augusto (médio, Rio Ave)
Há dois anos que pertence ao plantel de Jorge Mendes, um player dos mercados que raramente falha nas suas apostas, é um médio com muito futuro e que tem estado em grande forma ao serviço do Rio Ave


Com um plantel para 2013/14 com dez/doze jogadores formados localmente, entre novas aquisições, promoções da equipa B (Tozé, Tiago Ferreira, Seba/Dellatore?, Caballero, Kelvin) e alguns dos jovens que já estão na primeira equipa (Fabiano, Atsu, Castro, Ba, Kadu) a que se juntariam as nossas apostas no mercado internacional (onde já se incluem Herrera e Reyes, os reforços confirmados para Julho) e os jogadores que consigamos manter (o core do plantel), teremos um grupo muito mais compensado, com mais opções e, sobretudo, mais barato. O que também significa uma maior margem de lucro em negócios de futuro, algo que se está a perder com compras cada vez mais caras e vendas e revendas de percentagens de passes.

Se num momento de aperto, a SAD do FC Porto teve o génio e engenho de fazer da fraqueza uma tremenda virtude, neste ano que pode ser dificil de engolir para os adeptos quando a época termine, é importante voltar às origens e não perder o norte. Garantir o futuro, não esquecer o presente e aprender com os erros e os triunfos de um passado não tão distante.


PS 1: Este artigo foi originalmente escrito à sensivelmente semana e meia. Hoje o jornal A Bola lança a notícia de que dois dos jogadores da lista, Ricardo e Tiago Rodrigues, já estão contratados. Um excelente sinal da SAD.

PS 2: Sobre jogadores baratos e com potencial de futuro no mercado internacional escreverei nas próximas semanas.