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quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Liedson e Quaresma: as diferenças

Têm sido referidos alguns paralelismos entre as contratações de Liedson e de Quaresma, o que motiva uma certa desconfiança por parte dos adeptos portistas (segundo o princípio do gato escaldado...).

Mas se há semelhanças, também existem diferenças (umas mais óbvias que outras). Vejamos...

Liedson saiu de Portugal como um ídolo de um clube rival do FC Porto e nunca tinha jogado no FC Porto;
Quaresma saiu de Portugal como um ídolo dos adeptos do FC Porto e os melhores anos da sua carreira foram precisamente no período em que vestiu a camisola azul-e-branca.


Liedson chegou ao Porto quase no final do período de transferências de Janeiro (a contratação foi anunciada em 24-01-2013);
Quaresma chegou ao Porto cerca de três semanas antes da abertura do período de transferências de Janeiro e começou a treinar com o plantel portista no 1º dia do ano.


Liedson, quando iniciou os treinos com o plantel do FC Porto, estava em muito má condição fisica;
Quaresma, duas semanas antes de iniciar os treinos com o plantel do FC Porto, passou a ser acompanhado por um técnico do clube e adoptou um plano de preparação específico para recuperar os índices físicos.


Liedson já sabia que vinha para ser suplente de um jogador que era titular indiscutível (Jackson Martinez).
Quaresma vem com a perspectiva de poder ser titular, porque na primeira metade da época nenhum dos extremos do plantel se afirmou como elemento indiscutível no onze de Paulo Fonseca (embora Silvestre Varela seja uma aposta regular).

Liedson foi contratado com 35 anos (nasceu em 17-12-1977) e, ao vestir a camisola do FC Porto, já não tinha grandes perspectivas de carreira.
Quaresma foi contratado com 30 anos (nasceu em 26-09-1983) e, ao voltar a envergar a camisola do FC Porto, sonha com a possibilidade de integrar o lote dos 23 que serão escolhidos por Paulo Bento para o Mundial de 2014 no Brasil.

Esperemos, então, que todas estas diferenças nos dois casos se traduzam em algo de positivo dentro das quatro linhas e que, neste "regresso a casa", o rendimento desportivo de Ricardo Quaresma se aproxime daquilo que ele mostrou em 2007.

Uma coisa parece-me clara: os timings da contratação e o acompanhamento prévio do Quaresma por elementos do clube, são indícios de que a FC Porto SAD terá apreendido alguma coisa com os erros cometidos no processo de contratação do Liedson.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

O último clube da carreira de Liedson

Aos 35 anos, Liedson chegou ao Porto no dia 25 de Janeiro de 2013, trazendo o rótulo de reforço e para, supostamente, ser uma alternativa ao único ponta-de-lança que havia no plantel portista - Jackson Martinez.


Contudo, nos menos de quatro meses em que o Levezinho esteve ao serviço do FC Porto, o melhor (menos mau) que se pode dizer dele é que comprovou já não ter as mínimas condições para o nível de exigência de uma equipa de alta competição europeia e que, na altura da sua contratação, disputava a passagem aos quartos-de-final da Liga dos Campeões e lutava taco-a-taco com o clube do regime pelo título de campeão português.


Aliás, é sintomático que, ao contrário de outros jogadores, nem sequer foi preciso esperar pela opinião do novo treinador (Paulo Fonseca) e, mal acabou o campeonato 2012-13, o destino de Liedson estava traçado: devolução à procedência.

No início de Julho, Liedson reapresentou-se no Flamengo, mas passou a treinar separadamente na Gávea. Até que, no último dia de Julho, soube-se que clube e jogador tinham chegado a acordo para rescindir o vínculo que ligava Liedson ao Flamengo até ao final do ano 2013.

Entretanto, em declarações à comunicação social brasileira, o empresário do atleta, Bruno Paiva, colocou a hipótese do último clube da carreira de Liedson ter sido o FC Porto:
Essa hipótese de [Liedson] encerrar a carreira realmente não está descartada. Ele é um atleta que conseguiu sua independência financeira, ganhou inúmeros títulos e está satisfeito com sua trajetória. Se ele quisesse, ainda teria condições de jogar mais algum tempo, mas não sei se fará isso. Ele agora vai se reunir com a família, tirar uns dias para refletir e tomar a decisão sobre a aposentadoria

Seis meses depois, e numa altura em que Liedson está a reflectir para tomar uma decisão sobre a sua “aposentadoria”, ainda me custa a perceber como é que foi possível o FC Porto contratar um jogador nas condições em que estava Liedson.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

A quem devíamos um favor?

Liedson chega ao FC Porto em Janeiro com um contrato de empréstimo por meio ano.
Supõe-se que vem para resolver a falta de alternativas a Jackson Martinez, acentuada com o empréstimo do inepto Kléber a um clube brasileiro onde, hellas, a bola também não parece querer entrar.

Quando um clube que está nos Oitavos-de-Final da Champions League e a disputar a Liga Sagres consegue  um reforço, por mais insignificante que pareça a sua incorporação, o adepto legitimamente acredita que esse jogador vem para ajudar, já nem digo para fazer a diferença. Em 2000 ao Sporting veio-lhe bem a incorporação de Mpenza, César Prates e André Cruz. Foram decisivos para ultrapassar o FCP e acabar com os sonhos do Hexacampeonato. Na época passado o regresso de Lucho Gonzalez - para por ordem no balneário - e a chegada de Marc Janko, que em dez jogos marcou quatro golos, permitiu a Vitor Pereira reorganizar a equipa e ultrapassar o Benfica. Este ano chegou Liedson. E daqui não saímos.

O brasileiro, com 35 anos, faz lembrar aqueles futebolistas africanos que dizem ter uma idade e têm cinco anos mais. Fisicamente é um fantasma, incapaz de competir numa liga tão exigente (irony mode on) como a brasileira, quanto mais adaptar-se ao ritmo infernal da Liga Sagres. Nem sequer para ficar parado na grande área, nos momentos de "chuveirinho" e encostar o pé à bola parece que o "levezinho" serve.



Contra o Braga, Vitor Pereira tinha de escolher entre o brasileiro e o jovem Kelvin. Não deve ter duvidado nem um segundo e a jogada saiu-lhe bem. Mas um clube como o FCP não pode andar a depender da inspiração dos Kelvins para ganhar jogos. Para isso, mais valia ter procurado um Ghilas no mercado interno ou (se preferem veteranos) um João Tomás do que forçar a Liedson vir desde o Brasil para ter um acidente em Vila Nova de Gaia e processar uma seguradora brasileira queixando-se de que perdeu quase 23% da sua mobilidade. Que bom é saber que contamos com um avançado que afirma que tem 23% possibilidades de jogar que outro futebolista na sua posição.

Portanto, partimos para um duplo problema.
Das duas uma. Ou alguém na SAD e/ou na equipa técnica é sumamente imbecil a ponto de acreditar que Liedson era o homem que ia resolver os nossos problemas de falta de golos quando Jackson não está, ou devíamos um favor a alguém e foi assim que se pagou. Ora, se alguém da SAD e/ou equipa técnica viu algum jogo de Liedson no Brasil, observou com atenção os exames médicos e mesmo assim o deixou ficar no plantel, então é porque o problema é bastante mais grave do que eu podia imaginar.

Caso seja para devolver um favor a um amigo, um empresário, um clube (neste caso, o Flamengo com o qual, que eu saiba, não temos nada pendente) então voltamos a presenciar uma situação em que os jogos de bastidores, as chamadas telefónicas impróprias e a troca de favores valem mais que o sucesso desportivo do clube.

A chegada de Liedson, e não de outra alternativa (e não me falem de dinheiro, eu não estou a falar do Falcao ou do Huntelaar, dei o exemplo do Ghilas ou do João Tomás, seguramente com salários muito mais baixos que os do brasileiro) compromete claramente as opções de Vitor Pereira, exige muito mais do que Jackson pode dar neste fim de época e permite que um rival que tem Rodrigo, Cardozo e Lima possa dar-se ao luxo de escolher os avançados titulares que jogam enquanto que nós dependemos da inspiração de um  miúdo tosco quando deveríamos ter na área um jogador com experiência a fazer aquilo que é básico no mundo do futebol...marcar golos!

sábado, 6 de abril de 2013

Liedson "explica" opções de Vítor Pereira

(Apresentação e comentário de O JOGO ao desempenho de Liedson no FC Porto x Rio Ave)
 
É sabido que Liedson tem 35 anos.
É sabido que no Brasil o futebol é jogado a um ritmo mais lento do que na Europa.
É também sabido que quando chegou ao Porto, em finais de Janeiro, Liedson vinha de uma paragem longa e estava em fase de pré-época.
No entanto, cerca de dois meses depois de ter chegado, e apesar de todas estas atenuantes, fiquei impressionado com o fraquissimo desempenho do levezinho no FC Porto x Rio Ave.
 
Os adeptos não assistem aos treinos e muitos deles questionavam por que razão Liedson não saía do banco de suplentes. Ora, se alguém tinha dúvidas, os 17 minutos que Liedson esteve em campo na passada quarta-feira, explicam cabalmente por que razão este ex-avançado do Sporting não tem sido opção para Vítor Pereira.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

As entradas e saídas de Janeiro

A janela de transferências de Janeiro fechou às 23:59 de ontem e, em termos de entradas e saídas, o cenário é o seguinte:

Saídas do plantel:
- Miguel Lopes ( FC Porto -- SCP; a FCP SAD fica com 50% dos direitos económicos )
- Emídio Rafael ( FC Porto -- SC Braga )
- Iturbe (FC Porto -- River Plate; empréstimo por 6 meses )
- Rolando ( FC Porto -- SSC Nápoles; empréstimo por 6 meses )

A estas saídas, acresce a resolução de mais dois casos:
- Souza ( Grémio (emprestado) -- Grémio; venda por 3 milhões euros )
- Ventura ( Olhanense (emprestado) -- SCP; empréstimo )



Entradas no plantel:
- Izmaylov ( SCP -- FC Porto )
- Liedson ( Flamengo -- FC Porto, empréstimo por 6 meses )
- Fucile ( Santos (empréstimo) -- FC Porto ) --- a confirmar

Analisando estas entradas e saídas, constata-se que:

i) Ao contrário do receio manifestado por alguns portistas (talvez devido a notícias especulativas que saíram na comunicação social), nenhum dos 13 jogadores que fazem parte do lote restrito que tem sido mais utilizado por Vítor Pereira, saiu a meio da época. Boa notícia para o treinador e para os adeptos.

ii) As entradas no plantel não implicaram custos com a aquisição de passes de jogadores (ao contrário de idêntico período da época passada, em que foram investidos 3,5 milhões de euros no passe de Janko). É um sinal dos tempos.

iii) O aumento de encargos com os elevados salários de Izmaylov e Liedson é, pelo menos parcialmente, compensado com o facto da FC Porto SAD deixar de pagar os salários de cinco jogadores: Miguel Lopes, Ventura, Emídio Rafael, Iturbe e Rolando.

iv) A confirmar-se as notícias que vieram a público, a FC Porto SAD terá feito um encaixe global de cerca de 4 milhões de euros, com os empréstimos de Iturbe e Rolando e a venda do passe de Souza. Nada mau.

v) As entradas no plantel apenas envolvem jogadores conhecedores e perfeitamente adaptados ao futebol português e foram para posições onde as carências eram evidentes.


Ponderando todos estes aspetos, penso que o balanço é francamente positivo, mas conclusões definitivas só no final da época e estarão condicionadas ao desempenho que Izmaylov e Liedson evidenciarem dentro das quatro linhas.


P.S. Foi uma pena que o Quaresma (ou terá sido o Jorge Mendes?) tenha preferido os milhões do Dubai, em vez da possibilidade de voltar a ser campeão português, do prestigio de voltar a jogar na Liga dos Campeões e, conjugando estes aspetos, tentar recuperar um lugar na Seleção Nacional.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Velhos são os trapos




É de saudar a vinda de Liedson, caso esta se venha a confirmar.
A absurda "lei", não escrita, que durante muitos anos impedia a compra
de jogadores na casa dos "trinta e muitos", começa a ser
abolida aos poucos.

Nem todos os jogadores devem forçosamente cumprir a tradicional
trilogia: comprar (jovem e barato) - render ao máximo desportivamente
- vender caro.
Jogadores há que, não se enquadrando neste modelo, poderão ser
muito úteis na vertente desportiva.
Bons jogadores são sempre bem-vindos, mesmo tendo eventualmente
passado o pico da sua carreira. Não só poderão, eles próprios, colocar
em campo o muito que ainda sabem como, tão ou mais importante,
servirão de exemplo aos tais "jovens" para que um dia sejam, também
eles, grandes.

Sim, Liedson não marcará os mesmos golos em catadupa dos seus tempos
por outras paragens, mas será seguramente alguém que resolverá ainda
muitos problemas quando Jackson não o conseguir.
Inconcebível era a situação que tínhamos até ao momento: nenhuma
alternativa digna desse nome.
Kléber já muito dificilmente escapará a se tornar no maior erro de
casting dos últimos largos anos para a posição "9".
Basta pensar que, até o inexperiente Sebá, ainda que longe de ser
solução para o que quer que seja, mesmo assim terá criado mais perigo
contra o Setúbal, para a taça de Liga, do que o brasileiro na
totalidade desta meia-temporada.

A regra da casa tem sido (com sucesso) potenciar jovens talentos mas
faltava claramente algum equilíbrio que só a experiência poderá
fornecer.

Meyong seria igualmente uma boa opção, na mesma linha. Eventualmente
com a vantagem de mais algumas épocas à sua frente. Alguma coisa terá
falhado e o camaronês seguiu antes viagem para o mais recente "El
Dorado" do futebol português. Mas, às vezes, a história escreve
direito por linhas tortas.

Sempre vieram, portanto, o tal médio ofensivo e o ponta-de-lança
alternativo que se exigia.
Pede-se, agora, que aquele espírito guerreiro que se viu na Luz se
mantenha e que aquelas interessantes trocas-de-bola à meio-campo, se
transformem em verdadeiras oportunidades de golo para esta segunda
metade de temporada.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Algumas notas sobre a Selecção Nacional


Quando tudo parecia perdido à entrada para as derradeiras jornadas do Grupo 1 da fase de qualificação para o Mundial de Futebol da África do Sul sai um coelho da cartola da FPF chamado Liedson e tudo muda. Vitórias precisavam-se e tudo indica que Portugal irá registar 4 vitórias e 1 empate nos 5 últimos jogos, o que proporcionará a entrada no play-off de qualificação. Queiroz não foi totalmente feliz nas equipas que montou ao longo da qualificação mas também não é menos verdade que nunca na era scolariana a Selecção jogou com adversários tão fortes e com um grupo tão complicado. Entretanto, e com o acesso ao play-off à porta, a imprensa lisboeta e os medíocres jornalistas da capital andam histéricos porque parece que ainda não podem fazer o ansiado funeral ao Queiroz. O desonesto então estava inconsolável com a vitória categórica por 3-0 frente à Hungria.

Adiante. A chegada de Liedson à Selecção foi decisiva para a recta final. Depois de uma travessia do deserto de pontas-de-lança após o abandono de Pauleta, e com as experiências Postiga, Danny, Hugo Almeida e Nuno “eterna promessa” Gomes a não darem frutos, a chegada de Liedson foi uma lufada de ar fresco e de golos fundamentais. Um ponta-de-lança goleador é essencial numa equipa como a portuguesa que tem bons extremos e onde funciona melhor um esquema de 4-3-3 do que um de 4-4-2. Além disso, e com a promoção de Cristiano Ronaldo a capitão, o “melhor do Mundo” assumia demasiadas vezes o protagonismo agarrando-se demais à bola acabando por destruir o jogo e deixando impacientes os colegas. Sem a presença de um avançado fixo na área Queiroz tentou fazer na Selecção com Ronaldo aquilo que fazia no Manchester United, não o colando à linha e dando-lhe liberdade para vaguear no centro do terreno e aparecer na zona de finalização, o que não resultou. Pelas características dos jogadores da selecção parece que Ronaldo poderá render mais jogando a extremo ou fazendo diagonais para o centro para sair o remate.

O jogo com a Hungria revelou um jogador que parecia esquecido da Selecção (e até dos clubes portugueses), o Pedro Mendes, que teve uma actuação irrepreensível e mostrou que pode (e deve) ser o trinco titular. O castigo de Pepe resultou na descoberta do homem certo para o lugar certo. Só é pena que o Pedro Mendes não tenha no seu curriculum uma passagem por Lisboa em vez da presença no FC Porto Campeão da Europa em 2004 porque isso lhe retira todas as possibilidades de fazer uma carreira de sucesso na Selecção (os opinion-makers sulistas já estão nervosos e desorientados). Em minha opinião o Pepe não deve voltar a ser colocado no lugar de trinco. As suas melhores exibições são como defesa central e se o problema é tirá-lo da equipa o seleccionador sempre pode ir alternando a sua presença com a de Bruno Alves ou de Ricardo Carvalho, embora este último não seja de substituir enquanto está em forma porque (ainda) é um jogador de grande qualidade.

O outro jogador em destaque neste último jogo com a Hungria foi o Simãozinho. Finalmente marcou os golos que já andava a falhar escandalosamente nos jogos pela Selecção. Não está em boa forma e as suas prestações no Atl. Madrid também não têm sido as melhores. Talvez por isso não tenha festejado o primeiro golo frente à Hungria. No entanto, quando voltar a ganhar confiança, é um jogador importante na estrutura da selecção.