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terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Arquivos dos últimos 25 anos

O treinador do FC Porto limitou-se a dizer aquilo que o instruíram a afirmar. Mas como só chegou este ano ao futebol português, o melhor conselho que lhe posso dar é pedir à sua entidade patronal para ter acesso aos arquivos dos últimos 25 anos e aí ele talvez ficasse a perceber bem o que é favorecimento no âmbito do futebol português
José Eduardo Moniz, vice-presidente do SL Benfica e administrador da Benfica SAD, em declarações ao programa ‘Bola Branca’, da Rádio Renascença

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Meu caro José Eduardo (posso tratá-lo assim?),

Antes de mais nada, gostaria que satisfizesse a minha curiosidade.

Lembra-se dos ‘broches’ de A BOLA, a propósito da sua abortada candidatura à presidência do SL Benfica? Já fez as pazes com o José Manuel Delgado?

Lembra-se daquilo que você próprio disse, acerca da época 2010/2011 (publicado no Correio da Manhã, de 9 de Abril de 2011)?

José Eduardo Moniz (Correio da Manhã, 09-04-2011)

E lembra-se daquilo que escreveu no final da época 2011/2012 (publicado no Record, de 1 de Maio de 2012)?

José Eduardo Moniz (Record, 01-05-2012)


Mas já que quer desenterrar os arquivos dos últimos 25 anos, vamos a isso.

A propósito de favorecimentos, no âmbito do futebol português, sabe qual é a primeira coisa que me ocorre?

Elefante Branco! Já lá foi? Já ouviu falar? Há cada estória… Tenho a certeza que você ia gostar…

Outra coisa que está no top das minhas lembranças é uma afirmação do seu presidente, feita em 2003, a propósito da contratação de Jankauskas (ex-jogador do seu clube) pelo FC Porto: “são mais importantes os lugares na Liga do que contratar bons jogadores
Lindo, não acha? Cá entre nós, o que será que o Luís queria dizer com isto?…

E, claro, quem é que não se lembra da “extraordinária” atuação do benfiquista Bruno Paixão em Campo Maior (na época 1999/2000)?

E, uns anos depois, quem não se recorda do “gato das botas”, como ficou conhecido o árbitro benfiquista Hélio Santos, após o seu “brilhante” desempenho no estádio do Algarve (época 2004/2005), no âmbito de um processo mais vasto – o ‘Estorilgate’?

Depois vieram tempos mais sombrios, com armadilhas montadas no túnel da Luz, bem como, as célebres imagens captadas umas horas antes de um SL Benfica x FC Porto, onde é possível ver elementos do seu clube a levantarem o ângulo de uma das câmaras. Espectáculo!

E, finalmente, embora os seus telemóveis nunca tenham estado sob escuta (quem é que tem coragem de colocar o presidente da "instituição" sob escuta?), as escutas esquecidas. Sim, no âmbito de escutas feitas para apanhar terceiros, soube-se das preferências de Luís Filipe Vieira por determinados árbitros (em 2004, Paulo Paraty e João Ferreira estavam à cabeça), dos “favorzinhos” solicitados por José Veiga ao presidente dos árbitros e das manobras de bastidores e influências de João Rodrigues. Tudo muito transparente e, evidentemente, em prol da verdade desportiva…

Mas, verdadeiramente, do que eu me lembro é disto…

Museu do FC Porto - Troféus Internacionais

Se o José Eduardo quiser, terei todo o gosto em o convidar e servir de cicerone numa visita ao Museu do FC Porto onde, entre dezenas de troféus conquistados nas últimas três décadas, poderá ver:

- uma Taça dos Clubes Campeões Europeus (época 1986/1987);
- uma Supertaça Europeia (época 1987/1988);
- duas Taças Intercontinentais (épocas 1987/1988 e 2004/2005);
- uma Taça UEFA (época 2002/2003);
- uma Liga dos Campeões (época 2003/2004), competição que, neste formato, nunca foi ganha por nenhum outro clube português;
- uma Liga Europa (época 2010/2011).

Que tal? Acha que estas taças foram roubadas? Como é que, de 1987 a 2011, o FC Porto terá ganho todos estes troféus internacionais?

Caro José Eduardo Moniz, ajude-me. Quantos troféus internacionais (oficiais!) é que o seu clube ganhou nos últimos 25 anos? 30 anos? 35 anos? 40 anos? 50 anos?

Nota: Clique nas imagens para as ampliar.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

"mais um favorzinho"...


Para além da escuta em que Luís Filipe Vieira aparece a escolher árbitros, o "ugandês" que colocou escutas no YouTube também se esqueceu desta. São as chamadas escutas selectivas...

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Soares Franco e o Estorilgate


Ontem, na "Grande entrevista" da RTP 1, conduzida por Judite de Sousa, o presidente do Sporting afirmou o seguinte:
"No passado não existiu só Apito Dourado, mas também tráfico de influências douradas. Um exemplo é o jogo que o Benfica jogou com o Estoril no Algarve. Embora pudesse ter cumprido toda a legalidade só foi possível no Algarve porque o presidente do Estoril era do Benfica e o director desportivo da SAD tinha interesses no clube".


De facto, é sabido que o Estorilgate foi um dos maiores escândalos de sempre do futebol português, envolvendo como actores principais da farsa: José Veiga, a Direcção do Estoril, a Direcção do Benfica e Cunha Leal (na altura Director-executivo da Liga).
Aliás, a propósito dos relevantes serviços prestados por este último, Rui Santos chegou ao ponto de o acusar/apelidar de ser um "cunha desleal" e uma "criada de servir" do SLB:
"Ele [Cunha Leal] foi mandado para a Liga pelo presidente do Benfica para contrariar o poder do major. Convenhamos que é um grande azar, sobretudo quando quem o mandou para a Liga confessou, perante a estupefacção geral, que seria porventura mais importante ter alguém naquele organismo do que contratar bons jogadores.


O estigma não fui eu quem lho pus. Aceitou-o, porque sabe muito bem ao que foi e não se pode confessar enganado. Se não soubesse ao que ia e se cumprisse o seu dever de isenção, não teria autorizado a farsa que constituiu a marcação do Estoril-Benfica para o Algarve, na jornada 30 do campeonato de 2004-05, cujo desfecho foi decisivo para a atribuição do título nessa temporada.
A sua credibilidade morreu nesse momento. Quem consente um escândalo dessa natureza (embrulhado noutros escândalos da época), quem se cala perante uma situação potencialmente subversiva, inquinando a verdade desportiva, não tem um pingo de moral para vir falar agora, como especialista de coisa nenhuma".


Por outro lado (onde é que eu já ouvi esta expressão?), as ligações de José Veiga ao Estoril, na altura em que simultaneamente era director-desportivo do SLB, não oferecem quaisquer dúvidas:
«O antigo empresário de futebol e director-desportivo do Benfica, José Veiga, foi multado pela Comissão do Mercados e Valores Mobiliários em 30 mil euros, devido ao facto de não ter comunicado ao mercado a posição que detinha da SAD do Estoril
in Jornal de Negócios, 19/03/2008


O Estorilgate ainda teve outros contornos pouco claros, envolvendo pressões sobre jogadores do Estoril (que foram denunciadas pelos treinadores dos canarinhos) e a nomeação de um "árbitro amigo" (Hélio Santos) em final de carreira.

Por tudo isto, não surpreende que Filipe Soares Franco tenha referido o Estoril-Benfica da época 2004/05 como exemplo paradigmático do tráfico de influências no futebol português.

O que eu achei interessante foi a forma inteligente e eficaz como a comunicação social de hoje (com a honrosa excepção do JN) ignorou estas declarações do presidente do Sporting.
Pois, não convém mexer no "lixo encarnado", não vá a procuradora-especial sentir-se pressionada e ser obrigada a investigar o caso...

Fotos: Record, JOGO
Nota: A selecção das fotos e os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Soares Franco, Pinto da Costa e Vieira



«Se sobre a relva, no clássico de domingo, nada foi muito satisfatório para os sportinguistas, na tribuna de honra, a presença do castigado Pinto da Costa ao lado de um cordial Soares Franco como deve ser lida pelos adeptos do emblema que teve o mérito de denunciar as caras do sistema e que deu o sopro inicial no Apito Dourado? Até a “realpolitik” tem como condição a eficácia
Octávio Ribeiro
in Record, 07/10/2008

O desconsolo do Director do Correio da Manhã (CM) em ver Pinto da Costa sentado na tribuna de honra de Alvalade, ao lado do “cordial” presidente do Sporting é compreensível. Afinal, de que serviram dezenas de capas do Correio da Morgado... perdão, Correio da Manhã, com manchetes em que Pinto da Costa foi apresentado como o maior corrupto e bandido de Portugal?

Aliás, a azia não é exclusiva do CM. No mesmo dia à noite, no programa 'Trio de Ataque', outro benfiquista - António Pedro Vasconcelos - colocou Soares Franco no fundo pelo mesmo motivo. Coincidência?

Como é óbvio, o problema não é formal (ninguém se preocupou com o facto do também castigado Luis Filipe Vieira se sentar nas tribunas de honra dos estádios deste país). O problema é substancial e de fundo. O que está em causa é a politica de alianças e o poder dos clubes nos órgãos do futebol português.

Os benfiquistas continuam a viver do passado glorioso e, particularmente, da equipa dos anos 60 (já lá vão mais de 40 anos!) quando, com o apoio da FPF e do regime, conseguiram “roubar” Eusébio ao Sporting e, uns anos mais tarde, evitar que o mesmo fosse transferido para o Inter de Milão.

Claro que para os octávios, cartaxanas, farinhas, delgados, manhas e pinhões deste mundo, seria óptimo se o tempo andasse para trás e voltássemos às décadas de 60 e 70, em que os campeonatos eram disputados a dois e distribuídos na justa medida: 3 para o SLB e 1 para o Sporting.


Nesse tempo tudo andava bem, não havia "Sistema", nem tráfico de influências, nem corrupção, nada, até surgir um intruso "lá de cima da provincia" chamado FC Porto, uma força que emergiu no futebol português nos últimos 30 anos e que é preciso derrubar, custe o que custar. Mas como?
Dentro das quatro linhas não parece ser fácil, aliás, tem sido mesmo impossível e, portanto, há que fazer a coisa por outro lado, recorrendo às "tropas" em devido tempo colocadas em lugares-chave da Liga/FPF, à UEFA e até aos tribunais.

É dentro desta lógica de poder fora das 4 linhas, que benfiquistas de diversos quadrantes não se cansam de, directa e indirectamente, apelar aos actuais dirigentes do Sporting para se juntarem a eles nesta cruzada contra os infiéis do Norte... perdão, nesta justa luta pela verdade e transparência. Ai que saudades do Dias da Cunha!...

O problema é que os actuais dirigentes leoninos podem não perceber muito de futebol, mas já deram mostras que não são parvos (veja-se como, sem darem nas vistas, colocaram sportinguistas da sua confiança na presidência da Liga e da arbitragem).
Por isso, e também por se recordarem das manobras que existiram durante o consulado de Cunha Leal na Liga, até agora têm resistido às muitas pressões (algumas internas) para embarcarem no canto da sereia vindo do outro lado da 2ª circular.


Aliás, em Junho passado, numa longa entrevista conduzida por João Marcelino (DN) e Paulo Baldaia (TSF), Soares Franco (SF) foi muito claro quando comentou a sua relação com Luís Filipe Vieira e falou sobre o jogo Estoril-SLB da época 2004/05. Entre outras coisas, Soares Franco afirmou o seguinte:

[P]: Porque é que isso [o jogo Estoril-SLB] nunca foi investigado?
[SF]: Não me pergunte, eu não sei.

[P]: Acha que ainda pode vir a sê-lo, agora que se abriu a caixa de Pandora?
[SF]: Não, porque há várias maneiras de fazer pressão, não é? Mas ali combinou-se uma série de coisas. Ora, esse era um assunto típico, que tinha de ser tratado com a maior das transparências. Sabe porquê? Porque havia o presidente do Benfica, que era do Benfica; mas o presidente do Estoril, ou da SAD do Estoril, era do Benfica. E o director executivo da Liga era do Benfica.



(clique na imagem para a ampliar e ler o texto completo)

Importa salientar que esta parte da entrevista de Soares Franco nunca esteve disponível on-line no site do DN e, que eu tivesse visto, também não foi objecto de destaque, ou sequer comentários, em outros órgãos de comunicação social, particularmente nas televisões.
Sobre isto, cada um tire as suas conclusões.

Já agora, sobre o papel de Cunha Leal nesta farsa, vale também a pena recordar o que Rui Santos escreveu no Record de 21/05/2008 sobre a criada de servir do SLB.

P.S. Eu sei que lembrar estas coisas incomoda muita gente, mas desculpem lá qualquer coisinha...

quinta-feira, 5 de junho de 2008

O dramaturgo

Camilo Lourenço é jornalista económico e docente universitário. Foi um dos fundadores do Diário Económico, director da Exame e assina artigos de opinião no Jornal de Negócios. É frequentemente convidado para comentar questões económicas em várias estações televisivas.




Ultimamente tem enveredado por comentar as finanças e os negócios dos clubes de futebol, no programa Pontapé de Saída às quintas à noite na RTPN. Ah, é verdade, entretanto escreveu um livro sobre José Veiga - esse homem muito sério que esteve na origem do célebre Estorilgate (http://reflexaoportista.blogspot.com/2008/02/dicionrio-do-sistema-estoril-sad.html) - intitulado “Como tornar o Benfica campeão”. Será que Camilo Lourenço explica no livro que o ex-dirigente benfiquista fez do benfica campeão à custa destes expedientes e de outros como os jantares no Sapo com o ex-árbitro Devesa Neto ou a contratação, empréstimo e aliciamento de jogadores aos adversários na véspera de os defrontar?

Anteontem, no dia em que a UEFA tornou público o castigo aplicado ao FC Porto, a RTPN fez um programa para discussão e análise das consequências deste processo para o clube. Convidados estavam o especialista em Direito desportivo José Manuel Meirim, o jornalista Bruno Prata, Miguel Guedes como adepto portista, Camilo Lourenço e um ‘fatboy’ jornalista (benfiquista).
Acresce dizer que Camilo Lourenço, quando chamado a pronunciar-se sobre os eventuais efeitos económicos negativos para o FC Porto de estar uma época ausente da Liga dos Campeões, não resistiu, e apresentou um cenário apocalíptico para o futuro do clube. Desde desvalorização de activos a perda de receitas, Lourenço não fez por menos e anteviu já a desagregação da equipa e do clube.

Será aceitável aquilo que disse o jornalista económico? Não, a verdade é que não é de todo aceitável e Camilo Lourenço sabe-o e por isso foi intelectualmente desonesto. Não se preocupou minimamente em ser rigoroso e imparcial, e pior do que isso, exagerou nas consequências nefastas dando a sensação que o caos tomará conta do clube. Isso não é verdade.


Vejamos os números: na última época o FC Porto alcançou a receita de 12,5 Milhões de Euros na Liga dos Campeões, numa época em que foi aos oitavos de final, sendo eliminado pelo Chelsea de José Mourinho. Ou seja, a prova europeia representou 15% do total de Proveitos Operacionais (81,5 M€). A questão da desvalorização dos Activos é algo muito subjectivo, não mensurável e até o mais provável é que tal não venha a ocorrer. É que o FC Porto não cede a pressões exógenas e vende os jogadores em bons negócios finais. Se, a partir de 1 de Julho, data do novo exercício 2008/2009 vendermos 1 (um) passe de um jogador como Quaresma, conseguiremos mitigar os riscos financeiros de uma eventual não participação na Liga dos Campeões, sem precisar de vender a equipa toda, como sugeriu Lourenço, porque lhe dava jeito.

Com a queda para o drama demonstrada por este jornalista económico, sugiro que o próximo livro que escreva se intitule “Como imaginar o FC Porto um clube falido”.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Dicionário do Sistema - Neto, Devesa

Neto, Devesa – Nascido em 30 de Abril de 1967, José Maria Pinheiro Devesa Neto, mais conhecido por Devesa Neto é um ex-árbitro auxiliar, já retirado, que chegou a internacional em 1997.

Ao longo dos últimos anos, a importância dos árbitros auxiliares (antigos fiscais-de-linha) tem vindo a aumentar e um dos que assumiu maior protagonismo foi precisamente Devesa Neto, o qual, durante muitos anos, formou equipa com Paulo Paraty (o árbitro preferido de Luís Filipe Vieira, conforme ficou claro das escutas existentes no processo 'Apito Dourado').

Como árbitro auxiliar, muitas das suas actuações suscitaram polémica por, aparentemente, serem influenciadas pela sua preferência clubistica. Aparentemente?
Vejamos o teor de uma das escutas do processo ‘Apito Dourado’, referente a uma conversa entre João Rodrigues e Pinto de Sousa, a propósito deste último se queixar que Luís Filipe Vieira estava zangado:

João Rodrigues: “Nomeie o Devesa Neto que o acalma logo”.

Fantástico o efeito que as nomeações de Devesa Neto tinham nos dirigentes benfiquistas. Porque seria?

Talvez por isso, Luís Guilherme o tenha nomeado para o famoso Estoril-Benfica no Algarve, da época 2004/05, em que auxiliou o árbitro Hélio Santos...

Presumo que para falar do tempo, também parece que era habitual o senhor Devesa Neto jantar com dirigentes do Benfica. Foi o caso de um jantar em Janeiro de 2006, no restaurante ‘O Sapo’, em Penafiel, com o director-geral do Benfica, José Veiga, o qual abandonou o estágio que a equipa benfiquista estava a fazer para um jogo com o Gil Vicente para desfrutar da companhia à mesa do influente ex-árbitro assistente.


Confrontado com um comunicado que o FC Porto fez na altura, Devesa Neto reagiu assim: “Dá-me vontade de rir. Era o que me faltava não poder jantar com pessoas que conheço bem. (...) Ninguém me vai proibir de jantar com quem quer que seja. Quando me apetecer e houver disponibilidade, voltarei a sentar-me à mesma mesa com José Veiga”.

Um outro episódio ocorreu no dia 7 de Março de 2006, com Devesa Neto a ser uma das caras conhecidas entre os adeptos benfiquistas que viajaram com a equipa até Liverpool. Terá pago a viagem do seu bolso? Respondeu o próprio: “Estou com o Benfica, pois sou convidado de José Veiga. Como adepto do clube assumido, é com muito prazer que o faço”.

Ora digam lá se a amizade e a gratidão não são coisas muito bonitas...

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Dicionário do Sistema - Estoril SAD

Estoril SAD – Em 16 de Agosto de 2004, a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) anunciou que José Veiga tinha aumentado a sua participação no Estoril Praia – Futebol SAD, SA para 80,55%, depois da última Oferta Pública de Aquisição (OPA), que tinha tido lugar em 30 de Julho de 2004. Para além de ser o accionista maioritário da Estoril SAD, cuja posição acabava de reforçar, Veiga era, na mesma altura, também o homem forte do Benfica para o futebol. De salientar que o Estoril tinha subido de divisão e que nessa época (2004/05) iria jogar duas vezes contra o Benfica. Promiscuidade? A verdade desportiva estava em causa?

Preocupado com as aparências (não fosse alguém pensar que ele estava a jogar em dois tabuleiros...), em 18/10/2004, já em pleno campeonato, José Veiga anunciou ter vendido 18% do seu capital à KCK Developments Limited, 18% à Mexes Marketing Limited e 4,767% à Primera Management Limited.
Não será estranho o súbito interesse de três empresas inglesas, ainda por cima sem qualquer ligação anterior ao fenómeno desportivo, em investir numa equipa desconhecida do futebol português?
Mais. Os supostos novos accionistas da Estoril SAD (que nunca foram vistos em Portugal...), não quiseram nomear qualquer administrador e mantiveram como presidente da Estoril SAD o antigo dirigente do Benfica, António Figueiredo, o qual tinha sido nomeado em 15/09/2004.
Nomeado por quem?
Pois, por José Veiga! Ou seja, Veiga, enquanto accionista maioritário da Estoril SAD, mas numa altura que já era o responsável do futebol da Benfica SAD, nomeou um antigo dirigente do Benfica para presidente da Estoril SAD. Lapidar!

Mas afinal, quem eram as tais empresas inglesas a quem, supostamente, José Veiga vendeu parte da sua participação na Estoril SAD?
Nunca se soube mas, em 25 de Julho de 2005, a CMVM emitiu um comunicado onde informou o mercado “da falta de transparência quanto à titularidade das participações qualificadas detidas pela Mexes Marketing Limited e pela KCK Developments Limited na sociedade aberta Estoril Praia – Futebol SAD, SA.” Além disso, as duas empresas tinham o mesmo representante, entre outros dados comuns. Mais palavras para quê?

Resta dizer que durante a época 2004/05, os jogos entre o Benfica e o Estoril foram recheados de casos. Desde contactos (pressões?) sobre jogadores do Estoril, antes dos jogos com o SLB, até à transferência do Estoril – Benfica para o Estádio do Algarve (com a concordância da Administração do Estoril, constituída por ex-dirigentes do Benfica, nomeados por José Veiga), a arbitragens polémicas, houve de tudo. Contudo, o episódio mais caricato talvez seja o que veio a público após o jogo disputado na Luz, em que no intervalo um jogador do Benfica (Petit) se dirigiu a um antigo colega do Boavista (Paulo Sousa), aconselhando os jogadores do Estoril a “terem calma e não forçarem muito na 2ª parte”...

Se no início da época 2004/05 poderia haver dúvidas de que lado iria estar o coração (e a cabeça) de José Veiga nos dois jogos entre o Benfica e o Estoril, no final da época não restavam quaisquer dúvidas.