Mostrar mensagens com a etiqueta convidados. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta convidados. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Se fosse eu

Por José Maria Montenegro

Todos passamos por momentos em que pensamos «se fosse eu». Se fosse eu a marcar aquele penalti, se fosse eu o treinador, se fosse eu o presidente.
E nesses momentos em que estamos a divagar no «se fosse eu» normalmente estamos a divergir da solução escolhida por quem está de facto no lugar de decisão.
Eu – não nego – penso imensas vezes na versão «se fosse eu o presidente». Tenho mais momentos de «presidente» do que de «treinador».


As organizações não são todas iguais. Uma empresa é uma coisa, uma fundação de arte é outra, um clube é outra ainda.
Se eu fosse presidente do Porto tenho a certeza que imporia um nível diferente de compromisso com o clube. Defendo há muito tempo que quem está em lugares decisivos e de representação do clube tem de conhecer bem o clube. Não tem necessariamente de sentir o clube (um treinador ou um jogador, enquanto profissionais que são, não têm de ser aficionados do Porto). Mas têm que perceber o clube, conhecer a sua mentalidade, o seu modo natural de lidar com as venturas e desventuras da época. Coisas tão simples como perceber o que preocupa os adeptos, o que pretendem, como sentem as vitórias e as derrotas, como hierarquizam as competições, os adversários e os momentos, como se identificam com os jogadores. No fundo, perceber e conhecer bem de que cepa é feito o clube. Não precisa de ser logo no primeiro minuto, mas qualquer treinador do Porto tem que perceber em pouco tempo o que é o Porto. Se não perceber é porque não serve.


O meu maior problema com o Lopetegui é justamente este. Não percebe o Porto. Não nos percebe. Não percebe os nossos momentos, os nossos adversários. Não reconhece sequer quais os jogadores que são nossos.
Começou por não perceber que não podíamos perder com o Sporting para a taça, ainda no início da época passada (e por isso se pôs em poupanças e experiências). Não percebeu que tínhamos de ganhar na Luz e que é nesses jogos que jogamos a nossa identidade, que nos impomos e que afirmamos a força que intimida os nossos adversários e que nos levou ao sucesso. Não percebeu que falhar depois de os nossos adversários falharem está completamente fora de causa, e por isso não havia poupança nem gestão naquele malogrado jogo contra o Nacional depois da derrota do Benfica em Vila do Conde. Não percebeu que nunca jogamos para empatar nem entramos em campo à confiança, e por isso levamos um balde de água gelada contra o Dínamo de Kiev em casa. Não percebeu que o que nos fez grandes na Europa foi não ter medo e quebrar todas as lógicas em estádios improváveis, mesmo que para tal nos tenhamos de aproveitar de momentos menos bons dos nossos adversários. E por isso perdeu a oportunidade histórica de ganhar em Stamford Bridge. Não percebeu que queremos, gostamos e vibramos com o Rúben Neves a capitão. E por isso anda nesta rebaldaria de capitães diferentes a cada jogo, com o nosso Rúben a passar de capitão a nem sequer subcapitão (em favor de jogadores sem qualquer carisma). Não percebeu que é por esta identidade entre adeptos e certos jogadores que nós gostamos tanto do André André, que alia qualidade à entrega à Porto (ele sabe lá o que isso é). E por isso tanto não o convoca, como o põe no banco em pseudo gestão (que só serve para nos desesperar). Não percebeu que nós queríamos mesmo muito ver o André Silva na equipa principal. Já queremos há imenso tempo. E ontem, com 3-0, queríamos mais ainda. Como preferíamos que o Sérgio Oliveira tivesse mais oportunidades que o Bueno, por exemplo. Não temos nada contra o Bueno. Temos é a favor daqueles que, com um teclado à frente, diriam as mesmas coisas que eu estou aqui a dizer. Porque percebem o clube.

Não podemos ter um treinador que não nos percebe. Que não percebe o clube que representa. Que não percebe quando não podemos mesmo falhar. Que não percebe quando nos deve corresponder.
Eu, se fosse presidente, já tinha despachado há muito tempo o Lopetegui.


PS. No Domingo, quando do banco chamaram o Bueno em lugar do André Silva, eu assobiei. Arrependo-me do impulso. Já não assobiei quando entrou (porque aí tive o discernimento de perceber que seria profundamente injusto para o Bueno, contra quem não tenho nada). Aliás, já agora, acrescento. Quero crer que o Bueno percebeu que os assobios não eram para ele. É que se não percebeu, então está como o mister. Não nos percebe. Mas eu acho que ele percebeu.

Nota: o Reflexão Portista agradece ao José Maria Montenegro a publicação deste artigo.
   

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Viena 87: O Céu na Terra

Por João Nuno Coelho

É impressionante a forma como o tempo altera a nossa percepção dos acontecimentos. A nossa enquanto indivíduos mas também enquanto colectivo. Viena 87 é hoje algo de completamente diferente porque aconteceram Sevilha 03, Gelsenkirchen 04, Dublin 11, e muitas outras datas deste Porto Feliz dos últimos 30 anos.
Viena 87 acabou por se tornar uma das referências máximas do sucesso portista, fénix renascida sob a égide de Pedroto e Pinto da Costa. Mas foi muito mais do que isso...

Pelo menos para nós, simples adeptos.
A realidade é que ao minuto 76 do jogo do Prater, para qualquer adepto portista, como eu que, com 17 anos, via o jogo no sofá de casa, ao lado do meu pai e do meu irmão (desde sempre a minha mãe decidiu que dava azar ao Porto e refugiava-se noutra divisão da casa) aquele não era um Porto de sucesso, muito menos um Porto Feliz. Tudo parecia demasiado semelhante a Basileia 84. Uma final perante um colosso europeu, bancadas preenchidas massivamente pelos adeptos contrários, uma resposta forte de excelente futebol portista a uma desvantagem no marcador que se eternizava, apesar do nosso domínio, por vezes asfixiante. E um frio no estômago a antecipar mais um troféu oferecido pelos adeptos para premiar outra extraordinária vitória moral.

Viena, 27 de Maio de 1987


E depois... Depois foi o que todos sabemos e não nos cansamos de rever e de reviver. E nunca nos cansaremos. Porque no fundo sabemos a importância deste depois no que aconteceu depois, anos a fio.

Mas na altura não sabíamos.
E, naquele minuto 77, quando uma jogada genial terminou com o mais genial dos toques de génio, eu, pelo menos, só sabia que afinal talvez a história não tivesse que se repetir. Talvez por isso desatei a correr pela casa fora aos saltos e acho que praticamente só voltei à sala quando o Madjer voltou ao campo depois de ser assistido, para partir os rins a um alemão e oferecer o golo da vitória ao Juary.

(Não sei se já pensaram nisto: decorreram cerca de 2 minutos entre os dois golos que mudaram a história do clube, mas o Madjer precisou de pouco mais de 20 segundos em jogo para marcar o empate e assistir para a vitória).

A história de Basileia não se repetiu e nada voltou a ser como dantes. Nunca saberemos como seria se o Porto tivesse perdido a sua segunda final europeia. O Porto europeu pode ter nascido em Basileia mas só começou a andar em Viena. E demorou dois minutos a aprender a fazê-lo.

No fim do jogo, os meus pais, primeiro, e os meus amigos, depois, não entenderam porque é que eu não os acompanhava à festa da Baixa. Na altura, não havia 10 programas diferentes de comentários e tangas à volta do jogo recém-terminado e portanto nem foi por isso que fiquei sozinho em casa. Precisava era de desfrutar plenamente, sem distracções, aquilo que o meu clube (e eu) acabara de alcançar: o Céu na Terra. Porque no futebol, deixemo-nos de tretas (nacionalistas... e outras), acima disto não há nada.


Éramos Campeões da Europa!

Nota final: O 'Reflexão Portista' agradece ao João Nuno Coelho, autor, entre vários livros, do "Porto 1987-2012: 25 Anos no Topo do Mundo" e defensor habitual do FCP em tertúlias televisivas, a elaboração deste artigo.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

88 anos de história não se apagam

Autor: Fernando Delindro

A 20 de Julho confirmou-se o pior cenário, o murro no estômago pela suspensão do basquetebol sénior no Futebol Clube do Porto era um facto consumado, era real e um bocado do meu Portismo, sentimento de acompanhamento do Futebol Clube do Porto em todas as modalidades e escalões que me foi transmitido pela família, perdia-se. Sentia que tinha lutado para que esta decisão não fosse a tomada pela Direcção do FC Porto, que desde 1982 tão bem gere o nosso clube, mas não há seres perfeitos e, neste caso, a minha opinião era contrária à decisão tomada, mas era esta a realidade e o fim do basquetebol sénior no FC Porto era um facto.

Não pensava começar a seguir assiduamente a equipa de juniores no campeonato nacional de Sub-20, mas a inscrição no CNB2 e na Taça de Portugal, juntando ao aceitar da coordenação de todo o basquetebol formativo no nosso clube pelo Senhor Ramón López Suarez, levaram-me a seguir esta geração.

O primeiro jogo foi para a Taça de Portugal, na Póvoa, em que a equipa venceria, mas a exibição foi muito diferente do que o basquetebol sénior do FC Porto nos habituara. Mas a felicidade na cara daquela miudagem por terem adeptos do FC Porto a apoiá-los e serem a principal equipa do basquetebol do FC Porto era visível.

A evolução ao longo destes quatro meses e meio (de 6 de Outubro até hoje) é bem real e os primeiros resultados começam já a aparecer. Assim, após a 1ª Fase do Nacional de Sub-20, o FC Porto/Dragon Force foi uma das seis equipas apuradas para a Final 6 Distrital e, no fim de semana de 18, 19 e 20 de Janeiro, estes jovens dragões conquistaram o seu primeiro título, sagrando-se campeões distritais de sub-20 da Associação de Basquetebol do Porto.

No plantel há jogadores com valia para, seguindo os desígnios do comunicado de 19 de Julho de 2012, termos uma equipa sénior de basquetebol capaz de dignificar o nome do clube. Não sou um grande especialista de basquetebol, mas os jogadores que me parecem mais capazes para se assumirem como principais figuras do próximo plantel sénior do FC Porto são: Pedro Bastos, Eduardo Guimarães, Hugo Sotta, João Gallina, Pedro Figueiredo, Francisco Rothes, José Miranda ou Miguel Soares. No entanto, Moncho Lopez e João Tiago saberão muito melhor do que eu, que jogadores reúnem condições para integrar os plantéis do FC Porto.

Daqui até ao final da época, espero poder festejar o título nacional de sub-20 e o título de campeão do CNB2. Se assim for, asseguraremos a subida ao CNB1 que, dentro da hierarquia competitiva do basquetebol português, fica imediatamente abaixo da ProLiga e da LPB.

Espero, também, que no próximo ano o sr. Saldanha não faça birra e, quando faltarem equipas para comporem a ProLiga, ou a Liga Portuguesa, convide todas as equipas e não seja selectivo como foi este ano, quando não convidou o FC Porto/Dragon Force a integrar o CNB1. É bom que ele se lembre que é presidente de todo basquetebol nacional e não apenas de alguns que se situam na 2ª Circular e que, a 23 de Maio de 2012, tiveram comportamentos inaceitáveis e nada dignos. Para se ser digno, temos que o ser na vitória e na derrota e não é porque do nº 179 da Rua da Madalena nos acenam com epítetos como maior figura do basquetebol nacional, que as pessoas se podem dar ao luxo de provocar, insultar e instigar à revolta todos quantos assistiram aquele jogo. Esperamos, desde esse dia e sentados para não nos cansarmos, que da Rua da Madalena venha algum castigo minimamente exemplar para carlos lisboa, por aqueles gestos provocadores e que apenas serviram para incendiar o ambiente num pavilhão em Portugal. Para aquele indivíduo que o seguiu nas provocações e que arremessou objectos para a bancada, dou-lhe o meu desprezo porque não é 100% responsável pelos seus actos, visto aparentar um enorme problema mental.

Em jeito de comentário final, espero que este texto contribua para divulgar a nova realidade do basquetebol sénior portista e, paralelamente, desperte o interesse e leve mais portistas ao Dragão Caixa, porque estes atletas e treinadores lutam e dignificam o nome do FC Porto em todos os jogos.


Nota final: O 'Reflexão Portista' agradece ao Fernando Delindro a elaboração deste artigo.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Olhar o presente recuando a 1999/2000

Por José Lima (*)

Caros amigos,

Tenho andado a analisar a situação do nosso FCP que, posso dizer-vos desde já, é bastante complicada. Atrasos constantes nos pagamentos a atletas e fornecedores no Clube, e falta de liquidez na SAD, estão a começar a transpirar cá para fora.

A articulação entre o Clube a SAD não é a melhor, embora se trate das mesmas pessoas.

Para os vários aspectos da vida do clube, não se pode partir do último Relatório e Contas, pelo que resolvi recuar até 2000, voltar a ler o relatório da época 1999/2000, pelo que me permito salientar alguns pontos que acho relevantes para tentar compreender como se chegou ao atual estado de coisas.

(Apresentação da equipa na época 1999/2000, foto Record)

1 – Já no Relatório e Contas da época 1999/2000 se podia ler (pág. 5):
“No entanto, e considerando a deliberação última da Assembleia-geral da F.P.F. que continua a impedir o acesso das equipas B à Divisão de Honra, o F.C.Porto está a reequacionar o seu projecto de formação desportiva que poderá passar pela extinção da equipa B.”

2 – Mais à frente (pág. 6)
“Esta tendência inflacionista (dos mercados cambiais) contagiou os mercados europeus obrigando o Banco Central Europeu a subir as suas taxas directoras. Os bancos comerciais nacionais seguiram a tendência definida pelo B.C.E. Nas empresas nacionais e em particular no F.C.Porto - Futebol, SAD estas medidas tiveram como consequência o crescimento dos seus custos financeiros, induzido pelo investimento concretizado na aquisição de direitos desportivos sobre novos jogadores”.

3 – Sobre as cotações das Acções (pág. 7)
“Tudo isto (a propósito da bolsa nacional apresentar níveis de liquidez cada vez menores), contribuiu para uma queda gradual dos principais índices nacionais e europeus, com consequências nos títulos do F.C.Porto – Futebol, SAD, que conheceram no final deste exercício a cotação de 4,95 EURO.

4 – Analisando os proveitos (pág. 8)
“Conclui-se que, como tem acontecido nos últimos exercícios, os proveitos com maior expressão são as mais valias liquidas resultantes da venda de passes de atletas, representando no exercício em análise 29% dos proveitos totais. Considera-se que é importante procurar continuar a diminuir o peso destas mais-valias e acreditamos que existe um importante espaço de crescimento dos proveitos comerciais, que incluem os contratos televisivos e para outros meios de difusão e sobretudo todo o tipo de parcerias comerciais com empresas”

E mais adiante:

“O quadro 3 expressa o enorme peso dos custos com pessoal, sobretudo aqueles relacionados com o plantel sénior”.

Comentário: Importam-se de repetir? Isto foi há 12 anos. Não aprenderam?

5 – A propósito dos Custos (pág. 9)
“Os custos financeiros, apesar de apenas representarem 4% do total, têm crescido de forma acentuada, por via de vários factores, entre os quais estão as oscilações cambiais do Dólar Americano (grande parte das transferências são realizadas utilizando o Dólar como moeda de pagamento) e sobretudo do facto de parte das despesas correntes ser financiada por empréstimos bancários”.

Comentário: Esta está boa. Há 10 anos eram as “oscilações do Dólar”. Agora devem ser as do Euro! Mas, se já naquela altura reconheciam que compravam tudo a crédito, porque raio não inverteram a situação?


E a referência à “tal” relação Clube/SAD tão falada no final do I Encontro da Bluegosfera (pág. 14):
“Em relação à estrutura de custos, constata-se que o peso relativo de cada uma das rubricas identificadas no quadro 9, não tem sofrido grandes alterações nestes três exercícios, embora os custos com pessoal e os custos decorrentes do protocolo entre a Sociedade Desportiva e o F.C.Porto terem conhecido um andamento diverso. Os valores que ainda se mantêm nesta rubrica (Protocolo F.C.Porto) e que estão no âmbito do protocolo celebrado, respeitam ao aluguer do Estádio das Antas e das diversas instalações do clube que são postas à disposição da Sociedade Desportiva para jogos e treinos e a montantes pagos com vista a financiar o Departamento de futebol juvenil, valores estes bastante estáveis.”

Resumindo, caros amigos: No final do exercício 1999/2000, a situação era estável embora já houvesse indícios de onde poderiam aparecer problemas, aliado ao facto de estarmos a pensar na construção do novo estádio (não no local que está hoje, mas no mesmo sítio do Estádio das Antas).

1 – Já se falava em extinguir a equipa B, embora com um “pretexto técnico”.
2 – Custos Financeiros a crescerem
3 – Os proveitos mais significativos provinham da venda dos passes.
4 – Custos Operacionais a aumentarem

Comentário: que se poderia fazer hoje: “Onde é que eu já ouvi (li) isto”?

Se formos analisar os Relatórios e Contas dos anos seguintes, a conversa é mais ou menos a mesma, com os Custos a subir, e os Proveitos Operacionais, semelhantes. O que tem salvo “a honra do convento” foram os Proveitos Extraordinários (venda de passes), mas já todos percebemos que foi chão que deu uvas.

O Passivo Financeiro, embora não seja dramático, é motivo de preocupação, sobretudo pela enorme quantidade de compromissos a curto-prazo combinado com a falta de liquidez que se reflete também no Clube.

Poderemos desenvolver estes assuntos em futuras análises, reflexões e comentários.


Nota: Os sublinhados e destaques no texto a negrito são da responsabilidade do autor do artigo (José Lima).

Nota final: O 'Reflexão Portista' agradece ao José Lima o envio deste artigo e autorização para publicação do mesmo.

(*) José Lima é um portista da “velha guarda”, sócio do Futebol Clube do Porto, colaborador regular dos blogues ‘Mística Azul e Branca’ e ‘O Mundo Azul e Branco’, ex-colaborador no extinto blogue ‘Futebolar’ (onde travava “violentos combates verbais” com elementos que ainda hoje aparecem em blogues benfiquistas) é, por paixão mas também por formação profissional, um observador atento das contas da FC Porto Futebol SAD.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Gestão desportiva e as culpas do treinador

Por Rui Silva Domingos


Há uma tendência geral para, quando tudo corre mal numa equipa, endereçar as culpas ao treinador. Os adeptos do FC Porto (onde me incluo) estão a incorrer neste erro. Na minha perspectiva, deveriam olhar directamente para o topo da hierarquia.

Este ano, após uma época única e histórica em que ficou demonstrada a nossa superioridade perante os outros a nível interno, e que se reflecte nas competições extra-portas, tornando o FC Porto como um dos clubes europeus no séc. XXI, as coisas não estão a correr bem.

Têm sido inúmeras as críticas ao treinador que são, na sua maioria, injustificadas. Vejamos porquê.

Pinto da Costa, que normalmente vai conseguindo gerir as saídas de jogadores chave com a contratação de outros, deparou-se com a saída de Falcao de uma forma prematura. As saídas dos ponta de lança têm sido regulares no FCP, Lisandro e McCarthy são exemplos disso, e não tem havido problema, pois estas situações têm sido previstas antecipadamente com a aquisição de outro ponta de lança de valor. Isto tem sido feito de uma forma que estes, ao entrar no FCP, façam o seu processo de integração de uma forma gradual na estrutura, antes de serem lançados na equipa principal do FCP. Vejam o Lisandro, que demorou a ser titular indiscutível. Este ano, com a saída de Falcao por 40 milhões, o FC Porto teve que se virar para Kléber. Um ponta de lança com um potencial enorme mas que entra sobre brasas pelo peso que é lhe posto em cima.
Esta foi a primeira falha do FCP em termos de gestão desportiva na presente época.

A forma como nos impusemos no ano passado por todo o lado, no campeonato e na taça de Portugal, depois de muitos terem dito que a taça já era deles e de ainda dizerem que, apesar de estarem a 12 pontos, ainda iriam ser campeões, o sucesso na Liga Europa, com uma dinâmica única em Portugal foi avassalador e de sucesso ímpar em Portugal. Mas este sucesso acaba por trair o FCP.

Este sucesso cria um efeito nefasto na equipa, pois muitos jogadores, de repente, querem ir para outros campeonatos onde são muito mais bem pagos, ou seja, querem sair do FCP. Álvaro Pereira, Belluschi, Guarin, Sapunaru, Falcao, Fucile e, por momentos, Moutinho.
Na minha opinião, deveriam ter sido todos vendidos. Pois é muito complicado gerir pessoas que trabalham contrariadas e que demonstram-no com falta de profissionalismo. Ou seja, parte do esqueleto da equipa está por estar.
Esta foi a segunda e grande falha da gestão desportiva no FC Porto.

Metade destes jogadores já saíram e espero que sejam vendidos no final da época (Fucile, Guarin, Belluschi, Sousa, Walter). Outros espero que se lhe sigam, o caso do Álvaro Pereira, que começou a época a jogar por frete, tendo o FC Porto que jogar com ele por falta de alternativa. Na faixa direita optou por Maicon, porque os outros dois também andavam contrariados (por isso não estranho o afastamento do Sapuranu, nem dos outros, e defendo-o).

Vítor Pereira foi o senhor que se segue nos comandos da equipa do FC Porto.
É o treinador que dá a cara numa altura extremamente complicada, em que metade da equipa não quer estar, e sem uma referência de ataque, o que a haver traduz–se numa menor dependência dos outros colegas de ataque.

O mercado de inverno foi positivo para o FC Porto e felizmente, apesar do desaire em Manchester, tem-se traduzido numa melhoria das exibições.

A vinda de Lucho, além da qualidade que traz, é uma injecção de moral enorme, pois trata-se alguém que vem e que diz que é aqui que quer estar e em mais lado nenhum. E o Janko traduz-se já em alguns golos.

Na minha perspectiva aquilo que tem sido o “modus operandi” do FC Porto falhou.

O Vítor Pereira poderá não ser um excelente treinador mas, perante isto, parece-me evidente que é mais difícil ter sucesso.

Independentemente disto tudo, estamos em condições de vir a ser campeões, dependendo de nós próprios só para isso.

Nota final: O 'Reflexão Portista' agradece ao leitor Rui Silva Domingos a elaboração deste artigo.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Análise ao momento actual

Nota introdutória: Este artigo é baseado na junção de dois comentários que o leitor Soren deixou num outro artigo deste blogue, tendo ele autorizado a sua publicação em formato de artigo, de modo poder suscitar uma leitura e eventual discussão mais alargada. Como é óbvio, o texto seguinte reflecte a opinião do Soren.


Há problemas de controlo das madalenas. Ganham e esbanjam a mais para aquilo que sabem e fazem. Contra isto não é fácil lutar no balneário. Passo a citar:

1 - Fernando, pré-época a fazer birras, queria sair, não se concretizou, não treinou, não esta naturalmente bem fisicamente para o arranque de época. Falta de profissionalismo.

2 - Cristian Rodriguez, há mais de dois anos que não está apto para fazer 30 minutos seguidos de jogo em ritmo aceitável. Problemas de excesso de peso evidente que só podem ocorrer ou por má nutrição, ou descanso inadequado, ou má performance no treino ou as três juntas. Falta de profissionalismo.

3 - Jorge Fucile, falta de concentração em inúmeros momentos chave em tantos e tantos jogos. Como é possível um jogador sul americano chegar à Europa, fazer uma época fantástica e 3 anos depois jogar 3 vezes pior do que jogava quando chegou? Com 3 anos a mais de experiência de futebol Europeu e com todas as faculdades físicas próprias da idade... Falta gritante de profissionalismo.

4 - Álvaro Pereira, bom profissional, levianamente mal aconselhado. Jogou uma copa América inteira, com enorme desgaste e nesse arranque de época das tais transferências até 31 de Agosto, andou com a cabeça num bairrozeco de Londres. Evidente a falta de condição física e mental para atacar a nova época.

5 - Rolando, parece que desaprendeu de jogar futebol. Sai não sai, declarações a dizer que via com bons olhos a saída, quero experimentar novos campeonatos, novos ares, blá, blá, blá. Falta evidente de concentração competitiva no inicio de época. Uma desgraça a defender, a ocupar espaços, a ler lances (no Porto e na selecção). Parece quase o espanador que agora em Stanford Bridge espalha os piolhos e a falta de classe encoberta durante anos pelos Elmanos da santa terrinha.

6 - Kléber, não é madalena, parece um bom profissional, mas não tem lugar no Porto. Não tem atributos técnicos suficientes para vestir aquela camisola. Podem falar à vontade da convocatória para a canarinha. Um equivoco.

7 - Walter, gordo que nem um javardo. Esta tudo dito. Nunca trabalhou verdadeiramente no duro desde que chegou ao Porto. É um jogador cheio de potencial e com muita técnica nos pés e na cabeça, que a falta de inteligência e o excesso de peso não ajudam a mostrar, nem desenvolver.

8 - Hulk, mais do mesmo. Um portento físico e técnico que não tem (não quer ter) timing de passe. Não quer ler os lances e aproveitar o momento ofensivo da equipa e as linhas de passe trabalhadas por quem corre a seu lado. Prefere jogar para ele. A oxigenação do cabelo é evidencia da falta de concentração no essencial. Ajuda com toda a sua classe a esconder todos estes problemas que enumero.

9 - Varela, trabalha muito como sempre trabalhou mas esta num profundo abaixamento de forma. Muito jeito daria em forma numa equipa a cair de podre.

10 - Moutinho, começou a época estoirado fisicamente e vai levar tempo até atingir o nível a que nos habituou. A selecção não ajudou à festa.

11 - Sapunaru, cada vez mais uma auto-estrada, cada vez menos jogador. Danilo vai pegar de estaca no lado direito assim que chegar.

12 - Otamendi, péssimo na leitura e no timing de entrada aos lances. Sempre assim foi e não há melhoras. Maicon lento, mas na generalidade, se não fossem as faltas de concentração seria um central que muito jeito daria ao Porto. Valha-nos Mangala que é um craque (e vai prova-lo em pouco tempo). Com 19 anos e muitas arestas para limar já é o melhor central do plantel.

13 - Guarin, um excelente jogador, sempre o foi. Um portento físico, com uma capacidade de remate fabulosa (como o prova o melhor golo da época na Europa o ano passado), com grande visão de jogo e capacidade de passe longo (como o provam dezenas de passes de morte, que o cruzamento para Falcao marcar o golo da final de Dublin comprova). Tem drible, tem tudo. Falta a concentração competitiva, a capacidade mental. Tem que ser controlado, motivado, etc. Não está com a cabeça no Porto, nem no jogo, nem no que tem que fazer.

Querem dizer que a culpa é só do treinador? O plantel é bom, não é mau. Mas há problemas a mais, vedetismos a mais, falta de profissionalismo a mais. Isto não é de agora, já se arrasta e agora estoirou a bolha.

Não entendo se há problemas na preparação física. Parece que sim. Mas estes problemas com os jogadores não são fáceis de resolver e são a principal razão do momento da equipa.

Provavelmente Vítor Pereira não terá pulso para tanta madalena (como se viu com Queiroz na selecção), mas ele não é o principal, nem o único responsável.

A pré-época foi mal conduzida, há coisas mal explicadas. Há jogadores que deviam ter saído e há um que devia ter ficado e que queria ficar.

Enquanto estes problemas não forem resolvidos, bem podem vir treinadores meus amigos. Este não tem pulso, mas se a SAD fizer o seu papel e se a preparação física for adequada, pode vir a tê-lo. As substituições dos últimos jogos provam que o treinador não anda a dormir.

E tenho quase a certeza que nos vamos apurar para a próxima fase da Champions.
Daqui a umas semanitas conversamos.

O desengano europeu

Por Miguel Lourenço Pereira

O futebol vive da ilusão. A ilusão colectiva, individual e até mesmo óptica que tantas vezes levam uma bola que ia fora para dentro das redes só com a força do pensamento. Agarrados a essa ilusão, o colectivo que dá forma ao FC Porto, do qual todos fazemos parte, imaginou que essa bola, que rolava brilhantemente na Europe League com Villas-Boas, ia manter a trajectória certeira com o logótipo da Champions League. Uma ilusão que nem se ajusta à realidade do passado, que ajuda a explicar em grande parte o grande dilema do FC Porto desta temporada.

Em 2004-05 a direcção da SAD teve mãos um sério (e novo) problema para resolver. Depois de dois anos a vencer tudo, a esmagadora maioria dos jogadores lançados e consagrados por José Mourinho entendiam que o Dragão, por muito arejado que fosse, era pequeno demais para o seu talento (e ego). Um pulso que custou um ano (e talvez uma série histórica de títulos como se veria) e que devia ter servido de licção à SAD, aos adeptos e também aos jogadores. Ninguém tomou nota.
O clube gastou fortunas em jogadores consagrados (Luís Fabiano, Diego, Seitaridis), apostou num treinador incógnito para o lugar do homem que faz parte da santíssima trindade de qualquer adepto azul e branco (com Pedroto e Artur Jorge) e acabou com um problema grave entre as mãos. E, sobretudo, criou a ilusão que o efémero e surpreendente era reeditável. Não o era. Um clube em estado de sitio, com três treinadores numa só época, um dos quais despedido sem a bola rolar, realizou uma época deprimente e marcou um ponto final abrupto num biénio histórico. Sete anos depois a ilusão de por-se em bicos de pé voltou a poder mais com a brutal realidade em que nos acostumamos a viver.

O FC Porto de André Villas-Boas venceu quase tudo o que havia para ganhar (e deixamos o quase para essa “coisa” chamada Taça da Liga) com autoridade. Mas o que havia para ganhar? Uma Liga Sagres, competição que dominamos de forma absoluta nos últimos 30 anos, que é o objectivo mínimo de qualquer técnico do clube com maior orçamento, com melhor estrutura e com melhor plantel. Uma Taça de Portugal ganha diante de um rival demasiado débil e depois de uma meia-final onde a épica superou a lógica. E a Europe League. Essa grande competição internacional que a UEFA mantém porque é preciso algo para intercalar com o dinheiro – o verdadeiro dinheiro – que dá cor à Champions League.

Olhar para o palmarés da Taça UEFA (ou Europe League) desde que a Champions League arrancou é, sobretudo, ver equipas que se posicionam, correctamente, num segundo ou terceiro patamar do futebol europeu. Imaginam o Benfica e o Braga numa semi-final da Champions League? Ou o Fulham, Fiorentina, Glasgow Rangers ou Espanyol? Claro que não, e um clube com a experiência e o pedigree do FC Porto devia saber bem medir as distâncias do que é participar na Taça da Liga da UEFA do que é competir entre os adultos.

Criou-se nos adeptos a ilusão de que esta equipa podia reeditar o sucesso de Mourinho. É legitimo, o adepto existe porque sonha, porque pensa primeiro com o coração e depois com a cabeça. Porque vive para o clube e porque sofre com ele mais do que ninguém. Porque paga sem ter nada em troca a não ser essa ilusão.

O problema é quando essa ilusão passa da bancada para o palco presidencial e para o balneário. Aí é onde tem de estar a cabeça, a análise cerebral, e foi aí que este FC Porto começou a falhar. A direcção da SAD, capitaneada pelo senhor de sempre, entendeu que aplicar um orçamento de 100 milhões de euros – uma brutalidade para um clube português – fazia sentido nesse cenário de reconquista europeia. Comprou-se como nunca cromos repetidos quando havia números na caderneta por preencher. E os novos juntaram-se aos mesmos esfomeados que Villas-Boas domou para protagonizar uma época inesquecível esqueceram-se quem eram e de onde vinham. Sapunaru, Fucile, Alvaro, Fernando, Moutinho e Hulk reencarnaram nas figuras de Maniche, Derlei, Costinha e companhia e pensaram, honestamente, que os grandes da Europa iriam salivar por eles. Não salivaram, nem sequer por Falcao – só um clube como o Atletico de Madrid seria capaz de (não) pagar 40 milhões na conjuntura actual – e essa fome transformou-se em astio. O plantel ficou com overbooking de insatisfeitos, a SAD sem dinheiro para pagar o que deve e o futuro imediato em suspenso.

A situação relembra em tantas coisas 2004/05 que, para completar o (triste) cenário, só faltava mesmo essa imagem do treinador incompetente. Nesse ano foram três, figuras incapazes de controlar um balneário ilusionado com o seu reflexo no espelho. Figuras tacticamente medíocres, sem espírito de iniciativa e capacidade de reacção. E sobretudo, figuras menores tendo em conta as (grandes) ilusões de adeptos e directivos, que se viram superados pelo peso da responsabilidade.

Vítor Pereira, como tantos outros, será um grande portista e um competente número 2. Mas como António Morais foi incapaz de motivar os jogadores no balneário de Basileia, como recentemente confirmou Inácio na reportagem sobre a vida do Mestre Pedroto, também este tem o condão de empequenecer um clube e uma equipa que há meio ano eram vistos como a nata da Europa.

Se é verdade que Robson e Adriaanse foram campeões sem passar da fase de grupos, a verdade é que nenhum manifestou o claro problema de Vitor Pereira, um homem sem critério de jogo e, sobretudo, sem atitude. A culpa não lhe é exclusiva e o cenário podia até ser o mesmo com o pretérito treinador ao leme. Afinal, os outros dois vértices do triângulo continuam a ser parte da equação por muito que passem debaixo do radar de muitos adeptos que questionam pouco o negócio Danilo ou esses 7,5 milhões de euros gastos em comissões pela SAD. Mas ao contrário de Artur Jorge, depois da debacle frente ao Wrexham, está claro que este homem tem tudo menos um plano de futuro. E Pinto da Costa certamente também terá problemas em arranjar quem lhe pague esta clausula milionária agarrada a outra cadeira de sonho, de pura ilusão!

Nota final: O 'Reflexão Portista' agradece ao Miguel Lourenço Pereira a elaboração deste artigo.

sábado, 15 de outubro de 2011

Em busca do 11º consecutivo

Por Fernando Delindro


Nota: Na sequência do balanço da época 2010/11, publicado em Junho passado, o Fernando Delindro faz neste texto uma antevisão da época que tem hoje início, com a disputa da Supertaça (FC Porto x Oliveirense, 18h00, no Pavilhão Municipal de Ponte de Lima).


Agora que se vai iniciar a época desportiva do hóquei em patins do FC Porto vamos fazer a antevisão da mesma.

Começando pelo plantel quase podemos falar em revolução face aos anos anteriores. Este ano vamos ter 10 jogadores no plantel principal e não 9 + 2 juniores. Para além desta mudança saíram dois jogadores – Emanuel Garcia e André Azevedo. O primeiro vai para Itália e o segundo mudou-se para a Oliveirense e terá o seu primeiro encontro oficial contra o FC Porto.

Em sentido contrário a André Azevedo temos o novo treinador Tó Neves, o adjunto Pedro Lopes, o defesa/médio Nélson Pereira e o avançado Tiago Santos. Foi ainda contratado um jogador do 2º classificado – Caio. À excepção do Tiago Santos todos os novos já conhecem os cantos à casa.

Analisando o plantel parece ser um plantel mais comprido e tão competitivo como o da época passada que nos levou ao Deca-Campeonato. O treinador responsável pelos 10 campeonatos consecutivos, que os entendidos do sul consideram negativos para a modalidade, ficará como responsável pela secção e estará sempre perto da equipa que tão bem orientou, o que penso ser uma vantagem, pois não haverá um corte profundo com a lógica vitoriosa do passado recente.

Os principais rivais deverão ser os mesmos da época passada, com o 2º classificado como maior rival, logo seguido da Oliveirense e dos açorianos do Candelária. No 2º classificado saíram o Caio para o FC Porto, bem como, tiago rafael e ricardo pereira. Em sentido inverso, vem o Carlos Lopez, em fase de pré-reforma choruda, e o sérgio silva, que também já passou o pico da carreira. Assim, penso que este rival encontra-se menos forte do que na temporada passada. Na Oliveirense e no Candelária as saídas parecem ter sido bem colmatadas para manterem o nível dos anos anteriores, mas não parecendo suficiente para estarem no 1º pote de candidatos ao título.

A nível de calendarização houve uma revolução em que os quatro primeiros da época anterior só se podem defrontar nas últimas 5 jornadas de cada volta. Assim, ditou o “sorteio” que o FC Porto se desloque ao sul a 9 de Junho e a fechar o campeonato frente ao Candelária. Este tipo de calendarização mantém o suspense até ao fim, o que parece indicar que a FPP tinha medo que os rivais do FC Porto quebrassem e não conseguissem manter o campeonato até ao fim da época. Parece ser um calendário novamente alterado para, pela enésima vez, tentar acabar com a hegemonia do FC Porto. Atendendo ao que foi escrito anteriormente penso que não vão conseguir.

Na Liga Europeia o sorteio não foi nada amigo e colocou no caminho do FC Porto o campeão europeu Liceo, os italianos do Valdagno, no que parece tradição recente da competição, e os suíços do Genève, reforçados este ano com vários portugueses onde podemos destacar o veteraníssimo Pedro Alves. O FC Porto inicia a competição com a recepção ao campeão europeu (19/11), desloca-se a Genebra (17/12), recebe os italianos (21/1), desloca-se a Itália (18/2), desloca-se à Corunha (17/3) e recebe o Genève a (14/4). A final 8 irá decorrer de 24 a 27 de Maio. Nesta competição as aspirações do FC Porto crescem de ano para ano e arrisco-me a dizer que o merecidíssimo título europeu está para breve.

Espero que as notícias que a meio da época passada surgiram sobre ordenados em atraso não se repitam e que o FC Porto honre os seus compromissos com todos os briosos atletas que tão bem representam as nossas cores. Só assim podemos exigir o máximo de todos os atletas. Os atletas não merecem ter que ocupar as suas cabeças com esses problemas devendo focar-se única e exclusivamente nos treinos e na competição.

A expectativa é que esta época seja, pelo menos, tão vitoriosa como a anterior, mas considero que existem condições para ser ainda de mais sucesso.


Nota final: O 'Reflexão Portista' agradece ao Fernando Delindro a elaboração deste artigo.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Vítor Pereira: the right man for the job?

Por Filipe Sousa


O início desta época é marcado, de forma incontornável, pela final da Supertaça Europeia frente ao Barcelona. E se há uns meses atrás, existiam todas as condições para que esse confronto fosse, tanto quanto possível, jogado “olhos nos olhos”, o apelo do dinheiro – a treta do “desafio” é isso mesmo, uma treta, uma desculpa – deixou a equipa do Porto em risco de ser inapelavelmente batida e até mesmo humilhada.

As exibições frente ao Guimarães e a má imagem deixada frente ao Gil Vicente – a vitória não disfarçou visíveis dificuldades na defesa, e um incompreensível nervosismo frente a uma equipa recém-promovida – não auguravam nada bom frente à “melhor equipa do Mundo”. Aliás, a troca de palavras entre Vítor Pereira (VP) e Jorge Jesus, uns dias antes deixou transparecer um nervosismo natural mas estranhamente evidente; VP começou por demarcar-se do estilo do seu antecessor, dizendo que os confrontos com o treinador da equipa mais castelhana de Portugal, o Bienfica, seria travado exclusivamente dentro do campo, para debitar mais tarde um rol de violentas acusações sobre a mesma pessoa; eu não critico o conteúdo, mas a forma e a evidente contradição nas posições.

Porém o dia chegou, o Porto não venceu, mas deixou uma sensação paradoxal de dever (minimamente) cumprido e de esperança. Contra todas as expectativas, VP, “o substituto do André Villas-Boas” (AVB), começou no Mónaco a sair da sombra do seu antigo superior – porque até aí, a vitória na Supertaça nacional e as duas vitórias na Liga poderiam perfeitamente ser dadas como resultado do trabalho deixado pelo AVB – e a afirmar-se como treinador com capacidade para ocupar o cargo que detém.


Nem tudo foi perfeito frente ao Barcelona, quanto mais não seja porque Guardiola pode ter jogadores como Fabregas no banco e o VP tem de ter jogadores como Guarín no plantel – não, nunca gostei dele – mas é inegável que o nosso treinador sabe o que faz. O tempo dirá se possui outras capacidades vitais ao nível da gestão de homens e egos – algo em que o seu antecessor primava – mas pelo menos nos aspectos técnicos e tácticos, parece reunir todas as condições para atingir os objectivos que lhe foram propostos, e quiçá, até levar o Sr. Abramovich a despender 18 milhões de euros no final da época, para fazer dele o curador do seu “brinquedo”.

Contudo, até lá, o caminho foi, é e será pejado de obstáculos. O primeiro e mais complexo é sem dúvida a herança deixada pelo seu antecessor. Nesse aspecto, o AVB foi um sortudo: recebeu uma equipa desconjuntada e sem o título de campeão para defender – e é sempre mais fácil subir do que manter-se no topo, que o diga o Sr. Jesus. VP recebe uma equipa teoricamente melhor, mas com menor urgência de vitórias e certamente muito menos permeável ao discurso de “revolta” típico de AVB.

Outro obstáculo que costuma trocar as voltas aos treinadores do Porto, é o malfadado “mercado” e até nesse ponto, as sortes foram diferentes: a um deu João Moutinho, e com ele uma enorme “injecção” de moral em toda a equipa; ao outro tirou Falcao e não deu alternativa em troca, e ainda deixou vários jogadores no limbo, com o corpo no Porto mas com a cabeça em contratos milionários com clubes de segunda em ligas de primeira. Algo que um mercado de transferências com um calendário completamente ridículo e à medida dos clubes mais endinheirados, propicia e que curiosamente tem passado despercebido ao "sagaz" Sr. Platini. Isto já para não falar de contratações de 13 milhões que só chegam em Janeiro…!

Há ainda a juntar a tudo isto a componente europeia da temporada. Jogar a Liga dos Campeões, seja em que circunstâncias forem – e aquelas com que o VP se vai defrontar, em virtude das equipas sorteadas e das longuíssimas deslocações envolvidas, são bastante complicadas – é sempre mais difícil que disputar a Liga Europa, embora as expectativas não sejam obviamente tão altas.

Os desafios colocados ao VP são de monta e as condições que tem para trabalhar estão longe de serem as melhores, mas o homem, apesar de ainda estar a “apalpar terreno” no que toca à relação com os media e outros intervenientes no jogo, parece estar ciente das dificuldades, motivado e acima de tudo, ter as capacidades necessárias. Se isso é suficiente para levar o navio a bom Porto, é uma incógnita mas, até prova em contrário, VP tem a minha confiança.

Nota final: O 'Reflexão Portista' agradece ao Filipe Sousa a elaboração deste artigo.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Árbitros favorecem equipas de vermelho

Por António Silva

Experiência científica onde manipularam digitalmente as cores dos equipamentos de dois lutadores de Taekwondo. Originalmente, o lutador de vermelho conquistou mais pontos atribuídos pelos juízes mas, ao mostrar o mesmo combate com as cores trocadas digitalmente, foi o lutador (novamente) de vermelho a "vencer". Isto explica muita coisa...



Nota final: O 'Reflexão Portista' agradece ao António Silva a elaboração deste artigo.

sábado, 23 de julho de 2011

O Grego que sabia demais

Por Paulo Vanzeler Monteiro

Salónica, também conhecida como Tessalónica (em grego Θεσσαλονίκη, transl. Thessaloníki, "vitória sobre os tessálios") é a segunda maior cidade da Grécia e a principal cidade da região grega da Macedónia. A cidade foi construída por determinação de Cassandro, em 316 a.C., que lhe deu o nome da sua esposa, Tessalónica, meia-irmã de Alexandre Magno. Esta fora assim chamada por seu pai, Filipe II da Macedónia, por ter nascido no mesmo dia da vitória dos macedónios sobre os tessálios. Em 388, a cidade foi palco do Massacre de Tessalónica, quando, por ordem do imperador Teodósio I, 7000 pessoas foram assassinadas por se revoltarem contra o general Buterico e outras autoridades romanas.

Desde que foi subtraída à Macedónia, Salónica fez parte do Império Romano e do Império Bizantino, até que Constantinopla foi conquistada na Quarta Cruzada, em 1204. A cidade tornou-se capital do Reino de Salónica, fundado pelos cruzados, até ser capturada pelo Despotado bizantino do Épiro, em 1224. É reconquistada pelo Império Bizantino em 1246, mas, sem capacidade para fazer frente às invasões do Império Otomano, o déspota bizantino Andrónico Paleólogo é forçado a vendê-la a Veneza, que a manteve até 1430.
Sob domínio do Império Otomano até 1912, a cidade distinguia-se pela sua população maioritariamente judaica de origem sefardita, em consequência da expulsão dos judeus da Espanha. A língua mais usada na cidade era o ladino (língua derivada do castelhano) e o dia de descanso oficial da cidade era o sábado.

Tessalónica foi o principal "prémio" da primeira Guerra dos Balcãs em 1912, quando se tornou parte da Grécia. Durante a Primeira Guerra Mundial, um governo provisório foi ali estabelecido e dirigido por Elefthérios Venizélos. Este governo tornou-se aliado dos britânicos e franceses, contra a vontade do rei, que era favorável à neutralidade da Grécia.
A maior parte da cidade foi destruída por um incêndio de origem desconhecida, em 1917. O fogo teve como consequência a diminuição para metade da população judia que emigrou depois de verem as suas casas e seus meios de subsistência destruídos. Muitos foram para a Palestina. Alguns foram no Expresso do Oriente para Paris. Ainda outros foram para a América. Gregos exilados de Esmirna e de outras áreas da moderna Turquia em 1922, seguindo a derrota do exército grego que invadiu a Ásia Menor, chegaram a Tessalónica e influenciaram a cultura da cidade. Apesar dos esforços gregos, quase todos os habitantes judeus da cidade foram assassinados no Holocausto durante a ocupação alemã entre 1941 e 1944. Actualmente é uma cidade universitária, base da NATO e um importante centro industrial, com refinarias de petróleo, fábricas de maquinaria, têxteis e tabaco. (Fonte: Wikipedia)


Quarta-feira, 27 de Maio de 1987. Foi um dia mágico. Estava na Suíça, a estagiar no CERN, e juntamos vários portugueses num apartamento do lado francês para ver o Jogo. Os outros já tinham ido antes, em caravana para Viena, para ver a Coisa ao vivo. Arrependo-me até hoje de não os ter acompanhado… Fartámo-nos de beber vinho do Porto e a euforia com o resultado foi tanta, que viemos para as ruas de Genève a Lausane comemorar. Só a polícia suíça conseguiu arrefecer os ânimos Lusos, prendendo quem perturbava os “queijos suiços” e oferecendo uma noite de borla na esquadra. Aquilo era demais para a cabeça deles…

Ainda hoje me vêm as lágrimas aos olhos quando penso na alegria do nosso povo emigrante com aquela vitória do Porto. Quem nunca passou por isto, não imagina o que representa para aquela heróica gente, tão humilhada por essa Europa fora, uma vitória do nosso Clube, como aquela que se viveu em 1987, no estrangeiro.

A vida militar tinha-me endurecido, não só o físico como a mente. Odiei aquilo, e comecei a perceber na pele conceitos como liberdade, ditadura, justiça, etc. Mas no Verão de 1988, contra as regras da vida militar, resolvi ir conhecer mundo. Nesse tempo, isso fazia-se de comboio, que era o Low-Cost da altura. Eu e um amigo resolvemos empreender uma viagem até à Ásia! Isso significava ir, pelo menos, até ao outro lado da ponte, em Istambul. Que viagem! São tantas as histórias que carrego, que dava para ocupar muitos serões à lareira com os netos, se os tivesse. Foram dias e dias de comboios, cidades e perigos sem fim. Atravessamos a Espanha, depois a França, a Suíça, a Itália, a Grécia, e por fim a Turquia, isto só no caminho de ida.


Quando chegamos à Grécia, já nos sentíamos como o Marco Polo na China. Era um tempo em que para se telefonar para casa era uma verdadeira aventura, e uma experiência semelhante às comunicações da ida à Lua.

Lembro-me bem de chegar aquela terra. Depois de passar um dia suado com os 50 graus habituais, estava tipo autocolante. Quando chegou o fim da tarde, estávamos no nosso destino, um parque de campismo junto ao mar. Um mar que tinha mais de 30 graus. Uma experiência mágica, com aquele por do Sol. Foi aí que conheci o homem que sabia de mais.
Era o guia do parque, em Tessalónica, e, para mim, no fim do mundo. Perguntou-me de onde era. De Portugal, do Porto. O homem, vira-se para mim e começa a dizer umas palavras familiares: Futre, André, Jaime Magalhães, Frasco, Madjer,… Não queria acreditar. Aquele tipo, que falava uma língua inqualificável, e numa terra que nem sabia existir até então, sabia de cor toda a equipa do Porto, aquela que tinha ganho no ano anterior a Liga dos Campeões. Nem eu a sabia toda de cor.


Quando ouço dizer que o FCP é um clube regional, penso sempre para comigo: perdoem-lhes, que não sabem o que dizem.

Nota final: O 'Reflexão Portista' agradece ao Paulo Vanzeler Monteiro a elaboração deste artigo.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Sócios: Paixão e razão (IV)

Por Paulo Vanzeler Monteiro

Paixão e razão (I)
Paixão e razão (II)
Paixão e razão (III)

Para onde pende o adepto do FCP, quando confrontado com o dinheiro que terá de despender por ser sócio e ter um lugar anual, ou ver os jogos pela TV do café, animado de outros portistas na sua situação?

Se os rendimentos são suficientes, de facto não é um problema dar mais algum para a causa do clube do coração que, ainda por cima, anda (andava) a ganhar tudo, incluindo aos mouros. Quer se vá, quer não se vá ver os jogos ao estádio, lá se vai dando para o clube, quanto mais não seja para manter o número de sócio, que já vem desde pequenino.

O dilema começa quando o rendimento não é folgado, é preciso fazer contas à vida, e dar explicações domésticas sobre as vantagens de dar dinheiro a uma empresa que paga milionariamente aos seus empregados, ganha e gasta milhões na sua actividade e andam todos de Porsche, mesmo que esta seja a empresa do seu coração.
Para além do problema das explicações domésticas, há o próprio dilema de cada um, que sabe quanto lhe custa ganhar o pão nosso de cada dia. Por outro lado, ir ver a “SporTb” ao café lá do bairro, é como ir ao estádio! Só mesmo se é uma daquelas paixões doentias, que nem que os filhos passem fome, não dá para perder um jogo do clube junto com a equipa.

Há depois os intermédios, os iluminados pela razão, que ponderam todas as razões, e analisam as vantagens e desvantagens de aderir ao clube como pagante. Esse faz todas as contas e considera as razões invocadas pelo José Correia no seu interessante artigo. Há que reconhecer que o FCP tem muito que andar no que toca a atrair este tipo de adeptos, que até podem pagar, mas que ponderam se de facto também lucram alguma coisa por isso. Quando a coisa corre bem desportivamente, lá se consegue angariar mais uns sócios, mas fidelizá-los é outro desafio. Isso obriga a uma situação win-win para sócio e clube, que o FCP não tem conseguido fazer.

Hoje em dia, as seduções às pessoas são muitas e elas têm muito onde gastar o seu dinheiro, pelo que é preciso cativá-las, não só para ir ao estádio, quando a equipa atravessa um bom momento, mas para continuarem sócias mesmo quando a equipa atravessa o deserto, e isso só se consegue se o sócio também ganhar com isso.

Pessoalmente, a minha experiência é um bocado negativa, e acho mesmo que os sócios são desprezados, talvez devido à convicção que o futebol é só paixão. Mas não é. Ainda conservo o meu cartão de sócio, com o selo de 2004! Ainda hoje não lhes consegui perdoar o facto de não ter conseguido entrar no estádio no último jogo do ano, um jogo que já não contava para nada, era só de festa, mas eu queria estar lá. Tendo ido de moto, fui como de costume deixar o capacete no local habitual e a tempo e horas. Não houve ninguém para me atender. Nada funcionava. Essa frustração, e a atenção com que comecei a analisar outros aspectos desde então, levaram-me a concluir que onde o FCP é bom mesmo é no futebol, o resto é do século passado.

Quase tudo o que envolve os sócios é mal organizado e quase sempre são tratados com pouca atenção. Quando recebi a recente carta do nosso presidente, convidando à re-adesão ao clube, apeteceu-me responder-lhe igualmente por carta, o que vai feito por esta via, que sempre deve ter mais leitores. Para voltar a ser sócio, senhor presidente, no meu caso, basta que comecem a respeitar mais os sócios, em tudo o que isso significa, que paixão pelo FCP já eu tenho.

Nota final: O 'Reflexão Portista' agradece ao Paulo Vanzeler Monteiro a elaboração deste artigo.

domingo, 26 de junho de 2011

O Magnífico Pintini já não surpreende...

Por Filipe Sousa

Poderia alguém prever há um ano atrás, os resultados desta última época? Podia... Mas não seria uma previsão muito audaciosa. Pessoalmente, não diria que era expectável, mas era sem dúvida possível: vencer a liga doméstica e a antiga Taça UEFA não era um feito original. Porém, aquilo que ninguém esperava era o brilhantismo da “coisa”: o campeonato sem derrotas, os 5-0 no Dragão e a dramática reviravolta na Taça de Portugal. Pinto da Costa, sem nada de novo para conquistar, parece entreter-se a repetir os feitos do passado; mas se o clímax não surpreende, já a execução é sempre nova e diferente.

O primeiro truque envolveu a equipa técnica: a saída de Jesualdo Ferreira, treinador tri-campeão, cujo futebol só enchia o estádio na derradeira jornada, a da consagração. A primeira vez que falhou, foi a última. Entretanto, enquanto o país se arrojava aos pés do novo campeão, o génio de quem afinal o Mourinho tinha sido clonado, o Magnífico Pintini tentava contratá-lo. Consequências, caso esse intento se tivesse concretizado, ninguém conhece. Certo é que o “clube que só compra e não vende” ficou com mais uma enorme despesa (que também ninguém sabe como paga).

Resignado, o Magnífico Pintini recorreu a um truque velho e contratou um treinador sem currículo ou experiência – desilusão. Conhecedor do comportamento das massas, o velho ilusionista não se deixou intimidar e sem perder muito mais tempo, tirou da cartola aquele será para sempre um dos seus maiores truques: João Moutinho.


Sobre ele já muito se disse e escreveu, e por isso gostaria de salientar apenas isto: entre este plantel e o da época anterior – que (quase) nada venceu – eu destacá-lo-ia como a única e verdadeira diferença. O palmarés de um e outro contam o resto da história. Não quero com isto ofuscar ou menorizar outros desempenhos de jogadores como o Hulk, Falcao, Álvaro Pereira, Belluschi ou Hélton, porque poder-se-á dizer que fizeram aquilo que sabiam, demonstraram o valor que, de forma mais ou menos consensual, todos lhes reconheciam; a meu ver, esse valor só foi ultrapassado no caso do nosso guarda-redes. Hélton já demonstrara ser um grande guarda-redes, mas talvez não o suficiente para o Porto. Esta época dissipou qualquer dúvida, fechando uma época fantástica brilhando na final da Liga Europa. Hulk deu continuidade à excelente recta final que realizara na época anterior, e formou com Falcao uma dupla extremamente profícua, tanto nas competições internas como internacionais.

A juntar a estas certezas, porque nem só de estrelas vive uma equipa, outros “operários” brilharam com Guarín à cabeça – julgo que nenhum outro jogador evoluiu tanto – com golos e exibições irrepreensíveis, mas também Sapunaru, Rolando, Varela, James ... Em suma, uns confirmaram aquilo que esperava deles, outros transcenderam-se e outros ainda deixaram promessas de dias ainda melhores.

Numa época com tão bons resultados e tantas demonstrações de qualidade, é difícil (numa perspectiva de justeza), apontar o dedo a alguém. Mas os resultados, por melhores que sejam, não devem esconder o facto de que este plantel, apesar de todas as mais-valias, tinha uma lacuna gravíssima e que poderia ter-se revelado fatal: Falcao nunca teve um substituto à altura e Walter, embora tenha tido um pecúlio muito interessante, nunca foi alternativa – grave na medida em que a sua contratação foi muito mais complexa e dispendiosa do que a do artilheiro colombiano; aliás, o período mais “baixo” da época coincidiu com a ausência de Falcao, e a “nulificação” do Hulk; aliás, todo o processo que envolveu a vinda do Walter, assim como o “affair Kléber” são as notas dissonantes na habitualmente exemplar actuação do Porto no mercado de transferências, mas que de uma forma global não merece reparos.

Além destas situações, há a apontar o ocaso de Fucile; o bom senso aconselhava a sua manutenção na equipa, embora a sua prestação no Mundial fosse um catalisador para um bom negócio; não houve negócio nem Fucile, que realizou uma temporada muito aquém daquilo que já demonstrara. Fernando é outro caso de expectativas goradas. E Maicon também deixou muito a desejar; dada a sua fraca evolução, a sua continuidade no plantel poderá mesmo ser questionada.

Posto isto, falta apenas falar de André Villas-Boas, o coelho que o Magnífico Pintini tirou da cartola no arranque da época. É dele o mérito de ter transformado uma equipa desagregada e desmotivada, numa “debulhadora” de títulos, taças e recordes, apenas com duas alterações no onze-tipo: Moutinho e (até certo ponto) Otamendi. Como se um campeonato sem derrotas, uma Taça de Portugal e uma Liga Europa não fossem suficientes, houve reviravoltas dramáticas, batalhas à chuva, na neve, no frio, e vitórias, muitas. E muito do mérito, é dele. Não houve Taça da Liga, mas julgo que também ninguém o censura por isso.

As expectativas para nova época são/eram altas, mas não (pelo menos para mim) a ponto de culminarem com a (re)conquista da Liga dos Campeões. Em 2004, o poderio do futebol europeu estava distribuído por vários clubes, como o AC Milan, Real Madrid, Manchester Utd ... naturais candidatos à conquista da Taça dos Campeões. Actualmente, todo esse poderio se concentra numa só equipa: Barcelona. E como já ficou demonstrado em várias ocasiões, equipas com mais argumentos que a do Porto, não foram capazes de quebrar esse poderio. Porém, a Supertaça Europeia será/seria um teste interessante e o Futebol é imprevisível. Obrigatório para mim será/seria sim, eliminar de forma inequívoca o Arsenal e Arséne Wenger, equipa e treinador para com os quais estamos em “dívida” desde há uns anos para cá.

“Seria” e já não “será”? Quando comecei a escrever este artigo, por alguma razão que não consigo explicar, senti alguma inclinação para louvar mais o trabalho do Pinto da Costa – e não sou um indefectível – do que propriamente do treinador. E ainda bem que assim aconteceu. Porque se há alguém que merece ser louvado é o Presidente; se há alguém que realmente seja Portista, é ele (mesmo que seja em troca de um ordenado chorudo – merece-o!). Pinto da Costa tem mais anos de dedicação ao Clube, que o Villas-Boas tem de idade. Convém reflectir muito bem nisto. Ser Portista é mais do que bater no peito e afirmá-lo: é preciso demonstrá-lo. No mínimo, é não deixar o trabalho a meio e passar-se para as bandas de lá, só porque o ordenado – e não o prestígio do Chelsea, que tem pouco disso – o justifica. Abramovich «abriu-lhe os braços e disse "vem por aqui"». E ele foi. Pobre o adepto do Chelsea que tem um presidente que compra tudo feito – uma Taça dos Campeões conquistada pelo Porto vale 10 conquistadas (ou compradas) pelo Chelsea. O meu Presidente tem obra, tem mérito, o Abramovich tem o quê além de dinheiro?

“Seria” e ainda pode vir a ser. As dificuldades aumentaram mas as expectativas – pelo menos as minhas, que não considero extremamente altas – continuam legítimas. Será difícil manter as principais figuras da equipa (quando são aliciadas, na minha opinião de forma ilegal, por “Jorges Mendes” e quejandos), e mais ainda fazer-lhes ver que o mérito pelos resultados da última época, é de todos e não apenas do treinador, mas a vitória no campeonato e uma boa prestação na Liga dos Campeões, estão ao nosso alcance. Acima de tudo é urgente estabilizar a equipa técnica e o plantel, e quiçá, começar a negociar cláusulas de rescisão que demasiado altas para petro-milionários. Espero ainda que o Iturbe seja pelo menos tão bom como o Anderson e que fique por cá o dobro do tempo.

Finalmente, quedamos-nos de novo só com o Magnífico Pintini. Pode parecer pouco, pode parecer que não mais voltará a surpreender-nos, mas neste espectáculo nada é garantido e o velho não gosta de perder. E portanto os truques mudam, os artistas vêm e vão, mas a pequenada não desmobiliza porque embora saiba que a carta está escondida na manga, nunca se sabe de onde ela vai aparecer.

Nota final: O 'Reflexão Portista' agradece ao Filipe Sousa a elaboração deste artigo.

sábado, 25 de junho de 2011

Hóquei, balanço da época

Por Fernando Delindro


A época de 2010/2011 foi a mais difícil desta longa série vitoriosa que culminou com a conquista do DECA CAMPEONATO, em 4 de Junho de 2011.

O começo da época não foi o melhor, devido à participação de jogadores fundamentais nas selecções e que não chegaram ao clube nas melhores condições.

A Supertaça António Livramento foi a primeira batalha disputada em Coimbra em Setembro e o nosso desacerto nos penalties e livres directos, aliado à boa performance do inimigo neste capítulo, e com uma forte dualidade de critérios de arbitragem, levaram ao desaire e deixavam antever uma época duríssima que se veio a confirmar.

No início do Campeonato conseguimos rectificar a imagem deixada na Supertaça e entramos com uma vitória ante a aguerrida equipa do Valongo. Outras vitórias se seguiram, até que a 6 de Novembro nos deslocávamos ao terreno do eterno candidato na última década que, felizmente, tem sido sempre derrotado e a entrada em igualdade pontual deixava antever um jogo complicadíssimo. A sorte nas bolas paradas alterou-se face ao duelo anterior em Coimbra e aliada à melhoria do critério de arbitragem permitiu que a vitória sorrisse aos então ENEA CAMPEÕES.

A saída desta jornada permitia antever um campeonato duro mas desde logo com vantagem para o FC Porto. Na jornada seguinte a recepção ao Candelária trouxe o primeiro dissabor do Campeonato e a prova de que todos se “mordiam” para derrubar o FC Porto e um empate a 3 golos colocava alguma pressão no FC Porto em não perder mais pontos que o colocasse numa posição desconhecida desde há alguns anos. A equipa reagiu bem e com vitórias ante Espinho, Limianos e Braga.
A vitória em Braga fica marcada por um critério estranho da dupla de arbitragem Jaime Vieira e Joaquim Carpelho, em que ignoraram as regras internacionais e paravam o jogo para assinalar faltas, quando as regras dizem que se deve assinalar a falta e deixar prosseguir o jogo.
A deslocação a Viana, num jogo terrível para o FC Porto em que tudo corria mal, trouxe a primeira derrota da época e colocou a nossa equipa na posição de perseguidor, algo que não estávamos, felizmente, habituados. Era um período difícil para a nossa equipa e de intranquilidade que nem as vitórias frente ao Gulpilhares, Física e OC Barcelos nos permitiam descansar.
A 26 de Janeiro deslocação a Oliveira de Azeméis e uma derrota que nos colocava mais distantes do título já que o nosso inimigo não escorregava nem tropeçava como acontecia em anos anteriores. Neste momento passávamos a depender de terceiros para alcançar o objectivo do DECA CAMPEONATO.
Apenas 10 dias e as esperanças renasciam com o empate do líder dessa altura na deslocação aos Açores. As três jornadas seguintes eram cruciais, já que a perda de pontos seria fatal, visto que impediria a troca de liderança. As vitórias alcançadas em Cascais, na recepção ao Cambra e em Porto Santo colocavam o duelo no Dragão Caixa, a 5 de Março, decisivo para o FC Porto.

A recepção ao eterno candidato a campeão correu dentro das expectativas e a vitória colocou o FC Porto na posição que é sua por norma, ainda que em igualdade pontual, e possíveis escorregadelas fossem determinantes para a perda do objectivo.


A jornada seguinte era um teste duro com a deslocação aos Açores e o que durante o jogo parecia uma batalha perdida foi, no fim, uma vitória conseguida com muita raça, garra e querer. Este jogo permitiu clarificar algumas posições e ver que o máximo dirigente açoreano anda no hóquei para tentar beneficiar terceiros já que só se revolta por não ganhar ao FC Porto não dando mérito a uma equipa que lutou até ao fim do jogo.
As recepções ao Espinho, Braga, Viana e Física, intercaladas com deslocações a Ponte de Lima, foram ultrapassadas e colocavam-se embates tradicionalmente difíceis em Gulpilhares e Barcelos juntamente com a recepção à Oliveirense. Pelo meio ficava a recepção à Física. Estes jogos foram superadas em especial dificuldade com a excepção do jogo que confirmou o título na recepção aos comandados de Tó Neves.

Nas competições europeias a fase de grupos ficou marcada pela derrota pesada na deslocação ao Valdagno no período mais negro da época em Dezembro. Este derrota arredava a equipa do 1º lugar do grupo colocando a nossa equipa na rota do Barcelona.


Na final 8 disputada em Andorra, ainda na ressaca de Dublin, defrontamos e vencemos no golo de ouro os catalães num pavilhão maioritariamente português tal a presença dos nossos emigrantes. No dia seguinte seguia-se outro osso duríssimo com a recepção ao então 1º classificado da Liga Espanhola, o Liceo da Corunha. Não entramos muito bem no jogo e vimo-nos a perder 3-0. Depois, como prova do querer e da raça desta equipa, chegamos ao 3-3 e no prolongamento manteve-se a igualdade. Nos penalties fomos eliminados de forma inglória num penalti defendido pelo guarda-redes dos galegos de forma irregular, já que não se encontrava em cima da linha de golo e teria sido expulso obrigando à entrada a frio de um outro guarda-redes. Tal como em 2010, saímos de prova sem perder um jogo na fase decisiva. A minha confiança é que um dia destes a taça virá para o nosso lado e eu vou lá estar a apoiar já que estive nestes dois desaires um pouco inglórios.

Por último a retrospectiva da Taça de Portugal. Entramos na competição defrontando a Académica de Espinho em casa e conseguimos a vitória. De seguida o sorteio colocou no nosso caminho a combativa equipa do Santa Cita. Como são uma equipa da 3ª divisão manda o regulamento que a equipa de divisão inferior jogue em casa. Nova vitória e assegurada a presença na final 4 em Coimbra. Novamente o mesmo pavilhão da Supertaça e a dupla de arbitragem da visita Braga. O resultado foi similar ao da Supertaça com a vitória a sorrir à Oliveirense. Foi um jogo que não entramos bem e ao intervalo perdíamos 2-1. No início da segunda parte passamos de 3-2 para 5-2, tendo o 5º golo da Oliveirense sido marcado bem acima do 1,5m permitido pelas regras. Com dois livres directos Pedro Gil aproximou as equipas no marcador e a equipa acreditou que podia empatar e lutou até ao fim. Com o resultado em 5-4 Emanuel Garcia rouba de forma 100% legal uma bola junto à tabela lateral e o árbitro marca falta quando devia ter deixado jogar e seria um contra-ataque de 2 para 1 do FC Porto que podia ter dado o empate e o prolongamento que seria merecido pelo que os DECA CAMPEÕES fizeram na parte final do jogo mas inglório se olhássemos para os primeiro 35-40 minutos em que não conseguiram colocar toda a qualidade em pista.
No fim fica a dúvida se é do pavilhão que está enguiçado ou se é coincidência e o problema reside nas duplas de arbitragem que erram contra nós quando jogamos no pavilhão Mário Mexia.

A preparação para a época correu sem grandes alterações no plantel apenas com a saída de Jorge Silva e a entrada de Gonçalo Suíssas. Foi a adaptação do Gonçalo a um grande clube e assim a utilização foi um pouco irregular, tendo aumentado ao longo que a época se aproximava do fim e em que as exibições dele foram melhorando. A empatia entre o Gonçalo e os adeptos foi grande tendo-lhe sido adaptada a música do João Moutinho e, tal como expresso na música, o Gonçalo alcançou o seu primeiro título nacional no FC Porto. O Gonçalo é um valor seguro da modalidade e a nova época certamente trará um Gonçalo ainda mais preponderante.

O balanço da época é positivo já que o principal objectivo foi conseguido e a dureza da época não permitiu que a equipa se apresentasse mais fresca, quer em Andorra, quer em Coimbra para a Taça de Portugal e conseguisse mais algum título.

Um agradecimento especial ao André Azevedo por estes 4 anos que defendeu as nossas cores e ao Emanuel Garcia que sai 11 anos depois de ter ingressado na formação do nosso clube. Boa sorte aos dois nos novos desafios que terão nas suas carreiras.

Ao mister Franklin Pais um enorme obrigado por estes 10 anos que culminaram com 10 títulos. Espero que as novas funções que o mister Franklin irá abraçar lhe tragam tanta felicidade como até aqui enquanto treinador. A certeza porém é que Franklin Pais será um nome incontornável na história da modalidade e na história do clube, primeiro como jogador e agora como treinador. Esperamos que entre na história também nas novas funções que lhe serão confiadas.

A finalizar fica a tristeza de algumas notícias desagradáveis na comunicação social dando conta de ordenados em atraso, algo que estes bravos guerreiros não merecem. O desejo para a nova época é da não repetição destas notícias já que estes atletas, bem como os do andebol e do basquetebol, encarnam a 100% o espírito do Dragão e merecem que o clube cumpra os compromissos que tem com eles. Esperamos que todos os problemas sejam ultrapassados porque os atletas precisam de estar 100% focados nos jogos e treinos e com a cabeça cheia de problemas é muito difícil.

Nota: Nas próximas semanas será elaborado um artigo antevendo a nova época.


Nota final: O 'Reflexão Portista' agradece ao Fernando Delindro, um apaixonado do Hóquei em Patins e um portista sempre presente nos jogos das modalidades, a elaboração deste artigo.

sábado, 18 de junho de 2011

Sócios: Paixão e razão (III)

Por Miguel Lourenço Pereira

Paixão e razão (I)
Paixão e razão (II)


Há poucos adeptos no mundo tão identificados com os seus clubes como os britânicos. E, no entanto, no futebol inglês o conceito de “sócio” não existe. Mas há uma profunda preocupação, em ambos os sentidos, de que a relação entre o adeptos e a instituição seja dinâmica e interactiva.
Em pleno século XXI o FC Porto, já um grande da Europa por direito próprio, ainda tem muito caminho por percorrer neste sentido.

Talvez mais importante do que aumentar o número de sócios – esse conceito latino que ainda hoje perdura – seria valorizar os sócios já existentes. Para muitos, independentemente da antiguidade no clube, ser sócio significa apenas pagar um pouco menos pelo bilhete de jogo ou pelo lugar anual. E nada mais. A esmagadora maioria nunca utilizou o cartão que o clube vai renovando, pura e simplesmente porque ninguém lhes explicou que aquilo é mais do que um cartão: é um símbolo de união com a instituição. E para que essa ideia entre na cabeça dos sócios é primeiro preciso valorizar essa relação.

Nenhum sócio é mais portista por pagar quotas mensalmente, isso já todos o sabemos, mas os 120 euros que paga ao ano são uma ajuda às arcas do clube que deve ser recompensada. Já se falou aqui de acções com sponsors, com instituições parceiras do clube e essa realidade, hoje básica em clubes de topo europeus, no Porto ainda é um mito. Mas é preciso ir mais longe.

Ser sócio do FC Porto e viver no estrangeiro, como sucede comigo há uns bons anos, é como um casamento à distância a viver de lembranças pretéritas. As quotas dos sócios que vivem longe do Porto, tanto em Portugal como no estrangeiro, continuam a ser pagas, as contas do clube agradecem, mas nenhum sócio recebe nada em troca.

A página Web do clube não tem uma área dedicada de acesso aos sócios com conteúdos exclusivos. Conteúdos que podiam passar por sorteios com jogos a serem vistos no camarote presidencial, visitas ao balneário, viagens com a equipa, ofertas de merchandising, ou outras iniciativas que valorizem essa união. Iniciativas que devem apostar numa imagem de exclusividade e recompensa, elementos chave de diferenciação para garantir ao sócio que unir-se ao projecto FC Porto é, para lá de uma grande paixão, uma aposta pessoal com contrapartidas a seu favor que mais ninguém pode usufruir. O sócio que pode mostrar com orgulho aos amigos uma foto junto do presidente no camarote, o autógrafo conseguido do seu jogador preferido no balneário, ou o bilhete preferencial para um jogo fora de casa na sua zona de residência, é um sócio feliz. Um sócio capaz de demonstrar de forma palpável aos adeptos do seu clube, que há uma vantagem real em pagar uma quota mensal ao clube do seu coração.

O FC Porto vende-se muito mal para o sucesso que tem e, tirando os habituais sócios e adeptos historicamente fiéis, é difícil fazer a marca funcionar lá fora. Porque o clube aposta muito pouco nessa relação. Já discuti aqui a necessidade de uma política de marketing e merchandising profissional, capaz de capturar os grandes momentos do clube, eternizar a imagem do colectivo mesmo para aqueles que não a conhecem.

No ano passado, no final da Liga, o Benfica não perdeu tempo em editar um DVD comemorativo do título. Foi colocado à venda de forma consciente para aproveitar o fluxo de vendas que a romaria habitual dos nossos emigrantes provoca. E funcionou. O FC Porto, nesse sentido, continua uns passos atrás de muitos clubes e o sócio dragão também tem consciência disso.


Numa época de crise apostar numa relação de fidelidade implica contrapartidas. O clube tem direito a exigir um aumento de quotas para manter a competitividade do projecto desportivo. Mas só se o sócio sentir que parte desse dinheiro lhe é devolvido de forma indirecta. Dois não fazem nada se um não quer. O clube terá de dar o primeiro passo e demonstrar que entrar no futuro, como preconiza Angelino Ferreira, é também entrar numa nova etapa na relação directa e pessoal com quem tem sido o alicerce da instituição desde os primeiros dias.

Nota final: O 'Reflexão Portista' agradece ao Miguel Lourenço Pereira a elaboração deste artigo.